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domingo, 3 de julho de 2022

Onda de expurgos

Marina Ovsyannikova salvou a vida pela repercussão do protesto
Marina Ovsyannikova salvou a vida pela repercussão do protesto
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Em março, Putin ordenou limpar Rússia da “escória de traidores” que trabalharia para os EUA dando notícias desastrosas da guerra e criticando-a no seu círculo íntimo.

A ameaça saiu depois que Marina Ovsyannikova da TV estatal Channel One exibiu um cartaz atrás do locutor do noticiário que dizia: “Eles estão mentindo para você”.

Quase 15.000 russos foram detidos em protestos contra a guerra, dezenas de milhares se exilaram e uma nova lei pune com até 15 anos de prisão a quem noticie o mal rumo da guerra.

Desde então, as mortes misteriosas de oligarcas e de suas famílias somam dezenas. A maioria foi alvo de “suicídios” análogos.

Alexander Tyulyakov, vice-diretor do tesouro da Gazprom, a todo-poderosa empresa estatal de energia, apareceu enforcado na garagem de seu apartamento.

terça-feira, 30 de novembro de 2021

Crime misterioso em Berlim aponta uso russo de métodos da KGB

Embaixada russa no centro de Berlim
Embaixada russa no centro de Berlim
Luis Dufaur
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Um diplomata russo, que se acredita ser um agente secreto do serviço de inteligência FSB, foi encontrado morto em outubro [2021] em uma rua em frente da embaixada russa em Berlim.

Assim afirma investigação da revista Der Spiegel, referida por “La Nación”.

O homem morreu quando teria sido jogado em 19 de outubro de um andar alto da embaixada. De acordo com fontes de segurança alemãs, os motivos da queda e da morte são “desconhecidos”.

O homem poderia ter sido morto antes de seu corpo ser jogado pela janela do prédio localizado a poucos metros do Portão de Brandemburgo.

A polícia de Berlim se recusou a comentar e dirigiu todas as perguntas aos promotores públicos, que até o momento não comentaram o caso. A descoberta do corpo não havia sido relatada anteriormente.

domingo, 8 de agosto de 2021

KGB sequestra e assassina dissidente no exterior

Vital Shyshou auxiliava a seus compatriotas fugitivos e em necessidade
Vital Shyshou auxiliava a seus compatriotas
fugitivos e em necessidade
Luis Dufaur
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O jovem bielorrusso Vital Shyshou que ajudava seus compatriotas fugitivos da ditadura de seu país natal foi encontrado enforcado em um parque de Kiev, capital da Ucrânia, onde costumava correr, noticiou Yahoo!Notícias.

Vital de 26 anos, dirigia a ONG Casa Bielarussa na Ucrânia (BDU, na sigla em inglês), e a polícia de Kiev suspeita um homicídio disfarçado de suicídio.

O crime teria sido ordenado pelo regime do ditador da Bielorrússia Alexander Lukashenko e executado pela KGB, polícia que conserva o velho molde soviético e, na Bielorrússia perpetua até o nome que na Rússia Putin trocou.

Shyshou foi advertido de possíveis agressões, sequestros ou até homicídio. Ele se sentia vigiado desde que deixou seu país natal, em 2020.

“É uma mensagem para todos os bielorrussos que estão no exterior” disse Volha Yermalayeva Franco, representante no Brasil da oposição à ditadura da Bielorrússia .

Há pouco mais de dois meses, outro exilado da Bielorrússia , o blogueiro Roman Protassevich, foi sequestrado e preso pelo regime, quando viajava num voo comercial.

domingo, 28 de fevereiro de 2021

Como matam os envenenadores de Navalny

Pessoal de emergência do xjército alemão leva Alexei Navalny para o Charite de Berlim
Pessoal de emergência do exército alemão leva Alexei Navalny
para o hospital Charite de Berlim
Luis Dufaur
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A tentativa do Kremlin de envenenar o dissidente liberal Alexei Navalny foi frustrada por uma pressão internacional. 

Navalny foi tratado num hospital alemão especializado nos venenos que os serviços secretos russos elaboraram para punir mais sadicamente seus ex-membros.

O crime reavivou a lembrança de tentativas químicas recentes como os assassinatos do jornalista Timur Kuashev, de Nikita Isaev líder da Nova Rússia – partido de Putin – e de Ruslan Magomedragimov, dissidente do Daguestão.

A esta conclusão chegou uma nova investigação promovida pela rede de dissidentes russos “The Insider”, a grande revista alemã “Der Spiegel” e “The Bellingcat”, publicação especializada em atividades clandestinas ou secretas, que foi glosada pelo jornal espanhol “El Mundo”.

Delatou o plano a movimentação de oito homens do “esquadrão de ataque” do FSB – a continuadora da polícia política soviética KGB – suspeitos da tentativa de envenenamento de Navalny .

