domingo, 20 de janeiro de 2019

Russos duvidam sempre mais de Putin

Diminuição de apoio popular é o pior dos múltiplos índices negativos
Diminuição de apoio popular é o pior dos múltiplos índices negativos
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






O mal-estar com a situação na Rússia de Putin, alarma até seus mais fiéis adeptos. O chefe supremo do Kremlin não está convencendo como antes, nem mesmo fazendo exibição espalhafatosa de seu insincero cristianismo.

Em outubro (2018) Boris Tchernichov, vice-presidente do Comitê para a Educação e a Ciência no Parlamento russo, a Duma, comunicou essa preocupação ao Conselho dos Ministros, segundo matéria especial de “Le Figaro” de Paris.

Tchernichov é um deputado leal ao Kremlin e na denúncia nem mencionava o nome do presidente, mas todos entenderam que o problema minava o cerne do estado psicológico em que se apoia o dono do Kremlin.

Segundo o “Figaro”, o deputado putinista exemplificou com múltiplos casos de violência inaudita, arbitrária e até desumana de larga divulgação no país: pancadarias nas ruas, adolescentes matando uma anciã doente para transmitir o vídeo por redes sociais, etc.

A agressividade social superou todos os limites, mostrou Tchernichov, quem propôs como solução criar um orwelliano “ministério do Clima Psicológico”.

No dia seguinte à sua representação, o jovem de 18 anos Vladislav Rosliakov ingressou numa escola de Kertch, na Crimeia, massacrou vinte estudantes e feriu mais cinquenta.

Putin reagiu logo pondo a culpa na “globalização” ocidental, mas pouco se importou dos jovens mortos saindo logo para jogar hóquei, seu esporte preferido.

A máquina de propaganda oficial atribuiu a culpa da chacina ao “inimigo ucraniano”. Mas, nas redes sociais, a ideia dominante foi outra e está resumida na expressão “a gestão de Putin está semeada de milhares de cadáveres”.

Por sua parte, Lev Goudkov, diretor do instituto de inquérito Centro Levada fala do clima de tensão que tomou conta da sociedade russa, impregnada ela própria de frustrações, cóleras e incertezas.

Descontentes querem fim do 'czar' Putin
Descontentes querem fim do 'czar' Putin
“Reina um sentimento de indefinição que degrada a situação do país”, comentou o sociólogo.

Tamara Eidelman, professora de história numa escola moscovita que vive alertando seus alunos contra as “fake news”, aponta como culpada a retórica guerreira do regime.

Como exemplo, lembra que Putin recentemente falou da perspectiva de uma guerra nuclear e convidou o povo ao holocausto.

“Nós, enquanto mártires, disse o chefe do Kremlin, voltaremos a nos encontrar no paraíso, e aqueles que nos atacaram morrerão sem ter o tempo de se arrepender”.

As palavras do chefe do Estado russo parafrasearam qualquer fanático islâmico incitando ao suicídio para matar inimigos.

Mas a opinião pública russa não está para essas coisas. Há um refluxo da onda de exaltação patriótica que atingiu o auge com a anexação da Crimeia.

A população agora está muito mais preocupada com a carência de gêneros alimentícios que a ditadura não fornece.

O anunciou do governo de que a aposentadoria seria feita cinco anos mais tarde foi o estopim do múltiplas manifestações de descontentamento.

Ninguém ousava criticar Putin e ainda menos declarar num inquérito que não confia nele. Mas em setembro, só 39% dos russos declarou depositar confiança nele, contra 59% há exatamente um ano.

Uma outra enquete do Comité da Iniciativa Cidadã dirigido por um outro fiel do sistema, o ex-ministro de Finanças Alexei Kudrine, constatou que só 7% da população acha “prioritário” a “constituição de um Estado forte”, que há muito é leitmotiv oficial.

Pelo contrário, 80% dos russos exige antes de tudo “justiça social”.

Em termos mais precisos “Putin não cumpriu as promessas. Hoje envia mais dinheiro para a Crimeia que para as outras regiões. Lá as aposentadorias são mais elevadas. Não é justo”, pesteia Alexandre, um aposentado do norte do país.

O “Figaro” diz muito francesamente que a “aldeia Potemkin russa” está sendo consumida pelos roedores.

Na última eleição nacional na cidade de Vladimir, a 180 quilômetros de Moscou, a candidata Svetlana Orlova, uma zelota de Putin foi derrotada por um candidato desconhecido que jamais fez campanha. E isso malgrado o procedimento eleitoral ser “o mais falsificado de toda a história recente”, segundo a ONG Golos.

O candidato presidencial dissidente Alexei Navalny foi preso para não fazer sombra à 'triunfal' vitória de Putin
O candidato presidencial dissidente Alexei Navalny
foi preso para não fazer sombra à 'triunfal' vitória de Putin
No Centro de Segurança Social do bairro Leninski, a candidata ordenou a todos os funcionários telefonar para os dependentes de suas “bolsas” e serviços (aposentados, mães de família e inválidos) votar por ela. Quem não votasse ficaria sem “bolsa”, benefício ou emprego.

Em muitas escolas de Vladimir, explicou o ativista Igor Petrov, os maestros receberam 5.000 rublos em dinheiro vivo pelo voto. Numa outra o diretor ameaçou por na rua a quem não votasse em Orlova.

