sábado, 7 de dezembro de 2019

Imaculada Conceição: “um cavaleiro vai entronizá-la no topo do Kremlin”, previu São Maximiliano Kolbe

Imaculada Conceição, Sevilha. No fundo: o Kremlin na noite
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




No segredo de La Salette encontramos uma descrição que parece se aplicar a nossos dias onde campeia o pecado, o crime, a desordem e a impiedade.

Em consequência desse estado de revolução profunda contra a ordem da Criação adviriam imensas calamidades regeneradoras e purificadoras da Igreja e da ordem temporal.

Mensagem de todo análoga encontramos em Fátima, onde Nossa Senhora acrescentou profeticamente que a Rússia espalharia seus erros – quer dizer o comunismo – e se transformaria no flagelo do mundo.

Porém, após colossais eventos que incluiriam a desaparição de nações, a Rússia haveria de se converter e o Imaculado Coração de Nossa Senhora triunfará, e a humanidade será restaurada.

Uma confirmação colateral mas preciosa a estas grandes profecias foi feita pelo Padre Maximiliano Maria Kolbe O.F.M. Conv. (1894 – 1941). Ele nasceu na Polônia, país onde exerceu o principal de seu apostolado, e foi canonizado em 1982.

Em Roma, no dia 11 de fevereiro de 1937, São Maximiliano Kolbe, durante solene encerramento da Academia da Imaculada, na presença de cardeais, bispos, nobres, professores e representantes das maiores ordens religiosas fez profecia que impressionou profundamente aos presentes:

“Aguardemos cheios de fé o dia em que um cavaleiro da Imaculada vai hastear bem alto acima do Kremlin em Moscou o estandarte branco da Imaculada”.

São Maximiliano Maria Kolbe O.F.M. Conv.
(1894–1941)
Seus historiadores duvidam que ele tivesse conhecimento da Mensagem de Fátima, que viria a ser vertida ao papel pela irmã Lúcia poucos anos depois.

A primeira redação do Segredo de Fátima é datada de 31 de agosto de 1941, portanto poucos dias depois do martírio de São Maximiliano em Auschwitz no dia 14 de agosto do mesmo ano.

Esta confirmação inspirada pela graça ao santo sacerdote polonês foi rodeada de circunstâncias que a crítica histórica pesquisou e revelou com grande número de pormenores dignos de fé.

Essa é a matéria deste post.


Alguns dados da vida de São Maximiliano Kolbe

Ele fundou junto com seis jovens frades a Milícia da Imaculada em 16 de outubro de 1917, em Roma.

A Milícia da Imaculada tinha como lemas “Ela te esmagará a cabeça” (Gen III, 15) e “Sozinha, venceste todas as heresias no mundo inteiro”.

As finalidades dessa Milícia eram a conversão dos pecadores, dos hereges, dos cismáticos, dos judeus, e especialmente dos maçons, e a santificação de todos.

Isso se faria pelo oferecimento total de seus membros como instrumentos das mãos imaculadas de Maria, em sinal do qual levariam sempre a Medalha Milagrosa.

Os meios a empregar seriam, a penitência, o oferecimento a Deus dos cansaços e sofrimentos, a oração à Imaculada com a jaculatória:

“Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vos, e por todos aqueles que a vós não recorrem, e principalmente os inimigos da Santa Igreja”.

Em seu apostolado, os frades da Imaculada usariam sobretudo da imprensa e da Medalha Milagrosa.


A previsão do santo

São Maximiliano Kolbe encerrou um Congresso da Academia da Imaculada, na festa de Nossa Senhora de Lourdes, 11 de fevereiro de 1937, no salão da basílica dos XII Apóstolos em Roma.

O evento foi noticiado pelo quotidiano “L’Osservatore Romano”, de 15-16 de fevereiro de 1937.

Na ocasião, o santo afirmou na presença de cardeais, bispos, nobres, professores e representantes das maiores ordens religiosas:

Nossa Senhora de Fátima.
Fundo: Queda dos anjos rebeldes, Pieter Bruegel
“A Imaculada é a vencedora do demônio, é a Mãe de Deus, sempre unida a Deus, cheia de graça, a obra-prima da graça que contém em si toda forma de perfeição e santidade que as criaturas humanas podem atingir.

“A Imaculada é Aquela cujo amor ilimitado e cheio de veneração anseia pela glória de Deus, combate as batalhas de Deus para derrotar o mal, pelo triunfo do bem, esmaga a cabeça do monstro infernal e destrói todas as heresias do mundo.

“Rezemos à Imaculada, confiemos na Imaculada, Ela é a vencedora, aguardemos cheios de fé o dia em que um cavaleiro da Imaculada vai hastear bem alto acima do Kremlin em Moscou o estandarte branco da Imaculada”.

Segundo Frei Vittorio Di Lillo, que estava presente no local, as palavras do santo foram interrompidas nesse momento por um estrondoso aplauso.

Nos dias anteriores e posteriores a dito Congresso, São Maximiliano Kolbe havia confidenciado a sacerdotes conhecidos a mesma previsão profética, e em termos idênticos.

Porém, ele tinha acrescentado que “uma prova de sangue seria necessária para a realização desse grande acontecimento”.

O próprio frei Di Lillo deixou o seguinte testemunho escrito:

“Segundo o testemunho de frei Quirico Pignalberi, frei Maximiliano (durante sua visita a Piglio, nos dias 5 e 6 de fevereiro do mesmo ano, 1937) afirmou que ‘no próprio centro de Moscou a estátua da Imaculada seria levantada no alto, mas antes que isso tivesse lugar deveria acontecer uma prova de sangue…’

São Maximiliano, acrescenta Frei Di Lillo, ‘repetiu para mim essa frase sobre a prova de sangue vários dias depois em Roma após a conclusão da Academia da Imaculada no convento dos Santos Apóstolos, 11 de fevereiro’.

‘Eu lembro, continua, claramente que nessa ocasião ele apontou que a prova de sangue era necessária. Eu fiquei bastante perturbado por uma previsão tão categórica, mas ele insistiu que acabaria dando certo’.

Esta predição sobre a ereção de uma estátua da Imaculada na Praça Vermelha ou no topo do Kremlin ele a fez também para outros frades.

