domingo, 26 de junho de 2022

Putin explora globalização em crise e esfomea o mundo

Rússia bloqueia Mar Negro e empede escoamento da safra ucraniana
Rússia bloqueia Mar Negro e impede escoamento da safra ucraniana
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







A invasão russa da Ucrânia ameaça muitas mais vidas das que já estão morrendo no campo de batalha.

E Vladimir Putin não dá sinais de se arrepender, apenas mostra vontade de tirar mais vantagens sobre os cadáveres de milhões de famintos, escreveu “La Nación”.

A guerra atingiu o sistema alimentar globalizado já estava enfraquecido pela pandemia. As exportações de grãos e oleaginosas da Ucrânia estão praticamente paradas, e as da Rússia estão sob controle devido a sanções.

Os dois países fornecem 12% das calorias consumidas pela humanidade.

António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, diz que o mundo “enfrenta o espectro de uma escassez global de alimentos” que pode durar anos. 1,6 bilhão de pessoas poderiam deixar de ter a alimentação básica garantida. E centenas de milhões de pessoas poderão cair na pobreza.

Putin usa cruelmente a comida como arma. A Rússia e a Ucrânia fornecem 28% do trigo comercializado em todo o mundo, 29% da cevada, 15% do milho e 75% do óleo de girassol.

As exportações de alimentos da Ucrânia fornecem as calorias que alimentam 400 milhões de pessoas.

Mas a guerra interrompeu esses suprimentos porque a Ucrânia minou suas águas para impedir um ataque russo por mar e a Rússia bloqueia o grande porto de grãos de Odessa.

Mas isso não é tudo para fazer de 2022 um ano terrível. A China, maior produtora de trigo do mundo, prevê a pior safra de sua história. A Índia, o segundo maior produtor mundial, o cinturão de trigo dos EUA e o Chifre da África sofrem as piores secas em quatro décadas.

Grãos aguardam para sair do porto de Odessa
Grãos aguardam para sair do porto de Odessa
Tudo isso afetará seriamente os pobres em regiões remotas. As famílias dos países emergentes gastam 25% de sua renda em alimentos, e esse número sobe para 40% na África Subsaariana.

No Egito, o pão é responsável por 30% da ingestão calórica das pessoas. E em muitos países importadores de alimentos, os governos não podem se dar ao luxo de aumentar os subsídios de ajuda aos pobres, especialmente se eles também são importadores de energia, outro mercado em crise.

Na Ucrânia os produtores não têm onde armazenar a próxima safra, falta combustível e mão de obra para o próximo plantio. A Rússia carece de sementes e pesticidas que compra da União Europeia.

A pandemia e a guerra atingiram a globalização, ou interdependência planetária, que era apresentada como uma maravilha do progresso da humanidade e que pôs de lado a sociedade orgânica de séculos anteriores.

Faltam fertilizantes, energia, gás natural, e 23 países impuseram restrições draconianas às suas exportações de alimentos que ameaçam parar o comércio internacional.

Todos acusam a todos: uns aos outros: o Ocidente culpa a Putin e ele responsabilizam as sanções ocidentais.

Em 2021, a China importou 28 milhões de toneladas de milho para alimentar seus porcos cujo número caiu de metade.

É mais do que toda a Ucrânia exportou em um ano, o que sobrará para os pobres humanos?


domingo, 29 de maio de 2022

A guerra de fakes russas

Putin nega fazer a guerra contra a Ucrânia quando a faz com ferocidade inaudita
Putin nega fazer a guerra contra a Ucrânia quando a faz com ferocidade inaudita
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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“Toda a história humana é a história da arte de enganar”, instruiu o general Alexander Vladimirov apresentando seu livro 'Teoria Geral da Guerra' numa escola de cadetes em Moscou. (Russian International Affaires Council. Moscou 15-04-2014)

Ele é vice-presidente do Colégio de Especialistas Militares da Rússia e um mestre na técnica de iludir no noticiário e nas ações da guerra.

Em russo é a “maskirovka”, ou “pequeno baile de máscaras”, em Ocidente se usa “guerra psicológica”, de “guerra da informação”, e os mais modernos “fake news” e “guerra híbrida”.

A Crimeia foi invadida por “pequenos homens verdes” desarmados e sem insígnias trazidos em caminhões militares sem identificação.

A evidência era de soldados russos, mas a mídia ocidental insistia em não saber de onde vinham.

Putin disse em conferência de imprensa que eram “patriotas voluntários” de férias, mas, cinco semanas depois, glorificou o operativo das tropas russas, não se incomodando com a contradição.

A mentira deu retorno e foi das maiores vitórias da “maskirovka”.

Guerra híbrida 'pequenos homens de verde' se espalham pela Crimeia sem armas nem distintivos pagos pelo 'oligarca' Konstantin Malofeev sem armas nem distintivos. Putin 'não sabe nada'
Guerra híbrida: 'pequenos homens de verde' se espalham pela Crimeia
sem armas nem distintivos pagos pelo 'oligarca' Konstantin Malofeev.
Putin 'não sabe nada'. Logo depois elogia o feito militar.
“A estratégia russa, fora e dentro do país, é dizer que a verdade não existe”, explicou à BBC

Peter Pomerantsev, que trabalhou anos na TV russa. “É um tipo de cinismo que tem muito eco no Ocidente, ... e os russos confiam nesse cinismo e o usam num contexto militar”, explicou.

A Rússia aprimorou o uso da mentira até a perfeição, registrou a jornalista Lucy Ash da BBC.

Na rua Savushkina nº 55 de São Petersburgo Putin mantinha uma central de “guerra da informação” que espalha na Internet palavras de ordem com milhares de pseudônimos.

O nome oficial é Internet Research Agency e é chamada 'fábrica de trolls'.

“O termo deriva da expressão trolling for suckers (enganando os trouxas)”.

Os trolls (enganadores) todo dia recebem uma instrução técnica como esta do 28 de fevereiro: “Ideia central: criar a opinião de que oficiais ucranianos estavam envolvidos na morte do oposicionista russo”.

Os comentários não devem ser identificáveis ideologicamente e devem parecer bem documentados para viralizar em artigos, comentários e tuites pró-russos.

