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domingo, 23 de abril de 2023

A conversão da Rússia na atual guerra
e a história do menino que sonhava com o sacerdócio
sob a perseguição russo-comunista

Dom Sviatoslav Shevchuk, Primaz do rito greco-católico,
o maior dos ritos orientais da Igreja Católica
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




No post anterior Conversão da Rússia possessa: maior fruto da guerra para ucranianos reproduzimos a visão de fé católica do Rito Greco-Católico de Ucrânia, por meio do Pe. Taras Zheplinsky, chefe da sala de informação de dito Rito.

Dom Sviatoslav Shevchuk, Primaz do Rito greco-católico na Ucrânia, Arcebispo-mor de Kiev-Galícia e de toda a Rússia narrou sua formação sacerdotal sob a opressiva ditadura russo comunista.

Reproduzimos essa matéria para comprendermos a ação da graça divina iniciada há anos no sentido da conversão da Rússia que os fiéis do rito greco-ucraniano, que se contam em milhões, anhelam do mais fundo de suas almas e pela qual estão derramando seu sangue heroicamente e em abundância.

Em entrevista para a Catholic Radio and Television Network, o Arcebispo-mor de Kiev-Galícia e de toda a Rússia, Dom Sviatoslav Shevchuk, Primaz do Rito greco-católico na Ucrânia, fez reveladoras confidências sobre sua formação eclesiástica acontecida sob o socialismo soviético. “Zenit”.

O rito greco-católico é o maior dos ritos orientais da Igreja Católica: mais de 10 milhões de fiéis, incluindo a Ucrânia e a diáspora. Cerca de meio milhão deles reside no Brasil, especialmente no Paraná e em Santa Catarina.

Dom Sviatoslav explicou que cresceu numa sociedade totalmente ateia. Na escola “nos ensinavam que Deus não existia”. Só a família transmitia a fé crista.

O jovem arcebispo disse que a primeira vez que viu um padre foi por ocasião de um enterro.

“O sacerdote veio na calada da noite para celebrar o funeral e depois desapareceu velozmente. Como menino, fiquei curioso de saber quem era o sacerdote e o que estava fazendo. Eu entrevia nele um reflexo da presença de Cristo”.

“Esse sacerdote tinha estado duas vezes no cárcere por praticar seu ministério e através dele descobri verdadeiramente Alguém e alguma coisa pela qual vale a pena dar a própria vida”.

Foi assim que o futuro bispo decidiu ir para o seminário. Mas não tinha nada a ver com os seminários atuais.

A entrevista abaixo foi concedida quando Dom Sviatoslav era administrador apostólico da eparquia (diocese) de rito ucraniano em Buenos Aires. Foi concedida à associação "Ajuda à Igreja Necessitada" e tem a vantagem de estar dublada em português:


Funcionava assim: “O sacerdote que encontrei também era reitor do seminário secreto, clandestino. Para mim, foi a descoberta de um mundo completamente novo.

“Meu modo de estudar era bem estranho. Raramente encontrava meus professores do seminário – pelo menos uma vez cada dois meses.

“Quando os encontrava, davam-me sempre um livro, que tinha de copiar e estudar durante dois meses. Assim começou minha formação sacerdotal!

“Nem minha mãe nem meu pai estavam ao corrente. Se eu fosse descoberto pela polícia secreta, minha mãe, que era professora de música, e meu pai, que era engenheiro, teriam perdido o trabalho.

“Muitas pessoas na Ucrânia que foram descobertas acabaram detrás das grades ou no exílio.

“Graças a Deus não aconteceu nada. Para mim e para meu plano de me tornar sacerdote, a Mãe de Deus tinha que destruir a União Soviética.

“Eu me lembro que rezava: é impossível para os homens destruir o mal, mas para Deus nada é impossível.

Missa clandestina num bosque na Ucrânia sob governo comunista
Missa clandestina num bosque na Ucrânia sob governo comunista
“A Sagrada Eucaristia era o ponto central da nossa vida.

“Lembro-me de um sacerdote que encontrei certa vez: ele jamais falava muito dos sofrimentos, das perseguições e das torturas; ele me contava que certas vezes na prisão todos os sacerdotes celebravam a liturgia.

“Nós ficávamos pasmos: como é que isso era possível? De onde vinham o cálice e a patena?

“Ele tirou os óculos e disse: ‘Eis o que nós usávamos: uma lente servia de cálice com uma gota de vinho, e na outra, que servia como patena, púnhamos um pedacinho de pão. Assim nós celebramos a liturgia na prisão ou nos campos de concentração”.

O atual arcebispo Sviatoslav participou pela primeira vez de uma missa no ano 1991, quando acabava de servir como conscrito no Exército Soviético.

Quando ele entrou no Exército Vermelho toda a vida religiosa acontecia em segredo, mas ao sair a União Soviética estava caindo. Ele assistia à divina Liturgia na igreja de sua cidade natal de Strait, na Ucrânia.

“Era maravilhoso, sentia-me como no céu! A liturgia bizantina de São João Crisóstomo é um símbolo da liturgia celeste”, exclamou.

Dom Sviatoslav explicou que “o comunismo destruiu a nossa sociedade e que só por meio da graça do Espirito Santo é que a Igreja pode curar essas feridas.

“Durante a ex-União Soviética era perigoso ser cristão. Hoje na Europa o importante é não ter medo de ser cristão, ainda quando isso pareça não ser ‘conveniente’”.

Só o heroísmo na Fé – como o de Dom Sviatoslav e o de tantos outros sacerdotes e bispos que padeceram e até morreram sob a opressão comunista – leva à vitória os verdadeiros filhos da Igreja Católica.



domingo, 16 de abril de 2023

Conversão da Rússia possessa:
maior fruto da guerra para ucranianos

Pe. Taras Zheplinsky “O fruto mais grande da guerra será a conversão da Rússia”
Pe. Taras Zheplinsky “O fruto mais grande da guerra será a conversão da Rússia”
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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“O fruto mais grande da guerra será a conversão da Rússia”: assim definiu o desejo do Rito Greco-Católico de Ucrânia, o Pe. Taras Zheplinsky, chefe da sala de informação do mesmo Rito, em entrevista a ACI Prensa.

O Pe. Zheplinsky destacou que “o primeiro fruto e mais importante da invasão é que Nossa Senhora ajudou o povo ucraniano a resistir, se defendendo durante o ano todo da agressão russa em grande escala”.

