domingo, 23 de junho de 2019

A tática de Moscou para implodir a Igreja Católica

Bella Dodd: infiltrar o clero para 'destruir a Igreja por dentro'
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Continuação do post anterior: Jornalista pro-Kremlin: a tática russa é “explodir a Igreja por dentro”





Em 1983, Youri Bezmenov, ex-responsável da propaganda soviética e ex-membro da KGB desvendou em vídeo a estratégia para afundar o Ocidente..

Mas, por dentro, sem necessidade de recorrer aos blindados do Pacto de Varsóvia.

Nessa data os jovens herdeiros de Maio de 68 doutrinados no marxismo marcusiano e gramsciano, treinados na contestação, que deviam constituir as legiões que executariam o plano, já estavam no poder nos países ocidentais que o plano russo visava.

Não só na Europa e na América do Norte, mas até na América do Sul.



Cfr.: post anterior: Jornalista pro-Kremlin: a tática russa é “explodir a Igreja por dentro”

Esses agentes recrutados ou influenciados pela infiltração comunista procuraram galgar posições sobretudo nas esferas públicas e nos grandes órgãos de imprensa onde mais podiam influenciar a educação popular.

Youri Bezmenov, ex-responsável da propaganda soviética descreveu o plano
Youri Bezmenov, ex-responsável da propaganda soviética descreveu o plano
“Eles nunca mais poderão se livrar de nós”, comentavam entre eles.

A jornalista pro-Kremlin Iben Thranholm destaca que Bezmenov omite mencionar especificamente a Igreja Católica, que constitui um dos principais alvos dos comunistas.

Ela, porém, evoca o testemunho da ex-agente comunista Bella Dodd.

Bella Dodd foi seu nome de guerra, nasceu na região de Basilicata, Itália, e seu nome de batismo era Maria Asunta Isabella Visono.

Emigrou com a família aos EUA onde se tornou líder do Partido Comunista, e militou em muitas de suas organizações de fachada.

Caiu em desgraça ante Moscou e se afastou dele. Em 1952 anunciou que no ano anterior tinha ficado católica.

Quis se tornar religiosa para expiar o mal feito, mas o arcebispo Mons. Fulton J. Sheen (em processo de beatificação), que teria mediado na conversão, lhe recomendou ficar civil para denunciar o que sabia. Cfr. Wikipedia, verbete Bella Dodd.

Bella Dodd a agente se converteu e por influência de Mons. Fulton Sheen desvendou a rede comunista para fazer explodir a Igreja na qual trabalhou
Bella Dodd: a agente da KGB se converteu e por influência de Mons. Fulton Sheen
desvendou a rede comunista para fazer explodir a Igreja na qual trabalhou
Bella Dodd depôs diante do Comité de Atividades Antiamericanas da Câmara dos Representantes dos EUA (HUAC) sobre um plano de infiltração que ela conheceu na sua condição de agente, mas que era muito anterior a ela.

No transcurso dos anos 1930, nos orientamos 1.100 homens para o sacerdócio com a finalidade de destruir a Igreja por dentro.

“O plano consistia em que fossem ordenados, para que pudessem subir nos degraus de influência e de autoridade se tornando monsenhores e bispos”, explicou a agente do plano.

Eles eram escolhidos pela sua ausência de fé e de virtude moral”.

Alice von Hildebrand, viúva do professor Dietrich von Hildebrand, ela própria filósofa e teóloga, conhecia bem a Bella Dodd e ouviu dela que ela tinha encaminhado por volta 1.100 pessoas de confiança para seminários católicos. (ver vídeo embaixo)

No livro, a agente arrependida da manobra russa conta o que sabia e no que ele participou.
Na autobiografia, a agente arrependida da manobra russa
conta o que sabia e no que ela participou.
E que ela garantia que nos tempos em que foi membro ativo do PC, teria tido casos com não menos de quatro cardeais no Vaticano “que trabalhavam para nós”, como ela dizia.

Bella Dodd acabou horrorizada com o que tinha feito, se converteu ao catolicismo e quis se retirar num convento religioso o mais rigoroso possível. Ela queria expiar suas faltas e as consequências tão graves causadas à Igreja.

A infiltração das religiões, e especialmente da Católica, para a corromper e faze-la desabar pela mão de eclesiásticos demolidores não é novo no comunismo.

Nem até de outros inimigos anticlericais ao longo da História.

