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domingo, 26 de março de 2017

Revelada tentativa russa
de assassinar o primeiro ministro de Montenegro

Nemanja Ristic, um dos conspiradores, fotografado perto do ministro do exterior russo Sergei Lavrov em visita à Sérvia
Nemanja Ristic, um dos conspiradores,
fotografado perto do ministro do exterior russo Sergei Lavrov em visita à Sérvia
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





O governo russo teria montado um atentado para assassinar o primeiro-ministro de Montenegro, Milo Djukanovic, revelou “The Daily Telegraph”, citando fontes do Foreign Office.

Os dados da investigação foram revelados com detalhes em fevereiro (2017).

Moscou teria excogitado um golpe contra o Parlamento na véspera do ingresso do pequeno país na NATO.

Para o ministro russo de relações exteriores Sergei Lavrov, a culpada pelas tensões é a NATO que, segundo ele, é uma “instituição da Guerra Fria” cujo expansionismo estaria forjando níveis de tensão sem precedentes na Europa nos últimos 30 anos. A Rússia seria inteiramente inocente.

O crime deveria ter sido perpetrado em 16 de outubro de 2016, mas fracassou quando um dos assassinos contratados, o ex policial montenegrino Mirko Velimirovic, se arrependeu e denunciou a trama poucas horas antes de sua efetivação.

Dois agentes da inteligência militar russa, Eduard Shirokov e Vladimir Popov, estão sendo procurados pela Interpol.

Eles teriam recrutado uma rede de nacionalistas sérvios capitaneados por Aleksandar Sindjelic, implicado em operações separatistas na Ucrânia, para executar um maquiavélico e sanguinário crime coletivo.

Um dos nacionalistas servios pro-Putin que estaria envolvido no falido putsch
Um dos nacionalistas sérvios pró-Putin que estaria envolvido no falido putsch
Segundo o policial arrependido, o plano consistia em se infiltrarem numa manifestação da oposição, a Frente Democrática, e incitar a multidão a invadir o Parlamento.

Vários nacionalistas sérvios vestidos com uniformes da policia de Montenegro iriam disparar contra o povo exaltado com seus fuzis de assalto.

O mata-mata serviria de paravento e pretexto do crime objetivado: os conspiradores a mando da Rússia tinha a missão de “não só capturar, mas acabar com a vida” do primeiro-ministro pró-ocidental Milo Djukanovic. Assim ficou registrado no depoimento oficial do agente arrependido.

Mias de 20 pessoas foram presas acusadas de terrorismo e “preparação de atos contra a ordem constitucional de Montenegro”.

A intervenção da Rússia nos países da antiga esfera de influência de Moscou com a cumplicidade de simpatizantes putinistas vem se tornando habitual e causa grave preocupação no Ocidente.

O ministro de Defesa montenegrino Predrag Bosković, disse que “não há dúvida alguma” de que o golpe foi montado por oficiais de inteligência da Rússia associados com ativistas nacionalistas locais.

Obviamente o putinismo irrefletido desses nacionalistas favoreceu a trama.

O primeiro ministro de Montenegro Milo Djukanovic escapou  de pouco de atentado planejado em Moscou
O primeiro ministro de Montenegro Milo Djukanovic
escapou por pouco de atentado mortal planejado em Moscou
Um dos conspiradores, de nome Nemanja Ristic, fora pouco antes fotografado em pé junto ao ministro do exterior russo Sergei Lavrov em visita à Sérvia.

Moscou vinha tentando intimidar o Montenegro para abandonar o plano de ingresso na NATO.

Também o Kremlin vinha investindo milhões de libras esterlinas para financiar a vitória eleitoral de um partido nacionalista pró-russo que faz apologia das posições de Moscou contra um suposto complô mundialista globalista ocidental, capitalista e pro-americano.

O primeiro ministro Milo Djukanovic acabou sendo substituído por Filip Vujanovic, do mesmo partido. Mas o golpe demonstra “a mudança substancial do Kremlin visando interferir nos países da Europa” que se inclinam para a democracia, explicou o ministro de Defesa britânico Michael Fallon.