Lyudmila Savchuk se infiltrou na 'fábrica de fakes' russa para denunciá-la
Lyudmila Savchuk se infiltrou na 'fábrica de fakes' russa para denunciá-la
A jornalista ucraniana Lyudmila Savchuk se alistou nessa agência fantasma para denunciá-la, como o fez.

Outra jornalista, a finlandesa Jessikka Aro entrou entre “os propagandistas pro Kremlin nas redes sociais” e ficou estarrecida: eles faziam uma guerra invisível para assediar, desalentar, intimidar e caluniar.

O general Valeri Gerassimov, atual chefe do Estado Maior russo (morto em combate segundo Kiev, ou vítima de expurgo em Moscou), explicou no semanário Military-Industrial Courier:

“as guerras não são mais declaradas, mas simplesmente começam e prosseguem por vias que não são familiares. O uso escancarado das forças militares é só para a fase final do conflito”.

“A nova forma de guerra não pode ser caracterizada como campanha militar”, diz o Centro de Pesquisas para a Segurança e a Estratégia da Letônia.

E Dmitry Kiselyov, tido como “o chefe propagandista do Kremlin” sublinha que hoje a “guerra de informação” é “a forma primordial de guerra”.

Outro favorito de Putin e filosofo ocultista Alexander Dugin prega uma “revolução conservadora” enquanto “oligarcas” putinianos transmitem atraentes promessas para os movimentos conservadores do mundo.

Nem sempre Putin as cumpre, o importante é enganar, por interesse estratégico, sem moral.

O referido general Gerassimov, insistiu na Academia Militar de Moscou: “as fronteiras entre a guerra e a paz se apagaram no século XXI”.

Hoje a ofensiva visa submergir o inimigo no caos mental espalhando fakes que apagam os limites entre o real objetivo e a ficção pré-fabricada.

Quando os adversários não saibam mais no que acreditar, estarão vencidos
Quando os adversários não saibam mais no que acreditar, estarão vencidos

Quando os adversários não saibam mais no que acreditar, estarão vencidos.


“El Mundo” de Madri observa que muitos direitistas acreditam mais no líder russo do que nos nacionais.

“Die Zeit” vê muitos alemães acreditar mais em Putin do que no próprio chanceler; agentes da FSB (ex- KGB) infiltraram a campanha eleitoral de Trump.

Jeanne Smits ex-diretora do jornal “Présent” de Le Pen espantou-se com “tradicionalistas” católicos invertendo a mensagem de Fátima em favor da Rússia contra o Ocidente, e defendendo até que o Espírito Santo saiu de Roma após o Concílio Vaticano II e se instalou em Moscou.

Essa ofensiva bate na tecla de que a “nova Rússia” é o baluarte da moral tradicional cristã diante de ideologias do tipo LGBT, da ideologia de gênero, anti-vida, anti-família, etc., subprodutos da Nova Ordem Mundial com que hiper-capitalistas afogariam Ocidente, omitindo que esses males existem em grau exacerbado na própria Rússia.

Jeanne Smits registrou até o exagero de apresentar Putin investido da “missão providencial” de salvar o cristianismo.

Como fazer desaparecer a Igreja Católica dizendo ao mesmo tempo que está sendo salva por quem a extingue?

Smits fornece exemplos. Um “próximo entre os próximos” de Vladimir Putin, o multibilionário Konstantin Malofeev sustenta o think-tank Katehon do citado ideólogo gnóstico Alexander Dugin onde o “tradicionalista” Charles Upton defende que a “nova-Rússia” e o Patriarcado de Moscou vão salvar a Igreja de Ocidente, extinguindo os Papas de Roma.

Konstantin Malofeev (esq) suborna monarquistas e cristãos no mundo e financia separatistas no Donbass. Alexandr Duguin (dir) aparece como mestre ocultista
Konstantin Malofeev (esq) suborna monarquistas e cristãos no mundo
e financia separatistas no Donbass.
Alexandr Duguin (dir) aparece como mestre ocultista
Smits conclui que se ela fosse da KGB não agiria de outro modo para espalhar que a Igreja Católica fracassou.

A professora Cécile Vaissié, da Universidade de Rennes 2, especializada em Estudos Soviéticos e Pós-Soviéticos e autora do livro Les réseaux du Kremlin en France (As redes do Kremlin na França), mostra que as redes de propaganda sub-reptícia da URSS, outrora centradas no “pacifismo” nos últimos anos assumiram bandeiras “conservadoras” e de “extrema direita”.

Na realidade, diz ela, essas são práticas da velha KGB que fazem as pessoas perder o senso e impedem que entendam o que está acontecendo.

Alexeï Komov, representante do Patriarcado de Moscou nos Congressos Mundiais da Família, defende que a Revolução Bolchevista de 1917 nada teve de russa.

Ora, essa Revolução instalou o comunismo, proclamou o amor livre, legalizou o divórcio e instalou o aborto sem limites. 

Restos de tanque ruso na Ucrânia. Putin anunciou fabulosa renovação militar que se verificou um fiasco
Restos de tanque russo na Ucrânia.
Putin anunciou fabulosa renovação militar que se verificou um fiasco
Mas Komov, “convertido” pelo Patriarcado de Moscou em defensor da família, escapuliu-se da contradição alegando haver um “milagre” na Rússia que faz renascer os valores tradicionais da família e da tradição e que o regime de Stalin “acabou mais favorável à família” .

A estratégia falseia conceitos e posições para ludibriar as vítimas e Dugin comemora:

“Nós os embaralhamos passando do direitismo ao esquerdismo e vice-versa. Seduzimos ao mesmo tempo a extrema-direita e a extrema-esquerda” (Dugin).


Assim se forja, como observa Smits, um “Putin salvador da Cristandade”, que ao mesmo tempo é admirador de Stalin!


domingo, 22 de maio de 2022

A invasão da Ucrânia à luz das profecias e de Revolução e Contra-Revolução








Belo Horizonte — O Núcleo do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira da capital mineira promoveu, como de costume, no terceiro domingo de maio mais uma conferência de formação para seus amigos e simpatizantes.

