terça-feira, 26 de maio de 2020

Cardeal Burke: Consagração da Rússia a Nossa Senhora é 'mais necessária agora do que nunca'

“A consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria é mais necessária hoje do que nunca”
“A consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria
é mais necessária hoje do que nunca”
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





A consagração da Rússia a Nossa Senhora pedida em Fátima agora é “mais necessária do que nunca” defendeu em 20 de maio de 2020 o cardeal Raymond Burke.

O Cardeal fez o urgente apelo no Fórum Virtual da Vida em Roma, organizado pela Voz da Família.

Ele sublinhou que a atual crise mundial de coronavírus mostra a necessidade mais premente -- “mais necessário agora do que nunca”-- de extinguir o foco dos males que flagelam da humanidade.

A pandemia patenteou que os "erros da Rússia" estão instalados no mundo comunista -- países e movimentos -- e dali se irradiam para todo o planeta.

Texto completo em: Cardinal Burke calls for Consecration of Russia to Immaculate Heart of Mary

O Cardeal conectou os erros da Rússia comunista à crise atual, destacando o papel proeminente que o regime comunista ateu da China desempenhou na pandemia global.

“A consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria é mais necessária hoje do que nunca”, insistiu ele segundo recolheu Life Site.

Quando testemunhamos como o mal do materialismo ateísta, que tem suas raízes na Rússia, dirige de maneira radical o governo da República Popular da China, prosseguiu, reconhecemos que o grande mal do comunismo deve ser curado em suas raízes através da consagração de Rússia, como Nossa Senhora ordenou.


“Para o impedir, virei pedir a consagração da Rússia a Meu Imaculado Coração e a Comunhão reparadora nos primeiros sábados.

“Se atenderem a Meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja.

“Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas. “Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará.

“O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia que se converterá e será concedido ao mundo algum tempo de paz.

“Em Portugal se conservará sempre o dogma da Fé, etc.” (Carmelo de Coimbra, p. 63).

“Reconhecendo a necessidade de uma conversão total do materialismo ateísta e do comunismo para Cristo, o chamado de Nossa Senhora de Fátima para consagrar a Rússia ao seu Imaculado Coração, de acordo com sua instrução explícita, permanece urgente.”

O Fórum Virtual da Vida em Roma, aconteceu de 20 a 22 de maio, e teve como tema “Coronavírus à luz de Fátima: uma tragédia e uma fonte de esperança”.

O mal que tem suas raízes na Rússia, dirige de maneira radical o governo da China”
“O mal que tem suas raízes na Rússia,
dirige de maneira radical o governo da China”
A palestra do Cardeal “Fátima: a resposta do Céu para um mundo em crise”, tratou antes de tudo da pandemia de coronavírus, da suspensão atual das liberdades e das ameaças de piores violações aos direitos da pessoa humana, registrou Life Site.

Burke declarou que “nunca é moralmente justificado desenvolver uma vacina através do uso de linhas celulares de fetos abortados” e que o simples pensamento de que ela seja injetada no corpo de uma pessoa é “absolutamente abominável”.

Ele também observou que a vacinação não pode ser imposta “de maneira totalitária” aos cidadãos.

Ele também criticou as propostas de colocar microchips sob a pele das pessoas, o que lhes permitiria ser “controlados pelo Estado em relação à saúde e a outros assuntos”.

Estas monstruosas propostas estão chegando da China, cujo regime suspeito de ter acobertado e favorecido a eclosão da pandemia, agora se arvora sem título algum de líder mundial na luta contra o Covid-19.

Burke disse que a atual quarentena não é modelo de como Deus “nos chamou para viver” de forma estável. Aliás, se prolongando abusivamente mais se assemelharia à ditadura comunista.

O Cardeal observou que há pessoas usando a pandemia para promover um “governo mundial único”, impor utopias ambientalistas e até mudanças radicais na prática da fé católica.

O Cardeal também criticou a maneira como alguns líderes da Igreja reagiram à pandemia do COVID-19, dizendo que houve um “fracasso” em anunciar o Evangelho e insistir para que a Igreja possa continuar sua missão.

Pessoas usam a pandemia para promover um “governo mundial único”, impor utopias ambientalistas e até mudanças radicais na prática da fé
Pessoas usam a pandemia para promover um “governo mundial único”,
impor utopias ambientalistas e até mudanças radicais na prática da fé
“Sacerdotes e bispos individuais têm sido sábios e corajosos ao encontrar os meios para permanecer perto do rebanho de Deus sob seus cuidados, principalmente levando os sacramentos aos doentes e moribundos.

“Mas, infelizmente, a impressão geral entre os fiéis é que seus hierarcas foram afastados deles ou os abandonaram”, disse o cardeal.

“Agora há semanas vem sendo negados os sacramentos à maior parte dos fiéis”. Mais uma semelhança com os regimes comunistas, acrescentamos nós.

Burke deplorou a interferência do Estado no culto da Igreja durante a pandemia.

Ele criticou as propostas de novas formulações materiais na presença e prática religiosa, quando a epidemia termine, inclusive tornando a participação na missa de domingo opcional para os fiéis.

O cardeal refutou os pastores que consideram os fiéis católicos egoístas por quererem os sacramentos durante a emergência, dizendo que esse desejo dos leigos está “no coração da nossa fé”.

Burke também criticou os métodos irreverentes propostos para a Comunhão dos Fiéis.

O comunismo continua a ameaçar o mundo através da China
O comunismo continua a ameaçar o mundo através da China

Burke sublinhou o assunto da República Popular da China, observando que a ditadura acredita que única religião aceitável é a própria China.

O Cardeal disse que seu papel na gênese da pandemia, sua influência sobre as autoridades de saúde e seu poder sobre outras nações levantaram graves interrogações.

O Cardeal destacou que o materialismo ateu e o comunismo que ameaçaram a fé católica em 1917, ano aliás em que Fátima colidiu com a Revolução Bolchevista, continuam a ameaçar o mundo através da República Popular da China.

De fato, a China não é mais do que um subproduto revolucionário dos “erros da Rússia” que Nossa Senhora advertiu que flagelariam o mundo se não fazia penitência.

O Cardeal explicou que a pandemia e os conchavos montados pelo ambientalismo e a teologia pós-conciliar chamaram a atenção do público para as mensagens de Fátima.

O Cardeal Burke recomendou rezar diariamente pela conversão da Rússia, para que essa faça penitência e repare os pecados que espalhou no mundo.

