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domingo, 1 de fevereiro de 2026

Decadência demográfica leva Rússia à extinção

Só na invasão da Ucrânia, a Rússia teria sacrificado mais de um milhão de homens
Só na invasão da Ucrânia, o Kremlin teria sacrificado 
mais de um milhão de homens
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Segundo o instituto de estatística do governo Rosstat, a população da Rússia caiu para menos de 140 milhões de habitantes.

O ditador Putin e seu servidor o Patriarca Kirill de Moscou, instam os jovens a repovoarem o país.

A população caiu pela imoralidade somada a mortandade da guerra na Ucrânia, a emigração, e a depressão induzida pelos líderes políticos e espirituais.

Demógrafos independentes como o tártaro Salavat Abykalikov e o bashkir Aby Shukjurov dizem que a crise é gerada pelo regime socialista e a falsa igreja ortodoxa, escreveu “AsiaNews”. 

“Todos os anos, o equivalente a uma grande cidade desaparece do mapa demográfico da Rússia” explicaa Sergei Mironov, líder do partido “Rússia Justa”.

Os dados do Rosstat foram classificados confidenciais, porque apontam uma queda de quase dois milhões emos cinco anos. O governo mandou citar constantemente o número de 145 milhões de habitantes.

Igreja cismática mantém o povo nos vícios e erros religiosos
Igreja cismática mantém o povo nos vícios e erros religiosos
Em 2024 as mortes superaram os nascimentos, 1,8 milhão contra 1,2 milhão, e não serão publicados os números de 2025.

Esses piorarão ainda mais pela emigração e o enorme número de vítimas da guerra.

As regiões com taxas de crescimento tradicionalmente mais altas, como o Tartaristão e a Basquíria, sofreram o maior número de baixas na frente ucraniana.

O número de pessoas que fogem para o exterior por causa da guerra é de centenas de milhares.

Desde o início da operação especial na Ucrânia as pessoas começaram a se casar em massa, pelas vantagens econômicas dos contratos de guerra, mas sem aumento da natalidade.

A propaganda de guerra incentiva de todas as formas a gravidez até das menores de idade, para reverter a tendência negativa.

Os piores indicadores demográficos estão nas capitais Moscou e São Petersburgo.

Igreja cismática estimula o "moedor de carne" que custa incontáveis vida nas guerras de invasão
Igreja cismática estimula o "moedor de carne" 
que consome incontáveis vida nas guerras de invasão
O governo russo subsidia o segundo, terceiro e filhos subsequentes visando garantir “entre 2 e 2,5 milhões de nascimentos por ano”.

Na realidade, essas medidas não levam a um aumento real da população infantil.

Muitas regiões tentam “multas por aborto”, mas não podem aumentar a vida das pessoas e garantir o futuro de um país em declínio devorado pela imoralidade e por uma igreja falsa oficial.

domingo, 10 de março de 2024

Acusar de “seita”: velho artifício comunista, hoje putinista

Alexander Novopashin, clérigo cismâtico encarregaddo de rotular de 'seita' aos adversários cristãos de Puitn
Alexander Novopashin, clérigo cismâtico encarregado de
rotular de 'seita' aos adversários cristãos de Puitn
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Moscou explora mais um artifício para reprimir os grupos dissidentes: os acusa de serem perigosas “seitas” cuja ameaça para a sociedade deve ser extirpada.

Nessa perseguição, o Kremlin tem um apoio destacado no líder anti-“seita”: o arcipreste Alexander Novopashin, que esteve afiliado até março de 2023 à Federação Europeia de Movimentos Anti-“seita” apoiada pela francesa, FECRIS.

Ele oficia na catedral cismâtica de São Alexander Nevsky, em Novosibirsk, dependente do Patriarcado de Moscou, porta-voz religioso das vontades de Putin.

A denúncia das ações deste agente foi feita por “Bitter Winter” site especializado em desvendar as perseguições religiosas no mundo.

O arcipreste é um inimigo profissional das “seitas” para o que ele elaborou um coquetel venenoso de ideologia criminosa do regime de Putin com os artifícios do movimento anti-“seita” ao estilo FECRIS.

Novopashin acusa os EUA de satanista e aponta contra a Ucrânia como responsável dos crimes satanistas cada vez mais freqüentes na Rússia.

Esse coquetel é derramado contra as vítimas escolhidas a dedo ou, por vezes, é mantido em silêncio aguardando para aplicá-lo em seu momento. A polícia política putinista escolhe.

Após o início da guerra de agressão contra a Ucrânia, a maior parte do coquetel saiu à luz para espalhar teorias anti-ucranianas tão absurdas quanto possível.

Em comparação com Alexander Dvorkin, outro importante ativista russo que trabalha contra ditas “seitas”, Novopashin se assemelha mais a um burocrata obtuso que multiplica as contradições, apontou Massimo Introvigne especialista nas perseguições anticristãs na Europa e no mundo.

O eclesiástico russo já apareceu bancando de especialista em espionagem.

Ele disse ao “News of Siberia” que a inteligência ucraniana recrutou “milhares” de agentes na Rússia para espionar infraestruturas militares, movimentos de tropas e comboios militares.

