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domingo, 29 de janeiro de 2017

Livros revelam bastidores
da omissão do Vaticano II sobre o comunismo

O Cardeal Bea particpou das conversações sigilosas prévias ao Concílio
que combinaram entre Moscou e o Vaticano o silêncio conciliar sobre o comunismo
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






O vaticanista Andrea Tornielli, (“Paolo VI. L’audacia di un Papa”) trouxe nova luz sobre a omissão da condena explícita do comunismo pelo Concilio Vaticano II, segundo o escritor Antonio Socci no diário “Libero”.

Tornielli publicou carta inédita do cardeal Tisserant, de 22.8.1962, confirmando o acordo entre representantes do Vaticano e da Rússia soviética para impedir a condenação.

Também confirma as irregularidades processuais com que a mesa diretora do Concílio impediu que fosse votado o pedido de condenação do comunismo assinado por mais de 400 Padres conciliares.

Socci lembra que o cardeal Biffi, arcebispo emérito de Bologna, em um de seus livros escreveu:

“o comunismo foi o fenômeno histórico mais imponente, destacado e trasbordante do século XX, e o Concílio, que elaborou uma Constituição ‘Sobre a Igreja no mundo contemporâneo’, não falou dele…

“O comunismo tinha praticamente imposto o ateísmo às populações escravizadas como uma filosofia oficial e uma paradoxal ‘religião de Estado’; e o Concilio, que se detém no caso dos ateus, não falou dele.



Agentes da KGB que eram hierarcas da Igreja Ortodoxa Russa desceram em Roma e participaram do Concílio para garantir o cumprimento dos acordos
Agentes da KGB que eram hierarcas da Igreja Ortodoxa Russa
desceram em Roma e participaram do Concílio para garantir o cumprimento dos acordos
“Nos próprios anos em que se desenvolvia a assembleia ecumênica, as prisões comunistas eram locais de sofrimentos inenarráveis e de infinitas humilhações infligidas a numerosos ‘testemunhas da Fé’ (bispos, presbíteros, leigos, crentes); mas o Concílio não falou disso”.

O professor Plinio Corrêa de Oliveira formulou o balanço final do silêncio do Concílio sobre o comunismo mais focado pelos  especialistas que discorrem sobre o tema, em seu livro chave “Revolução e Contra-Revolução":

Dentro da perspectiva de “Revolução e Contra-Revolução”, o êxito dos êxitos alcançado pelo comunismo pós-staliniano sorridente foi o silêncio enigmático, desconcertante, espantoso e apocalipticamente trágico do Concílio Vaticano II a respeito do comunismo.

Este Concílio se quis pastoral e não dogmático. Alcance dogmático ele realmente não o teve.

Além disto, sua omissão sobre o comunismo pode fazê-lo passar para a História como o Concílio a-pastoral.

Explicamos o sentido especial em que tomamos esta afirmação.

Figure-se o leitor um imenso rebanho enlanguescendo em campos pobres e áridos, atacado de todas as partes por enxames de abelhas, vespas, aves de rapina.

Os pastores se põem a regar a pradaria e a afastar os enxames.

– Esta atividade pode ser qualificada de pastoral?

– Em tese, por certo. Porém, na hipótese de que, ao mesmo tempo, o rebanho estivesse sendo atacado por matilhas de lobos vorazes, muitos deles com peles de ovelha, e os pastores se omitissem completamente de desmascarar ou de afugentar os lobos, enquanto lutavam contra insetos e aves, sua obra poderia ser considerada pastoral, ou seja, própria de bons e fiéis pastores?

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Em outros termos, atuaram como verdadeiros Pastores aqueles que, no Concílio Vaticano II, quiseram espantar os adversários “minores”, e impuseram livre curso – pelo silêncio – a favor do adversário “maior”?

Com táticas “aggiornate” – das quais, aliás, o mínimo que se pode dizer é que são contestáveis no plano teórico e se vêm mostrando ruinosas na prática – o Concílio Vaticano II tentou afugentar, digamos, abelhas, vespas e aves de rapina.

Seu silêncio sobre o comunismo deixou aos lobos toda a liberdade.

A obra desse Concílio não pode estar inscrita, enquanto efetivamente pastoral, nem na História, nem no Livro da Vida.

É penoso dizê-lo. Mas a evidência dos fatos aponta, neste sentido, o “Concílio Vaticano II” como uma das maiores calamidades, se não a maior, da História da Igreja (Cfr. Sermão de Paulo VI, de 29/6/1972).

A partir dele penetrou na Igreja, em proporções impensáveis, a “fumaça de Satanás“, que se vai dilatando dia a dia mais, com a terrível força de expansão dos gases. Para escândalo de incontáveis almas, o Corpo Místico de Cristo entrou no sinistro processo da como que autodemolição.

A História narra os inúmeros dramas que a Igreja vem sofrendo nos vinte séculos de sua existência.

Oposições que germinaram fora dela, e de fora mesmo tentaram destruí-la. Tumores formados dentro dela, por ela cortados, e que já então de fora para dentro tentaram destruí-la com ferocidade.

– Quando, porém, viu a História, antes de nossos dias, uma tentativa de demolição da Igreja, já não mais feita por um adversário, mas qualificada de “autodemolição“ em altíssimo pronunciamento de repercussão mundial? (Cfr. Alocução de Paulo VI ao Seminário Lombardo, em 7/12/1968)

Daí resultou para a Igreja e para o que ainda resta de civilização cristã, uma imensa derrocada.

A “Ostpolitik” vaticana, por exemplo, e a infiltração gigantesca do comunismo nos meios católicos, são efeitos de todas estas calamidades. E constituem outros tantos êxitos da ofensiva psicológica da “III Revolução” [N.R.: a Revolução comunista] contra a Igreja.

Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, “Revolução e Contra-Revolução”, Editora Artpress, São Paulo, Parte III, capítulo II, 4, A. O Concílio Vaticano II) 


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