domingo, 23 de março de 2014

Invasores russos movem perseguição
contra sacerdotes católicos na Criméia

O Pe. Mykola Kvych capelão naval em Sebastopol.
O Pe. Mykola Kvych capelão naval em Sebastopol.

Assim que o presidente russo Vladimir Putin iniciou a manobra de anexação ilegal da Criméia, a Igreja Greco-Católica, fiel à Santa Sé, começou a sofrer uma “perseguição total” na península, segundo as autoridades religiosas.

“A vida da Igreja Católica de rito greco-católico está paralisada”, disse o Pe. Volodymyr Zhdan, chanceler da eparquia (equivalente a uma diocese) de Stryi na Ucrânia ocidental falando para a agência CNA.

Desde 2006 até 2010, o Pe. Zhdan foi chanceler do exarcato de Odesa-Krym que incluía a península da Criméia.

Três sacerdotes greco-católicos foram sequestrados por militares russos que fingem serem paramilitares independentistas.

Para o Pe. Zhdan esses múltiplos sequestros “não são um acidente”.


O Pe. Mykola Kvych, capelão naval em Sebastopol, foi preso logo depois de uma cerimônia por um defunto, em 15 de março. No dia seguinte foi a vez do Pe. Bohdan Kosteskiy de Yevpatoria e do Pe. Ihor Gabryliv de Yalta.

Os três foram liberados na alta noite, mas a intimidação foi clara: tinham que ir embora ou sofreriam punições muito mais graves.

O sacerdote informou ao Serviço de Informação da Igreja Ucraniana Greco-católica que ele foi objeto de um interrogatório que durou 8 horas, bem no estilo da KGB.

Os interrogadores diziam pertencer às forças de autodefesa da Criméia, ficção criada por Vladimir Putin. Eles tinham por trás oficiais de inteligência vindos da Rússia.

O padre foi acusado de “provocações” e de fornecer armas para a Marinha ucraniana. O Pe. Kvych sustentou que ele organizou levou alimentos para uma base naval ucraniana e que passou dois coletes a prova de bala para jornalistas.

O Pe. Mykola Kvych abençoa o pão pascal em 2013.  Fonte: UGCC Information Department.
O Pe. Mykola Kvych abençoa o pão pascal em 2013.
Fonte: UGCC Information Department.
Os sequestradores acusaram o Pe. Kvych de pertencer ao “Exército SS”, em malevolente alusão ao exército nazista na II Guerra Mundial, época em que o sacerdote nem tinha nascido.

Também foi acusado de “extremismo”, crime que a lei russa pune com 15 anos de prisão. Ele foi citado a depor diante de um tribunal dentro de duas semanas.

O Pe. Kvych fugiu para o centro da Ucrânia com a ajuda de seus paroquianos.

Além dos intimidantes sequestros, os religiosos católicos estão sofrendo outras formas de perseguição em diversos locais.

O Serviço de Informação Religiosa da Ucrânia noticiou que a pequena capela de Kherson, no norte da Criméia, ficou sem luz, após os agentes de Putin cortar a linha.

Em 15 de março uma paróquia em Kolomyya foi depredada, e outra em Dora foi reduzida a cinzas. As duas paróquias ficam na região de Ivano-Frankivsk na fronteira com a Romênia no oeste do país.

Na Criméia, o clero está recebendo telefonemas e mensagens ameaçadoras. Na casa de um dos padres sequestrados se encontrou uma mensagem escrita dizendo que a violência era “uma lição para os agentes do Vaticano”.

“Isto não é novo”, disse o bispo D. Vasyl Ivasyuk. “Na época soviética nós sempre éramos acusados de sermos ‘agentes’ do Vaticano. Obviamente não é todo o povo da Criméia que pensa que nós somos espiões, mas se trata de um grupo muito ativo que trabalha para a Rússia”, declarou à agência CNA.

A Igreja Católica de rito greco-católica foi pesadamente perseguida sob a tirania soviética. Ela foi declarada ilegal, mas continuou trabalhando na clandestinidade até 1989.

“A Igreja emergiu da clandestinidade há 25 anos, tendo sido a maior igreja ilegal no mundo”, explicou o bispo D. Boris Gudziak, eparca de Paris.

O Pe. Mykola Kvych capelão naval em Sebastopol.  Fonte: UGCC Information Department.
O Pe. Mykola Kvych capelão naval em Sebastopol.
Fonte: UGCC Information Department.
“A Igreja Ucraniana de rito Greco-católico foi o maior grupo social de oposição à ideologia soviética e a seu sistema totalitário. Ela ficou completamente ilegal, em ‘catacumbas’, mas espiritualmente livre porque nunca colaborou”, com o perseguidor anticristão.

“Muitos habitantes da Criméia nos respeita por não temos tomado parte e eleições e ficado de fora da política”, disse. “Nossos sacerdotes não concorrem por cargos públicos, fato que lhes garante autoridade moral”.

Após a invasão das tropas de Putin, só dois sacerdotes católicos ainda podiam exercer seu ministério na Criméia.

Dom Ivasyuk explicou que os dois padres querem ficar com o povo o maior tempo possível, embora percebam a “boca do leão”.

Em 18 de março, o Departamento de Assuntos Religiosos e Étnicos da Ucrânia, do Ministério da Cultura, emitiu uma declaração condenando a perseguição do clero na Criméia.

“Recentemente, na República Autónoma da Criméia foram documentados casos de perseguição de clérigos de várias denominações. Está havendo uma violação dos direitos sem precedentes em matéria de liberdade de consciência e de religião”, diz o documento.

“Pedimos que tenha fim a prática do terror e que as liberdades e direitos sejam respeitados”, acrescenta.

Após a anexação ilegal da Criméia pela Rússia, não é claro qual será o futuro dos sacerdotes católicos na região. Na península da Criméia moram 5.000 fiéis greco-católicos.

“O que nós vimos neste fim de semana [sequestro dos três padres] é um sinal perturbador do que será a futura direção política”, concluiu o Pe. Zhdan, pensando na “nova-URSS” de Putin.


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