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domingo, 16 de novembro de 2025

Mais “suicídios” e mortes estranhas na cúpula putinista

Roman Starovoit, o Ministro dos Transportes demitido e morto a tiros, próximo de Putin, falou mal da guerra na Ucrânia
Roman Starovoit, o Ministro dos Transportes 
demitido e morto a tiros, próximo de Putin, 
falou mal da guerra na Ucrânia
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Putin multiplica os “suicídios” e mortes inexplicadas de figuras de alto escalão que criticaram a frustrante invasão da Ucrânia.

Há não muito, o Ministro dos Transportes, Roman Starovoit, foi morto à bala na rua, após ser demitido, seguido de perto por Andrei Korneichuk, vice-chefe no Ministério dos Transportes, achado defunto em seu escritório.

A imprensa estima que desde o início da criminosa invasão, pelo menos 16 próximos de Putin entraram na sinistra lista de “suicídios” e acidentes bizarros.

O número seria muito maior contando os mortos “suicidados” antes de dita invasão, estimou “Clarín”. 

Eis os nomes dos “suicinatos” colhidos pelo jornal portenho:

30 de janeiro de 2022: Leonid Shulman, chefe de transportes da Gazprom, achado morto no banheiro de uma casa de campo perto de Leningrado, poucos dias antes da invasão russa. Uma nota de suicídio foi encontrada ao lado do corpo.

07/07/2025: Roman Starovoit (53), o Ministro dos Transportes demitido, morto a tiros em seu veículo em uma cidade fora de Moscou.

Leonid Shulman, chefe de transportes da Gazprom, outra morte estranha
Leonid Shulman, chefe de transportes da Gazprom, 
outra morte estranha
07/07/2025: Andrei Korneichuk (42), vice-chefe do departamento de fundos de terras do Ministério dos Transportes da Rússia, morreu repentinamente em seu local de trabalho após saber da demissão e morte do ex-ministro dos Transportes Roman Starovoit.

07/04/2025: Andrey Badalov (62), vice-presidente da Transneft, empresa estatal russa que administra a rede de oleodutos do país, morreu “suicidado” em Moscou por uma queda da janela de sua casa. A Transneft possui o maior sistema de oleodutos do mundo, com quase 50.000 quilômetros de extensão.

16 de fevereiro de 2024: O líder da oposição russa Alexei Navalny (47) morreu em uma prisão no Ártico. As autoridades relataram uma morte repentina, mas sua família, a oposição e os ministérios das Relações Exteriores ocidentais o presidente russo de recusar tratamentos que teriam salvado sua vida.

23/08/2023: O empresário Wagner Yevgeny Prigozhin (62) morreu quando o avião particular em que viajava caiu a noroeste de Moscou, três meses depois de liderar uma revolta armada.

16/02/2023: Marina Yankina (58), alta funcionária do Ministério da Defesa da Rússia, também caiu de uma janela.

Cinco oligarcas, quatro deles da Gazprom, apareceram 'suicidados' em 24 horas, alguns com a familia inteira. Na foto Sergei Protosenya e Vladislav Avayev ex-vice-presidente do Gazprombank
Cinco oligarcas, quatro deles da Gazprom, apareceram 'suicidados' em 24 horas,
 alguns com a família inteira. Na foto Sergei Protosenya 
e Vladislav Avayev ex-vice-presidente do Gazprombank
09/01/2022: Ravil Magánov (67), presidente da petrolífera Lukoil, ainda mais um que caiu da janela, no Hospital Clínico Central de Moscou, onde estava internado. Os parentes descartaram suicídio.

14/03/2024: Vitaly Robertus (54), vice-presidente da petrolífera Lukoil, outro suicídio no próprio escritório. Em 3 de março de 2022, 10 dias após a invasão russa da Ucrânia, a Lukoil disse numa declaração: “O Conselho de Administração expressa sua profunda preocupação com os trágicos eventos na Ucrânia” apelando a negociações sérias e diplomacia”.

19/04/2022: Vladislav Avayev (51), ex-vice-diretor do Gazprombank, ado morto com sua esposa e filha enuma casa a sudoeste de Moscou, num caso muito semelhante ao de Sergei Protosenia, diretor do consórcio Novatek, e de sua esposa e filha também numa casa na praia espanhola de Lloret del Mar.

Alexander Tyulako, executivo importante da Gazprom foi achado mortto na garagem
Alexander Tyulako, executivo importante da Gazprom 
foi achado mortto na garagem
13/02/2024: O piloto de helicóptero Maxim Kuzminov (28), que desertou para a Ucrânia, baleado na cidade espanhola de Villajoyosa. O chefe do Serviço de Inteligência Estrangeira da Rússia, Sergei Naryshkin, afirmou que ele “se tornou um cadáver moral no momento em que planejou seu crime imundo e terrível”.

19/11/2024: Vladimir Shkliarov (39), dançarino de São Petersburgo, enésima morte após cair do quinto andar. Ele criticava o Kremlin por suas ações na Ucrânia.

21/02/2024: Andrei Morozov (44), blogueiro militar “suicidou-se” após denunciar pressões para apagar uma postagem sobre o grande número de baixas russas em Donetsk.

19/09/2024: Victoria Roshchyna (27), jornalista morta após noticiar o brutal cerco russo à cidade de Mariupol. A justiça ucraniana achou ter sido assassinada após ser brutalmente torturada.