Acrescentamos que essa expansão dos erros da Rússia não poderia ter acontecido sem a cumplicidade de revolucionários igualitários e sensuais, herdeiros da Revolução Francesa e da Revolução Protestante, que agem na cúpula dos países livres e no próprio Vaticano.


domingo, 17 de maio de 2020

Desinformação de Putin visa abalar confiança na medicina ocidental

Na KGB, Putin se familiarizou com campanhas de desinformação desestabilizadoras
Na KGB, Putin se familiarizou com campanhas de desinformação desestabilizadoras
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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política internacional,
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Em 3 de fevereiro, logo após a Organização Mundial da Saúde OMS ter declarado o coronavírus uma emergência de saúde global, começou uma chuva de notícias falsas desde Moscou acusando o exército dos EUA ter criado e espalhado uma arma biológica para incapacitar e matar, registrou “The New York Times”.

A mentira dizia existirem provas “irrefutáveis” pouco se importando que os principais cientistas na matéria tivessem desmascarado a alegação.

Uma vasta investigação desse insuspeito jornal engajado nas causas de esquerda, quis tirar a limpo as acusações de fake news espalhadas pelo governo Putin.

E descobriu com base em farta documentação que o Kremlin espalha informações erradas sobre saúde há pelo menos uma década.

A “máquina de trolls” veio espalhando que as epidemias virais são semeadas por cientistas americanos e que suas vacinas são enganosas e visam objetivos sinistros. Não assim as que Putin promove em casa.

“Trata-se de sabotar a confiança nas instituições do governo” americano, disse Peter Pomerantsev, autor de um livro de 2014 sobre a desinformação do Kremlin.

O presidente russo explora mídia aberta, trolls secretos e blogs obscuros para apresentar as autoridades sanitárias americanas como patrocinadoras de fraudes inconfessáveis.

O Departamento de Estado acusou a Rússia de usar milhares de contas das redes sociais para espalhar informações errôneas sobre o coronavírus, inclusive a teoria de que os EUA projetaram a pandemia mortal.

“O acúmulo dessas operações por um longo período de tempo resultará em um grande impacto político”, justificou Ladislav Bittman, ex-oficial de desinformação do bloco soviético, ao explicar a lógica de longo prazo do Kremlin.

Lyudmila Savchuk trabalhou como troll para Putin e denunciou a fábrica russa de fake news
Lyudmila Savchuk trabalhou como troll para Putin
e denunciou a fábrica russa de fake news
Sandra C. Quinn, professora de saúde pública da Universidade de Maryland, acompanha os boatos sobre vacinas que Putin espalha há mais de um lustro.

E verificou que a equipe do presidente russo usa manuais antigos, mas a velocidade das informações mentirosas impede ao leitor-vítima fazer qualquer verificação.

Putin se formou na KGB, principal agência da polícia política e espionagem da União Soviética, de 1975 a 1991.

Ele chegou a tenente-coronel, e seu mandato de 16 anos coincidiu com uma grande operação para desviar a atenção do arsenal secreto de armas biológicas de Moscou, construído em contravenção ao tratado assinado com os EUA em 1972.

A KGB excogitou ainda que a AIDS foi uma arma racial do exército americano e teve um enorme sucesso.

Em 1987, notícias falsas nessa linha eram publicadas em 25 idiomas e 80 países. Após a Guerra Fria, os russos admitiram que os alarmes eram fraudulentos.

Putin expandiu o manual para atacar a confiança no sistema de saúde americano.

Seu principal disseminador de notícias falsas foi o Russia Today, que ele fundou em 2005 em Moscou; mas que em 2008, foi renomeada para RT, para obscurecer as origens russas.

Os vídeos de Russia Today – RT, em YouTube, desde 2005 teria tido mais de quatro bilhões de visualizações.

Quando a gripe H1N1 varreu o mundo a rede difundiu as teorias conspiratórias de Wayne Madsen, que se diz jornalista investigativo.

Em junho, Madsen disse pela RT que os fabricantes de vírus haviam trabalhado no Instituto de Pesquisa Médica do Exército de Doenças Infecciosas em Fort Detrick, Maryland. O trabalho do instituto é precisamente o contrário.

Exacerbando o delírio calculado, Madsen comparou os criadores do H1N1 aos cientistas loucos de “Jurassic Park” que no filme ressuscitam dinossauros.

Em 2012, recém nomeado chefe do exército russo, general Valery Gerasimov, expôs uma nova doutrina de guerra que enfatizava as redes sociais para dividir os estrangeiros.

General Valery Gerasimov: uso escancarado de forças militares: só na fase final do conflito
General Valery Gerasimov: uso escancarado de forças militares
só na fase final do conflito
Nesse ano os trolls de São Petersburgo começaram a passar pelo Facebook, Twitter e Instagram rajadas de informações perturbadoras visando insuflar a polarização social nos EUA.

A RT tirou da galera um certo Cyril Broderick, apresentado como ex-patologista de plantas que escrevia num jornal liberiano acusando a conspiração americana de transformar africanos em cobaias de armas biológicas, e reavivou o realejo da Aids.

Os trolls em São Petersburgo inflacionaram a alegação no Twitter falando de um vírus mortal “feito pelo governo” enquanto um artista de hip-hop Chris Brown espalhava a 13 milhões de seguidores no Twitter que o “Ebola é uma forma de controle populacional”.

A campanha de desinformação da saúde de Putin ataca em qualquer lugar.

Um vídeo do YouTube mostrou uma falsa vítima de ebola na Libéria ingressando no Centers for Disease Control and Prevention, a principal agência de saúde pública dos EUA no final de 2014.

O vídeo enganoso incluía um falso caminhão com o logotipo do aeroporto de Atlanta enquanto uma onda de tweets espalhava: “Pânico aqui no ATL!!”.

À medida que as mentiras passavam o Kremlin reciclava velhas montagens sem aguardar novas epidemias.

Em 2017, os trolls russos voltaram com a história da AIDS citando falsamente ao Dr. Robert Gallo, que em 1984 ajudou a debelar o HIV, mas inventando que foi ele que o havia projetado para dizimar a humanidade. Como fundamento citavam um site, o World Truth, cujo nome diz o contrário do que faz.

Seis pesquisadores da Universidade da Califórnia, Los Angeles, descobriram que, ao longo de décadas, as falsas narrativas sobre a AIDS criaram uma “falta de confiança” entre os afro-americanos, que os afastava do atendimento médico.

Em sentido contrário, Putin pavoneava confiança absoluta na medicina russa: “Garanto que recebo minhas vacinas a tempo, antes do início da temporada de gripe” dizia em entrevista de 2016. E em 2018 repreendia aos pais russos que não vacinavam os filhos.

Mas Putin trabalhava duro para que os americanos vissem suas vacinas como perigosas e as autoridades de saúde como malévolas.

Durante anos, os tweets originários de São Petersburgo alegaram que a agência de saúde americana amordaçou um denunciante para esconder evidências de que as vacinas causam autismo, especialmente em crianças masculinas afro-americanas.