Nas escolas de Smolensk, onde faltam os livros escolares, funcionários levavam livros de uma escola a outra para que o inspetor chegando achasse que todas estavam bem providas pelo candidato do regime.

Nikolai Boulayev, vice-presidente da Comissão Eleitoral reconheceu de público e em própria pessoa a fraude das eleições gerais que renovaram a presidência de Putin e de seus aderentes mais próximos.

Boulayev, encarregado da lisura da votação, ameaçou os candidatos derrotados no escrutínio regional de Vladivostok que denunciassem os funcionários que entupiram as urnas para garantir a vitória do candidato putinista.

“Um pouco de honra, senhores!, pediu Boulayev. Nem todos os diretores de seções foram culpados. Eles foram forçados a isso. Se os Sres. apresentam queixa, eles vão perder o emprego e não poderão alimentar suas famílias”.

Mas, explica Igor Petrov, ativista de Vladimir, “as pessoas não podem viver eternamente no medo. Elas estão abrindo os olhos”.

A TV é estreitamente controlada pelo Kremlin e dita o “pensamento único”. Mas, hoje influencia cada vez menos a opinião pública.

Em agosto, os que acreditavam nas notícias veiculadas pela TV eram minoria. A audiência caiu brutalmente e a credibilidade ainda mais.

O último vídeo do opositor Alexei Navalny, preso porque podia ameaçar a vitória massacrante de Putin, foi assistido por mais de 5 milhões em YouTube.

Serguei Smirnov exigiu o confisco das redes sociais para evitar informações não conformes à vontade do dono do Kremlin
Serguei Smirnov exigiu o confisco das redes sociais
para evitar informações não conformes à vontade do dono do Kremlin
“As pessoas migram para a Internet por causa do monopólio público da informação e a ausência de alternativa”, analisa Lev Goudkov, do Centro Levada.

Segundo esse instituto, a desconfiança em relação às notícias econômicas é muito acentuada. “Eles querem nos enfiar goela adentro qualquer coisa, mas nós não somos imbecis”, tempesteia Tatiana Gavrilova, professora de russo que denuncia as “mentiras” espalhadas pela TV sobre o “nível de vida” dos cidadãos.

O Kremlin, entretanto, não muda para acalmar esse descontentamento. Após o massacre de Kertch, o diretor adido da FSB, polícia encarregada da repressão dos dissidentes, Serguei Smirnov, exigiu o confisco das redes sociais. Na mídia nacional, não faltam reclamações parecidas.

Ele exigiu que “o ciberespaço fique sob o controle das autoridades competentes”, porque sem isso “nós não poderemos garantir a segurança da informação”.

Leia-se garantir que só será difundido do que Putin ordena. Proibido pensar ou se informar de algo diferente.


domingo, 23 de dezembro de 2018

Feliz Natal e bom Ano Novo! Rezemos pelos cristãos perseguidos na Rússia e no mundo!

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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Aproxima-se mais uma vez, nosso adorado Menino Jesus, a festa de vosso Santo Natal!

Mais uma vez a Cristandade se apresenta a Vos venerar na manjedoura de Belém, sob a cintilação da estrela, ou sob a luz ainda mais clara e fulgente dos olhos maternais e doces de Maria.

A vosso lado está São José, tão absorto em Vos contemplar, que parece nem sequer perceber os animais que Vos rodeiam, e os coros de Anjos que rasgaram as nuvens, e cantam, bem visíveis, no mais alto dos Céus.

Daqui a pouco, se ouvirá o tropel dos Magos que chegam, trazendo no dorso de extensas caravanas, guardadas por uma famulagem sem conta, ouro, incenso e mirra.

No decurso dos séculos, outros homens, outros povos vieram venerar vosso presepe.
E no meio de tantos, eis-no aqui também.

Estamos de joelhos, e Vos olhamos. Vede-nos, Senhor, e considerai-nos com vossa compaixão. Aqui estamos, e queremos depositar a vossos divinos pés a nossa enlevada e agradecida prece.

Com uma súplica muito especial pelos cristãos que sofrem pela perseguição sorrateira do comunismo na Rússia.

E, notadamente pelos ucranianos que corajosamente neste momento desafiam as agressões do ditador da "nova-URSS", na própria Rússia inúmeros russos resistem às pretensões de Putin de se proclamar "monarca".

E, infelizmente, nos altos páramos da Igreja Católica, mãos sagradas se lhe oferecem amigas.

Enquantto incontáveis seudo-católicos e seudo-direitistas fazem silêncio, abafam os anticomunistas sinceros, e fingem que não percebem o imenso cataclismo que o ditador do Kremlin prepara sobre o mundo, como Nossa Senhora em Fátima preanunciou.



Vídeo: “Os 12 dias de Natal”





quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Costumes católicos do Natal: uma arca de tesouros espirituais, culturais e gastronómicos, procurados até na Rússia!!


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Na lista de links que segue a continuação, clicando o leitor encontrará um rica explicação de cada um desses santos e deliciosos costumes católicos natalinos.





























domingo, 11 de novembro de 2018

Independência de igrejas cismáticas ucranianas
abala plano russo de conquista

Putin tem necessidade do Patriarcado de Moscou para satisfazer suas ânsias conquistadoras
Putin tem necessidade do Patriarcado de Moscou
para satisfazer suas ânsias conquistadoras
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O Patriarcado de Moscou sempre foi fiel e útil instrumento religioso para o expansionismo dos czares primeiro e do regime bolchevista depois, malgrado os dois lhe tenham propinado humilhante tratamento.