Mas, o sacerdote patenteou o espírito de fé católica dizendo que “o fruto maior que está por vir é a conversão da Rússia do mal que a possui e que está trazendo para a terra ucraniana”.

O sacerdote lembrou que Nossa Senhora em Fátima pediu “consagrar o mundo inteiro, e especialmente a Rússia e a Ucrânia, a seu Imaculado Coração”.

Porém, explicou que a Rússia tem uma atitude oposta à da Virgem: “a Rússia tem uma visão diferente. Esta guerra é a consequência de negar à Ucrânia o seu direito de existir. A Rússia não reconhece o direito à existência do povo ucraniano como tal”, declarou.

A Rússia está possuída pelo demônio, advertiu o Arcebispo-Mor André Sheptytskyi ao Papa Pio XII
A Rússia está possuída pelo demônio,
advertiu o Arcebispo-Mor André Sheptytskyi ao Papa Pio XII
Na foto: o dito "Patriarca de Moscou" pregador da guerra assassina.
“Para os russos, que cometeram agressões injustas contra os ucranianos, somos uma espécie de hereges russos que precisam ser reeducados. E com sua agressividade esperam nos reeducar para que sejamos verdadeiros russos”, continuou.

O chefe do gabinete de informação do Rito Greco-Católico de Ucrânia também disse à ACI Prensa que “isso que eles chamam a 'desnazificação' da Ucrânia é a negação do direito de existir do povo ucraniano como tal”.

Por isso a consagração pelo Papa dos países ao Imaculado Coração de Maria é muito importante, porque ele está dizendo que o povo ucraniano existe, apesar de os russos negarem a eles o direito de existir”, continuou.

Com espírito sobrenatural mostrou que os católicos de Ucrânia pensando na conversão da Rússia “tentamos ver o objetivo de nossa dor. E a nossa vitória e a derrota do agressor dependem de entendermos por que sofremos e quem nos dá força”.

Na Igreja Católica “os padres e bispos que permaneceram com o povo, mesmo no início da ocupação e depois foram expulsos, mostraram a presença do Deus vivo entre o seu povo”.

“Nós, como Igreja, vemos nas feridas do povo ucraniano as feridas do próprio Cristo.

“Acreditamos que no corpo da Ucrânia hoje o agressor está crucificando o próprio Jesus Cristo. Nos ajuda a ver o significado da nossa dor, a ver que o próprio Deus sofre conosco”, lamentou.


Depois da consagração de 25 de março de 2022 começou a libertação das terras ucranianas das botas mortais do agressor russo.

A partir de 1º de abril, os arredores de Kiev foram liberados passo a passo, seguidos pela recuperação de grandes setores do território nacional invadido pela Rússia possessa.

“Sob a proteção da Bem-Aventurada Virgem Maria, a Ucrânia caminha para a vitória”, reafirmou Pe. Zheplinsky.

Portanto, “a guerra continua e muitas outras terras do povo ucraniano aguardam a libertação. Também esperamos o maior fruto: a conversão da Rússia”, reafirmou.

Mons. André Sheptytskyi, Arcebispo de Lvov e Patriarca de Halich
Mons. André Sheptytskyi, Arcebispo de Lvov
e Patriarca de Halich
Uma alta autoridade eclesiástica nos ofereceu uma explicação para a conduta da Rússia desde a Revolução de 1917.

Trata-se de Mons. André Sheptytskyi, Arcebispo de Lvov e Patriarca de Halich, líder da Igreja Católica na Ucrânia durante as perseguições de Lenine e Stalin.

No início da II Guerra Mundial, escreveu ele à Santa Sé:

“Este regime só pode se explicar como um caso de possessão diabólica coletiva”.

E pediu ao Papa que sugerisse a todos os sacerdotes e religiosos do mundo que “exorcizassem a Rússia soviética”.

Mons. Sheptyskyj faleceu em 1944. Seu processo de beatificação está em andamento.

A crueldade inumana da seita socialo-comunista e a desproporção entre seus satânicos feitos e os êxitos que alcançou são de molde a confirmar a impressionante declaração do heróico Prelado ucraniano.

Fonte: Pe. Alfredo Sáenz S.J., “De la Rusia de Vladimir al hombre nuevo soviético”, Ediciones Gladius, Buenos Aires, 1989, pp. 438-439.


domingo, 11 de dezembro de 2022

A graça de Fátima agindo na Ucrânia (2)

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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continuação do post anterior: A graça de Fátima agindo na Ucrânia


Quando caiu a União Soviética, cerca de 300 mil católicos emergiram das catacumbas, mas, segundo estimativas atuais, na Ucrânia eles são cinco ou seis milhões.

Pois tendo os católicos resistido ao comunismo — ao contrário dos “popes” cismáticos, que lhe foram submissos —, muitos ex-cismáticos passaram para a Igreja Católica, como outrora os “uniatas”.

Plinio Corrêa de Oliveira observou que “avalanches de pessoas da Igrejas Ortodoxas desejam entrar para a Igreja Católica. Isto é uma conversão.

Mas a Ostpolitik da Santa Sé não simpatiza com elas porque abalam as relações entre o Kremlin e o Vaticano
. A Ucrânia junto com a Polônia e os países bálticos podem formar uma faixa católica em extremo perigosa para o comunismo”. (Anotações, 25-9-90)


As sucessivas intervenções da Ostpolitik vaticana para frear essa tendência não tiveram êxito.

Indagado sobre a ação da graça de Nossa Senhora de Fátima na ex-URSS, o Prof. Plinio afirmou:

“Onde vejo uma possibilidade mais saliente de conversão é na Ucrânia pisoteada, onde os católicos resistem com heroicidade, e cismáticos começam a se converter.

“Os torcionários do clero cismático produziram o sofrimento do povo e se degradaram muito ante a opinião pública.”

Ele via que essa tendência para a conversão acarretaria uma possibilidade de apostolado católico em toda a Ásia, “pois não há região da Índia, da China, da Pérsia, em que a Sibéria ao longo dos tempos não pudesse funcionar como um chuveiro gotejando Fé”(Conferência em 11-7-92).

Isso acontecendo, realizar-se-ia a previsão do Papa Urbano VIII: “Por meio de vós, meus ucranianos, eu espero converter o Oriente”.(Cfr. Miroslav Zabunka e Leonid Rudnytzky, The Ukrainian Catholic Church, 1945-1975, St Sophia Association, Philadelphia, 1976, p.9)

Tal perspectiva encoleriza a Rússia de Putin e o “Patriarcado de Moscou”, o qual explora a simpatia do Papa Francisco pelo presidente russo para bloquear esse movimento.

