domingo, 20 de outubro de 2019

Fraude da "Terceira Roma" visa avassalar o cristianismo mundial

Batismo de São Vladimir, o Grande, ano 988.
Viktor M. Vasnetsov (1848–1926)
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






O mundo eslavo cristão comemora todo ano o nascimento à graça divina e cristianização do histórico Principado de Kiev.

Esse tem seu ponto de partida no batismo, em 988, de São Vladimir o Grande, grão duque de Kiev e de todas as Rússias.

A ‘Rus de Kiev’, como também é conhecido, foi o núcleo cristianizado que gerou as atuais Rússia, Ucrânia e Bielorrússia.

A comemoração estava proibida durante a ditadura soviética e só foi retomada em 2013.

A cristianização da Ucrânia começa com o batismo, em 988, de São Vladimir o Grande, grão duque de Kiev e senhor de todas as Rússias.

Ele destruiu os ídolos pagãos, combateu a bebedeira e trabalhou pela conversão de seus súditos.

A partir de Kiev – hoje capital da Ucrânia – os sucessores de São Vladimir governaram um colossal império em gestação.

Complicados fatos históricos centralizados na revolta do Patriarca de Constantinopla contra o Papa desviaram essa imensa área de civilização para um cisma religioso.

Posto o princípio do desconhecimento da autoridade de Roma, saíram muitas outras cisões que explicam a multiplicado de igrejas mal chamadas “ortodoxas”.

Conquanto vivam se desentendendo mutuamente, elas são unânimes em tentar bloquear o retorno desses povos à Igreja Católica que os batizou e introduziu na graça de Deus.

Esses cismas ficaram sob o tacão dos monarcas temporais. Por fim, sob a União Soviética, eles foram ativos instrumentos da revolução bolchevista e por fim se puseram a serviço do regime e da repressão comunista.

Em 1596, sob o pontificado do Papa Clemente VIII, os bispos inconformados com os desastrosos resultados do cisma voltaram a se unir com a Santa Sé. Foi um acontecimento transcendental.

No sermão durante a beatificação de São Josafá, grande apóstolo da reunificação, o Papa Urbano VIII afirmou:

Agentes da KGB: Patriarca de Moscou Kirill ou 'Mikhailov' e coronel Putin
Agentes da KGB:
Patriarca de Moscou Kirill ou 'Mikhailov' e coronel Putin
“Por meio de vós, meus ucranianos, eu espero converter o Oriente” (cfr. Miroslav Zabunka e Leonid Rudnytzky, “The Ukrainian Catholic Church, 1945-1975”, St Sophia Association, Philadelphia, 1976, p. 9).

São Josafá Kuncewycz 1580-–1623, bispo de Vitebsk e arcebispo de Polotsk, martirizado pelos cismáticos e canonizado pelo Beato Papa Pio IX em 29 de Junho de 1867.

Porém, as recentes celebrações do governo russo acontecem sob o signo do retorno de um comunismo astuciosamente metamorfoseado, ou "Nova Rússia".

Nelas não falta o 'patriarca' Kirill, ex-agente da KGB, considerado o patriarca da Igreja Ortodoxa de Moscou e de toda a Rússia (IOR).

Kirill pretende pôr sob seu controle religioso a todo cristianismo oriental e ocidental, a fim de melhor servir a seu patrão, Vladmir Putin.

Para isso seus arautos alegam que a Igreja Católica foi abandonada pelo Espírito Santo depois do Concílio Vaticano II. Aduzem como provas os desmandos religiosos infelizmente acontecidos desde esse Concílio com seu nome e autoridade.

Trata-se em verdade de um artifício, que pretende erigir a "Terceira Roma" ou Moscou (depois da primeira Roma, a segunda teria sido Constantinopla). Essa seria a única conservadora das tradições religiosas e das bênçãos divinas.

Dessa maneira, o chefe supremo russo aspira a submeter a seu império todos os países cristãos, seduzindo primeiramente os católicos conservadores.

Ele se julga também herdeiro da ex-URSS e do Império Russo. Por isso adotou a simbologia de todos esses.



terça-feira, 15 de outubro de 2019

A guerra de Moscou para desequilibrar as mentes

A estratégia russa fez da informação um campo de guerra
que visa atingir as mentes
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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Uma torrente de sites e perfis até então desconhecidos invadiu há poucos aaos a Internet. Procedência: Rússia.

Margo Gontar, da escola de jornalismo da Universidade Mohyla, em Kiev, procurou imagens de crianças mortas no Google e as encontrou.

Estavam todas em sites de notícias e nas redes sociais com títulos que atribuíam as mortes a gangues fascistas ucranianas treinadas pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), narra um estudo de Peter Pomerantsev, publicado originalmente no jornal britânico The Guardian.

Peter Pomerantsev está especializado no tema e é autor de Nada é verdade e tudo é possível: o coração surrealista da Nova Rússia (Nothing Is True and Everything Is Possible: The Surreal Heart of the New Russia, PublicAffairs – Perseus Book, EUA, 2014, 256 páginas).

Na realidade, muitas fotos eram antigas, tiradas de crimes que nada tinham a ver com a Ucrânia, ou até mesmo de filmes.

Nos noticiários da TV estatal russa Margo achou, com muito destaque, mulheres gorduchas aos prantos e velhos falando de ucranianos que espancam cidadãos de língua russa.

Os testemunhos pareciam absolutamente autênticos. Mas Margo notou que as mesmas mulheres gorduchas e os homens machucados apareciam em diferentes noticiários, identificados como pessoas diferentes.

Em uma notícia, uma mulher era apresentada como “residente em Odessa”. Na notícia seguinte, a mesma mulher era “mãe de um soldado”. Mais adiante, era uma “moradora de Kharkiv” e depois “ativista anti-Maidan!”.

Após a derrubada do voo MH17 da Malaysia Airlines, Margo achou obras-primas de teorias de conspiração pró-russa: um controlador de tráfego aéreo teria identificado jatos militares ucranianos seguindo o avião, por exemplo.