O mesmo faz Putin perpetuando o maquiavelismo amoral e os projetos de hegemonia imperial de seu admirado mestre Stálin.

Ele vem manipulando esse Patriarcado, espúrio mas enganosamente influente no mundo russo e alhures com esse fim.

Um dos sonhos de Moscou consiste em submeter o mundo da “ortodoxia”, quer dizer do cisma herético gerado na revolta de Constantinopla em 1054, ao governo do Patriarcado de Moscou.

Esse é controlado por agentes da ex-KGB, hoje articulados na putinista FSB encarregada das mesmas tarefas “sujas” de sua predecessora.

Os ambientes comuno-progressistas acariciam a mesma ideia, aguardando essa unificação para tentar uma quimérica fusão ecumênica entre o Ocidente representado pelo Vaticano e o Oriente representado por Moscou.

Vendo-os cair nessa fantasia, Putin esfrega as mãos de maquiavélico estratego.

Mas, agora, o plano sofreu um inopinado golpe.

Bartolomeu I, autoproclamado patriarca ecumênico da “Nova Roma” (Constantinopla) e “primeiro entre iguais” entre as cismáticas Igrejas Ortodoxas, reconheceu a “autocefalia”, ou independência, das igrejas cismáticas na Ucrânia. A decisão foi adotada durante um Sínodo na islâmica Istambul.

Bartolomeu está reduzido à última expressão eclesial, quase sem seguidores na muçulmana Constantinopla (Istambul para os turcos). Conserva, porém, no mundo cismático, o triste prestigio de continuador doe Fócio e Miguel Cerulário fautores principais do péssimo grande cisma do Oriente.

Para Kiev, a decisão de Bartolomeu I foi um sucesso político contra o ativismo putinista do Patriarcado de Moscou, escreveu “The Guardian” de Londres.

Dito Patriarcado defende a ilegal anexação da Crimeia e o apoio russo aos separatistas do leste ucraniano, pois essa é a vontade política do chefe inescrupuloso do país.

Se a vontade do omniarca mudasse para o outro lado, o Patriarcado entortava a língua na hora.

Os Patriarcas Bartolomeu de Constantinopla e Kiril de Moscou ontem se abençoavam.
Agora se amaldiçoam. Quanto durará? O prejudicado é Putin
“A decisão [de Bartolomeu] desmentiu as ilusões imperialistas e as fantasias chauvinistas de Moscou”, comemorou o presidente ucraniano Petro Poroshenko.

“Está em jogo a nossa independência, nossa segurança nacional, nossa soberania, é uma questão de geopolítica mundial”, acrescentou.

O gesto de Bartolomeu soou como uma bofetada no rosto do próprio Putin. Um porta-voz do Kremlin reconheceu que o líder russo se sente “extremamente atingido” e que seu regime “defenderia os interesses dos crentes ortodoxos” na Ucrânia em caso de “ações ilegais”.

Ele já usou sofismas análogos para invadir a Crimeia.

A ideia de Putin e dos ideólogos a seu serviço é que há um único “mundo russo” com uma única igreja e uma única cultura representada pelo Patriarca Kiril de Moscou, ele também agente treinado pela polícia secreta soviética KGB.

Kiril ameaçou romper relações com Bartolomeu. A disputa do ponto de vista religioso é tão medianamente relevante quanto a ruptura entre dois arcebispos protestantes. A verdadeira gravidade e impacto da fratura se faz sentir no expansionismo político e militar russo.

O bispo Hilarion Alfeyev, espécie de ministro de relações exteriores do Patriarcado de Moscou, se encontrava em Roma assistindo ao Sínodo da Juventude e correu a implorar o auxílio do Papa Francisco, segundo o site desse Patriarcado.

O pontífice o recebeu prontamente "num clima de amabilidade" não se tendo dados sobre o combinado entre ambos.

A independência dos cismáticos ucranianos não só rebaixa ainda mais as expectativas do ecumenismo, mas expõe de modo até desprestigiante as divisões internas entre os cismáticos.

O Patriarcado de Moscou correu a pedir o auxílio do Vaticano para manter o controle cismático da Ucrânia
O Patriarcado de Moscou correu a pedir o auxílio do Vaticano
para manter o controle cismático da Ucrânia
Ela pode levar cristãos sinceros em direção à Igreja Greco-Católica já muito numerosa na Ucrânia. Mas esse seria visto como um movimento espiritual ("uniatismo") condenado em declaração conjunta do Papa Francisco e do Patriarca Kiril na Declaração de Havana. Confira: Declaração de Havana: vitória do Kremlin será efêmera

Mas, em sentido contrário, o povo ucraniano mais ligado ao cristianismo do que às novas teorias pseudo-religiosas, parece não ter tomado conhecimento dessa fátua proibição.

Hilarion protestou pela TV russa: “nós não reconheceremos essa autocefalia, e não teremos outra opção senão cortar as relações com Constantinopla.

“O patriarca de Constantinopla não terá mais o direito de ser tratado de líder dos 300 milhões de ortodoxos do planeta. Pelo menos a metade desses não o reconhecerá em absoluto”.

É claro que o Patriarcado de Moscou, e o próprio Hilarion, têm menos ainda autoridade para exigirem para si o reconhecimento enquanto líderes dos ortodoxos do planeta.

