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domingo, 2 de novembro de 2025

Brasil e Argentina: fábricas de espiões russos?

Agentes de Moscou que se passaram como argentinos para entrar na Eslovênia,  recebidos por Putin na volta a Rússia
Agentes russos se diziam argentinos entrando na Eslovênia, 
 depois foram recebidos por Putin na volta a Rússia
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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webmaster de
diversos blogs







O “New York Times” denunciou que a Rússia forma espiões no Brasil onde apagam os rastros de seu passado russo.

Abrem empresas, fazem amigos, vivem romances e criam identidades verossímeis de brasileiro que os habilitam a grandes operações de espionagem.

Com elas, depois entram nos EUA, Europa ou Oriente Médio, mas alguns foram pegos pela contra-inteligência brasileira.

A polícia argentina descobriu idêntica linha de montagem de falsas identidades argentinas para agentes secretos russos que agem no mundo.

Nos últimos três anos, agentes da contra-inteligência brasileira investigaram esses espiões de forma silenciosa e metódica. Com um trabalho minucioso, descobriram um padrão que permitiu identificá-los, um a um, descreveu longa e pormenorizada reportagem do “The New York Times” reproduzida em espanhol pelo "La Nación" de Buenos Aires. 

Os agentes identificaram ao menos nove oficiais russos com identidades brasileiras, segundo documentos e entrevistas. Até hoje, seis deles eram conhecidos apenas pela polícia.

A investigação já alcançou ao menos oito países, com o apoio de serviços de inteligência dos Estados Unidos, Israel, Holanda, Uruguai e outros aliados ocidentais.

Espião russo que fingia ser brasileiro
Espião russo que fingia ser brasileiro
Com base em centenas de documentos confidenciais e dezenas de entrevistas com policiais e agentes de inteligência em três continentes, o Times apurou os bastidores da espionagem russa no Brasil e da ofensiva silenciosa para desmantelá-la.

Desmontar a fábrica de espiões do Kremlin foi uma resposta aos prejuízos causados por uma década de ofensiva russa.

Espiões russos ajudaram a derrubar um avião que decolou de Amsterdã em 2014, interferiram em eleições nos Estados Unidos, na França e em outros países, envenenaram adversários e planejaram golpes de Estado.

Mas foi a decisão do presidente Vladimir Putin de invadir a Ucrânia, em fevereiro de 2022, que desencadeou uma reação global contra espiões russos, até mesmo em locais onde, por anos, eles atuaram com relativa impunidade.

Entre esses lugares está o Brasil, que historicamente manteve relações amistosas com a Rússia.

A investigação brasileira deu um golpe certeiro no programa de “ilegais” de Moscou.

Desmantelou um grupo de agentes altamente treinados e difíceis de substituir. Ao menos dois foram presos; outros bateram em retirada para a Rússia. Com as identidades expostas, é improvável que voltem a atuar no exterior.

À frente dessa derrota extraordinária esteve a equipe de contra-inteligência da Polícia Federal brasileira, a mesma que investigou o ex-presidente Jair Bolsonaro por planejar um golpe.

De sua moderna sede envidraçada em Brasília, a equipe passou anos vasculhando milhões de registros de identidade em busca de padrões.

Em abril de 2022, poucos meses após a invasão russa da Ucrânia, a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA, na sigla em inglês) enviou uma mensagem urgente e inesperada à Polícia Federal brasileira.

Infiltração no Brasil
Infiltração no Brasil
Os americanos alertaram que um agente da inteligência militar russa havia aplicado para um estágio no Tribunal Penal Internacional na Holanda, justamente quando o órgão começava a investigar os crimes de guerra da Rússia na Ucrânia.

O candidato a estagiário viajava com um passaporte brasileiro em nome de Victor Muller Ferreira. Com essa identidade, concluiu uma pós-graduação na Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.

Mas, segundo a CIA, seu nome verdadeiro era Sergey Cherkasov. Barrado pela imigração holandesa, ele seguia em um voo com destino a São Paulo.