Ele apontou aos “tristes seguidores de Navalny”, o dissidente a quem definiu “agente estrangeiro e terrorista”. Navalny morreu depois num cárcere ártico, causando comoção mundial pelo aparente assassinato putinista.

Novopashin e Kolokoltsev, ministro do Interior, representantes russos na aliança ocidental anti-seita FECRIS
Novopashin e Kolokoltsev, ministro do Interior,
representantes russos na aliança ocidental anti-seita FECRIS
Novopashin não conta, nem sabe, onde se escondem os espiões ucranianos. “Na maioria das vezes”, explica o arcipreste da polícia putinista, “os encarceramentos de espiões ucranianos ocorrem em novas regiões do país”, ou seja, em partes da Ucrânia que a Rússia anexou fraudulentamente.

O arcipreste acusa a ucranianos de espionar para a Ucrânia na própria Ucrânia, o que não deixa de ter algo de histriônico.

“Mas o SBU [serviço de inteligência ucraniano] tenta expandir a sua rede de agentes, razão pela qual seus agentes são detidos mesmo na Sibéria”, acrescenta incongruentemente.

“Na verdade”, explica o inimigo das “seitas” que não são a sua, “milhares de agentes recrutados foram descobertos, a imprensa noticia apenas os casos mais ressonantes”.

E ali ele encaixar sua missão: “é necessária uma contra-propaganda em grande escala para suprimir as atividades de recrutamento do inimigo”.

“Os cidadãos da Federação Russa devem saber em detalhes como funciona a inteligência estrangeira, como ocorre o recrutamento e quais ameaças os agentes potenciais enfrentam para tais ações”. Essa denúncia justificaria a detenção de dissidentes anti-Putin.

“Tudo isto deve ser apresentado com exemplos modernos e históricos, da forma mais clara possível. Mas, infelizmente, esse trabalho não está sendo realizado”.

“Precisamos de uma visão mais ampla e inteligente do problema, e isto não é apenas uma questão da competência dos serviços de inteligência”, acrescentou.

A pátria russa precisa de lutadores contra as “seitas” que sejam clarividentes como ele para denunciar os espiões ucranianos que se escondem nessas “seitas”.

O jornal siberiano, em acordo com o arcipreste-policial Novopashin, apresenta uma antiga lista de 58 “seitas” (e “muitas outras”), que inclui de tudo, desde os Santos dos Últimos Dias às Testemunhas de Jeová, e desde a Cientologia à desconhecida Soka Gakkai.

O clérigo do Patriarcado de Moscou também define quem é cristão ou não, como no caso da Igreja da Nova Geração, que Putin persegue por qualquer razão, e que ele chama de “paródia blasfema do Cristianismo, movimento sectário ocultista”.

Obviamente, para ele a pior das “seitas” é o anticomunismo e o catolicismo levados a sério.


domingo, 18 de junho de 2023

Ecumenismo impossível com o furioso Patriarcado de Moscou

Na Ucrânia, clérigos cismâticos obedientes ao Patriarcado de Moscou atacam soldado ucraniano na igreja
Na Ucrânia, clérigos cismáticos obedientes ao Patriarcado de Moscou
atacam soldado ucraniano na igreja
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A diplomacia vaticana há décadas tenta uma confraternização solidária com a igreja cismática russa chefiada pelo Patriarcado de Moscou, criação dos sovietes marxistas e grande propagandista das guerras de Putin.

O Papa Francisco I fez em direção a esse Patriarcado ateu grandes gestos ecumênicos concessivos antes e durante a atual guerra que escandalizaram os fiéis católicos ucranianos e de todo o mundo.

Mais recentemente a crueldade e injustiça exibida por Putin e seus servidores desse Patriarcado, obrigou o Pontífice a moderar suas posições pro-russas. Mas, nem por isso o Patriarcado de Moscou moderou sua fúria anti-cristã.

Um fato pequeno, mas revelador deu-se numa igreja na cidade ucraniana de Khmelnytskyi, descrito pelo “ABC” de Madri.

O “The New Voice of Ukraine” acrescentou mais dados Os padres do Patriarcado de Moscou atacaram ao soldado ucraniano Artur Ananiev que ingressou na igreja para satisfazer suas devoções.

Mas os sacerdotes que a administram obedecem ao Patriarcado de Moscou pro-russo. O fato é frequente em algumas igrejas cismáticas que após a tirania soviética foram confiscadas pelo comunismo e até agora não foram devolvidas a seus legítimos donos.

Quando os sacerdotes cismáticos pro-russos viram o soldado com o uniforme nacional, o expulsaram com violência incompatível com a espírito religioso.

O soldado sofreu uma concussão e um ferimento na cabeça como ficou registrado por uma filmagem das camarás de segurança.

A policia interveio e levou o soldado mas abriu um processo crime contra os sacerdotes pelo espancamento de um militar devidamente identificado pelo seu uniforme.

Os seguidores do Patriarcado de Moscou contaram sua história mas ficou evidente que o ódio do cisma russo vai além de qualquer consideração religiosa.