Segundo “The Insider” as viagens dos três homicidas coincidem no espaço e no tempo com os ataques cometidos.

domingo, 4 de outubro de 2020

Veneno: arma preferida da Rússia

Pyotr Verzilovlevado de urgência a um hospital em Berlmn em 2018.
Pyotr Verzilovlevado de urgência a um hospital em Berlmn em 2018.
Luis Dufaur
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O opositor russo Alexei Navalny foi envenenado com Novichok, um poderoso tóxico reservado para uso da polícia secreta.

A substância foi misturada no chá que os russos tomam em abundância durante um pouso de emergência seu voo na cidade siberiana de Omsk segundo órgãos da imprensa internacional como “El Mundo”.

Navalny foi salvo num hospital militar alemão especializado nos venenos da repressão russa. Felizmente está dando sinais de lucidez embora ainda seja necessário avaliar danos derivados do tóxico.

A Rússia se recusa a devolver as roupas da vítima que poderiam trazer indícios e fechou o partido do próprio Navalny. Mas, amigos da vítima resgataram uma garrafinha de água do hotel comm restos de Novichock. Cfr. “El Mundo”.

Apenas recuperado do violento trauma Alexei Navalny acusou diretamente a Vladimir Putin de estar “por trás” de seu envenenamento.

A vítima opositora falou na sua primeira entrevista após sair do hospital.

O chefe do Kremlin deu a ordem. “Não há outra explicação” declarou ao semanário 'Der Spiegel', citado por “El Mundo”.

domingo, 8 de março de 2020

“Valores familiares” de Putin incluem assassinato, diz neto de antigo presidente do PC dos EUA

O advogado Sergei Magnitsky foi sequestrado e assassinado porque denunciou esquema de corrupção no Kremlin.
O advogado Sergueï Leonidovich Magnitski foi sequestrado e assassinado
porque denunciou esquema de corrupção no Kremlin.
Luis Dufaur
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O empresário Bill Browder, que chegou a dirigir na Rússia o fundo de investimento Hermitage Capital Management, declarou já hái anos no programa “60 Minutes” da TV CBS que:
“o regime russo é um regime criminoso. Estamos lidando com um país nuclear dirigido por uma gangue de bandidos como a Máfia”.

Browder disse isso numa entrevista a Cliff Kincaid, diretor do Accuracy in Media Center for Investigative Journalism (Centro de Jornalismo Investigativo de ‘Acuidade na Mídia’), grupo independente sediado em Bethesda, Maryland, EUA.

Accuracy in Media analisa a objetividade das notícias veiculadas nos órgãos do macrocapitalismo publicitário e a veracidade das declarações publicadas.

Na entrevista, Browder manifestou seu espanto com o engano de certos conservadores que acreditam que Vladimir Putin seja um defensor dos valores familiares.
“Se você quer falar de valores familiares, vai falar com a família Magnitsky sobre o que aconteceu com sua família em consequência da maldade de Vladimir Putin”, disse.
De fato, Sergei Magnitsky, advogado da firma de Browder na Rússia, foi sequestrado e assassinado pelas autoridades em 2009. Ele tinha revelado um esquema de corrupção no Kremlin que desviou um total de $230 milhões de dólares.

Browder disse que muita gente acha que Putin é bom porque “ignora o fato de que ele é um frio assassino que mata por dinheiro...”

O avô de Browder foi chefe do Partido Comunista dos EUA e o neto quis investir na Rússia assim que acreditou ter uma oportunidade.

Sergueï Leonidovich Magnitski:
seu assassinato pelos 'serviços' do Kremlin ainda faz falar Ocidente.
Porém, ficou estarrecido quando o caso de Magnitsky evidenciou de modo concreto como Putin e seu grupo de ex-policiais da KGB estavam saqueando o país e consolidando seu poder.

Segundo Browder, Putin age na base de um “princípio da Máfia”: “tirar o máximo de dinheiro possível do Estado e ficar no poder segurando esse dinheiro”.

A invasão da Ucrânia soou em 2014 como alerta de que não se pode confiar no Kremlin. Era para ter ficado alerta antes, agora que entrou vai ser difícil tirar.

Moscou havia assinado um acordo com os EUA para garantir a integridade territorial do país, a Crimeia incluída. Mas agora o Leste ucraniano está invadido, Putin enrola e não sai.

Na Ucrânia, Putin teve um semelhante no presidente filo-comunista Viktor Yanukovych, que praticou os mesmos abusos e viveu nos mesmos luxos espalhafatosos e crapulosos até fugir.

Browder concorda que o estilo soviético de controle e da desinformação fazem parte do plano.

Como Putin controla a maioria das fontes de informação dentro da Rússia e está enforcando a Internet ainda ficam raras janelas de liberdade de expressão. Mas pessoas se perguntam o que ele vai fazer para acabar enforcando-as, acrescentou o empresário.