05/02/2025: Vadim Stroykin (59), o cantor e compositor ainda mais um que pulou da janela de seu apartamento no nono andar.

27 de dezembro de 2022: Pavel Antov (66), milionário que na Índia caiu do terceiro andar de um hotel, criticava a invasão russa na Ucrânia.


domingo, 25 de fevereiro de 2024

Loucura ditatorial na Rússia de Putin

Poetas punidos com 5 e 7 anos de cárcere por poesia contra a guerra na Ucrânia
Poetas punidos com 5 e 7 anos de cárcere
por poesia contra a guerra na Ucrânia
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Putin governa Rússia desde 1999. Nesses anos ficou excluída qualquer oposição séria, mas a repressão se acelerou desde a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022.

Nos últimos dois anos, milhares de russos, opositores ou cidadãos comuns, foram condenados pelos tribunais por terem criticado a ofensiva contra a Ucrânia. Às vezes com penalidades particularmente severas, noticiou a TV “France 24”.

Artiom Kamardine e Iegor Shtovba foram presos em setembro de 2022 após participarem de uma leitura pública em Moscou, na Praça Triumfalnaya, perto do monumento ao poeta Vladimir Mayakovsky, ponto de encontro de dissidentes desde os tempos soviéticos.

No dia seguinte, ele foi preso durante uma busca em sua casa, durante a qual alegou ter sido espancado e estuprado por policiais.

Processados inicialmente por “incitamento ao ódio”, os dois poetas foram depois também acusados de “apelos públicos à realização de atividades contra a segurança do Estado”.

“Vergonha” gritavam os apoiadores de Artiom Kamardine, 33 anos, e de Iegor Chtovba, 23 anos, no anúncio deste julgamento, a esposa do primeiro gritando-lhe que o amava, notou um jornalista da AFP presente na audiência.

Centenas foram presos pondo flores em memorial a Navalny. Mais de 200 sofreram penas
Centenas foram presos pondo flores em memorial a Navalny.
Mais de 200 sofreram penas
“É uma arbitrariedade absoluta!”, exclamou o pai de Artiom Kamardine, Yuri. Várias pessoas foram presas pela polícia fora do tribunal após o julgamento dos dois homens.

“Todos são iguais perante a lei, mas alguns são mais iguais que outros. Nossos filhos se mostraram desiguais na luta contra eles”, brincou sua mãe, Elena.

Pouco antes de a sentença ser pronunciada, Artiom Kamardine leu alguns versos sobre poesia, o que segundo ele permite “quebrar o silêncio” e “colocar as tripas na mesa”. “A poesia é a vitória sobre o tempo e o caminho do prisioneiro, do cativo”, recitou.

Ele também disse à imprensa que “não desistiu” e não “se arrependeu”. “Muitas pessoas da cultura que admiro tiveram experiências na prisão”, disse ele.

Durante a leitura da sentença, Artiom recitou o poema “Mate-me, miliciano!”, hostil aos separatistas pró-russos no leste da Ucrânia.

“Não sou um herói e ir para a prisão pelo que penso nunca fez parte dos meus planos”, disse Artiom ao tribunal no seu discurso final, publicado no Telegram pelos seus simpatizantes.

Implorando ao juiz que o deixasse “voltar para casa”, prometeu em troca manter distância de qualquer “assunto delicado”.

Sua esposa, Alexandra Popova, lamentou à AFP uma sentença “muito severa”. “Sete anos para poesia, por uma ofensa não violenta”, ressaltou.

Prisão é o destino de quem não opina como Putin
Prisão é o destino de quem não opina como Putin

“Por mais que quiséssemos acreditar no fundo que as coisas seriam mais tranquilas, mais fáceis”, era “uma loucura ter esperança”, continuou ela. “Se tivéssemos tribunais normais, esta situação não existiria.”

Ela foi levada pela polícia após falar com a imprensa.

Um terceiro poeta, Nikolai Daïneko, preso na mesma época, foi condenado a quatro anos de prisão em maio, segundo o OVD-info.

A Rússia tem vindo a suprimir vozes críticas durante anos, mas a campanha de repressão assumiu proporções consideráveis com o lançamento da ofensiva contra a Ucrânia.

De acordo com o OVD-Info, quase 20.000 pessoas foram presas na Rússia por se oporem ao conflito na Ucrânia desde fevereiro de 2022. A ONG Memorial lista 633 presos políticos atrás das grades, informou “La Nación”.

Em novembro, a artista Alexandra Skotchilenko, detida em abril de 2022, foi condenada a sete anos de prisão por substituir etiquetas de preços num supermercado com mensagens denunciando a ofensiva na Ucrânia.

A artista Alexandra Skotchilenko presa pelo crime de deixar dizeres em supermercado contra a guerra na Ucrânia
A artista Alexandra Skotchilenko presa pelo crime de deixar dizeres
em supermercado contra a guerra na Ucrânia
Um estudante de Yaroslavl, um artista em São Petersburgo, um engenheiro em Kaliningrado, um professor aposentado na Buriácia, um escritor na região de Krasnodar... Na Rússia, todos os dias aumenta a lista de cidadãos perseguidos por “apologia do nazismo”, “extremismo” ou “difamação do Exército”.

De acordo com uma nova lei em vigor desde março de 2022, todos podem ser condenados. Mas a repressão é particularmente dura contra os intelectuais.