Seu passaporte azul era idêntico ao de qualquer brasileiro. Ele tinha título de eleitor, como exige a lei, e até um certificado de conclusão do serviço militar obrigatório.

Todos os documentos eram autênticos. “Não havia qualquer ligação entre ele e a ‘grande mãe’ Rússia”, disse um policial federal, que falou sob condição de anonimato, como os demais, já que a investigação está em andamento.

Apenas quando a polícia encontrou sua certidão de nascimento é que a história de Cherkasov e toda a operação russa no Brasil começaram a desmoronar.

No passado, espiões russos costumavam obter documentos usando nomes de pessoas mortas, muitas vezes bebês.

Desta vez, foi diferente. Os agentes confirmaram que Victor Muller Ferreira nunca existiu, embora ele tivesse uma certidão de nascimento autêntica.

Brasil investiga supostos espiões russos no país, diz jornal
Brasil seria uma base para espiões russos
Por gerações, agentes secretos usaram passaportes falsos, identidades roubadas e histórias cuidadosamente construídas. Com a era digital, em que quase tudo deixa rastros online, esse trabalho se tornou muito mais difícil.

O próprio Putin admitiu ter supervisionado espiões soviéticos enquanto servia como um jovem oficial da KGB na Alemanha Oriental, no fim da Guerra Fria.

O Brasil parecia o lugar ideal para os espiões escolhidos por Putin construírem suas identidades.

Embora vários países exijam comprovação médica para emitir certidões de nascimento, o Brasil faz uma exceção para nascidos em áreas rurais. Nesses casos, autoridades emitem o documento a quem declarar, na presença de duas testemunhas, que o bebê é filho de pelo menos um dos pais brasileiros.

Com a certidão de nascimento em mãos, basta solicitar o título eleitoral, os documentos militares e, por fim, o passaporte.

A partir daí, o espião pode viajar para quase qualquer lugar do mundo.


domingo, 17 de outubro de 2021

“Rússia robou a fórmula de AstraZeneca
para fazer a Sputnik V”

E não era fórmula da Sputnik, mas espionagem da Astrazeneca
E não era fórmula da Sputnik, mas espionagem da Astrazeneca
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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Fontes de segurança britânicas informaram que um espião russo teria roubado o projeto da vacina de Oxford para que a Sputnik V pudesse ser criada.

O regime de Putin pudesse usá-la para se exibir como o primeiro país a produzir uma vacina contra o Covid-19, escreveu “Clarín”.

Assim a Sputnik V passou a ser usada como uma arma geopolítica na guerra psicológica do presidente Vladimir Putin.

Segundo a agencia de contraespionagem britânica MI5, hackers russos atacaram os laboratórios onde se elaborava a vacina de Oxford em março de 2020. Espiões trabalhando para o Kremlin roubaram informações vitais.

O ministro inglês do Interior, Damian Hinds, não quis comentar o furto mas não negou o roubo dos planos.

domingo, 1 de março de 2020

Teia de sicários russos enreda Europa

Yevgeny Prigozhin, o irritadiço e mafioso 'chefe da cozinha' de Putin, escolhe os mercenários e os 'trolls'
Yevgeny Prigozhin, o irritadiço e mafioso 'chefe da cozinha' de Putin,
escolhe os mercenários e os 'trolls'
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Em dezembro/19, o jornal francês “Le Monde” revelou que pelo menos 15 espiões russos, da Unidade 29155 da Direção Geral do Estado-Maior General das Forças Armadas da Federação Russa (GRU), estavam usando a região alpina francesa da Haute-Savoie, como base logística para tarefas secretas, incluindo assassinatos e sabotagens, repercutiu o Eurasia Daily Monitor, da The Jamestown Foundation.