A respeito das afirmações de que a fortuna de Putin atingiria algo como 70 bilhões de dólares, Browder apenas responde: “Ouvi números maiores do que estes”.

William 'Bill' F. Browder, em Davos 2011. Neto de presidente do Partido Comunista dos EUA não quer voltar a Russia pois teme ser assassinado.
William 'Bill' F. Browder, em Davos 2011.
Neto de presidente do Partido Comunista dos EUA
não quer retornar à Rússia pois teme ser assassinado.
Enquanto investidor na Rússia, Browder participava regularmente dos encontros do U.S.-Russia Forum, em Washington e Moscou.

Mas como Browder começou a criticar os desmandos do Kremlin, foi expulso do país em 2005, seus escritórios foram devassados em 2007, e seu advogado Magnitsky desapareceu em 2008, sendo assassinado em 2009.

Browder disse conversar com muitos homens de negócios no Foro Econômico de Davos, na Suíça, e que o 90% deles não pretendem investir mais na Rússia porque temem que lhes aconteça o mesmo.

“Não faz sentido investir na Rússia quando há a possibilidade real de acabar morto. Não há direito de propriedade, não há direitos legais, não há regras”, explicou.

“As pessoas não estão bem informadas sobre o que acontece na Rússia e agem com base no que elas querem que a Rússia seja em lugar do que ela realmente é. Infelizmente, a verdade sobre a Rússia é muitíssimo ruim”, acrescentou.

O Congresso americano aprovou a Sergei Magnitsky Rule of Law Accountability Act em 2012, uma lei que faz represálias econômicas e de vistos contra os agentes envolvidos no caso de Magnitsky ou acusados de abusos contra os direitos das pessoas.

Mas a lei precisa ser implementada, e isso não é do gosto de muitos funcionários altamente posicionados em Washington, e secretamente muito mais próximos de Vladimir Putin do que parece à primeira vista.


domingo, 1 de março de 2020

Teia de sicários russos enreda Europa

Yevgeny Prigozhin, o irritadiço e mafioso 'chefe da cozinha' de Putin, escolhe os mercenários e os 'trolls'
Yevgeny Prigozhin, o irritadiço e mafioso 'chefe da cozinha' de Putin,
escolhe os mercenários e os 'trolls'
Luis Dufaur
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Em dezembro/19, o jornal francês “Le Monde” revelou que pelo menos 15 espiões russos, da Unidade 29155 da Direção Geral do Estado-Maior General das Forças Armadas da Federação Russa (GRU), estavam usando a região alpina francesa da Haute-Savoie, como base logística para tarefas secretas, incluindo assassinatos e sabotagens, repercutiu o Eurasia Daily Monitor, da The Jamestown Foundation.

Concomitante a isso, autoridades alemãs divulgaram que agentes russos estavam ligados ao assassinato de Zelimkhan Khangoshvili, um ex-comandante rebelde da Chechênia, morto em Berlim, em agosto, com três tiros disparados em pleno dia, por arma com silenciador, num parque de Berlim. O suspeito preso teria chegado da França, acrescentou “Le Monde”.

A Alemanha acusou o governo russo de relutância em cooperar na investigação do assassinato, sendo dois diplomatas que trabalhavam para a GRU na embaixada russa de Berlim declarados personae non gratae.

Cinco meses depois, o opositor checheno Imran Aliev foi morto a facadas num hotel de Lille, noticiou a Agência France Presse (AFP) citada pelo mesmo “Le Monde”.

Ele foi um blogueiro muito crítico do regime pro-Putin de seu país, parte da Federação Russa.

Costumava postar sob o pseudônimo Mansur Staryi, no Facebook e no YouTube, críticas muito fortes ao autoritário dirigente russo.

No dia 17 de novembro do ano passado, um vídeo publicado no YouTube mostra o diplomata russo Georgiy Kleban dando dinheiro a um oficial sérvio em Belgrado.

É prática comum da GRU manter uma ou duas pessoas entre os adidos militares de cada embaixada russa. Suas tarefas incluem contatos com círculos políticos e militares do estado anfitrião.

O envenenamento de Sergei V. Skripal na Grã-Bretanha acelerou a descoberta da Unidade 29155
O envenenamento de Sergei V. Skripal na Grã-Bretanha
acelerou a descoberta da Unidade 29155
A Agência de Inteligência de Segurança da Sérvia (BIA) expressou profunda insatisfação com o fato de a inteligência russa usar a capital sérvia como plataforma para inúmeras operações especiais em outros países europeus.

Grande número de nacionalistas sérvios radicais, supostamente conservadores ou identitários foram treinados por instrutores da GRU no leste ucraniano ocupado por separatistas filo-russos, segundo a Deutsche Welle.

Já o Ministério Público búlgaro denunciou que o primeiro secretário da embaixada russa em Sofia fez reuniões secretas com cidadãos búlgaros, incluindo um alto funcionário com acesso a informações classificadas da Bulgária, da União Europeia e da OTAN visando ações contra o Ocidente.