Em fevereiro de 2016, o Pontífice desceu na capital da Cuba castrista para assinar uma Declaração Comum com o Patriarca Kyrill, vetando o “uniatismo” e a conversão de grandes grupos de cismáticos ao rito greco-católico.(Cfr. Flagelo russo)

O vaticanista Sandro Magister escreveu, em 8 de junho de 2018 (data corrigida), que uma comitiva desse Patriarcado em Roma ficou eufórica pelo “modo com que Francisco abraçou as teses do patriarcado de Moscou e, pelo contrário, condenou com palavras muito ásperas as posições da Igreja greco-católica ucraniana”.(Sandro Magister)

Não espanta que nesse mesmo ano o chefe do “Patriarcado de Moscou” tenha ameaçado o “cisma ucraniano” com um “derramamento de sangue”, segundo noticiou o site Unisinos. 

Ele se referia aos cismáticos que trocavam o “Patriarcado de Moscou” por outra igreja cismática, mas se aproximavam do catolicismo.

Pseudo “Patriarca de Moscou” Kyrill justifica os piores crimes
Pseudo “Patriarca de Moscou” Kyrill justifica os piores crimes
Agora, Kyrill fez a apologia da guerra de Putin contra a Ucrânia como uma “guerra moralmente justa e útil” contra um “Anticristo”, aduzindo pretextos “conservadores”.

Nos antros de Moscou reina o pavor diante da expansão da graça de Fátima no mundo eslavo. Os fatos atuais fornecem uma clave de interpretação religiosa com um fundo de esperança, apesar dos sofrimentos causados na martirizada Ucrânia.

A mão da Providencia conduz o mundo russo à conversão na atual guerra


Bem antes de invadir a Ucrânia, Putin e seus oligarcas trombeteavam que em 48 horas o exército russo tomaria Kiev, a capital ucraniana, e apagaria do mapa um país que para eles não deveria existir.

Quando, porém, após a fracassada tentativa, as colunas russas se retiraram vergonhosamente, entre os incontáveis restos de veículos havia um caminhão com fardas de gala com a medalha da “Vitória de Kiev”, para os soldados ostentarem na almejada passeata da vitória...

A diferença numérica de ambos os exércitos levou o oligarca Konstantin Malofeev, que se diz cristão, a exaltar o esmagamento da Ucrânia.

Mas no momento em que escrevemos esta matéria a situação se inverteu e os ucranianos estão conseguindo por em fuga os exércitos de Putin. — O que aconteceu?

Nuves com forma de anjos sobre Kiev quando os russos pareciam vence
Nuvens com forma de anjos sobre Kiev
quando os russos pareciam vence
Seria simplificação falar em milagre. O noticiário aponta para uma convergência de fatores naturais contra o Moloch assassino, mas é impossível não se perguntar sobre a ação da Providência. Vejamos esquematicamente.

1. Quando Kiev estava quase cercada, apareceram no céu nuvens formando uma figura parecida com São Miguel Arcanjo, padroeiro da cidade.

Os fiéis telefonaram para o arcebispo-mor greco-católico Dom Sviatoslav Schevchuk.

Ele esclareceu em vídeo que se tratava de nuvens, mas que Deus pode se manifestar por meio de elementos naturais. E concluiu:

“Hoje percebemos que o comandante-em-chefe da hoste celestial está lutando pela Ucrânia. Hoje rezamos: ‘Ó São Miguel Arcanjo e toda a milícia celestial, derrubai o demônio que deseja nos derrubar!’”.

2. O “Patriarca de Moscou” Kyrill, vistoso agente de propaganda de Putin, qualificou a invasão de ‘justa’ e ‘santa’. Ele é o chefe da igreja russa, dita ortodoxa.

Diante dos crimes de guerra do exército russo, bispos, sacerdotes e muitos fiéis querem depô-lo, diretamente ou em assembleia, mas temem represálias de Putin.

Por isso pensam abandonar essa igreja cismática, aumentando assim as chances de conversões à Igreja Católica.

3. Aproximadamente seis mil cidadãos russos foram presos nas manifestações contra a guerra nas grandes cidades da Rússia.

Correm incessantes boatos em Moscou de que generais descontentes desejavam depor Putin, que sem dar explicação destituiu alguns deles.

4. A “guerra psicológica” de Putin durante três décadas foi de que ele era um novo “Carlos Magno” ou “Constantino”, líder mundial dos “conservadores”.

Soldado ucraniano põe terço no pescoço
Soldado ucraniano põe terço no pescoço
As atrocidades da guerra revelaram quem é ele... Putin mostrou ser o maior criminoso do século, continuador — como ele sempre disse — de Stalin, cuja URSS sonha restaurar.

5. Sete generais russos morreram na Ucrânia. Um deles — que havia prometido a vitória em 48 horas, mas que após 30 dias perdeu metade de seus homens e deixou o resto sem comida, água e diesel — foi intencionalmente esmagado por um tanque dirigido por um soldado russo enfurecido.

Quando escrevemos já são 15 os oficiais de alta patente mortos na Ucrânia. Os generais assumiram a liderança das unidades que se negavam a avançar, ficando mais expostos.

Inexplicável falha nas comunicações russas levou oficiais a usarem celulares que fornecem a geolocalização deles, facilitando assim a pontaria ucraniana.

6. O seminário católico de Vorzel, perto de Kiev, foi saqueado.

Imagem de Nossa Senhora de Fátima profanada por invasores russos no seminário de Vorzel, perto de Kiev
Imagem de Nossa Senhora de Fátima profanada por invasores russos
no seminário de Vorzel, perto de Kiev
Dom Vitaliy Kryvytskyi, Bispo de Kiev, contou que os russos quebraram uma imagem de Nossa Senhora de Fátima e saquearam pilharam tudo o que puderam, mas não conseguiram matar ninguém.

7. Moscou comemorou a ocupação da área da antiga usina nuclear de Chernobyl, expulsou seus engenheiros e seguranças, e montou um grande acampamento militar sobre o interditado depósito de cinzas radioativas apelidado “Floresta vermelha”, pela estranha cor que adquiriram os pinheiros.

Foram além. Cavaram trincheiras, abriram estradas e usaram da água, absorvendo radioatividade.

Após um mês, os soldados sofriam estranhas doenças, até se detectar a causa. A tropa se revoltou e o acampamento foi abandonado.

