domingo, 15 de julho de 2018

A “Copa Potemkin” e os gemidos da miserabilizada Rússia profunda

Estadio Luzhniki de Moscou onde a Copa 2018 começou e terminou
Estádio Luzhniki de Moscou onde a Copa 2018 começou e terminou.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Na Sibéria, muitos russos nem souberam que na Rússia se jogou uma Copa do Mundo, reportou Jamil Chade, enviado especial de “O Estado de S.Paulo”, desde Zhunmurino, República da Buriácia.

Essa república beira a fronteira com a Mongólia. Lá o jornalista colheu respostas incertas, fruto da ausência de informações, do que se passa na Rússia.

Ironicamente mal sabia da Copa até um monge budista tido como agoireiro que prevê o futuro, cura doenças e prediz a chuva.

Em Buriácia até esse vidente desconhecia a existência da Copa do Mundo. “Não conheço”, lamentou.

Menos pretensiosa, a produtora de leite Lyubila Tserenyona dizia que “hoje nós jogamos contra a Argentina ou algo assim...”.

A seleção nacional russa não lhe dizia muita coisa. “Sou do povo buriato. Não sou russa. Mas vivemos na Rússia e vamos torcer pela Rússia na Copa”, explicou. Ao saber que o jornalista era do Brasil, ela sorriu dizendo: “eu adorava o Brasil nos anos 90 com Maradona e Pelé”.

A República da Buriácia fica a mais de 5,1 mil quilômetros de Moscou, na Sibéria Oriental onde as temperaturas podem chegar a 30 graus negativos durante semanas.

Casas históricas de Arkhangelsk demolidas para Putin não ver.
Casas históricas de Arkangelsk demolidas para Putin não ver.
Na vizinha província de Irkutsk, embora tendo acesso às imagens dos jogos, a Copa foi vista como um sonho. Ou não foi vista de todo.

Nenhuma referência era visível no aeroporto ou nas estradas, a população não tinha sequer uma camisa da seleção, e os heróis esportivos são os locais do hóquei sobre gelo.

“Esses jogadores são da Rússia europeia. Nós somos da Rússia asiática”, explicava um estudante em um dos poucos bares de Irkutsk que mostrava a partida contra o Uruguai.

Baikalsk, 14 mil habitantes, na província de Irkutsk, é uma das 142 cidades na Rússia que estão a ponto de desaparecer.

A única fábrica, feita em 1966, é do tempo da União Soviética. O Estado é o único empregador e a fábrica se inseria no complexo militar soviético.

Mas a “nova-Rússia” não soube desestatizar. Putin tem outros objetivos em mente e o dinheiro para modernizar essas mais de cem cidades à beira do colapso foi desviado para promover a imagem de seu regime.

O Kremlin gastou US$ 50 bilhões em Sochi para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2014 e, oficialmente, outros US$ 11 bilhões na Copa, número esse a ser revisto para muito mais.

Dezenas de cidades colapsaram e o destino de dezenas ou centenas de milhares de seres humanos foi sacrificado em aras da guerra psicológica putinista.

Baikalsk: fábrica abandonada em cidade a ponto de sucumbir
Baikalsk: fábrica abandonada em cidade a ponto de sucumbir
A reportagem viu cavalos pastando no pátio da fábrica de Baikalsk, entre paredes deterioradas e tetos ameaçando desabamento.

Ludmilla, vendedora de legumes contou que seu marido que ficou desempregado passou a beber e a violentá-la, até se separarem e ele morrer vítima do alcoolismo.

Obviamente, preocupada em sobreviver, Ludmilla nem sabia que a Rússia jogava esse dia.

E Svetlana Nikolaivna, vendedora de peixes, também de Baikalsk, acenava para a realidade, que é patética: “o que muda na minha vida se a Rússia ganhar? A juventude toda já deixou a cidade. Se os velhos não trabalharem, quem vai faze-lo?”

O verdadeiro rosto da Rússia profunda, longe de Moscou e São Petersburgo está a anos luz da imagem que o presidente Vladimir Putin quis passar ao mundo na Copa, observa o jornal.

A Rússia supostamente soberana, autoconfiante, moderna e sofisticada é de fato uma miragem. A realidade é que o país afundou ainda mais baixo que no tempo da miserável URSS comunista.

Nas cidades da Sibéria, como as da Irkutsk, 25% da população vive hoje abaixo da linha da pobreza. “A periferia da província é o retrato de uma região abandonada”, testemunha o jornalista.

Os indicadores da Caritas, organização humanitária da Igreja Católica, apontam que na Rússia há 30 milhões de crianças e 15 milhões delas vivem abaixo da linha da pobreza. Praticamente todas na Sibéria.

O número de crianças de rua na Sibéria é o maior desde o fim da Guerra Fria. Segundo a Caritas, 4% dos menores são órfãos e as altas taxas de desemprego e a baixa renda causam a desnutrição e falta de acesso à educação.

O estádio de Kaliningrado visava consolidar a presença militar russa em área estratégia para um conflito nuclear
O estádio de Kaliningrado visava consolidar a presença militar russa
em área estratégia para um conflito nuclear
As famílias sem religião se desfazem logo. E os católicos são pequena minoria mal vista pelo regime putinista que promove a igreja dita “ortodoxa” instrumento dócil do regime, esvaziada de religião e moral.

O uso de drogas aumentou 500% em 20 anos e 30% das mortes de jovens são atribuídas ao alcoolismo.

Os casos de Aids pularam em mais 10% só no último ano.

A expectativa de vida caiu para 55 anos em 2017.

E isto enquanto a propaganda do regime fala no Ocidente de um extraordinário reerguimento familiar, moral e religioso na Rússia sob a inspiração de Vladimir Putin, o novo Carlos Magno, ou Constantino, surgido no Oriente.