Em uma série de tweets de 2015, os trolls russos promoveram um vídeo de um ministro negro de Los Angeles discursando que “eles estão nos matando com agulhas”.

A agência oficial Sputnik é outra das peças chaves russas para embaralhar as informações no Ocidente
A agência oficial Sputnik é outra das peças chaves russas
para embaralhar as informações no Ocidente
O ministro e o texto que acompanha o vídeo alegavam que as imunizações infantis haviam causado autismo em 200.000 crianças negras.

RT America ecoou a acusação. O foco era “Vaxxed: From Cover-Up to Catastrophe”, um filme de 2016 de Andrew Wakefield, um desacreditado ativista em vacinas.

Trolls russos dispararam tweets contendo links para o filme e angariando fundos para sua promoção.

A desinformação induziu uma queda na vacinação de crianças nos EUA e um aumento no sarampo, que em bebês e crianças pequenas, pode causar febre e danos cerebrais.

O site de Moscou que retweetou o blog do coronavírus em fevereiro pertence a uma agência de notícias russa chamada The Russophile.

Seu ignoto autor aparece no Twitter como um soldado não identificado de uniforme verde que se ufana de “não pertencer à elite globalista”.

Seu endereço é um imponente prédio ao lado dos escritórios da Lukoil, gigante petrolífera russa em mãos de um oligarca incondicional de Putin.

“É uma nuvem de influenciadores russos”, disse Darren L. Linvill, professor de comunicações na Clemson University, que estudou milhões de postagens de trolls.

Os agentes de inteligência da máquina de trolls incluem ex-funcionários da RT e das equipes digitais de Yevgeny Prigozhin, um oligarca secreto e de toda confiança de Putin, que sustenta os trolls de São Petersburgo.

Linvill e seu colega Patrick L. Warren argumentam que Putin mais do que criar mentiradas busca amplificar a cacofonia americana existente, elevando o nível de confusão e discórdia partidária.

Em 5 de março, Lea Gabrielle, chefe do Centro de Engajamento Global do Departamento de Estado, que busca identificar e combater a desinformação, disse em audiência no Senado que Moscou explora o surto de coronavírus como mais uma oportunidade de semear o caos e a divisão e “tirar vantagem de uma crise de saúde em que as pessoas estão aterrorizadas”.

Yevgeny Prigozhin é o diretor de confiança do Kremlin na guerra das fake news
Yevgeny Prigozhin é o diretor de confiança do Kremlin na guerra das fake news
O Ministério russo das Relações Exteriores rejeitou a acusação do Departamento de Estado, mas não foi levado a sério.

Oleg Kalugin, um ex da KGB, explicou ao The Times a razão de ser desses desmentidos: “Negue, negue, negue, ainda quando a verdade seja óbvia”.

Pequim copiou a cartilha de Putin declarando que o coronavírus foi criado por Washington como arma para aleijar a China.

Putin disseminou narrativas de saúde falsas e alarmantes, não apenas sobre patógenos e vacinas, mas também sobre ondas de rádio, genes de bioengenharia, produtos químicos industriais e outros intangíveis da vida moderna.

Os tópicos complicados muitas vezes desafiam a compreensão do público, tornando-os vítimas ideais para assimilar a confusão sobre o que é seguro e perigoso.

Os analistas veem um esforço não apenas para minar as autoridades americanas, mas também para realizar algo mais básico: danificar a ciência americana, uma das pilastras da organização dos EUA.

Pesquisadores americanos ganharam mais de 100 prêmios Nobel desde 2000 e russos cinco. Geograficamente, a Rússia é o maior país do mundo, mas sua economia é menor que a da Itália.

Mas, sua guerra de desinformação é a mais sistematizada e permanente na Terra inteira, um subcapítulo do que Nossa Senhora advertiu em Fátima: “a Rússia espalhara seus erros pelo mundo inteiro”.


domingo, 10 de maio de 2020

O Rasputin de Putin

'Slava' está na execução dos segredos sujos de Putin
'Slava' está na execução dos segredos sujos de Putin
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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diversos blogs





“Machiavel russo”, “marionetista do Kremlin”, ou, mais sugestivamente, “Rasputin de Putin”, são os apelidos com os quais é conhecido Vladislav Surkov, ou ‘Slava’, o conselheiro mais influente da camarilha fechada do Kremlin, escreveu a revista francesa L’Express.

Seus próximos dizem que é um ideólogo “brilhante, cínico e manipulador”, indispensável ao sistema, comenta Macha Lipman, analista do Centro Carnegie.

“Se Putin está tão solidamente ancorado no poder por onze anos, deve-se em grande parte à inteligência e à ausência de escrúpulos de ‘Slava’”.

A Duma — o Parlamento — não é senão uma câmara de aprovação das decisões do Kremlin, onde só a decisão presidencial vale. E Slava cuida para que tudo seja executado segundo as instruções vindas de cima.

Surkov/‘Slava’ é o doutrinador da “democracia dirigida”, eufemismo para designar o regime autocrático atual, enquanto se fala do retorno a um “czarismo” não tradicional na pessoa do todo-poderoso Putin.

“Nossa democracia tem algo de teatral”, admite Boris Nadejdine, um dos líderes do partido liberal “à europeia” Justa Causa, que não está representado na Duma.

“O pluralismo é fictício e as sete agrupações políticas representadas são teleguiadas em graus diversos a partir do Kremlin. Seus líderes devem prestar regularmente contas a Surkov/‘Slava’.”

“Surkov define a intensidade de oposição que o Partido Comunista oferecer ao poder do Kremlin em combinação com Guenadi Ziuganov, o dirigente ostensivo do PC, explica Alexeï Kondaurov, antigo general do KGB. Em função disso Ziuganov modera suas críticas e não organiza manifestações de rua. Em troca, o financiamento do partido está assegurado”.

'Slava' teria ordenado a ação assassina dos snipers durante a tentativa de repressão de Maidan na Ucrânia.
'Slava' teria ordenado a ação assassina dos snipers
durante a tentativa de repressão de Maidan na Ucrânia.
A mesma troca de bons serviços acontece com o líder nacionalista Vladimir Jirinovski, cujo ativismo é inversamente proporcional ao aumento de seu patrimônio.

Aqueles que se não obedecem são marginalizados ou morrem de modo suspeito, como Boris Nemtsov, ex-vice-primeiro ministro de Iéltsin.

O Tribunal Eleitoral se recusa a registrar partidos “trapalhões” que ficam sem existência legal e incapacitados de participar nas eleições.

Para L’Express, trata-se do mais puro Kafka, mas é a Rússia de Putin.