Sacerdotes do Patriarcado de Moscou na Ucrânia agridem soldado ucraniano na Igreja




domingo, 20 de outubro de 2019

Fraude da "Terceira Roma" visa avassalar o cristianismo mundial

Batismo de São Vladimir, o Grande, ano 988.
Viktor M. Vasnetsov (1848–1926)
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O mundo eslavo cristão comemora todo ano o nascimento à graça divina e cristianização do histórico Principado de Kiev.

Esse tem seu ponto de partida no batismo, em 988, de São Vladimir o Grande, grão duque de Kiev e de todas as Rússias.

A ‘Rus de Kiev’, como também é conhecido, foi o núcleo cristianizado que gerou as atuais Rússia, Ucrânia e Bielorrússia.

A comemoração estava proibida durante a ditadura soviética e só foi retomada em 2013.

A cristianização da Ucrânia começa com o batismo, em 988, de São Vladimir o Grande, grão duque de Kiev e senhor de todas as Rússias.

Ele destruiu os ídolos pagãos, combateu a bebedeira e trabalhou pela conversão de seus súditos.

A partir de Kiev – hoje capital da Ucrânia – os sucessores de São Vladimir governaram um colossal império em gestação.

Complicados fatos históricos centralizados na revolta do Patriarca de Constantinopla contra o Papa desviaram essa imensa área de civilização para um cisma religioso.

Posto o princípio do desconhecimento da autoridade de Roma, saíram muitas outras cisões que explicam a multiplicado de igrejas mal chamadas “ortodoxas”.

domingo, 11 de novembro de 2018

Independência de igrejas cismáticas ucranianas
abala plano russo de conquista

Putin tem necessidade do Patriarcado de Moscou para satisfazer suas ânsias conquistadoras
Putin tem necessidade do Patriarcado de Moscou
para satisfazer suas ânsias conquistadoras
Luis Dufaur
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O Patriarcado de Moscou sempre foi fiel e útil instrumento religioso para o expansionismo dos czares primeiro e do regime bolchevista depois, malgrado os dois lhe tenham propinado humilhante tratamento.

O mesmo faz Putin perpetuando o maquiavelismo amoral e os projetos de hegemonia imperial de seu admirado mestre Stálin.

Ele vem manipulando esse Patriarcado, espúrio mas enganosamente influente no mundo russo e alhures com esse fim.

Um dos sonhos de Moscou consiste em submeter o mundo da “ortodoxia”, quer dizer do cisma herético gerado na revolta de Constantinopla em 1054, ao governo do Patriarcado de Moscou.

Esse é controlado por agentes da ex-KGB, hoje articulados na putinista FSB encarregada das mesmas tarefas “sujas” de sua predecessora.

Os ambientes comuno-progressistas acariciam a mesma ideia, aguardando essa unificação para tentar uma quimérica fusão ecumênica entre o Ocidente representado pelo Vaticano e o Oriente representado por Moscou.

domingo, 29 de abril de 2018

Instrumento do Kremlin para liquidar os católicos
abraça ao Papa Francisco

O Papa Francisco e o "patriarca" russo Kiril se beijam em Havana
O Papa Francisco e o "patriarca" russo Kiril se beijam em Havana
Luis Dufaur
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“A Igreja Ortodoxa Russa foi utilizada pelo regime de Stalin para a liquidação pela força da Igreja Greco-Católica Ucraniana”, mas “o clero ortodoxo [= cismático] russo ainda não se desculpou com o greco-católico pela apropriação indevida de todos os seus bens”, vem reafirmando Sua Beatitude Sviatoslav Shevchuk, arcebispo-mor do rito Greco-Católico ucraniano, em entrevistas como a veiculada pela agência Religious Information Service of Ukraine – RISU. 

“Na minha opinião, a capacidade de pedir desculpas indica uma consciência cristã, e é uma condição necessária para a chamada purificação da memória.

“Por exemplo, houve um verdadeiro arrependimento e perdão mútuo entre a nossa Igreja e a Igreja Católica Romana da Polônia.

“Eu sei de fonte segura que os bispos poloneses procuram realizar um ato semelhante de reconciliação mútua com a igreja ortodoxa russa.

domingo, 11 de junho de 2017

Doutrina ocultista anticristã assoma por trás do “cristianismo putinista”

René Guenon e Fritzhof Schuon, que passaram ao islamismo místico inspiram o 'novo cristianismo que vem da Rússia'
René Guenon e Fritzhof Schuon, que passaram ao islamismo místico
inspiram o 'novo cristianismo que vem da Rússia'
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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continuação do post anterior: O lado oculto da “manobra Putin”



No Colóquio 'Ocidente contra a Europa', assistido por Jeanne Smits, o discurso contra o Ocidente ficou obcecado pela exaltação da herança “heleno-romana e cristã” da Europa, que seria mantida com exclusividade pelo Patriarcado de Moscou.

A jornalista ficou estranhada pela sistemática omissão da herança histórica e cultural católica, ou com a ausência de noções religiosas básicas, como os Dez Mandamentos.