Montenegro tem apenas 600.000 habitantes e obteve a independência da Sérvia em 2006, candidatando-se logo para ingressar na NATO e na União Europeia e obter assim um guarda-chuva protetor em face da vingativa política de Vladimir Putin.

O pequeno país possui quase 300 quilômetros de costa no Adriático de alto valor estratégico.

O quebra-cabeça dos Bálcãs voltou a assombrar as relações europeias, patenteando a inescrupulosa atividade dos serviços secretos russos que estão recuperando o protagonismo do tempo da URSS.


domingo, 19 de março de 2017

O inferno soviético na Terra
mantido pela “nova Rússia”

Restos da prisão de Norilsk
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





A cidade mais populosa do Ártico russo, com 46 graus abaixo de zero às 8 horas da manhã, está sumida na noite polar, mas as crianças vão para a escola como em qualquer dia normal de inverno.

Ela está fechada para os estrangeiros. O secretismo que envolve a cidade restringe até as poucas licenças concedidas à imprensa do exterior.

É “a pior cidade do mundo para viver”. Mas um jornalista de La Vanguardia de Barcelona acabou conseguindo a licença e contou o que viu.

A razão do mistério está encharcada de sangue, repressão e ditadura. Norilsk nasceu nos anos trinta do século XX e as galerias de suas minas foram escavadas por prisioneiros do gulag, vítimas dos expurgos stalinistas do Grande Terror.

Na península de Taimir há enormes reservas de níquel, cobre e platino, e ainda hoje a cidade de 170.000 habitantes é regida pela estatal Norilsk Nikel, da qual depende até o último detalhe da vida.

Norilsk não tem estrada, nem trem. Só se pode chegar de avião ou de rompe-gelo.

A cidade é uma das mais contaminadas do mundo. A neve cai preta, os rios são vermelhos, a chuva é ácida e quase todas as árvores morreram. A expectativa de vida é de 46 anos. A mineração e a indústria local jogam anualmente no ar 4.000 toneladas de dióxido de sulfuro.

Norilsk foi construída por prisioneiros políticos e étnicos do comunismo.
Na foto, prisioneiros ucranianos.
É, no resumo de La Vanguardia, “o inferno na Terra”.

O passado de mão de obra escrava é um tema proibido. No museu poucas fotos relembram o terror soviético.

Elizaveta Obst, diretora da Sociedade de Defesa das Vítimas da Repressão Política, é filha de prisioneiros do gulag.

Ela ainda lembra nitidamente “as fileiras de prisioneiros rumando ao trabalho, rodeados por soldados e vigiados a todo o momento pelos cachorros”.

Elizaveta organiza palestras sobre o gulag de Norilsk e do Grande Norte russo a troco de uns escassos rublos que lhe permitem manter sua pequena sala presidida pelo retrato de Vladimir Putin e suas mínimas atividades.

A poucos metros fica o Teatro Dramático Polar, onde em dezembro foi estreada a obra “Aguarda-me… Regressarei”, que narra o infinito sofrimento de Vladimir Zuev, condenado no gulag de Norilsk.

Norilsk e suas 'chaminés do inferno' testemunhas do passado soviético.
Um passado resguardado pela 'nova URSS' de Putin.
Após intérminas horas de trabalhos forçados, Zuev era obrigado a dirigir um grupinho de atores, prisioneiros como ele, para divertir os chefes do sinistro campo de concentração.

Por que hoje não se pode visitar livremente Norilsk?

A “nova Rússia” de Vladimir Putin está empenhada em silenciar a lembrança dos milhões de cidadãos russos que padeceram e sucumbiram nos campos da morte comunistas.

Putin virtualmente fechou os memoriais abertos após a queda da URSS, que recuperavam a memória de incontável número de pessoas exterminadas e exibiam em todo o seu horror os campos de concentração, não inferiores aos nazistas.

O autoproclamado paladino do cristianismo, empenhado em restaurar a URSS visceralmente anticristã, abafa a lembrança de suas vítimas.

