domingo, 13 de agosto de 2017

Exemplo ucraniano inspira resistência venezuelana

Afinidade das situações é muito grande
Afinidade das situações é muito grande
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





O documentário Winter on fire foi apresentado e discutido em várias universidades venezuelanas, públicas e privadas, provocando grande impacto entre os estudantes, hoje figuras centrais das marchas opositoras ao governo de Nicolás Maduro, informou “O Globo”.

Segundo declarou ao “Globo” Marcelino Bisbal, professor da Universidade Católica Andrés Bello (UCAB), os estudantes venezuelanos ficaram entusiasmados com o documentário.

Por quê? “Porque o exemplo da Ucrânia mostra que é possível mudar um país fazendo grandes esforços, como estão fazendo todos os venezuelanos”.

Esses grandes esforços envolvem o derramamento abundante de sangue – mais de 100 assassinados pelos esbirros chavistas – e um combate duríssimo no dia-a-dia nas ruas e praças do país

“Aqui já se fala no efeito Ucrânia, pela penetração deste documentário não somente nas universidades, mas também nos bairros, através de associações civis” — disse o professor da UCAB.

“Os jovens se sentem identificados com o exemplo ucraniano, porque aqui também eles são o motor da rebelião”.

Nos escudos caseiros venezuelanos a Cruz de São Jorge e Nossa Senhora de Coromoto.
Nos escudos caseiros venezuelanos:
a Cruz de São Jorge e Nossa Senhora de Coromoto.
Assim como na Ucrânia, manifestantes passaram a usar escudos improvisados para se defenderem da repressão policial nos protestos, como na Praça Maidan de Kiev.

Placas de madeira e aço, barris de plástico e metal, e até mesmo partes de antenas parabólicas e tampas de bueiros proliferam nas manifestações, quase sempre trazendo as cores da bandeira nacional ou mensagens contra o governo.

Também se destaca a Cruz de São Jorge, muito usada em Kiev. Um vídeo viral nas redes sociais mostra uma moça montando seu escudo, enquanto Maduro aparece na TV fazendo suas invectivas anticapitalistas e insultos à oposição.

Por fim, a jovem sai à rua de sua pobre casa e vai juntar-se a outros que acabam de fazer seu escudo.

“Os escudos não detêm os tiros, mas nos protegem do gás lacrimogêneo, das balas de borracha e pedradas”, informou à Reuters Brian Suárez, estudante de Direito, carregando um escudo com a imagem do presidente sob a mira de um rifle.

Há uma coincidência curiosa. Procurando fotos desses resistentes venezuelanos, achei algumas de jovens na Praça Maidan em 2014, com cartazes em que se identificavam com as marchas pacíficas da Venezuela e faziam explícita menção ao país sul-americano.

Que intuição lhes fazia antever que nos dois países tão distantes entre si, uns e outros se opunham ao mesmo inimigo: o comunismo metamorfoseado?

Em 2014, na Praça Maidan os manifestantes ucranianos pela liberdade apoiavam seus homólogos venezuelanos
Em 2014, na Praça Maidan os manifestantes ucranianos pela liberdade
apoiavam seus homólogos venezuelanos
Em 2014, enquanto os ucranianos lutavam pela sua independência na Praça Maidan, os venezuelanos faziam o mesmo em seu país.

Os ditadores Vladimir Putin, Recep Erdogan, Bashar Assad, Nicolás Maduro e Robert Mugabe inventaram então a existência de uma grande conspiração mundial do Ocidente contra eles, noticiou “El País” de Madri.

Em ambos os casos, aqueles jovens lutavam corajosamente e em desigualdade de condições para se desenvencilhar de uma espécie de demônio ou maldição.

Como que tentavam remir seus países, mesmo pagando um alto preço em sangue para atrair uma bênção portadora de um futuro melhor intuído com esperança.


Vídeo: Exemplo ucraniano inspira resistência venezuelana










domingo, 6 de agosto de 2017

Estátuas de Lenine vão parar em lixões e depósitos

A cabeça do monumento de Dnipropetrovsk foi doada ao Museu Histórico Nacional, mas acabou posta de lado
A cabeça do monumento de Dnipropetrovsk foi doada ao Museu Histórico Nacional,
mas acabou posta de lado
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O fotógrafo suíço Niels Ackermann palmeou a Ucrânia durante três anos juntamente com o jornalista francês Sébastien Gobert de “Libération”.

Eles foram registrar que fim tiveram as inumeráveis estátuas de Lenine hoje desaparecidas dos locais públicos.

Sabia-se que elas haviam sido derrubadas durante o reerguimento do povo ucraniano contra o domínio russo representado pelo regime de Yanukovich (2010-2014).

Mas essa atitude em face das estátuas do tirano acentuou-se ainda mais após aplicação da lei de “desovietização”, de maio de 2015.

Pareceu uma viagem aos porões artísticos do inferno. Os resultados ficaram compilados no álbum “Procurando Lenine” (Looking for Lenin, ed. Noir sur Blanc, Montricher, Suíça, 2017, 176 p.).

Mas o álbum acabou mexendo em algo que ia além do registro fotográfico.

Ele permitiu narrar de modo diferente a história recente da Ucrânia, as relações de força ditatorial contra o povo, as decepções dos iludidos com o comunismo e as nostalgias da era soviética que ainda subsistem como fantasmas de uma casa assombrada.

O fotógrafo ficou pasmo ao constatar que cada ucraniano tem alguma coisa a contar sobre Lenine e a ação comunista com que ele tentou esmagar o país, massacrando milhões, expropriando as propriedades particulares, fechando a Igreja Católica e tentando fazer desaparecer por completo a alma, a cultura e a identidade nacional ucraniana.

Mães de família, professores, policiais, políticos, operários, camponeses, todos têm uma história de dor para contar, até o momento em que não mais havia na sua aldeia uma estátua do assassino de massa russo.

Os ucranianos deixaram bem claro o que pensavam da emblemática estátua do ditador em Kiev
Os ucranianos deixaram bem claro o que pensavam
da emblemática estátua do ditador em Kiev
Niels conta que as derrubadas de imagens de Lenine começaram antes mesmo da queda de Yanukovich. Uma delas chegou a ser jogada por terra na Ucrânia ocidental antes da extinção da URSS.

A primeira onda de desmantelamentos do odiado líder comunista se deu na década de 1990.