Conhecido analista de política internacional, o Sr Luis Dufaur foi convidado a expor sobre a invasão da Ucrânia tratando dos fatos atuais, suas repercussões na opinião pública e à luz da profecia de Fátima e das previsões do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira.

Essa programação, sempre precedida da assistência à Santa Missa tridentina às 8,00 horas, depois da qual os participantes se dirigem à Sede social do Instituto, onde graças à colaboração de todos é servido um lanche, ocasião para animadas conversas.

Fora das rotas batidas


Longe das abordagens convencionais sobre o tema, a conferência de Luis Dufaur focalizou um breve histórico da Ucrânia, sua conversão iniciada no século X, e a sua evangelização perturbada primeiramente pelo Cisma do Oriente e a Revolução Bolchevista no século XX.

A Rússia, como fica claramente expresso na Mensagem de Fátima, tem um importante papel a desempenhar.

Nossa Senhora advertiu que se o mundo não fizesse penitência a Rússia seria o flagelo da humanidade, como aliás estamos vendo na atual guerra.

Mas Ela abriu uma esperança dizendo: virei pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração.

E, Nossa Senhora acrescenta, que somente daí adviria a paz.

São Vladimir, príncipe de Kiev, zar de todas as Rússia converteu o povo eslavo
São Vladimir, príncipe de Kiev, csar de todas as Rússia converteu o povo eslavo

Batismo da Rússia


“Até o ano de 988, o mundo eslavo de origem étnica viking incluía, numa imensidade territorial sem muita organização, as futuras Ucrânia, Rússia, Bielorrússia e partes de outros países.

A primazia cabia a Kiev onde a princesa Santa Olga (945 a 969) foi a primeira soberana cristã de origem eslava.

Seu neto, São Vladimir, o Grande, reinou de 980 até 1015 com os títulos de Grão-duque de Kiev e de todas as Rússias: combateu a bebedeira, trabalhou pela conversão dos seus súditos, edificou numerosas igrejas.

Cisma diabólico e Santo “Uniatismo”


O demônio não suportou ver o nascimento do mundo eslavo católico.

Miguel I Cerulário, patriarca de Constantinopla, provocou o grande cisma do Oriente em 1054 e arrastou, como novo Lúcifer, legiões de bispos e fiéis à perdição.

Mas, os papas São Gregório VII, Honório III, Gregório IX e Inocêncio IV enviaram legados aos príncipes de Kiev culminando com a unidade à Roma refeita em 1255.

No Concílio de Florença (1431-1445), conhecido como de Basileia, Dom Isidoro, Metropolita de Kiev e de Moscou, cardeal da Santa Igreja Romana, em nome de todos os povos de sua língua jurou conservar santa e inviolável a unidade na fé de Roma, ratificando a promessa de 1255.

Os czares cismáticos de Moscou não gostaram que os bispos dependessem de Roma e fundaram um artificial Patriarcado de Moscou que não durou muito.

O arcebispo São Josafá resistiu a esta intromissão do poder temporal na Igreja e foi perseguido e martirizado.

Está enterrado na Basílica de São Pedro em Roma e é reconhecido como fundador do rito greco-católico ucraniano que hoje está no centro dos acontecimentos.

São Josafá, arcebispo mártir que combateu o cisma russo é tido como fundador dos greco-católicos ucranianos
A missão da Ucrânia


“Por meio de vós, meus ucranianos, eu espero converter o Oriente”, proferiu o Papa Urbano VIII, na beatificação de São Josafá, em 1643.

O mundo eslavo, a partir da Revolução bolchevista de 1917, entrou em novo túnel escuro, ao revés dos planos da divina Providência revelados por Nossa Senhora em Fátima no mesmo ano. São 70 anos de escravização comunista e ateísta.

A Igreja dita Ortodoxa, presidida pelo atual Patriarcado de Moscou criado pelo poder soviético, foi o instrumento eficaz para amortecer e submeter os russos ao regime comunista.

Os greco-católicos foram os únicos que resistiram ao marxismo sofrendo heroicamente muitos martírios.

Quando a Ucrânia se tornou independente em 1991 por volta de 300.000 greco-católicos saíram das ‘catacumbas’, mas hoje na Ucrânia já somam entre 6 e 8 milhões, sem contar as numerosas comunidades no exterior, como no Brasil por exemplo.

Muitos cismáticos compreenderam que os únicos resistentes ao comunismo são os católicos e então voltaram ao redil de Cristo.

A brutal invasão da Ucrânia, pelas tropas de Putin, foi motivada em boa parte por esta conversão crescente ao catolicismo que deu novo alento às profecias de Fátima.

A vigorosa reação dos ucranianos acompanhada por inequívocos sinais celestes foi posta em foco pelo Sr Luis Dufaur.

O palestrante lembrou palavras do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira quando indagado sobre a efetivação das promessas de Fátima:

“Onde vejo uma possibilidade mais saliente de conversão é na Ucrânia pisoteada, onde os católicos resistem com heroicidade, e cismáticos começam a se converter”.


A Providência parece querer servir-se dessa guerra de invasão para purificar a Ucrânia e quiçá levar à conversão da Rússia, considerando as profundas afinidades étnicas, culturais e históricas entre ambos povos.

As profecias de Nossa Senhora em Fátima estão muito mais no cerne desta guerra do que quaisquer outras considerações políticas, militares ou econômicas.

Este é o aspecto que mais devemos procurar discernir no noticiário dos eventos do conflito.

Segundo o conferencista, a TFP italiana está distribuindo dezenas de milhares de Medalhas Milagrosas na Ucrânia, muitas das quais estão sendo costuradas por religiosas nos coletes antibalas dos soldados e voluntários.

Rezemos pela conversão da Rússia, pela missão providencial do mundo eslavo, pelo triunfo do Imaculado Coração de Maria prometido em Fátima.


Menino implora pela sua pátria, a Ucrânia, aos pés de Cristo junto à catedral católica de Kiev



domingo, 15 de maio de 2022

A sombra de Putin numa França insatisfeita com a classe política

Emmanuel Macron encarnou um europeísmo que os franceses não desejam
Emmanuel Macron encarnou um europeismo que os franceses não desejam
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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“Entre a cólera e a peste”: assim a terceira cidade francesa, Marselha, percebeu a opção entre os candidatos presidenciais Macron e Le Pen, refletindo uma sensação difusa no país.