Concomitante a isso, autoridades alemãs divulgaram que agentes russos estavam ligados ao assassinato de Zelimkhan Khangoshvili, um ex-comandante rebelde da Chechênia, morto em Berlim, em agosto, com três tiros disparados em pleno dia, por arma com silenciador, num parque de Berlim. O suspeito preso teria chegado da França, acrescentou “Le Monde”.

A Alemanha acusou o governo russo de relutância em cooperar na investigação do assassinato, sendo dois diplomatas que trabalhavam para a GRU na embaixada russa de Berlim declarados personae non gratae.

Cinco meses depois, o opositor checheno Imran Aliev foi morto a facadas num hotel de Lille, noticiou a Agência France Presse (AFP) citada pelo mesmo “Le Monde”.

Ele foi um blogueiro muito crítico do regime pro-Putin de seu país, parte da Federação Russa.

Costumava postar sob o pseudônimo Mansur Staryi, no Facebook e no YouTube, críticas muito fortes ao autoritário dirigente russo.

No dia 17 de novembro do ano passado, um vídeo publicado no YouTube mostra o diplomata russo Georgiy Kleban dando dinheiro a um oficial sérvio em Belgrado.

É prática comum da GRU manter uma ou duas pessoas entre os adidos militares de cada embaixada russa. Suas tarefas incluem contatos com círculos políticos e militares do estado anfitrião.

O envenenamento de Sergei V. Skripal na Grã-Bretanha acelerou a descoberta da Unidade 29155
O envenenamento de Sergei V. Skripal na Grã-Bretanha
acelerou a descoberta da Unidade 29155
A Agência de Inteligência de Segurança da Sérvia (BIA) expressou profunda insatisfação com o fato de a inteligência russa usar a capital sérvia como plataforma para inúmeras operações especiais em outros países europeus.

Grande número de nacionalistas sérvios radicais, supostamente conservadores ou identitários foram treinados por instrutores da GRU no leste ucraniano ocupado por separatistas filo-russos, segundo a Deutsche Welle.

Já o Ministério Público búlgaro denunciou que o primeiro secretário da embaixada russa em Sofia fez reuniões secretas com cidadãos búlgaros, incluindo um alto funcionário com acesso a informações classificadas da Bulgária, da União Europeia e da OTAN visando ações contra o Ocidente.

Os serviços de inteligência russos instalaram dispositivos de escuta do porão ao telhado do hotel cinco estrelas Marinela, em Sofia, que foi utilizado por líderes europeus na capital búlgara.

O proprietário do hotel, Vetko Arabadjiev, foi agente do serviço secreto búlgaro na era soviética, e hoje é próximo do Partido Socialista Búlgaro, apoiado por Moscou.

A Rússia também visava usar seu esquadrão de assassinos móveis da Unidade 29155 para eliminar o traficante de armas búlgaro Emilian Gebrev.

Uma série de investigações conjuntas apontou que pelo menos oito agentes da GRU tentaram envenenar Gebrev, seu filho e o diretor de sua empresa.

Os matadores dispunham de um veneno da família “Novichok”, que é exclusividade da GRU, também empregado contra o ex-agente Skripal e sua filha no Reino Unido.

Por sua vez, a Catalunha é a região europeia onde mais opera a Unidade 29155, ou “esquadrão móvel” da GRU.

O traficante de armas Emilian Gebrev sobreviveu a tentativa de assassinato em Sofia, Bulgária
O traficante de armas Emilian Gebrev
sobreviveu a tentativa de assassinato em Sofia, Bulgária
Em 2017, foi identificado um “rastro russo” no movimento pró-independência da Catalunha. Em novembro, o Supremo Tribunal da Espanha investigou o envolvimento de um espião russo para desestabilizar a Espanha nas vésperas do referendo na Catalunha.

Ele agia sob o falso nome de “Sergey Fedotov” e esteve envolvido em tentativas de assassinato em todo o continente europeu.