Na abertura, o tesoureiro da Sofrade, Louis de Sivry, saudou a presença dos conselheiros das embaixadas russa e iraniana em Paris. O que tem a ver o Irã governado por fanáticos xiitas com a causa do cristianismo ou da "herança greco-romana?" – perguntou Jeanne Smits em seu site reinformation.tv..

Mas logo lembrou que o presidente da Sofrade possui a empresa Tzar Consulting que acompanha projetos comerciais em “zonas geográficas não convencionais”, especialmente no Irã.

A Rússia de Putin foi o leitmotiv.

Nicola Mirkovic, colaborador da agência Sputnik e da Russia Today – dois grupos da propaganda putinista –, propôs substituir a União Europeia por uma União que vá de Brest (no Atlântico) até Vladivostok (no Pacífico).

Em outros termos trocar Bruxelas por Moscou num esquema mais esmagador das identidades nacionais do que a atual UE.

O coronel Jacques Hogard denunciou a NATO como “organização obsoleta e perigosa” e “braço armado dos EUA”. E propôs uma aliança dos países europeus com a Rússia. Mais da mesma coisa trocando o polo de influência de Washington para Moscou.

Jeanne Smits custava a acreditar que assistia ali ao renascimento da antiga estratégia geopolítica da URSS.

Era como se os presentes trabalhassem para uma “nova Rússia” reconstituindo o antigo bloco soviético. Eles propunham restaurando velhas alianças com os aliados tradicionais da era soviética, como Cuba, China, Coreia do Norte acrescido do Irã e da Venezuela.

O painel de 'L'Occident contre l'Europe'
O painel de 'L'Occident contre l'Europe'
John Laughland, diretor de estudos do Instituto de Democracia e Cooperação, presidido por Natalia Narotchnitskaïa e teledirigido por Putin, defendeu que o comunismo sumiu na Rússia.

Mas, mirabile dictu, triunfa no Ocidente na sua versão marxista gramsciana.

Essas palavras soavam bem, mas eram enganosas e distorciam a realidade, observou Smits.

Primeiro: a Rússia não se libertou do comunismo como pode se ver pela continuidade dos kolhozes coletivos, o cerceamento da propriedade privada e a ausência de liberdades, especialmente a religiosa.

Segundo: o gramcismo é uma variante estratégica para a vitória do comunismo, inclusive na Rússia,. O que Gramsci quer para Ocidente, desde 1917 está sendo aplicado na Rússia.

As reformas culturais que o marxista italiano pregou décadas depois, como a dissolução da família, o aborto, etc., são lei na Rússia.

Levan Vasadze, oligarca admirador do ocultista francês René Guénon, disparou que “o marxismo é uma forma de totalitarismo inventada pelo Ocidente” por capitalistas globalistas. O liberalismo seria outro totalitarismo.

Em resposta a esses totalitarismos ele ofereceu o conceito de “tradição” do ocultista René Guénon, também conhecido como Abd al-Wâhid Yahyâ, pois no fim da vida se tornou místico islâmico.

Jeanne Smits relembra que Guénon encarna o modelo do ocidental fascinado pelo Oriente, gnóstico, esotérico, maçom e apóstata. Acresce que o "maître-à-penser" de Putin, Aleksander Dugin, foi o primeiro tradutor da obra de Guénon para o russo.

Para Vasadze, a “civilização ocidental” só serve para os “estúrdios e os cínicos”. O sentido profundo dessa aparente confusão é que raízes da religiosidade russa remontam a “sabedorias” muito antigas e certamente não católicas, ouviu com espanto a jornalista que achava que ia encontrar defensores do cristianismo!

Jeanne Smits
Jeanne Smits
Vasadze anunciou outra era histórica cujo fundador será “aquele cujo nome não deve ser dito”, o “quarto cavaleiro do Apocalipse”, ou o cavaleiro da morte.

O que ele quis dizer?

Vasadze sublinhou que o liberalismo é que vai morrer. Para vir o quê na nova era?

“No centro da sociedade não há classe, nem raça, nem mesmo indivíduo”, explicou, antes de justificar o panteísmo.

Nessa nova era o homem feito à imagem e semelhança de Deus deverá ser substituído pelo homem-molécula sem individualidade.

Fabrice Sorlin, diretor da associação organizadora Sofrade, fez um apelo para se obedecer à Rússia, pois, entre outras razões, ela ajudou Bachar el-Assad a deter o avanço dos valores ocidentais.

O jovem ucraniano “ortodoxo” Olexandr Skoruskov ecoou o apelo parafraseando a ideia básica do "olibarca" Konstantin Malofeev segundo a qual a fórmula ideal é a aliança dos sovietes com o Patriarccado de Moscou.

Ele explicou que “sob os sovietes tínhamos uma moral, um senso da pessoa humana”.

Alexeï Komov, representante do Patriarcado de Moscou no Congresso Mundial das Famílias, defendeu que a revolução bolchevista de 1917 foi apenas uma “experiência” que nada tinha de russa (sic!). Como se Lenine não tivesse tido parte nela, nem toda uma geração de revolucionários russos que lhe imprimiram um caráter tipicamente russo.

