domingo, 15 de abril de 2018

Putin preside reabilitação
do maior assassino do século XX

Mulher protesta contra busto de Stalin erigido por entidade de Putin no centro de Moscou
Mulher protesta contra busto de Stalin erigido por entidade de Putin no centro de Moscou.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Tudo começou em 2009, quando a estação de metro Kourskaïa em Moscou foi ornamentada com a inscrição: “Foi Stalin quem nos educou na fidelidade ao povo, que nos inspirou no nosso trabalho e nas nossas realizações”, noticiou a agência France Press.

As autoridades tentaram abafar o pasmo dizendo que a estação foi restaurada em seu aspecto original: o da sinistra época stalinista.

Foi a primeira pedra. Nos últimos anos, bustos de Stalin, o ditador preferido de Vladimir Putin, vêm sendo erigidos em diversas cidades da Rússia, inclusive no centro de Moscou em setembro de 2017.

A onda é promovida pela Sociedade Russa de História Militar, instituto fundado pelo próprio presidente Vladimir Putin e dirigido pelo ministro de Cultura Vladimir Medinski.

Até então, todo 5 de março, dia da morte de Stalin, alguns magotes de velhíssimos militantes comunistas, sempre mais diminuídos, colocavam flores no túmulo do maior assassino de massa da História.

O túmulo está detrás do mausoléu de Lenin na Praça Vermelha, diante das muralhas do Kremlin. Eles eram conduzidos pelo líder do Partido Comunista Guennadi Ziuganov. Esse partido é um mofado resíduo do velho PC que na Duma nunca deixou de apoiar a Putin, mas se estiolava na insignificância.

Agora, eles se sentem revigorados pelo apoio do dono do Kremlin. O governador da região de Stavropol (sul), Vladimir Vladimirov, se orgulha de exibir sobre seu escritório um pequeno busto do maior criminoso do século XX. Ele sabe que assim ganha o favorecimento do chefe máximo.

O culto de Stalin reduzido a poucos saudosistas ganhou novo impulso com Putin
O culto de Stalin reduzido a poucos saudosistas ganhou novo impulso com Putin
A sociedade russa está profundamente dividida sobre a memória do ditador marxista. Para alguns nacionalistas ele foi o motor da industrialização do país e o artífice da vitória na II Guerra Mundial.

Mas muitos denunciam o tirano responsável de por volta de vinte milhões de pessoas cruelmente fuziladas, enviadas aos campos de concentração, mortas de fome ou deportadas para a Sibéria em aras da utopia da igualdade.

Em dezembro 2017, continua a AFP, o chefe da FSB (a polícia putinista que deu continuidade à KGB soviética), Alexandre Bortnikov, afirmou que uma “parte significativa” dos arquivos elaborados durante os expurgos stalinistas “tinham base real” e visavam “conspiradores” e pessoas “ligadas a serviços de espionagem estrangeiros”. Leia-se: Stalin fez bem em matá-los.

Trinta membros da Academia de Ciências da Rússia protestaram contra essa tentativa de “justificar os expurgos massivos dos anos 30 e 40, caracterizados por falsas condenas, torturas e execuções de centenas de milhares de compatriotas inocentes”.

“O problema é que nossos compatriotas não percebem a extensão dos crimes de Stalin e não sabem o que foram esses expurgos”, declarou a France Press o historiador Ian Ratchinski, da organização Memorial, a principal ONG que defende os Direitos Humanos na Rússia.

Memorial desenvolve um trabalho de primeira importância nas pesquisas das vítimas da repressão stalinista, mas está sendo hostilizada pelo regime que a acusa de “agente do estrangeiro”.

Em sentido contrário, no mês de fevereiro (2018), Vladimir Putin louvou o “devotamento” do escritor e jornalista russo Alexandre Prokhanov, grande defensor de Stalin, que comemorou seus 80 anos.

Estudantes de escola militarizada na inauguração de bustos de Stalin e Lenin no centro de Moscou
Estudantes de escola militarizada na inauguração
de bustos de Stalin e Lenin no centro de Moscou
O presidente russo pôs limites à critica do maior exterminador de vidas humanas do século XX sofismando que “uma demonização excessiva de Stalin é um modo de atacar a União Soviética e a Rússia”.

Ainda em fevereiro 2018, o Ministério da Cultura proibiu a difusão da comédia “A morte de Stalin”, qualificando-a “burla insultante do passado soviético, o país que venceu o fascismo”.

A venda de souvenirs e calendários com a esfinge do déspota cresce em livrarias, museus ou aeroportos, enquanto numerosos longas laudatórios são difundidos nas TVs públicas.

O efeito se faz sentir. Em junho 2017, Stalin chegou em primeiro numa sondagem do centro independente Levada sobre as personalidades mais destacadas do mundo em todas as épocas.