Enquanto se propaga o desentendimento nas seitas dirigidas por Moscou, as igrejas cismáticas ucranianas tendem a se unir para se livrar da escravidão que exigem os vassalos do dono do Kremlin.

Hilarion também esbravejou contra um suposto complô americano por trás do fato, segundo a velha e gasta fórmula da propaganda soviética.

Filarete, autoproclamado Patriarca de Kiev após ser metropolita na Ucrânia a serviço do Patriarcado de Moscou nos tempos da falida URSS, hoje é um áspero crítico do presidente russo, chegando a dizer que está possuído por Satanás, segundo noticiou a agência Forbes.

Injúrias do gênero são muito frequentes no “mundo da ortodoxia” onde pode se discutir quem pertence e em que medida – maior ou menor – ao pai da mentira.

O valor dos impropérios mútuos é mais ligado à dependência de cada um da renovada KGB e à sua transformação em ações de força policial da FSB.

Filarete foi um oficial da polícia secreta russa e leal servidor do estado ateu soviético. Hoje o jogo político mudou. Ele discrepa de Putin por razões patrióticas e a KGB e a FSB não têm poder efetivo na Ucrânia, excetuados os atentados.

O desprestígio trazido pelas fraturas entre cismáticos favorece o apostolado dos greco-católicos ucranianos já muito numerosos
O desprestígio trazido pelas fraturas entre cismáticos
favorece o apostolado dos greco-católicos ucranianos já muito numerosos
Putin tem necessidade de aparecer e se fotografar com membros do alto clero, qualquer que seja a religião, mas com muita insistência com os chefes do Patriarcado de Moscou, especialmente do patriarca Kiril. E também com o Papa Francisco.

Isso é um requisito chave da propaganda para seduzir o povo russo, e aos “idiotas úteis” do Ocidente.

Putin multiplica suas manifestações públicas de “fé” por ânsia de poder. Ditos gestos não influenciam a prática religiosa dos russos.

É fato que as práticas religiosas crescem enormemente na Rússia, mas é por fora das encenações do líder do Kremlin e dos bispos do Patriarcado de Moscou.

Almocei várias vezes com um jovem universitário moscovita de passo em São Paulo. Ele me contou que sua família era “ortodoxa” mas só pisava a igreja na Páscoa. E que fugia de qualquer contato com o clero “ortodoxo” porque não acreditava em seus sacerdotes.

Explicou-me que entre os fiéis cismáticos russos esses clérigos têm fama de mafiosos, de pessoas perigosas das quais é bom ficar longe.

Exemplificou-me com o Patriarca Kiril que, segundo ele, anda rodeado de guarda-costas em carros blindados em virtude de escuras lutas pelo controle do tráfico de tabaco.

O povo liga intensamente seu sentimento religioso à identidade nacional e por isso Putin o explora, explicou a agência Forbes.

Putin sabe que precisa explorá-lo se quiser se perpetuar no poder.

Por isso, acrescenta Forbes, o presidente ucraniano Poroshenko pode dizer que a decisão de Bartolomeu põe em cheque as 'ilusões imperiais' do ditador russo.

No total, a declaração de Bartolomeu implicou numa vitória política para a Ucrânia, numa perda para a Rússia e seu esforço de projeção mundial.

Está trazendo também uma diminuição do prestígio de Putin no interior de seu próprio país.



domingo, 7 de outubro de 2018

Queda moral e econômica erodem o império do Kremlin

Mulher alastra sua desgraça sob o olhar do Big Brother do Kremlin
em São Petersburgo
Luis Dufaur
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Malgrado algumas tênues melhoras ligadas a valorização internacional do petróleo, o barômetro da economia russa voltou a dar sinais de fraqueza, noticiou a agência Reuters.

A queda é atribuída à decadência da agropecuária e da construção civil.

Na prática a propriedade privada na Rússia continua reprimida prolongando a miséria da URSS.

O otimismo com a queda da URSS atraiu capitais nos anos ‘90 que reanimaram a atividade particular.

Putin afastou esse otimismo e restaurou a onipotência econômica do Estado concentrada na mão dos “oligarcas” a ele cegamente submissos.

Em agosto, a construção civil se contraiu 17% em relação a idêntico período do ano anterior, enquanto que o setor agroindustrial caiu 10,8%.

Os dados apontam uma “queda catastrófica” na construção e na agricultura disse Kirill Tremasov, ex-chefe de prospecção macroeconômica do Ministério de Economia.

A perspectiva é de um impacto negativo no PIB nacional.

Fila por vodka: os vícios só pioraram na era de Putin
Fila por vodka: os vícios só pioraram na era de Putin
Quando Putin assumiu o poder, no início do ano 2000, o setor privado respondia por 89% do PIB russo, escreveu o jornal paulista “O Estado de S.Paulo”.

Mas, os números mais recentes apontam um crescimento desmesurado do estatismo a ponto do setor público representar o 71% do PIB.

Oficialmente o desemprego está em torno de 5% e a inflação está em 2,5% ao ano, se os números oficiais são verdadeiros. A dúvida provém do fato de que mais da metade dos russos diz viver na pobreza.

O dinheiro porém não falta para fabulosas despesas militaristas como a Vostok-2018.


segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Rússia afunda economicamente, mas esbanja em exibições militares com a China

Rússia e China mostraram-se miilitarmente aliados /td>
Luis Dufaur
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Nos dias 11 a 17 de setembro, o exército russo realizou os exercícios estratégicos militares Vostok-2018 (Vostok=leste) com a participação minoritária do Exército Vermelho chinês e um contingente simbólico da Mongólia.