Os jovens eleitores pensavam “nem um nem outro". Nem Le Pen nem Macron. Em Paris, os estudantes universitários assumiram o lema de “Ni” sem o menor entusiasmo.

“Não tenho escolha a não ser votar em Macron”, sintetizou um jovem eleitor. Alguns votaram no comunista Mélenchon para cortar o caminho de Le Pen. E depois votaram em Macron para parar Le Pen, mas não acharam um candidato que os representasse.

Nesta eleição os partidos tradicionais, conservadores ou socialistas, saíram pulverizados, comentou “Clarín”.

Mais uma sombra repudiada pela maioria dos franceses aumentou a repulsa dos candidatos da extrema direita e da extrema esquerda que lidavam pelo segundo lugar na primeira volta: a dos crimes de Vladimir Putin na Ucrânia.

Cumpria-se a estratégia do filósofo panteísta russo Alexander Dugin, íntimo de Putin: “Nós os embaralhamos passando do direitismo ao esquerdismo e vice-versa. Seduzimos ao mesmo tempo a extrema-direita e a extrema-esquerda”.

Exemplo de embaralhamento na primeira volta: habitualmente as percentagens oficiais iniciais de pouca entidade numérica não falam o resultado final.

As agências de notícias russas Tass e a Ria Novosti, pinçaram números oficiais de pequenas áreas em que a candidata preferida pelo Kremlin aparecia em primeiro lugar e difundiram sem cessar que ela ganhou a presidência, observou o “Huffington Post”.

Na Rússia a manipulação não fazia efeito, pois o povo já está habituado a que o governo minta sempre. A desinformação só podia afetar o Ocidente.

As agências russas Tass e Ria Novosti funcionaram como caixa de resonância de Marine Le Pen
As agências russas Tass e Ria Novosti funcionaram
como caixa de ressonância de Marine Le Pen
Na reta final, as agências do Kremlin forneceram números mais fidedignos, mas ficou como se tivessem havido uma fraude de último momento em favor de Macron.

No último debate antes de votação final, o presidente francês invectivou a candidata Marine Le Pen.

“Digo com muita seriedade, você depende do poder russo e de Putin. Você pegou um empréstimo em 2015 de um banco russo próximo ao governo e depois o repassou a atores envolvidos na guerra na Síria, (...) teus interesses estão ligados aos da Rússia”, registrou “Le Figaro”.

Em 2014, a Frente Nacional – agora Rassemblement National – recebeu um empréstimo de 9,6 milhões de euros do banco russo First Czech-Russian Bank (FCBR), fechado em 2016 por operações de lavagem de dinheiro. O empréstimo não foi reembolsado, mas o caso se resolveu num acordo amigável em 3 de junho de 2020.

O oponente Alexei Navalny hoje preso na Rússia pediu aos franceses não votar em Marine Le Pen porque é “uma venda de influência política para Putin”.

“Esse banco é uma agência de lavagem de dinheiro criada por Putin” acrescentou Navalny, que ficou famoso investigando a corrupção da elite russa.

Marine Le Pen justificou o empréstimo porque os bancos franceses lhe negavam crédito. “Somos um partido pobre, e isso não é desonroso”, respondeu a candidata, que se descreveu “totalmente livre”.


A historiadora Françoise Thom, especializada em questões russas, destacou um paradoxo: os franceses são sensíveis ao martírio da Ucrânia, mas parecem ter votado por candidatos pro-Rússia – Le Pen e o comunista Melenchon – como se não percebessem que está em jogo sua liberdade. Cfr. Desk Russie

 
Os partidos kremlinófilos ocupam a extrema esquerda e a extrema direita do leque partidário. Mas tudo se passa como se na hora de estabelecer a hierarquia dos perigos, o único adversário fosse a “hegemonia americana”.

A flagrante falta de julgamento que é um mau presságio para a França, tem uma explicação: a persistência da propaganda stalinista, escreve Thom.

Esses partidos de um modo explícito na esquerda ou camuflado na direita articulam velhos discursos oriundos no Kremlin.

Stalin levantou a bandeira do nacionalismo e apresentou a URSS como a campeã da soberania dos estados europeus diante de um projeto de “subjugação” da Europa pelos EUA. Putin repete essa pregação sofística.

Pouco importava estar impondo sua ditadura nos países da Europa Central e Oriental, instalando o terror e multiplicando prisões, deportações e grandes julgamentos. Tampouco hoje importavam as injustiças e massacres de inocentes na Ucrânia.

O ideólogo stalinista Andrei Zhdanov formulou o sofisma para Stalin: “A escravização da Europa baseia-se em uma ofensiva contra a soberania nacional […] ao qual se opõe a ideia de um governo mundial. … A URSS defende os direitos soberanos de todas as nações, grandes e pequenas”.

O heroísmo ucraniano fez acordar as fibras adormecidas da verdadeira França.
O heroísmo ucraniano fez acordar as fibras adormecidas da verdadeira França.
Nesses termos, Stalin não parece falar pelas cordas vocais de Le Pen, Zemmour ou Mélenchon?, pergunta Françoise Thom.

Trocados os nomes, o desatualizado anticolonialismo da Internacional Comunista volta nos ideólogos putinianos, na África e no Oriente Médio.

As duas faixas de sofismas permitem a junção do extremismo de direita e o de esquerda defendida por Dugin para desestabilizar as sociedades ocidentais.

Mas a manobra se desmascarou com a resistência dos ucranianos que evocaram os 300 heróis lendários das Termópilas segurando um imenso exército invasor, diz Thom

Em Mariupol, conclui a historiadora, a bravura dos resistentes prenuncia um renascimento das retas consciências, e o desfazimento das falácias putinistas e de seus cúmplices ocidentais


quinta-feira, 12 de maio de 2022

Chantagem russa do gasoduto Yamal foi prevista no Brasil há 40 anos!