A Copa reproduziu o estratagema outrora posto em prática pelo marechal duque Grigori Potemkin (1739-1791) para agradar à tirânica czarina Catarina II da Rússia, a Grande, em viagem pela Crimeia. Cfr. Wikipedia, verbete Pueblo Potemkin

Ele mandou pintar fachadas em tapumes ao longo da estrada que percorreria a czarina, numa distância calculada.

As pinturas apresentavam povoados idílicos na recém-conquistada Crimeia e encobriam a situação catastrófica da região.

Fogos artificiais  em Kaniów, Crimeia para a czarina Catarina II da Rússia ver. Jan Bogumi Plersz (1732-1817), Lviv National Art Gallery.
Fogos artificiais  em Kaniów, Crimeia para a czarina Catarina II da Rússia ver.
Jan Bogumi Plersz (1732-1817), Lviv National Art Gallery.
O servil Potemkin mostrava à imperatriz do alto de algumas colinas novas aldeias onde supostamente moravam pessoas. As cidadinhas de longe exibiam um aspecto idílico e impecável.

O astuto recomendava à czarina não se aproximar por questões de segurança. E assim ela não teria percebido os bastidores enganosos e não teria encontrado o povo na mais completa miséria.

Após a passagem de Catarina a Grande, a fictícia aldeia era desmontada e voltada em outro local para a czarina ver.

Diz-se que a czarina voltou enganada e convencida de que as políticas para o bem-estar do povo eram as corretas.

À vista dos modernos estádios e da máquina de segurança da Rússia 2018 muitos podem ter ficado impressionados pelas aparências.

Mas essas, em verdade, custaram a desgraça de incontáveis russos e esconderam a desgarradora miséria material e moral reinante nesse imenso país.

Muitos acabaram retornando a seus países ou desligando a TV sem perceber que assistiram a uma “Copa Potemkin”.


segunda-feira, 9 de julho de 2018

Por trás da Copa da Rússia:
um regime de corrupção e ideologia despótica

O cartaz não e segurado por um torcedor da Rússia, mas da Sérvia. O objetivo visado foi além do esporte
O cartaz não e segurado por um torcedor da Rússia,
mas da Sérvia. O objetivo visado foi além do esporte
Luis Dufaur
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Enquanto a Rússia vibrava com uma goleada na estreia da Copa do Mundo, o primeiro-ministro de Putin, Dmitri Medvedev, apresentou no Parlamento, “um pacote de maldades com medidas impopulares, necessárias para fechar as contas públicas”, noticiou “O Globo”.

A reforma da Previdência aumentou para 65 anos a aposentadoria dos homens sendo que eles têm uma expectativa de vida de 62,77 anos, perto da média africana.

O golpe não é novo. É de todos os ditadores de todas as épocas. Reedita a velha fórmula “pão e circo” que surgiu na decadente Roma durante a administração de Caio Graco. A fórmula foi aplicada a fundo pelos perversos imperadores.

E virou o mandamento máximo dos regimes corruptos.

Manter o povo entretido (o “circo”) e lhe dar um pouco de pão para que suporte as arbitrariedades do despotismo. Na Rússia de Putin, a Copa do Mundo foi manobrada ponto por ponto segundo essa perversa “sabedoria”.

Por isso não espanta que Helio Gurovitz no Estadão tenha perguntado se “dá para confiar na Copa do presidente Vladimir Putin”.

“Não bastassem – escreveu ele – as denúncias que pairam sobre a escolha da sede pela FIFA, sobre a construção de estádios e obras de infraestrutura, a Copa da Rússia é agora assombrada pelo espectro da corrupção nos próprios jogos, em especial os do time da casa”.

Os apostadores profissionais ficavam longe dos jogos da seleção russa, disse à TV australiana ABC Mark Philips, diretor da consultoria Global Sport Integrity (GSI).

O que importava era a propaganda de Putin e da Rússia, custe o que custar.

“É importante para ele cimentar a popularidade e reivindicar conquistas”, afirmou Hector Silva Ávalos, da American University, ao site Insight Crime depois da goleada russa sobre a Arábia Saudita.

O escândalo do doping, em 2014, mostrou que Putin não tem pudor em recorrer a fraudes maquiavélicas para atingir seus objetivos.


Perto do doping registrado nas Olimpíadas de inverno em Sochi, comprar um goleiro ou juiz é trivial.

O recurso ao doping científico é metódico na Rússia. Foi herdado de União Soviética e até nisso Putin a imita.

Neste blog tivermos diversas ocasiões de comentar informações sólidas sobre sua massiva utilização.

Confira por exemplo: Esquema estatal russo de doping gera tensões nas Olimpíadas. Ou todos os posts sobre o doping dos atletas russos.


Desta vez, não podia ser menos.

E sem a mais mínima dissimulação.

O médico da seleção russa, Eduard Bezuglov, justificou escancaradamente o uso do amoníaco como estimulante: “isso o fazem milhares de esportistas para se animar. Se utiliza há décadas”, reportou o jornal espanhol “El Mundo”.

Claro que ele não via nisso doping algum.

Mas a seleção russa foi acusada diretamente de se dopar pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung. Os jogadores cheiravam amoníaco antes dos encontros.

O amoníaco não é proibido e multiplica o rendimento físico. A federação russa de futebol admitiu que seus jogadores inalavam durante o jogo com Espanha usando uma bola de algodão.

A World Anti-Doping Agency proíbe apenas a inalação em publico. Mas nem isso aconteceu. Foi escancarado durante o jogo no banco dos suplentes.