O Kremlin controla todas as TVs, nas quais não entram nem figuras opositoras como Gary Kasparov, ex-campeão mundial de xadrez. Mikhail Kassianov [primeiro ministro de 2000 a 2004], o novelista Eduardo Limonov e eu mesmo somos afastados dos microfones”, relatou Nemtsov antes de ser morto de modo suspeito numa ponte perto do Kremlin.

Desde 2005 os governadores das regiões são nomeados pelo poder central, e não mais eleitos.

‘Slava’ pode criar movimentos políticos do nada e depois destruí-los, como foi o caso do Partido dos Aposentados, criado em 2003 para atender as queixas dos idosos e logo depois afundado.

O oligarca Mikhail Prokhorov assumiu a direção do partido Justa Causa, mas não prestava contas a Surkov e criticava os amigos de Putin.

'Slava' é o mago de todos os conchavos políticos na Duma a serviço de seu patrão, rotando nos cargos na fidelidade ao omniarca
'Slava' é o mago de todos os conchavos políticos na Duma a serviço de seu patrão,
rotando nos cargos na fidelidade ao omniarca
Em cinco meses ele foi deposto e apareceu furioso na TV dizendo que “há neste país uma manipulação de marionetes que privatiza o sistema político e engana nossos dirigentes. Seu nome é Vladislav Yurevitch Surkov!”.

Slava’ requinta seus jogos verbais. Ele declarou à TV chechena: “Estou sinceramente convencido de que Putin foi enviado por Deus à Rússia para ajudá-la num momento difícil, para nosso maior bem”.

Certa vez — conforme relatou Anatoli Iermolin, ex-deputado pró-Putin —, contra toda lógica, ‘Slava’ ordenou a um grupo parlamentar que aprovasse a construção de um oleoduto ao longo do lago Baikal. Os parlamentares lhe imploraram quase de joelhos que renunciasse a essa loucura que suscitaria revoltas na região de Irkutsk.

Após semanas de controvérsia, Putin anunciou que o oleoduto passaria pelo local mais simpático. Então todos compreenderam que havia sido uma mera jogada de ‘Slava’ para promover a popularidade de Putin.

O “Rasputin de Putin” criou com jovens simpatizantes de Putin o movimento ultranacionalista “Os Nossos”, o qual é formado por dezenas de milhares de simpatizantes e um núcleo duro de “barras pesadas” regados com muito dinheiro.

A finalidade é intimidar a oposição, tomar conta das ruas e impedir pela força qualquer protesto popular, notadamente por ocasião de eleições.

É a tropa de choque nova monarquia, na qual Putin está coroando a si próprio.


domingo, 3 de maio de 2020

Moscou favorece o álcool
para entorpecer a população e manté-la 'contente'

Venda de vodca num supermercado de Moscou.  Governo abaixou os preços para favorecer o consumo.
Venda de vodca num supermercado de Moscou.
Governo abaixou os preços para favorecer o consumo.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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A degradação da economia russa levou Moscou a adotar uma medida aparentemente irracional, mas já praticada em larga medida no tempo da União Soviética.

O regime de Putin ordenou baratear 16% o preço da vodca "oficial", já muito baixo, para acalmar a população. O “Moscow Times” informou que em 2015 o preço de meio litro caiu para sete reais.

Este é um dos recursos de que lançou mão o governo na sua tentativa de anestesiar o mal-estar popular e estimular a bebedeira, um dos vícios mais arraigados e perniciosos na Rússia.

Segundo estudo citado pelo jornalista Adam Taylor do “The Washington Post”, o russo consumia em média 14 litros de vodca em 2012, sete vezes mais álcool do que a média dos americanos.

Após a queda da URSS, a Rússia vinha tentando limitar esse flagelo nacional impondo preços elevados. Os estudos oficiais apontavam que o consumo de vodca contribuía para “uma taxa extraordinariamente alta de mortalidade”.

O aumento dos preços favoreceu uma diminuição da mortalidade prematura, mas também fez crescer a produção de álcool ilegal, de baixíssima qualidade e que foge às estatísticas.

Segundo Adam Taylor, esse álcool tóxico responde pela maior parte de consumo e muitas vezes é de tão má qualidade que pode se discutir se merece o nome de vodca, ainda que barata.

A promoção da vodca para entorpecer a população foi geral na era soviética. Ainda hoje o alcoolismo é responsável pela baixíssima expectativa de vida na Rússia.
A promoção da vodca para entorpecer a população foi geral na era soviética.
Ainda hoje o alcoolismo é responsável pela baixíssima expectativa de vida.
Vadim Drobiz, chefe do Centro independente para o Estudo dos Mercados Regionais e Federais de Álcool, considera que o consumo de vodca ilegal aumentou 65% desde 2009.

Esse álcool é feito sem respeitar os mínimos critérios de qualidade e é capaz de causar graves doenças mentais e físicas, e até mesmo a morte.

Putin anunciou outrora que cortaria pela metade o consumo desse álcool venenoso. Mas seu plano seria outro: degradar o povo e mantê-lo anestesiado para que não proteste.

Tal é uma das monstruosas consequências dos planos de Putin para consolidar a “nova URSS”.

Segundo a OMS, a Rússia está entre os países com maior consumo de álcool em todo o mundo, noticiou ONU News.

A agência descreveu os padrões de consumo como "perigosos" e diz que são responsáveis por um alto nível de mortes.

O país viveu uma "crise de mortalidade" durante as décadas de 1990 e 2000 segundo a OMS.

Nessa época, metade dos homens em idade produtiva morria prematuramente por causa do abuso de álcool.


domingo, 26 de abril de 2020

"A Soviet Story": o filme abafado no Ocidente sobre os crimes do comunismo


CLIQUE NA FOTO PARA VER













“Documentário sobre os crimes do socialismo soviético no mundo (legendado português)


domingo, 19 de abril de 2020

Culto a múmia de Lenine prejudica ficção da “morte do comunismo”

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O cadáver embalsamado do ditador Vladimir Lenine que continua exposto na Praça Vermelha poderia ter acabado num cemitério comum, segundo anunciou em 2011 o “The Moscow Times” refletindo o sentimento de incontáveis russos que queriam virar uma página de sua história que ainda jorra sangue.

A supervivência do culto comunista soviético à múmia do sanguinário ditador atrapalhava a ficção de que o comunismo morreu.

A jogada da morte do comunismo ficou soando em falso desde que o fundador do comunismo soviétco continuou sendo tratado como ídolo na praça central da mais simbólica cidade do país.

Vladimir Medinsky, deputado pelo partido Rússia Unida do então todo-poderoso primeiro ministro e (ex-)agente da KGB Vladimir Putin, propôs que Vladimir Lenine fosse transferido para um túmulo comum.