Entre 24 de fevereiro de 2022, data da invasão da Ucrânia, e 3 de dezembro de 2023, 19.884 pessoas foram detidas por manifestarem oposição à guerra, segundo a ONG russa OVD-Info, especializada no monitoramento de detenções e brutalidades policiais.

As sentenças vão de seis, sete, oito a até 25 anos de prisão. A pena mais dura foi infligida ao oposicionista Vladimir Kara-Mourza.

Yegor Balazeïkine (17 anos), foi condenado em novembro de 2023 a seis anos de prisão por um tribunal militar de São Petersburgo, por ter tentado atear fogo a um centro de recrutamento.

Quase 300 mulheres e homens se apinham nas celas, sejam opositores, simplesmente perseguidos, Testemunhas de Jeová ou tártaros da Crimeia.

A ONG de direitos humanos Memorial, aliás interditada e que teve fechados os seus museus dos Gulags soviéticos, estima que há um total de 1.352 presos políticos.

Comparado com os 144 milhões que constituem a população russa, o número pode parecer modesto. O problema é que aumenta exponencialmente.

Segundo a mesma organização, antes de Mikhail Gorbachev chegar ao poder, os presos políticos não ultrapassavam os 700.

“A repressão não faz distinção de idade ou profissão: pode ser uma aposentada ou uma jovem sem influência. A mensagem que o Kremlin envia é que ninguém está seguro”, afirma Olga Prokopieva, porta-voz da Rússia-Liberdades.

“E as penas são muito duras. Ao mesmo tempo, os criminosos são perdoados (prisioneiros recrutados nas prisões para sedrem enviados à “moedora de carne na frente ucraniana). É assustador”, acrescenta.

Ela reconhece, no entanto, que o poder putinista exerce uma repressão particular contra os intelectuais.

Na região de Tver, por exemplo, a produtora audiovisual Ludmila Razumova (56 anos) foi condenada a sete anos de colônia penal juntamente com o marido por ter publicado um vídeo nas redes sociais sobre “o uso das Forças Armadas Russas para destruir cidades e civis da Ucrânia”.

Jornalista Maria Ponomarenko condenada por ser contra a invasão da Ucrânia
Jornalista Maria Ponomarenko condenada por ser contra a invasão da Ucrânia
O casal também foi acusado de atos de “vandalismo” porque pintou a inscrição “Ucrânia, perdoe-nos” na parede de uma empresa. Mãe de três filhos, Ludmila passou um ano isolada.

A jornalista da RusNews Maria Ponomarenko (45 anos) foi condenada a seis anos de prisão por um artigo sobre o bombardeio do teatro dramático de Mariupol, na Ucrânia.

Ela foi presa em abril de 2022, em São Petersburgo e depois foi transferida a 4 mil quilômetros de distância para o centro de detenção provisória de Barnaul, na região de Altai.

Em março de 2023 foi encaminhada a um hospital psiquiátrico por se recusar a se despir na frente da polícia, e mais uma segunda vez em outubro. Pouco depois foi apresentada à força perante uma comissão disciplinar, descalça e algemada, por ter “pisado nos pés” dos agentes penitenciários.

Tal como nos tempos da União Soviética, os juízes e as administrações penitenciárias recorrem cada vez mais à psiquiatria punitiva. Muitos presos políticos também sofrem maus-tratos, tortura e privação de cuidados médicos.

Boris Akunin, um dos escritores russos mais famosos, foi rotulado de “terrorista” e suas obras foram retiradas da venda.

Dois anos depois do lançamento da “operação militar especial” de Putin contra Ucrânia, a armadilha judicial fechou-se em torno deste ensaísta e romancista que, com a sua caneta amarga, critica Vladimir Putin e denuncia “a guerra” (é crime chamar assim a “operaçao especial”, termo oficial).

Rosfinmonitoring, a agência federal de inteligência financeira, incluiu Akunin no registro de terroristas e extremistas. A polícia revistou as edições de Zakharov que distribuem os seus livros, e uma investigação de “difamação” do exército forçou as livrarias a retirar “As Aventuras de Eraste Fandorin” e todos os seus outros best-sellers dos seus catálogos.

Poeta foi surrado e violado por ler poesia anti-guerra
Poeta foi surrado e violado por ler poesia anti-guerra
Akunin vive exilado em Londres desde 2014 e acompanha à distância esta crescente onda de repressão contra os detratores do Kremlin.

“A loucura venceu”, lançou ele em 24 de fevereiro de 2022, descrevendo a ofensiva militar russa na Ucrânia como uma “guerra do absurdo”. Ele tampouco conteve as críticas a Putin: “A Rússia é liderada por um ditador que é mentalmente desequilibrado e, pior ainda, obedece à sua paranóia”, declarou.

No exílio, co-fundou o projeto “Nastoïachtchaïa Rossia” (Verdadeira Rússia) com outras personalidades culturais que fugiram do país.

“A repressão tornou-se intermina. A qualquer momento a lâmina pode cair sobre qualquer um de nós”, confidencia outra figura da autoproclamada “classe criativa anti-Putin”.

Por questões de segurança, este renomado escritor prefere permanecer anônimo porque, ao contrário de Boris Akunin, decidiu continuar morando na Rússia.

“É o meu país. Não é minha função partir. Mas escrever sobre o atual ambiente de guerra e repressão é impossível”, lamenta.

Quando pode, aproveita as bolsas europeias para deixar a família na Rússia e passar algumas semanas no estrangeiro.