O show teve tudo para impressionar Ocidente. Segundo o think tank britânico Chatam House – The Royal Institute of International Affaires, os exercícios testaram o nível de preparação das unidades, sua mobilidade, logística e entrosamento entre as diversas armas.

A marinha de guerra treinou no Mar de Okhotsk, no Mar de Bering e em Kamchatka.

No total, a Rússia diz que engajou 297.000 soldados dos distritos militares Central e Oriental. Segundo o ministério de Defesa foi o maior exercício coletivo na era pós-soviética desde o Zapad-1981, quando o Pacto de Varsóvia treinou a invasão da Polônia efetivada em dezembro do mesmo ano.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

“Mudança de paradigma”:
mil anos após o “Batismo de Kiev”,
o Vaticano dá as costas aos católicos ucranianos

Papa Francisco e 'Patriarca' Kiril assinam em Havana
acordo que inclui evitar conversões ao catolicismo de rito ucraniano
Luis Dufaur
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Um aspecto lancinante e apocalipticamente trágico da “mudança de paradigma” empreendida pelo Papa Francisco vem sendo dissimulado por alguns de seus admiradores, e por artífices da velha política de aproximação com os governos marxistas ou Ostpolitik.

Mas é apontado pelos melhores entendidos da política internacional: a virada de costas do Pontífice ao Ocidente e seus braços estendidos ao pior inimigo da ordem ocidental e cristã: a Rússia.

Sim a Rússia que Nossa Senhora em Fátima apontou como o flagelo que se abateria sobre o Ocidente se esse não abandonava a estrada dos maus costumes fazendo penitência.

Infelizmente, o mundo não se corrigiu e os resultados estão à vista de todos. Com inúmeras astúcias, o flagelo russo se está então abatendo nos convidando ao arrependimento.

Num artigo para a revista Catholic Herald da Grã-Bretanha (27.7.2018), o Pe. Raymond J. de Souza, da arquidiocese de Kingston, Canadá, e editor de convivium.ca, indagou se a diplomacia vaticana seria culpada de uma abjeta capitulação diante de Vladimir Putin,.

A matéria deve ser abordada com o maior respeito. Ela foi tratada até pelo vaticanista americano John Allen, simpatizante da Ostpolitik vaticana com a Rússia. Allen fez aflorar críticas até agora reprimidas em setores eclesiásticos próximos do Pontífice, segundo o Pe. de Souza.

Allen apontou que o Papa Francisco se mostra um aliado de Putin na Síria, onde o dono do Kremlin é ativo chefe de guerra em favor do presidente Bashar al-Assad, herdeiro de uma velha aliança com a União Soviética.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Putin, Fátima & Viganò: uma reflexão incontornável

O ex-Cardeal Theodore McCarrick no fulcro das denúncias do arcebispo Carlo Viganò
O ex-Cardeal Theodore McCarrick
no fulcro das denúncias do arcebispo Carlo Viganò
Luis Dufaur
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A jornalista holandesa Jeanne Smits foi durante 14 anos gerente e diretora do jornal “Présent”, diário porta-voz do partido Front National de Jean Marie Le Pen e continuadores.

Nesse longo período privou com os representantes da “extrema direita” francesa que hoje são cortejados e até financiados pela Rússia de Vladimir Putin.

Conhecendo-os de perto, constatou que não eram bem como diziam ser e estavam trabalhados por um servilismo alarmante em relação aos ideólogos do dono do Kremlin.

Agora, diante da tempestade de escândalos no pontificado do Papa Francisco I relativa às uniões maritais ilegítimas e LGBT, Jeanne publicou uma consideração original em seu site Reinformation.tv ligando os referidos escândalos às advertências trágicas de Nossa Senhora em Fátima e à expansão dos “erros da Rússia”.

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

O que impede esclarecer
os criminosos segredos da repressão comunista?

Emblema da STASI (Ministério de Segurança do Estado, Alemanha comunista)
Emblema da STASI (Ministério de Segurança do Estado, Alemanha comunista)
Luis Dufaur
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O que foi de meu pai, de meu irmão ou de meu avô, levados um dia pela polícia secreta comunista e que nunca voltei a ver? Onde foi enterrado? Teve sepultura?

Perguntas doloridas como essas povoam as mentes de incontáveis vítimas do regime soviético na Rússia e na Europa Oriental. E suscitam obviamente o desejo de algo que apazigue a dor de alma.

Um estudante universitário moscovita que fazia um curso em São Paulo contou-me que em pleno “expurgo” estalinista, um andar inteiro da administração soviética em Moscou foi invadida por um esquadrão de agentes da NKVD (Comissariado do Povo para Assuntos Internos, depois mudou de nome), encarregada dos campos de concentração, espionagem e repressão em geral.

Entre os funcionários estava o avô do rapaz. Todos foram levados, ninguém pode pegar qualquer coisa ou avisar os parentes. Acabaram sumindo no sinistro arquipélago de campos de trabalho forçado, não se sabe onde.

Décadas depois, a avó do jovem, recebeu uma carta do governo, informando que a operação foi um “erro” e apresentava desculpas oficiais.

Ninguém da família nunca mais soube como acabou o antepassado. Nesse ponto do relato, o jovem não pode seguir, engoliu uma garfada e mudou de assunto.

