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terça-feira, 28 de abril de 2015

Ambições hegemónicas da “nova-URSS”
fraudam normas até no esporte



“Todos os atletas russos nos dopamos em algum momento. Os dirigentes impõem isso aos treinadores e estes aos esportistas. No fim, você acha que não está fazendo nada ruim”, explicou Yuliya Rusanova.

Ela ganhou a medalha de bronze no 800 do Europeu 'indoor' de Paris 2011, mas foi sancionada em 2013 por alterações em seu passaporte biológico.

“Existe toda uma metodologia para impedir resultados ‘positivos’ de dopagem. Os funcionários garantem que os atletas não sejam submetidos a testes”, acrescentou seu marido Vitali Stepanov, ex-dirigente da Agência Antidopagem da Rússia (Rusada), segundo o jornal espanhol “El Mundo”

“O esportista está submetido a muitas pressões e no fim não tem outra alternativa senão as práticas ilegais”, acrescentou Oleg Popov, treinador de vários atletas 'caçados' nos últimos anos.

domingo, 26 de abril de 2015

Um erro de cálculo, uma má sorte
e é a guerra nuclear,
diz ex-chefe do Serviço Secreto britânico

John Sawers, ex-chefe do Serviço Secreto inglês (MI6):
“A ameaça de confronto militar nuclear,
incluindo um erro de cálculo ou simplesmente má sorte,
ainda está presente. Temos isso em mente
quando falamos com a Rússia de Vladimir Putin”



Com um ar descontraído, sir John Sawers, chefe recém-aposentado do serviço de inteligência britânico (MI6), transmitiu uma mensagem alarmante em sua conferência no King’s College de Londres: pela primeira vez desde o fim da Guerra Fria, paira sobre o mundo o espectro da guerra nuclear.

“A ameaça de confronto militar nuclear, incluindo um erro de cálculo ou simplesmente má sorte, ainda está presente. Temos isso em mente quando falamos com a Rússia de Vladimir Putin”, declarou Sawers, segundo “El País”, edição em português.

O bem informado ex-chefe da espionagem inglesa refletia o temor – compartilhado por seus colegas britânicos, pelos EUA e pela OTAN – de que a crise militar na Ucrânia seja o prelúdio de mais uma aventura russa.

O risco de a Rússia tentar anexar territórios da Estônia, Lituânia ou Letônia aumentou em consequência do desgaste de sua economia. A fim de conter o descontentamento interno e preservar seu poder, Putin procuraria excitar o populismo com o espectro de uma ameaça ocidental a seu país.

Para Gideon Rachman, especialista em política internacional do Financial Times, “o agressivo nacionalismo orquestrado por Putin recorda a política da Rússia e da Alemanha nos anos trinta”.

terça-feira, 21 de abril de 2015

A Rússia pena para recrutar soldados
nas ex-repúblicas soviéticas

Separatista na cidade de Siversk, região de Donetsk, Ucrânia, identificado como 'Bakhtiyor', nativo do Uzbequistão Fonte: Reuters.
Separatista na cidade de Siversk, região de Donetsk, Ucrânia,
identificado como 'Bakhtiyor', nativo do Uzbequistão. Fonte:Reuters



A Federação Russa de Vladimir Putin precisa preencher os vazios de seu exército com soldados das ex-repúblicas soviéticas.

Mas, neste quesito, está passando mal, escreveu Farangis Najibullah, da Radio Free Europe/Radio Liberty.

A Rússia oferecia a cidadania e bons ordenados, mas agora está sem dinheiro e os estrangeiros correm o risco de assinar contratos obrigatórios e depois não verem um tostão ou quase.

A ideia de recrutar estrangeiros já havia sido proposta havia cinco anos, mas agora, com a guerra na Ucrânia, tornou-se uma necessidade premente.

A Rússia estava oferecendo aos recrutas 30.000 rublos por mês, mas a desvalorização da moeda russa está evaporando esse valor e afastando os imprescindíveis voluntários.

domingo, 19 de abril de 2015

Féretros de “soldados fantasmas”
voltam a cemitérios russos

Os habitantes estão certos que o túmulo não identificado
no cemitério público de Vybuty, região de Pskov, norte da Rússia,
é de um paraquedista morto na Ucrânia. Os familiares têm medo de falar.




O capitão da 106º divisão aerotransportada viajou 900 milhas desde Rostov, na fronteira com a Ucrânia, para entregar o caixão de zinco selado do paraquedista Sergei Andrianov, 20, numa remota aldeia na região de Samara, entre o rio Volga e Cazaquistão.

A família havia ficado furiosa com o quartel da divisão pela falta de notícias. No fim, um oficial exasperado ofereceu 100.000 rublos (1.850 dólares) para tranquilizá-la.

Contudo, Natasha, a mãe de Sergei, queria dados: “Como é que ele morreu? Onde?”.

— “Meu filho morreu e ninguém pode explicar o que aconteceu”, disse ela em lágrimas à VICE News.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Poloneses se preparam para uma batalha total

Numa escola, jovens voluntários de um dos mais de 100 grupos que pediram treinamento militar legal. A preocupação é nacional.
Numa escola, jovens voluntários de um dos mais de 100 grupos
que pediram treinamento militar legal. A preocupação é nacional.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Mais de 100 milícias paramilitares aprovadas pelo governo da Polônia recrutam velozmente jovens preocupados por seu país diante da ofensiva das forças de Putin no Leste europeu.

