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domingo, 4 de janeiro de 2026

Serviço secreto alemão vê risco de guerra direta contra a Rússia

Martin Jäger,.Presidente da Serviço Federal de Inteligência da Alemanha
Martin Jäger, Presidente do Serviço Federal de Inteligência da Alemanha

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







O serviço de inteligência alemão (BND) alertou que a Rússia se apronta para “entrar em conflito militar direto com a OTAN” antes de 2029, , noticiou a Radio France Internationale.

A Rússia beira a falência militar na Ucrânia e visa compensar seu desabamento se apossando da “Europa, economicamente muito mais poderosa”.

Para isso “não hesitará em entrar em conflito militar direto com a OTAN”, declarou Martin Jäger, presidente do BND, perante uma comissão do Parlamento em Berlim.

Múltiplas ações de “guerra híbrida” mostram que o Kremlin já ataca Europa, acrescentou.

“Já estamos no meio da confusão hoje”, prosseguiu Martin Jäger, ex-embaixador alemão na Ucrânia antes de assumir a chefia do BND.

O aumento de incidentes nas últimas semanas na Europa, como a incursão de drones russos na e violação do espaço aéreo europeu por caças russos, são episódios dessa guerra incubada.

Radio oficial alemã adverte contra mais ataques russos no país
Radio oficial alemã adverte contra mais ataques russos no país
A Alemanha foi vítima de sobrevoos de drones, sabotagem e campanhas de desinformação oriundos de Moscou.

“Na melhor das hipóteses, a Europa está vivendo uma paz gélida que pode degenerar em confronto violento a qualquer momento. Devemos nos preparar para uma nova escalada da situação”, continuou Jäger.

Sinan Selen, presidente do serviço de inteligência interno da Alemanha (BfV), partilhou seus sentimentos: “A Rússia está perseguindo agressivamente suas ambições políticas contra a Alemanha, a UE e seus aliados ocidentais.”

“Os serviços de inteligência russos estão constantemente alterando os níveis de escalada de suas atividades com o objetivo estratégico de enfraquecer as democracias liberais.

“Como resultado, estamos detectando uma ampla gama de espionagem, desinformação, interferência, sabotagem e ataques cibernéticos realizados por atores e Estados estrangeiros na Alemanha”, disse ele.

Exército alemão acelera transpasso de armas para frente oriental
Exército alemão acelera transpasso de armas para frente oriental
De acordo com Jäger, a Alemanha, a maior economia da UE, é “o alvo número um da Rússia na Europa”, especialmente porque “desempenha um papel de liderança no apoio à Ucrânia”.

Ele relatou tentativas russas de “influenciar a política interna e as decisões políticas na Alemanha”, observando que Moscou havia recentemente intervindo fortemente em eleições em outros países, como a Moldávia.

Ele também lembrou que a Rússia estava usando fluxos migratórios para desestabilizar países europeus, por exemplo, na fronteira entre a Polônia e a Bielorrússia.


domingo, 23 de fevereiro de 2025

Agentes de Putin estimulam o caos global

Putin por trás de onda de atentados no Ocidente
Putin por trás de onda de atentados no Ocidente
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Ken McCallum, chefe da MI ('MI5, a agência de segurança interna e contrainteligência da Grã-Bretanha’) alertou que como produtos da ameaça representada pela Rússia “nós vimos incêndio, sabotagem e muito mais: ações perigosas conduzidas com crescente imprudência”, registrou uma longa e documentada reportagem da revista “The Economist” de Londres.

“O GRU (agência russa de inteligência militar) em particular, prosseguiu está desenvolvendo uma missão contínua para gerar caos nas ruas britânicas e europeias”, disse McCallum.

As outras agências de inteligência europeias estão igualmente preocupadas, acrescentou.

Em 14 de outubro, Bruno Kahl, chefe de espionagem da Alemanha, disse que as medidas secretas da Rússia haviam chegado a um “nível anteriormente invisível”.

Em seu apoio, Thomas Haldenwang, chefe dos serviços de inteligência domésticos da Alemanha, confirmou aos legisladores germanos que um ato russo de sabotagem quase causou um acidente de avião no início deste ano, e advirtiu que o “comportamento agressivo” dos espiões russos estava colocando vidas em risco.

A atividade de sabotagem aumentou com a guerra da Rússia na Ucrânia e foi num crescendo de agressão, subversão e intromissão em outros lugares. Em particular, na Europa cresceu dramaticamente.

“Vemos atos de sabotagem acontecendo na Europa agora”, disse por sua vez o vice-almirante Nils Andreas Stensones, chefe do Serviço de Inteligência da Noruega.

E Sir Richard Moore, o chefe do MI 6, a agência de inteligência estrangeira da Grã-Bretanha, colocou mais francamente: “Os serviços de inteligência russos foram um pouco selvagens, francamente”.

Os homens do Kremlin atentam contra interesses ocidentais emvários estados africanos. Os serviços de segurança da Polônia detetaram que hackers russos já tentaram paralisar o país nas esferas política, militar e econômica.

Os propagandistas russos, agindo em outra frente de ataque, têm bombeado desinformação em todo o mundo.

As forças armadas de Putin querem colocar uma arma nuclear em órbita. A política externa russa há muito alimenta o caos. Agora parece apontar para pouco mais.