O último comboio de doentes partiu com 300 soldados cujo prognóstico de vida é de apenas um ano.

8. A força aérea russa deveria ter ficado com a supremacia nos primeiros dias por sua imensa superioridade, mas até hoje não ousa entrar no espaço aéreo ucraniano.

Nossa Senhora atingida por bombardeio russo em Kherson
Nossa Senhora atingida por bombardeio russo em Kherson
Os pilotos alegam a eficácia da pequena aviação da Ucrânia, voam até a fronteira, disparam seus mísseis e voltam para as suas bases.

9. O número de tanques ucranianos aumenta constantemente, apesar das perdas na guerra. Muitos russos desmoralizados fogem de seus tanques e abandonam o combate.

Outros sabotam seus veículos e voltam a pé, alegando avarias. Camponeses ucranianos transformavam esses veículos em caminhões para a lavoura.

Um militar russo entregou sua unidade intacta em troca de dez mil dólares e um RG ucraniano, enquanto seus colegas voltavam a pé para suas casas. Foi feita uma tabela com o preço de cada arma útil mais o RG.

A cidade clave de Kherson foi abandonada pelos russos. 20.000 soldados ou mais de unidades de elite a deixaram sem combater, mas tendo sabotado toda a infraestrutura.

Abandonaram também aos reservistas russos e mercenários notadamente do grupo Wagner que recolhe criminosos dos cárceres russos e se entregaram à pilhagem.

10. Usando mísseis portáteis diversos, punhados de soldados ucranianos de infantaria arrastam-se pelas plantações, emboscam colunas de tanques pesados e as põe em fuga.

11. Em Lviv, segundo testemunha, as procissões católicas em torno das igrejas não cessam, e quando soam os alarmes de bombardeio, são transferidas para os porões ou criptas das igrejas.

A guerra não terminou e momentos ainda mais trágicos se anunciam.

Uma coisa, porém, é certa: a mão da Divina Providência está pesando a favor dos católicos ucranianos contra os inimigos da civilização cristã.

A hora da conversão da Rússia prometida por Nossa Senhora em Fátima parece se aproximar.




domingo, 4 de dezembro de 2022

A graça de Fátima agindo na Ucrânia


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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Deus quer que sua glória tenha realizações históricas nos povos, razão pela qual os russos e os ucranianos, na presente guerra, atraem as atenções universais.

A Rússia foi a única nação apontada por Nossa Senhora em Fátima, em relação com o triunfo de seu Imaculado Coração.

Quando Ela apareceu, em 1917 a Ucrânia integrava a Rússia, da qual ela é o próprio berço.

Agora Deus permite essa guerra, não sendo difícil considerar sua relação com a Mensagem de Fátima e o Reino de Maria nela anunciado.

Talvez o leitor fique surpreso com o silêncio que se faz sobre os planos de Nossa Senhora. Para entender melhor essa situação, é preciso voltar no tempo.

Batismo da Rússia


Até o ano de 988 o mundo eslavo de origem étnica viking incluía, numa imensidade territorial sem muita organização, as futuras Ucrânia, Rússia, Bielorrússia e partes de outros países.

Caudilhos se impunham pela força das armas e usavam títulos de czares, césares, reis ou análogos.

O nome Rus ou Rutênia significaria “remadores”, pois os vikings dominavam os grandes rios das estepes remando em seus barcos.

Naquele ano a primazia era de Kiev, hoje capital da Ucrânia, onde com a morte do príncipe Igor assumiu a regência (945 a 969) a viúva Santa Olga.

Ela foi a primeira soberana eslava batizada (em 945 ou 957), recebendo o nome cristão de Yelena em memória da imperatriz de Constantinopla.

Santa Olga defendeu o trono de seu filho Sviatoslav I contra rebeliões ferozes.

Não conseguiu convertê-lo, mas seu neto, São Vladimir o Grande, reinou de 980 até 1015 com os títulos de Grão-Duque de Kiev e de todas as Rússias, ou ‘Tsar de todas as Rússias’.

São Vladimir o Grande, príncipe de Kiev e primeiro ‘Tsar de todas as Rússias
 São Vladimir o Grande, príncipe de Kiev e primeiro ‘Tsar de todas as Rússias
São Vladimir foi batizado perto de Sebastopol (Criméia), cidade que possui uma catedral com seu nome.

Depois voltou para Kiev, onde toda a sua família e o povo pediram o batismo.

Tudo isso na década do ano 990. O Batismo de Kiev levou o mundo eslavo a se tornar católico.

O príncipe abateu os monumentos pagãos, destruiu os ídolos, combateu a bebedeira, trabalhou pela conversão de seus súditos e edificou numerosas igrejas, entre as quais a da Dormição da Virgem, primeiro templo em pedra do país.

O Patriarca de Constantinopla doou à nova catedral um esplêndido mosaico de Nossa Senhora. De Moscou só se tem uma primeira notícia no ano 1147.

Cisma diabólico e santo “uniatismo”

O demônio, que já agia no seio da Igreja, assanhou-se contra o império eslavo e católico nascente.

O Papa Pio XI explicou o fato na encíclica Ecclesiam Dei, de 11-11-1923.

No ano 1054, o patriarca de Constantinopla, Miguel I Cerulário (1000-1059), provocou o Grande Cisma do Oriente, infestado de heresias.

Ele era a cabeça do rito greco-católico estabelecido por São João Crisóstomo e, qual novo Lúcifer, arrastou legiões de bispos e fiéis à perdição.

Os Papas procuraram trazê-los de volta ao redil de Cristo. Pio XI destaca entre eles o papel de São Gregório VII, que invocou as bênçãos celestes sobre Demétrio, príncipe de Kiev e rei dos Russos, e sobre a rainha, a pedido do filho do casal que estava em Roma.

Os Papas Honório III, Gregório IX e Inocêncio IV enviaram legados aos príncipes, até que, em 1255, com a unidade refeita, o Núncio coroou Daniel, filho de Romano, como rei de todas as Rússias.

Esta união durou muitos anos, ensina a Ecclesiam Dei, malgrado os percalços. Notadamente a invasão mongol da Europa pela Horda Dourada de Batu Cã e Subedei, uma das guerras mais letais da História, entre 1236 e 1242.

Eles devastaram a Rússia e chegaram até a Polônia e a Romênia, derrotando os austríacos, os húngaros e os cavaleiros teutônicos. Na Hungria, mataram metade da população.