O jornal alemão Bild captou imagens suspeitas de futebolistas se esfregando o nariz.

Onde a “nova-URSS” bateu todos os recordes mundiais foi no quesito de corrupção na construção dos estádios e dependências.

Já tivemos ocasião de dar algumas amostras em recente post. Confira: Mundial montado para propaganda da nova-URSS

Ancelmo Gois de “O Globo” ainda lembrou que o estádio Lujniki, palco da abertura da Copa da Rússia, foi erguido em cima das cinzas do antigo Estádio Lenine.

Trilogia da corrupção, e da ideologia?. No Rio, Dilma (Blatter no centro) entrega a preparação da Copa a Putin
Trilogia da corrupção, e da ideologia?.
No Rio, Dilma (Blatter no centro) entrega a preparação da Copa a Putin
Um Vladimir sobre o outro. Segundo o colunista nem dá para saber a dimensão das propinas e corrupções. “Até porque a qualidade da democracia russa no campo das liberdades é, acredite, inferior à nossa”.

Para Mathias Alencastro na “Folha de S.Paulo” “as aventuras militares na Ucrânia e na Síria, a acusação de envolvimento nas eleições americanas e a destruição de um avião comercial conferiram à Rússia a reputação de vândalo da política internacional”.

Putin, como Dilma em 2014, esperava recuperar a imagem. Mas os escândalos da FIFA comprometeram a manobra. “De megaevento de prestígio, a Copa passou a ser vista como uma comunhão de picaretas”, escreveu.

Mas Putin teve cúmplices até entre aqueles que parecem não estar com ele. Os governos ocidentais evitaram a ocasião da Copa para denunciar todas as formas de perseguição que funcionam na Rússia.

Os torcedores que ousassem criticar Putin nos estádios seriam perseguidos. Todo o contrário do Brasil, onde a então presidente Dilma Rousseff foi vaiada de todas as formas.

Demétrio Magnoli em “O Globo” conta que a Arena Baltika, em Kaliningrado, custou US$ 300 milhões e só serviu de palco para quatro jogos. O time local atrai perto de quatro mil torcedores.

Esbanjamento à toa? Não, a justificativa é oficial: a propaganda do chefe supremo, de sua ditadura e de sua máquina de guerra.

Kaliningrado é um enclave russo intensamente militarizado onde sedia a Frota do Báltico desafiando a OTAN.

O elefante branco não tem finalidades esportivas, mas geopolíticas: reforçar o bastião militar contra Ocidente, segundo explicou William Courtney, ex-representante americano em negociações militares com a Rússia.

“A Arena Baltika inspira-se nessa tradição soviética, retomada pelo putinismo. De fato, do ponto de vista da Rússia, toda a ‘Operação Copa’ não se inscreve na lógica dos negócios, mas na da política.

“Putin não acalenta a ingênua expectativa do triunfo esportivo: na Copa, o Kremlin almeja a afirmação do lugar da Rússia entre as grandes potências”, acrescenta Magnoli.

Putin venceu sua Copa antes do jogo inaugural: “normalizando” sua imagem externa, inclusive de violador de fronteiras internacionais na Europa.

Cristiano Ronaldo, Messi, Iniesta, Kroos ou Neymar pelo simples fato de entrar em campo marcavam goleadas na guerra psicológica montada pelo Kremlin para redourar sua imagem, concluiu.
A promoção da presença russa em Kaliningrado é vital na estratégia de guerra
A promoção da presença russa em Kaliningrado é vital na estratégia de guerra
O jogo contra a Espanha, na invadida Crimeia foi uma bofetada à OTAN.

E Sonia Racy no "Estado de S.Paulo" destacou que cada mensagem de Putin estava concebida para exaltar o ego nacionalista em que baseia seu populismo.

Mas não foi só Putin e não foi só corrupção nem só manobras da guerra psicológica. Houve ideologia em jogo.

Até a desmoralizada FIFA contribuiu para engrandecer o ditador do Kremlin e reprimir seus críticos.

O defensor croata Domagoj Vida sofreu o golpe na própria pele. Foi repreendido pela FIFA, pelo fato de agradecer a seus admiradores ucranianos dedicando à Ucrânia a vitória sobre a Rússia, noticiou “La Nación” de Buenos Aires.

Vida jogou muito no Dinamo de Kiev, clube popular no país invadido por Putin, recebeu muitas mensagens e respondeu com um “Glória à Ucrânia!” brado assaz comum no país.

A Comissão de Disciplina da FIFA caiu acima dele em coro com o deputado putinista Dmitry Svischyov.

“Atos desses deveriam ser castigados”, exigiu Dmitry Svischyov, membro do comité parlamentar para Esporte, através da agência oficial RIA Novosti.

Vida respondeu que seu gesto não tinha nada de político mas era mera comemoração esportiva.

Mas na Rússia de Putin não pode se desafinar com o chefe nem em brincadeira ou comemoração. A mais intolerante das ideologias está por trás.



domingo, 1 de julho de 2018

Mundial montado para propaganda da nova-URSS

Para Putin a Copa é antes de tudo uma plataforma de propaganda mundial. No estádio Luzhniki de Moscou
Para Putin a Copa é antes de tudo uma plataforma de propaganda mundial.
No estádio Luzhniki de Moscou
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A Copa do Mundo Rússia 2018 é o mais novo dono do título de “mundial mais caro da história”.

Estádios que custaram muito mais do projetado, falcatruas mastodônticas, construtoras levadas aos tribunais e governos regionais denunciando “elefantes brancos” que custará fortunas manter sem uso.

Em 2013, as primeiras estimativas da despesa estatal calculavam 664 bilhões de rublos. Mas, desde 2016, os números oficiais dispararam sem cessar até 883 bilhões – por volta de 14 bilhões de dólares – contabilizadas as despesas do governo federal, dos regionais e da FIFA.