Circularam mensagens nas redes sociais russas acusando-o de traição e extremismo, e de ser “um agente estrangeiro” devido aos seus contactos ocidentais.

Artistas renomadas aguardam julgamento
Artistas renomadas aguardam julgamento
“Tudo pode começar com trolls na internet e terminar em processos judiciais reais. Nós, intelectuais, estamos diretamente ameaçados”, confirma.

Evguenia Berkovitch, conhecida diretora de teatro, aguarda seu julgamento desde o verão. Oficialmente, ela é acusada de “defender o terrorismo” depois de um programa sobre o destino de mulheres recrutadas por islâmicos sírios.

Mas o seu grande pecado foi denunciar o Kremlin e sua ofensiva militar. No entanto, um público bastante jovem e intelectual tem a coragem de frequentar o pequeno teatro independente onde são apresentadas as suas obras, numa Moscou quase subterrânea.

Poucos dias antes do Natal, uma de suas criações terminava com um poema de outro autor: “Não vale a pena escrever, não vale a pena ler, é impossível acabar com a guerra ou começar a viver. Já é noite e você não consegue ver quase nada. A grama está coberta por uma névoa impenetrável”.


domingo, 2 de outubro de 2022

Mais mortes estranhas de descontentes com o putinismo

Stepnaz elimina quem pensa diferente do chefe
Stepnaz elimina quem pensa diferente do chefe
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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A newsletter do “Corriere della Sera” America-Cina Il Punto voltou a um tema macabro que ainda assim mais é de amigo alertar.

Na Rússia e no Ocidente a dissidência de “antigos amigos” está sendo ceifada com requintes de maldade e falsidade tendo virado uma dialética diária nos últimos meses, diz a newsletter.

Simultaneamente, o Ministério da Educação jogou-se na propaganda da guerra ensinando desde o início do ano letivo aos adolescentes os méritos da “operação especial” de invasão a Ucrânia, quando, até agora, os professores eram expressamente proibidos de falar dela. Ai do rapaz que, chegando à idade, não se oferecer para bucha de canhão.

A Rússia desinformada e “limpada” de dissidentes vivia no mundo mais azul conservador, evocador da paz soviética.

Mas, o regime de mentiras de Estado não deu mais.

O bilionário ucraniano Mikhail Tolstosheya também apareceu enforcado na garagem
O bilionário ucraniano Mikhail Tolstosheya
também apareceu enforcado na garagem
Para pior, nas províncias de São Petersburgo, Moscou e Kolpino, representantes de 18 administrações locais aderiram a um apelo de alguns vereadores do círculo eleitoral de Lomonosov, Moscou, pedindo em carta para Putin renunciar.

A linguagem dos funcionários é crua demais, mas habitual nos homens educados no regime soviético: “está provado, escrevem que os cidadãos de países onde há mudanças regulares de poder vivem melhor e mais tempo do que aqueles onde os líderes só saem quando estão mortos”.

Ainda viriam em São Petersburgo, sete vereadores pedindo à Duma de Moscou um “impeachment” do próprio presidente por alta traição. A guerra, escrevem eles, “prejudica a segurança da Rússia e de seus cidadãos”.

Na autoritária Rússia putinista esses gestos podem ter altíssimo custo: severas penas de prisão, como Alexei Navalny que enfrenta pelo menos nove anos numa colônia penal.

O mais informal e drástico dos destinos é conhecido por aqueles que se afastam do círculo mágico do presidente. Tendo sido velhos e serviçais “amigos” outrora impunes criticam, ainda que muito reservadamente, a liderança, após tê-la bajulado, e morrem assassinados.

Yegor Prosvirnin, fundador dos sites pró-governo, Sputnik e Pogrom também caiu da janela
Yegor Prosvirnin, fundador dos sites pró-governo,
Sputnik e Pogrom também caiu da janela
Yegor Prosvirnin
, fundador de dois sites de informação nacionalistas e pró-governo, Sputnik e Pogrom, caiu pela janela em dezembro; sem ficção de doença.

Ravil Maganov, 67, ex-presidente da petrolífera Lukoil, apontado como “gravemente doente” caiu em 1º de setembro da janela do quarto onde estava internado, no sexto andar de um hospital de Moscou.

A doença parece ter sido pedir a retirada da Ucrânia em março.

Kirill Zhalo, diplomata russo, agente do FSB, sumiu dos vivos em outubro.

Ivan Pechorin, homem-chave de Putin no estratégico Ártico, caiu no Mar do Japão e não foi mais visto. Ele era um executivo da Corporação de Desenvolvimento do Extremo Oriente e do Ártico, organização ministerial.

Seu último discurso no Fórum Econômico de Vladivostok contem palavras que podem tê-lo condenado.

Pechonin só atualizou a misteriosa lista de mortes de potentados desde o início da guerra.

Igor Nosov, ex-CEO da mesma corporação, foi acometido por um ataque cardíaco suspeito aos 43 anos em fevereiro.

Mikhail Tolstosheya, magnata ucraniano, apareceu em fevereiro, pendurado na garagem de sua vila em Surrey.

Vasily Melnikov, outro bilionário putinista, também foi encontrado enforcado em março num cenário semelhante. Sua esposa e dois filhos de 10 e 4 anos foram esfaqueados até a morte. Parentes e vizinhos não acreditaram na versão oficial.