Porém o dono do Kremlin Vladimir Putin quis que o ídolo da revolução bolchevista ficasse no mausoléu-relicário de Moscou. Ainda quando as vantagens políticas recomendariam tirá-lo do culto.

O pragmático revolucionário Lenine aconselharia a mesma saída. Mas, o Vladimir Putin mostrou um fanático culto à Revolução igualitária universal ainda maior!

O Mausoléu de Lenine está na Praça Vermelha, em Moscou, expondo o corpo do fundador da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, após cuidadosa restauração relativamente recente.

A construção consiste em um salão coberto por cinco blocos em formato piramidal nas cores vermelha e preta, representando o sangue e o luto.

Assim como o Túmulo do Soldado Desconhecido, o local é constantemente vigiado pelo batalhão presidencial, hoje devotado a Putin.


domingo, 12 de abril de 2020

Praga dedica praça a opositor putinista morto e Moscou se irrita

Praga renomeia praça diante da embaixada russa em lembrança de Boris Nemtsov, oposicionista oposto a Putin assassinado em Moscou quando ia denunciar que soldados russos morreram invadindo a Ucrânia
Praga renomeia praça diante da embaixada russa
em lembrança de Boris Nemtsov, oposicionista oposto a Putin
assassinado em Moscou quando ia denunciar
que soldados russos morreram invadindo a Ucrânia
Luis Dufaur
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A praça onde está localizada a embaixada da Rússia em Praga passou a chamar-se Boris Nemtsov, nome de um dos principais oponentes de Vladimir Putin assassinado em fevereiro de 2015 nas proximidades do Kremlin.

A decisão, assumida pela Câmara municipal da capital checa, caiu mal na chefia da Rússia, suspeita do crime, por ter acontecido alguns dias antes do quinto aniversário do assassinato dessa figura política liberal, noticiou “Le Figaro” de Paris.

Cfr.: Oposicionista assassinado preparava relatório sobre soldados mortos na Ucrânia 

Sumiço e reaparição de Putin alimenta obscuros presságios

O porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov, não respondeu ao anúncio, mas fontes próximas ao poder russo questionaram os “verdadeiros motivos” da Câmara municipal de Praga.

“Por que você escolheu Boris Nemtsov?” questiona uma veterana fonte pró-russa, alegando que há muitas outras figuras que poderiam ter sido prferidas.

O questionamento se volta, porém, contra a Rússia “porque se incomodou com o nome de Boris Nemtsov”, tendo muitos outros dissidentes também mortos em circunstâncias escuras.

Boris Nemtsov, ex-ministro e reformista liberais, um dos opositores mais ferozes de Vladimir Putin, foi morto na noite de 27 para 28 de fevereiro na ponte Bolshoi Moskvoretsky, perto do Kremlin, por balas disparadas a partir de um carro.

Em 2017, cinco homens foram condenados a 11 e 20 anos de prisão pelo assassinato.

Praça foi rebatizada em ato pro-Europa e anti-Putin
Praça foi rebatizada em ato pro-Europa e anti-Putin
Mas parentes de Nemtsov, incluindo sua filha Zhanna Nemtsova, acham que eles eram “laranjas” e que os verdadeiros patrocinadores permanecem em liberdade (entenda-se o Kremlin).

Todos os anos, em Moscou e nas províncias, são prestadas homenagens ao dissidente assassinado. Mas em 2020 os comícios foram proibidos em várias cidades, incluindo São Petersburgo.

A Assembleia Parlamentar da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) pediu uma “nova investigação completa” do assassinato de Boris Nemtsov e sanções contra seus organizadores.

Mas Vladimir Putin, através de seu porta-voz, excluiu categoricamente qualquer investigação internacional em território russo desse crime político.

“Com esse gesto, Praga expressa sua solidariedade à oposição russa e ao movimento de direitos humanos”, disse o prefeito da capital, Zdenek Hrib.

Acrescentou que uma viela próxima à embaixada russa levaria o nome de Anna Politkovskaya, uma jornalista e ativista de direitos humanos que também foi assassinada em Moscou em 2006.

“Nemtsov e Politkovskaya defenderam a democracia e foram covardemente assassinados por isso”, tuitou o prefeito Zdenek Hrib.

Muitos vereadores, deputados locais e até o presidente da República, Milos Zeman, temiam a iniciativa, por ser um “movimento político arriscado”.

Russos pedem esclarecer pelo crime contra Nemtsov, quando investigava mortes de soldados invadindo país estrangeiro
Russos pedem esclarecer pelo crime contra Nemtsov,
quando investigava mortes de soldados invadindo país estrangeiro
A invasão de Praga pelos tanques soviéticos em 1968 e o desejo de vingança de Moscou ainda estão vivos.

Mas “a retórica cada vez mais agressiva de Moscou nas questões históricas acabou convencendo os hesitantes”, segundo o jornalista de Praga Ondrej Soukup.

Nos últimos anos, praças com o nome de Boris Nemtsov foram inauguradas oficialmente perto das embaixadas russas em Washington, Vilnius (Lituânia) e Kiev (Ucrânia).

Quando em 1984 uma rua de Nova York foi renomeada com o nome Andrei Sakharov em homenagem ao vencedor do Prêmio Nobel e ativista de direitos humanos, o significado foi claro: “Era questão de dizer francamente que queríamos acabar com a URSS”, lembrou uma fonte próxima ao governo russo, que criticou a atual decisão dos tchecos como “insustentável”.

Por trás da retórica diplomática, as feridas abertas no tempo comunista soviético sangram através da administração Putin.


domingo, 5 de abril de 2020

Bispo romeno lembrou mártires do comunismo, mas Sínodo não se incomodou

Dom Virgil Bercea, bispo de Oradea, Romenia
Dom Virgil Bercea, bispo de Oradea, Romenia
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Durante o Sínodo geral realizado em Roma sobre o Oriente Médio, Dom Virgil Bercea, bispo de Oradea Mare, na Romênia, lembrou o sangue vertido pelos mártires sob o regime comunista soviético pelo fato de se professar a fé em Jesus Cristo, noticiou em seu momento a Rádio Vaticana.

A reação episcopal e vaticana foi de todo oposta à manifestada pelos bispos no Sínodo Pan-amazônico onde se mencionou com insistência asubversivos mortos em episódios escuros sem fazer a devida distinção dos fatos criminosos.

“De 1948 em diante os cárceres da Romênia estavam cheios”, disse o prelado à própria Radio Vaticana.

“Os comunistas quiseram destruir a Igreja e os intelectuais para controlar tudo. Essas pessoas deram a vida por Cristo.

“Os comunistas procuraram pretextos para acusá-los, mas não acharam. A grande culpa deles era de serem católicos. Há ainda pessoas vivas que conheceram isso”, explicou.

