quarta-feira, 11 de março de 2015

Moscou favorece o álcool
para entorpecer a população descontente

Venda de vodca num supermercado de Moscou.  Governo abaixou os preços para favorecer o consumo.
Venda de vodca num supermercado de Moscou.
Governo abaixou os preços para favorecer o consumo.



A degradação da economia russa levou Moscou a adotar uma medida aparentemente irracional, mas já praticada em larga medida no tempo da União Soviética.

O regime de Putin ordenou baratear 16% o preço da vodca, já muito baixo, para acalmar a população. O “Moscow Times” informou que o preço de meio litro caiu para sete reais.

Em termos mais diretos, este é um dos recursos de que lançou mão o governo na sua tentativa de anestesiar o mal-estar popular e estimular a bebedeira, um dos vícios mais arraigados e perniciosos na Rússia.

Segundo estudo citado pelo jornalista Adam Taylor do “The Washington Post”, o russo consumiu em média 14 litros de vodca em 2012, sete vezes mais álcool do que a média dos americanos.



Após a queda da URSS, a Rússia vinha tentando limitar esse flagelo nacional impondo preços elevados. Os estudos oficiais apontavam que o consumo de vodca contribuía para “uma taxa extraordinariamente alta de mortalidade”.

A promoção da vodca para entorpecer a população foi geral na era soviética. Ainda hoje o alcoolismo é responsável pela baixíssima expectativa de vida na Rússia.
A promoção da vodca para entorpecer a população foi geral na era soviética.
Ainda hoje o alcoolismo é responsável pela baixíssima expectativa de vida.
O aumento dos preços favoreceu uma melhora da saúde pública, mas também foi explorado pela produção de álcool ilegal, de baixíssima qualidade e preço que foge às estatísticas.

Segundo Adam Taylor, esse álcool tóxico responde pela maior parte de consumo e muitas vezes é de tão má qualidade que pode se discutir se merece o nome de vodca, ainda que barata.

Vadim Drobiz, chefe do Centro independente para o Estudo dos Mercados Regionais e Federais de Álcool, considera que o consumo de vodca ilegal aumentou 65% desde 2009.

Esse álcool é feito sem respeitar os mínimos critérios de qualidade e é capaz de causar graves doenças mentais e físicas, e até mesmo a morte.

Putin anunciou outrora que cortaria pela metade o consumo desse álcool venenoso. Mas agora, segundo o jornalista do “The Washington Post”, seu plano é outro.

Degradar o povo e mantê-lo anestesiado para que não proteste: tal é uma das monstruosas consequências dos planos de Putin para consolidar a “nova URSS”.

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