Em outubro, o Serviço de Informações de Segurança da República Checa (BIS) divulgou a existência de uma rede que dependia do Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB, a “KGB de Putin”) e era financiada pela embaixada russa em Praga.

A tarefa dessa rede consistia em ataques cibernéticos contra alvos na República Checa e seus aliados.

Apesar de o governo russo negar o seu envolvimento na enxurrada de escândalos de espionagem que pulularam por toda a Europa nos últimos meses, ficou muito claro que tais desmentidos de Moscou não apresentam credibilidade alguma, diz o Eurasia Daily Monitor.

Com efeito, a rede de inteligência da Rússia trabalha para minar a coesão interna e a unidade dos países europeus.


domingo, 28 de abril de 2019

Espionagem 'ilegal' de Putin surpreende Ocidente adormecido

Um ano após a tentativa de assassinato de Sergueï Skripal, os matadores do Kremlin continuam impunes
Um ano após a tentativa de assassinato de Sergueï Skripal,
os matadores do Kremlin continuam impunes
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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As investigações sobre o envenenamento quase fatal do ex-espião russo Serguei Skripal e de sua filha no Reino Unido prosseguem e acabaram de convencer o Ocidente de que Moscou não está jogando “limpo”, segundo observou o jornal de Madri “El Mundo”.

O último 'golpe' assassino dos agentes silenciosos do Kremlin pôs em ressalto a “via selvagem” dos operativos secretos de Moscou no exterior.

Confira também: Os comandos assassinos da Rússia

Revelações da espionagem soviética estarrecem Letônia

Exército privado” de Putin desce na América do Sul

Kremlin encomenda homicídio e gera onda mundial de retaliações

A espionagem sempre existiu, mas Ocidente acreditava assaz tolamente que havia perdido muito de sua extensão e da ferocidade criminosa com a queda da URSS em 1989.

domingo, 10 de março de 2019

Os comandos assassinos da Rússia

Maxim Borodin (direita) incomodou o Kremlin investigando o 'exército privado de Putin' na Síria. Apareceu morto em circunstâncias reveladoras.
Maxim Borodin (direita) investigou a ação do 'exército privado de Putin' na Síria.
Apareceu morto em circunstâncias reveladoras.
Luis Dufaur
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A misteriosa morte do jornalista de investigação russo Maxim Borodin, que apareceu na rua após cair de um quinto andar na sua cidade de Ekaterimburgo, região centro-oriental da Rússia, soou a um assassinato encomendado por causa de suas investigações sobre a atividade de mercenários russos na guerra da Síria, escreveu “Clarín” de Buenos Aires.

A polícia estadual de Sverdlovsk sugere que foi um suicídio, malgrado reconheceu não ter achado sinal algum nesse sentido.

Mas, Polina Rumiantseva, chefe de redação da agência de notícias Novy Den, onde trabalhava Borodin, acha que não houve nada do que a polícia diz.

Um amigo de Borodin, Vyacheslav Bashkov, contou em Facebook que nessa tarde o jornalista alertou que seu prédio estava rodeado por “membros das forças de segurança” com roupa camuflada e mascarados.

domingo, 5 de março de 2017

Influências russas na administração Trump
dividem conservadores no governo

Nikki Haley, flamante embaixadora na ONU reafirmou que os EUA manterão as sanções à Rússia.
Nikki Haley, flamante embaixadora na ONU
reafirmou que os EUA manterão as sanções à Rússia.
Luis Dufaur
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Após a eleição de Donald Trump, os milicianos pró-russos que ocupam o leste ucraniano recrudesceram as provocações e há mortes quase diariamente.

Talvez a Rússia imaginasse que o novo governo americano afrouxaria a resistência.

Mas, de fato, a nova embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, declarou no Conselho de Segurança que as sanções contra o Kremlin ficam de pé “até que a Rússia devolva o controle da península (da Crimeia) à Ucrânia”, noticiou a AFP.

A embaixadora deplorou que sua primeira intervenção no Conselho de Segurança tenha disso para “condenar as ações agressivas da Rússia”.