Ele acrescentou que esses mártires “por toda parte eram modelares, até conseguiram moderar o comportamento dos guardas que antes os aterrorizavam. (…)

“Morreram por amor de Cristo, sem arrogância, mas com humildade e com a paz no coração, com serenidade, convencidos de que com seu comportamento iriam atrair a vida e a esperança.

Repressão em Bucarest, 1989, Romênia
Repressão em Bucarest, 1989, Romênia
“Sim, naqueles momentos em que os comunistas haviam conseguido transformar nosso país num grande cárcere do qual ninguém teria podido sair, havia uma grande necessidade de esperança.

“Quando meus pais obtiveram o primeiro rádio, conseguimos ouvir a Missa da Rádio Vaticano.

“Minha mãe pôs uma Cruz sobre o rádio e vieram muitas pessoas até a nossa casa, e nós nos sentíamos diante do rádio como diante de um altar.

“No início da liturgia, ficávamos todos em pé; durante o Evangelho – segundo nosso costume – nos ajoelhávamos. Obviamente, não podíamos comungar, não tínhamos sacerdote, mas todos usavam as roupas de domingo.

“Simultaneamente, nossos mártires estavam detrás das grades. Estávamos unidos pela oração: suas orações na prisão e as nossas puxadas pela Rádio Vaticano. Um tio meu que depois foi Cardeal passou 16 anos no cárcere.

“Quando ele voltou com os cabelos raspados a zero e os olhos esbugalhados, fiquei impressionado com a sua personalidade!

“Media 1,85m, mas o mantiveram durante três anos numa cela de um metro por um metro e cinquenta, devendo passar o dia todo de pé. Esses mártires estavam expostos ao frio de até -30°…

Dom Virgil Bercea, bispo de Oradea, Romenia
Dom Virgil Bercea, bispo de Oradea, Romenia
“Estas coisas ainda falam, são transmitidas: o sangue dos mártires é semente para o nascimento de novos cristãos”.

O Sínodo, entretanto, concentrou-se no tema do ecumenismo.

Ele relembrou o espírito e a atitude dos padres do Concilio Vaticano II, iniciado 50 anos antes.

Eles preferiram não condenar o comunismo nem os regimes que martirizavam tão cruelmente os católicos enquanto abriam otimista e imprudentemente os braços aos carrascos.

As corajosas e emocionantes palavras de Dom Virgil Bercea não foram em vão.

Ficaram registradas no Livro da Vida e um dia servirão para julgar todos os crimes do comunismo e todas as omissões e cumplicidades que ele encontrou no Ocidente.


domingo, 29 de março de 2020

A história do menino que sonhava em ser sacerdote
sob a perseguição comunista

Dom Sviatoslav Shevchuk, Primaz do rito greco-católico,
o maior dos ritos orientais da Igreja Católica
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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sócio do IPCO,
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Em entrevista para a Catholic Radio and Television Network, o Arcebispo-mor de Kiev-Galícia e de toda a Rússia, Dom Sviatoslav Shevchuk, Primaz do Rito greco-católico na Ucrânia, fez reveladoras confidências sobre sua formação eclesiástica acontecida sob o socialismo soviético. “Zenit”.

O rito greco-católico é o maior dos ritos orientais da Igreja Católica: mais de 10 milhões de fiéis, incluindo a Ucrânia e a diáspora. Cerca de meio milhão deles reside no Brasil, especialmente no Paraná e em Santa Catarina.

Dom Sviatoslav explicou que cresceu numa sociedade totalmente ateia. Na escola “nos ensinavam que Deus não existia”. Só a família transmitia a fé crista.

O jovem arcebispo disse que a primeira vez que viu um padre foi por ocasião de um enterro.

“O sacerdote veio na calada da noite para celebrar o funeral e depois desapareceu velozmente. Como menino, fiquei curioso de saber quem era o sacerdote e o que estava fazendo. Eu entrevia nele um reflexo da presença de Cristo”.

“Esse sacerdote tinha estado duas vezes no cárcere por praticar seu ministério e através dele descobri verdadeiramente Alguém e alguma coisa pela qual vale a pena dar a própria vida”.

Foi assim que o futuro bispo decidiu ir para o seminário. Mas não tinha nada a ver com os seminários atuais.

A entrevista abaixo foi concedida quando Dom Sviatoslav era administrador apostólico da eparquia (diocese) de rito ucraniano em Buenos Aires. Foi concedida à associação "Ajuda à Igreja Necessitada" e tem a vantagem de estar dublada em português:


Funcionava assim: “O sacerdote que encontrei também era reitor do seminário secreto, clandestino. Para mim, foi a descoberta de um mundo completamente novo.

“Meu modo de estudar era bem estranho. Raramente encontrava meus professores do seminário – pelo menos uma vez cada dois meses.

“Quando os encontrava, davam-me sempre um livro, que tinha de copiar e estudar durante dois meses. Assim começou minha formação sacerdotal!

“Nem minha mãe nem meu pai estavam ao corrente. Se eu fosse descoberto pela polícia secreta, minha mãe, que era professora de música, e meu pai, que era engenheiro, teriam perdido o trabalho.

“Muitas pessoas na Ucrânia que foram descobertas acabaram detrás das grades ou no exílio.

“Graças a Deus não aconteceu nada. Para mim e para meu plano de me tornar sacerdote, a Mãe de Deus tinha que destruir a União Soviética.

“Eu me lembro que rezava: é impossível para os homens destruir o mal, mas para Deus nada é impossível.

Missa clandestina num bosque na Ucrânia sob governo comunista
Missa clandestina num bosque na Ucrânia sob governo comunista
“A Sagrada Eucaristia era o ponto central da nossa vida.

“Lembro-me de um sacerdote que encontrei certa vez: ele jamais falava muito dos sofrimentos, das perseguições e das torturas; ele me contava que certas vezes na prisão todos os sacerdotes celebravam a liturgia.

“Nós ficávamos pasmos: como é que isso era possível? De onde vinham o cálice e a patena?

“Ele tirou os óculos e disse: ‘Eis o que nós usávamos: uma lente servia de cálice com uma gota de vinho, e na outra, que servia como patena, púnhamos um pedacinho de pão. Assim nós celebramos a liturgia na prisão ou nos campos de concentração”.

O atual arcebispo Sviatoslav participou pela primeira vez de uma missa no ano 1991, quando acabava de servir como conscrito no Exército Soviético.

Quando ele entrou no Exército Vermelho toda a vida religiosa acontecia em segredo, mas ao sair a União Soviética estava caindo. Ele assistia à divina Liturgia na igreja de sua cidade natal de Strait, na Ucrânia.