Dan Rapoport, investidor achado morto em Washington
Dan Rapoport, investidor achado morto em Washington
Dan Rapoport
, banqueiro de investimentos, em abril foi morto em frente à sua casa em Washington em agosto.

Aleksander Subbotin, ex-líder da Lukoil, foi encontrado morto em maio, num porão onde praticava “rituais de purificação”.

Leonid Shulman, 60 anos, foi achado morto – e também sua família. O jovial executivo da Gazprom, estava na banheira com os pulsos cortados. Uma intrigante mensagem junto ao inexplicável suicida falava de uma dor numa perna que o obrigava a se afastar do trabalho.

Alexander Tyulyakov, mais um executivo da Gazprom, apareceu três meses depois enforcado na sua garagem.

Sergej Protosenya, ex-chefe da gigante do gás Novatek foi outro dos que apareceram enforcados na sua vila espanhola de Lloret de Mar. Uma macabra repetição ou repetitiva planificação do FSB.

Ivan Pechorin 'caiu de um barco no Ártico'
Ivan Pechorin 'caiu de um barco no Ártico'
Ao lado dele, foram achadas esfaqueadas sua esposa e filha, fato arquivado às presas sem esclarecer muitos lados inexplicáveis.

Vladislav Avayev, ex-vice-presidente do Gazprombank, é outra vítima de mais um assassinato-suicídio.

E a lista segue crescendo.

Ingênuos conservadores ocidentais amigos de generosos neo-amigos putinistas, no aperto do mal rumo da guerra na Ucrânia e da onda de agitações que o Kremlin prepara no coração da Europa ocidental pela falta de energia e pela carestia da vida poderão ser convidados a praticar atos que repugnam a suas consciências.

Acham que poderão recusar sem consequências habituados como estão a um ambiente de liberdades. Mas a KGB – hoje FSB – não entende nada disso e paga horrendamente.


segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Cárcere ou exilio: única opção para dissidente russo

Colonia penal N2, onde foi recluído Alexei Navalny
Colônia penal N2, onde foi preso Alexei Navalny
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Cada vez mais políticos e jornalistas russos estão sendo empurrados ao exílio num renascimento dos tempos mais sombrios da repressão soviética, descreveu longa reportagem do “The New York Times”.

O fluxo constante de emigrados políticos que acompanhou as duas décadas no poder do presidente Vladimir Putin agora se tornou uma correnteza.

Cada vez mais figuras da oposição, conselheiros, ativistas de direitos humanos e até jornalistas independentes ficam com apenas uma alternativa simples: fugir ou ir para a prisão.

Alexei Navalny, um dos principais líderes da oposição deixou a Rússia para ser tratado num hospital alemão especializado em venenos assassinos da KGB.

Ele foi se somar aos doze dissidentes e jornalistas que até agora deixaram o país em 2021. De acordo com analistas, esta é a maior onda de emigração política na Rússia pós-soviética. Navalny apenas recuperado voltou à Rússia e foi logo encarcerado.

As expatriações forçadas deste ano lembram a tática usada pela KGB durante as últimas décadas da União Soviética (URSS), quando a polícia secreta apresentava aos dissidentes duas opções: ir para o oeste ou ir para o leste.

Isto é, para o exílio [no Oeste] ou para um campo de prisioneiros na Sibéria [no Leste].

Hoje, como ontem, o Kremlin concluiu que exilar dissidentes de alto nível é menos complicado que prendê-los. Os russos no exterior são mais fáceis de pintar ante o povo como traidores vendidos ao inimigo.

segunda-feira, 19 de julho de 2021

Ditador bielorrusso
interdita hino nacional que invoca Deus

Bielorrussos agitam as cores nacionais cantando o Hino a Dieus que causou as cóleras de Lukashenko e de Putin.jpg
Bielo-russos agitam as cores nacionais cantando o Hino a Deus
que causou as cóleras de Lukashenko e de Putin.jpg
Luis Dufaur
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O Presidente da Bielo-Rússia, Aleksandr Lukashenko, voltou-se contra as igrejas católicas que cantem o hino religioso-patriótico “Deus Forte” (Magutnyj Boža) no dia da independência nacional, segundo registrou a agência Asia News.

O hino é uma oração a Deus – o grande odiado pelo presidente ateu – implorando o bem-estar para a Bielo-Rússia.

A letra foi composta em 1943 (sob ocupação nazista) pela poetisa católica Natalia Arsenieva e a música pelo compositor Nikolaj Ravenskij em 1947 (sob a bota soviética), se tornando muito popular.

Lukashenko inventou que é um “hino fascista” pois diz, entre outras coisas: “Deus poderoso! Senhor dos universos / Na Bielo-Rússia, quieta e amigável / Vós irradiaste os raios de Vossa glória. etc.”

Nada a ver com nada, mero ódio ateu do ditador putinista.

segunda-feira, 24 de maio de 2021

Caça bielorrusso intercepta avião de passageiros e sequestra opositor

MiG-29 bielorrusso obrigou pousar um avião comercial para sequestrar passageiro
MiG-29 bielorrusso obrigou pousar um avião comercial para sequestrar passageiro
Luis Dufaur
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Numa ação sem precedentes, um caça MiG-29 bielorrusso interceptou um avião de passageiros da Ryanair perto da fronteira da Lituânia e o obrigou a pousar em Minsk, capital da Bielorrússia, informou a imprensa mundial, como “La Nación”.