Mas, essa infiltração se fez sibilinamente.

A confissão de Bella Dodd que nos chega através da pluma de Jeanne Smits, ganha uma atualidade impressionante na crise atual da Igreja, explicando muito do que está acontecendo.

É claro porém que a mera atuação da KGB (hoje FSB) não explica tudo. E talvez sequer a parte mais antiga e sinistra.

Desde séculos passados, Papas e santos como o Beato Pio IX e São Pio X combateram heroicamente contra as insídias de seitas dentro da Igreja que foram mudando de nome: “católicos sociais”, “modernistas” e hoje “progressistas”.

“Os fautores do erro – ensina São Pio X – já não devem ser procurados entre os inimigos declarados; mas, o que é muito para sentir e recear, se ocultam no próprio seio da Igreja, tornando-se destarte tanto mais nocivos quanto menos percebidos.

São Pio X combateu como herói
contra a infiltração modernista na Igreja que tinha séculos
“Aludimos, Veneráveis Irmãos, a muitos membros do laicato católico e também, coisa ainda mais para lastimar, a não poucos do clero que, fingindo amor à Igreja e sem nenhum sólido conhecimento de filosofia e teologia,

“mas, embebidos antes das teorias envenenadas dos inimigos da Igreja, blasonam, postergando todo o comedimento, de reformadores da mesma Igreja; (...)

“Estes, em verdade, como dissemos, não já fora, mas dentro da Igreja, tramam seus perniciosos conselhos;

“e por isto, é por assim dizer nas próprias veias e entranhas dela que se acha o perigo, tanto mais ruinoso quanto mais intimamente eles a conhecem. (...)

“Finalmente, e é isto o que faz desvanecer toda esperança de cura, pelas suas mesmas doutrinas são formadas numa escola de desprezo a toda autoridade e a todo freio;

“e, confiados em uma consciência falsa, persuadem-se de que é amor de verdade o que não passa de soberba e obstinação” (São Pio X, Encíclica Pascendi Dominici Gregis).

Esses “fautores do erro” promoviam os costumes corruptores e agiam sofismando com crenças heterodoxas, em revolta contra o Magistério Tradicional da Igreja.

O beato Palau denunciou a "estirpe de Judas"
que trabalha na Igreja contra a obra de Cristo
O Bem-aventurado sacerdote carmelita Pe. Francisco Palau OCD, dotado de carismas proféticos põe ao próprio Judas Iscariotes como fundador dessa corrente na Igreja.

Ele foi perpetuado por uma misteriosa linhagem – a “estirpe de Judas” – que desde o início da pregação evangélica tenta deturpar e, se possível, destruir a Igreja de Jesus Cristo.

Judas e o diabo se combinaram contra Cristo, mas os dois foram expulsos do colégio apostólico. (...) o diabo buscou então portas para entrar no seio do catolicismo, e as encontrou nos heresiarcas.

As portas lhe foram abertas pelos próprios cristãos que lhe entregaram as chaves da incredulidade e da corrupção das doutrinas.

Agora ele está dentro. Desejais vê-lo? Entrai, e o que vereis?

“Vereis homens que se intitulam católicos, mas blasfemam como demônios e perseguem com furor o catolicismo. (...)

Vereis o diabo dentro do próprio santuário, desafiando a onipotência de Deus com blasfêmias proferidas diante de seus altares.

Vereis no povo católico as abominações prenunciadas por Daniel profeta. Vereis o anticristianismo instalado no poder.

“Vereis que o diabo se introduziu no lugar sagrado, e corrompe, perverte, tenta, prova” (“El suicidio”, El Ermitaño, Nº 87, 7-7-1870). Cfr.: Beato Francisco Palau y Quer O.C.D.

O santo carmelita previa que essa luta interna levaria a uma situação em que tudo pareceria perdido, mas que a intervenção de um grande santo enviado por Deus lideraria os bons para a vitória final.

Veja mais em: Um profeta de ontem para hoje, para amanhã, e para o fim dos tempos

Vitória essa que, aliás, foi profetizada entre outras, por Nossa Senhora em Fátima, quando disse: “Por fim meu Imaculado Coração triunfará”.


Testemunho de Alice von Hildebrand: Bella Dodd recrutou 1.100 comunistas para entrar em seminários católicos (inglês)





Continua no próximo post: A “explosão da Igreja” tramada em Moscou e em cenáculos progressistas, na perspectiva de Fátima


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