Os serviços de inteligência russos instalaram dispositivos de escuta do porão ao telhado do hotel cinco estrelas Marinela, em Sofia, que foi utilizado por líderes europeus na capital búlgara.

O proprietário do hotel, Vetko Arabadjiev, foi agente do serviço secreto búlgaro na era soviética, e hoje é próximo do Partido Socialista Búlgaro, apoiado por Moscou.

A Rússia também visava usar seu esquadrão de assassinos móveis da Unidade 29155 para eliminar o traficante de armas búlgaro Emilian Gebrev.

Uma série de investigações conjuntas apontou que pelo menos oito agentes da GRU tentaram envenenar Gebrev, seu filho e o diretor de sua empresa.

Os matadores dispunham de um veneno da família “Novichok”, que é exclusividade da GRU, também empregado contra o ex-agente Skripal e sua filha no Reino Unido.

Por sua vez, a Catalunha é a região europeia onde mais opera a Unidade 29155, ou “esquadrão móvel” da GRU.

O traficante de armas Emilian Gebrev sobreviveu a tentativa de assassinato em Sofia, Bulgária
O traficante de armas Emilian Gebrev
sobreviveu a tentativa de assassinato em Sofia, Bulgária
Em 2017, foi identificado um “rastro russo” no movimento pró-independência da Catalunha. Em novembro, o Supremo Tribunal da Espanha investigou o envolvimento de um espião russo para desestabilizar a Espanha nas vésperas do referendo na Catalunha.

Ele agia sob o falso nome de “Sergey Fedotov” e esteve envolvido em tentativas de assassinato em todo o continente europeu.

Em outubro, o Serviço de Informações de Segurança da República Checa (BIS) divulgou a existência de uma rede que dependia do Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB, a “KGB de Putin”) e era financiada pela embaixada russa em Praga.

A tarefa dessa rede consistia em ataques cibernéticos contra alvos na República Checa e seus aliados.

Apesar de o governo russo negar o seu envolvimento na enxurrada de escândalos de espionagem que pulularam por toda a Europa nos últimos meses, ficou muito claro que tais desmentidos de Moscou não apresentam credibilidade alguma, diz o Eurasia Daily Monitor.

Com efeito, a rede de inteligência da Rússia trabalha para minar a coesão interna e a unidade dos países europeus.


domingo, 19 de janeiro de 2020

Unidade 29155: subversivos e assassinos russos em ação

Envenenadores do ex espião russo Serguei Skripal e de sua filha Yulia, membros da unidade 29155, flagrados em Salisbury, Inglaterra
Envenenadores do ex espião russo Serguei Skripal e de sua filha Yulia,
membros da unidade 29155, flagrados em Salisbury, Inglaterra
Luis Dufaur
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Uma campanha coordenada e em andamento para desestabilizar a Europa tem como instrumento insidioso uma unidade de elite da inteligência russa especializada em subversão, sabotagem e assassinatos, denunciou o jornal “The New York Times”.

O primeiro ardil detectado foi a campanha de desestabilização na Moldávia.

Logo depois foi o envenenamento de um traficante de armas búlgaro e um golpe frustrado no Montenegro que devia incluir o assassinato do primeiro ministro e a tomada do Parlamento.

Mais um golpe em 2018 foi a tentativa de assassinato um ex-espião russo e sua filha na Grã-Bretanha usando um veneno nervoso.

Todas essas operações tiveram as impressões digitais dos serviços de inteligência russos, mas as autoridades ocidentais as consideraram ataques isolados e não interligados, diz o jornal.

domingo, 28 de julho de 2019

Pobreza e repressão potenciam descontentamento

Putin teve que reconhecer o empobrecimento da Rússia
Putin teve que reconhecer o empobrecimento da Rússia
Luis Dufaur
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Putin prossegue enfrentando um crescente descontentamento e teve que reconhecer que o nível de vida dos russos se degradou nos últimos anos.

E se obrigou a remediar a situação. Mas poucos acreditam na gasta promessa.

Ordenados baixos demais, aumento nos preços ao consumidor e nos serviços públicos: as queixas não acabam.

Putin confessou que a vida estava mais dura, mas pôs a culpa no Ocidente e na queda da cotação internacional do petróleo, noticiou a agência France Press.

Também defendeu medidas impopulares como a elevação da idade para a aposentadoria, aumento do ICMS, etc., mas insistiu que aumentaria o nível de vida da população que só faz baixar há anos, consertar o calamitoso sistema de saúde e a deficiente coleta do lixo.

O regime criou o programa “Linha direta” em que cada russo pode enviar sua queixa ao presidente.

