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domingo, 15 de setembro de 2024

Expurgo de generais russos porque a guerra vai mal

Facilidade com que drones destroem caríssimos depósitos russos é atribuída a desvio de verbas na construção
Facilidade com que drones destroem caríssimos depósitos russos
é atribuída a desvio de verbas na construção
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Os insucessos e/ou parcos sucessos daquela que foi acreditada como “segunda potência militar do mundo” na invasão da Ucrânia desencadearam crises de desconfiança no próprio coração de Moscou.

Esfuma-se dia após dia a aura de ditador intocável de iniciativas invencíveis que envolvia a Vladimir Putin.

Esse então passou a recorrer ao terror e à eliminação de seus mais próximos auxiliares, caprichosamente tidos em suspeição de traições com que sonham os ditadores em desgraça.

O vice-ministro de Defesa a cargo da logística militar durante quase 15 anos Dimitri Bulgakov, fora demitido em setembro de 2022.

Agora foi detido pela polícia secreta de Putin, a FSB, sucessora da KGB, e posto na prisão de Lefortovo, em Moscou, onde gemem detidos altos funcionários e dissidentes que caíram no malestar do dono do Kremlin, informou “El Mundo” de Madri.

O ex-comandante militar é a enésima vítima de alto perfil na purga incessante que Putin conduz entre os principais comandantes do país tentando achar um bode expiatório para o mal andamento da guerra de invasão da Ucrânia.

A FSB é seu grande braço de execução, acentuando o papel dos serviços secretos na tentativa de reverter os maus resultados russos na guerra.

O Kremlin quer mais eficiência na frente de combate passando por cima até da prioridade anterior que era a da lealdade ao ditador ainda que atropelando qualquer moral ou realidade.

O organograma militar estava definitivamente abalado desde que Putin demitiu o anterior ministro da Defesa, Sergei Shoigu, amigo pessoal do líder russo, substituindo-o por um economista, o tecnocrata Andrei Belousov.

Explosão do novíssimo míssil intercontinental 'Satan II' também atribuída a falhas de oficiais corruptos
Explosão do novíssimo míssil intercontinental 'Satan II'
também atribuída a falhas de oficiais corruptos
Assim que foi nomeado, Belousov iniciou uma limpeza no Ministério e no Estado-maior que abalou a cabeça das forças armadas russas.

Os altos funcionários amigos do antigo ministro da Defesa foram despedidos ou presos, em geral acusados de corrupção e suborno.

Entre eles, o vice-ministro Temur Ivanov, que supervisionava as construções do Ministério da Defesa. A corrupção e desvios de verbas eram segredos a vozes no Exército Vermelho e quando a frente de combate continuou enviando notícias que não eram as que Putin queria, os que seriam condenados já estavam escolhidos.

O caso de Ivanov é paradigmático, segundo “El Mundo”.

Supervisionar as construções do Ministério da Defesa russo era uma das posições mais lucrativas na Rússia: onde milhões são ganhos com o peculato de recursos públicos.

A bem dizer, até o próprio Putin é acusado a boca pequena de fantásticos desvios de capitais, bem aplicados no Ocidente.

Mas, ai de quem falar forte!

A Rússia está se preparando para uma guerra longa e custosa e não quer perder um único rublo (menos os que estão no meu bolso, diriam alguns).

A máquina estatal russa, durante anos funcionou na base da corrupção, a serviço da ideologia mais corrupta da História.

O enriquecimento ilícito consolidava as lealdades sem mecanismos de controle.

Enquanto foi possível anunciar o feliz desenvolvimento do plano do ditador que devia se concluir em três dias de uma vitória relâmpago, malgrado estivessem passando meses e anos, tudo corria bem, porque assim Putin queria.

Mas quando as notícias reais da guerra ficaram indissimuláveis se acenderam tétricas luzes em alguns escritórios.

Bulgakov foi logo responsabilizado pelas falhas logísticas do exército russo, difíceis de acreditar de tão monstruosas.