Após a Declaração de Independência da Ucrânia – em 24 de agosto de 1991, a qual foi ratificada em plebiscito por 90% da população –, em quatro ou cinco anos foi suprimida a metade das 5.500 estátuas que a URSS havia espalhado por tudo quanto é canto.

Em 8 de dezembro de 2013 começou em Kiev a leninopad [“queda dos Lenines”], quando uma estátua principal do tirano comunista, no centro da capital, foi desatarraxada e estraçalhada, caracterizando o início da revolução libertadora.

O povo se jogou encima dela e a estilhaçou com golpes de marreta, picas e paus, com uma ferocidade que fez lembrar os alemães derrubando o Muro de Berlim.

Não era uma revanche contra o homem Lenine, mas contra o regime que ele fundou e a estátua encarnou, contra o passado soviético e a política atual de Putin, explicou o fotógrafo.

Um site anunciava uma a uma as localidades em que “os Lenines” iam sendo arrancados, e a onda crescia em velocidade.

Das aldeias e regiões rurais até as grandes cidades, todos corriam para se livrarem daqueles demônios de pedra ou aço, enquanto as forças policiais mudavam de posição e acompanhavam o movimento patriótico.

A terceira fase foi a da descomunistização oficial, iniciada em maio de 2015. Além dos “Lenines”, todos os símbolos comunistas – nomes de cidades e de ruas, estátuas de outros líderes comunistas – foram sendo suprimidos e, sempre que possível, recuperados os antigos nomes.

Pichada e abandonada em Slovyansk
Pichada e abandonada em Slovyansk
O mapa dos “Lenines” execrados recobre todo o território ucraniano.

Um jovem de Kharkiv, segunda maior cidade do país, descreve o que sentiam inúmeros corações: “Eu me tornei homem naquela tarde, fazendo cair a Lenine”.

Nas cidades do Leste, os separatistas pagos por Moscou ainda se reúnem ao pé de sua estátua.

Para os habitantes de Kharkiv, derrubar o símbolo do mal foi uma questão de guerra ou de paz. Para os jovens, foi como arrancar as próprias raízes do mal, destruindo seu insolente monumento como condição para uma ordem pacífica.

Os restos das estátuas – recobertos de grafites, com as cores ucranianas e increpações a Putin, com quem eles são identificados – acabaram em barracões, lixões públicos, galpões abandonados, ou com algum nostálgico marxista.

No momento da revolução libertadora, os ucranianos se regozijaram liquidando o símbolo de todos os horrores, a encarnação da política estrangeira putinista.

Hoje é lixo, e o álbum retrata isso.




Vídeo: Restos das estátuas de Lenine vão parar em lixões e depósitos




Vídeo: "Adeus, Lenine", a derrubada ao vivo e a cores da maior do mundo em Kharkiv










domingo, 30 de julho de 2017

Kremlin tenta forjar um país, a Malorrosía,
para se apossar da Ucrânia

O anunciado país de Malorossía incluiria por completo as regiões de Lugansk e Donetsk. Mas, isso seria só como início de conversa.
O anunciado país de Malorossía incluiria as regiões de Lugansk e Donetsk por completo.
Mas, isso seria só um início de conversa...
Luis Dufaur
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Separatistas pró-russos no leste da Ucrânia proclamaram um novo Estado denominado Malorossía, que significa “Rússia Menor”, mas que de fato é o primeiro passo de um processo que visa engolir quase todo o território da Ucrânia e até parte da Moldávia!

O líder pró-russo Alexander Zajarchenko explicou que o novo Estado se aglutinará em volta das autoproclamadas repúblicas de Donetsk e Lugansk. Sua Constituição será votada em referendo e a capital será a cidade de Donetsk, informou “El Mundo” de Madri.

Esses dois territórios sublevados pelo influxo de Moscou já tinham aprovado a secessão num referendo em que os eleitores votavam mirados por fuzis e cujos resultados foram contestados. No dia seguinte os “vencedores” pediram a integração na Federação Russa.

Mas Vladimir Putin não ousou sequer reconhecer a independência desses secessionistas. Seu plano era mais sibilino.

Ele pretendia usar os revoltosos que já estavam sob seu controle para exigir imediatas concessões do governo ucraniano legítimo de Kiev.

Mais na frente, ele esperava usá-los como alavanca para engolir a Ucrânia inteira. Mas a intriga não conseguiu quebrar o patriotismo ucraniano e ficou paralisada.

Agora renova a tentativa com a proposta desta atreira Malorossía. “Será um Estado sucessor da Ucrânia”, confessou Alexander Timofeev, membro do governo da autoproclamada República Popular de Donetsk.

A ocupação efetiva do leste da Ucrânia pelos secessionistas pró-russos
é de só uma fração de Lugansk e Donetsk. Além da península da Crimeia
e das regiões de Ossétia e Abécassia que pertencem à Geórgia.
Os separatistas controlam só uma parte das regiões de Lugansk e Donetsk, mas pretendem ser os donos absolutos desses Oblasts (Estados).

Alegam que “o governo da Ucrânia demonstrou ser um Estado falido”, sem se preocupar que nas regiões usurpadas os separatistas nem fornecem os serviços básicos à população.

O mapa da Malorossía vem mudando, mas inclui territórios nunca alcançados pelos separatistas. Chegam até a Moldávia, engolindo a grande cidade ucraniana de Odessa e todo a costa do mar Negro.

O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, relembrou que os separatistas são meras “marionetes da Rússia”.

Balazs Jarabik, investigador do Centro Carnegie, afirma ser evidente que “os separatistas não poderiam sobreviver sem ajuda russa”. Durante o conflito, os separatistas apelaram à Rússia para que essa os salvasse anexando seus territórios.

É bem o que Putin gostaria como início de conversa. Mas a astúcia lhe sugeriu cuidar-se. Inventou a “Novorrosía” e tentou forjar uma guerra civil que não foi acompanhada pela população.

Foi então obrigado a engajar pesadamente tropas russas e invadir os territórios “separatistas”, sofrendo graves perdas e desprestigiando a causa da guerra aos olhos da opinião pública russa.

A conhecida escritora Anne Applebaum, que está publicando o livro A fome vermelha, sobre a história da Ucrânia, acredita que a “Rússia está por trás”.

Ela mostra que desde os tempos da URSS, Moscou costuma “criar estados 'fake' (falsos) baseados em territórios ocupados pela própria Rússia para desestabilizar outros países” que ela quer engolir.