As questões mais repetidas num total de 1,8 milhões foram: “uma só pergunta: quando o Sr. vai embora?”, “o que faremos quando acabe o petróleo e o gás?”, e “por favor, salve a Rússia”.

domingo, 10 de março de 2019

Os comandos assassinos da Rússia

Maxim Borodin (direita) incomodou o Kremlin investigando o 'exército privado de Putin' na Síria. Apareceu morto em circunstâncias reveladoras.
Maxim Borodin (direita) investigou a ação do 'exército privado de Putin' na Síria.
Apareceu morto em circunstâncias reveladoras.
Luis Dufaur
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A misteriosa morte do jornalista de investigação russo Maxim Borodin, que apareceu na rua após cair de um quinto andar na sua cidade de Ekaterimburgo, região centro-oriental da Rússia, soou a um assassinato encomendado por causa de suas investigações sobre a atividade de mercenários russos na guerra da Síria, escreveu “Clarín” de Buenos Aires.

A polícia estadual de Sverdlovsk sugere que foi um suicídio, malgrado reconheceu não ter achado sinal algum nesse sentido.

Mas, Polina Rumiantseva, chefe de redação da agência de notícias Novy Den, onde trabalhava Borodin, acha que não houve nada do que a polícia diz.

Um amigo de Borodin, Vyacheslav Bashkov, contou em Facebook que nessa tarde o jornalista alertou que seu prédio estava rodeado por “membros das forças de segurança” com roupa camuflada e mascarados.

domingo, 1 de abril de 2018

Kremlin encomenda homicídio
e gera onda mundial de retaliações

Mais de 60 pessoas envenenadas na área do crime
Mais de 60 pessoas envenenadas na área do crime
Luis Dufaur
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De momento, somam mais de 120 os diplomatas russos expulsos dos EUA e de 18 países da União Europeia, além da Ucrânia, do Canadá, da Noruega e da Austrália em represaria pela tentativa de assassinato do ex-espião russo Sergueï Skripal e de sua filha Iulia.

Há outros 144 em vista, inclusive acreditados na NATO, de acordo com a France Press.

Só os EUA expulsaram 60, 12 dos quais seriam espiões ativos na ONU. Também fechou o consulado russo em Seattle que estaria perto demais de uma base de submarinos atômicos.

A Rússia revidou expulsando outros 60 diplomatas americanos e fechando o consulado dos EUA em São Petersburgo.

A primeira ministra britânica Teresa May declarou Moscou “culpado” do crime. A chancelaria russa respondeu se tratar de “uma grosseira provocação” e começou as retaliações expulsando 60 diplomáticos dos EUA e fechando o consulado americano em São Petersburgo.

domingo, 10 de dezembro de 2017

“Epidemia” de mortes estranhas dizima corpo diplomático russo

A estranha epidemia de diplomáticos russos mortos de modo inexplicado
A estranha epidemia de diplomáticos russos mortos de modo inexplicado
Luis Dufaur
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Uma estranha “epidemia” atinge o corpo diplomático russo, escreveu Alain Rodier, diretor do Centro Francês de Pesquisa e Informação (CF2R), especialista em terrorismo islâmico e criminalidade organizada, em artigo para a revista “Atlantico”.

Em menos de um ano, sete diplomatas russos perderam a vida em circunstâncias pelo menos estranhas. A morte mais conhecida aconteceu em 19 de dezembro de 2016: Andrei Karlov, embaixador russo na Turquia foi assassinado por um fanático islâmico que fingia ser policial.

A ocorrência foi testemunhada e registrada pela imprensa em um museu da capital turca. O matador alegava querer vingar-se de colegas mortos em Alepo, Síria.

Foi o único caso explicável e esclarecido. Nos outros paira a sombra da contraespionagem e da polícia secreta russa FSB, também encarregada de livrar o amo do Kremlin de adversários reais ou potenciais.

No mesmo dia, Petr Polshikov, responsável pelo Departamento Latino-americano do Ministério de Relações Exteriores, foi encontrado morto em seu departamento moscovita com uma arma na mão. A FSB falou de suicídio, mas nunca se conheceram os pormenores. No silêncio, todas as hipóteses ficaram em aberto.

domingo, 1 de outubro de 2017

Máquina repressiva de Putin
supera esquemas soviéticos

A FSB (Serviço Federal de Segurança da Federação Russa) é a polícia de Putin, sucessora reforçada da KGB soviética
A FSB (Serviço Federal de Segurança da Federação Russa)
é a polícia de Putin, sucessora reforçada da KGB soviética
Luis Dufaur
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Em reportagem, o “The Guardian” descreve a polícia de Vladimir Putin – a FSB – como sendo muito mais do que um simples órgão de segurança.

Porque combina funções de polícia e de rede de espionagem, com um poder talvez superior ao das antigas Checa de Lenine, NKVD de Stalin e KGB da URSS.

Putin é o verdadeiro restaurador do poder das antigas polícias secretas, agora sob a sigla FSB. Muitos de seus colegas na ex-KGB estão hoje no coração da Nomenklatura de oligarcas que governam as imensas empresas do Estado.