Ora, foi a Revolução de 1917 que proclamou o amor livre, legalizou o divórcio e instalou o aborto sem limites. Mas Komov, auto-intitulado defensor da família, fingiu desconhecer tudo isso..

E hoje? Alegremente, Komov inventou que houve um “milagre” na Rússia em virtude do qual renascem os valores tradicionais da família e da tradição.

Quem fez o “milagre”? Komov, que trabalha para o oligarca Konstantin Malofeev, financiador da restauração das igrejas russas, deixou a resposta no ar. Obviamente não tinha, e esse “milagre” coletivo não existiu.

Ele fingiu ignorar que o número oficial de abortos hoje na Rússia é de 700.000 por ano,  e com uma percentagem mais elevada que nos países mais liberais da Europa Ocidental.

Tampouco falou que o índice de divórcios na Rússia é um dos piores do mundo, acima de 50 %.

Ou que os nascimentos fora do casamento desceram aos níveis deploráveis dos países dominados pelo “globalismo” (França, 57 %).

Porém, Alexeï Komov apresentou-se despudoradamente como grande defensor da vida e não hesitou em explicar que “Stalin acabou mais favorável à família”, sem ligar para os cerca de cem milhões de mortes provocadas por esse ditador e as famílias assim destruídas.

Aleksandr Dugin, cujo site Katehon é também beneficiado pelos fundos do oligarca Konstantin Malofeev, é tido como o maître-à-penser de Putin.

Místicos ocultistas ou islâmicos como Frithjof Schuon por trás do autoproclamado 'renascer do cristianismo' pro-russo
Místicos ocultistas ou islâmicos
como Frithjof Schuon por trás
do autoproclamado
'renascer do cristianismo' pro-russo
No Colóquio, suas ideias estavam na boca de todos. Mas – escreve Smits – em seu livro O gnóstico Dugin confunde conceitos e posições para ludibriar deliberadamente os outros: “Nós os embaralhamos passando do direitismo ao esquerdismo e vice-versa. Seduzimos ao mesmo tempo a extrema-direita e a extrema-esquerda”.

Smits identifica nesse livro de Dugin um velho palavreado maçônico. Com palavras confusas supostamente de direita ele restaura o pensamento mofado da velha esquerda e forja um “Putin salvador da Cristandade”, que é ao mesmo tempo herdeiro de Stalin!

A jornalista teve mais uma surpresa no encerramento.

Yannick Jaffré, pensador nietzschiano e ex-militante do Partido Socialista Francês, voltou a apelar para a inspiração de uma ciência “que vem de muito longe”.

Ele invocou os clássicos pagãos, os antigos gregos, Maquiavelo e Nietzsche. Sim, o próprio Nietzsche, que pregava o combate à Igreja quando Ela não estava empestada de progressismo.

Não foi por acaso – conclui Jeanne Smits – que a palavra final do Colóquio ficou com um pensador tido como “perfeito panteísta”.

No "cristianismo putinista" só encontrou engano e tapeação.



domingo, 4 de junho de 2017

O lado oculto da “manobra Putin”

Jeanne Smits quis saber o que havia por trás do fascínio de Putin sobre pessoas que seriam suas vítimas
Jeanne Smits quis saber o que havia por trás
do fascínio de Putin sobre pessoas que seriam suas vítimas
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Continuação do post: Paroxismo da desinformação russa: a mensagem de Fátima e a ‘missão providencial’ de Putin



Jeanne Smits, ex-diretora de redação e ex-gerente de “Présent”, jornal que funciona como porta-voz oficioso do Front National de Marine Le Pen, conhece bem os meandros dos movimentos da direita europeia.

Como jornalista, participou em Paris do colóquio O Ocidente contra a Europa, organizado pela Sofrade (Société française de démographie) e presidido singularmente de Moscou por Fabrice Sorlin.

O evento se realizou em 1º de abril no auditório da Maison de la Chimie com a presença de movimentos de países europeus e sobretudo da “Grande Rússia”.

Jeanne Smits apresentou um pormenorizado relato no site reinformation.tv.

Ela queria saber de onde provém a admiração por Vladimir Putin de amigos seus, pertencentes a grupos identitários, soberanistas e anti-imigração, que julgam ver no ex-coronel da KGB um líder defensor da família, uma muralha contra o liberalismo americano, o terrorismo islâmico, etc.

O fenômeno é tão singular que, segundo a jornalista, dez dias antes das eleições, em plena campanha presidencial, Marine Le Pen foi procurar “uma forma de sagração por Vladimir Putin em Moscou”.

O gesto foi qualificado como “corajoso e bem-vindo” por Philippe de Villiers, político que defende posições opostas à ideologia dos pensadores próximos de Putin, como Aleksandr Dugin – o “Rasputin de Putin” – e o “oligarca” Konstantin Malofeev.

No Colóquio, Smits teve uma imensa surpresa.