O jornal “The New York Times” foi fazer uma reportagem desse fenômeno nacional polonês.

Ele assistiu em Kalisz ao juramento de trinta estudantes, que prometeram defender a Polônia a todo custo. Para isso, 200 membros da associação – rapazes e moças – marcharam em formação a partir do pátio da escola, ingressaram no Boulevard das Forças Armadas e chegaram ao centro da cidade diante da igreja de São José.

domingo, 12 de abril de 2015

A mentira e o engano
na “Teoria e Ciência da Guerra” preferida de Putin

O general Alexander Vladimirov apresenta seu livro 'Teoria Geral da Guerra'.  Russian International Affaires Council. Moscou 15-04-2014.
Alexander Vladimirov apresenta seu livro 'Teoria Geral da Guerra'.
Russian International Affaires Council. Moscou 15-04-2014.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




O general Alexander Vladimirov ensina “Teoria e Ciência da Guerra” numa escola de cadetes em um subúrbio de Moscou.

Ele é vice-presidente do Colégio de Especialistas Militares da Rússia e uma autoridade da maskirovka, sinal distintivo da estratégia de guerra russa.

Maskirovka se traduz como “algo mascarado” ou “pequeno baile de máscaras”.

“Toda a história humana pode ser apresentada como a história da enganação”, explica Vladimirov.

Sun Tzu descreveu a guerra como um sendeiro infinito de astúcia. Mas a Rússia se orgulha de ter aprimorado essas técnicas até a perfeição, diz a jornalista Lucy Ash em longa reportagem para a BBC, reproduzida por “La Nación” de Buenos Aires.

Vladimirov exemplifica com a operação Jassy-Kishinev, de agosto 1944, que engajou dezenas de tanques de mentira. Na II Guerra – diz ele – da parte russa “houve exemplos colossais de maskirovka que envolveram milhares de tanques e tropas”.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Patriarca de Moscou elogia na Duma
a restauração dos “valores” soviéticos
e a diplomacia vaticana

O patriarca Kirill na Duma exortou a restaurar valores soviéticos  elogiou a atual política vaticana.
O patriarca Kirill na Duma exortou a restaurar valores soviéticos
e elogiou a atual política vaticana.



Pela primeira vez na história, o autodenominado Patriarca de Moscou, chefe da cismática igreja ortodoxa russa, foi falar na Câmara baixa do Parlamento russo, ou Duma, noticiou “AsiaNews”.

O objetivo principal da histórica intervenção foi um apelo para restaurar “as coisas positivas da era soviética” e construir a Rússia moderna. Em outros termos, apoiar a construção da “URSS 2.0”, conforme desejo do camarada máximo Vladimir Putin.

Também pediu aos parlamentares a proteção da família e o banimento do aborto que grassa na Rússia num dos patamares mais sinistramente altos do planeta, mas que é uma das “conquistas” da era soviética. O apelo soou incongruente.

Formado nas escolas da KGB, Kirill deplorou “frequentes casos” de destruição e confisco de igrejas ortodoxas na Ucrânia, perpetrados pelos separatistas pró-russos, como se impedi-los estivesse dependendo de uma decisão de Moscou.

domingo, 5 de abril de 2015

‘Putin defensor dos valores cristãos’?:
mais uma mentira da nova KGB,
diz arcebispo

Dom Sviatoslav Shevchuk, arcebispo de Kiev sobre Putin:
a KGB jamais difundiu os valores cristãos,
mas se serviu deles com finalidades políticas.
Eu não acredito que quem sacrifica um milhão de vidas
para atingir objetivos geopolíticos
possa estar animado por valores cristãos.
Não sejamos ingênuos”.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Em entrevista de imprensa na sede da Rádio Vaticana, segundo informou o site “La Nuova Busssola Quotidiana”, Mons. Sviatoslav Shevchuk, arcebispo-mor do Rito greco-católico, disse ter advertido o Papa a respeito de afirmações da Santa Sé que podem ser associadas à propaganda russa.

Mons. Shevchuk esteve em visita ad limina a Roma, juntamente com mais de vinte bispos católicos ucranianos dos ritos latino e bizantino. Os prelados transmitiram a Francisco a dramática situação que vive seu país.

“Para descrever o que acontece na Ucrânia, disse ele no início da entrevista, só se pode usar uma palavra: invasão estrangeira e não conflito civil”.

A expressão “guerra fratricida” havia sido usada pelo Pontífice na audiência do dia 4 de fevereiro com particular infelicidade. Ela suscitou fortes reações nos ambientes católicos ucranianos e verdadeiro entusiasmo entre os seguidores de Vladimir Putin, entre os quais se destacou o Patriarcado cismático de Moscou.

A expressão “guerra fratricida”, explicou o arcebispo de Kiev, feriu a sensibilidade do povo ucraniano, pois ecoa a visualização do conflito ucraniano espalhada pela “propaganda russa”.