domingo, 3 de julho de 2016

Trump é o candidato de Dugin.
E do patrão deste, Putin?

Trump inimigo nº1 do inimigo nº1 da Rússia, segundo a saga de Dugin.
Trump inimigo nº1 do inimigo nº1 da Rússia, segundo a saga de Dugin.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Em seu programa Dugin’s Guideline (reproduzido embaixo), o homem considerado o “maître-à-penser” do chefe do Kremlin passou a instrução para seus agentes e simpatizantes: a preferência na lide presidencial americana deve ir para Donald Trump.

Nosso blog duvida da verdadeira influência de Aleksander Dugin sobre Vladimir Putin.



Dugin apresenta nebulosas doutrinas de fundo ocultista semelhantes às de pensadores – também confusos e ocultistas – que circularam no Ocidente apelando labiosamente para uma Tradição manipulada a seu modo: René Guénon, Julius Evola, Alain de Benoist e outros.

Também sobressai sua afinidade com o pensamento de Madame Blavatsky, fundadora da Teosofia e doutrinadora da Nova Era. E isto para mencionar apenas alguns nomes desse veio no Ocidente.

Vladimir Putin exprime, em discursos e comunicados, um pensamento pragmático que ele qualificou com precisão, diverso do de Dugin.

O modelo de Putin, esclareceu ele, é Josef Stalin, por causa do pragmatismo exclusivamente definido pelo interesse nacional russo. Ele até manifestou desacordo com Lênin pelo fato de o fundador da URSS ter sido muito doutrinador.

Dugin, entretanto, serve à projeção pessoal de Putin, pois o melhor domador de tigres da Sibéria, o mais famoso ginete das estepes, o maior mergulhador e descobridor de navios afundados no Mar Negro, o mais hábil piloto de caças de guerra, o melhor etc., etc. precisava ter o maior dos filósofos para discutir com ele as doutrinas mais inacessíveis ao comum dos mortais.

Os inimigos da Rússia só podem cair por obra de Trump.
Trump é útil para Putin: os inimigos da Rússia só podem cair por obra dele!, diz Dugin.
Em poucas palavras, Dugin é uma lantejoula útil para a glorificação propagandística de Vladimir Putin.

É indubitável que Dugin não externaria um posicionamento político que irasse seu patrão. Máxime num tema importante como a eleição presidencial americana.

E Dugin não deixou margem a dúvidas: o candidato preferido do Kremlin é Donald Trump.

Como pode ser possível?

Dugin consagra Trump como o arauto contrário ao establishment socialdemocrata, esquerdista, anticristão e antiocidental, representado pela sua opositora Hillary Clinton.

Deixemos Dugin se explicar:

“De fato, Donald Trump é um verdadeiro desafio para todo o establishment americano. Establishment este que não representa a América, mas a oligarquia financeira mundial, as corporações transnacionais e as seitas fanaticamente globalistas.”

Tudo isso soa a uma enganação. Donald Trump é um gigante do establishment condenado por Dugin com este ou aquele acerto. O candidato republicano é um grande empresário, investidor e personalidade do macrocapitalismo publicitário.

Sua carreira na especulação, sua vida pessoal salpicada de escândalos matrimoniais em série, sua riqueza, sua vida no jet-set, seu poder midiático o tornaram um das figuras importantes no cenário de negócios americano.

Um lídimo representante, portanto, daquilo que Dugin desclassifica como “oligarquia financeira mundial, as corporações transnacionais e as seitas fanaticamente globalistas”!

Elogio de Trump enquanto candidato pragmático como Putin
Elogio de Trump enquanto candidato pragmático como Putin
O pensamento de Dugin é uma pirâmide de contradições. Mas o seu objetivo pragmaticamente procurado é um só: o patrão falou!

Dugin explica mais. “Trump é o candidato dos EUA, porque os EUA são uma nação-estado com interesses específicos e compreensíveis interesses nacionais”. O argumento é bem ao gosto do patrão Putin: não há moral, só interesses.