Em abril de 2024, a Alemanha prendeu dois cidadãos germano-russos enquanto planejavam ataques contra instalações militares americanas e outros alvos instruídos pela GRU.

Ken McCallum, chefe da contraespionagem inglesa nos vemos atentados e sabotagens perigosas com crescente imprudência'
Ken McCallum, chefe da contraespionagem inglesa:
nós vemos atentados e sabotagens perigosas com crescente imprudência
No mesmo mês, a Polônia prendeu um homem que ia passar informações para o GRU sobre um centro de armas para a Ucrânia.

E, no mesmo mes, a Grã-Bretanha prendeu vários homens por um ataque incendiário a uma empresa de logística de propriedade ucraniana em Londres. Eles seriam agentes do Grupo Wagner, agora sob o controle do GRU.

Em junho, a França prendeu um russo-ucraniano ferido enquanto montava uma bomba em seu quarto de hotel em Paris.

Em julho, descobriu-se que a Rússia havia conspirado o assassinato de Armin Papperger, chefe da Rheinmetall, a maior empresa de armas da Alemanha.

Em 9 de setembro, o tráfego aéreo no aeroporto de Arlanda, em Estocolmo, foi fechado por mais de duas horas depois que drones foram vistos sobre as pistas. “Foi um ato deliberado”, disse um porta-voz da polícia.

Por sua vez, autoridades americanas alertam que os navios russos estão mapeando os cabos subaquáticos dos quais dependem a comunicação ocidental.

A Rússia também procura agitar com golpes de guerra psicológica. Por exemplo, a inteligência francesas diz que a Rússia despachou caixões envoltos na bandeira francesa com a mensagem “Soldados franceses da Ucrânia” encontrados na Torre Eiffel em Paris.

Muitas dessas ações visam atiçar a oposição à ajuda à Ucrânia. Mas outras se destinam simplesmente a ampliar divisões de todos os tipos na sociedade, mesmo sem ligação com a guerra.

Thomas Haldenwang, da Alemanha ' o 'comportamento agressivo' dos espiões russos coloca vidas em risco'
Thomas Haldenwang, da contraespionagem da Alemanha:
o 'comportamento agressivo' dos espiões russos coloca vidas em risco'
A França diz que o Kremlin promoveu um grafite de 250 estrelas de David nas paredes de Paris para alimentar o antissemitismo a propósito do conflito Israel-Hamas.

Em abril, hackers ligados ao GRU teriam manipulado sistemas de controle de centrais de água potável nos EUA e na Polônia.

Os esforços cibernéticos do GRU, não visam só a espionagem, mas também “daninficar a reputação” e destruir dados.

Oficiais do GRU foram instruir os houthis, grupo islâmico que ataca navios no Mar Vermelho, e lhes ofereceu armas. Putin visa estender a guerra da Rússia de forma mais ampla.

“Putin tenta nos atingir em todos os lugares”, argumenta Fiona Hill, que foi a principal autoridade no Conselho de Segurança Nacional dos EUA, a respeito da Rússia. A estratégia se condensaria na frase “tudo em todos os lugares ao mesmo tempo”.

Em maio, Avril Haines, diretor de inteligência nacional dos EUA, chamou a Rússia de “a ameaça externa mais ativa às nossas eleições” acima da China ou do Irã.

Não se tratava apenas de tentar moldar a política dos Estados Unidos sobre a Ucrânia, Moscou quer “um meio de derrubar os EUA” que ela tem em conta de adversário primário.

Em julho, as agências de inteligência americanas estavam vendo “a Rússia atingir dados demográficos dos eleitores, promover narrativas divisivas e denegrir políticos específicos”.

Os atentados e sabotagens no Báltico estão recrudescendo
Os atentados e sabotagens no Báltico estão recrudescendo
Esses esforços são geralmente brutos e ineficazes, comentou “The Economist”, mas não por isso não deixam de deixar prolíficas e intensas sequelas.

Em setembro, o Departamento de Justiça dos EUA condenou dois funcionários da RT, uma mídia controlada pelo Kremlin que regularmente vomita teorias da conspiração sinistras. Eles teriam pago US $ 10 milhões à Tenet Media, empresa do Tennessee para produzir quase 2.000 vídeos no TikTok, Instagram, X e YouTube. O Departamento também apreendeu 32 domínios de internet controlados pelo Kremlin, projetados para imitar sites de notícias legítimos.

A CopyCop, rede de sites, pega artigos de notícias legítimos e usou o Chat GPT, um modelo de IA, para reescrevê-los.

Mais de 90 artigos franceses foram modificados com o alerta: “Por favor, reescreva este artigo tomando uma posição conservadora contra as políticas liberais do governo Macron em favor dos cidadãos franceses da classe trabalhadora”.

As campanhas de desinformação russas não são novas, reconhece Sergey Radchenko, historiador da política russa, apontando episódios como o memorando de Tanaka, uma falsificação soviética usada para desacreditar o Japão em 1927.

Também houve tropas soviéticas lutando no Iêmen, disfarçadas de egípcias, no início dos anos 1960, e os antecessores e sucessores da KGB mataram muitas pessoas no exterior, de Leon Trotsky a o ex-espião Alexander Litvinenko.