Mapa revelador do plano russo circula em sites ocidentais 'companheiros de estrada' de Moscou.
E prevê a ocupação pela Malorrosía e/ou Novorossía até de partes da Moldávia (com cores russas).
Depois, seria anexado o centro da Ucrânia incluída Kiev (com cores ucranianas).
Só sobraria a Ucrânia ocidental empurrada para a Polônia (listada no mapa).
O Kremlin tomou distâncias, mas “para inglês ver”. Pois Leonid Kalashnikov, criatura do regime e presidente do Comitê da Duma para a Comunidade de Estados Independentes, defende que a criação da Malorossía é “inevitável”.

Simultaneamente, o Kremlin intensificou as violações das linhas de fogo acertadas nos acordos de Minsk, estimulando ataques militares dos separatistas armados por ele.

Kurt Volker, ex-embaixador dos EUA perante a OTAN e encarregado das negociações de paz na Ucrânia, responsabilizou a Rússia pela retomada das violências no leste ucraniano.

Segundo ele, atualmente as partes estão se matando numa “verdadeira guerra” que nada tem de um “conflito congelado”, como a Rússia e seus companheiros de viagem fazem crer, noticiou a agência Reuters.

Na cidade de Kramatorsk, 700 km ao sudeste de Kiev, Kurt Volker anunciou que recomendará a Washington um maior engajamento no processo de paz.

Os recentes combates na região do Donbass deixaram 12 mortos numa semana. Berlim e Paris exigiram respeito dos acordos de cessar-fogo de Minsk de 2015.

Esses estão sendo regularmente violados e é patente que a Rússia e seus acólitos não pretendem cumpri-los. No máximo, explorá-los para tirar vantagens.

Soldado ucraniano católico morto em recente ataque dos separatistas pró-russos violando os acordos de Minsk. Combates retomaram com intensidade.
Soldado ucraniano católico morto em recente ataque dos separatistas pró-russos
violando os acordos de Minsk. Combates retomaram com intensidade.
A tensão se estendeu até a Geórgia, no Cáucaso, onde o presidente Giorgi Margvelashvili e seu homólogo da Ucrânia, Petro Poroshenko, criaram um Alto Conselho Bilateral.

Esse visa “a liberdade dos territórios ocupados” pela Rússia em ambos os países e promover “a integração total na OTAN e na União Europeia”, noticiou a UOL.

Poroshenko qualificou os povos ucraniano e georgiano de “vítimas da agressão da Rússia”. E agradeceu aos voluntários georgianos que combatem contra os separatistas pró-Rússia no leste da Ucrânia “pelo convencimento que dessa forma também lutam pela Geórgia”.

“Apesar de termos duas regiões ocupadas (pela Rússia), estamos orientados para a cooperação e a amizade”, acrescentou o presidente georgiano Margvelashvili.

Ele se referia às autoproclamadas repúblicas de Abecásia e Ossétia do Sul, que o Kremlin considera Estados independentes após engoli-los pela força das armas na guerra russo-georgiana de 2008.



A mentira, arma da Rússia: Russia Today mostra acidentalmente bombas de fragmentação que jurava não usar na Síria





Mais mentiras russas: as bombas destruídas pelos EUA não seriam de fragmentação. Mas a bomba revela sua natureza proibida.




domingo, 23 de julho de 2017

Recrutamento russo nas redes sociais

A máquina de Putin recruta 'soldados' ingênuos na Internet.
A máquina de Putin recruta 'soldados' ingênuos na Internet.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Ladislav Kasuka redigia sua costumeira diatribe contra o ocidente para um site stalinista checo quando começou a receber mensagens oferecendo-lhe dinheiro para organizar protestos de rua.

Esse foi o ponto de partida de toda uma história objeto de reportagem de “The New York Times”.

A primeira mensagem, recheada de bajulações pelo seu trabalho, chegou em russo, enviada por alguém que ele desconhecia. De início, a oferta foi de 300 euros.

Era para Kasuka, um stalinista checo sem um tostão, comprar bandeiras e cartazes destinados a uma manifestação pública em Praga contra a OTAN e o governo pró-ocidental da Ucrânia.

Logo depois, ofereceram-lhe mais 500 euros para comprar um videocâmara e publicar seus vídeos na internet. Ainda viriam promessas de outras quantias menores. Kasuka ficou surpreso, mas como o dinheiro “era para a boa causa” anticapitalista foi aceitando.

Pouco depois estava enleado numa estranha trama que funcionava nas redes sociais.

Seu caso foi apenas um entre muitos na Europa Oriental e Central, resultantes de uma campanha de influência frenética, por vezes grosseira, financiada por Moscou e dirigida por Alexander Usovsky, agitador nacionalista russo, sicário ideológico numa batalha para ganhar almas e mentes nos fios da Internet.

Se comparada à intromissão da Rússia nas eleições presidenciais nos EUA e na França, as atividades de Kasuka e outros como ele têm pouca relevância. Mas para Moscou servem e não pouco.

Um dia hackers ucranianos vasculharam o computador de Usovsky e fizeram vir à luz sua estratégia para ampliar a área de influência russa.

Recrutar ativistas independentes estrangeiros e irrigá-los com dinheiro fornecido por “oligarcas” e agentes do Estado putiniano.

Usovsky teve sorte instável, por vezes imprudente ou desastrada, mas procurou renovar as iniciativas à sombra do dinheiro do magnata da nomenklatura Konstantin Malofeev. Ele lhe pediu “um plano claro, concreto e realista para a chegada ao poder de forças pró-russas”.

Usovsky “é um bom caso de estudo sobre os métodos russos”, disse Daniel Milo, ex-funcionário do Ministério do Interior eslovaco, especialista em extremismo da Globsec, grupo de investigação de Bratislava. “Ele é uma pequena engrenagem de uma grande indústria. E poderia haver dúzias como ele”, opinou Milo.

Ladislao Kasuka foi recebendo dinheiro fácil da Rússia e acabou enleado numa rede dirigida pelo Kremlin
Ladislao Kasuka foi recebendo dinheiro fácil da Rússia
e acabou enleado numa rede dirigida pelo Kremlin
Usovsky começou a agir em 2014 cavalgando a onda de fervor nacionalista russo pela invasão da Crimeia. Montou uma rede de sites em várias línguas para promover a unidade eslava, alugou um escritório em Bratislava e criou uma fundação falsa, cuja fachada era promover a cultura.