O voo comercial ia sem escalas da capital grega Atenas com destino a Vilnius, na Lituânia. Levava entre os passageiros a Roman Protasevich, editor do canal informativo de oposição Belamova, que denuncia ao autocrata Alexander Lukashenko, servidor de Vladimir Putin.

Lituânia e Grécia são membros da União Europeia e da NATO, mas é de se temer que essas poderosas alianças não ajam muito para proteger dois pequenos países membros.

Após o avião pousar contra sua vontade, a KGB – sinistro nome que ainda conserva a polícia bielorrussa perpetuando o regime da URSS – prendeu a Roman que pedia encarecidamente aos pilotos “Não façam isso. Eles vão me matar”, informou o “Jornal de Brasília”.

domingo, 20 de setembro de 2020

Bielorrússia na orla do precipício

Pedem democracia e honestidade eleitoral e recebem pauladas. Divulgação
Pedem democracia e honestidade eleitoral e recebem pauladas. Divulgação
Luis Dufaur
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Alexander Lukashenko ditador do regime comunista bielorrusso que prolonga a URSS se formou na liderança de uma fazenda coletiva, segundo editorial do “Le Monde”. Aliás num kolhoz equivalente aos assentamentos do MST

Seu tirânico reinado supremo sobre o país já atingiu vinte e seis anos conservando o esquema marxista-leninista.

Em agosto, “o último ditador da Europa” foi reeleito com 80,2% dos votos numa “nova farsa eleitoral”, segundo o jornal francês que, embora seja caixa de ressonância do socialismo, nessa ocasião acompanhou as críticas da mídia mundial.

A oponente Svetlana Tsikhanovskaya atraiu imensas multidões nos atos eleitorais, mas no cômputo oficial apareceu com apenas 9,9% dos votos.

A população acha que ela obteve realmente a maioria.

Desde aquele dia, dezenas de milhares de manifestantes protestam nas ruas de modo pacífico. Mas foram recebidos com violência boçal e inesperada pela polícia de choque em Minsk e 20 outras cidades do país.

domingo, 2 de agosto de 2020

Democracia de Putin: cárcere para quem o derrota nas urnas

Khabarovsk indignada pela prisão do governador que ela escolheu
Khabarovsk indignada pela prisão do governador que ela escolheu
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Como foi anunciado antes, durante e depois do referendo, o povo russo aprovou a nova Constituição que porá Vladimir Putin mais outras vezes no poder absoluto até 2036.

A esmagadora votação popular obedeceu ao pé da letra as proporções desejadas pela Comissão Eleitoral Central (77,9% de votos a favor).

Também obedeceram à lógica democrática russa as cômicas irregularidades nas locais de eleição.

Essas, filmadas pelas câmeras de segurança, exibiram funcionários introduzindo maços de votos nas urnas, como já se viu em eleições anteriores.

Os casos mais escandalosos, dignos de filmes dos três patetas, foram anulados.

A popularidade de Putin está em seu mínimo histórico. Ele enfrenta um crescente descontentamento social, escreveu “El País”.

Para aglutinar simpatias Putin apela para o nacionalismo militarista agressivo para defender o país de uma mal explicada conspiração capitalista planetária.

E ele se apresenta como como o gigante Adamastor que se ergue contra essa trama, distribuindo até cifras milionárias no exterior a movimentos "companheiros de estrada" enquanto a sociedade russa está exausta e a economia padece aguda crise.

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Referendo combinado fará de Putin um omniarca

Capa do The Economist de 2016 procurava discernir o enigma do putinismo ascendente.
Capa do The Economist de 2016 procurava discernir
o enigma do putinismo ascendente.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A revista britânica The Economist, a mais prestigiada no âmbito econômico, destacou o gosto de Vladimir Putin em confundir os outros.

Como ex-agente da KGB, diz a revista, ele se sente à vontade agindo na penumbra, sobretudo quando burla a lei. É o que viria fazendo desde o anúncio das mudanças constitucionais para mantê-lo no poder até 2036.

Pela atual Constituição deveria deixar a presidência em 2024, mas ele não tem a menor intenção de fazê-lo, diz o Economist.

Em 6 de março último prometeu que não repetiria a gerontocracia – governo oligárquico dos mais velhos – soviética, mas quatro dias depois, avisou exatamente o contrário à submissa Duma (Legislativo) que aprovou a reforma que o manterá no poder absoluto até atingir 83 anos de idade.

domingo, 2 de fevereiro de 2020

Rússia testa sua Cortina de Fogo desconectando-se da Internet

Com a nova rede os russos ficariam presos numa Cortina não de Ferro mas digital
Com a nova rede os russos ficariam presos numa Cortina não de Ferro mas digital
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Enquanto o mundo celebrava o Natal, o Kremlin comemorava como sucesso ter conseguido desconectar o país inteiro da rede global da Internet.

O pretexto foi “testar a efetividade da Runet, um projeto para criar uma infraestrutura que mantenha em funcionamento a rede caso sofra uma ameaça global”, noticiou “Clarín” de Buenos Aires.

Os testes demoraram vários dias e foram conduzidos por organismos do Estado, fornecedores locais de serviços, empresas de Internet russas, mas não outras.

O vice-ministro russo das Comunicações, Alexey Sokolov, falou de exercícios para capacitar os operadores russos a “responder de forma efetiva a riscos e ameaças externas”.