As artérias informáticas e energéticas ocidentais estão sendo alvejadas
As artérias informáticas e energéticas ocidentais estão sendo alvejadas
A parte genuinamente nova, diz Radchenko, “é que, antes as operações apoiavam a política externa, mas hoje são a política externa”. A acao atual lembra mais a política externa niilista de Mao durante a Revolução Cultural da China do que o pensamento da União Soviética na guerra fria. Hill a define assim: “é Trotsky sobre Lênin”.

Putin abraça essas ideias. “Estamos provavelmente na década mais perigosa, imprevisível e, ao mesmo tempo, mais importante desde o fim da Segunda Guerra Mundial”, disse o ditador no final de 2022. Na ocasião, ele invocou um artigo de Lenin em 1913 preparador da Revolucao bolchevista: “esta é uma situação revolucionária”.

“Neste momento, há mudanças como as que não vemos há 100 anos”, disse Xi Jinping a Putin em 2023 em Moscou, “e somos nós que impulsionamos essas mudanças juntos”.

A estratégia conjunta se apresenta como quem “não se considera um inimigo do Ocidente... e não tem más intenções”, mas de fato é o contrário. E atiça uma “campanha de informação ofensiva” nas “esferas militares-políticas, econômicas e informacionais-psicológicas” para “enfraquecer os adversários da Rússia”.

Essa estratégia da Rússia não é imparável e até fracassou em alguns países. A subversão russa pode ser interrompida, diz Sir Richard, identificando os oficiais de inteligência e os representantes criminais por trás dela.

Moscou por trás das sabotagens no Mar Báltico usando uma 'frota fantasma'. Mais ataques no Ocidente seriam 'iminentes'
Moscou por trás das sabotagens no Mar Báltico usando uma 'frota fantasma'.
Mais ataques no Ocidente seriam 'iminentes'
Acresce que a Rússia depende cada vez mais de criminosos porque espiões russos mais qualificados foram expulsos em massa da Europa. E a Rússia dá sinais de desespero, diz McCallum.

Putin está verdadeiramente impulsionado por um espírito revolucionário, convencido de que o Ocidente é um edifício podre, isso sugere que ousará cruzar “linhas vermelhas” nos meses à frente.


domingo, 26 de janeiro de 2025

Rússia sabota os cabos submarinos da Internet

O Eagle S, suspeito de trabalhar para a 'frota fantasma' da Rússia
O Eagle S, suspeito de trabalhar para a 'frota fantasma' da Rússia
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A Rússia está sabotando os cabos submarinos da Europa com uma organização de estilo “paramilitar”, disse James Appathurai, Secretário-Geral Adjunto para a Inovação Híbrida e Cibernética da NATO.

Essa é “a ameaça mais ativa” para as infraestruturas ocidentais, disse o especialista senior da NATO no Europe Conversation da Euronews.

Appathurai acha que os recentes ataques aos cabos de comunicação por parte da Rússia mostram um crescimento significativo das interferências cibernéticas, híbridas e outras que Moscou pratica contra a Europa.

No início de novembro (2024), foram cortados dois cabos no Mar Báltico entre a Suécia e a Lituânia, e outro entre a Alemanha e a Finlândia, o que alarmou a NATO, vistas as características de sabotagem.

“Há décadas os russos têm um programa de Investigação Submarina, que é uma estrutura paramilitar, muito bem financiada, que mapeia todos os nossos cabos e dutos de energia”, alertou Appathurai.

Eles usam “navios de investigação”, pequenos submarinos, veículos não tripulados operados remotamente, mergulhadores e explosivos, disse ele à agência de informações Euronews da UE.

“Ninguém acredita que os cabos tenham sido danificados acidentalmente. Também não quero acreditar que as âncoras dos navios tenham causado os danos por acidente”, disse o ministro alemão da Defesa, Boris Pistorious, se referindo às escusas do Kremlin.

Como se corta um cabo submarino de internet
Como se corta um cabo submarino de internet
O Ministro da Defesa finlandês, Antti Häkkänen, diz que a NATO deve fazer muito mais para defender as infraestruturas críticas do Ocidente, enquanto que a Suécia está investigando a ruptura dos cabos.

“A Rússia está atacando sistematicamente a arquitetura de segurança europeia”, denunciaram os ministros dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, França, Polônia, Itália, Espanha e Reino Unido numa declaração conjunta.

“A escalada das atividades híbridas de Moscou contra os países da NATO e da UE não tem precedentes na sua variedade e escala, criando riscos de segurança significativos”, lê-se no documento.

Cerca de 90% dos dados de comunicações digitais do mundo passam pelos cabos submarinos, além de cerca de 10 bilhões de euros em transações financeiras. As infraestruturas submarinas críticas incluem conectores de eletricidade e dutos que fornecem petróleo e gás vitais para os países europeus.

Segundo Appathurai, os ciberataques, a desinformação e a interferência política russa estão aumentando “em maior escala do que era anteriormente. Há um novo apetite russo na campanha de sabotagem”, disse.

“Isso significa atentados incendiários, descarrilamento de comboios, ataques a propriedades de políticos, tentativas de assassinato, por exemplo, o chefe da Rheinmetal” o maior fabricante alemão de armas, que fornece à Ucrânia importantes cartuchos de artilharia de 155 mm.

O plano de assassinato do industrial foi frustrado pelos serviços secretos norte-americanos. Mas, fazia parte de um plano mais vasto para atingir os líderes da indústria de defesa que abastecem a Ucrânia.