E faz tudo para manter quantidades imensas de sofridos cidadãos russos em esquemas como o de Norilsk, que muito se assemelham aos de Stalin, mas no III milênio!






domingo, 5 de março de 2017

Influências russas na administração Trump
dividem conservadores no governo

Nikki Haley, flamante embaixadora na ONU reafirmou que os EUA manterão as sanções à Rússia.
Nikki Haley, flamante embaixadora na ONU
reafirmou que os EUA manterão as sanções à Rússia.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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diversos blogs





Após a eleição de Donald Trump, os milicianos pró-russos que ocupam o leste ucraniano recrudesceram as provocações e há mortes quase diariamente.

Talvez a Rússia imaginasse que o novo governo americano afrouxaria a resistência.

Mas, de fato, a nova embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, declarou no Conselho de Segurança que as sanções contra o Kremlin ficam de pé “até que a Rússia devolva o controle da península (da Crimeia) à Ucrânia”, noticiou a AFP.

A embaixadora deplorou que sua primeira intervenção no Conselho de Segurança tenha disso para “condenar as ações agressivas da Rússia”.

“Nós queremos melhores relações com a Rússia. Porém, a situação critica no leste da Ucrânia pede uma condenação forte e clara das manobras russas.

“Enquanto a Rússia e os separatistas que ela sustenta não respeitarem a soberania e o território da Ucrânia, esta crise vai prosseguir”, acrescentou.

A declaração chegou inesperada, após os sinais de simpatia enviados por Donald Trump a seu colega de Moscou, Vladimir Putin.

O general reformado Michael Flynn, nomeado assessor para Segurança Nacional pelo presidente Trump, reconheceu ter prometido vantagens à Rússia e renunciou para fugir de processo por felonia
O general reformado Michael Flynn,
nomeado assessor para Segurança Nacional pelo presidente Trump,
reconheceu ter prometido vantagens à Rússia
e renunciou para fugir de processo por felonia
O embaixador russo Vitaly Churkin tentou baixar a temperatura. Ele diz ter percebido “certa mudança de tom” após a reunião. E esclareceu que aguarda resultados positivos num meio termo. Mas, faleceu inesperadamente dias depois.

A maior surpresa, porém, veio dos EUA.

O recentemente nomeado conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, ex-general Michael Flynn, demitiu-se após os serviços de inteligência americanos descobrirem que ele havia mentido ao vice- presidente Pence sobre suas conversações com o embaixador russo em Washington, Sergey Kilsyak, em 29 de dezembro.

Conservador rijo, o ex-general Flynn é considerado um dos homens de maior confiança do novo presidente.

Mas ele teria prometido ao embaixador russo que Donald Trump levantaria as sanções econômicas impostas à Rússia pela anexação ilegal da Crimeia e pela intervenção nas eleições presidências americanas.

A promessa foi desmentida pela via de fato no Conselho de Segurança da ONU, como acima referido.

Flynn preferiu renunciar antes de ser indiciado por felonia.

O presidente Trump teria sabido do caso semanas antes de explodir pela imprensa e lhe teria pedido a renúncia, escreveram The New York Times e o “Washington Times”. 

Jeff Sessions teria mentido em seu juramento para esconder seus contatos com o chefe da espionagem russa nos EUA
Jeff Sessions teria mentido em seu juramento
para esconder seus contatos com o chefe da espionagem russa nos EUA
Em caso análogo, o novo ministro da Justiça Jeff Sessions, recusou qualquer investigação a si próprio relativa à campanha eleitoral de 2016, após o jornal “The Washington Post” denunciar que ele fraudou o Senado em seu juramento de 10 de janeiro.

Interrogado sobre eventuais contatos com Moscou, Sessions respondeu: “Não tive contato algum com os russos”.

Mas o que viria a ser novo ministro da Justiça estava mentindo. O “The Washington Post” mostrou que Sessions tinha se reunido pelo menos duas vezes com o embaixador russo em Washington, Sergey Kislyak, no período investigado.

O embaixador da Rússia em Washington, Sergey Kislyak, é tido como o mais experimentado recrutador de agentes pro-russos nos EUA e verdadeiro chefe da espionagem do Kremlin no país.

Os serviços secretos da velha URSS nunca puderam realizar um feito análogo, semeando profundas divisões na capital de seu maior adversário histórico. Mas agora a infiltração guiada por Putin está produzindo efeitos surpreendentes.