“Era maravilhoso, sentia-me como no céu! A liturgia bizantina de São João Crisóstomo é um símbolo da liturgia celeste”, exclamou.

Dom Sviatoslav explicou que “o comunismo destruiu a nossa sociedade e que só por meio da graça do Espirito Santo é que a Igreja pode curar essas feridas.

“Durante a ex-União Soviética era perigoso ser cristão. Hoje na Europa o importante é não ter medo de ser cristão, ainda quando isso pareça não ser ‘conveniente’”.

Só o heroísmo na Fé – como o de Dom Sviatoslav e o de tantos outros sacerdotes e bispos que padeceram e até morreram sob a opressão comunista – leva à vitória os verdadeiros filhos da Igreja Católica.



domingo, 22 de março de 2020

Putin, o “espírito de Munique”
e a tragédia prevista em Fátima

 Milicianos da 'República Popular de Donetsk' beijam ícone de Putin. Um cristianismo adulterado posto a serviço de uma ambição anticristã.
 Milicianos da 'República Popular de Donetsk' beijam ícone de Putin.
Um cristianismo adulterado posto a serviço de uma ambição anticristã.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Vladimir Putin “brinca com fogo” no leste da Europa, registrou para a História o filósofo francês Bernard-Henri Lévy para o “The New York Times”.

Lévy criou a imagem de pensador radical da esquerda chique, não podendo ser tido como um conservador ou direitista.

Na teoria, Lévy não está tão longe do pensamento que justifica Putin, porém na prática está espantado com os crimes que estão sendo cometidos até com ar de "cristianismo" pelo chefe do Kremlin.

E pela covardia do Ocidente face à arrogância do chefe que aspira a ser "czar" da "nova Rússia" com uma reforma da Constituição.
Para Lévy, Putin “mobilizou os piores elementos existentes na região: criminosos, ladrões, estupradores, ex-presidiários e vândalos e os transformou numa força paramilitar”.

Os comandantes que executam as instruções de Putin devem matar ou afugentar intelectuais, jornalistas e autoridades morais nas regiões ocupadas pelas "milícias" e "voluntários", acrescenta o filósofo.

Lévy, entretanto omite a perseguição anticatólica e contra todo religioso não submisso ao Patriarcado de Moscou

Para Lévy, as milícias separatistas pró-russas constituem um exército de agitadores que toma conta e destrói prédios públicos, hospitais, escolas e prefeituras do país que pretende liberar.

Segundo o autor, Putin permitiu a consolidação de “uma verdadeira guerra de gangues”.

Em certa medida ele não as controla plenamente, pois umas se voltaram contra as outras numa anarquia que faz pensar nos piores momentos do caos feudal.

Mercenários em estado de ebriedade se gabam de matar ucranianos
Mercenários em estado de ebriedade se gabam de matar ucranianos
“É um mundo do crime soturno, sem estrutura ou disciplina, de baderneiros indômitos que só conhecem a lei da selva e constituem um novo estilo de tropa sem uma mínima ideia da guerra, cujas leis, Deus é testemunha, desconhecem em absoluto.

“A essa coleção heterogênea o presidente Putin entregou um arsenal aterrador com o qual esses soldados amadores não estavam familiarizados e com o qual vêm brincando como crianças com fogos de artifício.

“A Rússia distribuiu grandes quantidades de armamento pesado aos separatistas e os treinou para utilizar o sistema de mísseis SA-11, do gênero que se acredita ter sido empregado para derrubar o voo MH 17 da Malaysia Airlines”.

Lévy tenta imaginar a gangue vitoriosa comemorando seu triunfo com um fundo de restos fumegantes e cadáveres de crianças e turistas.

E a consternação dos oficiais russos destinados pelo Kremlin para supervisionar esses mísseis,  quando o autoproclamado ministro da Defesa da República de Donetsk se atribuiu a responsabilidade de abater um avião militar ucraniano que acabou sendo o voo comercial civil MH-17 da Malaysia Airlines.

Fivela de mercenário pró-Putin
Fivela de mercenário pró-Putin
O filósofo verbera com paixão a atitude dos pró-russos que deixaram os corpos das vítimas abandonados nos campos ou amontoados em vagões mal refrigerados, que exportaram para a Rússia partes possivelmente comprometedoras, e pilharam os objetos de valor dos corpos das vítimas.

Quando escreveu isso, Lévy não pensava na América Latina e no quanto certas gangues e/ou organizações criminosas de narcotraficantes ou de ideologias socialo-progressistas estão predispostas a tentar em nossos países análogas ‘proezas’ anárquicas seguindo o modelo de Putin

Para o filósofo, em todo caso estamos diante de crimes contra a humanidade, resultantes de uma estratégia de guerra nova promovida pelo chefe máximo do Kremlin.

Em face dessa ofensiva que faz do crime organizado uma tropa de choque regular, o autor francês acena para a obrigação moral de tirar as consequências.

Lévy aponta sinais desalentadores de claudicação na União Europeia diante do comandante da imoral ofensiva russa.

Para ele, a atitude de apaziguamento, de condescendência e até bajulação de certos representantes europeus em face de Putin, se chama “espírito de Munique”.

Charmberlain, Daladier, Hitler, Mussonlini e Ciano  após a assinatura do Acordo de Munique.  Falso espírito de paz preludiou a pior das guerras.  Obama e a UE parecem optar por análoga entrega.
Charmberlain, Daladier, Hitler, Mussonlini e Ciano
após a assinatura do Acordo de Munique.
Falso espírito de paz preludiou a pior das guerras.
Obama e a UE parecem optar por análoga entrega diante de Putin.
O mesmo espírito que, em 1938, preludiou a imensa tragédia da II Guerra Mundial.

Para ele, esse espírito é um estigma.

Estigma, acrescentamos, que atrai horizontes sombrios como os de 1938 sobre os países liderados por populistas enamorados de Putin.

Esse horizonte apavorante pode ser concluído com base na história humana. Mas, se considerarmos a dimensão moral dos movimentos presentes diante de Deus, o que dizer?

Os terríveis horizontes para os quais Nossa Senhora acenou em Fátima e o papel que neles teria a Rússia revolucionária, fazem com que a ‘manobra Putin’ ganhe toda a sua dimensão.


domingo, 15 de março de 2020

Cresce o risco de III Guerra Mundial

Embaixador Sérgio Duarte mais perto da guerra mundial do que nunca
Embaixador Sérgio Duarte: mais perto da guerra nuclear do que nunca
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







O conflito atômico mundial que parecia afastado há 50 anos, quando entrou em vigor o TNP (Tratado de Não Proliferação Nuclear), hoje está mais perto do que se poderia imaginar.