“A amnésia histórica é favorecida pela política do poder russo que conjuga a mitificação do passado soviético com uma justificação velada de seus próprios crimes”, destacou Lev Goudkov, do centro Levada.


domingo, 8 de abril de 2018

“Narcomalas” na embaixada russa
e a psy war de Putin no Mundial

Quase 400 quilos de cocaína pura em malas diplomáticas na embaixada russa de Buenos Aires.jpg
Quase 400 quilos de cocaína pura em malas diplomáticas
na embaixada russa de Buenos Aires.
Luis Dufaur
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Na embaixada russa de Buenos Aires foram sequestrados 389 quilos de cocaína ocultos em 12 malas diplomáticas. O caso vinha sendo acompanhado a nível internacional.

Ficando impossível ocultar o fato a embaixada decidiu colaborar com a polícia argentina, noticiou o diário portenho “La Nación”.

Andrey Kovalchuk, funcionário russo conhecido como “senhor K”, representante de uma empresa de charutos, assaz conhecido por seus generosos presentes, deixou as malas em dependências da embaixada onde tinha amigos.

A polícia argentina trocou a droga por farinha e agiu de modo a que o “empresário” patenteasse o percurso da droga até ser preso pela policia em Berlim, etapa com destino a Moscou.

Em Buenos Aires, foram detidos cúmplices que trabalhavam na embaixada e na própria polícia portenha.

O caso não foi o primeiro. Na Espanha e em Portugal uma operação policial conjunta permitiu sequestrar mais de uma tonelada de cocaína pura estocada para ser enviada à Rússia para vender no Mundial.

A rede vinha sendo rastreada pela polícia argentina há tempos
A rede vinha sendo rastreada pela polícia argentina há tempos
Essas ocorrências estavam previstas pelas polícias, pois há estreita conexão entre os mundiais de futebol e a droga.

Milhares de torcedores frenéticos são consumidores potenciais de drogas euforizantes, escreveu o quotidiano “Clarín” de Buenos Aires.

Isso se verificou por ocasião dos Mundiais de 2014 e da África do Sul. Em 2016 se repetiu nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, confirmando a tendência.

Em 2008, a polícia sul-africana detectou depósitos de droga enterrados à espera do Mundial. Os tóxicos provinham da América do Sul eram levados por nigerianos desde Buenos Aires onde as redes narcotraficantes mantinham boas relações com membros do governo populista kirchnerista.

No Mundial no Brasil e nos Jogos Olímpicos do Rio a droga fluiu de modo direto e prioritário da Bolívia, embora milhares de quilos fossem sequestrados pelas autoridades peruanas e uruguaias.

O “senhor K”, dono das 12 “narcomalas” agora apreendidas em Buenos Aires estava nas listas da Interpol com ordem de prisão.

O 'senhor K' russo montou o esquema se apresentando como generoso empresário,.
O 'senhor K' russo montou o esquema se apresentando como generoso empresário,.
Mas nos tempos kirchneristas viajava a vontade à Argentina, onde mantinha relações estreitas com o administrador econômico da embaixada russa, segundo “La Nación”.

A Rússia é dos maiores consumidores de drogas pesadas, responsáveis de um tão grande número de óbitos no país que é fator de diminuição da idade média dos adultos homens.

A abundância da droga é um dos “condimentos” necessários para o sucesso do Mundial de Putin.

Segundo o chanceler britânico, Boris Johnson, o presidente russo tenta recuperar a imagem cada vez mais negativa da Rússia com uma organização propagandística da Copa do Mundo.

Para isso, age de modo análogo ao Ministro da Propaganda alemão Joseph Goebbels.

Esse montou uma operação de “guerra psicológica” para promover seu patrão Adolf Hitler, por ocasião dos Jogos Olímpicos de 1936 em Berlim, observou “La Nacíón”.

“Sim, acredito que a comparação com 1936 é certamente correta”, respondeu Johnson a uma comissão de legisladores britânicos quando indagado sobre o tema.

Johnson manifestou sentir “náuseas” pensando nos benefícios políticos que pode trazer o megaevento esportivo ao sistema putinista. Mas, não se associou aos parlamentares que pediam que a seleção da Inglaterra não participasse nessa Copa.

Operativo internacional acompanhou os contatos do agente russo 'Senhor K'.
Operativo internacional acompanhou os contatos do agente russo 'Senhor K'.
A porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova, obviamente recusou qualquer comparação entre os ditadores. Mas o desmentido soou oco e meramente formal.

O atrito se deu em plena crise entre a Rússia e os países ocidentais, notadamente a Grã Bretanha pelo envenenamento do ex-agente russo Sergueï Skripal e de sua filha Julia – além de mais 60 pessoas indiretamente atingidas – com um poderoso agente neurotóxico, propriedade exclusiva dos serviços secretos russos.