O Mundial da Rússia será o mais caro da história superando o do Brasil 2014. O brasileiro, com ‘módicos’ 11,6 bilhões ficou no segundo lugar.

Os números estão preto sobre branco num completo informe publicado pelo jornal económico russo RBC, com base na resolução do Kremlin que explica os números finais do Mundial. Foram reproduzidos em matéria do jornal “La Nación” de Buenos Aires.

O Ministério dos Esportes atribuiu a defasagem orçamentária à falta de infraestrutura, aliás crônica na Rússia, e numa não-esclarecida necessidade de segurança antiterrorista. Teme-se que inclua a repressão dos dissidentes do regime de Putin.

O recorde foi batido pelo estádio de Kaliningrado. Um processo oficial foi aberto por “falcatrua em grande escala” que teria atingido quase dez bilhões de dólares.

Despesas arrebentaram orçamentos na Copa mais cara da história numa Rússia falida. Foto estádio de São Petersburgo
Despesas arrebentaram orçamentos na Copa mais cara da história numa Rússia falida.
Foto estádio de São Petersburgo
A construtora teria comprado 1,6 milhões de metros cúbicos de areia para reforçar o solo pantanoso do local. Mas a areia, segundo os estudos “foi de uma qualidade inferior à declarada”.

A Justiça foi atrás dos responsáveis, mas a Copa começou e só fica rezar para que não desabe.

Dos 12 estádios do Mundial, seis foram construídos a partir de zero. O de São Petersburgo consumiu 44 bilhões de rublos (700 milhões de dólares). A saga do Zenit Arena é intérmina e o prédio começou a Copa começou sobre um terreno instável.

Em segundo lugar na lista da corrupção ficou o estádio de Luzhnikí em Moscou, onde começou a disputa pela Taça.

A lista inclui os estádios de Rostov do Don, Samara, Nizhny Novgorod, Volgogrado, Saransk, Spartak de Moscou, Kazan, Ekaterimburgo e Sochi. O que menos consumiu, engoliu por volta de 4 bilhões de dólares.

Não é preciso dizer que os números oficiais do desequilíbrio orçamentário não batem com os que estão aparecendo nas denúncias.

O orçamento foi modificado 35 vezes e as cifras foram corrigidas 12 vezes. E não foi pior porque o governo eliminou partes dos planos iniciais.

Os hotéis que iriam ser construídos com dinheiro público sumiram. Velhos prédios da era soviética foram remendados às presas.

Resultado: torneiras quebradas que parecem cataratas, instalações que caem aos pedaços, aquecimento e ar condicionado ligados ao mesmo tempo em bairros assustadores pela decadência edilícia.

“Todas as instalações devem cobrir seus custos”, ordenou Putin em seu programa anual de TV respondendo a perguntas do público. Mas, todos sabem que isso é impossível.

Hospitais russos atingiram níveis 'horrorosos'. Mas as verbas foram para propaganda da nova-URSS.
Hospitais russos atingiram níveis 'horrorosos'.
Mas as verbas foram para a propaganda da nova-URSS.
Putin propôs abrir padarias e centros comerciais nos estádios após a Copa para viabilizar a manutenção. Mas não há proporção entre a entrada previsível e o custo pago.

Por fim, o supremo mandatário reconheceu a loucura econômica, mas a justificou de modo filantrópico platônico: “gastamos muito dinheiro. Concordo em que deve ser em beneficio do esporte”.

Manter os novos estádios custará anualmente entre 3 e 6 milhões de dólares, segundo cálculos das autoridades regionais.

O único problema é que esse dinheiro não existe e premências lancinantes se fazem sentir em setores muito mais sensíveis para a população como saúde e educação.

Os governos locais gemem por subsídios. Mas de Putin a resposta desce sem piedade: NIET!

Putin não diz, mas está escrito em sua agenda, segundo os comentaristas internacionais: Rússia 2018 deve ser um grande palco de propaganda do regime, como moralizador, organizado, eficaz, moderno e incorrupto.

Essa é a vontade da nova-URSS! E o sofrido povo russo? Que afunde ainda mais na miséria e na falta de saúde básica?


domingo, 24 de junho de 2018

‘Patriarcado de Moscou’ pede ao Papa Francisco impedir o progresso dos greco-católicos

Um desígnio sinistro levou o representante russo HIlarion ao Vaticano.
Um desígnio sinistro levou o representante russo HIlarion ao Vaticano.
Luis Dufaur
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Palavras republicadas pelo conceituado vaticanista de Roma Sandro Magister deixaram católicos consternados porque vindas da Santa Sé! Sem dúvida, um episódio a mais do misterioso processo de autodemolição da Igreja apontado pelo Papa Paulo VI.

Magister as recopiou em seu site Settimo Cielo com a manchete “Na Ucrânia, entre ortodoxos e católicos, Francisco tomou partido por Moscou”.

As palavras foram pronunciadas pelo Papa Francisco saudando a delegação do Patriarcado de Moscou acolhida em audiência no dia 30 de maio (2018).

Elas deviam permanecer no sigilo. Porém de tal maneira encheram de regozijo os representantes da igreja cismática russa administrada por agentes da ex-KGB, que eles as reproduziram em seu site oficial.

domingo, 17 de junho de 2018

Cardeal Mindszenty continua abençoando a Hungria

Luis Dufaur
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Herói da resistência anticomunista, o Cardeal József Mindszenty foi Arcebispo-Príncipe de Esztergom e Primaz da Hungria. Mesmo preso pelo regime comunista, cruelmente torturado e obrigado a ausentar-se de seu povo, jamais dobrou os joelhos diante da tirania vermelha.