Todos eles sublinham que o santo sempre mencionava que ‘uma prova de sangue seria necessária para a realização’ desse grande evento.

Falou-se que essa ‘prova de sangue’ poderia ter sido o martírio de São Maximiliano, processos e tribulações sofridos por sua Milícia durante a II Guerra Mundial.

Porém, passaram mais de 40 anos (frei Di Lillo escreveu isto em 1984) e a Imaculada infelizmente, ainda não foi entronizada na cidadela de Moscou [N.R.: nem 79 anos depois: 2016, mas aguardamos com fé que isso aconteça e em relação com Nossa Senhora de Fátima]

O Santo teria querido significar que a ‘prova de sangue’ ainda está para vir? O tempo di-lo-á, concluiu o religioso cronista e testemunha destes anúncios proféticos. (Cfr. Pe. Vittorio Di Lillo, Incontri con Padre Massimiliano, pp. 64-65).

(Fonte: Fr. Peter M. Daimian Fehlner FI, “Roman Conferences of St. Maximilian M. Kolbe”, Academy of the Immaculate, 2004)


domingo, 1 de dezembro de 2019

Bispo lituano narra sua odisseia de fidelidade
no cárcere comunista

Dom Sigitas Tamkevicius, bispo de Kaunas conta sofrimentos e consolações na prisão comunista
Dom Sigitas Tamkevicius, bispo de Kaunas conta
sofrimentos e consolações na prisão comunista
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Dom Sigitas Tamkevicius, bispo de Kaunas, Lituânia, narrou em recente livro os sofrimentos de seu cativeiro nos cárceres soviéticos comunistas, segundo noticiou a agência “Aleteia”.

“Nunca rezei tão intensamente como naqueles momentos. Jesus não me deixou sozinho”, disse, comentando a graça de celebrar a Missa na cela, às escondidas dos algozes.

O padre Sigitas foi preso em 1983 e levado em uma caminhonete da polícia política KGB até um porão escuro que servia de cárcere. Os corredores tinham teto alto, eram estreitos, mal iluminados e sujos.

O policial que o deteve exultou quando soube que tinha preso o sacerdote jesuíta Sigitas, do Comitê de Defesa dos Crentes.

O Comitê redigia a “Crônica da Igreja Católica na Lituânia”. Ela revelava o sistema de opressão e terror antirreligioso no país e era enviada ao exterior. O governo a qualificava de propaganda soviética e só queria prender os redatores.

A “Crônica” nasceu nos anos 70, quando cinco sacerdotes decidiram distribuir textos que confortassem os católicos lituanos e dessem a conhecer ao Ocidente sua situação de opressão. Os sacerdotes informavam tudo ao bispo Dom Vicentas Sladkevicius.

Dom Sigitas Tamkevicius, foto de prisioneiro tirada pela polícia comunista
Eles não podiam de modo algum catequizar, ensinar e evangelizar. Nas poucas Missas permitidas pelo governo, este infiltrava espiões que tomavam nota dos sermões e registravam as pessoas que não fossem as anciãs habituais.

Não era possível construir nem restaurar as igrejas.

Por certo, a Secretaria de Estado do Vaticano devia receber as informações, mas sua política de distensão com o comunismo, ou Ostpolitik vaticana, estava mais preocupada em manter boas relações com os tiranos marxistas do que com o grave dano que estes causavam aos fiéis.

O Pe. Sigitas foi interrogado horas a fio por oito agentes socialistas, dia sim, dia não. Esse regime enlouquecedor se prolongou durante seis meses.

“Deus me deu forças para não delatar ninguém naquele momento terrível, nem mesmo nos momentos em que sentia maior fraqueza.

Porta de uma cela, Museu do genocídio em Vilnius
Porta de uma cela, Museu do genocídio em Vilnius
“‘Não entendo como o senhor pôde aguentar’, comentam as pessoas, achando que eu pude superar aquilo pelas minhas próprias forças”, explica.

“No cárcere, eu pude comprar uns pãezinhos e verifiquei que eram feitos de trigo. Só faltava o vinho. Pedi passas secas à minha família.

“Quando chegaram, precisei encontrar um momento oportuno, pois eu sabia que meu companheiro de cela, como a polícia comunista costumava fazer, era um criminoso comum cujas penas prometeram reduzir caso ele fornecesse informações comprometedoras sobre a minha pessoa.

“Eu ficava de costas para a porta, com uma funda de plástico amarelo para óculos sobre a mesa, onde guardava um pedaço de pão e um pequeno recipiente com passas. Aguardava que o outro estivesse dormindo.

“Então começava a espremer as passas com meus dedos até obter umas gotas de um vinho que, em casos excepcionais, é válido para a Consagração.

Monte das Cruzes, Siauliai, Lituânia
Monte das Cruzes, Siauliai, Lituânia
“Eu me lembrava de cor das orações da Missa. Após consagrar, na hora de consumir o Corpo e o Sangue de Cristo, um gozo indescritível tomava conta de mim.

“Eu experimentava uma alegria maior do que a que senti a primeira vez em que celebrei Missa na catedral de Kaunas. Deus me confortava e me consolava. Eu O sentia ali, a meu lado, de maneira inefável.

“Celebrar Missa naquelas circunstâncias me dava uma fortaleza especial; sem ela, não teria podido resistir. Em certas ocasiões, precisava celebrar deitado na cama, a altas horas da noite, com as Sagradas Espécies sobre o meu peito, convertido em altar.

“Nunca rezei tão intensamente como nesses momentos. Foi um dom de Deus. Eu não pedia a Ele para me libertar, mas punha n’Ele a minha confiança.

Nossa Senhora Porta da Aurora, Vilnius, é uma das grandes devoções dos lituanos
Nossa Senhora Porta da Aurora, Vilnius,
é uma das grandes devoções dos lituanos
“Os braços de Jesus me sustentavam; não me deixou sozinho. Ele foi sempre minha Esperança”, acrescentou o atual bispo de Kaunas.

Seu emocionante relato sai a público junto com o de outros religiosos católicos que padeceram nos sórdidos cárceres marxistas.