Guarda Costeira finlandesa investiga petroleiro russo perto de Porkkalanniemi
Guarda Costeira finlandesa investiga petroleiro russo
perto de Porkkalanniemi
A polícia finlandesa e os guardas de fronteira detiveram o petroleiro Eagle S. O navio navegava sob a bandeira das Ilhas Cook e faz parte da “frota fantasma” para ajudar a Rússia a escapar das sanções internacionais.

“Revistamos o navio, falamos com a tripulação e coletamos provas”, disse Robin Lardot, da agência nacional de investigação finlandesa pois o navio foi detido em águas territoriais finlandesas.

Em 25 de dezembro foi desconectada a conexão de corrente contínua EstLink 2 entre a Finlândia e a Estônia. As suspeitas rapidamente se concentraram no Eagle S, que havia partido do porto russo de São Petersburgo.

O governo da Estônia fez uma sessão de emergência sobre o incidente. Os petroleiros paralelos “estão ajudando a Rússia a obter fundos que ajudarão a seus ataques híbridos, disse a primeira-ministra Kristen Michal em entrevista coletiva.

“Os danos repetidos nas infraestruturas do Mar Báltico indicam uma ameaça sistémica, e não meros acidentes”, acrescentou o presidente da Estônia, Alar Karis, em X.

Hipótese semelhante de sabotagem foi levantada em novembro de 2023, depois de um gasoduto submarino entre a Finlândia e a Estônia ter sido danificado. A investigação policial finlandesa apontou a causa na âncora do porta-contentores New Polar Bear, que navegava sob bandeira de Hong Kong.

Por sua vez, o navio de carga russo “Ursa Major” afundou no Mediterrâneo depois que uma estranha explosão na sua casa de máquinas, anunciou o Ministério das Relações Exteriores da Rússia, noticiou “La Nación”.

A catástrofe iminente dos cabos submarinos
A catástrofe iminente dos cabos submarinos
O navio, construído em 2009, era controlado pela Oboronlogistika, empresa que faz operações de construção militar do Ministério da Defesa da Rússia e que já dizia ao porto de Vladivostok, no extremo leste da Rússia, com dois gigantescos guindastes portuários.

A Oboronlogistika e a SK-Yug, empresas proprietárias e operadoras do navio, foram sancionadas pelos EUA em 2022 pelos seus laços com os militares russos.

O navio fora filmado previamente inclinando-se fortemente para estibordo, e mais provavelmente se dirigia a Tartus para evacuar equipamento militar.

O Serviço de Resgate Marítimo da Espanha recebeu um sinal de socorro do “Ursa Maior” quando estava a 92 quilômetros de Almeria.

A tripulação disse que o navio transportava contentores vazios, e dois guindastes portuários. Após os barcos de resgate chegou um navio de guerra russo e assumiu as ações, no âmbito da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.

Assim, o “Ursa Maior” foi ao fundo do mar sem revelar tudo o que levava.



domingo, 26 de novembro de 2023

“Guerra híbrida” da Rússia usando migrantes

Finlândia fecha fronteiras a asiáticos e norteafricanos usados como massa de invasão pela Rússia
Finlândia fecha fronteiras a asiáticos e norteafricanos usados como massa de invasão pela Rússia
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






A Finlândia fechou quase todos seus pontos fronteiriços com a Rússia acusando Moscou de tentar desestabilizar o país ao permitir que migrantes indocumentados atravessassem a fronteira, noticiou “Yahoo!Actualités”.

A Finlândia partilha uma fronteira de 1.340 km com a Rússia e assiste a um afluxo de migrantes isentos de visto por Moscou.

O estranho é que essas ondas migratórias provêm do Médio Oriente e de África, particularmente do Iraque, da Somália e do Iêmen, e teriam sido encaminhadas pelo Kremlin como parte de uma “guerra híbrida”.

“O governo tomou a decisão de fechar os pontos de passagem de Vaalimaa, Nuijamaa, Imatra e Niirala”, disse a ministra do Interior finlandesa, Mari Rantanen.

Como africanos e meio-orientais teriam atravessado a imensa distância saindo de regiões quentes para fronteiras geladas sem um estimulo e apoio material do governo russo?

O encerramento de quatro pontos da fronteira no sudeste deixa aberto apenas uma passagem muito a norte. Ele deveria continuar até 18 de fevereiro de 2024, com o estudo dos pedidos de asilo concentrado em dois centros, mas a data foi adiantada para dezembro 2023.

Migrantes asiáticos e norteafricanos querem entrar na Finlândia vindos da Rússia
Migrantes asiáticos e norteafricanos querem entrar na Finlândia vindos da Rússia
O governo finlandês suspeita que Moscou tenta desestabilizar o país porque aderiu a NATO em abril 2023.

“Preparamo-nos para diferentes tipos de ações, atos maliciosos por parte da Rússia, por isso a situação não é uma surpresa”, disse o primeiro-ministro Petteri Orpo.

“Queremos que este fenômeno pare, queremos que a atividade fronteiriça volte ao normal”, acrescentou. “Se a situação se espalhar para outros pontos de passagem e se tornar mais difícil, tomaremos as medidas necessárias”.

“Este desenvolvimento negativo dos acontecimentos levará naturalmente a medidas retaliatórias”, respondeu o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo.