Mas não achou nenhuma prova de que o controlador existisse realmente.

A conquista russa do mundo quer ser mais psicológica do que física
A conquista russa do mundo quer ser mais psicológica do que física
Achou dezenas de sites em russo e em inglês que afirmavam que o MH17 fora derrubado pelos EUA, numa tentativa de atingir o avião de Vladimir Putin.

Outros divulgaram que a bordo do avião só havia cadáveres, colocados antes da decolagem.

E muitos se diziam direitistas, antimaçônicos, anti-illuminati e, obviamente, anti-EUA e anti-capitalistas.

Nada disso era verdade, salvo o ódio contra os EUA e contra a Ucrânia, que escapuliu da bota putinista.

Margo procurou a imprensa ocidental em busca de informações sólidas, mas também tropeçou.

Respeitáveis fontes, como a BBC, ecoavam com frequência a versão originada no Kremlin.

Esse noticiário não é novo, e teve tempo para ser desmentido. Porém, o Kremlin nunca o fez.

Há um método e uma escola agindo no momento que o leitor acompanha estas linhas.

E quem aprofunda a fonte dos truques encontra o manual russo Informação e Operações da Guerra Psicológica: Breve Enciclopédia e Guia de Referência, editado em 2011 em Moscou pela Hotline Telecom e atribuído a Veprintsev et al.

O livro destina-se a “estudantes, políticos especialistas em tecnologia, aos serviços de segurança do Estado e a funcionários públicos”. É uma espécie de manual para jovens guerreiros da informação.

As armas da informação, diz o texto, “produzem uma espécie de radiação invisível” sobre seus alvos. “A população nem sequer percebe que está sendo manipulada”.

Enquanto a guerra tradicional emprega canhões e mísseis, prossegue a enciclopédia, “a guerra da informação é maleável e nós nunca podemos prever o ângulo ou os instrumentos de um ataque”.

A enciclopédia de 495 páginas contém uma introdução à guerra psicológica, um glossário de termos básicos e gráficos que descrevem os métodos e as estratégias de operações defensivas e ofensivas, incluindo “a trapaça operacional” (maskirovka), a “influência matemático-programática”, a “desinformação”, a “imitação, e “a radiodifusão e a TV”.
Para a TV de Putin a informação (câmara de vídeo)
pode ser mais efetiva que uma Kalashnikov

Na “guerra normal”, explica a enciclopédia, “a vitória se fundamenta no sim ou no não”. Porém, a guerra da informação se baseia na sedução e na contradição postas nas cabeças das vítimas sem que elas tenham consciência disso.

A “guerra da informação” é definida na enciclopédia russa em termos mais próprios para uma confusa ficção científica. Mas a confusão é aparente e visa despistar os não-iniciados. Os mestres desvendam o significado subjacente para os discípulos escolhidos.

Em 2013, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas da Federação Russa, Valery Gerasimov, afirmou que era possível derrotar inimigos lançando mão de uma “combinação de campanhas políticas, econômicas, de informação, tecnológicas e ecológicas” sem confronto físico, mas agindo na “psico-esfera” por uma misteriosa “irradiação”.

Seguindo esse critério, as guerras do futuro serão - ou já estão sendo - travadas não no campo de batalha, mas nas mentes dos homens.

A desinformação é tão velha quanto o Cavalo de Tróia. No passado ela existiu como um recurso colateral da guerra propriamente dita. Hoje, para o Kremlin a “psico-esfera” é o teatro primordial do conflito.

A enciclopédia ensina: “Em muitos lugares, a guerra da informação substitui a guerra tradicional”. Ela visa levar a melhor sobre os inimigos da Rússia sem disparar um tiro.

Se a batalha mudar para a “esfera psicológica”, a supremacia tecnológica da OTAN fica irrelevante.

No inverno passado, escreveu Peter Pomerantsev, de The Guardian, se reuniu com Rick Stengel, subsecretário de Estado dos Estados Unidos responsável pela formulação da resposta americana às operações da Rússia no campo da informação.

Desde a anexação da Crimeia, sua equipe postou listas de fatos nas redes sociais para contradizer as desinformações do Kremlin.

Exemplo típico de vetor da desinformatsiya é a Russia Today (RT), emissora internacional de notícias, que prometeu uma visão alternativa da mídia convencional americana. E assim seduziu muitos conservadores que não têm espaço nos órgãos do macrocapitalismo publicitário.

O canal de Putin recebe US$ 230 milhões por ano do Kremlin, diz atingir 700 milhões de telespectadores e ser “o maior provedor de notícias do YouTube”.

Russia Today é um dos grandes instrumentos da guerra da informação russa
Russia Today é um dos grandes instrumentos da guerra da informação russa
Por trás, a diretora da RT, Margarita Simonyan, bate na mensagem da guerra psicológica: “Não existem reportagens objetivas”.

Não há nenhuma razão para confiar na rede de TV de Putin, diz Pomerantsev. Sua principal mensagem é que você não deve confiar na mídia ocidental: essa é a vitória visada. A verdade deve ser sacrificada.

Uma reportagem da RT insinuava que a CIA inventou o Ebola contra as nações em desenvolvimento. Outra dizia que a guerra civil na Síria foi “planejada em 1997 por Paul Wolfowitz”.

As fantasias conspiratórias da RT aplicam as “medidas ativas”, táticas psicológicas da velha KGB que o desertor soviético Oleg Kalugin descreveu como “o coração e a alma dos serviços de inteligência”.

Segundo Kalugin, departamentos inteiros na Rússia se dedicavam a essa singular “subversão: provocar uma cisão dentro da comunidade ocidental, particularmente na OTAN, e enfraquecer os EUA”.

A tática favorita é plantar histórias falsas, a desinformatsiya, em agências de notícias internacionais.

Uma reportagem do início dos anos 80 apresentou uma prova médica meticulosamente inventada de que a CIA havia criado a AIDS para exterminar a população afro-americana.

Mas a nova desinformatsiya é barata, grosseira e colocada online em segundos. O objetivo é criar confusão em torno da verdade.