Os espiões que agem no exterior prestam conta a uma agência especial: a SVR, na qual a FSB tem um poder extraordinário, segundo confessaram agentes pegos pela contraespionagem americana.

As fronteiras estão desde 2003 sob o controle da FSB, com poderes arbitrários. A FSB também está encarregada de combater os “crimes econômicos”, assediando os suspeitos de contatos com o exterior.

domingo, 13 de março de 2016

Justiça britânica: Litvinenko foi assassinado
com a anuência de Putin




“Os russos Andreï Lougovoï e Dmitri Kovtoun [antigo agente da KGB o primeiro e empresário o segundo] envenenaram de fato Litvinenko com polônio”, concluiu o relatório de juiz de instrução britânico Sir Robert Owen, ex-ministro da Suprema Corte, noticiou o jornal de Paris Le Monde.

“O operativo do FSB [novo nome da KGB] provavelmente foi aprovado por Patrouchev [Nikolaï Patrouchev, ex-chefe do FSB] e pelo presidente Putin”, afirma a sentença.

“Posso afirmar que, de um ponto de vista geral, os membros do governo de Putin, incluído o próprio presidente e o FSB, pelo fim de 2006 haviam concebido motivos para agir contra Litvinenko, inclusive para matá-lo”, escreve o juiz Owen.

domingo, 17 de janeiro de 2016

Teria Putin feito detonar o voo Metrojet 9268 matando 224 russos?
Ex-agente da KGB diz que sim

Luis Dufaur
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Teria Vladimir Putin ordenado a explosão do voo Metrojet 9268 em 31 de outubro último, matando a totalidade dos 224 dos passageiros e tripulantes que voltavam para casa em São Petersburgo, após férias no Mar Vermelho?

A interrogação parece de filme de ficção de terror. Mas segundo o major Boris Karpichkov, ex-espião da KGB (hoje rebatizada de FSB), não é tão fictícia, e bem pode ser a explicação do até agora insuficientemente explicado atentado.

O major foi treinado na mesma amoralidade de métodos que Vladimir Putin e disse ter todo um dossiê provando a acusação. O caso foi ventilado amplamente pelo jornal britânico “The Daily Mail”.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Um ‘exército de assassinos’ e ciberguerreiros da contrainformação é a arma secreta de Putin, diz “Foreign Policy”

‘Exército de assassinos’ e ciberguerreiros da contrainformação é arma secreta de Putin
‘Exército de assassinos’ e ciberguerreiros da contrainformação
é arma secreta de Putin
Luis Dufaur
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A reputada revista “Foreign Policy” abordou um tema assustador. Segundo ela, a crise da Ucrânia vem revelando que o GRU, o aparelho de inteligência militar da Rússia, formou um ‘exército de assassinos’ que constitui a arma secreta de Putin.

O GRU (Glavnoe Razvedyvatelnoe Upravlenie) já está agindo como “importante instrumento de política externa, dilacerando um país com apenas um punhado de agentes e um monte de armas”, escreveu.

O GRU está mostrando ao mundo como a Rússia pretende combater suas futuras guerras misturando violência cirúrgica, subversão, negação sistemática dos atos praticados e golpes desferidos nas sombras.

O GRU constituiu outrora o maior sistema de serviços secretos baseado em embaixadas, redes de agentes disfarçados e nove brigadas de ‘forças especiais’ conhecidas como Spetsnaz, ou “destacamentos para fins especiais”, frequentemente inconfessáveis.

Porém, desde que o presidente Vladimir Putin assumiu a direção do Serviço Federal de Segurança (FSB), herdeiro da KGB, os objetivos e métodos foram atualizados para a era das ciberguerras e dos conflitos geopolíticos.

A anexação da Crimeia constituiu o primeiro triunfo da nova GRU. Ela estudou a região, mensurou as forças ucranianas no local, espionou suas comunicações e apoiou os “homenzinhos verdes” que velozmente se apossaram dos pontos estratégicos da península até se revelarem soldados da Rússia. Muitos deles vinham da antiga Spetsnaz.

A maioria dos insurgentes do leste ucraniano é ucraniana ou “turistas bélicos” russos. Mas isto é só o contingente de base: os homens chave que encorajam a rebelião, passam os mercenários pela fronteira e fornecem as armas vindas de Moscou são agentes do GRU.

Igor Girkin, ou 'Igor Strelkov'.  Agente do GRU russo comanda a defesa de Donetsk
Igor Girkin, ou 'Igor Strelkov'.
Agente do GRU russo comanda a defesa de Donetsk
O autodenominado Ministro de Defesa da República separatista do Povo de Donetsk, Igor Strelkov, cujo nome real é Igor Girkin, é oficial na ativa ou na reserva do GRU. É ele quem dirige essa “república popular” e mais ninguém.

A União Europeia já identificou Strelkov, ou Girkin, e o incluiu na lista dos nomes objeto de retaliações. Mas ele não parece ter-se incomodado muito com elas.