“Trata-se do surgimento de novas divisões na Europa que não resolvem nada, mas levantam novas questões problemáticas”, disse a porta-voz Maria Zakharova, à agência Tass.

Para Henri Vanhanen, investigador do Instituto Finlandês de Assuntos Internacionais, “a Finlândia envia a mensagem à Rússia de ter a coragem política de tomar medidas adicionais se necessário”.

O Kremlin prometeu tomar “contramedidas” após a adesão da Finlândia a NATO, qualificando a expansão da aliança ocidental como um “ataque à segurança” da Rússia.

Estônia montou um plano para deter a imigração de massa ilegal empurrada pela Rússia
Estônia tem plano para conter
a imigração de massa ilegal empurrada pela Rússia
O alcance destas contramedidas “é limitado apenas pela imaginação”, disse o finlandês Vanhanen à agência AFP, citando ações de desinformação, ameaças de desastres ambientais ou obstáculos à liberdade de circulação no Mar Báltico.

“Esse tipo de ações maliciosas, que permanecem abaixo do limiar da guerra, são aplicadas onde funcionam”, explicou o especialista. É uma guerra camuflada – a famosa “guerra híbrida” – posta em prática por Moscou.

Cerca de 280 requerentes de asilo apresentaram-se na fronteira russo-finlandesa desde setembro, segundo a guarda costeira, mas “os números não são o problema”, observou o ministro do Interior.

“Este é um caso em que temos indicações e informações de que as pessoas estão a ser manipuladas para entrar na Finlândia", disse ele.

A vizinha Noruega, que tem um posto fronteiriço com a Rússia no extremo norte, disse, através da sua ministra da Justiça, Emilie Enger Mehl, que está pronta para fechar a sua fronteira “se necessário, num curto espaço de tempo”.

Estônia monta obstáculos à 'guerra híbrida' com a imigração ilegal feita pela Rússia
Estônia monta obstáculos à 'guerra híbrida' com a imigração ilegal feita pela Rússia
Durante a crise migratória de 2015, milhares de migrantes isentos de visto cruzaram a fronteira entre a Rússia e a Noruega de bicicleta.

O influxo foi visto pelos especialistas como uma tentativa de desestabilização enquanto, do lado russo, é difícil entrar na zona fronteiriça, vigiada de perto pelo FSB (Segurança do Estado Russo), sem autorização.

Por sua vez, o ministro do Interior da Estônia acusou a Rússia de promover uma “manobra de ataque híbrido” enviando migrantes para o seu território, noticiou “Le Monde”.

A declaração teve lugar após cerca de trinta migrantes, principalmente da Somália e da Síria, tentar entrar na Estônia através do ponto de passagem de Narva, na fronteira com a Rússia. Todos foram rejeitados.

Polícia polonesa bloqueia migrantes usados como armas de 'guerra híbrida'
Polícia polonesa bloqueia migrantes usados como armas de 'guerra híbrida'
A Estônia está pronta para fechar as suas fronteiras se “a pressão migratória da Rússia se intensificar”, disse um porta-voz do ministro, Lauri Läänemets.

“Infelizmente, há muitos sinais de envolvimento de agentes e talvez outras agências fronteiriças russos”, disse. E acrescentou:

“Francamente, a atual pressão migratória na fronteira oriental da Europa é uma manobra de ataque híbrido”.

A agência Reuters pediu esclarecimentos às autoridades russas nas não recebeu resposta.

A situação na fronteira entre a Estônia e a Rússia é “semelhante” à enfrentada pela Letônia e pela Lituânia nas suas fronteiras com a Bielorrússia, acrescentou o ministro do Interior estônio.

Migrantes asiáticos e norteafricanos trazidos pela Bielorussia tentam pular a fronteira da Polônia
Migrantes asiáticos e norteafricanos trazidos pela Bielorussia tentam pular a fronteira da Polônia
Crise de maiores proporções já estourara na fronteira da Polônia, mas a pressão cessou após Varsóvia mostrar a firme determinação de não se deixar invadir pelos “migrantes” teleguiados.

Esses países bálticos e a Polônia acusam a Bielorrússia de ter estimulado a passagem de milhares de migrantes do Médio Oriente e de África desde 2021.

Os casos em curso no norte europeu levantam suspeitas sobre uma mão russa nos fluxos norteafricanos para a Europa através do Mediterrâneo.



"Guerra híbrida nas fronteiras da Finlândia




domingo, 29 de maio de 2022

A guerra de fakes russas

Putin nega fazer a guerra contra a Ucrânia quando a faz com ferocidade inaudita
Putin nega fazer a guerra contra a Ucrânia quando a faz com ferocidade inaudita
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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“Toda a história humana é a história da arte de enganar”, instruiu o general Alexander Vladimirov apresentando seu livro 'Teoria Geral da Guerra' numa escola de cadetes em Moscou. (Russian International Affaires Council. Moscou 15-04-2014)

Ele é vice-presidente do Colégio de Especialistas Militares da Rússia e um mestre na técnica de iludir no noticiário e nas ações da guerra.

Em russo é a “maskirovka”, ou “pequeno baile de máscaras”, em Ocidente se usa “guerra psicológica”, de “guerra da informação”, e os mais modernos “fake news” e “guerra híbrida”.