Shaun Walker reportou recentemente uma “fábrica de boatos” em São Petersburgo, onde os funcionários recebem 500 libras esterlinas por mês para fingir serem usuários regulares da internet. Com essa máscara assumem a defesa de Putin, postando fotos contra os líderes estrangeiros e espalhando teorias conspiratórias.

Confundir os defensores do Direito com os terroristas
na cabeça dos conservadores, tarefa de Russia Today, a TV de Putin.
Todos esses esforços trabalham para minar a infraestrutura da razão. A argumentação racional se esvai, numa nuvem de incerteza. A vítima fica confusa, deixa de raciocinar, acha que nada tem lógica, só enxerga caos e conclui que carece de sentido prestar atenção na realidade. Nesse momento, ela capitulou.

A guerra da informação de Putin gera condições ideais para a proliferação dos sonhos conspirativos nas direitas populistas, como a Frente Nacional (FN) da França ou o Jobbik da Hungria, que entrementes apoiam e são apoiados por Moscou.

Segundo Pomerantsev, em momentos de incerteza financeira e geopolítica as pessoas adotam teorias bizarras para explicar as crises.

Mas, por que não procuram a objetividade da verdade?

Aqui começam os mistérios da “radiação invisível” à qual se refere o manual russo da guerra da informação. Qual é a força que os leva a acreditar no confuso, no contraditório, no absurdo, e a se afastar do positivo e do racional?

Quando a ideia do discurso racional é corroída, tudo o que resta é o espetáculo, a sensação, o sentimento. Isso é prazeroso e convida a não reagir.

O lado que narra belas histórias – que podem ser religiosas, místicas, como as espalhadas pela Igreja Ortodoxa russa a respeito do líder supremo russo – derrotará quem tentar “provar” um fato de maneira ordenada, porque o público vitimado renunciou a aplicar a lógica e o raciocínio, e busca a sensação.

A estratégia de informação do Kremlin visa ao que Stephen Colbert chamou de truthiness (uma espécie de “verdade subjetiva” ou “instintiva”), que prevalece sobre o discurso fundamentado em fatos, na cabeça de quem fez do caos a realidade que comanda o mundo e se refugia na sua fantasia.

“Existem dois possíveis enfoques da guerra da informação”, assevera a enciclopédia russa. O primeiro “reconhece a primazia dos objetos no mundo real” e tenta girá-los numa direção favorável ou desfavorável. Este lado é o que deve perder a nova guerra.

Porém, o enfoque “mais estratégico”, preferido, coloca “a informação antes dos objetos”. Leia-se a informação deteriorada e sorrateiramente caotizada nos laboratórios de Moscou visando a vitória nessa nova e esquisita guerra.


segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Explode centro russo de guerra bacteriológica que manipula varíola e Ebola

A explosão foi em 'Vektor', centro de guerra bacteriológica em Novosibirsk, terceira maior cidade russa
A explosão foi em 'Vektor', centro de guerra bacteriológica em Novosibirsk,
terceira maior cidade russa
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A Rússia nega qualquer perigo de contágio. Mas o centro de desenvolvimento de armas biológicas “Vektor” de Novosibirsk, na Sibéria explodiu deveras, noticiou a revista francesa “L’Express”.

O laboratório concebido para uma das piores guerras já cogitadas é mais uma herança da era soviética que é mantida ativa na era de Putin.

É uma das duas únicas estruturas no mundo que contêm o vírus da varíola.

A explosão ocorreu no centro estatal de pesquisa de vírus e biotecnologia “Vektor” que também trabalha com o vírus Ebola, entre outras bactérias que se tenta potencializar para servir como arma de extermínio.

Segundo a agência de monitoramento de saúde Rospotrebnadzor a explosão a um cilindro de gás provocou o incêndio das instalações, ferindo funcionários.

As janelas foram quebradas, mas a estrutura do edifício resistiu e nenhuma substância perigosa estaria presente nas partes afetadas pelo acidente, segundo a mesma fonte.

As autoridades locais disseram às agências de notícias do próprio governo russo que o incêndio foi controlado no mesmo dia.

A Rússia alegava ter interrompido as experiências de guerra bacteriológica
A Rússia dizia ter interrompido os testes de guerra bacteriológica
A população de Novosibirsk é a terceira da Rússia, com mais de 1,5 milhão de habitantes.

O desastre é o mais recente de uma série que nos últimos meses atingiu infraestruturas estariam produzindo as “super-armas” prometidas por Putin.

O Kremlin guarda um hermético silêncio e nem mesmo as adjacências dos locais podem ser visitadas por jornalistas ou especialistas imparciais.

Dezenas de pessoas ficaram feridas em três explosões em fábricas de explosivos e depósitos de munição no centro e sul da Rússia e na Sibéria nos últimos meses.

No início de julho, 14 oficiais da Marinha Russa morreram em um incêndio a bordo de um misterioso submarino nuclear no extremo norte.

Mantendo grande parte da tragédia em segredo, as autoridades garantiram que o reator nuclear do submarino não foi afetado pela deflagração.

Em agosto, outra explosão em mísseis movidos com combustíveis nucleares matou pelo menos cinco pessoas em uma base no extremo norte ao testar novos vetores.

Isso levou a um breve aumento na radioatividade, de acordo com as autoridades.

A Rússia não desiste em desenvolver mais e maiores instrumentos para produzir extermínios massivos em caso de guerra.


domingo, 22 de setembro de 2019

Fim de tratado nuclear acena flagelos universais

Fim do Tratado abre um horizonte aterrador
que parece de videojogo mas não é
Luis Dufaur
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Os EUA formalizaram a saída do Tratado para a eliminação de mísseis nucleares de meio e curto alcance (INF) assinado com a União Soviética, no final da Guerra Fria, em dezembro de 1987.

Na hora que as crises de Irã e Coreia do Norte se acentuam um calafrio percorreu o hemisfério norte todo, noticiou “The New York Times”.