Rússia cortou o gás para a Europa via gasoduto Yamal
Rússia cortou o gás para a Europa via gasoduto Yamal
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A empresa russa Gazprom fechou o gasoduto que passa pela Polônia rumo a Europa, em represália contra as sanções da União Europeia e do G7, que querem reduzir ao mínimo sua dependência da Rússia que se tem mostrado um parceiro não confiável e até criminoso na invasão da Ucrânia, noticiou “El Mundo”.

A gigante Gazprom manifestou em comunicado colhido pela AFP, que sua decisão “significa a proibição de usar um gasoduto pertencente ao grupo EuRoPol GAZ [responsável pela parte polonesa do gasoduto Yamal-Europa] para transportar gás russo via Polônia”.

O governo de Putin puniu mais de 30 empresas da UE, EUA e Singapura. Entre eles, a mais decisiva EuRoPol GAZ S.A., proprietária da parte polonesa do gasoduto Yamal-Europa.

No mesmo dia, o ministro alemão da Energia, Robert Habeck, acusou a Rússia de usar a energia como “uma arma de várias maneiras”. O corte é sensível para quatro países, e a Alemanha é a mais prejudicada.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, exortou a UE a reduzir sua dependência energética da Rússia.

“O oxigênio energético da Rússia deve ser desconectado”, disse Kuleba em entrevista coletiva. “A Rússia mostrou que não é um parceiro confiável”, acrescentou.

A perspectiva é que se os preços aumentarem não drasticamente, os europeus terão que apertar o cinto.

Percurso do gasoduto Yamal
Percurso do gasoduto Yamal
Mas se Moscou fechar completamente, haverá racionamento forçado, uma redução significativa do fornecimento e até um teto geral em todo o continente, concluiu a Comissão Europeia, órgão máximo da EU, acrescentou “El Mundo”.

A UE estuda mais sanções ao petróleo russo antes do final do ano e a Rússia responde com punições contra empresas europeias.

O corte do gasoduto Yamal direcionado à Alemanha através da Polônia, fez os preços futuros disparar a mais de quatro vezes o preço de um ano atrás.

Se a Rússia cortar completamente os envios, o efeito será brutal para a Europa e sua economia e não haverá escolha a não ser o racionamento.

Acresce que Bruxelas está tentando aplicar imprudentes ideias de transição verde e de eficiência energética que vão lhe limitar as fontes de energia atuais.

A UE diz que tem planos nacionais de emergência e instou os estados membros a atualizarem os seus planos de contingência. Leia-se se preparem até para um racionamento.

A urgência é ter os depósitos cheios para os próximos outono e inverno que no hemisfério norte começam a partir de 21 de setembro.

Em caso de racionamento, Bruxelas apela ao “princípio da solidariedade” visando ajudar os estados membros mais afetados, reduzindo o consumo das empresas.

Putin inspecciona o gasoduto Yamal
Putin inspeciona o gasoduto Yamal
O problema é que essa solidariedade vem faltando
nas relações entre os membros da UE, com muitas resistências populares às normas de Bruxelas.

A Comissão Europeia sabe que a decisão final é dos governos nacionais. Mas esse cada vez se afastam mais do sentimento popular e não se sabe o que aconteceria se o estrangulamento for máximo.

O downsizing da indústria será aplaudido pelas minorias ecologistas que reclamam planos para “lockdowns climáticos” com drásticas reduções de atividade industrial, do consumo e até das liberdades e uma queda geral do nível de vida.

Mas poderiam produzir contra-reações populares, como disse britanicamente Lord Lipsey em debate da Câmara dos Lords: “se apresentássemos este relatório ao povo britânico, ele seria recebido: ‘Oh, você não pode estar falando sério’”.

Mas o problema é sério: a Rússia está usando o gás e o petróleo como um bandido inescrupuloso usa uma arma de grosso calibre.

Em caso de emergência máxima, as discussões entre os países da UE podem rumar para o pior cenário.

Até o outono e o inverno europeus haverá alguma calma, mas chegando o frio não só o aumento do preço do gás causará atritos imprevisíveis.

Percurso do gasoduto Yamal Europa e outros gasodutos
Percurso do gasoduto Yamal Europa e outros gasodutos
“A menos que seja acompanhado de um corte notável” no consumo, observa a UE. Mas isso enche de terror aos governantes e pode fazer explodir bombas sociais que as redes sub-reptícias de subversão russa não deixarão escapar. 

Já Putin insinuou os desmandos que poderiam acontecer no coração da Europa, até agora tão ordenada.

O corte russo criou um horizonte escuro de dúvidas no continente e fez esfregar as mãos de muito agente da FSB (ex-KGB) em Moscou.

O perigo de ficar sem gás no mercado é real, conclui “El Mundo”.

O mais paradoxal é que os perigos da chantagem energética russa puderam ser evitados na base e na própria origem do gasoduto Yamal hoje em foco.

E foi um brasileiro, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira que advertiu na “Folha de S.Paulo” em 24/10/1982.

Quarenta anos antes de esta chantagem se efetivar!

Eis um excerto do profético artigo:
Confira também: Dutos russos fazem hoje o que os tanques soviéticos faziam ontem

Para a corda de aço, escravos


Sirvo-me da documentação exuberante coletada pela analista política norte-americana dra. Juliana G. Pilon, Ph. D., que a benemérita The Heritage Foudation, de Washington, publicou há pouco (16-9-82).

Trata-se de um estudo sobre a construção do gasoduto de Yamal, imensa corda de aço na qual Moscou pretende enforcar tanto a Europa oriental quanto a ocidental.

Pois tornará uma e outra dependentes do gás soviético para enfrentar os rigores do inverno.

O projeto Yamal será um dos maiores empreendimentos da Rússia. Custará cerca de 45 bilhões de dólares, e será financiado em sua maior parte com créditos ocidentais a juros baixos.

Alguns desses créditos têm juros de apenas 7,5% (cfr. depoimento do especialista Roger W. Robinson, do Chase Manhattan Bank, in “Congressional Record”, vol. 128, n.° 65, de 25-5-82).