A Crimeia foi invadida por “pequenos homens verdes” desarmados e sem insígnias trazidos em caminhões militares sem identificação.

A evidência era de soldados russos, mas a mídia ocidental insistia em não saber de onde vinham.

domingo, 6 de setembro de 2020

Putin e a Bielorússia:
“a Rússia não tem fronteira alguma”

Manifestações populares contra ditador da Bielorússia, ameaçam império de Putin
Manifestações populares contra ditador da Bielorrússia,
ameaçam império de Putin
Luis Dufaur
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Foi há apenas quatro anos, mas a lembrança até hoje orienta os espíritos previsores, vendo sobretudo a indignação do povo bielo-russo diante do que considera uma grosseira fraude eleitoral do ditador Aleksandr Lukashenko, lugar-tenente de Putin.

Putin não quer ver reproduzido na Bielorrússia a brilhante reação ucraniana que teve seu centro na Praça Maidan de Kiev e derrubou o presidente pro russo Viktor Yanukovytch, outro serviçal de Moscou que acabou fugindo à Rússia. 

Putin puniu a Ucrânia com a ocupação ilegal da Crimeia e a invasão do leste ucraniano.

O fato que evocamos aconteceu quando o pequeno Miroslav, de nove anos, galardoado pela Sociedade de Geografia Russa pelo fato de decorar todos os limites dos países do mundo, foi levado ante o todo-poderoso presidente da Rússia, Vladimir Putin.

Este se pôs de cócoras ante o menino e diante de um auditório lhe perguntou onde acabavam as fronteiras da Rússia.

A criança se encheu de coragem e respondeu:

– A Rússia termina no Estreito de Bering, na fronteira com os Estados Unidos.

domingo, 19 de janeiro de 2020

Unidade 29155: subversivos e assassinos russos em ação

Envenenadores do ex espião russo Serguei Skripal e de sua filha Yulia, membros da unidade 29155, flagrados em Salisbury, Inglaterra
Envenenadores do ex espião russo Serguei Skripal e de sua filha Yulia,
membros da unidade 29155, flagrados em Salisbury, Inglaterra
Luis Dufaur
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Uma campanha coordenada e em andamento para desestabilizar a Europa tem como instrumento insidioso uma unidade de elite da inteligência russa especializada em subversão, sabotagem e assassinatos, denunciou o jornal “The New York Times”.

O primeiro ardil detectado foi a campanha de desestabilização na Moldávia.

Logo depois foi o envenenamento de um traficante de armas búlgaro e um golpe frustrado no Montenegro que devia incluir o assassinato do primeiro ministro e a tomada do Parlamento.

Mais um golpe em 2018 foi a tentativa de assassinato um ex-espião russo e sua filha na Grã-Bretanha usando um veneno nervoso.

Todas essas operações tiveram as impressões digitais dos serviços de inteligência russos, mas as autoridades ocidentais as consideraram ataques isolados e não interligados, diz o jornal.

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Mercenários russos no Chile e na Bolívia até Síria e África Central

Evgeny Prigozhin, chefe da 'Wagner'. Objetivo é eliminar os opositores de Putin em qualquer lugar.
Evgeny Prigozhin, chefe da 'Wagner'.
Missão é eliminar os opositores de Putin em qualquer lugar.
Luis Dufaur
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Em setembro ficaram mais uma vez em evidência: 35 mercenários russos pereceram combatendo perto de Trípoli, capital da Líbia.

O site russófono Meduza, sedado na Letônia, divulgou que pertenciam à milícia privada “Wagner”.

Essa milícia conta com 5.000 mercenários e é criação de Evgeni Prigozhin,

58 anos, um “oligarca” a serviço de Vladimir Putin. Os mortos caíram guerreando contra o governo líbio.

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Putin comemora com gangsters a ocupação ilegal da Crimeia

Putin viola soberania da Ucrânia escoltado pelos 'Lobos da Noite'.
Putin viola soberania da Ucrânia escoltado pelos 'Lobos da Noite'.
Luis Dufaur
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O temido grupo de motociclistas “Lobos da Noite”, também apelidados “Anjos do Inferno”, liderado pelo gangster Alexander Zaldostanov, mais conhecido como “O Cirurgião”, tem um membro e admirador – financista oculto? – que aproveita ocasiões patrióticas para se exibir integrado no grupo com fama de delitivo: Vladimir Putin.

Para o jornal La Nación, de Buenos Aires, como tivemos ocasião de comentar, o grupo constitui uma “gangue que é uma espécie de guarda pretoriana paralela do presidente russo”.

Em 2015, numa tentativa frustra de penetrar pela força na Polônia e na Lituânia, o fundador e chefe Alexandre Zaldostanov, aliás “o cirurgião”, agitava bandeiras soviéticas e bradava: “Por Stalin!”

Em 21 de fevereiro de 2015, numa marcha contra a liberdade ucraniana em Moscou, Zaldostanov incitou a “exterminar” os opositores de Putin.

E advertiu: “o medo da morte é o único que pode deter a oposição russa”.

terça-feira, 7 de maio de 2019

Golfinhos e belugas: ‘vítimas úteis’ da agressividade de Moscou

Beluga treinada se aproximando dos pescadores
Beluga treinada se aproximando dos pescadores
Luis Dufaur
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Pescadores do ártico norueguês que moram no povoado de Inga, informaram que uma beluga branca, espécie maior que o golfinho qualificada erroneamente como baleia, começou a se esfregar em um de seus barcos de pesca, como noticiou “La Nación”.