O pacto proibia à Rússia e aos Estados Unidos fabricar, instalar ou realizar testes de misseis de curto alcance (de 500 a 1.000 quilômetros) e de médio alcance (de 1.000 a 5.500).

O secretário de Estado estadunidense, Mike Pompeo, anunciou a retirada seis meses após denunciar o acordo em razão da negativa de Moscou de destruir um novo míssil que viola o pacto e se gabar de estar construindo outros imensamente mais destrutivos.

Há anos, Washington e Moscou se acusam de violar esse tratado assinado em 1987. Mas, a violação ficou patente quando a Rússia apresentou o Novator 9M729 (SSC-8 para a NATO) que supera 500 quilômetros de alcance.

São más notícias para a Europa, porque o Velho Continente voltará a ser o campo de jogo macabro das duas superpotências nucleares.

O fim do INF não mudará as coisas da noite para o dia, mas os dois já estão desenvolvendo novas gerações de engenhos de destruição de pesadelo que estavam proibidos.

A Rússia já está instalando-os na fronteira com a Europa do Leste. Desde Kaliningrado poderá atingir capitais como Berlim e Londres. Mikhail Gorbachev, único signatário vivo do INF declarou à agência Interfax, que o fim do tratado “dinamita não só a segurança de Europa, mas do mundo todo”.

O orçamento de Defesa russo é a décima parte do americano, mas a vontade de Vladimir Putin de se mostrar como o homem mais poderoso diante de seus compatriotas justifica qualquer desatino.

O especialista russo Pavel Felgenhauer está convencido de que “vamos a assistir ao desenvolvimento e instalação de novas armas”.

O Novator 9M729 russo poderá atingir capitais como Berlim e Londres
Putin falou de versões terrestres dos mísseis Kalibr que até agora eram uma exclusividade da Marina. Também apresentou – numa tela virtual – o míssil hipersónico Kinzhal, escreveu “El Mundo” de Espanha.

E ainda anunciou o denominado “Satan-2” intercontinental que um só poderia destruir um país como a França ou um estado como Texas.

As bravatas de Moscou têm grande valor eleitoral interno, mas não podem ser reduzidas a apenas isso.

O apocalipse nuclear pode ser uma hipótese suicida válida para um regime impiedoso que cambaleia.

“Os EUA e a Rússia entraram agora num estado de instabilidade estratégica”, disse Ernest J. Moniz, ex-secretário de energia.

Por sua vez, o ex-senador Sam Nunn, escreveu para “Foreign Affairs” o artigo “O retorno do Dia do Juízo Final”.

Nele, defende que “desde a crise dos mísseis cubanos de 1962 a confrontação russo-americana envolvendo armas nucleares foi tão alta como hoje. Porém, contrariamente à Guerra Fria, os dois lados não se cegaram tanto voluntariamente como hoje para o perigo”.

Simultaneamente, Pompeo convidou à China e outras nações a entrar “numa nova era de controle de armas”. Pequim não deu nenhuma resposta positiva, e ainda que o fizesse seria de credibilidade duvidosa.

A China acumulou o arsenal balístico mais avançado do mundo cujos mísseis, teoricamente, só estariam equipados com cabeças convencionais (não nucleares).

A China não assinou o INF, mas desenvolveu e instalou a família de mísseis apocalípticos.

Centenas de mísseis chineses proibidos miram Taiwan, Japão e Índia, e podem atingir Guam e outras bases americanas no Pacífico.

Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev assinaram em Washington D.C.
o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF)
quando a grande mídia comemorava o "fim do comunismo" e "da História".
O almirante Harry B. Harris Jr., comandante das forças americanas no Pacífico, declarou ante o Congresso que os diversos tipos de mísseis chineses na região seriam “mais de 2.000”, 95% dos quais em violação dos critérios do INF.

Pequim esperneia ante o anúncio de que os EUA instalariam baterias antimísseis em território sul-coreano.

Para Gary Samore, chefe de estratégia nuclear no Conselho de Segurança Nacional, a China não cumprirá qualquer acordo futuro de restrição de armas nucleares.

Trump pretende testar logo seus novos engenhos até agora proibidos, e pelo fim do ano outros modelos que podem atingir entre 1.800 e 2.500 milhas.

A questão é onde instalá-los. O Japão e a Coreia do Sul poderiam ser bases.

Mas, embora perigosíssimo, nada disso é o pior.

O futuro da guerra atômica “está nas armas no espaço, na inteligência artificial e nos engenhos cibernéticos não-tripulados, para os quais não há restrições”, diz Samore.

O atentado iraniano com drones contra refinaria saudita abalou o mundo. Mas seria apenas um teste dessa nova guerra, feito em pequena escala e a nível convencional.



domingo, 15 de setembro de 2019

Pacto Hitler-Stalin ainda parece em vigência

Museu do Terror comunista, Budapest
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A Dra. Maria Schmidt, diretora do Museu Casa do Terror em Budapest, defende que os europeus ocidentais ainda não mostram muita compreensão pelas vítimas do comunismo.

Falando para a Hír TV, ela disse que para os europeus ocidentais

“há duas classes de passados: a ocupação nazista do Ocidente – que foi para eles um grande trauma, embora não tenham sofrido a ocupação do Exército Vermelho – e o tipo soviético de ditadura.

“A situação que caracteriza certos círculos na Europa Ocidental está ficando insustentável.

Assinatura do pacto Ribbentrop-Molotov, Fonte: Bundesarchiv
“Acredito que sob muitos aspectos a situação melhorou, podendo-se hoje comemorar em comum um Dia dos Crimes do Comunismo; e cada ano está sendo realizado, onde é possível, o Dia de lembrança do Pacto Hitler-Stalin (Pacto Ribbentrop-Molotov) em 23 de agosto” (de 1939).
O pacto de aliança do nazismo com o comunismo é outra grande realidade histórica que os defensores dos “Direitos Humanos” fazem tudo para silenciar.

O referido pacto patenteou que o comunismo russo e o nazismo hitlerista faziam causa comum no socialismo, e que como aliados eles desencadearam a II Guerra Mundial.