As tropas russas estavam gravemente sub-abastecidas e os avanços de Moscou se retardavam.

Pior ainda foi quando os ucranianos invadiram a própria Rússia sem encontrar uma defesa eficaz.

Andrey Belkov, chefe da empresa de construção militar no Ministério da Defesa russo, também foi preso por abuso de poder.

O combate à corrupção no exército foi a oportunidade para os serviços de segurança se vingarem dos militares, segundo explicou o analista Giorgi Revishvili, antigo conselheiro do Conselho de Segurança da Geórgia.

Vladimir Verteletsky, chefe do departamento de compras de defesa do Ministério da Defesa foi preso em maio.

E no mesmo mês, Vadim Shamarin, vice-chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Russas acusado de suborno.

O novo Ministro da Defesa, marca pontos ante Putin com purgas que enterram a era Shoigu mas ali não se decide a guerra na Ucrânia.

O imenso arsenal de Tver 'a prova de bombas atómicas' destruído por drones fora mal feito por corrupção
O imenso arsenal de Tver 'a prova de bombas atômicas'
destruído por drones fora mal feito por corrupção
O porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov proclamou aos jornalistas em maio que a luta contra a corrupção “é um trabalho contínuo”.

Na guerra o chefe do Estado-maior deve dirigir as operações na frente, garantir que nada falte aos combatentes.

Mas, com as purgas putinistas, ele deve se concentrar contra os inimigos da retaguarda instalados em ministérios e comandos militares. Pelo menos, até não cair ele próprio.

Agora o grande objetivo é racionalizar a produção militar para uma longa guerra – sim, aquela que está anunciada para ser ganha nos primeiros três dias.

Ela só poderá ser decidida aumentando a produção industrial militar ainda que custe a fome dos civis.

Produzir mais armas e mais munição mais rápido enquanto chovem os drones ucranianos sobre Moscou e pegam fogo as refinarias de petróleo e gás não é nada fácil.

Putin visitou os países amigos – os “países bandidos” – para implorar armas e munição, de péssima qualidade, aliás.

Muitas teriam virado fumaça nos recentes bombardeios de drones ucranianos a grandes depósitos de armas.



domingo, 30 de abril de 2023

Chefe de milicia de criminosos dirige embombamento de Putin nas redes

Prigozhin, chefe dos mercenários recrutados nos cárceres russos, também chefia a bajulação de Putin enganando os 'conservadores'
Prigozhin, chefe dos mercenários recrutados nos cárceres russos,
também chefia a bajulação de Putin enganando os 'conservadores'
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Evgeny Prigozhin é o chefe do exército de mercenários recrutados nos cárceres russos conhecido como Wagner Group. Esse estreito servidor de Vladimir Putin enviou ao “moedor de carne” do leste ucraniano milhares de homens despreparados.

Agora admitiu ser o criador de uma “fazenda de trolls” (provocadores), paga para seduzir incautos lançando campanhas de mentiras pró-russas e pró-Putin nas redes sociais.

Ele declarou ter criado a Internet Research Agency de São Petersburgo, uma agência apelidada de “fazenda dos trolls” pela imprensa russa e cujos funcionários foram flagrados em campanhas de desinformação na Internet ao serviço do Kremlin.

“Não fui apenas o único financiador da Internet Research Agency, mas também a inventei, criei e administrei por muito tempo”, disse o ex-presidiário, citado pelo seu serviço de notícias no Telegram, escreveu a revista “Paris Match” entre outras.

Uma sede da Internet Research Agency em São Petersburgo
Uma sede da Internet Research Agency em São Petersburgo
Segundo ele, criou essa “fazenda de trolls” “para proteger o espaço de informação russo da propaganda grosseira e agressiva das teses anti-russas do Ocidente”.