Hoje em dia, quando a Hungria vem sendo perseguida por órgãos internacionais pelo fato de ter adotado uma Constituição contrária ao comunismo, ao aborto e ao “casamento” homossexual e ter rememorado as glórias de seu passado cristão, a figura do Cardeal Mindszenty paira sobre a nação como uma bênção e uma inspiração.

Até à Hungria chegam as sibilinas propostas do novo amo do Kremlin que sonha com restaurar a hegemonia da velha URSS que tanto fez derramar lágrimas de sangre ao augusto e virtuoso cardeal.

Pelo sul chegam colunas de invasores islâmicos que em séculos passados devastou a Hungria mas nunca conseguiram lhe tirar a Fé.

domingo, 10 de junho de 2018

Comunismo está vivo e ativo,
mas Ostpolitik vaticana abraça esse regime iníquo

Cardeal Josip Bozanic, arcebispo de Zagreb
Cardeal Bozanić, arcebispo de Zagreb em 1989
Luis Dufaur
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Após a queda do Muro em 1989, os representantes de treze Conferências Episcopais da Europa do Leste realizaram em Zagreb sua 3ª reunião.

No documento conclusivo da reunião sublinharam que as feridas causadas pelo comunismo continuam vivas e envenenam a vida e a sociedade dos países outrora escravizados pelo socialismo de Estado.

Grande parte dos trabalhos girou em torno do legado espiritual deixado pelos mártires do comunismo.

No encerramento, o Cardeal Bozanić, arcebispo de Zagreb, advertiu: “temos a impressão de que embora o sistema tenha parado de funcionar nas suas formas anteriores, ele se transformou e se nos afigura como um terreno envenenado no qual deveriam ter brotados frutos”.

Segundo a agência Zenit, o que mais preocupa a esses bispos é que “sua estrutura [do comunismo] permanece na legislação e no Judiciário, na economia, educação e cultura”, e especialmente, “no véu de silêncio imposto sobre os acontecimentos do passado recente".

domingo, 3 de junho de 2018

Suécia se prepara para a guerra pensando na Rússia

O país mais pacifista prepara população para a guerra. Rússia inspira temor.
O país mais pacifista prepara população para a guerra. Rússia inspira temor.
Luis Dufaur
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Onde estão os refúgios anti-bombardeios? Quais alimentos estocar? Em quais fontes de informação confiar?

Essas e outras preguntas vitais em tempo de guerra estão respondidas num livreto que o governo da Suécia enviou pelo correio a todos os lares.

Ele é para ser usado em caso de conflito ou também de catástrofe natural, informou o quotidiano francês “Le Parisien”.

Não está redigido só em sueco mas em 13 línguas pensando nos imigrantes. O título é “Em caso de crise ou de guerra” e foi expedido entre os dias 28 de maio e 3 junho a 4,8 milhões de endereços, sendo que a Suécia conta por volta de 10 milhões de habitantes.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Rússia pega “com a boca na botija”
do massacre do voo MH17

Equipe de Investigação Conjunta apresenta as provas de que a Rússia derrubou o voo MH17 massacrando 298 civis indefesos.
Equipe de Investigação Conjunta apresenta as provas de que
a Rússia derrubou o voo MH17 massacrando 298 civis indefesos.
Luis Dufaur
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Não pode haver mais dúvidas: o míssil BUK-Telar que derrubou o avião civil da Malaysia Airlines matando todos os 298 passageiros e tripulantes sobre o leste da Ucrânia, em 17 de julho de 2014, foi lançado por uma “brigada do Exército da Federação Russa”.

Veja: Míssil que mata, mas esclarece!


Mais concretamente pela 53ª Brigada de Mísseis Antiaéreos com sede em Kursk, Rússia, confirmou Wilbert Paulissen chefe da equipe de investigadores internacionais que trabalhou afincadamente sobre os restos do avião nos últimos quatro anos.

O pormenorizado relato apresentado em Utrecht, Holanda, pela Equipe de Investigação Conjunta foi divulgado pelas agências EFE e Reuters e foi reproduzido por numerosos órgãos de imprensa internacional como “El Mundo” de Madri e “Clarin” de Buenos Aires. .

Também foi informado pela imprensa brasileira mas com curiosa brevidade.

O fiscal holandês Fred Westerbeke, falando em sessão especial para a imprensa internacional, afirmou que os investigadores “conseguiram um grande progresso na identificação de por volta de 100 pessoas engajadas no fato”, aliás criminoso.

domingo, 20 de maio de 2018

EUA restaura II Frota
face aos temores inspirados pela “nova-URSS”

Desde o USS George H. W. Bush, o almirante Richardson anunciou a restauração da II Frota.
Desde o USS George H. W. Bush, o almirante Richardson
anunciou a restauração da II Frota.
Luis Dufaur
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O Pentágono ordenou reativar a Segunda Frota, a poderosa força naval com que a Marinha americana sulcava o Atlântico Norte durante a Guerra Fria para se precaver de um ataque surpresa soviético, informou “La Nación” de Buenos Aires.

A decisão é mais um sinal da escalada na tensão entre o Ocidente e a “nova-URSS” no momento que Vladimir Putin se faz eleger, como largamente previsto, para mais um período na presidência russa se avizinhando aos recordes de José Stalin ditador na histórica URSS.

A decisão também atende a inquietação da Europa e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), aliança militar concebida para por limites à intensificação da presença militar russa no oceano que é a carótida de Ocidente.

