domingo, 2 de outubro de 2011

Cardeal Korec: mártir da Igreja do Silêncio

Cardeal João Crisostomo Korec
Recentemente faleceram dois cardeais que sofreram dores de mártires pelas mãos do comunismo: o Cardeal eslovaco João Crisostomo Korec e o Cardeal Casimiro Swiatek da Bielorrússia.

O bispo mais jovem do mundo

O Cardeal João Crisóstomo Korec foi sagrado bispo secretamente na Tchecoslováquia quando tinha apenas 27 anos. Então era o bispo mais jovem do mundo!

A história do Cardeal Korec sob o comunismo é realmente dramática.

Ordenado sacerdote em 1950, um ano mais tarde se tornou sucessor dos apóstolos, numa cerimônia “feita às pressas, de medo que a polícia irrompesse a qualquer momento.”


Passou os nove anos seguintes trabalhando como operário numa fábrica até que em 1960 foi preso e encarcerado junto com mais seis bispos e 200 sacerdotes.

Ele foi liberado no ano de 1968 durante a chamada “Primavera de Praga”. Na época se encontrava gravemente doente.

Após a brutal repressão soviética ele continuou seu apostolado, mas sob os aspectos de um humilde gari. Em contrapartida, ele pode celebrar a Santa Missa de público pela primeira vez.

Tanques soviéticos esmagam "Primavera de Praga"
Ponto de referência da resistência anti-comunista

Em 1969, em pleno período pós-conciliar, ele recebeu a permissão dos déspotas marxistas para ir para Roma.

Os tiranos socialistas estavam em fase de aproximação com a nova diplomacia de distensão vaticana. Em Roma recebeu as insígnias episcopais.

Porém, Dom Korec não participava do espírito da distensão entre o Vaticano e o Kremlin na qual via uma traição aos mais altos interesses da Igreja.

Resultado: em 1974 ele foi preso novamente, com o pretexto de pagar quatro anos de prisão que estavam pendentes. A Ostpolitik vaticana em relação ao sucessor dos Apóstolos resistente não adiantou de nada!

Quando ficou livre, foi obrigado a carregar, embora doente, tambores de alcatrão até à idade de 60 anos.

Giampaolo Mattei escreveu do bispo perseguido:

“Seu apartamento modesto em Petrazlka, área industrial nos arredores de Bratislava, tornou-se um ponto de referência para a sobrevivência da vida cristã na Eslováquia. Ele também inventou truques engenhosos para fugir dos artifícios da espionagem que enchiam sua casa. Mas foi somente em 1989 que pode usar em público as insígnias dos bispos.

“Em 1990 foi nomeado bispo de Nitra, a mais antiga diocese na Europa Central e Oriental (fundada em 880, quando ainda estava vivo São Metódio), e em 1991 foi elevado ao Cardinalato. Em 1998, o Vaticano o chamou para pregar os exercícios quaresmais”.

Ostpolitik vaticana “a maior tristeza de minha vida”

Este filho fiel do Papado não poupou palavras severas para a desastrosa política de aproximação da Santa Sé com o Leviatã comunista executada por Mons. Casaroli, posteriormente feito Cardeal e Secretário de Estado de João Paulo II.

Os acordos com o regime persecutórios comunistas pretendiam criar – para consumo dos ocidentais ignaros ‒ condições de “coexistência pacífica e de cooperação” entre os povos católicos e seus algozes.
Mons. Casaroli: eficaz instrumento
da colaboração com os regimes marxistas


Mas, não era assim que viam essa política diplomática heróis da fé como o Cardeal Mindszenty e o Cardeal Korec.

“Eu obedeci [à Santa Sé]. Mas esta foi a maior tristeza da minha vida. Os comunistas, por essa via conseguiram pôr suas mãos sobre o governo da Igreja ... A Igreja foi obrigada a se refugiar nos templos e depois se apagar lentamente ... Em nosso país foi perigosíssimo o fato de negociar aquilo que nós tínhamos de mais precioso, isto é a chamada Igreja clandestina [resistente ao comunismo]. Eu mesmo fui obrigado a interromper a ordenação secreta de sacerdotes. Para nós, foi realmente uma catástrofe, quase como se nos tivessem abandonado, jogado fora”, declarou ele em entrevista a “Il Giornale” em 18/07/2000.


4 comentários:

  1. A foto em preto e branco não é do cardeal Agostino Casaroli, mas do cardeal Jean Villot, que foi Secretário de Estado de Paulo VI, João Paulo I e por alguns meses de João Paulo II.

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  2. O fato em preto em branco não é do cardeal Agostino Casaroli, mas do cardeal Jean Villot.

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  3. Agradecemos a correção e já procedemos à substituição da foto.

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  4. Pode-se não concordar com a Ostpolitik desenvolvida durante o pontificado de Paulo VI, cujo principal artífice foi Mons. Casaroli e depois cardeal. À luz da época, era compreensível. O Papa não poderia ficar insensível à dramática situação de tantas almas de quem era o Supremo Pastor, ainda que isso exigisse o sacrifício de alguns. Depois a Igreja não tem um sistema político e nem tem partido. Ela convive com regimes pagãos (o Império Romano), despóticos, ditadoriais, democráticos... o que ela pede é a "libertas ecclesiæ". Mons. Casaroli foi um dos principais articuladores da "Conferência de Helsinki" em 1975 no que tange a determinação dos povos e a liberdade religiosa. A URSS, à época, também subscreveu por necessidades políticas. Mais tarde, a URSS se sentiria tolhida diante de tal compromisso a não se comportar com dissidentes, como fizera na Hungria em 1956 ou Tchecoslováquia em 1968.

    Isso possibilitou a Santa Sé a começar pôr em ordem a dramática situação da Igreja além da "cortina de ferro". Em missão especial, não oficial, pode Mons. Casaroli visitar a Tchecoslováquia em março de 1973. Na ocasião, Casaroli juntou-se ao ex-arcebispo de Praga, František Tomášek, que estava impedido de exercer o ministério e ao arcebispo Stepán Trochta de Litomerice, também impedido, e ordenaram respectivamente:

    Jozef Feranec em 03-03-1973, Julius Gábriš em 03-03-1973, Jan Pasztor em 03-03-1973 e Josef Vrana em 04-03-1973. Atenção para as datas! Ordenações episcopais "por atacado". Penso que o Governo soube, mas fez que nada viu. Na época, Ján Chryzostom Korec era bispo clandestino de Bratislava e desde 1951 estava preso. Ele fora ordenado padre numa enfermaria de um hospital aos 27 anos de idade e semanas depois, sagrado bispo, clandestinamente, mas com conhecimento do ex-núncio, que tinha sido expulso da Tchecoslováquia e do Papa Pio XII.

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