Socialistas, social-democratas, nacional-socialistas e análogos, que se gabam de ser antinazistas e antifascistas, nunca renegaram esse Pacto.

Também nunca condenam sua essência e suas consequências: mais um dos silêncios gritantes que dominam a vida política ocidental.



domingo, 8 de setembro de 2019

Francisco e Putin: “2 Papas” para se repartir os cristãos?

Agência por excelência da "guerra da informação" russa Sputnik apresenta ambos líderes unidos para "defender os cristãos pelo mundo todo"
Agência por excelência da "guerra da informação" russa Sputnik
apresenta ambos líderes unidos para "defender os cristãos pelo mundo todo"
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Parece absurdo supor que o Papa Francisco e o presidente da Federação Russa Vladimir Putin possam ser igualados com um mesmo rótulo de “Papas”.

Mas segundo o perspicaz “The New York Times”, os dois estão agindo como “2 Papas” que se repartem os dois polos em que estão se dividindo os católicos,

Como isso pode ser sequer cogitado por um jornal dessa envergadura?

Putin tem em seu favor uma máquina de guerra da informação que trabalha para fazer dele um “papa” alternativo que guia espiritualmente um novo movimento cristão.

“Posso estar dizendo uma heresia, mas Putin me parece mais um papa, pela maneira que vive o cristianismo, em comparação com aquele que para todos os efeitos deve ser o papa”, afirmou, por exemplo, Gianmatteo Ferrari, secretário de um grupo italiano pró-Rússia chamado “Associação Cultural LombardiaRussia”, noticiou o “The New York Times”

Velho truque da KGB: quando necessário explorar o sentimento religioso em favor do perseguidor de todas as religiões!
Velho truque da KGB: quando necessário explorar o sentimento religioso
em favor do perseguidor de todas as religiões!
É incrível, mas é um velho método da KGB.

Quando o Kremlin precisou mobilizar a população russa ante a invasão do exército alemão na II Guerra Mundial, pôs em circulação santinhos representando Santa Olga, ou até Nossa Senhora, aparecendo a Stalin e lhe dando conselhos!

Em 1941, ondas da Rádio Moscou exortavam os cristãos a se unirem pela defesa da cristandade. A “Rádio Cristã” reproduzia a mensagem evangélica numa meia dúzia de línguas com tal fidelidade que muitos poderiam ter achado que ouviam a Rádio Vaticana.

Emissões de julho 1941 defendiam ser “necessário abandonar a velha fábula do catolicismo aliado aos opressores das nações”. As emissões em italiano concluíam com a pia exortação “cristãos, católicos! perseverai na batalha contra o anticristo”!

No dia da Assunção em 1943, a “Rádio Cristã” em polonês comemorou a festa de Nossa Senhora, dizendo:

“rezemos ardorosamente à protetora de nosso católico país [...] a Ela que é mais forte que Satanás se deve a queda das cidades de Orel e de Biegorod nas mãos do Exército Vermelho”. Cfr. “A ‘cruzada’ de Stalin para salvar o cristianismo em 1941: truque revivido por Putin”

Hoje a mencionada “Associação Cultural LombardiaRussia” espalha que “o maior, mais imponente e mais enérgico defensor dos nossos valores cristãos é Putin”, segundo seu diretor.

A declaração precedeu a mais recente das frequentes visitas de Putin ao Papa Francisco na biblioteca privada do Vaticano.

“Putin representa uma Cristandade medieval, pré-Iluminismo, no mínimo uma visão da Cristandade pré-Vaticano II”, afirmou Massimo Introvigne, sociólogo italiano, que se posiciona mais próximo do Pontífice. “O Estado de S.Paulo”.

Introvigne acrescenta que “o papa Francisco representa uma visão mais progressista e moderna da Cristandade que aceitou e promulgou a concepção ocidental dos direitos humanos”.

Essas críticas, porém, caem bem em certos católicos chocados com a crise atual na Igreja.

Na Rússia, Putin se faz venerar religiosamente. Até mais que o Papa Francisco no mundo livre!
Na Rússia, Putin se faz venerar religiosamente.
Até mais que o Papa Francisco no mundo livre!
O “The New York Times” e algumas de suas transcrições em outras línguas falaram em manchetes do encontro entre os “2 Papas”.

Mas os “2 Papas” não estão tão opostos assim.

O papa Francisco acredita na cooperação com Putin e com a Igreja Ortodoxa Russa enquanto o líder russo entoa um canto de sirena para os católicos europeus seduzidos pelos políticos nacionalistas.

Em entrevista recente ao “Financial Times”, Putin declarou o fim do liberalismo ocidental, e preanunciou um maior rol da religião na política. Suas palavras soaram como uma defesa das tradições da Igreja Católica e não são tão contrárias à antipatia manifestada pelo Papa de Roma contra os EUA.

Putin não fala de alguma “revelação de Santa Olga”, mas suas críticas aos regimes livres soou como música aos católicos cada vez mais numerosos que vem no Papa Francisco – que prega a inclusão dos LGBTs e dos imigrantes muçulmanos – um elemento destrutivo.

Putin tem muitos fãs na Itália que lhe professam admiração. Quando líder do ministério, o então vice primeiro-ministro e Ministro do Interior Salvini participou em eventos políticos na Rússia usando uma camiseta com o rosto do presidente russo.

Putin elogiou no “Corriere dela Sera” a “atitude acolhedora em relação a nosso país” por parte de Salvini.

Ele e seu partido, segundo o dono de Moscou apoiam ativamente a “cooperação plena entre a Itália e a Rússia” prejudicadas pelas retaliações econômicas ocidentais à invasão russa da Crimeia e do leste ucraniano.

Não espanta que alguns caiam no conto de que Putin substituiu a Francisco como o maior defensor na Europa dos valores cristãos tradicionais.

Os mais devotos do culto a Putin falam do líder russo em termos místicos, comparando-o ao Katechon, uma força que mantém o Anticristo à distância, escreve o jornal novaiorquino.