Infelizmente, naquela época, enquanto esses Confessores da Fé sofriam horrores, quantos e quantos sacerdotes e bispos entre nós colaboravam com os seus algozes, com a Teologia da Libertação e os inimigos do catolicismo!

Os depoimentos vêm providencialmente a lume numa hora em que tudo parece conspirar contra os bons sacerdotes realmente fiéis a Jesus Cristo e à sua Santa Igreja.



domingo, 24 de novembro de 2019

Holodomor: genocídio de milhões de ucranianos
silenciado pelas esquerdas brasileiras

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Nos milhares de aldeias ucranianas, desertas e em ruínas, perto de grandes cidades como Kharkiv, Kiev e Odessa, ainda parece se ouvir os uivos da fome, escreveu o jornalista Jeffrey D. Stephaniuk, da agência Euromaidanpress, de quem extraímos as citações deste post.

Nessas aldeias ecoa, no silêncio, o brado lancinante do Holodomor, o genocídio pela fome ordenado por Stalin para extinguir os proprietários rurais  e todo um povo que não se vergava à utopia socialista.

Os camponeses e suas famílias não estão mais ali para contar: morreram aos milhões ou fugiram até caírem exaustos numa estação ferroviária onde ninguém os auxiliava.

Aqueles, como foi o caso de alguns mestres de escola, que tentavam atender famílias e crianças que agonizavam extenuadas foram presos pelos agentes comunistas e exilados na Sibéria – de onde poucos voltaram – pelo crime de espalhar rumores a respeito de uma fome que oficialmente não existia.

Não existia por decreto de Stalin, que a tinha ordenado.


Comício da Frente Popular francesa Léon Blum (Partido Socialista), Maurice Thorez (Partido Comunista), Roger Salengro (Partido Socialista). Esquerdas ocidentais democráticas e iluminadas foram cúmplices.
Comício da Frente Popular francesa Léon Blum (Partido Socialista),
Maurice Thorez (Partido Comunista), Roger Salengro (Partido Socialista).
Esquerdas ocidentais democráticas e iluminadas foram cúmplices.

O inexplicável silêncio no Ocidente cooperou para o genocídio

Mas, esta é a curiosidade macabra, o decreto de silenciamento vigorou também no Ocidente, onde admiradores declarados ou velados de Stalin manifestavam ceticismo diante dos relatos, fotos e filmes que evidenciavam essas mortes atrozes de milhões.

Esse viés pró-Stalin se manifestava até nos púlpitos religiosos, inclusive católicos.

Como pode ter isso acontecido? Como foi possível que democratas, liberais, humanitários, líderes políticos cristãos e até eclesiásticos insuspeitos de comunismo cooperassem tão eficazmente no abafamento desse genocídio?

Aliás, em certo sentido, eles continuam cooperando, silenciando ainda hoje os efeitos assassinos do flagelo comunista contra os quais Nossa Senhora em Fátima quis advertir os homens.

Sobre essa espantosa cumplicidade ocidental e seus efeitos no III milênio, veja o clarividente manifesto do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira: Comunismo e anticomunismo na orla do III milênio: uma análise da situação no mundo e no Brasil

O biógrafo Ian Hunter citou um alto eclesiástico anglicano da Inglaterra que elogiava Stalin pela sua “determinação e gentil generosidade”.

Malcolm Muggeridge, que passou oito meses na URSS entre 1932-33, não encontrava palavras para descrever a fome na Ucrânia resultante da coletivização das terras e a luta de classe contra os proprietários, “por causa do indescritível horror e a magnitude” do fato.

À Ucrânia poderiam se aplicar as Lamentações de Jeremias quando falam da fome em Jerusalém no ano 586 a.C.

O mais doloroso subproduto dessa desgraça foi o canibalismo que chorou o profeta:

8. Het. Agora, seus rostos ficaram mais sombrios do que a fuligem; pelas ruas, são irreconhecíveis. A pele se lhes colou aos ossos, e qual madeira ressecou-se.

9. Tet. As vítimas do gladio são mais felizes do que as da fome, que lentamente se esgotam pela falta dos produtos da terra.

10. Iod. Mãos de mulheres, cheias de ternura, cozinharam os filhos, a fim de servirem de alimento” (Lamentações, 4, 8-10)

Geografia da grande fome comunista de 1932-1933
Geografia da grande fome comunista de 1932-1933
Muggeridge estava convencido de que “foi um dos mais monstruosos crimes da História, de tal maneira terrível que o povo no futuro dificilmente poderá acreditar que algo assim aconteceu alguma vez”.

Para muitos, a fome era um castigo que mereciam por terem apoiado os comunistas nos anos precedentes. Muitos acharam que os comunistas agiram como látego de Deus.

Miron Dolot descreve em outro livro o povo clamando a Deus contra o furor de Satanás que se abatia sobre ele.

Prelúdio da descristianização do “período pós-conciliar”?

A transição para o ateísmo nas cidades e no campo tinha se iniciado anos antes. As cruzes haviam sido derrubadas e em seu lugar ondeavam bandeiras vermelhas. Os altares foram removidos dos santuários.

Outrora, nas casas, aos pés de um ícone os camponeses colocavam um pão “como símbolo da generosidade de Deus”, escreve Miron Dolot em “Execution By Hunger”.

Mas, sob o socialismo, instalou-se o desespero nas casas, onde se morria silenciosamente de fome. Foi uma brutal transformação dos meios de produção, que passaram das mãos de particulares para as do Estado por ordem de Stalin.

Antes da fome, as aldeias começaram a se proclamar ateias e banir os clérigos. Pilhas de Bíblias e de ícones foram queimadas em público. O Natal passou a ser um dia de trabalho e os sinos foram fundidos para favorecer a industrialização.

Até que chegou a fome.

As cerimônias religiosas cessaram. O Natal de 1933 foi o primeiro a não ser mais celebrado. Depois não houve festa de Páscoa na primavera. Não havia mais locais de culto e nem mesmo clero.

Por volta de 1933, o sistema de espionagem da polícia secreta e das ligas da juventude comunista havia desintegrado o senso da comunidade. O povo se trancava nas casas para aguardar a morte.