Finalmente retornaram à Ásia, mas conservaram Moscou, onde se fundiram com a população eslava local.

No Concílio de Florença (1431-1445), conhecido como de Basileia, Dom Isidoro, Metropolita de Kiev e de Moscou, cardeal da Santa Romana Igreja, em nome de todos os povos de sua língua, jurou conservar santa e inviolável a unidade na fé de Roma, ratificando a promessa de 1255.

Mas o inferno contra-atacou em 1453, quando o otomano Maomé II tomou Constantinopla, onde, segundo os erros cismáticos, residia o Espírito Santo após abandonar Roma.

Convencidos pela calamidade de que o Espírito Santo não poderia estar nessa cidade, os bispos do rito grego-católico reuniram-se com legados pontifícios no Concílio de Brest (1595-1596), na atual Bielorrússia, e juraram se submeter aos Papas de Roma.

Daí procede o nome “uniata”. O Papa Clemente VIII confirmou o referido Concílio na Constituição Apostólica Magnus Dominus e convocou a Igreja para agradecer a Deus pelo passo dado.

Mas o tsar de Moscou, Teodoro I — filho de Ivã IV, o Terrível — não aceitou tal decisão porque, como seus antecessores, utilizava-se dos bispos para consolidar suas conquistas.

Convocou então um Sínodo e, sob ameaça de morte, obrigou os bispos a se dobrarem ante um “Patriarcado de Moscou” de sua invenção, bem como a reconhecerem que o Espírito Santo estaria em Moscou — a dita Terceira Roma, após Roma e Constantinopla.

São Josafá Kuntsevytch (1580-1623), mártir. Túmulo em São Pedro, Vaticano
São Josafá Kuntsevytch (1580-1623), mártir. Túmulo em São Pedro, Vaticano

“Por meus ucranianos, espero converter o Oriente”


Contudo, o Arcebispo de Polotsk (Bielorrússia), São Josafá Kuntsevytch (1580-1623), resistiu e baniu os cismáticos, sendo por isso martirizado em Vitebsk, no ano 1623.

A brutalidade do crime estarreceu muitos cismáticos, que acabaram se reunindo na Igreja greco-católica ucraniana, fiel a Roma.

Por ocasião da beatificação desse mártir, em 1643, o Papa Urbano VIII defendeu a União de Brest com palavras que se revestem de importância em nossos dias:

“Por meio de vós, meus ucranianos, eu espero converter o Oriente”. (Cfr. Miroslav Zabunka e Leonid Rudnytzky, The Ukrainian Catholic Church, 1945-1975, St Sophia Association, Philadelphia, 1976, p.9.)

São Josafá foi canonizado por Pio IX em 1867 e seus restos mortais são venerados numa urna de cristal na Basílica Vaticana.

Em sentido contrário, o Patriarcado de Moscou foi extinto pelo mesmo capricho dos tsares que o criaram.

Em 1721, Pedro o Grande, achando-o uma velharia incompatível com a modernização do império, acabou enterrando-o por quase dois séculos, até que, aproveitando-se da derrubada da monarquia pelo comunismo, alguns bispos cismáticos interesseiros o restauraram.

A Revolução bolchevista precisava daquele patriarcado para enganar mais facilmente o povo, e o recompôs com a condição de ele pregar o socialismo.

O Soviete dos Comissários do Povo, tribunal do terror marxista, concedeu-lhe cidadania em 5-2-1918.

Com as sucessivas chacinas comunistas, dos 50.960 clérigos cismáticos — os ditos “popes” — então existentes, só restaram 5.665.

Dos 90.000 monges sobraram algumas centenas; e das 40.500 igrejas e 25.000 capelas cismáticas restaram apenas 4.255, e mesmo assim em ruínas.

O ‘patriarca’ Tikhon protestou, tendo sido encarcerado e torturado. Saiu do cárcere prometendo que “a partir de agora não sou um inimigo do poder soviético”.

Tikhon morreu em 1925, quiçá envenenado, e o ‘Patriarcado’ continuou como agência do ditador de plantão, sendo seus membros escolhidos pela polícia política comunista.

Holodomor: genocídio soviético


Grande parte do povo ucraniano pertence à etnia cossaca (ou povo livre, indômito e guerreiro), também presente em países vizinhos.

Os cossacos permaneceram cismáticos e os tsares de Moscou lhes ofereceram muitas concessões em troca de servirem em unidades de cavalaria.

Para alguns, eles são a coluna vertebral da Ucrânia moderna, como diz o hino nacional: “Nós somos da linhagem cossaca”.

Quando o comunismo destronou os tsares, os cossacos lutaram pela monarquia.

Em vingança, o ditador Joseph Stalin, com a cumplicidade do “Patriarcado de Moscou”, exterminou pela fome entre 6 e 8 milhões deles.

Paradoxalmente, os únicos a denunciarem o crime ao mundo foram os bispos católicos, que escreveram:

“As sequelas do regime comunista se tornam cada dia mais aterradoras. Seus crimes horrorizam a natureza humana e fazem gelar o sangue [..].

“Protestamos diante do mundo inteiro contra a perseguição de crianças, pobres, doentes, inocentes, e citamos os algozes diante do Tribunal de Deus Todo-poderoso.

“O sangue dos famintos e escravizados tinge a terra da Ucrânia e clama aos Céus pedindo vingança, o pranto das vítimas da fome chega até Deus no Céu”. (Mons. Ivan Buchko First Victims of Communism: White Book on the Religious Persecution in Ukraine, Roma, 1953)


Por sua vez, o comunismo obrigou os greco-católicos ucranianos a apostatar, ingressando no ‘Patriarcado de Moscou’, e lhes confiscou todos os bens.

Os católicos resistentes foram martirizados, enviados à Sibéria, ou se refugiaram na clandestinidade, sendo o único grupo religioso que resistiu ao comunismo.

O arcebispo-mor dos católicos greco-ucranianos, Dom André Sheptytskyi, Arcebispo de Lvov e Patriarca de Aliche, apelou ao Papa Pio XII:

“Este regime só pode se explicar como um caso de possessão diabólica coletiva”.