Os “devotos” falam da Terceira Roma, invenção de algum czar do século XV para justificar o império religioso da Igreja Ortodoxa, obviamente submetida à bota imperial, por cima de Roma e Constantinopla (primeira e segunda Roma, respectivamente).

O filósofo ocultista Alexander Dugin fornece teorias esotérico-místicas sobre a missão religiosa do salvador do cristianismo: o ex-coronel da KGB!
O filósofo ocultista Alexander Dugin fornece teorias esotérico-místicas
sobre a missão religiosa do salvador do cristianismo: o ex-coronel da KGB!
As teorias esotérico-místicas a respeito de Putin são nutridas pelo filósofo ocultista Alexander Dugin, apologista de um “tradicionalismo” que pouco ou nada tem a ver com a autêntica Tradição católica.

Dugin forjou uma arbitrária confusão de esoterismo e crenças evolucionistas para justificar a “missão providencial” do coronel da (ex-)KGB..

Dugin prolonga o misticismo tingido de práticas luciferinas encravado na essência da espiritualidade da Igreja Ortodoxa russa e da qual o curandeiro Rasputin (1869 –1916) foi o representante mais conhecido.

Dugin tenta atrair católicos frustrados com o progressismo e lhes apresenta Putin como um protetor e até um financiador.

Em sentido oposto, o prof. Roberto de Mattei, presidente da Fundação Lepanto e reputado líder tradicionalista romano, suspeita que a manobra Putin-Dugin não passa de uma “operação política.”

“Temo haver um jogo duplo”, disse de Mattei, acrescentando que Putin e o Papa Francisco jogam uma partida de xadrez para ludibriar Ocidente, o qual, de fato “não tem um líder de verdade”, conclui “The New York Times”. 



domingo, 1 de setembro de 2019

Rússia montando trens na América do Sul?

Boa parte da rede ferroviária russa está abandonada
Boa parte da rede ferroviária russa está abandonada. Mas há ainda trens para turistas.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A Russian Railways (RZD) é um macroempresa estatal da Federação Russa herdada da União Soviética. Ela arregimenta um milhão de empregados e fatura mais de US$32.000 milhões anuais, ou 1,5% do PIB russo.

88% da carga econômica e industrial é feita por esse monopólio de estado gerado em tempos soviéticos.

É completada pela Transmashholding (TMH) que fornece o material rodante para todas as vias férreas e sistemas de transporte urbanos do país.

A estatal russa aplicou 70 milhões de dólares na Argentina para reparar 24 locomotivas e 160 vagões em oficinas por ela restauradas em Bragado, província de Buenos Aires.

Aleksandr Sergeevich Misharin, subchefe geral da RZD declarou a “La Nación” que a Rússia mira muito mais longe do que melhorar os envelhecidos sistemas ferroviários latino-americanos.

Ela quer “integrá-los” nos planos futuros da estatal impregnada de espírito soviético mas hoje ‘atualizada’ para servir aos planos expansionistas da “nova Rússia” de Vladimir Putin. A expansão já inclui a Armênia e a Coreia do Norte.

Trens luxuosíssimos para turistas ver e nomenklatura usar. Na foto o transiberiano construído no tempo do Império pré-comunista.
Trens luxuosíssimos para turistas ver e nomenklatura usar.
Na foto o transiberiano construído no tempo do Império pré-comunista.
Misharin explicou que as estatais russas estão “interessadas no desenvolvimento de vários projetos na Argentina”.

Especialmente visado é o projeto de uma nova linha férrea – a Norpatagónica – que unirá o epicentro da megajazida de gás e petróleo de Vaca Muerta, na Patagônia com o porto exportador de Bahía Blanca.

Misharin insinuou que a Rússia estaria disposta a colaborar com o financiamento desse grande projeto orçado num mínimo de US$780 milhões.

A sedutora promessa é estranha pois a Rússia padece perturbadores apertos financeiros e sua infraestrutura, inclusive ferroviária, exibe um estado calamitoso.

Não por isso a rede russa de trilhos é gigantesca. A extensão do país – o maior do mundo – contribui para isso. Muitas outras obras, como o famoso Transiberiano, foram fruto do regime monárquico czarista.

Por isso a Federação Russa contabiliza 85 mil quilômetros de trilhos qualquer que seja seu estado. A estatal açambarca o 28% do fluxo mundial de carga com ramificações em mais de 40 países asiáticos e antigos escravos do Exército Vermelho.

O volume gigantesco também se explica pela falta lancinante de estradas no país.

Subchefe geral da RZD, Aleksandr Sergeevich Misharin fez promessas aliciantes à Argentina.
Subchefe geral da RZD, Aleksandr Misharin fez promessas aliciantes à Argentina.
Para a América do Sul, Misharin garante ter capacidade de produzir qualquer tipo de comboios, não importando os volumes a transportar. “Vocês falem o que querem e nós o fazemos”.

Nessa promessa incluiu um trem bala que está sendo testado na Rússia e que atingiria os 400 quilômetros por hora em 2024 na linha Moscou-São Petersburgo, a única apresentável.

Para Misharin, a América Latina é o “único continente onde não está desenvolvida uma rede ferroviária que possa ser qualificada como tal”. Não expllicou que isso se deveu ao abandono das infraestruturas por governos próximos ao russo.

Arrogância aparte, Misharin não desconheceu os progressos dos trens na Europa, China ou os Estados Unidos, mas teceu louvores à eficiência dos russos.

Defendeu que o transporte por ferrovia é o que leva as cargas de modo mais barato por terra e que ninguém inventou um sistema mais eficiente que o russo.

Prometeu também criar centros educativos russos para formar engenheiros e operários especializados.

“Nós sempre o fazemos. Em Cuba, Índia, Servia e África do Sul, onde temos investimentos, desenvolvemos centros educativos”, completou sem mencionar a instrução ideológica que é transmitida solapadamente nesses centros.


domingo, 25 de agosto de 2019

População russa diminui
e o castelo de cartas ameaça desabar

Aborto, divórcio, droga e álcool estão consumindo a população russa
Aborto, divórcio, droga e álcool estão consumindo a população russa
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







A imoralidade anti-familiar ameaça as aspirações geopolíticas da Rússia. Em 2018 a população russa caiu em termos absolutos para 148,8 milhões de habitantes, segundo o Serviço de Estatística do Estado Russo (Rosstat).