Os recintos sagrados vinham sendo transformados em teatros ou museus do ateísmo. Nas aldeias, as igrejas viraram locais de reunião do Partido Comunista. Os ícones e as pinturas mais veneradas foram substituídos por imagens do Partido Comunista e de seus líderes.

As orações foram substituídas por cânticos de ódio, e nos estandartes expostos nas igrejas lia-se: “a religião é o ópio do povo”. E, ainda, “é impossível construir um assentamento coletivo onde há uma igreja”, ou “em vez dos sinos, gozemos o ruído dos tratores”.

As igrejas convertidas em depósitos ficavam, durante os tempos da fome, cheias de grãos protegidos por guardas armados, numa blasfema paródia do morticínio de massa: outrora elas eram a casa do Santíssimo Sacramento, visível na Santa Eucaristia, que alimentava espiritualmente os fiéis que comungavam.

Ironicamente, o trigo, produzido com as próprias mãos e com o qual se confeccionava a hóstia que seria oferecida a Deus no sacrifício incruento da Missa, havia sido confiscado e guardado nos templos por agentes marxistas, para que os camponeses morressem sem alimento.

Ateização por meio da reforma agrária

Enterro dos restos das vítimas pela fome e repressão de 1946-47 achados na estação 'Pidzamche' em Lviv
Enterro dos restos das vítimas pela fome e repressão de 1946-47
achados na estação 'Pidzamche' em Lviv
O trigo seguia depois para as cidades, e também para o exterior, onde líderes marxistas e não-marxistas comemoravam o sucesso produtivo da reforma agrária socialista.

Até o Holodomor, a família camponesa ucraniana típica concebia grande número de filhos. Ela passou a ser acusada de “inimigo de classe” por gerar tantos súditos.

As crianças que sobreviveram ficaram órfãs, pois os pais haviam se sacrificado por elas. Mas acabaram se alistando em gangues que pilhavam as cidades. Como o comunismo desejava formar um tipo humano novo, quis transformá-las no homem soviético.

Myroslav Shkandrij, em Fiction by formula: the worker in early Soviet Ukrainian prose, descreve o novo tipo humano como “um ser reduzido pelo Partido a um estado de desorganização e desmoralização”, que poderia ser modelado como massa para gerar um homem conforme aos ideais socialistas.

O Cristianismo ensina que o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus e foi redimido por Cristo. A coletivização socialista da agricultura visou destruir essa ideia, corporificada no proprietário.

Por isso, os antigos proprietários – inclusive os menores – foram violentamente excomungados do mundo novo do socialismo, sem ter um lugar na Terra aonde ir.

O dono da terra passou a ser apresentado como um opressor do proletariado pobre e marginalizado.

O fazendeiro estava do lado errado da equação marxista por se encontrar espiritual e juridicamente relacionado com a terra através da propriedade privada.

Todos os crimes da reforma agrária faziam sentido porque impulsionavam a transição do capitalismo para o socialismo e o comunismo.

Aldeias inteiras foram condenadas à morte pela fome por se negarem a entrar nessa evolução progressista.

Deve-se sublinhar que nas regiões – maioritárias, aliás – atingidas pelo flagelo russo-marxista do Holodomor, predominava a religião dita “ortodoxa”, um cisma do catolicismo.

O clero “ortodoxo”, em vez de pregar contra o monstro marxista, “virou a casaca” e se tornou um vil colaborador do carrasco socialista.

O grande clamor aos Céus pedindo a vingança divina

O heroico metropolita greco-católico de Lviv, Andrei Sheptytsky, impulsionou o vibrante apelo.
O heroico metropolita greco-católico de Lviv, Andrei Sheptytsky,
impulsionou o vibrante apelo.
O único grande clamor pela nação chacinada proveio da parte ocidental da Ucrânia, onde predominavam os católicos, cujos bispos lançaram um lancinante apelo ao mundo.

Em julho de 1933, a hierarquia católica ucraniana de Halychyna [Galícia, ocidente da Ucrânia] fez esse apelo.

Ele foi publicado primeiro no jornal “Pravda” (“A Verdade”) XII nº 30, do dia 30 de julho de 1933. Ele foi reproduzido posteriormente no livro do bispo Ivan Buchko First Victims of Communism: White Book on the Religious Persecution in Ukraine, publicado em Roma, em 1953.

O apelo dos bispos católicos ucranianos descreve as atrocidades que aconteciam no leste de seu país sob a bota bolchevista.

“Agora vemos as consequências do regime comunista: a cada dia elas se tornam mais aterradoras. A visão desses crimes horroriza a natureza humana e gela o sangue. (...)

“Protestamos diante do mundo inteiro contra a perseguição de crianças, pobres, doentes e inocentes. Por outro lado, citamos os perseguidores diante do Tribunal de Deus Todo-poderoso.

O sangue dos trabalhadores famintos e escravizados tinge a terra da Ucrânia e clama aos Céus pedindo vingança, e o pranto das vítimas consumidas pela forme chega até Deus no Céu.

“Imploramos aos cristãos de todo o mundo, a todos aqueles que acreditam em Deus, e especialmente aos nossos compatriotas, a se unirem ao nosso protesto para tornar nossa grave denúncia conhecida até nos cantos mais remotos da terra.

“Pedimos às emissoras de rádio retransmitir nossa voz pelo mundo todo; talvez ela chegue até os empobrecidos e desolados lares que gemem na fome sob a perseguição.

“Então, pelo menos tendo conhecimento de que estão sendo lembrados, de que há pessoas que têm piedade de seus irmãos em terras remotas, eles se sintam confortados pelas suas orações e encontrem uma consolação em meio a indizíveis sofrimentos e à morte iminente.

“Para todos vós, sofredores, famintos, moribundos, nós imploramos a Nosso Senhor Misericordioso e Nosso Salvador Jesus Cristo:

“Aceitai esses sofrimentos em reparação por vossos pecados e pelos pecados do mundo, repetindo com Nosso Senhor: ‘Pai nosso que estas no Céu. Que vossa vontade seja feita’.

“Aceitar voluntariamente a morte pelas mãos de Deus é um oferecimento que, unido ao sacrifício de Cristo, vos conduzirá ao Paraíso e atrairá a salvação para todo o povo. Depositemos nossas esperanças no Senhor.