Usovsky apresentou orçamento de milhares de euros a Malofeev entre outras coisas para promover candidatos pró-russos nas eleições polonesas, mas não conseguiu fazer vencer um só.

Identificou contudo sócios na Europa Oriental e Central dispostos a receber sua ajuda. Ampliou na internet as vozes radicais, fez com que pequenas passeatas parecessem muito maiores do que eram.

Trabalhou com a mídia informativa russa para garantir que “seus” colaboradores checos, eslovacos e poloneses recebessem ampla cobertura nos órgãos moscovitas com penetração no exterior.

Por isso Kasuka, o stalinista que mora num apartamento popular de Melnik, aparece habitualmente na mídia russa como um conceituado comentarista de geopolítica e de assuntos checos.

Chegou a dizer por meio de Russia Today que os EUA poderiam jogar uma bomba atômica na Ucrânia e culpar a Rússia para assim provocar uma guerra. Era absurdo, “fake news” no duro, mas servia para a propaganda moscovita.

Suas atividades são ecoadas como grandes eventos pela TV moscovita.

“É uma loucura total”, comentou Roman Maca, analista sediado em Praga. “O Canal Um russo apresentou como notícia séria um protesto de 10 pessoas que na sua maioria candidatas à internação num hospital psiquiátrico”.

Malofeev não ficou satisfeito com Usovsky. Então, esse foi atrás de outros doadores potenciais com planos detalhados para montar una “quinta coluna pró-russa”, canalizando dinheiro para políticos anti-OTAN e a anti-UE.

Por sua vez, Kasuka desanimou das arruaças e agora se concentra no estudo da filosofia marxista, dos logros de Stalin e da miséria causada pela exploração capitalista.

Talvez esteja lendo a ‘Laudato Si’.


domingo, 16 de julho de 2017

A Rússia será católica!

Nossa Senhora de Fátima. Fundo: Moscou
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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“A Rússia será católica?” não é a interrogação de um sonhador.

Em Fátima, Nossa Senhora patenteou predileção por esse país de dimensões imperiais.

Porque Ela deu a entender que a instauração de seu Reino na terra teria como condição a conversão do mundo russo ao catolicismo.

E a Providência suscitou grandes almas que ofereceram suas vidas pela salvação da Rússia dos Czares. Algumas delas abandonaram os erros que erodiam o país e se converteram no século XIX.

Elas intuíram com fé e muito raciocínio que o dia glorioso da conversão da Rússia acabará chegando.

Foi o caso do Pe. Ivan Gagarin, príncipe russo que ingressou na Companhia de Jesus e é autor de um livro que fez sensação em sua época: “A Rússia será católica?” (La Russie sera-t-elle catholique?, Paris, 1856).

O professor Roberto de Mattei acaba de lhe dedicar dois substanciosos artigos em seu site “Corrispondenza Romana”.

Dele tiramos as informações para este post, a partir de uma tradução da agência ABIM feita por Helio Dias Viana.

Ivan Sergeevič Gagarin nasceu em Moscou no dia 20 de julho de 1814, de uma casa principesca descendente dos príncipes de Kiev.

Foi adido na legação russa em Munique, e depois na embaixada de Paris, onde amadureceu sua conversão ao catolicismo.

Em 7 de abril de 1842 abjurou a religião ortodoxa e abraçou a fé católica pelas mãos do padre François Xavier de Ravignan (1795-1858), que já obtivera a conversão do conde Šuvalov.

Ivan Gagarin renunciava, aos 28 anos, não só a um brilhante futuro político e diplomático, mas à esperança de poder retornar à sua pátria.

Príncipe Ivan Sergio Gagarin (1814 -1882) em 1835,
antes da conversão
Com efeito, na Rússia dos Czares a conversão ao catolicismo constituía um delito comparável à deserção ou ao parricídio.

O abandono da ortodoxia por uma outra religião, ainda que cristã, era punido com a perda de todos os bens, dos direitos civis e dos títulos nobiliárquicos, e podia dar em reclusão perpétua em um mosteiro ou exílio na Sibéria.

O governo russo considerou o príncipe Gagarin como um inimigo a ser eliminado. Ele foi alvo de uma campanha de calúnias organizada pela Chancelaria Imperial.

O Pe. Gagarin publicou o livro La Russie sera-t-elle catholique? em 1856. Nele o sacerdote se refere à solene bula de Bento XIV Allatae sunt, de 26 de julho de 1755, em que o Santo Padre, manifestando “a benevolência com a qual a Sé Apostólica abraça os orientais”,

“ordena que se conservem seus antigos ritos que não se oponham à Religião Católica nem à honestidade; nem se peça aos Cismáticos que retornam à Unidade Católica para que abandonem seus ritos, mas apenas que abjurem a heresia, desejando fortemente que seus diferentes povos sejam conservados, não destruídos, e que todos (para dizer muitas coisas com poucas palavras) sejam Católicos, não latinos”.

Para o jesuíta russo, o cisma ortodoxo é principalmente o resultado do “bizantinismo”, um erro segundo o qual não há distinção entre os dois poderes, o temporal e o espiritual.

A Igreja é de fato subordinada ao Imperador, que a dirige enquanto delegado de Deus no campo eclesiástico e no secular.

Os autocratas russos, como os imperadores bizantinos, veem na Igreja e na religião um meio do qual servir-se para garantir e dilatar a unidade política.

Este calamitoso sistema que vem sendo aplicado hoje por Vladimir Putin se funda em três pilares: a religião ortodoxa, a autocracia e o princípio da nacionalidade, sob cujo signo penetraram na Rússia as ideias de Hegel e dos filósofos alemães.

Tal penetração daria na expansão das ideais comunistas de Marx, e por fim na Revolução bolchevique de Lenine em 1917.

Aquilo que se esconde sob as palavras pomposas de ortodoxia, autocracia e nacionalidade, “não é senão a formulação oriental da ideia revolucionária do século XIX” (p. 74), fruto da Revolução Francesa anticlerical e anticristã, comenta o prof. de Mattei.

Príncipe Ivan Sergio Gagarin (1814 -1882) já jesuíta,
foto sem data
Em uma profética página, o padre Gagarin escreve:

“Quanto mais se desce ao fundo das coisas, mais se é levado a concluir que a única luta verdadeira é entre o Catolicismo e a Revolução.