“Voltamos numa era em que a segurança se torna mais desafiadora e complexa”, disse o almirante John Richardson, chefe de operações da Armada americana, desde o porta-aviões nuclear USS George H. W. Bush (CVN-77) o mais moderno da classe Nimitz, em Norfolk, Virgina, onde funciona a grande base naval que será o quartel da II Frota.

domingo, 13 de maio de 2018

O drama da Ucrânia desenhado por uma jovem

Luis Dufaur
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A joven ucraniana Kseniya Simonova desenha com areia o drama de seu país sob a bota soviética.

Ela ganhou o prêmio "Ukraine's Got Talent" pela animação com areia.

A habilidade da jovem impressiona o público presente nesta apresentação.

Mas, também arranca lágrimas pela evocação muda das imensas dores sofridas pelo povo ucraniano sob a pior e mais desumana ditadura ideológica da história: a do "socialismo marxista", ou "socialismo real".

domingo, 6 de maio de 2018

Filósofo francês louva esoterismo anticatólico latente na “nova-URSS”

Alexandre Havard: doutrinas de fundo anticatólico pregadas em ambientes católicos, até tradicionais.
Alexandre Havard: doutrinas de fundo anticatólico
pregadas em ambientes católicos, até tradicionais.
Luis Dufaur
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O filósofo francês Alexandre Havard integra a equipe de pensadores – vários deles frequentando ambientes ditos de direita ou extrema-direita – que trabalham para justificar aos olhos dos ocidentais as pretensões imperialistas mundiais de Vladimir Putin.

Havard é descendente de nobres russos exilados durante a revolução bolchevista e mora atualmente em Moscou.

Ele condensou certas ideias que até hoje presentes na propaganda putinista em entrevista para a “Sputnik”, órgão de propaganda  da “nova URSS” que dá continuidade à velha “Voz da Rússia” órgão radiofônico outrora notório transmissor das instruções da “velha URSS”.

Interrogado sobre o que para ele significava a religião católica, teve uma resposta surpreendente: “Para mim, é uma religião universal, onde há lugar para todos os cultos, para todas as culturas...”

Obviamente, a religião católica não é isso. Havard entende por catolicismo uma pan-religião que engloba todas as crenças, portanto as mais antitéticas, como quer certo panteísmo eivado de esoterismo.

Após fazer à Cátedra de Pedro e ao protestantismo alguns elogios que no Brasil soam para “inglês ver”, ele acrescentou:
“Frequentemente, encontro pessoas que dizem que o ecumenismo é uma heresia. Na Rússia há muitas! Eu lhes digo: caso se trate de uma heresia, então Cristo é herege!”

domingo, 29 de abril de 2018

Instrumento do Kremlin para liquidar os católicos
abraça ao Papa Francisco

O Papa Francisco e o "patriarca" russo Kiril se beijam em Havana
O Papa Francisco e o "patriarca" russo Kiril se beijam em Havana
Luis Dufaur
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“A Igreja Ortodoxa Russa foi utilizada pelo regime de Stalin para a liquidação pela força da Igreja Greco-Católica Ucraniana”, mas “o clero ortodoxo [= cismático] russo ainda não se desculpou com o greco-católico pela apropriação indevida de todos os seus bens”, vem reafirmando Sua Beatitude Sviatoslav Shevchuk, arcebispo-mor do rito Greco-Católico ucraniano, em entrevistas como a veiculada pela agência Religious Information Service of Ukraine – RISU

“Na minha opinião, a capacidade de pedir desculpas indica uma consciência cristã, e é uma condição necessária para a chamada purificação da memória.

“Por exemplo, houve um verdadeiro arrependimento e perdão mútuo entre a nossa Igreja e a Igreja Católica Romana da Polônia.

“Eu sei de fonte segura que os bispos poloneses procuram realizar um ato semelhante de reconciliação mútua com a igreja ortodoxa russa.

domingo, 22 de abril de 2018

A Ostpolitik vaticana denunciada pelo Cardeal Korec, vítima e mártir da Igreja do Silêncio

Cardeal João Crisostomo Korec
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Um dos cardeais que sofreram na própria pele dores de martírio pelas mãos do comunismo foi o Cardeal eslovaco João Crisóstomo Korec (1924-2015).

O Cardeal Korec deixou para história uma das maiores increpações à essa política com o comunismo soviético e que o Vaticano agora está tentando reeditar na China marxista.

O bispo mais jovem do mundo

O Cardeal João Crisóstomo Korec foi sagrado bispo secretamente na Checoslováquia quando tinha apenas 27 anos. Então era o bispo mais jovem do mundo!

A história do Cardeal Korec sob o comunismo é realmente dramática.

Ordenado sacerdote em 1950, um ano mais tarde se tornou sucessor dos apóstolos, numa cerimônia “feita às pressas, de medo que a polícia irrompesse a qualquer momento.”

Passou os nove anos seguintes trabalhando como operário numa fábrica até que em 1960 foi preso e encarcerado junto com mais seis bispos e 200 sacerdotes.

Ele foi liberado no ano de 1968 durante a chamada “Primavera de Praga”. Na época se encontrava gravemente doente.

Após a brutal repressão soviética ele continuou seu apostolado, mas sob os aspectos de um humilde gari. Em contrapartida, ele pode celebrar a Santa Missa de público pela primeira vez.

domingo, 15 de abril de 2018

Putin preside reabilitação
do maior assassino do século XX

Mulher protesta contra busto de Stalin erigido por entidade de Putin no centro de Moscou
Mulher protesta contra busto de Stalin erigido por entidade de Putin no centro de Moscou.
Luis Dufaur
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Tudo começou em 2009, quando a estação de metro Kourskaïa em Moscou foi ornamentada com a inscrição: “Foi Stalin quem nos educou na fidelidade ao povo, que nos inspirou no nosso trabalho e nas nossas realizações”, noticiou a agência France Press.