O fato que estranhou aos pescadores é que a beluga levava amarrado um estranho arnês. Joergen Ree Wiig, da Direção Noruega de Pesca, disse que numa correia do arnês do animal marinho estava escrito “Equipe São Petersburgo”.

Além do mais, o arnês carregava uma base onde podia se instalar uma câmera.

A beluga não é um animal agressivo, é gregária, pode medir 5,5 metros e pesar 1.600 kg. No verão se reúne em grupos de até milhares de exemplares.

Sofrem muita depredação por parte dos ferozes ursos brancos, mas sua população é numerosa.

domingo, 24 de março de 2019

Rússia: central mundial de malefícios satânicos?

Círculo mágico para atrair maldições contra os inimigos de Putin
Círculo mágico para atrair maldições contra os inimigos de Putin
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







A cerimônia pareceria tirada de Harry Potter, mas foi no mundo real. Aconteceu em Moscou e foi noticiada largamente pela BBC.

O círculo mágico estava composto maioritariamente de mulheres, cobertas com capuzes escuros e símbolos vermelhos nas costas, rezando fórmulas ocultistas visando um efeito demoníaco sobre a política.

“Que venha com grandeza o poder da Rússia e dirija o caminho de Vladimir Putin. Respira, ó Mae Terra, abraçando à Rússia”, invocava a chefa do grupo, Alyona Polyn, enquanto as outras bruxas pronunciavam conjuros.

O grupo de feiticeiras se denomina “Império das Bruxas mais Poderosas” e pratica apelos diabólicos, ou “círculos mágicos de poder”, para apoiar ao presidente formado na KGB.

“A gente deve apoiar a Vladimir Putin antes de qualquer coisa”, disse a feiticeira Yulia. “Queremos que os vilões [que atacam a Putin] fiquem em silêncio “, acrescentou a bruxa Irina para a agência Reuters.

As bruxas soltaram malefícios contra os inimigos da Rússia e de seu ditador.

Polyn, que diz ser a maga principal, explicou à mídia russa que suas cerimônias têm sempre o apoio do Estado e do presidente “porque ele é o rosto da Rússia”.

domingo, 21 de maio de 2017

A cartada de Putin: dividir para imperar,
adormecer para esmagar

A bandeira da URSS arriada pela última vez do Kremlin. Parecia que tudo terminava. Mas a manobra estava apenas começando.
A bandeira da URSS arriada pela última vez do Kremlin.
Parecia que tudo terminava. Mas a manobra estava apenas começando.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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diversos blogs





Quando a bandeira vermelha com a foice e o martelo foi arriada no Kremlin em sinal da extinção do império marxista-leninista da URSS, o mundo suspirou aliviado.

Mas, nos antros não visíveis a olho nu que deram origem a essa imensa central do mal, preparava-se outra coisa que poucos ousavam imaginar.

“O comunismo morreu!” clamaram com júbilo os potentados de mídia e da economia ocidental que até havia pouco se resignavam a capitular diante do monstro vermelho cujo trono estava no Kremlin.

Houve poucos, muito poucos, que não caíram na cilada. Entre eles destacou-se como figura de exceção, um grande brasileiro: o prof. Plínio Corrêa de Oliveira.

Acompanhando acuradamente o noticiário nacional e internacional, ele foi formando uma ponderada, mas previsora conclusão: o comunismo não estava conseguindo conquistar as massas e por isso entrava em crise.

Para tentar superar essa crise, ele poderia tentar uma manobra – entre outras – que consistiria em fingir uma extinção que desarmasse os oponentes. Quando estes se adormecessem, ele desferiria um golpe de grandes proporções.

O plano não era novo. O esboço dele apareceu em conferência de Dimitri Z. Manuilski, primeiro secretário do Partido Comunista da Ucrânia.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Guerra híbrida russa
mira Lituânia, Ucrânia, França e Alemanha

Civis treinam para lidar contra seudo insurgentes teleguiados desde Moscou
Civis treinam para lidar contra insurgentes teleguiados desde Moscou
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





“Carece de todo senso imaginar nos invadir: nós não nos renderemos jamais!”, afirmou peremptoriamente Dalia Grybauskaité, presidente da Lituânia. O povo lhe pede segurança acima de tudo, segundo recolheu FranceTV. 

O povo lituano é diminuto em população e território, mas não carece de bom senso e coragem.

Por isso, não leva a sério as declarações distensionistas que o Ocidente engole e teme positivamente a invasão russa. A Lituânia tem fronteira com o supermilitarizado enclave russo de Kaliningrado.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

“Washington será nossa”:
a comemoração do Kremlin

No centro de Moscou cartazes promoviam a candidatura de Donald Trump.
No centro de Moscou cartazes promoviam a candidatura de Donald Trump.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Uma estranha comemoração teve lugar em Moscou na inauguração da presidência de Donald Trump. Com champagne e festejos o Kremlin marcou a data festiva daquele que em teoria deveria ser seu maior oponente.

“É estranho, mas é ótimo, pela primeira vez os russos estão aplaudindo a vitória de um candidato presidencial dos EUA”, comentou o analista político Stanislav Byshok, citado pelo “New York Daily News”.