Quando em 1848 o vulcão revolucionário aterrorizava o mundo com seus rugidos e fazia tremer a sociedade abalada em seus fundamentos, o partido que se dedicou a defender a ordem social e a combater a Revolução não hesitou em inscrever em sua bandeira Religião, Propriedade, Família.

“Ele não hesitou em enviar um exército para restabelecer em sua sede o Vigário de Jesus Cristo, que a Revolução havia forçado a tomar o caminho do exílio.

Esse partido tinha perfeitamente razão; está-se em presença de apenas dois princípios: o princípio revolucionário, que é essencialmente anticatólico, e o princípio católico, que é essencialmente contra-revolucionário.

“Apesar de todas as aparências contrárias, só há no mundo dois partidos e duas bandeiras.

De um lado, a Igreja Católica arvora o estandarte da cruz, que contém o verdadeiro progresso, a verdadeira civilização e a verdadeira liberdade; de outro, apresenta-se a bandeira revolucionária, em torno da qual se agrupa a coalizão de todos os inimigos da Igreja.

“Ora, o que faz a Rússia? De um lado, combate a Revolução; de outro, combate a Igreja Católica. Tanto externa quanto internamente, encontrareis a mesma contradição. (...)

“E se ela quiser ser coerente consigo mesma, se quiser francamente combater a Revolução, tem apenas um partido a tomar: colocar-se sob o estandarte católico e reconciliar-se com a Santa Sé” (La Russie sera-t-elle catholique?, Charles Douniol, Paris 1856, pp. 63-65).

A Rússia não atendeu ao apelo do príncipe sacerdote, comenta o prof. de Mattei. A Revolução bolchevique, após ter exterminado os Romanov, difundiu seus erros no mundo.

Príncipe Ivan Sergio Gagarin (1814 -1882) já jesuíta
Príncipe Ivan Sergio Gagarin (1814 -1882) já jesuíta
A cultura abortista e homossexual, que hoje conduz o Ocidente à morte, tem suas raízes na filosofia hegeliano-marxista que triunfou na Rússia em 1917.

A derrota dos erros revolucionários não poderá ser ultimada, na Rússia e no mundo, senão sob os estandartes da Igreja Católica.

As ideias do padre Gagarin inspiraram o barão alemão August von Haxthausen (1792-1866), que com o apoio dos bispos de Münster e de Paderborn fundou uma Liga de orações denominada Petrusverein (União de São Pedro) pela conversão da Rússia.

Associação análoga, sob o impulso dos padres barnabitas Šuvalov e Tondini, nasceu na Itália e na França. Aos inscritos nessas associações recomendava-se rezar em todos os primeiros sábados do mês pela conversão da Rússia.

Em 30 de abril de 1872, Pio IX concedeu com um Breve indulgência plenária a todos aqueles que, tendo confessado e comungado, assistissem no primeiro sábado do mês à Missa celebrada pelo retorno da Igreja Greco-russa à unidade católica.

Nossa Senhora aprovou certamente essa devoção, pois em Fátima, em 1917, Ela recomendou a prática reparadora dos primeiros cinco sábados do mês como instrumento da instauração de seu Reino, na Rússia e no mundo, conclui Roberto de Mattei.


(Autor: Roberto de Mattei, “Corrispondenza romana”, 8-6-2017. Matéria traduzida do original italiano na ABIM por Hélio Dias Viana).


domingo, 9 de julho de 2017

Trump em Varsóvia: virada desconcerta Rússia

O elogio da resistência às agressões russas e à luta por Deus e pela família entusiasmou os poloneses
O elogio da resistência às agressões russas
e à luta por Deus e pela família entusiasmou os poloneses
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A “nova-Rússia” de Putin não esconde sua frustração diante da virada que está se operando na nova administração dos EUA.

Os russos chegaram com desânimo para o encontro Trump-Putin efetivado em Hamburgo. A cita outrora havia sido marcada com imensas expectativas da parte do Kremlin.

O presidente Donald Trump vem surpreendendo o mundo e consternando as esquerdas com posições merecedoras de alto encómio.

Tivemos ocasião de fazer reparos a iniciativas do candidato Trump que não se inseriam numa estratégia de defesa dos valores básicos da civilização ocidental e cristã.

Desta vez, elogiamos o clarividente discurso por ele pronunciado em 6 de julho do presente ano 2017 na Praça Krasiński de Varsóvia.

O presidente Trump foi a Varsóvia para participar da reunião da Three Seas Initiative, uma aliança de 12 países outrora escravizados pela União Soviética.

A aliança é promovida pela Polônia e pela Croácia e tem por objetivo livrar os países membros da dependência do petróleo e do gás russo.

Na sua breve passagem pela capital polonesa, Trump fez o referido discurso ante uma multidão, em ato oficial, tendo como fundo o monumento aos heróis poloneses do Levantamento de 1944. Esses patrióticos combatentes foram esmagados pelo exército nazista com a cumplicidade por omissão do exército soviético.

Nas limitações de um blog, condensaremos a continuação os pontos mais relevantes a nosso juízo.

O texto completo se encontra neste endereço.

O jornal espanhol “ABC” destacou oportunamente a importância histórica do discurso.

E o comparou ao do recém-eleito presidente Obama que, em Berlim no ano de 2008, desenhou sua visão do mundo e sua futura política internacional, obviamente de esquerda. Ele anunciou o plano que ele aplicou nos seus oito anos de presidência.

O discurso de Trump é análogo na importância, mas com um viés oposto: a defesa de Ocidente em face das “ameaças de dentro e fora (...) contra seus valores, sua cultura, sua fé e tradição”.

A chegada das colunas americanas foi uma festa para a população polonesa. Foto em  Bialystok
A chegada das colunas americanas foi uma festa para a população polonesa.
Foto na cidade de Bialystok
E para deixar sua posição ainda mais explícita escolheu a cidade de Varsóvia.

Polônia está envolvida em graves tensões com a Rússia de Putin no Leste; com a União Europeia por causa de leis defensoras da vida e da família; e por fim com a onda de invasão islâmica apoiada pela mesma UE e pelo Papa Francisco I.