Compreende-se que muitos outros queiram saber pelo menos algo de seus seres queridos desaparecidos.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Há 50 anos, tanques soviéticos esmagavam Praga.
Mas a cobra marxista quer voltar hoje no Brasil!

1968: manifestantes enfrentam tanques soviéticos em Praga.
1968: manifestantes enfrentam tanques soviéticos em Praga.
Luis Dufaur
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Há 50 anos, na noite de 20 para 21 de agosto de 1968, a capital da Checoslováquia acordou com um estrépito inusual até para aqueles agitados dias.

O sinistro barulho era produzido por 2.300 tanques de 29 divisões blindadas do Exército Vermelho que violaram a fronteira oriental do país.

Na invasão denominada “operação Danúbio” participavam outras unidades da aliança militar comunista Pacto de Varsóvia, hoje substituída sorrateiramente por novos pactos concebidos por Vladimir Putin.

Soldados poloneses, húngaros, búlgaros e alemães do Leste totalizavam 200 mil combatentes instruídos para esmagar mais uma revolta popular na Europa Oriental socialista ocupada pela URSS, segundo longa reportagem do “Clarin”.

Doze anos antes, um heroico levantamento anticomunista e patriótico na Hungria fora afogado em sangue e fogo. Mas a revolta de checos e eslovacos foi diversa.

As manifestações estudantis, sabotagens e greves começaram meses antes deixando o balanço final de mais de uma centena de mortos e de 300 mil exiliados imediatos.

A chamada “Primavera de Praga” ecoava o Maio de 68 francês e as revoltas pacifistas nos EUA enquanto o exército americano passava apertado pela enlouquecida ofensiva da guerrilha comunista dos vietcongues.



A nível popular, a revolta de Praga foi a sublevação de um povo que se queria libertar do opressor marxista.

Mas, o nobre povo era guiado por líderes suspeitos. Eles cultivavam a semente de uma planta peçonhenta: a de um comunismo “autogestionário”, verdadeira meta da utopia marxista até então nunca concretizada.

Essa meta acabou inscrita na Constituição da URSS de 1977 e foi apresentada ao mundo décadas depois como fruto sedutor da perestroika de Mikhail Gorbachev.

Lê se no preâmbulo da Constituição russa de 1977 que

“o objetivo supremo do Estado soviético é edificar a sociedade comunista sem classes, na qual se desenvolverá a autogestão social comunista”

(Constitución — Ley Fundamental — de Ia Unión de Repúblicas Socialistas Soviéticas, de 7 de outubro de 1977, Editorial Progreso, Moscou, 1980, p. 5).

Quando o supremo líder russo anunciou o fim da URSS em 26.12.1989, pensava na extinção de Mamute esclerosado das “Repúblicas Socialistas” e na implantação do “comunismo novo” que no Ocidente havia sido anunciado pelo presidente socialista francês François Mitterrand.

A manobra autogestionária não deu certo nem na Rússia nem na República Checa, como tampouco na França, na Polônia e onde tentou se implantar.

Mas na Checoslováquia, a utopia fervia em círculos intelectuais. Desde 1953, Antonin Novotny, ‘laranja’ do comunismo soviético, tiranizava o país. Os soviéticos fizeram dele o fiel ditador o presidente do Estado desde 1957.

Novotny acabou abandonando o poder em inícios de 68. Alexander Dubcek assumiu a secretaria geral do Partido Comunista e seu nome ficou associado à insurreição.

A “Primavera de Praga” propôs por enésima vez a enganação de um “socialismo de rosto humano”.

Essa falácia voltaria a ser repetida na América Latina, e no Brasil. Notadamente no Chile com o presidente comunista Salvador Allende derrubado por golpe popular-militar em 1973.

No Brasil foi o cerne do “Lula paz e amor”: um socialismo “cristão” no gosto da CNBB que não começou fuzilando burgueses como a Rússia de Lenine.

Milhares de pessoas saíram às ruas contra a invasão soviética
Milhares de pessoas saíram às ruas contra a invasão soviética
Mas que acabaria jogando o Brasil na violência, o caos e a miséria anárquica da Venezuela de Maduro, onde Chávez tentou estabelecer as bases do “socialismo autogestionário”.

Na Rússia, a mentira do “socialismo com rosto humano”, autogestionário e profundamente igualitário foi grande cartada de Mikhail Gorbachev.

A fórmula gorbacheviana recolheu as propostas dos ideólogos checos do comunismo novo: “terceira via”, reformas econômicas pelo igualitarismo total nas fábricas, liberdade religiosa para a Igreja Nova que tinha surgido do Concílio Vaticano II, fim da censura à imprensa que no Ocidente tinha se voltado para a esquerda, entre outras coisas.

No interior do PC checo e, sobre tudo do PC russo, essas reformas não foram vistas com bons olhos.

Os ortodoxos “leninistas” percebiam que o povo simples não entendia nada dessas construções ideológicas. Simplesmente queria se livrar do comunismo como um cachorro chacoalha a água do banho.

Se para essa libertação era necessária uma fase ignota dita “autogestionária”, o povo a suportaria e no fim acabaria a jogando fora com o sabão do banho.

Ajuda a compreender o caso aquilo que se deu na Polônia. O badalado sindicato Solidariedade liderado por Lech Walesa mobilizou massas contra a ditadura comunista prometendo a “autogestão”. Moscou deixava-o jogar até o ponto de Walesa se beneficiar sem represálias das bênçãos públicas do Vaticano.