“Nós queremos melhores relações com a Rússia. Porém, a situação critica no leste da Ucrânia pede uma condenação forte e clara das manobras russas.

domingo, 29 de maio de 2016

Professora desvenda métodos KGB de Putin
para seduzir as direitas francesas

A professora Cécile Vaissie denuncia os métodos russos herdados da KGB para financiar e seduzir certas direitas iludidas ou afins no anti-EUA de Putin
A professora Cécile Vaissie denuncia os métodos russos herdados da KGB
para financiar e seduzir direitas iludidas ou afins no anti-EUA de Putin
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A professora de Estudos Russos Soviéticos e pós-Soviéticos da Universidade de Rennes 2, na França, Cécile Vaissié, acaba de publicar um estudo aprofundado sobre a evolução das “redes de influência” russas em seu país desde o tempo da URSS até os dias presentes, comentou o especialista Paul A. Goble para a agência Euromaidanpress.

O livro Les Reseaux du Kremlin en France (As redes do Kremlin na França, Ed. Les petits matins) descreve os métodos de Moscou para penetrar na mídia e conquistar amizades nos ambientes políticos recorrendo a uma rede de financiamentos ocultos em território gaulês

Essa rede ter-se-ia revelado muito eficaz num inesperado setor do espectro político, embora a imagem da Rússia na população francesa em geral não seja boa.

A professora Cécile Vaissié foi entrevistada sobre seu livro em francês e em inglês pela France 24. Reproduzimos os vídeos no fim do post.

domingo, 22 de novembro de 2015

Guerra submarina pelas fibras ópticas chega ao Rio

O navio espião russo Yantar apareceu em Cuba
O navio espião russo Yantar apareceu em águas brasileiras
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A nova Guerra Fria atingiu as nervuras mais estratégicas da sociedade da informação, escreveu o jornal “El Mundo”, de Madri.

O mundo cada vez mais interconectado por cabos de fibra óptica que atravessam os oceanos poderá em determinado dia amanhecer “sem sistema” até não se sabe quando.

Os EUA deixaram claro que a frota russa trabalha para grampear esses cabos. Mas isso não é tudo.

Pensando na Internet, a opinião pública pensa mais nos satélites, mas é pelos cabos submarinos que passam 95% dos dados telefônicos e de Internet de toda a Terra.

Por eles se fazem transações financeiras num valor de 10 bilhões de dólares (45 bilhões de reais aprox.) por dia.

Esses cabos têm apenas 6,9 milímetros de diâmetro, pesam até 10 quilos por metro, são flexíveis e não atrapalham a pesca.

Mas a Rússia desenvolveu tecnologias para grampeá-los. Já o tinham feito os EUA.

Mapa dos cabos submarinos no mundo. Fonte TeleGeography, Huawei Marine Networks.
Mapa dos cabos submarinos no mundo. Fonte TeleGeography, Huawei Marine Networks.
A HUAWEI autora do mapa é acusada pelos EUA de pertencer ao Exército do Povo Chinês.
Foi um dos capítulos mais secretos da velha Guerra Fria, que aconteceu a centenas de quilômetros das costas, com mergulhadores operando a dezenas de metros de profundidade a partir de todo tipo de naves: falsos navios oceanográficos, submarinos nucleares ou de bolso.

Sempre atrasado, o então presidente americano Barack Obama denunciou trêmulo que a Rússia de Vladimir Putin tomou a dianteira na ameaça contra a era da informação brilhante e frágil como uma nuvem.

O barco espião russo Yantar foi escorraçado das proximidades da Irlanda, acompanhado por britânicos até ingressar em águas brasileiras. Recusou-se a se identificar, mas após uma semana desaparecido das telas, teve que ancorar no Rio.

O Yantar é da classe Balzam, armada na década de ’80.