A Internet Research Agency na realidade é bem conhecida pelas suas fraudes e enganações, mas o comando era geralmente atribuído a Vladimir Putin. Prigozhin era conhecido como o “cozinheiro de Putin”, mas nos últimos tempos se lhe atribui uma forte dissonância com o ditador.

Putin teria privilegiado a milícia de criminosos de seu favorito Prigozhin com armas, munições e verbas, suscitando a irritação dos generais do exército que se consideram diminuídos e despojados de recursos humanos e materiais para conduzir a invasão da Ucrânia desviados ao Wagner Group.

Prigozhin chegou a acusar os generais de traidores, acusação que deriva em morte, e prometeu a Putin alguma vitória fulgurante, por exemplo em Bakhmut. Chegou-se ao atrito material entre os criminosos de Prigozhin e tropas regulares russas.

Mas no fim Prigozhin reconheceu que os seus não são capazes de tomar Bakhmut nos prazos prometidos e caiu em desgraça. Armas, homens e verbas voltaram a ir para o exército regular.

Marina Jankina, interrompeu as verbas para a milícia de Prigozhin e apareceu 'suicidada'
Marina Jankina, interrompeu as verbas
para a milícia de Prigozhin e apareceu 'suicidada'
Logo depois, misteriosamente a chefe dos serviços financeiros do Distrito Militar Oeste, o distrito russo que está sofrendo as maiores baixas na Ucrânia, Marina Yankina, 58, foi encontrada “suicidada” sob as janelas do número 31 da rua Zamshina em São Petersburgo. Teria caído da janela do 16º andar.

Marina Jankina era a responsável pelo financiamento do esforço de guerra russo e uma figura chave no financiamento da guerra de Putin na Ucrânia, noticiou “The Sun”.

O Wagner Group foi indiciado por centenas de crimes hediondos contra anciões, aposentados, mulheres e crianças além de saques ilimitados das casas de família onde foram filmados roubando lava-roupas, LCDs, geladeiras, telas LCD, dinheiro e joias pessoais, e de mercadinhos onde procuram alimentos e muito álcool.

A Internet Research Agency realizou, nomeadamente através de contas falsas em redes sociais e jornais online, campanhas de enganação para defender o Kremlin, criticar adversários russos, denegrir a presença francesa em África, criar discórdia em torno do Brexit e das eleições americanas.

Se especializa em forjar chuvas de adulações de Vladimir Putin, cobrindo-o de falsos elogios como ·Carlos Magno de Oriente”, “Constantino do Oriente”, campeão dos conservadores do mundo, salvador do cristianismo, e outros carregados elogios criados para enganar o que Prigozhin chama de “trolls” (provocações) no Ocidente.


Neste blog tivemos que criar uma página especial para poder reunir a massa de informações sobre a impressionante máquina de fake news que até o momento se atribuía a Putin, e que agora o seu servidor Prigozhin se atribui o diabólico fabrico.





Desequilibrar o Ocidente: objetivo da guerra russa de desinformação



















domingo, 3 de julho de 2022

Onda de expurgos

Marina Ovsyannikova salvou a vida pela repercussão do protesto
Marina Ovsyannikova salvou a vida pela repercussão do protesto
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Em março, Putin ordenou limpar Rússia da “escória de traidores” que trabalharia para os EUA dando notícias desastrosas da guerra e criticando-a no seu círculo íntimo.

A ameaça saiu depois que Marina Ovsyannikova da TV estatal Channel One exibiu um cartaz atrás do locutor do noticiário que dizia: “Eles estão mentindo para você”.

Quase 15.000 russos foram detidos em protestos contra a guerra, dezenas de milhares se exilaram e uma nova lei pune com até 15 anos de prisão a quem noticie o mal rumo da guerra.

Desde então, as mortes misteriosas de oligarcas e de suas famílias somam dezenas. A maioria foi alvo de “suicídios” análogos.

Alexander Tyulyakov, vice-diretor do tesouro da Gazprom, a todo-poderosa empresa estatal de energia, apareceu enforcado na garagem de seu apartamento.