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domingo, 20 de abril de 2025

Putin volta ao racionamento alimentar soviético

Cartão de racionamento alimentar russo
Cartão de racionamento alimentar russo
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






As imensas despesas e perdas causadas pela invasão da Ucrânia desviaram a produção de alimentos na Rússia.

Para aplacar a fome – e o descontentamento – a Rússia criou nas 100 regiões da Federação Russa vários tipos de cartões de débito eletrônicos, talões de cheque e “cupons” que evocam os piores anos do comunismo.

Eles concedem mil rublos por mês por volta de R$ 68,17, muito pouco para lidar com as necessidades.

Vozes saudosistas pedem que se retorne ao controle total central do regime soviético.

Putin comemora, porém, o “rápido crescimento da prosperidade” nacional, noticiou “AsiaNews”.

O governador da região de Ulyanov, Aleksej Russkikh, criou “certificados eletrônicos” para o segmento da população que vive em “condições de vida difíceis” para fazer compras em grandes shoppings, e obter descontos em leite, carne, frutas e vegetais.

O benefício é muito relativo e os apenas 1.000 rublos do cartão por mês é encarado com o espírito irônico.

Voltaram as filas, nesta foto para obter divisas
Voltaram as filas, nesta foto para obter divisas
Em Kaliningrado, estão sendo distribuídos os “cartões de alimentação social” do governador Aleksej Bezprozvannikh para pessoas de baixa renda, principalmente idosos com pensões mínimas.

Soluções semelhantes já estão em andamento nas regiões da Sibéria e do Extremo Oriente, como Amur e Kamchatka.

Essas medidas fantasiosas estão ligadas à crise econômica na qual a Rússia está cada vez mais afundando, após a loucura da guerra que levou a converter cada vez mais as fábricas de produtos básicos para a atendimento industrial das necessidades militares.

As soluções parecem improvisadas e apressadas, e não podem mais ser adiadas, porém dificilmente resolverão o problema para um grande segmento da população russa.

Índices financeiros apontam para o precipício
Índices financeiros apontam para o precipício
Alguns deputados propõem controlar os preços da carne, peixe, leite, ovos, farinha, pão e outros alimentos básicos de cima para baixo, no estilo tipicamente soviético.

O partido “Rússia Justa - Pela Verdade” postula um “corredor de preços” em que as autoridades centrais interviriam os preços de “alimentos socialmente importantes” em todos os pontos de venda.

Alguns, no entanto, estão criticando abertamente, como o “crematístico” Pavel Moskovsky que denuncia o atual sistema como “extremamente corrupto e ineficiente”.

Ele diz que Putin continua “não dando dinheiro às pessoas, apenas cinco rublos antes das eleições”.

domingo, 17 de março de 2024

Boomerang de frio congelou russos

Populares queimam o que podem sem aquecimento
Populares queimam o que podem sem aquecimento
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Centenas de milhares de russos ficaram sem aquecimento no ultimo inverno (2023-2024), que foi particularmente rigoroso. Avarias em sistemas de aquecimento coletivo foram relatadas em todo o país.

As maiores delas foram registradas em Podolsk, uma cidade dormitório nos arredores de Moscou com uma população de 149 mil pessoas, segundo reportagem da FranceTVinfo.

Caldeiras quebradas, canos estourando em quase todos os lugares foram uma constante na região de São Petersburgo, em Voroniej, Volgogrado, e até no Extremo Oriente...

Por toda parte, viram-se moradores intumescidos de frio e exaustos, se aquecendo em grupos em volta de esquálidas fogueiras alimentadas com restos de qualquer coisa que queime.

Alguns deles difundiram vídeos nas redes sociais para dizer que estão congelando em casa e literalmente de congelar até a morte.

Como sempre acontece numa situação destas na Rússia de Putin, os cidadãos entre desesperados e resignados ante o fatalismo ensinado por cismâticos e comunistas apelaram a autoridade máxima do Kremlin.

Moradores gravam mensagem pedindo auxilio a Putin
Moradores gravam mensagem pedindo auxilio a Putin
Esse encenou alguma reação e pediu ao Ministério de Situações de Emergência tomar medidas. Também trombeteou que estava assumindo pessoalmente a situação que só se resolveu com o fim do inverno.

Nas redes sociais, não poucos russos, e em particular os ucranianos, viram nisto a prova de que a Rússia inteiramente focada na economia de guerra, estava a pagar a conta, cobrada por uma mão providencial.