Colóquio pro Putin 'Ocidente contra Europa', na Maison de la Chimie, Paris, assistido por Jeanne Smits
Colóquio pro Putin 'Ocidente contra Europa',
na Maison de la Chimie, Paris, assistido por Jeanne Smits
Deparou-se com a exposição de uma doutrina pró-russa e tradicionalista, mas prenhe, segundo ela, de “evidentes tons gnósticos, pagãos, franco-maçônicos, dissimulados por trás de uma fachada nacionalista e pró-europeia, leia-se cristã e pela vida, capaz de enganar muitas pessoas de boa vontade”.

No ponto de partida há um engano, observou.

A grande mídia e o establishment político dominante trabalham pela cultura da morte, pela ideologia de gênero, pela extinção das nacionalidades e pelo desfazimento das culturas dos países numa massa planetária.

Essa ofensiva preocupa as pessoas bem orientadas e foi abordada no Colóquio. Mas, estranhamente, o tema foi misturado com uma propaganda de Moscou que conduzia no sentido oposto do prometido.

Um exemplo revelador é o conceito de “mundo multipolar” de Aleksandr Dugin. Esse conceito esteve no centro do evento em Paris e foi apresentado como uma alternativa radical ao líder do Ocidente: os EUA.

Mas, o que é o Ocidente na visão do “Rasputin” do Kremlin? , perguntou Smits

Em momento algum se falou do Ocidente cristão que levou o Evangelho ao mundo inteiro.

O cristianismo do 'maître-à-penser' de Putin varre o catolicismo e instala o monopólio do Patriarcado de Moscou submisso ao Kremlin.
O cristianismo do 'maître-à-penser' de Putin varre o catolicismo
e instala o monopólio do Patriarcado de Moscou submisso ao Kremlin.
No centro da multipolaridade duguiniana há uma polaridade única: a do cristianismo ortodoxo cismático de Moscou. É uma troca enganosa.

O Patriarcado de Moscou foi criado pelos czares como uma “Terceira Roma”, que desconhecia a Roma dos Papas (a primeira Roma) e Constantinopla (a segunda Roma).

Depois foi extinto, em função de cálculos de interesse e o capricho dos czares e a expansão do Império moscovita.

No século XX, ele foi restaurado pelo bolchevismo em troca do engajamento pelo socialismo e pelo comunismo.

A multipolaridade religioso-cristã duguiniana reduz o cristianismo ao monopólio do Patriarcado de Moscou.

Ele é erigido em única igreja representativa da “Grande Rússia”, a qual por sua vez é proclamada “potência soberana e autônoma” única, imperial e invasora. E o Patriarca é mero servidor desse projeto.

Em janeiro de 2015, explicou Dugin com termos leninistas: “Não haverá Grande Rússia sem grandes conflitos. Uma prosperidade pequeno-burguesa jamais nos conduzirá à grandeza. Espero uma Grande Rússia por meio de grandes abalos”.

Assim, a multipolaridade duguiniana resulta na hegemonia russa centrada com exclusividade no Kremlin e em seu submisso Patriarca de Moscou.

As críticas às intenções mundialistas de reprimir a natalidade se desfizeram na hora em que escritores pela vida – mas também por Putin – manifestaram grande hostilidade à expansão demográfica africana.

Num vídeo religiosos do Patriarcado de Moscou beijam a mão de Vladimir Putin
Num vídeo religiosos do Patriarcado de Moscou beijam a mão de Vladimir Putin
Eles culpam essa última pelo “aquecimento global”! Mas ao mesmo tempo afirmam que dito aquecimento é uma invenção globalista para montar uma ditadura à qual os agentes putinianos pretensamente se opõem!

Quem decifra tão ovante contradição?

Mas isso foi apenas o começo das descobertas de Jeanne Smits que não conseguia acreditar no que via e que entrava por seus ouvidos.


Continua no próximo post: Doutrina ocultista anticristã assoma por trás do “cristianismo putinista”


domingo, 22 de janeiro de 2017

Álcoois pesados matam milhares
numa Rússia sem religião

O drama de Irkutsk e da Rússia numa ilustração do The Guardian
O drama de Irkutsk e da Rússia numa ilustração do The Guardian
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Um dos mais deploráveis vícios que consomem a população russa é a bebedeira. Não é novo, vem de séculos.

Mas a chamada Igreja Ortodoxa russa, que deveria ensinar a moral e promovê-la, nada fez para acabar com esse flagelo. Pelo contrário, muitos de seus religiosos e hierarcas são conhecidos pelo povo por seu homérico abuso do álcool.

Tampouco fez nada o comunismo soviético que, aliás, via na vodca um instrumento para avassalar a população.

Vladimir Putin, falsamente tido como moralista e cristão, também explora e promove esse vício como recurso de abaixamento e anestesia da população.

O vício está especialmente espalhado entre os homens – embora muitas mulheres não estejam isentas – e é o grande causante da baixíssima expectativa de vida deles na Rússia, uma das menores do mundo.

Porém, o grau de degradação a que chegou nessa matéria a “URSS 2.0” nos últimos anos estarrece até os próprios russos.

domingo, 18 de setembro de 2016

O cristianismo e a família esmagados na Rússia

O cristianismo é promovido enquanto instrumento de domínio político
O cristianismo é promovido enquanto instrumento de domínio político
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O historiador francês Philippe Fabry registrou em seu blog uma estranha contradição em seu país. Políticos e jornalistas que oscilam entre os partidos de direita passaram repentinamente a ecoar uma imagem que parece ter sido mandada fazer pelo Kremlin.