As autoridades tentaram abafar o pasmo dizendo que a estação foi restaurada em seu aspecto original: o da sinistra época stalinista.

Foi a primeira pedra. Nos últimos anos, bustos de Stalin, o ditador preferido de Vladimir Putin, vêm sendo erigidos em diversas cidades da Rússia, inclusive no centro de Moscou em setembro de 2017.

A onda é promovida pela Sociedade Russa de História Militar, instituto fundado pelo próprio presidente Vladimir Putin e dirigido pelo ministro de Cultura Vladimir Medinski.

Até então, todo 5 de março, dia da morte de Stalin, alguns magotes de velhíssimos militantes comunistas, sempre mais diminuídos, colocavam flores no túmulo do maior assassino de massa da História.

O túmulo está detrás do mausoléu de Lenin na Praça Vermelha, diante das muralhas do Kremlin. Eles eram conduzidos pelo líder do Partido Comunista Guennadi Ziuganov. Esse partido é um mofado resíduo do velho PC que na Duma nunca deixou de apoiar a Putin, mas se estiolava na insignificância.

Agora, eles se sentem revigorados pelo apoio do dono do Kremlin. O governador da região de Stavropol (sul), Vladimir Vladimirov, se orgulha de exibir sobre seu escritório um pequeno busto do maior criminoso do século XX. Ele sabe que assim ganha o favorecimento do chefe máximo.

domingo, 8 de abril de 2018

“Narcomalas” na embaixada russa
e a psy war de Putin no Mundial

Quase 400 quilos de cocaína pura em malas diplomáticas na embaixada russa de Buenos Aires.jpg
Quase 400 quilos de cocaína pura em malas diplomáticas
na embaixada russa de Buenos Aires.
Luis Dufaur
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Na embaixada russa de Buenos Aires foram sequestrados 389 quilos de cocaína ocultos em 12 malas diplomáticas. O caso vinha sendo acompanhado a nível internacional.

Ficando impossível ocultar o fato a embaixada decidiu colaborar com a polícia argentina, noticiou o diário portenho “La Nación”.

Andrey Kovalchuk, funcionário russo conhecido como “senhor K”, representante de uma empresa de charutos, assaz conhecido por seus generosos presentes, deixou as malas em dependências da embaixada onde tinha amigos.

A polícia argentina trocou a droga por farinha e agiu de modo a que o “empresário” patenteasse o percurso da droga até ser preso pela policia em Berlim, etapa com destino a Moscou.

Em Buenos Aires, foram detidos cúmplices que trabalhavam na embaixada e na própria polícia portenha.

O caso não foi o primeiro. Na Espanha e em Portugal uma operação policial conjunta permitiu sequestrar mais de uma tonelada de cocaína pura estocada para ser enviada à Rússia para vender no Mundial.

domingo, 1 de abril de 2018

Kremlin encomenda homicídio
e gera onda mundial de retaliações

Mais de 60 pessoas envenenadas na área do crime
Mais de 60 pessoas envenenadas na área do crime
Luis Dufaur
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De momento, somam mais de 120 os diplomatas russos expulsos dos EUA e de 18 países da União Europeia, além da Ucrânia, do Canadá, da Noruega e da Austrália em represaria pela tentativa de assassinato do ex-espião russo Sergueï Skripal e de sua filha Iulia.

Há outros 144 em vista, inclusive acreditados na NATO, de acordo com a France Press.

Só os EUA expulsaram 60, 12 dos quais seriam espiões ativos na ONU. Também fechou o consulado russo em Seattle que estaria perto demais de uma base de submarinos atômicos.

A Rússia revidou expulsando outros 60 diplomatas americanos e fechando o consulado dos EUA em São Petersburgo.

A primeira ministra britânica Teresa May declarou Moscou “culpado” do crime. A chancelaria russa respondeu se tratar de “uma grosseira provocação” e começou as retaliações expulsando 60 diplomáticos dos EUA e fechando o consulado americano em São Petersburgo.

domingo, 18 de março de 2018

Putin faz monumentos ao fundador do Gulag.
Vítimas contam a realidade vivida

A lembrança das incontáveis vítimas injustiçadas ainda está viva
A lembrança das incontáveis vítimas injustiçadas ainda está viva
Luis Dufaur
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“O demônio da ira de Caim, a arbitrariedade e a ferocidade mais selvagens, se ensenhorearam da Rússia nos dias em que se glorificava a instauração dos princípios da igualdade, da fraternidade e da liberdade”.

Esse é o testemunho de Ivão Bunin (1870-1953) que conseguiu fugir da Revolução libertadora do povo em 1918. Ele levou seus apontamentos redigidos no calor das revoluções, e que lhe serviram para ganhar o Nobel de Literatura em 1933, segundo descreve reportagem de “El Mundo” de Madri.

Pronunciar o nome de Ivão Bunin na Rússia comunista era suficiente para ser acusado de “propaganda antissoviética” e condenado a trabalhos forçados.

Foi o que aconteceu com Varlam Shalamov. “Você dizia que Bunin era um grande escritor russo...” começou o comissário do povo. Seu caso, então, já estava julgado e a condenação já estava lavrada.

De início, Varlam passou um mês numa cela de castigo em Dzhelgala: o alimento diário era de trezentas gramas de pão e uma xícara de água.

domingo, 11 de março de 2018

Putin reconhece empobrecimento
e intoxicação popular na Rússia

'Chaminés do inferno' como em Norilsk, provocam o enegrecimento da neve. O passado não foi mudado posto o 'atraso' da 'nova URSS' de Putin.
'Chaminés do inferno' como em Norilsk, provocam o enegrecimento da neve.
O passado não foi mudado posto o 'atraso' da 'nova URSS' de Putin.
Luis Dufaur
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Procurando fazer um bonito papel nas eleições presidências que o devem reconduzir ao poder pela enésima vez, Vladimir Putin vem prodigando promessas ao sofrido povo russo.