1) Presença militar americana na Polônia. Donald Trump elogiou o glorioso povo polonês num tema que enlouquece especialmente os donos do Kremlin: “seja-me permitido, disse agradecer a todo o povo polonês pela generosidade manifestada na bem-vinda a nossos soldados chegados ao seu país”.

O caso é bem conhecido: os EUA estão transferindo milhares de soldados para a Polônia e países vizinhos. A causa é clara: a ameaça da Rússia.

2) Fim da chantagem energética russa. “Nós nos temos engajado, disse, em garantir o acesso a fontes alternativas de energia, para que a Polônia e seus vizinhos nunca voltem a serem reféns de um único fornecedor de energia”.

É uma promessa das mais dolorosas para a Rússia. Os países do Leste europeu têm no pescoço uma corda de aço: os oleodutos e gasodutos que trazem da Rússia o combustível para funcionar e se aquecer no inverno.

O corte do fornecimento já foi usado por Moscou para intentar dobrar a Ucrânia. Se a chantagem não puder ser mais feita, a “nova-Rússia” perderá uma de suas maiores armas de pressão.

3) A luta entre o bem e o mal, e a certeza na vitória. “Embora a Polônia pudesse ser invadida e ocupada, disse Trump, e até suas fronteiras serem apagadas do mapa, nunca foi possível apaga-la da história ou de vossos corações.

“O triunfo do espírito polonês nos dá toda a esperança num futuro em que o bem vence o mal e a paz obtém a vitória sobre a guerra”.

4) Polônia: modelo de defesa da civilização. “Eu estou hoje aqui para sustenta-la como exemplo para outros que procuram a liberdade e que desejam reunir a coragem e a vontade de defender nossa civilização.

“A história da Polônia é a história de um povo que nunca perdeu a esperança, que nunca foi quebrado e que nunca, nunca esqueceu quem é”.


O “Milagre do Vístula”: episódio emblemático da resistência polonesa à invasão soviética



5) Uma milagrosa resistência. Em 1920, no Milagre do Vístula, Polônia deteve o exército soviético disposto a conquistar Europa. Depois, sob a dupla ocupação [nazista e soviética] o povo polonês sofreu males para além de toda descrição.

Tentaram destruir esta nação, quebrando sua vontade de sobreviver. Mas há uma coragem e uma força profunda no caráter polonês que ninguém poderá destruir. O mártir polonês, [N.T.: o bem-aventurado] Monsenhor Michael Kozal, disse bem: “Mais horroroso de que una derrota das armas é um colapso do espírito humano”.

6) Modelo de resistência ao comunismo. Em quatro décadas de governo comunista, Polônia e as nações cativas da Europa sofreram uma brutal campanha para demolir a liberdade, vossa fé, vossas leis, história, identidade, a própria essência de vossa cultura e humanidade. Mas, vós nunca perdestes esse espírito.

7) Não procurar a riqueza material, mas a Deus. Quando um milhão de poloneses se reuniu para a primeira missa com seu papa polonês, os comunistas de Varsóvia ficaram sabendo que o sistema opressivo logo desabaria.

Um milhão de poloneses não pediram riquezas. Não pediram privilégios. Mas cantaram simples palavras: “Queremos Deus”. O povo da Polônia, o povo da América e o povo da Europa ainda bradam “Queremos Deus”.

8) Polônia modelo em face da invasão islâmica. Hoje há ameaças graves para a nossa segurança e nosso estilo de vida. Vamos enfrenta-las e ganharemos.

Nós enfrentamos uma ideologia que exporta terrorismo e extremismo. Vamos detê-la. Temos que nos unir para despoja-los de seu território e de seu financiamento, suas redes e qualquer forma de apoio ideológico.

9) Face as novas modalidades de guerra da Rússia. Ocidente enfrenta novas formas de agressão que incluem a propaganda, os crimes financeiros e a guerra cibernética.

10) Exortação a Rússia cessar as provocações. Instamos Rússia a acabar com suas atividades desestabilizadoras na Ucrânia e em outros lugares, incluídas a Síria e o Irã.

Os inimigos fracassarão. Forças de dentro e de fora, do Sul ou do Leste, ameaçam minar nossos valores e apagar nossos liames de cultura, fé e tradição. Essas forças estão condenadas ao fracasso e nós, de fato, queremos que fracassem.

Uma multidão ovacionou o presidente Trump em Varsóvia
Uma multidão ovacionou o presidente Trump em Varsóvia
11) Pôr Deus e a família no centro. Nós nos esforçamos pela excelência e valorizamos as obras de arte que honram a Deus. No centro de nossas vidas, nós pomos a fé e a família, não o governo e a burocracia, Nós nunca retrocederemos.

12) Necessidade de investir mais na defesa militar. Aplaudimos a Polônia pela decisão de adquirir dos EUA o sistema de defesa aérea e de misseis Patriot. Vosso exemplo é magnífico, aplaudimos a Polônia.

13) Rearmamento psicológico e moral. Nossa defesa não é só um engajamento de dinheiro, é um engajamento de vontades. A defesa de Ocidente repousa também na vontade de seu povo para prevalecer. A questão fundamental de nossa época é saber se Ocidente tem vontade de sobreviver.

14) Restauração da família e dos valores. Temos confiança em nossos valores a ponto de defendê-los a qualquer preço? Temos o desejo e a coragem de preservar nossa civilização ante aqueles que a destruiriam?

Podemos ter as maiores economias e as armas mais letais. Mas se não temos famílias fortes e valores fortes, então seremos débeis e não sobreviveremos.

15) Reerguimento psicológico. Nossa luta pelo Ocidente não começa no campo de batalha: começa em nossas mentes, nossas vontades e nossas almas. Nossa liberdade, nossa civilização e nossa sobrevivência dependem de vínculos de história, cultura e memória.

16) Rumo à vitória com Deus e a família. O Ocidente cristão vencerá. Hoje o mundo ouvirá que o Ocidente jamais será quebrantado. Nossos valores prevalecerão. Nossa civilização triunfará.

Lutaremos como os poloneses: pela família, pela liberdade, pelo país e por Deus. Deus vos abençoe. Deus abençoe o povo polonês. Deus abençoe nossos aliados. E que Deus abençoe os EUA. Muito obrigado.