“Dado em Lviv, na festa de Santa Olga, julho de 1933.”

Assinam: o metropolita Andrés Sheptytskyi; Dom Gregório Khomyshyn, bispo de Stanyslaviv; Dom Josafá Kotsylovskyi, bispo de Peremyshy; Dom Gregório Lakota, bispo auxiliar de Peremyshyl; Dom Niceta Budka, bispo titular de Patara; Dom João Buchko, bispo auxiliar de Lviv, e Dom João Latyshevskyi, bispo auxiliar de Stanyslaviv.


segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Mercenários russos no Chile e na Bolívia até Síria e África Central

Evgeny Prigozhin, chefe da 'Wagner'. Objetivo é eliminar os opositores de Putin em qualquer lugar.
Evgeny Prigozhin, chefe da 'Wagner'.
Missão é eliminar os opositores de Putin em qualquer lugar.
Luis Dufaur
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Em setembro ficaram mais uma vez em evidência: 35 mercenários russos pereceram combatendo perto de Trípoli, capital da Líbia.

O site russófono Meduza, sedado na Letônia, divulgou que pertenciam à milícia privada “Wagner”.

Essa milícia conta com 5.000 mercenários e é criação de Evgeni Prigozhin,

58 anos, um “oligarca” a serviço de Vladimir Putin. Os mortos caíram guerreando contra o governo líbio.

O comandante Alexander Kuznetsov foi ferido e descoberto na Líbia.
O comandante Alexander Kuznetsov
foi ferido e descoberto na Líbia.
O fato teria ficado ignorado se o chefe da facção russa não tivesse sido ferido e levado de urgência a um hospital de São Petersburgo, segundo informou a revista francesa “Le Point”.

Tratou-se de Alexander Kuznetsov, alias “Ratibor”, que já passou pelos cárceres por assaltos e sequestros e já posou em 2016 no Kremlin à direita de Putin, no dia que recebeu dele pela quarta vez a Comenda da Coragem.

“Wagner” já enviou mercenários para 13 países africanos.

Na República Centro-Africana, fornece os guarda-costas dos chefes das minas de diamante e ouro e suas tropas custodiam os depósitos de materiais preciosos.

Kuznetsov já trabalhou para o falecido ditador terrorista Kadafi.

Ele é um assíduo de Moscou onde intercambia decisões com o chefe da “Wagner” Evgeni Prigozhin, apelidado de “cozinheiro chefe” de Putin.

Milicianos da 'Wagner' na Síria.
Milicianos da 'Wagner' na Síria.
No Sudão “Wagner” defendeu ao ditador Bashir. Em Moçambique 200 milicianos desembarcaram com 3 helicópteros de ataque para salvar o governo.

Ainda na África, o “comissário” Prigozhin tenta construir parcerias com a República Democrática do Congo, Moçambique, Zimbábue, Angola, Guiné-Bissau e Madagascar.

Ele confiou a direção operacional de “Wagner” a um agente do GRU, o serviço de inteligência militar russo, Dmitri Outkine, condecorado por Putin em 2016, e conhecido por carregar uma tatuagem de suástica no ombro e um capacete com chifres durante os combates.

Prigozhin mobiliza na Síria entre 2.000 e 4.000 homens, pagando US $ 2.700 por mês. Damasco lhe concedeu 25% da produção local de petróleo “liberado”.

“Wagner”  sofreu uma hecatombe na Síria, em 2018, na região de Deir ez-Zor, quando aviões americanos interromperam uma ofensiva em que participavam.

Em verdade, “Wagner” aparece como o instrumento destinado a restaurar a grandeza da Rússia que é prioridade aos olhos de Putin.

Moscou tira o corpo alegando que “pouco se pode fazer para impedir que um cidadão russo se torne guarda-costas no exterior”, como disse Maria Zakharova, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.

Mais recentemente, a milícia privada “Wagner” mostrou suas garras na América do Sul. Com maior destaque na Venezuela, no Equador, no Chile e na Bolívia.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, expressou certa vergonha durante discurso televisionado na TV nacional Rossiya 1, para explicar o envio de 400 mercenários da “Wagner” à Venezuela.

Eles estão em Caracas para proteger o presidente Nicolás Maduro, disse a Reuters citada pela revista “Le Point”.

Os treinos na África Central são em russo
Os treinos na África Central são em russo
Mas também na Venezuela devem salvar os bilhões de dólares em contratos que Nicolás Maduro prometeu a Moscou em troca de armas, dólares e “serviços”.

Prigozhin administra também uma fábrica de trolls muito ativa para interferir na campanha presidencial dos EUA. Seu histórico é de um ex-gângster condenado em 1981 a 9 anos de prisão por roubo, fraude e participação em uma rede de prostituição de menores.

Na gíria da Internet, “troll” ou “trol” é um agente cujo comportamento tende sistematicamente a desestabilizar uma discussão e a provocar e enfurecer as pessoas.

O termo provém da expressão trolling for suckers (“lançando a isca aos trouxas”).

As “fábricas de trolls” visam desestabilizar um adversário, ou espalhar falsas notícias, com campanhas sistemáticas e massivas de “guerra da informação” pela Internet.

A organização mercenária de Prigozhin é financiada com um contrato de mão beijada de Putin pelo valor de US $ 1 bilhão para abastecer as cantinas escolares e militares do país.

Seu nome surge sempre quando se procura o cérebro das centrais de “trolls” destinadas a inundar as redes sociais com notícias falsas e prejudicar a reputação dos adversários.

Wagner na Venezuela.
Wagner na Venezuela.
Nas fábricas de “trolls” do "cozinheiro chefe" de Putin, trabalham quase 500 pessoas, diz "Le Point".

Seu auge foi a interferência na campanha presidencial do democrata americana. Agora estaria muito ativa visando incitar as revoltas no Chile, Equador, Colômbia, Bolívia, escreveu o ABC de Madri.

Teria enviado homens e armas em quantidade para desencadear um caos na Argentina caso o candidato peronista Alberto Fernández não tivesse sido eleito.

O chefe interino da diplomacia americana para a América Latina, Michael Kozak, garantiu que os EUA identificaram mensagens nas redes sociais para estimular as manifestações no Chile provenientes de “perfis falsos” gerados na Rússia, difundiu MSN Notícias.