Assim declarou em entrevista por email à “Folha de S.Paulo”, o embaixador Sérgio Duarte, 85, que foi o presidente da sétima revisão quinquenal do TNP, em 2005, e de 2007 até sua aposentadoria, em 2012, foi o alto representante das Nações Unidas para Assuntos de Desarmamento.

“Não há dúvida de que nos tempos de hoje o mundo é mais perigoso do que em qualquer época desde o início da era nuclear”, disse Duarte que preside em Belo Horizonte a ONG internacional Conferências Pugwash, receptora do Nobel da Paz de 1995 por seus esforços em prol do desarmamento nuclear.

Em 2019, os EUA abandonaram um dos principais acordos de limitação de armas nucleares do fim da Guerra Fria após a Rússia ostentar repetidamente que estava fabricando armas atômicas de uma capacidade destrutiva inaudita.

O presidente Trump revidou com o anúncio da fabricação de novas bombas atômicas menos potentes, porém mais empregáveis.

A Coreia do Norte continua produzindo, testando e esbravejando, com resultados até ridículos, mas que bem podem servir de estopim universal.

E o Irã causa calafrios no mundo tendo ficado claro que seus propósitos de desnuclearização não podem ser levados a sério ou são mera tapeação para esconder objetivos sinistros.

Em 2020 os EUA e a Rússia devem decidir se prolongam o maior tratado de limitação de arsenais global, o Novo Start, que vence em 2021.






Todos os nove possuidores de armas nucleares, sem exceção, vêm aumentando seus arsenais ou acrescentando novas tecnologias destruidoras, como mísseis várias vezes mais velozes que o som, uso de técnicas cibernéticas, lasers, inteligência artificial e outras inovações, numa verdadeira proliferação tecnológica”, afirmou o embaixador Sérgio Duarte.

Americanos e russos têm 92% das ogivas do mundo, respectivamente 1.750 e 1.650 prontas para uso. Isso fora um estoque de 8.130 bombas operacionais que podem ser reativadas.

Ainda possuem armas nucleares os rivais Índia e Paquistão, China, França, Reino Unido, Coreia do Norte e Israel —que faz disso um segredo de polichinelo útil no xadrez do Oriente Médio, escreveu a “Folha”.

 Míssil 'hipersônico' 'Tsirkon' que Putin garantiu estar desenvolvendo
 Míssil 'hipersônico' 'Tsirkon' que Putin garantiu estar desenvolvendo
O embaixador observou que o Novo Start, sempre foi vago no quesito desarmamento. “A única cláusula não produziu resultados satisfatórios, ao contrário, os países nucleares vêm aperfeiçoando seu poder”, explicou.

O TPAN (Tratado de Proibição de Armas Nucleares), de 2017, não está em vigor porque as potências atômicas e as candidatas a serem não querem ratifica-lo.

O Brasil foi pioneiro com a antiga rival Argentina, é signatário do TNP e do TPAN, e um regime de confiança mútua está instaurado.

Mesmo assim, o país se recusa a assinar o Protocolo Adicional ao TNP, de 1997, que prevê inspeções internacionais. Os EUA tentam convence-lo, mas sem sucesso inclusive sob o governo Bolsonaro.

“Nenhum instrumento no campo da não proliferação nuclear até hoje logrou adesão universal”, sublinhou Duarte.

Ele falou das “profundas divergências e à rivalidade, desconfiança e hostilidade entre EUA e Rússia”.

“Os arsenais existentes são suficientes para inviabilizar completamente a civilização humana caso sejam utilizados, por desígnio ou acidente”, resumiu o embaixador.

Esse tenso fundo da questão contradiz as aparências da era da “morte do comunismo”. Por isso, para os espíritos melhor informados, fatos que seriam vistos como menores podem mexer com um potencial de devastação universal.

O 'Yantar' no porto do Rio
O 'Yantar' no porto do Rio
Foi o caso do Yantar, navio russo de pesquisa e inteligência suspeito de espionagem na Europa e nos Estados Unidos, que a Marinha brasileira monitorou durante uma semana.

O Centro Integrado de Segurança Marítima do Rio de Janeiro detectou a embarcação de tecnologia avançada de sensores, dentro da Zona Econômica Exclusiva (ZEE) do Brasil em fevereiro, segundo noticiou “O Estado de S.Paulo”.

Feito o primeiro contato, o navio sumiu do monitoramento, levantando a hipótese de que o equipamento AIS, que permite a sua localização, tenha sido desligado.

Por fim, um helicóptero da Marinha e um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) localizaram a embarcação a 80 quilômetros das praias do Rio.

A tripulação russa ou não atendia às chamadas ou respondia com evasivas, enquanto trabalhava numa área de cabos submarinos de internet. Acabou atracando no porto do Rio, onde ficou poucos dias e partiu.

O que mais intrigou as autoridades náuticas foi o fato de a embarcação, “reaparecer” perto dos cabos submarinos de comunicação que ligam o Brasil a outros países, após ficar por quase uma semana com o seu aparelho identificador desligado.

Com sensores de alta tecnologia para rastrear o fundo do mar, o navio oceanográfico Yantar sempre esteve na mira de governos. A Rússia repete que o navio de 5.700 toneladas e 108 metros atua em pesquisas científicas e em ajuda a outros países.

O Yantar anunciou que cooperaria na localização do submarino argentino desaparecido “San Juan”. A mídia exultou comemorando que então sim o submarino perdido seria encontrado. Nada disso, depois de recolher os dados que procurava retornou a Rússia, sem dizer nada.

Esquema de funcionamento do Yantar
Esquema de funcionamento do Yantar
A marinha britânica o considera um “navio espião” e os EUA suspeitam que os pequenos submarinos do Yantar operam especialmente no rastreamento de áreas de cabos submarinos.

E o Yantar ouve e vê tudo até 6 mil metros de profundidade porque pode lançar dois minissubmarinos de 25 toneladas da classe Konsul capazes de descer até esses abismos.

Os cabos submarinos respondem por 99% das comunicações transoceânicas e 97% das conexões de internet entre os servidores do mundo.

Uma ruptura desses cabos pode não apenas causar danos gravíssimos à economia global, como deixar países inteiros sem acesso à internet.

Relatório de 2019 do Real Instituto de Serviços para Estudos da Defesa, citado pelo “O Estado de S.Paulo”, revela que os navios de inteligência da Rússia “perambulam discretamente por áreas estratégicas o tempo todo em todo o mundo”. 

Um atrito com suspeitadas operações de sabotagem ou espionagem com um navio provocador desses, ou alguma fricção armada com as incursões aéreas russas mirando Ocidente que publicamos periodicamente no nosso blog, poderia servir de pretexto à má vontade para ativar o potencial nuclear.

É uma das espadas de Dámocles que pairam sobre o mundo.