E pediu ao Pontífice que todos os sacerdotes do mundo “exorcizassem a Rússia soviética”. (Pe. Alfredo Sáenz S.J., De la Rusia de Vladimir al hombre nuevo soviético, Ediciones Gladius, Buenos Aires, 1989, pp. 438-439)


Infelizmente, nem os governos ocidentais nem a Santa Sé atenderam a esses lancinantes clamores.




domingo, 14 de agosto de 2022

Papa Francisco se avizinha ao patriarca cismático Kirill que prega a invasão como “santa”

Mons. Vitaliy Krivitskiy, bispo católico de Kiev, rito latino o Papa Francisco semeu a desconfiança nos fiéis escolhendo o patriarca russo invasor
Mons. Vitaliy Krivitskiy, bispo católico de Kiev de rito latino:
o Papa Francisco semeou a desconfiança nos fiéis escolhendo o patriarca russo invasor
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A auspiciada visita do Papa Francisco a Kiev está ficando impossível devido à desconfiança de muitos ucranianos em relação ao Papa, disse Mons. Vitaliy Krivitskiy, bispo de Kiev do rito católico latino, noticiou “Crux”.

Infelizmente alguns dos seus atos e comentários públicos favoráveis ao invasor russo soam improcedentes e feriram a imagem que um Papa deve dar de si próprio.

Mons. Vitaliy Krivitskiy foi muito claro no jornal oficial do episcopado italiano Avvenire: “em comparação com o início do conflito, uma parte da população não acolheu algumas das palavras do Papa que considerou erradas.

Portanto, também é necessário reconstruir um ‘consenso’ em torno da sua jornada [a Kiev]. Tudo isso me faz dizer que levará tempo [até tal visita ser possível]”.

O Papa Francisco criticou o fornecimento de armas ocidentais que poderiam garantir a supervivência da Ucrânia.

domingo, 22 de maio de 2022

A invasão da Ucrânia à luz das profecias e de Revolução e Contra-Revolução








Belo Horizonte — O Núcleo do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira da capital mineira promoveu, como de costume, no terceiro domingo de maio mais uma conferência de formação para seus amigos e simpatizantes.

Conhecido analista de política internacional, o Sr Luis Dufaur foi convidado a expor sobre a invasão da Ucrânia tratando dos fatos atuais, suas repercussões na opinião pública e à luz da profecia de Fátima e das previsões do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira.

Essa programação, sempre precedida da assistência à Santa Missa tridentina às 8,00 horas, depois da qual os participantes se dirigem à Sede social do Instituto, onde graças à colaboração de todos é servido um lanche, ocasião para animadas conversas.

Fora das rotas batidas


Longe das abordagens convencionais sobre o tema, a conferência de Luis Dufaur focalizou um breve histórico da Ucrânia, sua conversão iniciada no século X, e a sua evangelização perturbada primeiramente pelo Cisma do Oriente e a Revolução Bolchevista no século XX.

terça-feira, 19 de abril de 2022

A Providencia leva o mundo russo à conversão na atual guerra?

Nuvens com formas angélicas apareceram nos céus no momento de máximo perigo. Esta é sobre Kiev
Nuvens com formas angélicas apareceram nos céus
no momento de máximo perigo. Esta é sobre Kiev
Luis Dufaur
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Bem antes de invadir a Ucrânia, Putin e seus oligarcas trombeteavam que em 48 horas o exército russo tomaria Kiev, a capital ucraniana, e apagaria do mapa um país que para eles não deveria existir.

Quando, porém, após a fracassada tentativa inicial, as colunas russas se retiraram vergonhosamente, entre os incontáveis restos de veículos havia um caminhão com fardas de gala com a medalha da “Vitória de Kiev”, para os soldados ostentarem na almejada passeata da vitória...

A diferença numérica de ambos os exércitos levou o oligarca Konstantin Malofeev, que se diz cristão, a exaltar o apagamento da Ucrânia como povo e país de modo fulminante.

Mas no momento em que escrevemos esta matéria a situação se inverteu e os ucranianos estão conseguindo deter os exércitos de Putin. — O que aconteceu?

Seria simplificação falar em milagre. O noticiário aponta para uma convergência de fatores naturais contra o Moloch assassino, mas é impossível não se perguntar sobre a ação da Providência. Vejamos esquematicamente.

1. Quando Kiev estava quase cercada, apareceram no céu nuvens formando uma figura parecida com São Miguel Arcanjo, padroeiro da cidade.

Os fiéis telefonaram para o arcebispo-mor greco-católico Dom Sviatoslav Schevchuk. Ele esclareceu em vídeo que se tratava de nuvens e que os telefonemas provinham de todo o país. Explicou que Deus pode se manifestar por meio de elementos naturais.

quinta-feira, 3 de março de 2022

A Rússia é do demônio? Mas, no fim, se convertirá!

Nossa Senhora de Fátima. Fundo: Moscou
Luis Dufaur
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“A Rússia será católica?” não é a interrogação de um sonhador.

Em Fátima, Nossa Senhora patenteou predileção por esse país de dimensões imperiais.

Porque Ela deu a entender que a instauração de seu Reino na terra teria como condição a conversão do mundo russo ao catolicismo.

Porque quando Nossa Senhora se manifestou em Fátima, a Rússia estava rompida com a Igreja Católica e era cismática. Pouco depois se tornaria comunista e o flagelo do demônio voltado contra os homens.

domingo, 9 de janeiro de 2022

Ucrânia: III Guerra Mundial ou conversão da Rússia?

Concentração de tropas russas na fronteira ucraniana
Concentração de tropas russas na fronteira ucraniana
Luis Dufaur
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Na fronteira russo-ucraniana estão em jogo duas opções opostas que podem mudar a História. Enquanto isso, o Cazaquistão pega fogo nas costas de Putin


Pelo menos desde 30 de novembro 2021, os EUA vêm advertindo a Rússia de Putin que uma nova “agressão” contra a Ucrânia teria graves consequências. A potência americana alerta constantemente a OTAN para preparar o revide possível a uma invasão russa do vizinho.

Os EUA temem que o ataque possa acontecer nos primeiros meses de 2022 a julgar pelos movimentos militares flagrados por satélites e interceptações radiais. De início, a Rússia negou mas agora acabou reconhecendo a intenção invasora e reforçou suas ameaças verbais.

Porém, as últimas declarações do presidente Biden sugerem que se a Rússia invade, os EUA reagiriam com armas letais, malgrado a Ucrânia não faça parte da OTAN.

A advertência inicial americana à OTAN deu a entender que o maior peso de um eventual conflito envolveria centenas de milhares de homens e cairia sobre a Europa.

domingo, 7 de março de 2021

Ruínas do programa espacial soviético

Luis Dufaur
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A Rússia é uma imensa realidade histórica, cultural e populacional com grande vocação e missão histórica. 