Vitaly Bespalov ex-empregado da "fábrica de trolls" conta como funcionava antes de mudar de endereço





domingo, 10 de novembro de 2019

A Suécia se arma em face da atividade naval russa

Submarino nuclear russo teria afundado em águas suecas
Submarino nuclear russo teria afundado em águas suecas
Luis Dufaur
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Tida outrora como modelo de pacifismo e neutralidade face à Rússia, hoje a Suécia mudou e se embarcou num vasto programa de rearmamento.

Ela quer dissuadir aventuras do Kremlin. Em setembro anunciou uma taxa bancária para financiar um aumento de 35% em seu orçamento militar de 2022 a 2025, chegando ao equivalente a US$ 7,7 bilhões (R$ 32 bilhões), ou 1,5% do Produto Interno Bruto do país, informou reportagem da Folha de S.Paulo.

A Marinha reativou o quartel-general de Muskö, enorme instalação subterrânea da Guerra Fria capaz de suportar ataques nucleares.

“Nossa realidade estratégica mudou”, disse o ministro da Defesa, Peter Hulqvist, no lançamento do caça Saab Gripen na versão para o Brasil.

A Força Aérea Sueca encomendou mais 60 unidades desse avião de combate. A decisão foi apoiada pela oposição.

O temor oficial é tanto que, em 2018, o governo distribuiu panfletos a todos os suecos com orientações em caso de invasão estrangeira, fato que não acontecia desde 1961.

Saab Gripen, força aérea sueca encomendou mais 60 unidades
Saab Gripen, força aérea sueca encomendou mais 60 unidades
Abrigos nucleares foram reativados, e em 2017 o alistamento militar voltou a ser obrigatório.

Foi militarizada a estratégica ilha de Gotlândia, no Báltico, alvo tático primário em caso de conflito entre Rússia e Ocidente.

“Isso tudo é paranoia para trazer mais tropas contra o oeste da Rússia”, tentou revidar Mikhail Barabanov, analista militar russo do Centro de Análises de Estratégias e Tecnologias.

A Suécia não está na Otan e se fosse agredida por Moscou, os aliados não teriam obrigação de defende-la.

Mikhail Saakashvili, presidente da Geórgia na guerra com a Rússia de 2008, disse à “Folha de São Paulo” que a Suécia é o país nórdico mais exposto.

Saakashvili anteviu a tomada da Crimeia pelo Kremlin em 2014 e a guerra civil no leste ucraniano quando poucos acreditavam nisso.

Mikael Hölmstrom, do jornal Dagens Nyheter lembra que o oba-oba do fim da Guerra Fria em 1991 relaxou os políticos suecos, “e isso foi ingênuo”.

Nos anos 1990, as Forças Armadas caíram de 850 mil homens disponíveis para os atuais 50 mil, 30 mil deles em serviço ativo. O gasto com defesa caiu de 2,5% do PIB em 1988 para o 1% de hoje.

O Exército perdeu 93% de suas unidades e equipamento, a Força Aérea, 85%, e a Marinha, 72%.

“A guerra não pode mais ser excluída”, afirmou o Comitê de Defesa do Parlamento.

Uma nova geração de submarinos nucleares russos, da classe do desastrado Kursk,
visa recuperar o poder soviético no Atlântico Norte
A Suécia voltou a apostar no poderio aéreo e está lançando novos submarinos, estreitou a cooperação com a Otan, e participou do maior exercício militar da aliança em décadas que engajou 50 mil homens perto da fronteiriça Noruega.

O território russo mais próximo é Kaliningrado, encrave entre Polônia e Lituânia, que possui sistemas antiaéreos e de mísseis.

Moscou propagandeia que eles podem “fechar” boa parte do espaço aéreo do Báltico, mas segundo estudo da Agência Sueca de Pesquisa de Defesa, isso é relativo.

Em 2013, dois bombardeios escoltados por quatro caças russos voaram direto para Estocolmo, e só para voltar no limite das águas territoriais.

Foi um teste-simulação de um ataque nuclear.

A Rússia não fica quieta e lançou o maior exercício de submarinos no Atlântico Norte desde o fim da Guerra fria, denunciou o Estado maior norueguês.

Uma dezena de submarinos, oito deles nucleares, partiram da península de Kola, para manobras que deviam durar dois meses, segundo a televisão pública NRK, citada pela revista francesa “L’Express”.

“Há intensa atividade no Atlântico Norte”, disse o porta-voz do Estado maior norueguês Brynjar Stordal. A Rússia está conduzindo a mais vasta operação de submarinos “desde a Guerra Fria em termos de recursos engajados simultaneamente”, acrescentou.

Os submarinos russos tentam penetrar o mais longe possível sem serem percebidos no oceano pelo oeste da Groenlândia.

O submarino B-534 Nizhniy Novgorod da classe Sierra
O submarino B-534 Nizhniy Novgorod da classe Sierra
Tentam provar sua capacidade para ameaçar a costa leste dos EUA.

As autoridades russas não comunicam essas operações. A Frota do Norte apenas informou que os submarinos nucleares Nijni Novgorod e Pskov, praticaram “imersões profundas para testar certos equipamentos e armas” em águas neutrais do mar da Noruega.

São submergíveis do tipo Kondor que podem lançar mísseis de cruzeiro capazes de detectar e destruir grupes aeronavais inimigos.

Os russos consideram os porta-aviões americanos como maiores adversários no mar, explicou o site “The National Interest”.

Num conflito, esses porta-aviões podem frustrar as tentativas russas de interromper os comboios que levem reforços pelo Atlântico, bombardear a frota russa do Norte e suas bases no Círculo Ártico, além de devastar com bombas atômicas a costa da Federação presidida por Putin.

Outrora, a estratégia soviética visou construir os maiores submarinos jamais feitos, muito pesadamente armados.

Foram planejados vinte, mas só treze saíram dos estaleiros até o desastre do K-141 Kursk, que afundou o 15 de agosto do ano 2000 após explosão registrada pela Noruega como abalo sísmico, perecendo toda a sua tripulação.