A Rússia tenta há anos montar um sistema de algoritmos que permita à sua rede funcionar de modo totalmente incompatível com a rede mundial, ficando inacessível desde fora.

Moscou vinha promovendo seu projeto junto a países “amigos” em competição com o sistema chinês – apelidado “Grande Muralha de Fogo” –, utilizado por Pequim para censurar as comunicações de seus cidadãos dentro e fora da China.

O sistema chinês exige um verdadeiro exército – fala-se em mais de cem mil homens – dedicado a espionar e cortar as mensagens dos chineses que se desviem da linguagem ou ‘novilíngua’ socialista oficial.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

O Kremlin tenta silenciar,
mas as “heroínas do Gulag” falam

Os restos dos campos de trabalho, ou Gulag, ainda salpicam a geografia russa. Mas Putin quer que não se fale disso.
Os restos dos campos de trabalho, ou Gulag, ainda salpicam a geografia russa.
Mas Putin quer que não se fale disso.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A máquina de propaganda do Kremlin ainda hoje tenta silenciá-las, mas as “heroínas do Gulag” não temem contar os sofrimentos indizíveis que passaram na rede de campos de concentração soviéticos, ou Gulag, onde eram encerrados os “inimigos do povo”, prisioneiros políticos e opositores do regime.

No livro “Vestidas para um baile na neve” (Galaxia Gutenberg, 2017) Monika Zgustova recolheu alguns de seus estarrecedores relatos, conta reportagem de “El Mundo” de Madri.

“O complexo da fome está comigo até hoje”, lembra Janina Misik, uma das nove sobreviventes entrevistadas.

Elas eram obrigadas a trabalhar do alvorecer até o pôr do sol e só recebiam 300 gramas de pão para sustento. Por vezes lhes davam sopa de couve podre, mas quando não havia deviam se contentar com água requentada.

Como chegaram até lá?

Janina levantou-se da cama por volta das cinco da manhã de 10 de fevereiro de 1940. Homens da NKVD, predecessores da KGB e da atual FSB, berravam na sua porta.

domingo, 17 de dezembro de 2017

Crianças treinadas para morrer por Putin

Cadete  no treino
Cadete  no treino
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Vladimir Putin é candidato a mais uma reeleição presidencial.

Aliás, Evo Morales também. Não há proximidade geográfica entre os dois. Mas sim ideológica e psicológica.

O instinto diz ao déspota que não pode largar o poder, pois as consequências pessoais podem ser irreparáveis. Falem Lula e Cristina Kirchner.

Nas últimas semanas, Putin acenou com massacres em massa no leste ucraniano – atribuindo-as à Ucrânia – e fez declarações que insinuam a guerra mundial a propósito da Coreia do Norte.

As ameaças, entretanto parecem direcionadas ao público russo. Elas visariam atemoriza-lo e aglutiná-lo em volta do atual presidente para aceitar o resultado eleitoral.

Esse resultado já deve estar pronto em algum ministério putinista. Também a aprovação pública ao ditador aumentou segundo o governo queria.

Nesse aumento de popularidade contribui o recrutamento e doutrinação de crianças-soldados. O exército carece de soldados pela acentuada queda da população e da natalidade.

Putin deitou mão de um velho recurso de ditador beirando o desespero: recrutar adolescentes e crianças para lhes dar oficialmente “educação militar e patriótica”.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Fraude arrasa na Rússia mas macrocapitalismo midiático ocidental acaba aceitando – 2

A área vermelha do gráfico representa o tamanho estatístico da fraude em favor da Yedinaya Rossiya (Rússia Unida) o partido de Putin
A área vermelha do gráfico representa o tamanho estatístico da fraude
em favor da Yedinaya Rossiya (Rússia Unida) o partido de Putin
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Continuação do post anterior: Tal como na velha URSS, a fraude eleitoral na “nova Rússia” – 1




A agência ucraniana Euromaidanpress foi estudar os resultados oficiais publicados na Internet pelo Comitê Eleitoral Central da Rússia.

E com simples métodos estatísticos aplicados pelo matemático russo Sergei Shpilkin logo constatou tratar-se de mais uma fraude eleitoral maciça.

Nem o Kremlin se preocupou em maquiar os resultados com números matematicamente congruentes.

Sem falsificações maciças, analisou Shpilkin, os partidos de oposição poderiam ter tirado 49,47% contra 40% da Rússia Unida de Putin. Porém, os resultados oficiais invertem os números e reduzem o conjunto da oposição a 37,09% contra 54,17% do partido do chefe do Kremlin.

domingo, 16 de outubro de 2016

Tal como na velha URSS:
a fraude eleitoral na “nova Rússia” – 1

Fraude estava arrumada há tempo
Fraude estava arrumada há tempo
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Nunca as eleições para a Duma (Câmara baixa) da Rússia prometeram ser tão tediosas quanto as que acabaram se realizando no dia 18 de setembro, observou “El País” de Madri, jornal afim ao ideário socialista.

O resultado estava anunciado há tempos e foi atingido ao pé da letra: vitória arrasadora de Vladimir Putin.

As instituições do Estado estão tão debilitadas que já não dizem mais nada para os cidadãos. O sistema político evoca uma arcaica monocracia baseada na vontade discricionária do chefe absoluto, prosseguiu o jornal.

A população está achincalhada pela deterioração do nível de vida, da alta de preços de medicamentos, alimentos e tarifas dos serviços públicos, assim como dos abusos das autoridades locais.