E pelas estimativas da ONU, a Rússia perderá cerca de 8% da sua população até 2050. E não são as projeções mais alarmantes.

O Kremlin não considera essa crise demográfica do ponto de vista moral. Mas, pelo lado estritamente material: a economia e o poder militar. Pois, deles depende a ambição de projetar sua influência ideológica a todo o mundo.

O presidente Vladimir Putin quer atrair entre 5 e 10 milhões de imigrantes entre 2019 e 2025, escreveu “La Nación”.

O declínio demográfico não é desta década. Está ligado a libertação sexual, notadamente em matéria de aborto e divórcio, instalada junto com a Revolução bolchevista de 1917.

Mas, na era putinista, essa mesma imoralidade oficial, agravada pelas devastações crônicas do álcool e da droga, podem fazer naufragar os planos de dono de Moscou.

A ponto de que segundo Gregory Feifer, analista do Davis Center for Russian and Eurasian Studies na Harvard University (EUA), “o presidente Putin e o primeiro-ministro Medvedev, falaram publicamente sobre isso”.

“Mas suas políticas têm sido inadequadas para lidar com o declínio da população. E, de fato, além de seus planos para promover o nascimento, tudo o que eles estão fazendo no país é desencorajar a imigração e incentivar a emigração”, diz Feifer.

domingo, 18 de agosto de 2019

Arcebispo-mor de Kiev: “a capitulação
é uma falsa paz que fere ainda mais o povo”

Igreja atingida em Kuibyshevski, no leste da Ucrânia
Igreja atingida em Kuibyshev, no leste da Ucrânia
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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“A capitulação é uma imitação de paz e uma mudança na forma como infligimos feridas em nosso povo” declarou à agencia de imprensa ucraniana Censor.net, o chefe do rito greco-católico, Arcebispo-mor Sviatoslav Shevchuk de Kiev-Halych, em relação aos atritos armados que perduram nas regiões ucranianas invadidas pela Rússia. 

A longa entrevista foi também resumida pela agência “Catholic News Service” dos EUA,

Segundo a ONU pelo menos 13.000 soldados e civis morreram e 30.000 foram feridos no conflito no leste da Ucrânia.

Por volta de 60.000 soldados ucranianos permanecem em pé de guerra numa fronteira de 400 quilômetros enfrentando 35.000 milicianos separatistas, mercenários estrangeiros e unidades regulares do exército russo.

O número dos católicos abarcados pelo rito greco-católico ucraniano não cessa de aumentar inclusive nas regiões ocupadas violentamente pela Rússia, onde o invasor exige que todos os cristãos se insiram no cismático Patriarcado de Moscou.

Das três dioceses que sobreviveram desde o Império Austro-Húngaro o catolicismo ucraniano passou a ter 35 dioceses e 8 áreas metropolitanas, comparáveis a arcebispados. A última metrópole foi criada há 5 anos em Curitiba.

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Míssil nuclear explode em base
e se teme novo Chernobyl

Flagrante da explosãona Rússia durante teste de míssil com combustível nuclear
Flagrante da explosão na Rússia
durante teste de míssil com combustível nuclear
Luis Dufaur
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Moscou reconheceu que um míssil de propulsão nuclear explodiu em sua base de Severodvinsk, no Círculo Polar Ártico.

A explosão radioativa poderia ser comparável a uma nova Chernobyl, escreveu o jornal espanhol “El Mundo”.

Em Severodvinsk funciona uma das principais instalações de investigação e desenvolvimento da Marinha russa que constrói e testa misseis balísticos, intercontinentais e de meio alcance. Também monta submarinos nucleares e convencionais.

Só quatro dias depois da explosão nuclear, as autoridades russas reconheceram que ela esteve ligada a provas com “novas armas”.

O número das vítimas – oficialmente sete – não é confiável, mas se tratou em qualquer caso de técnicos civis e militares da base dedicados a essas tarefas.

Especialista americanos atribuem a libertação da radiação a uma falha enquanto os russos testavam o míssil de propulsão nuclear Burevestnik 9M730.

Trata-se de uma das novas “superarmas” com que Vladimir Putin ameaçou Ocidente para compensar a força militar dos EUA no novo cenário criado pelo fim tratado de armas nucleares intermédias que retroagiu o mundo ao grau de perigo atômico da Guerra Fria.

domingo, 28 de julho de 2019

Pobreza e repressão potenciam descontentamento

Putin teve que reconhecer o empobrecimento da Rússia
Putin teve que reconhecer o empobrecimento da Rússia
Luis Dufaur
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Putin prossegue enfrentando um crescente descontentamento e teve que reconhecer que o nível de vida dos russos se degradou nos últimos anos.

E se obrigou a remediar a situação. Mas poucos acreditam na gasta promessa.

Ordenados baixos demais, aumento nos preços ao consumidor e nos serviços públicos: as queixas não acabam.

Putin confessou que a vida estava mais dura, mas pôs a culpa no Ocidente e na queda da cotação internacional do petróleo, noticiou a agência France Press.

Também defendeu medidas impopulares como a elevação da idade para a aposentadoria, aumento do ICMS, etc., mas insistiu que aumentaria o nível de vida da população que só faz baixar há anos, consertar o calamitoso sistema de saúde e a deficiente coleta do lixo.

O regime criou o programa “Linha direta” em que cada russo pode enviar sua queixa ao presidente.

As questões mais repetidas num total de 1,8 milhões foram: “uma só pergunta: quando o Sr. vai embora?”, “o que faremos quando acabe o petróleo e o gás?”, e “por favor, salve a Rússia”.

domingo, 21 de julho de 2019

Incógnitas assustadoras
do incêndio em submarino russo

Restos recuperados por noruegueses do Kursk. O secretismo em ambos casos deixou intrigado o mundo.
Restos recuperados por noruegueses do Kursk.
O secretismo em ambos casos deixou intrigado o mundo.
Luis Dufaur
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A história do submarino russo AS-12 “Locharik” que pegou fogo tem algo de filme de terror, mas está envolta nas brumas misteriosas da “guerra da informação”.