As promessas de Trump alimentam o otimismo russo, malgrado a recente manutenção das sanções pela invasão ilegal da Crimeia, a ocupação do leste da Ucrânia, a oposição militar na guerra na Síria e a interferência da Rússia na eleição presidencial.

O primeiro ministro russo Dmitry Medvedev foi dos primeiros a comemorar no Facebook.

Perto do Kremlin, nacionalistas russos montaram na sede dos Correios de estilo típico soviético um tríptico de Putin, Trump e a líder do Front National francês Marine Le Pen.

Vladimir Putin foi exibido na tela erguendo a taça de champagne e tendo a seu lado a política francesa Marine Le Pen.

A festa foi organizada pela TV Tsargrad, dirigida pelo ideólogo ultraputinista Alexander Dugin e foi partilhada por uma centena de nacionalistas russos admiradores de Trump.

Trumpomania fabricada no Kremlin: em Moscu a ativista putinista Maria Katasonova durante entrevista de imprensa.
Trumpomania fabricada no Kremlin: em Moscu
a ativista putinista Maria Katasonova durante entrevista de imprensa,
ostenta o tríptico Putin-Le Pen-Trump
“Sim, é uma festa”, disse o sorridente Dmitry Rode, empresário das comunicações com a taça na mão.

Alguns dos presentes usavam máscaras de Guy Fawkes em alusão aos hackers russos que teriam interferido nas eleições.

“Estou feliz por todos os hackers russos”, explicou o profissional Filip Nikolsky que usava uma camiseta com o dizer “Você foi hackeado”.

Numa boate moscovita várias dúzias de pessoas brindaram pela vitória de Trump. O cantor Willi Tokarev, uma lenda da música russa, entoou sua canção “Trumplissimo America!”

Leonid Slutsky, presidente do Comitê de Relações Exteriores da Duma, também comemorou porque com Trump Moscou pode aguardar dias melhores.

No World Economic Forum de Davos, na Suíça, Igor Shuvalov, representante do primeiro ministro russo anunciou que Trump e Putin trabalharão juntos para resolver o caso da Ucrânia, que para o chefe do Kremlin só se resolve com uma vitória russa virtualmente incondicional.

Para o dissidente Gennady Gudkov, a Rússia está atacada por uma estranha “Trumpomania” insuflada pela mídia dependente do Kremlin, reproduziu a CNBC.

Medalhas comemorativas em ouro e prata com os dizeres “In Trump We Trust”, parafraseando o dólar, foram emitidas em Zlatoust, cidade no leste de Moscou.

Os vendedores das tradicionais matrioscas, ou boneca russa, brinquedo tradicional composto por uma série de bonecos colocados uns dentro dos outros, passaram a acrescentar o de Donald Trump.

Putin,Trump e Lenine, nas matryoshkas de venda popular.
Putin,Trump e Lenine, nas matryoshkas de venda popular.
Ela era vendida com junto com a de Vladimir Putin, e as de Vladimir Lenine, Josef Stalin e Mikhail Gorbachev.

“A eleição de Trump gerou um entusiasmo enorme porque suas cálidas palavras sobre a Rússia e Putin passaram a esperança de que os EUA e o Ocidente cessariam de atacar a Rússia”, disse Sergei Markov, ex-advogado pro-Putin, que glosava a vulgata do Kremlin.

Porém, ele fez uma ressalva: “nós russos estamos otimistas, mas estamos nos preparando para o pior” em alusão à possível III Guerra Mundial.

Konstantin Rykov, ex-advogado pro-Putin e promotor do evento saudou o início da primeira fase de uma “Nova Ordem Mundial”.

No que é que consiste esse substituo da odiada antiga “Ordem Mundial” globalista?

Rykov respondeu com poucas palavras: “Washington será nossa”.



domingo, 5 de fevereiro de 2017

“Exército fantasma” russo age hoje na Síria.
Agirá amanhã no Brasil?

Mercenários russos em foto capturada pelo Estado Islâmico.
Mercenários russos em foto capturada pelo Estado Islâmico.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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sócio do IPCO,
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A Rússia aplicou na Síria uma velha tática para exterminar friamente as forças adversárias: apelou para bandos de mercenários sem relação com o quadro do conflito, escreveu “La Nación” de Buenos Aires.

Por exemplo, o major Sergei Tchupov oficialmente nunca fez parte dos efetivos militares russos enviados à Síria.

Veterano do Afeganistão e experimentado no esmagamento da Chechênia, ele era membro da 46ª Brigada do Ministério do Interior russo, encontrou a morte atacando Aleppo.

Seus amigos revelaram os fatos básicos nas redes sociais. Mas a lápide de sua tumba num cemitério de Moscou diz outras coisas.

Tchupov foi um “cão da guerra”: um das centenas de militares russos que agem como mercenários contratados por sociedades privadas, em estreita dependência do Kremlin, e no caso com o governo de Assad.

As baixas russas como a de Tchupov são difíceis de calcular, pois na Rússia de Putin ninguém pode saber o que lhes aconteceu, explicou o jornal.

Mas há os que sobreviveram e podem contar algo, como Vitaly “Prizer”, treinado nas forças especiais da polícia política FSB (ex KGB), de onde saiu para uma “nova vida militar” no Iraque, no golfo de Aden e no Oceano Índico.