O sindicato Solidariedade liderou a derrocada do comunismo soviético que oprimia a Polônia. Lech Walesa ficou presidente e tentou seu projeto “autogestionário”, ou “comunismo de rosto humano”.

O povo polonês acabou lhe dando um pontapé e hoje Walesa e seus sonhadores estão chorando as mágoas amparados pelas esquerdas ocidentais. A Polônia é católica e quer os princípios cristãos tradicionais da religião, da família e da propriedade.

Tanques soviéticos esmagam "Primavera de Praga"
Em 68, os intelectuais da “Primavera de Praga” redigiram o manifesto “Duas Mil Palavras” (Dva Tisíce Slov), questionando o rol hegemônico do Partido Comunista, exigindo a reabilitação dos prisioneiros políticos, pedindo uma TV aberta e liberal para fazer sua revolução da imoralidade como hoje fazem as TVs como a Globo no Brasil.

Mas os leninistas do Kremlin comandados por Breznev foram perspicazes: isso daria num “ato contrarrevolucionário”. E ordenaram a invasão cruenta.

Dubcek foi obrigado a trabalhar de jardineiro. O atleta campeão Emil Zatopek ficou gari. Cineastas e escritores do novo comunismo foram melhor tratados e deixados partir para o exílio.

O banho de sangue da Budapeste sinceramente anticomunista e patriótica de 1956, não se repetiu bem no movimento popular checoslovaco de 1968.

Mas a “Primavera de Praga” levantou uma bandeira entre os súditos obedientes de Moscou.

Muitos intelectuais e simpatizantes comunistas se afastaram das mofadas fórmulas filosóficas de Karl Marx e dos facinorosos conselhos táticos de Vladimir Lênin.

Os maiores Partidos Comunistas do Ocidente, notadamente os mais poderosos da Franca e da Itália, anunciaram novas vias, como o “eurocomunismo”.

Só a Cuba de Castro – a “ilha do diálogo” segundo o Papa Francisco – se manteve fiel ao crime de Estado, cópia da URSS.

Nada sobrou do “novo comunismo autogestionário” da “Primavera de Praga”? Na vida dos partidos e dos movimentos temporais parece que algo ficou, mas mirrado e sem força de projeção para o futuro.

Gorbachev não conseguiu o que queria. Seu sucessor Yeltsin governou num período anódino 'esquentando a poltrona' para aquele que viria: Vladimir Putin. Esse voltou-se para o modelo de José Stalin, seu modelo e ídolo.

Fazenda Buriti invadida e incendiada por índios teleguiados pela nova missiologia de luta de classes, em Sidrolândia, MS
Fazenda Buriti invadida e incendiada por índios
teleguiados pela nova missiologia de luta de classes, em Sidrolândia, MS
Os tanques enferrujaram, a rebeldia neo-marxista morreu. Os jovens checos hoje procuram valores conservadores.

Mas a utopia não morreu, ela ficou acalentada em clubes filosóficos, sacristias, bispados e panelas teológicas. Hoje renasce até em documentos pontifícios como a encíclica do Papa Francisco ‘Laudato Si’.

Sim, renasce. E mais radical do que nunca. E é devorado por um frenesi de igualitarismo para além do sonhado por Marx.

Dita utopia seria melhor interpretada na fórmula máxima da “autogestão”: a vida pansíquica da tribo na mata alimentada por meio de cultos xamânicos de forças escuras que emanariam das profundezas da terra. Chame-se de Gaia, de Pachamama ou ainda de outra forma.

O que os ideólogos europeus da “autogestão” não se atreveram a dizer, está começando a ser debatido de público em função do próximo Sínodo da Igreja Pan-amazônica convocado pelo Papa Francisco. Cfr.: O materialismo da Igreja ecológica amazônica deixa Karl Marx atrás


domingo, 12 de agosto de 2018

Eflúvios diabólicos do regime soviético se perpetuam e fascinam: nos calabouços de Karosta

Hóspedes-prisioneiros recebidos no hotel-prisão de Karosta.
Hóspedes-prisioneiros recebidos no hotel-prisão de Karosta.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






É difícil entender como um regime tão cruel e densamente satânico como o soviético possa ter dominado a metade ou mais do mundo, e hoje tente voltar com poderosas cumplicidades no mundo político e eclesiástico ocidental.

Entrementes há sinais de como isso possa acontecer em virtude de uma acentuada decadência moral, como a que está evidenciando o mundo ocidental.

E explicam o fascínio produzido pelo presidente russo Putin não só entre 'saudosistas' da sinistra velha URSS, mas em ocidentais que até se dizem de 'direita', 'extrema-direita' ou bancam de prudentes 'conservadores.

Um exemplo disso se dá no hotel-prisão de Karosta, em Liepaja, oeste da Letônia, sobre o mar Báltico.

domingo, 5 de agosto de 2018

Guerra invasora russa ameaça o futuro do mundo

Voluntário brasileiro combate do lado pro-russo.
Há muitas nacionalidades engajadas de ambos lados.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





A menos de 200 km de Rostov, palco do primeiro jogo do Brasil na Copa da Rússia, os torcedores não sabiam, mas estava se desenrolando um sanguinário drama silenciado pela mídia russa.

Mais de cem mil soldados ucranianos, russos, separatistas e voluntários de vários continentes se engalfinhavam furiosamente.