Entre eles, cita o político e ensaísta Yvan Blot, que passou a defender que o regime de Putin é o guardião dos valores tradicionais do cristianismo e da família, e que a “nova Rússia” seria uma espécie de baluarte no qual o Ocidente deve se apoiar para não afundar na decadência.

Fabry relembra então alguns dados de conhecimento geral que são omitidos por essa visualização:

— a “nova Rússia” pseudo-cristã, cuja população é mais do que o dobro da francesa, aborta proporcionalmente duas vezes mais crianças (800.000 por ano) do que a França laicista (200.000).

— a “nova Rússia” é o primeiro consumidor mundial de heroína. Embora esse extenso país represente apenas 2% da população mundial, consome 21% da produção planetária dessa droga pesada. Trata-se de uma herança recebida por Putin, mas não se tem notícia de que ele aja eficazmente para extirpar o vício que devora a nação.

— o desfazimento da família está provocando uma catástrofe demográfica: a população russa – mais de 140 milhões – ruma para 80 milhões de habitantes por volta de 2050, segundo as projeções.

domingo, 21 de agosto de 2016

Concílio cismático “ortodoxo” não pôde se reunir
e frustrou plano de Putin

É do interesse da 'nova Rússia' que o Patriarca de Moscou seja tido como chefe máximo dos cismáticos 'ortodoxos'
É do interesse da 'nova Rússia' que o Patriarca de Moscou
seja tido como chefe máximo dos cismáticos 'ortodoxos'
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Na história da Igreja já houve muitos cismas, ou seja, setores da Igreja presididos por Bispos e até por Patriarcas que se separaram da Santa Sé, desconhecendo sua autoridade, jurisdição e obediência.

O maior deles foi o do Oriente, operado em 1054 e encabeçado por Miguel Cerulário, então Patriarca de Constantinopla (hoje Istambul). Ele arrastou consigo muitos bispos do Oriente, que costumam ser chamados de “ortodoxos”.

Houve então pretextos teológicos relacionados com a doutrina da Santíssima Trindade. Com o tempo, a divergência inicial foi se agigantando e abrindo um abismo com novos erros, heresias e desordens canônicas insondáveis.

Tendo recusado a autoridade suprema do Papado, os cismáticos “ortodoxos” não demoraram em recusar a autoridade uns dos outros. Assim geraram eles igrejas horrivelmente brigadas entre si, por vezes presididas por patriarcas fraudulentos. Essas “igrejas ortodoxas” hoje são quase mil!

O Patriarcado de Moscou resulta de uma dessas rachaduras indisciplinadas e heréticas. Foi criado em 1589 pelo czar Teodoro I da Rússia, que queria um apoio religioso para expandir seu império até o Mediterrâneo.

Dito Patriarcado foi suprimido pelo czar Pedro o Grande em 1721. Foi reconstituído na sua forma atual em 1917 no ambiente da Revolução Comunista de Lênin.

Desde então ele foi servindo ao ditador marxista de turno que o fechou em 1925 porque o Patriarca Tikhon manifestou desacordo com o massacre de religiosos e até teria se mostrado favorável aos "russos brancos" contrários aos "vermelhos" socialistas.

A igreja ortodoxa russa é uma das pontas do tridente político de Putin.
A igreja ortodoxa russa é uma das pontas do tridente político de Putin.
Voltou a ser restaurado por Stalin em 1943, após os líderes “ortodoxos” jurarem fidelidade absoluta ao regime e aos interesses soviéticos. Stalin precisava deles para mobilizar o povo no esforço de guerra contra o invasor nazista.

Incapazes de reconhecer qualquer autoridade ou doutrina unificadora, as igrejas “ortodoxas” sempre foram dependentes do poder temporal da região ou do momento.

Vladimir Putin achou conveniente tirar o Patriarcado de Moscou da vergonhosa situação em que jazia, por ser do interesse da “nova URSS”. Mais ainda, quer constituí-lo líder de todas as igrejas “ortodoxas” do mundo.

O Patriarca Kirill, colega de Putin na (ex-)KGB, ficaria encarregado de colocar a canga moscovita sobre as “igrejas ortodoxas” que até agora estão desorganizadas constituindo um pântano em contínuo conflito.

Reunir esse amálgama de entes caóticos interessa também ao “progressismo católico” com vistas a tocar adiante o “ecumenismo”. Porque a desordem em que afundou torna impossível todo esforço de convergência religiosa relativista.

Com vantagem para uns e para outros, ficou marcada para 2016 a realização na ilha de Creta do primeiro Concílio “ortodoxo” da História. Nele se veriam as caras patriarcas, metropolitas e outros líderes cismáticos, ora amigos, ora inimigos.

Eles tentariam se por de acordo em algo, ainda que confuso e imperfeito, seja doutrinário ou disciplinar.

Mas, previamente à reunião, a delegação do Patriarcado de Moscou, obediente a Putin, apresentou condições que acabaram inviabilizando-a, como comentou o vaticanista Sandro Magister.

