quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Artifícios e instrumentos do Kremlin para desequilibrar o Ocidente

Fotomontagem russa faz acreditar que o respeitado site Life News
informa do crime que na verdade nunca existiu.
O site Putin@war reconstituiu o percurso do "troll".
Erros no inglês e superposição de faixas e dizeres levantaram suspeita.
O site identificou que o "troll" saiu de um obscuro endereço da Índia
e chegou a grandes sites russos que avidamente
espalharam como informação fidedigna.
O esquema é usado para despistar e passar adiante os "trolls"
("lançando a isca para os trouxas", na gíria da guerra da informação).
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs



continuação do post anterior: Desequilibrar o Ocidente: objetivo da guerra russa de desinformação




O Kremlin usa sites ou TVs como RT para disseminar com grande eficácia notícias e vídeos online em inglês, espanhol, francês e árabe. Também usa o Facebook em alemão, mas, sobretudo, em inglês.

E mantém muitos sites ou perfis que não devem se identificar com o Kremlin, mas obedecer-lhe cegamente, escreveu “Der Spiegel”.

RT e Sputnik – novo nome da antiga Rádio Moscou do tempo da URSS – são dirigidos por Dmitry Kiselyov, propagandista-chefe do Kremlin. Ele se diz engajado numa “guerra de informação” que considera como “a forma primordial de guerra” hoje.



As principais unidades que bombardeiam informações enviesadas estão sediadas nas periferias de São Petersburgo.

É o caso da Agência para Estudos na Internet, que paga mais de 400 empregados para espalhar trolls, criar blogs, postar comentários em outros blogs aplicando uma instrução estrita renovada diariamente.

“A estrutura está baseada ideologicamente no neoeurasianismo expansionista de Alexander Dugin”, explica relatório do serviço de inteligência checo BIS.

Conselheiro de Putin, Dugin diz pregar uma “revolução conservadora”.

E não é mera ideologia ou conversa; agentes do Kremlin percorrem os movimentos conservadores da Europa e do mundo oferecendo atraentes somas de dinheiro.

General Valery Gerasimov “ As guerras não são mais declaradas,
mas simplesmente começam e prosseguem por vias que não são familiares.
(...) O uso escancarado da força militar é só para a fase final do conflito”
Isso já cristalizou num milionário empréstimo ao Front National da França. “Oligarcas” da Nomenklatura putiniana fazem doces propostas aos líderes das direitas europeias, tratados geralmente de modo injusto em seus países.

Os nomes e os encontros citados por “Der Spiegel” são numerosos. Aliás, nem sempre Putin cumpre as promessas. Ele age por puro interesse estratégico, sem moral, como aprendeu na KGB.

Ex-comunistas europeus também fazem parte das fileiras dos zelotas beneficiados por Putin na Alemanha, e nisso não há nada novo.

Valery Gerasimov, chefe do Estado Maior russo, explicou na Academia Militar de Moscou o método adotado pelo Kremlin para promover “conflitos assimétricos”.

“As fronteiras entre a guerra e a paz se apagaram no século XXI. As guerras não são mais declaradas, mas simplesmente começam e prosseguem por vias que não são familiares”, explicou Gerasimov.

Em poucos meses, acrescentou, um país que era estável pode virar areia de um acirrado conflito armado, vítima de uma agressão externa.

“O Estado é submerso no caos, na catástrofe humanitária e na guerra civil”, explicou, dando como exemplo a Primavera Árabe.
Nós poderíamos acrescentar o caso da Síria ou a invasão islâmica da Europa.

Desestabilizar é a palavra de ordem do comunismo metamorfoseado.

E a partir do momento em que o país vítima perde a estabilidade, estão criadas as condições para uma revolução.

A metamorfose se dá por uma transformação profunda dos métodos e também dos nomes e dos estilos dos aparelhamentos.

Mas no fundo a coisa é a mesma e com o mesmo fim: espalhar o comunismo pelo mundo.

(Plinio Corrêa de Oliveira, excerto de análise do caos mundial em 13/6/92. Sem revisão do autor).


O aspecto pérfido da estratégia de Moscou – escreve “Der Spiegel” – consiste em espalhar mentiras previamente calculadas que apagam deliberadamente os limites entre o real objetivo e a ficção pré-fabricada.

Em lugar de enfrentar o adversário numa batalha com as armas da verdade, a Rússia sabota as próprias bases da polêmica racional: ela polui as mentes dos adversários para que afinal não saibam mais no que acreditar.

Se eles caírem nessa manobra, na mesma hora estarão vencidos.

O jornal “El Mundo” de Madri observou que muitos militantes ou simpatizantes dos partidos direitistas em ascensão estão acreditando mais no presidente russo do que nos líderes nacionais.

No caso da Alemanha, acreditam mais em Putin do que na Merkel, segundo sondagem publicada pelo semanário “Die Zeit”.

Muitos deles caíram, vítimas da insincera e insidiosa “guerra da informação” minuciosamente calculada nos laboratórios de Moscou.

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