Os produtos do gênio dos povos que a constituem estão à vista de todos em sua como que insondável variedade e riqueza.

Porém, esse povo destinado a uma transcendental missão futura, sofreu incalculáveis tragédias ao longo de sua história.

Uma delas foi a imposição do regime comunista, fruto de uma ideologia  sinistramente idealizada nos anos do Terror da Revolução Francesa, no fim do século XVIII.

A revolução bolchevique de 1917 destruiu o deslumbrante império dos czares e implantou a mais feroz ditadura igualitária da História: a União de Repúblicas Socialistas Soviéticas – URSS.

Não reconhecemos a verdadeira Rússia no monstro da URSS, que a transformou na plataforma de uma seita filha dos crimes ideológicos da Revolução Francesa que quis implantar no mundo a Revolução gnóstica e igualitária gestada na putrefação da ordem cristã medieval.

O ateísmo total do comunismo exigia uma igualdade total, cujo igualitarismo radical se exprimia num pensamento essencial: não há Deus, mas somente a matéria. E todos aqueles que de algum modo são como que reflexos de Deus devem ser exterminados, a começar pelos czares, a nobreza e a classe dos proprietários.

domingo, 23 de agosto de 2020

A consagração da Rússia não feita: o comunismo continua espalhando seus erros pelo mundo

Pe.David Francisquini
Sacerdote
diocese de Campos
Publicado em
CATOLICISMO,agosto 2020






Continuação do post anterior: As consagrações realizadas da Rússia foram incompletas e inválidas



Interpretação que teria feito a Irmã Lúcia

Desde 1984 até a queda do Muro de Berlim, a Irmã Lúcia sustentou que nenhuma das consagrações feitas até então tinha sido “válida” (no sentido de terem atendido aos requisitos postos por Nossa Senhora).

Numa entrevista concedida em 1985 à revista Sol de Fátima, ela declarou peremptoriamente, a respeito das que foram realizadas por João Paulo II em Fátima (1982) e em Roma (1984): “Não houve a participação de todos os Bispos nem foi mencionada a Rússia”.

Contudo, o Cardeal Tarcísio Bertone transcreveu posteriormente, na sua apresentação a um opúsculo sobre a mensagem de Fátima, uma carta que a vidente teria escrito em 8 de novembro de 1989, na qual ela teria afirmado:

“Sim [a consagração] está feita tal como Nossa Senhora a pediu, desde o dia 25 de março de 1984”

E num colóquio do purpurado com a Irmã Lúcia, ela teria declarado:

“Já disse que a consagração desejada por Nossa Senhora foi feita em 1984, e foi aceita no Céu”.

Segundo o mesmo purpurado, tal aceitação teria sido manifestada à Irmã Lúcia numa aparição de Nossa Senhora, mas tal aparição não figura nos pormenorizados relatos que o próprio Cardeal Bertone fez de seus colóquios com a vidente.

domingo, 16 de agosto de 2020

As consagrações realizadas da Rússia
foram incompletas e inválidas

Pe.David Francisquini
Sacerdote
diocese de Campos
Publicado em
CATOLICISMO,agosto 2020





Continuação do post anterior: Por que é indispensável a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria




Depois de iniciada a Segunda Guerra Mundial, a Irmã Lúcia se dirigiu diretamente ao novo Papa, Pio XII:

“Em várias comunicações íntimas, Nosso Senhor não tem deixado de insistir neste pedido, prometendo ultimamente — se Vossa Santidade se dignar fazer a consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria, com menção especial pela Rússia, e ordenar que, em união com Vossa Santidade e ao mesmo tempo, a façam também todos os Bispos do mundo — abreviar os dias de tribulação com que tem determinado punir as nações de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de várias perseguições à Santa Igreja e a Vossa Santidade”.

Em 1942, por ocasião do encerramento do ano jubilar das aparições de Fátima, o Papa Pio XII consagrou a Igreja e o gênero humano ao Imaculado Coração de Maria, ato que ele renovou em 8 de dezembro.

Mas o texto fazia apenas uma alusão velada à Rússia, sem mencioná-la explicitamente.

terça-feira, 26 de maio de 2020

Cardeal Burke: Consagração da Rússia a Nossa Senhora é 'mais necessária agora do que nunca'

“A consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria é mais necessária hoje do que nunca”
“A consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria
é mais necessária hoje do que nunca”
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A consagração da Rússia a Nossa Senhora pedida em Fátima agora é “mais necessária do que nunca” defendeu em 20 de maio de 2020 o cardeal Raymond Burke.

O Cardeal fez o urgente apelo no Fórum Virtual da Vida em Roma, organizado pela Voz da Família.

Ele sublinhou que a atual crise mundial de coronavírus mostra a necessidade mais premente -- “mais necessário agora do que nunca”-- de extinguir o foco dos males que flagelam da humanidade.

A pandemia patenteou que os "erros da Rússia" estão instalados no mundo comunista -- países e movimentos -- e dali se irradiam para todo o planeta.

Texto completo em: Cardinal Burke calls for Consecration of Russia to Immaculate Heart of Mary

O Cardeal conectou os erros da Rússia comunista à crise atual, destacando o papel proeminente que o regime comunista ateu da China desempenhou na pandemia global.

domingo, 9 de fevereiro de 2020

Putin "czar": monarquia espúria na Rússia

Putin um czar espúrio para desmoralizar a saudade da monarquia no povo russo
Putin: um czar espúrio para desmoralizar
a saudade da monarquia no povo russo
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Parece piada, mas o diretor de cinema russo Slava Tsukerman ficou impressionado com a quantidade de apelos circulando na Internet na Rússia em favor de “Putin Czar”, segundo reconheceu em Real Reporting.org.

A propaganda aparece acompanhada de abundantes arranjos fotográficos de qualidade.

Esses não podem provir de um indivíduo isolado ou de algum grupelho excêntrico, mas de uma central com muitos recursos.

O tema – escreveu Tsukerman – se transformou num dos mais falados na mídia russa, em sua imensa maioria nas mãos do regime.

Escritores e jornalistas de há muito apelidaram Putin de Czar mais como sátira ou crítica a seus poderes virtualmente onímodos, sem pensar no velho e mítico sistema monárquico de séculos passados.

Livros e longos artigos foram escritos nessa clave metafórica ou até irônica em jornais como “The New York Times” ou “Politico Magazine”, sem nunca pensar numa coroação do ex-coronel da KGB.