Segundo “Foreign Policy”, quando o “Batalhão Vostok” apareceu no leste ucraniano, ficou evidente que o GRU tinha completado sua metamorfose.

O “Batalhão Vostok”, na sua versão atual, está composto por combatentes chechenos, armados com equipamentos uniformes e dotados de transportes blindados.

Reúne também ex-terroristas, desertores de guerrilhas e de gangues criminosas.

O “Vostok” não externou muito interesse em lutar contra o exército de Kiev.

Ele visou garantir a autoridade de Moscou sobre a região e evidenciou a nova estratégia de Moscou: uma guerra “não-linear”, ou “híbrida”, tocada na base da violência, da desinformação, de pressões políticas e econômicas, além de operações bélicas camufladas, em lugar de uma ofensiva regular ou previsível.

Não é apenas uma “guerra híbrida” adaptada à Ucrânia, mas é o plano de Moscou para atingir seus adversários no dia de hoje por toda parte no mundo.

O comandante geral da GRU explicou a um obscuro jornal militar russo que a nova guerra envolve “um largo uso da política, da economia, da informação, do humanitarismo e outras manobras não-militares ... completadas por recursos bélicos com um caráter encoberto”, sem excluir o uso das “forças especiais” dos assassinos da Spetsnaz.

O conflito será combatido por espiões, comandos, hackers, ‘joguetes’ e mercenários. Quer dizer – escreve “Foreign Policy” – o tipo de operações para os quais são treinadas as ‘forças especiais’ inclui o assassinato, a sabotagem, e desnorteamento do adversário.

Passado de Putin nos serviços secretos, pesou na opção
Passado de Putin nos serviços secretos, pesou na opção
A NATO e o Ocidente não têm uma resposta eficaz contra esta estratégia na aparência caótica ou confusionista, mas que se está revelando muito danosa.

A NATO é uma aliança militar construída contra uma agressão aberta ou uma guerra declarada. Mas foi incapaz de responder a ofensivas como o ciberataque contra a Estônia de 2007.

A ideia de uma ofensiva de tanques passando por cima das fronteiras ficou superada por um novo tipo de guerra que combina subterfúgios, aliando-se com grupos dissidentes dentro do adversário visado, além de dissimuladas intervenções letais das Spetsnaz.

A NATO é mais forte em termos estritamente militares, mas se a Rússia consegue abrir fraturas políticas no Ocidente, executar ações usando grupos combatentes locais e atingir indivíduos e instalações, então não interessa saber quem tem mais tanques ou melhores jatos.

Esse é o tipo de guerra que o GRU está preparado para fazer, conclui a revista. E o conflito na Ucrânia parece confirmar essa conclusão.


domingo, 13 de abril de 2014

Católicos emigram da Criméia
sob perseguição policial russa

Dom Sviatoslav Shevchuk, arcebispo-mor dos católicos,  denuncia perseguição análoga à dos tempos soviéticos
Dom Sviatoslav Shevchuk, arcebispo-mor dos católicos,
denuncia perseguição análoga à dos tempos soviéticos
Os católicos de rito grego, ou “uniatas”, estão sendo obrigados a abandonar a Crimeia para fugir às prisões e ao confisco de suas propriedades.

“O novo governo nos apresenta como nacionalistas e extremistas” – disse o Pe. Mykhailo Milchakovskyi, pároco e capelão militar de Kerch, falando para a agência do episcopado dos EUA – noticiou a revista inglesa “The Catholic Herald”.

Agentes da FSB russa (Serviço de Segurança Federal, herdeiro da sinistra KGB) estão convocando padres e fiéis católicos a comparecerem às delegacias para saber se eles “reconhecem a nova ordem”.

O Pe. Milchakovskyi e pelo menos dois terços de seus fiéis tiveram que fugir, seguindo conselho do Arcebispo-mor dos ucranianos católicos, D. Sviatoslav Shevchuk.

O religioso disse que o Pe. Mykola Kvych, pároco da igreja da Dormição em Sebastopol, também fugiu após ter sido preso e espancado por agentes russos que o acusavam de “promover o extremismo e a agitação de massa”.

Segundo o Pe. Milchakovskyi, a Igreja cismática da Crimeia, dita “ortodoxa”, em conchavo com a polícia russa, quer apoderar-se das propriedades dos católicos.

domingo, 19 de maio de 2013

Assassinato de jurista em Moscou reaviva tensões da Guerra Fria

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








O jurista russo Sergueï Leonidovich Magnitski morreu com sinais de tortura na prisão Butyrka, de Moscou, em 2009.

“Desapareceu” quando denunciava os métodos corruptos nas empresas estatais do regime de Vladimir Putin, além de práticas criminosas da polícia contra empresas privadas.

O governo russo encomendou investigações programadas para não darem em nada. Mas o caso repercutiu no Ocidente e motivou decisões de censura nos Parlamentos americano e europeu, bem como de organizações privadas pelos direitos humanos.