Ficou fora de dúvida que esse submarino nuclear era um navio espião.

Foi feito pela Rússia para interceptar informações que transitam pelos cabos oceânicos intercontinentais – civis e militares, escreveu “O Estado de S.Paulo”.

Também pode mapear o fundo do mar procurando jazidas minerais e até agir em operações de resgate.

Porém um mistério sinistro, tal vez ficou enterrado para sempre no mar de Barents ou em algum escritório do Kremlin. O “Locharik” foi feito mesmo para vigilância avançada, coleta de dados de inteligência, leia-se espionar ou até sabotar nervos decisivos de comunicação.

Ele trabalha para a GU, principal agência da Defesa na rede russa de informações. Os 25 tripulantes são todos oficiais especializados.

domingo, 14 de julho de 2019

Tribunal indicia assassinos de 298 passageiros,
mas familiares clamam: “Putin é culpado”

Os indiciados pelo crime de massa.
Os indiciados pelo crime de massa.
Luis Dufaur
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Três russos e um ucraniano serão levados ao banco dos réus pelo homicídio resultante do ataque a um avião de passageiros na Ucrânia, em 2014, anunciaram investigadores internacionais à imprensa internacional como a “Folha de S.Paulo”.

O voo comercial MH17, da companhia aérea Malaysia Airlines, ia de Amsterdã para Kuala Lumpur, e foi derrubado inexplicavelmente por um míssil russo que matou as 298 pessoas a bordo.

O julgamento começará em março de 2020, mas é provável que os acusados não compareçam à corte e sejam julgados “em ausência”, segundo anúncio dos promotores, feito na Holanda.

As autoridades da Rússia não cooperaram com as investigações, foram pegas mentindo repetidamente, e não devem entregar os indiciados.

Ordens de prisão internacional já foram emitidas, disse o promotor holandês Fred Westerbeke.

domingo, 30 de junho de 2019

A “explosão da Igreja” tramada em Moscou e em cenáculos progressistas, na perspectiva de Fátima

Plano: infiltrar para fazer explodir depois
Plano: infiltrar para fazer explodir depois
Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: A tática de Moscou para implodir a Igreja Católica



Para Iben Thanholm (ver post anterior), a catarata de escândalos que se precipitam diante de nossos olhos é um resultado entre outros da infiltração tramada.

Os homens escolhidos pela KGB e estabelecidos na cúpula de certos círculos eclesiásticos em meados do século XX, foram responsáveis pelo recrutamento e promoção de outros homens de sua classe nos seminários.

De fato, a explosão de casos de violência sexual remonta à década de 1960, dos tempos que virou slogan até nas igrejas o “proibido proibir” sob pretexto de aplicar com fidelidade o Concílio Vaticano II.

Os religiosos abandonavam hábitos e batinas, como lhes era recomendado pelo “Pacto das Catacumbas” redigido por Dom Helder Cámara e assinado secretamente durante o Vaticano II.

domingo, 23 de junho de 2019

A tática de Moscou para implodir a Igreja Católica

Bella Dodd: infiltrar o clero para 'destruir a Igreja por dentro'
Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: Jornalista pro-Kremlin: a tática russa é “explodir a Igreja por dentro”





Em 1983, Youri Bezmenov, ex-responsável da propaganda soviética e ex-membro da KGB desvendou em vídeo a estratégia para afundar o Ocidente..

Mas, por dentro, sem necessidade de recorrer aos blindados do Pacto de Varsóvia.

Nessa data os jovens herdeiros de Maio de 68 doutrinados no marxismo marcusiano e gramsciano, treinados na contestação, que deviam constituir as legiões que executariam o plano, já estavam no poder nos países ocidentais que o plano russo visava.

Não só na Europa e na América do Norte, mas até na América do Sul.

domingo, 16 de junho de 2019

Jornalista pro-Kremlin: a tática russa é
“explodir a Igreja por dentro”

Plano de Stálin a longo prazo: 'explodir a Igreja por dentro'
Plano de Stálin a longo prazo: 'explodir a Igreja por dentro'
Luis Dufaur
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A jornalista dinamarquesa Iben Thranholm ligada ao site Katehon, ativa plataforma de propaganda prorrussa, fez revelações inesperadas de alguém com seu posicionamento ideológico.

Esse posicionamento torna insuspeito seu impressionante testemunho.

Ele foi extensamente comentado por Jeanne Smits, quem durante sete anos foi diretora de “Présent”, jornal que sustenta a tendência política de Marine Le Pen na França.

A jornalista dinamarquesa foca de início o testemunho de Mons. Carlo Maria Viganò sobre a rede promotora da agenda homossexual no Vaticano e em posições neurálgicas da hierarquia católica.

Tais redes chegariam até o interior da residência do Papa Francisco e envolveriam figuras como os Cardeais Parolin e Bertone, diz ela.

domingo, 9 de junho de 2019

Maior fábrica de “notícias falsas” é russa

Luis Dufaur
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“El Mundo” de Madri comemorou com não dissimulada decepção o fato de “depois de anos de silêncio ante a agressão, o paquiderme europeu começou a se movimentar” embora a ‘passos lentos’.

Referia-se à incompreensível inércia da União Europeia diante da constante ofensiva da “guerra da informação” russa.

Como há anos vimos comentando em nosso blog sem outro recurso senão a leitura e o raciocínio sobre o noticiário virtual mais respeitável, a Rússia de Putin montou uma unidade militarizada cujo objetivo é desorganizar as informações, para embaralhar o raciocínio, desorientar e, por fim, abater os povos que quer submeter.

Outrora falava-se da “paz da Varsóvia” para caracterizar a sujeição de um povo vítima reduzido ao silêncio dos mortos no cemitério.