Mas, nos últimos meses, a hipótese virou de tom 180º e passou a ser levada muito a sério.

No canal televisivo governamental “Rússia”, o metropolita Hilarion, chefe das relações exteriores do Patriarcado de Moscou e um dos mais influentes líderes da Igreja Ortodoxa Russa declarou:

“A forma monárquica de governo tem vantagens sobre o sistema eleitoral e foi positivamente testada na História [...].

“Minha opinião pessoal é de que um homem ungido pelo clero e que recebe não apenas um mandato dos eleitores para um cargo por um determinado período, esse homem pode ser sagrado pelo seu próprio reino por meio da Igreja.

“Ele pode receber um mandato para toda a vida, até que transfira o poder para o herdeiro.

O metropolita Hilarion, portavoz do Patriarcado de Moscou confirmou que estariam dispostos a sagrá-lo 'czar'
O metropolita Hilarion, porta-voz do Patriarcado de Moscou
confirmou que esse estaria disposto a sagrá-lo 'czar'
“Esta, é claro, é a forma de governo que se provou na História e que tem muitas vantagens sobre quaisquer outras formas de governo baseadas na eleição”.

A interpretação do público foi unânime: o metropolita falava de Putin, que se reelegeu na última eleição presidencial, mas que não poderá voltar a ser reeleito em 2024 porque a Constituição o impede. Então, é claro, a Constituição precisa ser mudada!

Putin está no poder desde o ano 2000 (computando o período intermediário de seu secretário Dmitri Medvedev), mas não contente em continuar como governante supremo, ele quer também ser vitalício. Como consegui-lo?

Alexander Prokhanov, diretor do jornal de extrema-direita “Zavtgra” (“Amanhã”), que combina ultranacionalismo e comunismo, é autor de mais de 30 novelas e atualmente um dos escritores mais populares da Rússia.

Ele teria tido uma conversão política ouvindo as palavras do metropolita Hilarion (risum teneatis!) e passou de inimigo agressivo do governo de Putin a um de seus mais ativos apoiadores. Ele comentou:

“O padre Hilarion fez uma declaração muito importante [...] que não foi feita por acaso e sem motivos. Foi feita no momento certo e para o grande público.

“O que está por trás? [...] A igreja é o berço no qual o bebê da nova monarquia russa está crescendo”.

Prokhanov atribui dois motivos ao posicionamento do metropolita.

Primeiro, é a sempre crescente influência do Patriarcado de Moscou não só no povo russo, mas também na política externa do país.

O escritor sublinha o enorme efeito que teve a veneração pública das relíquias de São Nicolau de Bari.

A romaria atraiu a Moscou centenas de milhares de pessoas, mas nas cidades russas elas teriam sido milhões, pessoas na sua maioria aparentemente sem religião após quase sete décadas de ateísmo soviético.

As relíquias do santo padroeiro da Rússia foram emprestadas pelo Papa Francisco, pois elas ficam em Bari, na Itália, após marinheiros da cidade resgatá-las da ameaça maometana na Ásia Menor no primeiro milênio.

Putin no lugar do czar Pedro I, o Grande
Putin no lugar do czar Pedro I, o Grande
Segundo Prokhanov, as multidões de romeiros que formam filas colossais para entrar na catedral “professam o sonho da monarquia”.

O segundo motivo é dar continuidade a Vladimir Putin como chefe supremo.

Prokhanov explica o que parece ser mais um script redigido por outrem em benefício desse mesmo outrem:

“Quem pode se tornar o arauto da nova dinastia russa? Não pode ser uma pessoa eleita por acaso.

“Não pode ser um representante de uma família nobre, ou de uma família distinta, ou da elite de hoje, ou alguém que o dedo do Patriarca apontará.

“Deve ser uma pessoa especial, marcada com um sinal especial, um mistério.

“E essa pessoa é Vladimir Putin.

“Ele disse que, com o retorno da Crimeia à Rússia, o cetro sagrado do governo russo havia retornado à Rússia.

“Ele tinha em mente Chersonese [cidade da Crimeia onde foi batizado na Igreja Católica São Vladimir, Príncipe de Kiev].

“Esse ato mágico e milagroso, místico, transferiu a santidade de Cristo para o estado russo.

“E a Crimeia, retornada à Rússia por Putin, transferiu essa santidade para o estado de Putin.

“Por esse ato, Putin carregava em suas mãos a fonte de misteriosa luz mística para a Rússia, o Kremlin, seu escritório, seus palácios.

“Ele foi escolhido para esse fim. Ele confirmou esta eleição. Ele se tornou ungido de uma forma muito especial.

“Ele não foi sagrado pelo Patriarca, sua unção não ocorreu na Catedral da Assunção, seu casamento com o reino não foi realizado na confluência dos chefes da Igreja.

“Aconteceu de uma maneira mística, misteriosa, quando a fonte de luz da Criméia Chersonese voltou para a Rússia em suas mãos.

“Ele se levantou com esta tocha, que o ilumina com uma luz misteriosa. Portanto, em círculos próximos ao patriarcado, em círculos conscientes da complexidade da restauração da monarquia na Rússia, seu nome como o possível primeiro monarca russo da dinastia Putin é cada vez mais citado”.

O Patriarcado de Moscou fará o que Putin mandar
O Patriarcado de Moscou fará o que Putin mandar
O popular comentarista político Stanislav Belkovsky, tido como democrata, admitiu inesperadamente que agora adere ao ponto de vista monárquico e considera com entusiasmo as palavras do metropolita Hilarion de uma “monarquia reconciliada com o Patriarcado”.

Ivan Artsishevsky, representante da Associação da Família Romanov (dos últimos czares da Rússia), ficou surpreso ouvindo representantes da Igreja Ortodoxa Russa falando de monarquismo.

O professor da Academia Teológica de São Petersburgo, arcipreste George Mitrofanov, falou dos perigos de restaurar a monarquia na Rússia atual. Mas o historiador Sergei Vivatenko defendeu as vantagens que haveria em reinstalá-la.

O comentário mais sóbrio, na opinião do diretor de cinema Slava Tsukerman, foi o do líder do Partido Monarquista Russo, Anton Bakov.

Bakov ressaltou que não há necessidade de perguntar à sociedade sobre a monarquia, porque alguém provavelmente tomará essa decisão de qualquer maneira.

Ele não disse quem poderia ser essa pessoa. Talvez não goste dela e descreveu essa tomada de decisão como um gesto despótico.

E assim deixou insinuado o nome que está na boca de todos.