Na realidade o problema não é tão novo: está intimamente ligado às disfunções crônicas do regime russo igualitário e dirigista, que é mais do mesmo do que havia na falida URSS.

As enormes caldeiras feitas para aquecer inteiras áreas urbanas herdadas da era soviética foram mal conservadas, e a guerra consumiu as verbas não roubadas pelos burocratas que deveria consertá-las.

Há décadas que os governos prometem resolver o problema, mas a rigidez burocrática, o imediatismo político e a corrupção significam que nada está a melhorar.

Pelo contrário, tudo piora como no comunismo soviético.

O governo russo não pode acalmar o descontentamento porque a economia de guerra produz consequências de longa duração, entre as quais o deterioro ou omissão de conserto de todos os serviços públicos. Já se faz saber que as verbas para melhorar as habitações coletivas diminuirão drasticamente nos próximos anos.

Casas invadidas pelo gelo de um inverno severo
Casas invadidas pelo gelo de um inverno severo
Um quarto dos russos não tem acesso a banheiros conectados ao esgoto.

O projeto de modernização do aquecimento socializado é gigantesco... no papel. Entretanto, para acalmar a população, o governo recorre aos velhos métodos socialistas: escolher culpados.

Em Podolsk, o vice-chefe da administração e o diretor da sala das caldeiras foi detido e encarcerado por corrupção, mas nada foi solucionado.

Pensar que no início da guerra de invasão da Ucrânia a Rússia bombardeou seletivamente os sistemas de energia das cidades ucranianas, achando que o pobre país não suportaria o frio e acabaria capitulando.

A Ucrânia resistiu patriótica e religiosamente. Agora, tudo se passa como se um boomerang providencial tivesse abatido sobre a população russa recordes de frio com as infraestruturas de aquecimento sem conserto.

Ficaram em pânico Putin, seus cúmplices e o monstruoso dirigismo comunista que o déspota do Kremlin faz tudo para preservar. Pois o omniarca se aterroriza quando ouve os escravos agitando as correntes que os prendem, neste caso gemendo de frio.


domingo, 29 de agosto de 2021

Rússia: país de recursos imensos
ainda geme numa miséria soviética

Mulher teenta vender num outlet  numa a estação de trem perto de Novgorod
Mulher tenta vender num outlet
numa estação de trem perto de Novgorod
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
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Numa grande reportagem que ficou para a História o “The New York Times” foi ver o interior da Rússia e flagrou um país caindo aos pedaços.

A infra-estrutura já velha no tempo soviético, continua sem manutenção.

As exceções são as grandes cidades de Moscou e São Petersburgo.

Mas é só sair dos respectivos anéis rodoviários para retroceder assustadoramente no tempo.

Do ponto de vista econômico, a Rússia não saiu do sistema comunista.

O dinheiro do governo e dos plutocratas que "herdaram" as empresas públicas vem dos investimentos ocidentais em gás e petróleo.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Dezenas de milhares refugiam-se nos esgotos em busca de calor

Desabrigados procuram refúgio nos esgotos de Moscou e São Petersburgo
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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É difícil imaginar a desorganização e o despreparo, que fazem o povo russo padecer insondáveis males.

O comunismo e suas mazelas não foram varridos como deveriam ter sido nas décadas de aparente liberalização e bonança econômica que se seguiram à queda da URSS.

O sistema comunista ainda está em pé na Rússia, produzindo efeitos infernais.

Um deles é a miséria em que vivem milhões de russos, sem propriedade nem liberdade.

domingo, 5 de julho de 2015

Delírio putinista de grandeza
não tem base na realidade




Moscou não consegue manter um exército de grandes dimensões como o antepassado soviético, escreveu o jornal The New York Times.

A propaganda do presidente Vladimir Putin acena com acentos épicos para a grandeza oca da era soviética, e assim os sofridos cidadãos russos não olhem a catástrofe interna que padecem no dia-a-dia .

Assim tenta distrair a atenção popular do funesto estado econômico e político do país.


Simultaneamente Putin é levado a contragosto a suspender elementos essenciais para a vida dos cidadãoes.

Na saúde pública o quadro geral continua desolador. Moscou incentiva o fechamento de hospitais e centros de saúde ineficientes, redundantes e em más condições.

Em teoria vai trocá-los por outros mais modernos e pagar melhor os funcionários da saúde. Mas, aplicando um critério de qualidade, terá que fechar um número espantoso de hospitais.