Também renunciaram a comparecer os patriarcados de Antioquia, da Bulgária e da Geórgia, envolvidos em desacordos irremediáveis.

Putin precisa bancar de 'ungido' pela religião cismática, que ele segura com punho de ferro!
Putin precisa bancar de 'ungido' pela religião cismática,
que ele segura com punho de ferro!
Moscou exigiu oficialmente que os Greco-católicos ucranianos e da chamada “igreja ortodoxa autocéfala” – muito presentes na América do Norte e na Ucrânia – fossem submetidos à sua autoridade.

Tal submissão teria sido um grande triunfo de Putin e uma inacreditável capitulação do Vaticano, que favorecia esse concílio pan-ortodoxo.

O vaticanista Sandro Magister reproduziu o artigo “As verdadeiras razões do naufrágio”, de autoria de Alexei Tchoukhlov, constatando o fracasso da assembleia, a única que poderia ter-se realizado em mil anos de cismas e disputas.

Segundo Tchoukhlov, os documentos pré-confeccionados estavam prenhes de lugares comuns típicos da deplorável qualidade teológica e religiosa do mundo “ortodoxo”.

No fim, em Creta foi o fiasco. Os que acabaram comparecendo representavam uma fração fracativa das quase mil “igrejas ortodoxas” no mundo.

Tchoukhlov definiu o encontro de “espetáculo tristemente ridículo”.

Mas tanto em Moscou e quanto nas dependências vaticanas o mesmo foi pranteado como um fracasso da política de convergência com o comunismo metamorfoseado instalado na Rússia.



domingo, 1 de maio de 2016

Personalidades pedem perdão
pelos crimes anticatólicos do Patriarcado de Moscou

Na farsa conhecida como 'Sínodo de Lvivi' em 1946, por ordem de Stalin o Patriarcado de Moscou fechou a igreja greco-católica.
Na farsa conhecida como 'Sínodo de Lviv' em 1946,
por ordem de Stalin o Patriarcado de Moscou
fechou a igreja greco-católica.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs



Dezoito [e o número vem crescendo] personalidades russas e ucranianas “ortodoxas” publicaram um pedido de perdão ao rito greco-católico pelo crime de supressão do Catolicismo praticado pelo Patriarcado cismático de Moscou, informou a agência Zenit.

O atroz atentado foi efetivado em conluio com a ditadura comunista soviética, e aconteceu em 10 de março de 1946, há 70 anos.

“Nós lhes pedimos humildemente perdão por todas as injustiças das quais foram vítimas com a cumplicidade da autoridade da Igreja Ortodoxa e nos curvamos perante os mártires da Igreja greco-católica ucraniana”, diz o documento, intitulado “É urgente para os cristãos ortodoxos reconhecer a terrível verdade do 10 de março de 1946”.

Naquela data, um ilegítimo “Sínodo de Lviv” declarou extinta a Igreja Católica, confiscou todos os seus bens e os entregou ao Patriarcado de Moscou. Esse Patriarcado é hoje presidido pelo patriarca Kirill, que assinou recentemente, junto com o Papa Francisco, a Declaração de Havana.

O pedido de perdão foi entregue à agência Zenit por um dos signatários, Antoine Arjakovsky, diretor emérito do Instituto de Estudos Ecumênicos de Leópolis, diretor de pesquisa no Collège des Bernardins, de Paris, e autor do livro O que é a Ortodoxia?.

Entre os co-signatários figuram os sacerdotes Georges Kovalenko, André Doudtchenko, Michael Plekon, Christophe Levalois, André Louth, a poetisa e professora universitária russa Olga Sedakova, os filósofos Bertrand Vergely e Constantin Sigov, o presidente de Acer-Mjo [Ação Cristã de Estudantes Russos – Movimento de Juventude Ortodoxa] Cyrilo Sollogoub, o escritor americano Jim Forest, o professor universitário Daniel Struve, entre outros.

domingo, 18 de maio de 2014

Agressão russa à Ucrânia é também religiosa

Soldados ucranianos em operação anti-terrorista
Soldados ucranianos em operação anti-terrorista
Os temores de uma Terceira Guerra Mundial crescem em torno dos atritos no leste da Ucrânia.

O capitalismo publicitário fornece abundantes informações e comentários, meros ecos, por vezes, da contra-informação forjada nos gabinetes de guerra psicológica de Putin.

Porém, marginaliza a informação sobre outros aspectos, e dos mais importantes. Em Donetsk, por exemplo, segundo notícia da agência AFP, uma das poucas a furar a barreira da desinformação, a oposição entre pró-Rússia e pró-Ucrânia passa também pela religião.

Diversos templos que obedecem ao Patriarcado cismático de Moscou assumiram a causa dos “pró-russos”. Mas, o contrário se da entre os católicos.
“Temos que agradecer a Putin pelo fato de nos ter ajudado a entender que nós somos ucranianos. A agressão contra a Ucrânia nos ajudou a reforçar nossa identidade”, afirma o Pe. Tikhon, 43 anos, sacerdote do rito greco-católico.