O Exército ucraniano quer recuperar seu território ocupado parcialmente por milícias armadas e sustentadas pela invasora Rússia.

“Essa guerra não acaba nunca, todo dia alguém está morrendo”, dizia Sasha num deprimente cemitério na periferia de Donetsk, com os olhos vermelhos pelo choro contido e pela vodca.

Os dados foram colhidos numa extensa e rica reportagem do jornalista da “Folha de S.Paulo” Yan Boechat, e que foi objeto de uma série de programas TV divulgada pela Band.

terça-feira, 24 de julho de 2018

Putin, de vencedor da Copa a alvo do descontentamento popular

O humor popular pegou o fundo político estilo URSS da Copa na Rússia
O humor popular pegou o fundo político estilo URSS da Copa na Rússia
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Minutos após a Rússia vencer inesperadamente um jogo na “Copa Potemkin”, imagens do presidente Putin inundavam a internet na Crimeia pedindo ao czar igualitário do Kremlin que desse “um pedaço da Ucrânia para o goleiro russo”, informou “O Estado de S.Paulo”.

O evento esportivo funcionou como um pretexto para elevar a imagem do senhor todo-poderoso. E na Crimeia os torcedores comentavam que as vitórias inimagináveis da seleção só se explicavam por um vencedor: Vladimir Putin.

Para o regime, o Mundial devia reforçar o culto do chefe supremo, ainda quanto esse aproveitava a distração para acentuar a censura e as violações de direitos de opositores.

O prefeito de Sebastopol, Dmitry Ovsyannikov, diante de milhares de pessoas comemorou as realizações esportivas do líder de Moscou. O membro do partido de Putin mostrou que a classificação era um objetivo político: “o povo de Sebastopol mostrou que a Crimeia é Rússia.”

Absurdo? Não! Era a instrução que vinha do Kremlin!

Em Moscou, Igor Gielow enviado especial da “Folha de S.Paulo”, lembrou que na era soviética, os resultados esportivos eram muito sérios para a máquina de propaganda do regime comunista. Ele queria a prova física da superioridade ideológica materialista marxista.

Valia tudo para obter medalhas olímpicas. Inclusive truques sujos organizados pela KGB para melhorar o desempenho dos atletas. Leia-se doping.

domingo, 15 de julho de 2018

A “Copa Potemkin” e os gemidos da miserabilizada Rússia profunda

Estadio Luzhniki de Moscou onde a Copa 2018 começou e terminou
Estádio Luzhniki de Moscou onde a Copa 2018 começou e terminou.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Na Sibéria, muitos russos nem souberam que na Rússia se jogou uma Copa do Mundo, reportou Jamil Chade, enviado especial de “O Estado de S.Paulo”, desde Zhunmurino, República da Buriácia.

Essa república beira a fronteira com a Mongólia. Lá o jornalista colheu respostas incertas, fruto da ausência de informações, do que se passa na Rússia.

Ironicamente mal sabia da Copa até um monge budista tido como agoireiro que prevê o futuro, cura doenças e prediz a chuva.

Em Buriácia até esse vidente desconhecia a existência da Copa do Mundo. “Não conheço”, lamentou.

Menos pretensiosa, a produtora de leite Lyubila Tserenyona dizia que “hoje nós jogamos contra a Argentina ou algo assim...”.

A seleção nacional russa não lhe dizia muita coisa. “Sou do povo buriato. Não sou russa. Mas vivemos na Rússia e vamos torcer pela Rússia na Copa”, explicou. Ao saber que o jornalista era do Brasil, ela sorriu dizendo: “eu adorava o Brasil nos anos 90 com Maradona e Pelé”.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Por trás da Copa da Rússia:
um regime de corrupção e ideologia despótica

O cartaz não e segurado por um torcedor da Rússia, mas da Sérvia. O objetivo visado foi além do esporte
O cartaz não e segurado por um torcedor da Rússia,
mas da Sérvia. O objetivo visado foi além do esporte
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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diversos blogs





Enquanto a Rússia vibrava com uma goleada na estreia da Copa do Mundo, o primeiro-ministro de Putin, Dmitri Medvedev, apresentou no Parlamento, “um pacote de maldades com medidas impopulares, necessárias para fechar as contas públicas”, noticiou “O Globo”.

A reforma da Previdência aumentou para 65 anos a aposentadoria dos homens sendo que eles têm uma expectativa de vida de 62,77 anos, perto da média africana.

O golpe não é novo. É de todos os ditadores de todas as épocas. Reedita a velha fórmula “pão e circo” que surgiu na decadente Roma durante a administração de Caio Graco. A fórmula foi aplicada a fundo pelos perversos imperadores.

E virou o mandamento máximo dos regimes corruptos.

Manter o povo entretido (o “circo”) e lhe dar um pouco de pão para que suporte as arbitrariedades do despotismo. Na Rússia de Putin, a Copa do Mundo foi manobrada ponto por ponto segundo essa perversa “sabedoria”.

Por isso não espanta que Helio Gurovitz no Estadão tenha perguntado se “dá para confiar na Copa do presidente Vladimir Putin”.

“Não bastassem – escreveu ele – as denúncias que pairam sobre a escolha da sede pela FIFA, sobre a construção de estádios e obras de infraestrutura, a Copa da Rússia é agora assombrada pelo espectro da corrupção nos próprios jogos, em especial os do time da casa”.