Segundo a Marinha americana, ecoada pelo jornal The New York Times, o Yantar leva dois mini-submarinos que podem atingir os cabos submarinos a vários quilômetros de profundidade. E na zona por onde o navio suspeito estava viajando existe uma enorme concentração desses cabos.

Segundo o Departamento de Defesa americano, a ameaça é mais séria. Moscou poderia estar montando um esquema de sabotagem das comunicações ocidentais, o qual lhe serviria de chantagem ou de arma, quando bem entender o ditador do Kremlin.

O 'Yantar' ancorado no porto do Rio de Janeiro
Leia-se: cortar os cabos e silenciar o mundo que se quer derrotar.

Será sempre muito difícil identificar onde foi feito o corte e, mais ainda, quem o fez. O reparo ou a substituição também será tremendamente complexo e caro.

Enquanto isso demorar, a Rússia, formidavelmente atrasada em matéria de comunicações, ficará dona da situação.

O Yantar também pode roubar a informação que transita pelos cabos.

Isso não é novidade. Em 1996, os EUA lançaram o submarino nuclear Jimmy Carter, especializado em espionagem.

Ele trabalha para a Agência de Segurança Nacional (NSA) e pode colocar aparelhos que 'escutam' a informação que circula pelas artérias vitais da rede cibernética.

Em outubro de 1971, o submarino nuclear americano Halibut – predecessor do Jimmy Carter – entrou no Mar de Okhost, entre a península soviética de Kamchatka e o Japão, instalando ali um enorme dispositivo de escuta sobre um cabo militar russo secreto.

O equipamento media 7 metros de comprimento e era substituído todo mês pelo Halibut, coletando uma quantidade formidável de dados da Armada vermelha.

Essa foi pega de uma maneira tão inimaginável, que os almirantes da URSS nem sequer se preocupavam em usar códigos. E os americanos entendiam às mil maravilhas tudo o que diziam.

O Viktor Leonov, outro barco espião russo no porto de Havana.
O Viktor Leonov, outro barco espião russo no porto de Havana.
Em 1980, um funcionário infiel da NSA denunciou a Moscou a humilhante situação. Em 1981, a URSS conseguiu apoderar-se do equipamento, que agora está exposto no Museu da Grande Guerra Patriótica dedicado à Segunda Guerra Mundial, em Moscou.

“Tout va très bien, Madame la marquise” (“Tudo vai muito bem, senhora marquesa”) recitava um vaudeville engraçadamente entoado por Maurice Chevalier, até o momento de comunicar à infeliz marquesa que seu marido tinha se arruinado e suicidado, que o castelo havia pegado fogo e que não sobrou nem a cavalariça, nem sequer o burrinho preferido da desmaiada dama.

“Tout va très bien, web de l’Internet!”

Até quando?

Isso está sendo pensado no Kremlin...





quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Centenas de milhões de endereços e-mail
roubados no Ocidente

Segundo o “The New-York Times”, piratas informáticos com base na Rússia roubaram 1,2 bilhões de senhas da Internet. As vítimas mais visadas foram as grandes empresas de informática americanas e europeias.

Na realidade, a “operação de guerra” dos hackers teria obtido um botim de 4,5 bilhões de combinações ‘endereço de e-mail – senha’, das quais o 1,2 bilhão referido acima seria de ‘combinações únicas’ (quando o usuário repete esses dados em diversos sites).

Feitos os descontos, o total da investida permitiu o acesso a perto de 500 milhões de contas de e-mail, segundo “Le Monde” de Paris.

domingo, 25 de julho de 2010

Espionagem russa continua como nos tempos da URSS

Espiões confessaram
Uma ar de guerra fria bateu nos EUA com a prisão de 10 espiões russos operacionais havia mais de 10 anos, escreveu o site Slate.fr.

Passeportes falsos, tinta invisível e malas com dinheiro vivo foram capturadas. A rede operava entre New York e Seattle procurando segredos atômicos, dados sobre a política do Congresso e em relação ao Ira.