Dugin carrega as notas contra um adversário que agiganta como Wagner aos herois mitológicos numa ópera: “A Rússia, de fato, não é inimiga desse Estado, mas é uma inimiga dos globalistas e dos atlanticistas, na medida em que a soberania russa os impede de controlar plenamente o mundo”. E prossegue:

“Se Trump ganhar as eleições, ele estará do lado do realismo como prometeu. E as principais contradições entre a Rússia e os EUA desaparecerão (...) é um cenário ideal. (...) os globalistas podem cair só por causa de Trump! Ele pode criar as condições para a paz”.

A paz, obviamente, que serve à “URSS 2.0” como teria servido outrora à URSS original: a paz dos cemitérios sob a bota comunista. Eis o herói americano do Kremlin!

Alguém sabe por que Dugin escolheu um membro eminente do establishment e do “Governo Mundial” e o declarou o salvador desses monstros? Absolutamente ninguém.

Dugin nada explica sobre o passe de mágica com o qual transformou o macrocapitalista midiático em amigo e até salvador da Rússia e do mundo!

E ameaça com o espantalho de uma III Guerra Mundial que, segundo ele, Hilary Clinton, marionete da elite ocidental, quereria montar para colocar a Rússia contra a parede.

Desta fantasia resulta que, em sentido contrário, Trump levaria os EUA à neutralidade em relação à Rússia.

Isso feito, Trump garantiria a impunidade das agressões russas, como Chamberlain e Daladier garantiram em Munique a impunidade de Hitler. Pois estes últimos, eminentes representantes dos poderes que Dugin detesta, ficaram neutros face à violação do Direito Internacional.

Se ganhar, Trump estará do lado do realismo que é o lado da Rússia
Se ganhar, Trump estará do lado do realismo que é o lado da Rússia
Assim, Trump vencendo tentaria desmobilizar os EUA, contrariando as esperanças que ele alimenta. E isso implicaria numa vitória política da Rússia.


E Dugin martela: ou Trump ou a guerra mundial. Guerra esta que ele quer fingir que seria desencadeada por pessoas como Obama, Hillary e cupinchas.

Aliás, tais pessoas já demonstraram ter suficiente falta de caráter para tirar o corpo ou sair vergonhosamente de onde havia algum conflito, como no Iraque, no Oriente Médio e no Afeganistão.

A montagem da ameaça segue à risca a velha cartilha da era stalinista, trocando apenas os nomes dos agentes.

A mensagem enganosa é uma só: votem em Trump!

Assim Dugin postula a vitória de Trump:



3 comentários:

  1. O fato do Duguin apoiar um candidato x ou y, não significa que o candidato x ou y apoie o Duguin, mas o Duguin faz uma análise certeira, se o Trump não ganhar, sem dúvida alguma estaremos mais próximos de uma Terceira Guerra Mundial como nunca estivemos em toda a história do século 20; nunca as soberanias nacionais estiveram em risco como agora, a ONU e a União Européia usa a desculpa de defender a paz e a liberdade para ferir as soberanias nacionais e os territórios, o caso mais claro é a Ucrânia e da Síria. Seu ódio para com o Putin não te deixar ver o óbvio, que o mundo com o Putin é terrível, mas sem ele é catastrófico. Dizer que o Trump é candidato do establishment e do “Governo Mundial” é um absurdo, é análise mais fora da realidade que eu já ouvi, todo mundo sabe que o Trump não recebe apoio do partido republicano justamente por ele não fazer parte da elite americana, e a Hillary é a candidata do establishment e do “Governo Mundial”.

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  2. Dufaur,
    Ainda não captei qual é a mensagem enganosa. De verdade: O Duguin (Putin) torce pela vitória de Trump? Ele sabe que o eleitorado americano não gosta de Putin. Nesse caso, ele poderia estar posicionando-se ao lado de quem ele quer derrotar. Será que isso é possível em política? O Obama retirou soldados do Iraque, mas fomentou a guerra. Nesse sentido, a guerra é mais provável com democratas no poder, como foi o caso da maioria dos inícios de guerra que envolveram a nação americana.
    Navarro
    www.blogdonavarro2010.blogspot.com.br

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  3. Boa tarde Sr. Dufaur.
    O candidato da Russia é a Hillary. A estratégia é mesmo a citada acima pelo Navarro. A tática é enganar. Vamos declarar abertamente apoio ao candidato que deve sair derrotado. Eles conhecem o pensamento do americano médio. Agora não sei se isso irá realmente funcionar.
    Um forte abraço.

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