Excertos do discurso legendado por Tradutores de Direita




domingo, 2 de julho de 2017

Rússia à beira do “suicídio demográfico”

Bonecas num ex-jardim de infância em Pripyat, Chernobyl, ilustram o drama da queda da natalidade russa
Bonecas num ex-jardim de infância em Pripyat, abandonada nos dias da ex-URSS,
ilustram o drama da queda da natalidade na "nova-URSS"
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





As mais recentes estatísticas demográficas russas continuam apontando para um desastre sem precedentes.

Segundo a agência oficial Rosstat, entre janeiro e fim de maio de 2017 nasceram 70.000 crianças a menos que em idêntico período do ano passado.

Tal queda coloca a Rússia na via do suicídio demográfico, pois a diminuição da população atingiu o “ponto de não retorno”, escreveu a jornalista Jeanne Smits em seu site Reinformation.

Com efeito, a angustiante interrogação levantada pelo Moscow Times, jornal anglófono de oposição e uma das poucas vozes independentes que ressoam na “nova-Rússia”.

A catástrofe dizimou os recrutas do Exército que Putin quer para reconstituir a grandeza militar da falida URSS.

Por isso, o omniarca do Kremlin ordenou políticas favoráveis, meramente materialistas, à natalidade, mas fracassaram. Essencialmente religiosa, a moral familiar não se muda com leis.

E essa moral que havia desertado da velha URSS sem a graça de Deus não iria voltar na “URSS 2.0”.

Não se pode esperar graça, ensinamento ou exemplo algum do clero do Patriarcado de Moscou que se contenta em emitir ruidosas declarações para consumo externo, mas que dentro da Rússia ninguém lhe dá ouvido.

A jornalista Ilan Berman vasculhou o último relatório oficial e encontrou que a própria Rosstat alerta para o ritmo acelerado da “extinção” da população russa, embora o Kremlin afirme que o pior ficou para trás.

Faz bela figura quem disser que Putin está invertendo a tendência com uma política enérgica, mas os números mostram outra realidade com toda sua crueza.

De acordo com o relatório World Population Prospects – 2017 Revision da ONU, a Federação Russa conta com 143,99 milhões de almas, e ruma para 140,543 milhões em 2030; 132,731 em 2050 e 124,013 em 2100.

Putin visita maternidade em ato de propaganda. Prometeu “salvar 50 milhões de vidas”, mas é inviável na atual imoralidade social
Putin visita maternidade em ato de propaganda.
Prometeu “salvar 50 milhões de vidas”, mas é inviável na atual imoralidade social
Putin prometera as medidas necessárias para “salvar 50 milhões de vidas” e fazer subir o total a 154 milhões.

Ao que se referia o presidente com a expressão “salvar vidas”? – Só pode ser o que todo mundo sabe: na Rússia o aborto bate recordes abissais. Mas nada detém a queda.

O único fator que impediu que o descalabro fosse mais catastrófico foi o retorno de russos repatriados de antigas repúblicas soviéticas hoje independentes, como a Ucrânia.

Os índices de mortalidade são também assustadores, notadamente pelo abuso de álcool e drogas. Mas também ao arcaico, insalubre e corrupto sistema de saúde.

Paradoxalmente, a máquina de propaganda de Putin não deixa de apresentá-lo como o Carlos Magno, o Constantino que restaura de modo impressionante o cristianismo e os bons costumes.

A perspectiva da Rosstat aponta para uma perda líquida de 300.000 almas em 2017 porque os nascimentos não preencherão o vácuo aberto pelos decessos.

O Moscow Times constatou que não fez efeito a “bolsa maternidade” de 11.000 dólares oferecida por Putin às mães de mais de dois filhos.

A quantia não é nada pequena. Não falta a matéria, falta a moral que só a religião pode dar. Mas a promessa putinista remonta a 2006. Hoje, observa Berman, o desabamento da economia russa fez o dono do Kremlin “otimizar” outros serviços que não são os sociais e os de saúde.

O que há de “mais ótimo” que os filhos? Não faça essa pergunta em Moscou!

Em primeiro lugar a “otimização” ficou por conta do Exército e da expansão russa no exterior. Não menos importante é a “otimização” da máquina de repressão dos descontentes.

Depois veio o relançamento da economia. Mas isso vem se tornando inviável, pois a economia se encontra ainda num estágio soviético ou em mãos dos “oligarcas” da nomenklatura estreitamente ligada a Putin.

As FFAA e o esquema de repressão consomem 34% do orçamento russo
As FFAA e o esquema de repressão consomem 34% do orçamento russo
Essa tem entre outras funções a de impedir que se levantem cabeças quem não são do "sistema".

A verdade pouco importa na “URSS 2.0”. E um exército de trolls faz desencadear uma chuva de fake news através de Sputnik, Russia Today e redes sociais anunciando que o triunfo mundial do cristianismo depende do Patriarcado de Moscou, fiel executor dos diktats do Kremlin.

Simultaneamente repassam palavras de ordem contra o complô globalista dos capitalistas ocidentais partidários da propriedade privada, preocupados tão só em tomar conta de tudo no mundo e extinguir a população russa!

O orçamento militar russo foi multiplicado por 20 em 15 anos desde a ascensão de Putin, segundo a Bloomberg. As áreas de Defesa e de repressão interna representam 34% do orçamento federal russo contra 11% consagrado à saúde.

O mais incrível de tudo, conclui a jornalista Jeanne Smits, é que a imagem da Rússia de Putin é promovida em países europeus onde, por causa de uma mesma Revolução, a situação demográfica é igual ou pior que na Rússia.

A verdadeira e arrepiadora porfia é quem se esvazia primeiro. Putin tem de seu lado que na Rússia, as ONGs verdes não podem pregar livremente a drástica redução da humanidade. Tampouco os documentos ‘Laudato Si’ e ‘Amoris laetitia’ podem ser lidos pelo povo russo.

A solução do problema se encontra na restauração do pilar básico da Civilização Cristã que é a família católica. E isso não se faz sem a Igreja Católica medianeira única e universal da graça divina.

Embora possam brigar entre si, Putin, globalistas, ONGs, verdes, progressistas católicos, ‘Laudato Si’ e ‘Amoris laetitia’ fazem um bloco só para impedir um “retrocesso” ao doce jugo moral de Cristo.

O exemplo maravilhoso da Sagrada Família, com Jesus, Maria e José irradiando sua luz sobrenatural sobre todos os homens e épocas históricas, causa horror a essa colusão de interesses opostos.