O presidente-árbitro é o déspota que pode tudo. Exemplo patético disso foi dado pelo oligarca Vladimir Evtuchenkov, de quem foi tirada a florescente empresa petrolífera Bashneft devido às ambições de seus concorrentes, todos eles vassalos do chefe único.

Embora humilhado e despossuído, Evtuchenkov voltou para dar graças a Putin por livrá-lo do confinamento a que tinha sido submetido pelos órgãos de segurança dependentes do próprio Putin!

“Antes se dirigiam ao imperador (em busca de justiça), e agora nos dirigimos ao presidente”, explicou Evtuchenkov no canal de televisão Dozhd, citado pelo jornal espanhol.

domingo, 26 de junho de 2016

Putin cria Guarda Pretoriana
para reprimir descontentamentos

As tropas do Ministério do Interior preparadas para reprimir dissidências internas serão assimiladas na nova 'Guarda Pretoriana' de Putin.
As tropas do Ministério do Interior preparadas para reprimir dissidências internas
serão assimiladas na nova 'Guarda Pretoriana' de Putin.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Vladimir Putin está cimentando seu poder com uma “Guarda Pretoriana” composta por centenas de milhares de homens, informaram diversos órgãos da mídia, entre eles o “Financial Times”.

A criação da Guarda Nacional é um passo histórico na constituição de um corpo de segurança interno destinado a reprimir os descontentamentos sociais derivados do mal-estar econômico. Ela poderá reunir entre 350.000 e 400.000 homens.

Putin disse que o novo corpo está destinado a “combater o terrorismo e o crime organizado”. Mas, com uma ordem presidencial (ukaze), acrescentou que também deve proteger a ordem pública, reprimir o extremismo, garantir as instalações do Estado, cuidar das fronteiras e controlar o comércio de armas.

domingo, 22 de maio de 2016

Tártaros da Criméia
indignados com a opressão russa

Policia secreta russa reprime dissidentes tártaros.
Policia secreta russa reprime dissidentes tártaros.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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política internacional,
sócio do IPCO,
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A população tártara da Crimeia está indignada com a opressão que sofre por parte dos invasores russos de sua terra.

A tensão atingiu mais um patamar quando a Procuradora Geral da península, Natalia Poklonskaïa, suspendeu a Assembleia dos Tártaros, ou Medjlis, acusando-a falsamente de praticar “atividades extremistas” e de trabalhar pela “desestabilização”, escreveu o jornal parisiense “Libération”.

O Medjlis é o órgão representativo da população tártara da Crimeia. Os tártaros são um povo muçulmano de etnia turca que fizeram parte das hordas mongólicas que invadiram e devastaram o mundo eslavo entre os séculos XV e XVIII.

Após essas guerras, os tártaros se fixaram na Crimeia, dedicando-se à agricultura e ao artesanato, adotaram muitas formas da cultura ocidental e passaram a viver em paz com a população local, preservando a nostalgia de suas raízes históricas.

Os tártaros da Crimeia resistiram à revolução bolchevique, até que o regime comunista empreendeu uma sanguinária perseguição contra eles, coletivizando suas terras com a reforma agrária e dizimando-os nas Grandes Purgas dos anos 1930.

Uma geração inteira de homens de elite, políticos e intelectuais tártaros famosos foi massacrada pelo comunismo com falsas acusações.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Incompreensíveis elogios do Papa Francisco a Cuba comunista

Incompreensíveis elogios do Papa Francisco a Cuba comunista
Incompreensíveis elogios do Papa Francisco a Cuba comunista



Francisco I e o patriarca ortodoxo Kirill, em documento conjunto assinado em Havana, tentaram justificar o local escolhido afirmando que Cuba seria “um símbolo de esperança no Novo Mundo.”

Honestamente, não se entende em que sentido um ilha-prisão comunista, com quase 60 anos de sinistra existência, poderia ser considerada como um símbolo de “esperança”.

1. Papa Francisco e Patriarca de Moscou Kirill, em documento conjunto assinado em Havana, tentam justificar o local escolhido alegando entre outras coisas que Cuba seria “um símbolo de esperança no Novo Mundo.”

2. Respeitosamente, não se entende em que sentido um ilha-prisão comunista, com quase 60 anos de sinistra existência, poderia ser considerada como um símbolo de “esperança”.

3. E verdadeiramente, é uma prisão que continua tiranizada pelos carcereiros que perseguiram os católicos com criando centros de “re-educação”, com presídios e até mesmo com pelotões de fuzilamento para se livrar de jovens católicos, muitos dos quais, é um imperativo de justiça lembrá-lo, morrera bradando “Viva Cristo Rey! Abaixo o comunismo!”

domingo, 21 de junho de 2015

Associações estrangeiras à mercê do despotismo do Kremlin

As organizações estrangeiras e as russas que mantêm relações com elas  poderão ser banidas com pretextos legais confusos.
As organizações estrangeiras e as russas que mantêm relações com elas
poderão ser banidas com pretextos legais confusos.



O Parlamento russo aprovou definitivamente a anunciada lei que permite ao esquema repressivo do Estado proibir as organizações estrangeiras instaladas na Rússia e rotuladas por ele de “indesejáveis”, noticiou a Reuters.

Desde o início da tramitação dessa lei e de outros textos análogos, a Igreja Católica, suas ordens religiosas e agências de caridade foram apontadas como alvos, caso não agradem Moscou.