Um dos recentes episódios foi a publicação nos EUA da “lista Magnitski”, lista negra das autoridades russas que teriam participado na operação para dar morte ao dissidente na prisão e sem processo.

Vladimir Putin acusou o “golpe” como montado contra ele e o denunciou como um atentado “às relações bilaterais”, segundo declarou pela televisão seu porta-voz oficial Dmitri Peskov.

Para o ditador travestido de democrata, a publicação da lista foi “uma ingerência direta nos assuntos internos”. O caso Magnitski, segundo Peskov “não deve ser examinado fora das fronteiras russas. Para nós, isso é inadmissível”, acrescentou. Se for assim, nenhuma justiça será feita.

Peskov arguiu que com tantas crises no mundo não há razão para se preocupar com um casinho desses. Em outras palavras, reivindicou o “direito” socialista de torturar e matar dissidentes impunemente.


Na lista negra americana figuram 18 pessoas, na sua maioria funcionários que teriam participado da cruel morte do jurista em 2009.

Os bens dos indiciados nos EUA ficaram congelados e qualquer cidadão que comercializar com eles se expõe a sanções penais. Os indiciados tampouco podem ingressar em território americano.

Putin revidou proibindo a entrada em território russo de 18 cidadãos americanos. Ele visou especialmente antigos responsáveis da prisão de Guantánamo, onde estão detidos terroristas islâmicos que teriam participado em ataques contra os EUA, e também americanos envolvidos na condenação do traficante de armas russo Viktor Bout.

A proibição de Putin patenteia bem quem são seus amigos mais queridos.

A publicação da “lista Magnitski” e as sanções dela derivadas são consequência de uma lei americana de dezembro de 2012. Os parlamentos inglês e irlandês analisam textos legais análogos.

A vingança de Moscou constitui uma das medidas mais hostis em relação aos EUA desde o fim da Guerra Fria.


segunda-feira, 19 de julho de 2010

A Rússia dá mais poder aos agentes do FSB que espionam a população

Protesto pela eliminação da escritora Anna Politovskaya, Moscou
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Os cidadãos poderão ser convocados e advertidos sem prova. – Oposição: “Como no tempo da URSS”.

Giovanni Bensi, “Avvenire”, 17 de julho de 2010

MOSCOU – Com 350 votos a favor, em maioria proveniente do “partido do poder” Rússia Unida e no meio de muita polêmica, a Duma aprovou definitivamente uma lei ampliando os poderes do FSB – o Serviço federal de segurança herdeiro da KGB. A lei agora passa ao Conselho da Federação e depois para assinatura do presidente Dmitrij Medvedev.

De acordo com a nova norma, um oficial do FSB ou seu substituto pode convocar qualquer cidadão, mesmo com ausência de prova e só com base em suspeita, e comunicar-lhe uma advertência “sobre a inadmissibilidade de ações que criam condições para o cumprimento de ofensas criminais”.

A nova lei prevê também o agravamento de pena pelo descumprimento de “uma legítima demanda ou disposição de um agente do FSB” e pela “resistência à execução do agente dos seus deveres de ofício”. As sanções vão de prisão por 15 dias e 500-1000 rublos de multa a 10-50 mil rublos.

Os ativistas de direitos humanos expressaram o temor de que a nova lei seja dirigida contra os opositores e se torne pretexto para silenciar quem é de opinião diferente da do Kremlin. Na quinta-feira, o presidente Dmitrij Medvedev, durante uma conferência de imprensa com a chanceler alemã Ângela Merkel em Ekaterinburg, havia reconhecido que a lei havia sido preparada por sua direta disposição.

Oposicionistas desaparecem misteriosamente
Respondendo à pergunta de uma jornalista alemã, Medvedev refutou a crítica, afirmando tratar-se “de uma lei interna nossa e não de um ato internacional”.

Ainda na quinta-feira, antes de Medvedev fazer seu reconhecimento, um grupo de opositores lhe dirigiu uma carta aberta pedindo para não assinar a nova lei. Ontem, após a decisão da Duma, cerca de 80 expoentes da oposição endereçaram uma mensagem ao presidente do Conselho da Federação, Sergej Mironov.

Entre os firmantes estão Genri Reznik, presidente da Ordem dos Advogados de Moscou, e Oleg Orlov, chefe da organização “Memorial”. Eles observam que “a opinião pública na Rússia e no exterior já se deu conta de que a nova lei restitui ao FSB os poderes do serviço secreto do regime totalitário”.

Os firmantes dizem que os poderes do FSB na Rússia já superaram “todo o limite do razoável”. Em sentido contrário, o vice-diretor do FSB, Jurij Gorbunov, declarou que os novos poderes de sua organização lhe permitirão combater mais eficazmente o terrorismo.

(Fonte: blog “7 dias em Revista”)