Alcançando por vezes o frio na Sibéria 50 graus abaixo de zero, compreende-se que o Kremlin não tenha conseguido preencher com trabalhadores livres grande parte dos empregos que a realização do projeto acarreta.

As estatísticas oficiais da Rússia calculam em cerca de dois milhões os empregos não preenchidos na Sibéria.

Considerando que há mais ainda a preencher nos outros ramos da construção pesada em território soviético, torna-se necessário o trabalho escravo nas obras que se realizam na Sibéria.

Daí ter havido um encontro entre Brejnev e o chefe comunista vietnamita Le Duan.

Do que resultou que o Vietnã pagaria suas dívidas para com o bloco soviético não com dinheiro, mas com trabalho escravo (cfr. “Foreign Report” da revista "The Economist" de 17-9-82).

Confira o original no ACERVO DA FOLHA DE S.PAULO. Ou em PLINICORREADEOLIVEIRA.INFO


Gazprom corta fornecimento de gás à Europa através da Polônia (agência EFE)



segunda-feira, 2 de maio de 2022

Putin expurga alucinado pela cirurgia, fracassos militares e a ambição dos oligarcas

Putin alucinado pela cirurgia, fracassos militares e a ambição dos oligarcas, Captura
Putin alucinado pela cirurgia, fracassos militares e a ambição dos oligarcas, Captura
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Em março, o presidente Vladimir Putin apelou a um dos piores recursos dos ditadores que sentem sua tirania em crise: ameaçou limpar Rússia de uma “escória de traidores” que trabalharia secretamente para os EUA e seus aliados ocidentais, informou “Clarín”.

As notícias da guerra já eram desastrosas e as críticas em voz baixa no círculo íntimo do ditador do Kremlin e do Exército chegaram à espionagem interna do regime.

O líder russo fingia não dar importância ao colapso econômico, mas agora acusou o Ocidente com tons sombrios porque quereria destruir Rússia.

Putin inicia expurgo da cúpula moscovita


O povo russo será capaz de distinguir patriotas da escória e dos traidores e cuspi-los como um mosquito que acidentalmente voou em suas bocas”, disse.

E anunciou uma “autolimpeza natural e necessária da sociedade”.

O método do expurgo é bem conhecido na Rússia. Teve um auge com Stalin de quem Putin se declara admirador. Milhões de mortes e deportações foi o sinistro preço pago.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse cinicamente que a “escória de traidores”, “está desaparecendo por si própria”, renunciando a seus empregos ou se exilando.

A ameaça de Putin saiu dois dias depois que Marina Ovsyannikova da televisão estatal russa Channel One interrompeu o noticiário com uma placa atrás do locutor que dizia: “Eles estão mentindo para você”.

O presidente da câmara baixa do parlamento russo denunciou o protesto como “traição” e pediu punição “com todo o rigor”.

Quase 15.000 russos manifestantes contra a guerra foram presos
Quase 15.000 russos manifestantes contra a guerra foram presos
Quase 15.000 russos foram detidos em protestos contra a guerra desde que Putin ordenou a invasão, segundo a organização de direitos humanos OVD-Info.

Dezenas de milhares de russos fugiram para o exterior escapando da repressão.

Nova lei de mídia estabeleceu penas de prisão de até 15 anos ao jornalista que divulgar “notícias falsas”, leia-se noticie o mal andamento da guerra.

Mortes e sumiços misteriosos de ‘oligarcas’


Desde a ameaça de Putin vem se multiplicando os estranhos desaparecimentos de inúmeros oficiais russos, de oligarcas – na prática espécie de ministros do dono de Moscou.

As mortes misteriosas de oligarcas dos mais poderosos do país e de suas famílias somam dezenas.

Vladislav Surkov, o 'Rasputin de Putin' foi posto em prisão domiciliar
Vladislav Surkov, o 'Rasputin de Putin' foi posto em prisão domiciliar
“Não há dúvida de que Putin está realizando expurgos internos entre os generais e o pessoal dos serviços de inteligência (…) seja por ter feito estimativas imprecisas, por vingança por informações erradas ou críticas à sua decisão de iniciar uma guerra”, observou em meados de março o Institute of Warfare (ISW), um think-tank americano citado por “La Nación”.

O caso mais emblemático é o de Vladislav Surkov. Apelidado de “Rasputin de Putin”, é o conselheiro do presidente russo para a Ucrânia que durante 20 anos contribuiu para a propaganda “putinista”. Ele foi colocado em prisão domiciliar em Moscou, sem se saber as razões.

A maioria dos oligarcas atingidos foi alvo de misteriosos “suicídios” curiosamente semelhantes nas últimas semanas.

Alexander Tyulyakov, 61, vice-diretor do tesouro da Gazprom, a todo-poderosa empresa estatal de energia, apareceu enforcado na garagem de seu apartamento em 25 de fevereiro, perto de São Petersburgo. O jornal Novaya Gazeta informou que os médicos legistas que foram analisar o caso foram expulsos do local pelos serviços de segurança.

Três dias depois, Mikhail Watford, 66, magnata do petróleo e do gás de origem ucraniana, foi encontrado enforcado na garagem de sua casa no sudoeste de Londres.

Em 24 de março, o milionário Vasily Melnikov líder da farmacêutica MedStom, vítima de sanções econômicas ocidentais, foi achado morto a facadas junto com sua esposa e dois filhos em seu apartamento em Moscou.

Vladislav Avaev, ex-vice-presidente do Gazprombank, o braço financeiro da Gazprom sua esposa e filha morreram em Moscou, crivados de balas.

Sergey Protosenya foi achado enforcado. Sua mulher e sua filha massacradas a facadas e machadadas na sua villa em Lloret de Mar, Costa Brava
Sergey Protosenya foi achado enforcado. Sua mulher e sua filha massacradas
a facadas e machadadas na sua villa em Lloret de Mar, Costa Brava
Sergei Protosenya
, ex-CEO da gigante russa do gás Novatek, também apareceu enforcado em sua luxuosa casa em Lloret del Mar, na Espanha. Os corpos de sua esposa e filha estavam brutalmente esfaqueados.

Leonid Shulman, diretor-geral da Gazprom, foi encontrado morto no banheiro de sua casa um mês antes da invasão da Ucrânia.