Ditas promessas são reveladoras da miséria em que ele mantém esse grande povo, sacrificado em benefício de suas pretensões hegemônicas mundialistas.

Segundo a agência France Press, Putin agora está garantido que pretende lutar contra a “neve negra”, ou a neve que cai com nojenta cor carregando a imensa acumulação de poluição jogada no ar por velhas fábricas soviéticas.

É claro que o macrocapitalismo publicitário há anos vem apresentando o saudosista da URSS como um campeão pela ecologia do planeta. Agora, suas próprias palavras desvendam o que de fato fez em décadas de governo.

Outro objetivo anunciado é procurar água potável para o povo e combater o “smog” ou contaminação do ar que afeta os russos, a ponto de, segundo Putin, não existir no país “nenhum local onde se refugiar”.

“É difícil falar de uma vida longa e de boa saúde quando, ainda no presente, milhões de pessoas devem beber água que não corresponde às normas, quando cai neve negra como em Krasnojarsk, e quando os habitantes dos grandes centros industriais não veem o sol durante semanas por culpa da fumaça”, disse ele no discurso anual diante da Duma, ou Parlamento.

domingo, 4 de março de 2018

Putin renova sonhos de restaurar a União Soviética

Big Brother da Rússia renova anseios de reconstituir a URSS
Big Brother da Rússia renova anseios de reconstituir a URSS
Luis Dufaur
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Num ato eleitoral no enclave de Kaliningrado, encaixado em posição estratégica entre a Alemanha e a Polônia com aceso direto ao Mar Báltico Putin afastou qualquer dúvida a respeito de sua sintonia profunda com a falida União Soviética de Lenin e Stalin.

Se ele tivesse a possibilidade de modificar a história recente da Rússia, afirmou ele, impediria o desabamento da URSS, segundo informaram as agências de imprensa russas, referidas pela agência ocidental Reuters.

Putin falou nesse enclave militar quando faltavam pouco mais de duas semanas para sua enésima reeleição à presidência já descontada após a eliminação dos opositores que podiam lhe fazer sombra.

Uma pessoa presente perguntou-lhe qual seria o evento da história russa que ele gostaria mudar e respondeu sem hesitação: “o afundamento da União Soviética”.

O todo-poderoso chefe da Rússia, já em 2005 havia definido o desmantelamento da URSS acontecido em 1991 de “a maior catástrofe geopolítica” do século XX.

Esse sonho de recuperar a URSS e lhe obter o domínio universal foi renovado por Putin no dia 1º de março, segundo nosso calendário.

Na data ele pronunciou discurso ante a Duma (Parlamento) de Moscou de importância comparável à do ‘Discurso sobre o Estado da União’ que o presidente americano profere todo ano,

Ele não só tratou de difícil situação do país cada vez mais empobrecido nos últimos anos em decorrência das aventuras militares contra a Ucrânia e as subsequentes represálias econômicas ocidentais.

Malgrado a decadência econômica ele exibiu vídeos montados em laboratórios virtuais do que seriam as armas de guerra “invencíveis” com as que tentaria assentar seu sonho de hegemonia universal, noticiou a BBC Mundo.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Jornalista tenta investigar os trolls rusos
e recebe ameaças de morte

Jessikka achou que iria investigar uma realidade como qualquer outra. E ficou apavorada com o que lhe aconteceu
Jessikka achou que iria investigar uma realidade como qualquer outra.
E ficou apavorada com o que lhe aconteceu
Luis Dufaur
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A jornalista finlandesa Jessikka Aro não imaginou o que sofreria em carne própria ao pretender se informar sobre o exército de trolls russos.

Ela própria acabou contando ao jornal “Clarin” de Buenos Aires os inesperados desagradáveis que lhe aconteceram após ter tentado penetrar o mundo “dos propagandistas pro Kremlin nas redes sociais”.

Ela no imaginou que ingressaria numa guerra invisível onde as táticas consistem em assediar, desalentar, intimidar e caluniar.

O centro do campo de batalha é as redes sociais, onde os trolls – usuários contratados para assediar, criticar ou provocar – criam contas ou perfis falsos, inventam seguidores, multiplicam ataques reproduzindo-os em outras contas ou perfis fake (falsos), mentindo sem remorso.

Não se trata de uma pura novidade. Isso já existia no jornalismo. E segue existindo mas de um modo potencializado pelos recursos tecnológicos.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Rede da “guerra da informação” russa
é pega e indiciada nos EUA

Trolls falam para jornalistas
Trolls falam para jornalistas sob sigilo
Luis Dufaur
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Treze “soldados” e 3 associações da Rússia que integram o “exército” cibernético do Kremlin foram indiciados no dia 16 de fevereiro (2018) pela Justiça americana, informou “O Estado de S.Paulo”.

A acusação é conspirar para interferir na eleição presidencial americana de 2016 com o objetivo de minar o sistema político dos EUA e favorecer a candidatura de Donald Trump.

Os ilícitos apontados incluem disseminação de informações falsas na internet.

Também incluem a organização de manifestações, o recrutamento de ativistas e o envio de releases a veículos de imprensa por parte de uma organização secreta.

Trump defende se tratar de uma invenção de seus rivais democratas para justificar a derrota de sua candidata.

As informações das atividades russas foram fornecidas por investigação do FBI, contidas num documento de 37 páginas apresentado pelo procurador especial Robert Mueller.