A Rússia nunca explicou a morte cruel a que entregou os sobreviventes do acidente do Kursk
Moscou não explicou a morte cruel que deu aos sobreviventes do acidente do Kursk
O inquérito russo não foi convincente e tampouco as teorias conspiratórias.

O mais provável é que o estopim fosse um acidente, banal resultado de um erro químico, segundo “The National Interest”.

Mas, a incógnita perdura. Por que o governo russo não informou da catástrofe e impediu que os ocidentais agissem em tempo para salvar parte da tripulação?

Ficou demonstrado que uma parte dela refugiada em compartimento anti-naufrágio poderia ter sido salva pelos ocidentais, tendo sido ineficaz a tecnologia russa planejada para um evento desses.

Se o acidente do Kursk tivesse acontecido em meio a uma crise poderia ter sido o estopim de uma escalada que nos teria jogado na guerra.

É uma lição que inspira graves preocupações e poderia se repetir no momento atual. Há rumores não confirmados de um submarino russo desaparecido recentemente em águas nórdicas. E a Suécia está se preparando.


terça-feira, 5 de novembro de 2019

Cardeal Casimiro Swiatek: o “homem de lenda”
que não será esquecido

Cardeal Casimiro Swiatek da Bielorússia
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








O Cardeal Casimiro Swiatek da Bielorússia morreu em Minsk a 21 de julho do 2011 com 96 anos de idade, engrossando a legião dos mártires do comunismo.

O Cardeal Swiatek nasceu em Valga (atual Estônia), e naquela época parte do Império Russo, em 21 de outubro de 1914.

Estudou no seminário de Pinsk (Bielorrússia) e foi ordenado sacerdote em 8 de abril de 1939

Seu sucessor e atual Metropolita de Minsk-Mohilev, Dom Tadeusz Kondrusiewicz, lembrou na homilia do funeral que sendo jovem sacerdote, o cardeal foi preso pelo Exército Vermelho e condenado à morte. Mas foi salvo pelos populares.

Em seguida, foi novamente preso e condenado a dois anos no campo de concentração de Mariinsk (Sibéria) e sete no de Vorkuta, no Ártico, onde foi forçado a trabalhar nas minas.

Cardeal Casimiro Swiatek da Bielorússia
Naquele ambiente hostil, ele celebrava secreta e heroicamente a Missa para os fiéis católicos que sofriam a iníqua pena e tinham diante de si a perspectiva da morte por extremos maus tratos.

Em 29 de outubro de 1990, a mais alta voz do Vaticano o chamou de “o homem da lenda.”

Em 1991 recebeu a sagração episcopal e em 1994 foi feito cardeal.

Em 2004, ganhou o prêmio de “Testemunha da Fé”, e João Paulo II disse a respeito dele:

“A Providência chamou a caminhar o caminho da cruz de perseguição e de solidariedade com a paixão do povo cristão que lhe foi confiada, trazendo em primeira mão a cruz de prisão, da condenação injusta, dos campos de trabalho com suas cargas de fadiga, frio, fome. “

Bento XVI recordou “a testemunha corajosa de Cristo e sua Igreja em tempos particularmente difíceis, bem como o entusiasmo derramou mais tarde, contribuindo para o caminho do renascimento espiritual deste país.”

“O Ocidente sabia e não fez nada”

O jornalista Giacomo Galeazzi lembrou que, no diário de seu cativeiro, o futuro cardeal descreveu o tremendo drama daqueles católicos esquecidos até pelos seus irmãos na Fé, mas protegidos pela mão de Deus:

“O Ocidente sabia, mas não interveio. E nós nos sentimos abandonados e desamparados”.

A Agência ACI, num despacho de 24 de julho, reproduziu suas terríveis palavras alusivas também ao clero que no Ocidente procurava se tornar amigo dos perseguidores comunistas:

“Sim, nós éramos chamamos de Igreja do silêncio e muitos no Ocidente achavam que já não existíamos”.

O herói da Fé faleceu em 21 de julho de 2011 e foi enterrado no dia 25 na catedral de Pinsk que ele próprio restaurou.

“Descanse na paz o servo bom e fiel”, conclui então a revista Ecclesia Digital.

Em verdade merece o elogio evangélico de “servo bom e fiel” porque foi herói contra o Leviatã comunista diante do qual tantos e tantos eclesiásticos e leigos se aviltam hoje procurando acordos radicalmente opostos, embora disfarçados, da Igreja Católica com regimes marxistas, explícitos ou dissimulados.


segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Putin comemora com gangsters a ocupação ilegal da Crimeia

Putin viola soberania da Ucrânia escoltado pelos 'Lobos da Noite'.
Putin viola soberania da Ucrânia escoltado pelos 'Lobos da Noite'.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O temido grupo de motociclistas “Lobos da Noite”, também apelidados “Anjos do Inferno”, liderado pelo gangster Alexander Zaldostanov, mais conhecido como “O Cirurgião”, tem um membro e admirador – financista oculto? – que aproveita ocasiões patrióticas para se exibir integrado no grupo com fama de delitivo: Vladimir Putin.

Para o jornal La Nación, de Buenos Aires, como tivemos ocasião de comentar, o grupo constitui uma “gangue que é uma espécie de guarda pretoriana paralela do presidente russo”.

Em 2015, numa tentativa frustra de penetrar pela força na Polônia e na Lituânia, o fundador e chefe Alexandre Zaldostanov, aliás “o cirurgião”, agitava bandeiras soviéticas e bradava: “Por Stalin!”

Em 21 de fevereiro de 2015, numa marcha contra a liberdade ucraniana em Moscou, Zaldostanov incitou a “exterminar” os opositores de Putin.

E advertiu: “o medo da morte é o único que pode deter a oposição russa”.

domingo, 20 de outubro de 2019

Fraude da "Terceira Roma" visa avassalar o cristianismo mundial

Batismo de São Vladimir, o Grande, ano 988.
Viktor M. Vasnetsov (1848–1926)
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O mundo eslavo cristão comemora todo ano o nascimento à graça divina e cristianização do histórico Principado de Kiev.

Esse tem seu ponto de partida no batismo, em 988, de São Vladimir o Grande, grão duque de Kiev e de todas as Rússias.