Os serviços de inteligência e das forças armadas não passam melhor.

Putin pretextou uma “desnazificação” para justificar a criminosa invasão da Ucrânia que está dando num desastre militar.

Isso explica o desaparecimento de tantos líderes militares?

O ministro da Defesa e amigo pessoal do chefe do Kremlin, Sergei Shoigu, reapareceu recentemente, em trajes civis, depois que a mídia ocidental especulou sobre sua ausência.

Para Moscou, tanto Shoigu quanto seu chefe de gabinete, o general Valery Guerassimov, atual Comandante das Forças Armadas ‘volatilizado’ desde 11 de março, estariam “extremamente ocupados”.

Guerassimov não aparece desde 12 de março. Autoridades norte-americanas tentaram falar com ele no dia 18 daquele mês. Mas o general teria “se recusado a atender” uma nova ligação, seis dias depois.

Viktor Solotov, chefe da Guarda Nacional está desaparecido
Viktor Solotov, chefe da Guarda Nacional está desaparecido
Viktor Zolotov
, ex-guarda-costas de Putin, nomeado chefe da Guarda Nacional, teria a audácia de reconhecer que a invasão ia “mais devagar do que o esperado”. Desde então, ele nunca mais foi visto.

Para os serviços de inteligência britânicos, cerca de 150 agentes dos serviços russos foram dispensados ou presos, como seu diretor, o tenente-coronel Serguey Beseda.

Todos eles trabalhavam para uma divisão conhecida como Quinto Serviço, criada por Putin para manter as ex-repúblicas soviéticas na órbita russa.

“Há um mês, Beseda dorme na sinistra prisão de Lefortovo por 'fornecer informações falsas ao Kremlin sobre a verdadeira situação na Ucrânia antes da invasão'“, segundo o grupo de pesquisa Bellingcat.

Lefortovo, prisão administrada pelo FSB, tem um campo de tiro subterrâneo com buracos de bala deixados durante os expurgos de Stalin, quando a sala era usada para execuções em massa.

Aumenta a insatisfação na nomenklatura de oligarcas


É fato que está rachado o silêncio, ou aprovação obsequiosa, da elite russa à aventura de Putin.

As pesquisas falam de um apoio popular esmagador à campanha militar. Mas quem se diria em desacordo quando a lei criminaliza as críticas à guerra?

Oligarcas magnatas estão atemorizados pelas reações do chefe
Oligarcas magnatas estão atemorizados pelas reações do chefe
Magnatas – especialmente aqueles que acumularam suas fortunas antes de Putin chegar ao poder – já se manifestam timidamente, focados em seus próprios infortúnios ligados às represálias ocidentais, registra “La Nación”.

As sanções do Ocidente congelaram bilhões de dólares nas contas dos oligarcas no exterior. E a Casa Branca visa passar esses ativos dos oligarcas para a reconstrução da Ucrânia.

Anatoly Chubais, o deputado especial do governo russo para o desenvolvimento sustentável e czar da privatização da era Yeltsin está fugitivo.

A chefe do Banco Central da Rússia, Elvira Nabiullina, apresentou sua renúncia e Putin não a aceitou.

Bilionários, banqueiros, ex-funcionários falam sob anonimato que o presidente não ouve ninguém e está cada vez mais isolado. Putin só dá crédito a um punhado de oficiais de segurança linha-dura.

Vladimir Lisin, magnata do aço, alertou que “a transição para pagamentos em rublos nos tirará dos mercados internacionais”.

Vladimir Potanin, proprietário da usina de metais Norilsk Nickel, alertou que as medidas econômicas de Putin destroem a confiança dos investidores e o país beira as condições de revolta da Revolução de 1917.

Oleg Deripaska a guerra da Ucrânia foi uma 'loucura'
Oleg Deripaska a guerra da Ucrânia foi uma 'loucura'
Oleg Deripaska
, magnata do alumínio, chamou a guerra na Ucrânia de “loucura” do ponto de vista da economia. Então, agentes federais carregam uma mala de documentos dentro da casa de Deripaska, em Washington.

Horas após o início da guerra, 37 executivos mais ricos da Rússia foram convocados por Putin. “Estavam todos de mau humor”, lembra um dos presentes. “Nunca os vi tão perturbados”, diz outro participante. “Alguns nem conseguiam falar, gaguejavam: “Perdemos tudo!”

Na presença do presidente ninguém emitiu um gemido de protesto, e eles ouviram com cara de pedra as promessas de Putin.

Diante das pesadas baixas de tropas e sua retirada da região de Kiev, a invasão é vista com desconfiança não só por bilionários sancionados pelo Ocidente, mas também por membros da elite de segurança e inteligência do Kremlin.

O ministro da Defesa Sergei Shoigu, seria um dos mais preocupados. “Todo mundo tem casa, filhos, netos e quer voltar a ter uma vida normal. Ninguém quer uma guerra”, diz a fonte. “Nem todo mundo é suicida”.

Putin doente teme a cirurgia e os medicamentos


A crise no topo do Kremlin se agravou nos últimos dias. Segundo a mídia britânica, Putin pode ter que ceder o controle da guerra na Ucrânia durante uma intervenção cirúrgica para remover um câncer que o aflige, segundo “informantes do Kremlin” citados pelo Daily Mail.

Nikolai Patrushev seria o preferido de Putin enquanto esteja no hospital
Nikolai Patrushev seria o preferido de Putin enquanto esteja no hospital
Putin desconfia de todos, os suspeita de “traidores”. Mas, na necessidade, preferiria Nikolai Patrushev, chefe do Conselho de Segurança da Rússia, ex-chefe do FSB, linha-dura e um dos arquitetos da estratégia de guerra segundo a qual “Kiev está inundada de neonazistas”.

Putin teria câncer abdominal e Parkinson avançado há 18 meses, mas adia a cirurgia para estar presente na comemoração do Dia da Victoria, em 9 de maio, imensa comemoração do triunfo da URSS na II Guerra Mundial.

Nessa colossal passeata pretende anunciar a vitória na guerra da Ucrânia, que seus generais devem obter até essa data. Caso contrário teriam que pagar com suas vidas ou seus cargos.