Mas, no final, Nossa Senhora triunfará até na própria Rússia!


domingo, 25 de junho de 2017

Na Síria, Moscou põe o mundo à beira do precipício

Putin tenta cerrar de cima mas seus aviões são facilmente derrubados
Putin tenta cerrar de cima mas seus aviões são facilmente derrubados
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Um avião dos EUA derrubou um bombardeiro sírio que atacava tropas da coalisão internacional em combate contra o Estado Islâmico (ISIS) na província de Raqa, cfr. “El País” de Madri.

O incidente estava anunciado. Apenas não se sabia a data e o local. A aviação russa e sua dependência síria ignoram o memorando de identificação mútua e atacam alvos civis ou pró-americanos dependendo das conveniências de Moscou ou de Damasco.

Segundo os EUA, único que forneceu informações verificáveis do incidente, um caça-bombardeiro 18E Super Hornet agiu em defesa própria contra um Sukhoi SU-22 sírio que bombardeava os aliados curdos e árabes em Yadib, no sul da cidade de Tabqa.

O comando militar russo foi advertido previamente para interromper o ataque sobre “amigos”. Mas o costume russo é ignorar todo aviso.

“As ações hostis de Síria contra forças apoiadas pela coalisão que combate o ISIS não serão toleradas”, advertiu mais uma vez o comando aliado.

domingo, 18 de junho de 2017

Assassinos disfarçados caçam inimigos de Putin
na Ucrânia e no mundo

Osmayev e Amina respondem aos jornalistas sobre a tentativa de assassinato em Kiev
Osmayev e Amina respondem aos jornalistas sobre a tentativa de assassinato
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Um homem alto e elegante, de terno escuro, falando com sotaque francês se apresentou a políticos de Kiev como “Alex Werner”, jornalista do bem conhecido “Le Monde” de Paris, segundo reportagem do “The New York Times”.

“Era calmo e confiante”, lembrou Amina Okuyeva que quase foi morta por ele. O marido de Amina ficou famoso na Ucrânia como voluntário checheno na guerra contra os separatistas no leste do país e “Werner” procurou entrevistá-la várias vezes.

Até que a entrevista marcada virou aterrorizante tiroteio. “Werner” de fato era um assassino checheno enviado da Rússia para matar o herói dos ucranianos. Artur Denisultanov-Kurmakayev era seu verdadeiro nome e fora enviado para matar Amina Okuyeva e seu marido, Adam Osmayev.

Mas o crime ficou frustrado porque Amina estava armada.

Em 2006, o governo russo legalizou os assassinatos praticados no exterior contra adversários que o Kremlin rotula de ameaça terrorista, retomando uma prática da era soviética.

Denisultanov-Kurmakayev se instalou um ano em Kiev, misturando-se com políticos e ativistas anti-Rússia. Mas Amina desconfiava: ele carregava um notebook que quase não usava; seus ternos eram caros demais.

domingo, 11 de junho de 2017

Doutrina ocultista anticristã assoma por trás do “cristianismo putinista”

René Guenon e Fritzhof Schuon, que passaram ao islamismo místico inspiram o 'novo cristianismo que vem da Rússia'
René Guenon e Fritzhof Schuon, que passaram ao islamismo místico
inspiram o 'novo cristianismo que vem da Rússia'
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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continuação do post anterior: O lado oculto da “manobra Putin”



No Colóquio 'Ocidente contra a Europa', assistido por Jeanne Smits, o discurso contra o Ocidente ficou obcecado pela exaltação da herança “heleno-romana e cristã” da Europa, que seria mantida com exclusividade pelo Patriarcado de Moscou.

A jornalista ficou estranhada pela sistemática omissão da herança histórica e cultural católica, ou com a ausência de noções religiosas básicas, como os Dez Mandamentos.

Na abertura, o tesoureiro da Sofrade, Louis de Sivry, saudou a presença dos conselheiros das embaixadas russa e iraniana em Paris. O que tem a ver o Irã governado por fanáticos xiitas com a causa do cristianismo ou da "herança greco-romana?" – perguntou Jeanne Smits em seu site reinformation.tv..

Mas logo lembrou que o presidente da Sofrade possui a empresa Tzar Consulting que acompanha projetos comerciais em “zonas geográficas não convencionais”, especialmente no Irã.

A Rússia de Putin foi o leitmotiv.

Nicola Mirkovic, colaborador da agência Sputnik e da Russia Today – dois grupos da propaganda putinista –, propôs substituir a União Europeia por uma União que vá de Brest (no Atlântico) até Vladivostok (no Pacífico).

Em outros termos trocar Bruxelas por Moscou num esquema mais esmagador das identidades nacionais do que a atual UE.

domingo, 4 de junho de 2017

O lado oculto da “manobra Putin”

Jeanne Smits quis saber o que havia por trás do fascínio de Putin sobre pessoas que seriam suas vítimas
Jeanne Smits quis saber o que havia por trás
do fascínio de Putin sobre pessoas que seriam suas vítimas
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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Jeanne Smits, ex-diretora de redação e ex-gerente de “Présent”, jornal que funciona como porta-voz oficioso do Front National de Marine Le Pen, conhece bem os meandros dos movimentos da direita europeia.

Como jornalista, participou em Paris do colóquio O Ocidente contra a Europa, organizado pela Sofrade (Société française de démographie) e presidido singularmente de Moscou por Fabrice Sorlin.

O evento se realizou em 1º de abril no auditório da Maison de la Chimie com a presença de movimentos de países europeus e sobretudo da “Grande Rússia”.

Jeanne Smits apresentou um pormenorizado relato em seu site reinformation.tv.

Ela queria saber de onde provém a admiração por Vladimir Putin de amigos seus, pertencentes a grupos identitários, soberanistas e anti-imigração, que julgam ver no ex-coronel da KGB um líder defensor da família, uma muralha contra o liberalismo americano, o terrorismo islâmico, etc.

O fenômeno é tão singular que, segundo a jornalista, dez dias antes das eleições, em plena campanha presidencial, Marine Le Pen foi procurar “uma forma de sagração por Vladimir Putin em Moscou”.

O gesto foi qualificado como “corajoso e bem-vindo” por Philippe de Villiers, político que defende posições opostas à ideologia dos pensadores próximos de Putin, como Aleksandr Dugin – o “Rasputin de Putin” – e o “oligarca” Konstantin Malofeev.

No Colóquio, Smits teve uma imensa surpresa.