A ‘Rus de Kiev’, como também é conhecido, foi o núcleo cristianizado que gerou as atuais Rússia, Ucrânia e Bielorrússia.

A comemoração estava proibida durante a ditadura soviética e só foi retomada em 2013.

A cristianização da Ucrânia começa com o batismo, em 988, de São Vladimir o Grande, grão duque de Kiev e senhor de todas as Rússias.

Ele destruiu os ídolos pagãos, combateu a bebedeira e trabalhou pela conversão de seus súditos.

A partir de Kiev – hoje capital da Ucrânia – os sucessores de São Vladimir governaram um colossal império em gestação.

Complicados fatos históricos centralizados na revolta do Patriarca de Constantinopla contra o Papa desviaram essa imensa área de civilização para um cisma religioso.

Posto o princípio do desconhecimento da autoridade de Roma, saíram muitas outras cisões que explicam a multiplicado de igrejas mal chamadas “ortodoxas”.

terça-feira, 15 de outubro de 2019

A guerra de Moscou para desequilibrar as mentes

A estratégia russa fez da informação um campo de guerra
que visa atingir as mentes
Luis Dufaur
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Uma torrente de sites e perfis até então desconhecidos invadiu há poucos aaos a Internet. Procedência: Rússia.

Margo Gontar, da escola de jornalismo da Universidade Mohyla, em Kiev, procurou imagens de crianças mortas no Google e as encontrou.

Estavam todas em sites de notícias e nas redes sociais com títulos que atribuíam as mortes a gangues fascistas ucranianas treinadas pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), narra um estudo de Peter Pomerantsev, publicado originalmente no jornal britânico The Guardian.

Peter Pomerantsev está especializado no tema e é autor de Nada é verdade e tudo é possível: o coração surrealista da Nova Rússia (Nothing Is True and Everything Is Possible: The Surreal Heart of the New Russia, PublicAffairs – Perseus Book, EUA, 2014, 256 páginas).

Na realidade, muitas fotos eram antigas, tiradas de crimes que nada tinham a ver com a Ucrânia, ou até mesmo de filmes.

Nos noticiários da TV estatal russa Margo achou, com muito destaque, mulheres gorduchas aos prantos e velhos falando de ucranianos que espancam cidadãos de língua russa.

Os testemunhos pareciam absolutamente autênticos. Mas Margo notou que as mesmas mulheres gorduchas e os homens machucados apareciam em diferentes noticiários, identificados como pessoas diferentes.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Explode centro russo de guerra bacteriológica que manipula varíola e Ebola

A explosão foi em 'Vektor', centro de guerra bacteriológica em Novosibirsk, terceira maior cidade russa
A explosão foi em 'Vektor', centro de guerra bacteriológica em Novosibirsk,
terceira maior cidade russa
Luis Dufaur
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A Rússia nega qualquer perigo de contágio. Mas o centro de desenvolvimento de armas biológicas “Vektor” de Novosibirsk, na Sibéria explodiu deveras, noticiou a revista francesa “L’Express”.

O laboratório concebido para uma das piores guerras já cogitadas é mais uma herança da era soviética que é mantida ativa na era de Putin.

É uma das duas únicas estruturas no mundo que contêm o vírus da varíola.

A explosão ocorreu no centro estatal de pesquisa de vírus e biotecnologia “Vektor” que também trabalha com o vírus Ebola, entre outras bactérias que se tenta potencializar para servir como arma de extermínio.

Segundo a agência de monitoramento de saúde Rospotrebnadzor a explosão a um cilindro de gás provocou o incêndio das instalações, ferindo funcionários.

As janelas foram quebradas, mas a estrutura do edifício resistiu e nenhuma substância perigosa estaria presente nas partes afetadas pelo acidente, segundo a mesma fonte.

domingo, 22 de setembro de 2019

Fim de tratado nuclear acena flagelos universais

Fim do Tratado abre um horizonte aterrador
que parece de videojogo mas não é
Luis Dufaur
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Os EUA formalizaram a saída do Tratado para a eliminação de mísseis nucleares de meio e curto alcance (INF) assinado com a União Soviética, no final da Guerra Fria, em dezembro de 1987.

Na hora que as crises de Irã e Coreia do Norte se acentuam um calafrio percorreu o hemisfério norte todo, noticiou “The New York Times”.

O pacto proibia à Rússia e aos Estados Unidos fabricar, instalar ou realizar testes de misseis de curto alcance (de 500 a 1.000 quilômetros) e de médio alcance (de 1.000 a 5.500).

O secretário de Estado estadunidense, Mike Pompeo, anunciou a retirada seis meses após denunciar o acordo em razão da negativa de Moscou de destruir um novo míssil que viola o pacto e se gabar de estar construindo outros imensamente mais destrutivos.

Há anos, Washington e Moscou se acusam de violar esse tratado assinado em 1987. Mas, a violação ficou patente quando a Rússia apresentou o Novator 9M729 (SSC-8 para a NATO) que supera 500 quilômetros de alcance.

São más notícias para a Europa, porque o Velho Continente voltará a ser o campo de jogo macabro das duas superpotências nucleares.

O fim do INF não mudará as coisas da noite para o dia, mas os dois já estão desenvolvendo novas gerações de engenhos de destruição de pesadelo que estavam proibidos.

A Rússia já está instalando-os na fronteira com a Europa do Leste. Desde Kaliningrado poderá atingir capitais como Berlim e Londres. Mikhail Gorbachev, único signatário vivo do INF declarou à agência Interfax, que o fim do tratado “dinamita não só a segurança de Europa, mas do mundo todo”.

domingo, 15 de setembro de 2019

Pacto Hitler-Stalin ainda parece em vigência

Museu do Terror comunista, Budapest
Luis Dufaur
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A Dra. Maria Schmidt, diretora do Museu Casa do Terror em Budapest, defende que os europeus ocidentais ainda não mostram muita compreensão pelas vítimas do comunismo.

Falando para a Hír TV, ela disse que para os europeus ocidentais

“há duas classes de passados: a ocupação nazista do Ocidente – que foi para eles um grande trauma, embora não tenham sofrido a ocupação do Exército Vermelho – e o tipo soviético de ditadura.

“A situação que caracteriza certos círculos na Europa Ocidental está ficando insustentável.