Não se sabe “exatamente quanto tempo [ele ficará incapacitado após a cirurgia]...” Mas Putin sabe que seria suficiente para um oligarca adversário dar o golpe e assumir o poder.

Por isso quer uma guerra total na Ucrânia e a mobilização em massa de homens em idade militar. O Kremlin, é claro, nega categoricamente que Putin tenha problemas médicos.

De acordo com o New York Post, Putin não transferiria o poder, mas nomearia Nikolai Patrushev como “chargé d'affaires” para controlar a Rússia temporariamente.

Segundo a Constituição, o poder deveria passar para o primeiro-ministro Mikhail Mishustin, mas Putin quer Patrushev, colega duro na direção da KGB, hoje FSB, a polícia política.

Putin “não acredita nos novos medicamentos recomendados pelos médicos que lhe causaram tontura e fraqueza”, disse outra publicação.

O médico responsável da receita foi afastado e está sendo investigado.

Os médicos que o tratam não conseguem convence-lo a mudar os medicamentos para a doença de Parkinson, já que o presidente tem medo de experimentar novos.

Seu estado psicopático é comparado com as reações histéricas de Hitler nos últimos dias. 

Uma das maiores fontes de temores é que Putin em crise decida soltar a guerra atômica antes de desaparecer.


terça-feira, 26 de abril de 2022

Comunismo versus anticomunismo no cerne da guerra da Rússia contra a Ucrânia

Estátua de Lenin reinstalada em Henichesk pelo invasor russo
Estátua de Lenine reinstalada em Henichesk
pelo invasor russo
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Assim que as forças de Putin ocuparam a cidade ucraniana de Henichesk na fronteira com a península da Crimeia, reinstalaram uma estátua de Lenine que havia sido removida, informou o jornal espanhol “ABC”.

Em 2015, esse monumento ao líder da Revolução Comunista de outubro de 1917 foi removido de acordo com a lei de 'descomunização' do país.

A nova estátua se ostenta diante do prédio do governo regional ucraniano no qual, aliás para maior ofensa, agora está hasteada uma bandeira russa.

A agência ucraniana Euromaidan Press noticiou que Yuri Sobolevsky, deputado regional ucraniano de Kherson (a região à qual pertence a cidade de Henichesk) denunciou que “os invasores continuam seus experimentos para voltar no tempo”.

Em análogo sentido, os comunistas saudosistas da URSS manifestaram o seu apoio à injusta e cruel ofensiva de Vladimir Putin contra a Ucrânia, numa cerimônia pelo dia do nascimento de Lenine.

Fazendo seus os slogans falsos elaborados pelo Kremlin os manifestantes atacaram arbitrariamente, e aliás canhestramente, aos “anglo-saxões que vieram à Ucrânia com o objetivo de dominar o planeta”.

Essas inverdades vêm sendo espalhadas pela formidável máquina de mentiras que Putin há anos montou na Rússia para desnortear e caotizar a verdade em Ocidente.

O verdadeiro fundo da guerra russo-ucraniana é a luta entre Nossa Senhora e o diabólico comunismo
O verdadeiro fundo da guerra russo-ucraniana
é a luta entre Nossa Senhora e o diabólico comunismo
Esse sofisma foi repetido pelo primeiro secretário do Partido Comunista da Federação da Rússia (KPRF), Guennadi Ziuganov.

“Hoje, nas planícies ucranianas, está em disputa a questão de saber se o mundo será unipolar sob o seu comando [dos anglo-saxões] ou multipolar”, acrescentou o mofado dirigente das saudades soviéticas, de 77 anos.

Ziuganov também repetiu as acusações contra a NATO e os EUA de combaterem “o mundo russo” sem renovar pelo menos, com sofismas mais inteligentes.

Ziuganov falou na Praça Vermelha no 152º aniversário do nascimento de Lenine (1870-1924), líder da Revolução Bolchevique de outubro de 1917 que fez mais de cem milhões de mortos no mundo e que lançou as bases da União Soviética.

Cerca de 200 saudosistas exibiam cartazes com a foto do ideólogo da “ditadura do proletariado” e as históricas bandeiras vermelhas com a foice e o martelo, indicou a agência noticiosa AFP, citada pela RTP.

No local está o mausoléu de Lenine, cujo corpo embalsamado é ainda exposto ao público.

Cabeça de estátua soviética rola pelo chão de Kiev
Cabeça de estátua soviética rola pelo chão de Kiev
O Partido Comunista de Guennadi Ziuganov finge ser contra Putin e atrai os restos, sempre em diminuição, dos velhos adeptos da falida URSS.

Mas, na prática é um serviçal do ditador que o financia. Jamais deixou de fornecer apoio a Putin e especialmente após a brutal e inopinada intervenção militar na Ucrânia.

Em sentido contrário, a prefeitura de Kiev mandou demolir um monumento histórico da era soviética que celebrava a amizade, imposta com bota de ferro, entre a Ucrânia e a Rússia.

A cabeça de uma das duas figuras principais rolou pelo chão enquanto um guindaste tentava desmontá-la no centro de Kiev, informou BFMTV.

“O que é simbólico (...) é que caiu a cabeça do trabalhador soviético russo” declarou o prefeito da capital ucraniana, Vitali Klitschko.

O prefeito justificou essa limpeza pelo desejo de Moscou de “destruir o Estado e os ucranianos” com a atual invasão.

Segundo ele, outros 60 monumentos, baixos-relevos e sinais associados à URSS e à Rússia serão desmantelados em breve.

Kiev remove estátuada amizade Rússia-Ucrânia
Kiev remove estátua da amizade Rússia-Ucrânia
Mais de 460 ruas também serão renomeadas.

A Ucrânia conduz uma política de “descomunização” há anos, em particular desmantelando as estátuas de Lenine e mudando os nomes de certas cidades para devolver seu nome histórico.

Esta guerra de símbolos patenteia que por trás das alegações mentirosas de Putin e seus cúmplices, na atual invasão está em jogo um embate entre o comunismo e o anticomunismo, entre a Revolução e a Contra-Revolução.