A chancelaria britânica elaborou uma lista de advertências para os torcedores ingleses que pretendem ir aos jogos na Rússia.

Johnson também considerou que o atentado com o veneno não pode ter sido cometido sem uma aprovação formal do presidente Vladimir Putin e de agentes submetidos diretamente a ele numa “corrente de responsabilidades que conduz inexoravelmente até a cúpula do Estado russo”.

A “guerra psicológica” travada pela Rússia contra Ocidente torna as fontes de entretenimento em cenários de propaganda de fundo ideológico associada ao crime.


domingo, 1 de abril de 2018

Kremlin encomenda homicídio
e gera onda mundial de retaliações

Mais de 60 pessoas envenenadas na área do crime
Mais de 60 pessoas envenenadas na área do crime
Luis Dufaur
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De momento, somam mais de 120 os diplomatas russos expulsos dos EUA e de 18 países da União Europeia, além da Ucrânia, do Canadá, da Noruega e da Austrália em represaria pela tentativa de assassinato do ex-espião russo Sergueï Skripal e de sua filha Iulia.

Há outros 144 em vista, inclusive acreditados na NATO, de acordo com a France Press.

Só os EUA expulsaram 60, 12 dos quais seriam espiões ativos na ONU. Também fechou o consulado russo em Seattle que estaria perto demais de uma base de submarinos atômicos.

A Rússia revidou expulsando outros 60 diplomatas americanos e fechando o consulado dos EUA em São Petersburgo.

A primeira ministra britânica Teresa May declarou Moscou “culpado” do crime. A chancelaria russa respondeu se tratar de “uma grosseira provocação” e começou as retaliações expulsando 60 diplomáticos dos EUA e fechando o consulado americano em São Petersburgo.

Teresa May falando diante do Parlamento denunciou “um uso ilegal da força pelo Estado russo contra o Reino Unido” e qualificou “trágica” a recusa de explicações por parte de Putin.

O Conselho de Segurança da ONU convocado por Londres, reconhecendo a mão russa emitiu uma condenação “especialmente débil” como é de praxe nesse organismo quando se trata das esquerdas.

Sergueï Skripal e sua filha Iulia
Sergueï Skripal e sua filha Iulia
O secretário geral da ONU Antônio Guterres também fez uma condena meramente verbal e sem consequências.

A NATO e o presidente americano Donald Trump pediram retaliações pelo uso de “armes odientas em violação flagrante das normas internacionais”, mas não iriam muito mais longe.

O veneno usado, o Novitchok, foi preparado pela KGB na época soviética. Um de seus inventores, Vil Mirzayanov, que vive nos EUA, disse à France Press que só a Rússia o possui.

Vil Mirzayanov explicou que qualquer um que for exposto “ainda que a pequenas partículas desse gás nervoso letal vai desenvolver sintomas nos próximos anos”, escreveu “Clarin”.

“Foi concebido para produzir danos irreparáveis no corpo humano e não tem cura”, acrescentou. Segundo ele, Sergei e sua filha Julia Skripal “ficarão inválidos se sobrevivem e vão precisar assistência médica pelo resto da vida”.

O Novitchok foi elaborado num laboratório num complexo militar soviético no Uzbequistão. Foi feito para não ser detectado pelos inspetores internacionais e testado nas proximidades de Ustiurt, violando tratados assinado por Moscou.

Agora foi usado pela primeira vez.

Alexandre Litvinenko, antes e depois do envenenamento em 2006. Em livro, denunciou que Putin reativou o laboratório dos venenos
Alexandre Litvinenko, antes e depois do envenenamento em 2006.
Em livro, denunciou que Putin reativou o laboratório dos venenos
Há décadas que a KGB e agora a FSB estão elaborando novas armas químicas, escreveu o jornal “Le Parisien” da França.

A célula de pesquisa de venenos tóxicos foi instituída em 1921 por Lenine para combater “os inimigos do poder soviético”.

E as fórmulas assassinas foram testadas em dezenas de “execuções” dissimuladas de crise cardíaca, suicídios ou depressões de dissidentes e opositores.

No livro “A era dos assassinos”, publicado em 2002, Alexandre Litvinenko, ex-agente dos serviços de Putin assassinado em 2006 em Londres, afirma que o laboratório dos venenos do Kremlin foi reativado nos anos 1990.

Litvinenko teve uma morte lenta e dolorosa envenenado por um agente do Kremlin com uma substância altamente radioativa, o polônio 210.

Da mesma maneira que hoje Skripal, a morte cruel dada a Litvinenko, traz uma mensagem para todos os opositores: “A FSB odeia os traidores”, segundo disse o antigo general da KGB Oleg Kalouguine.

“Le Parisien” faz uma longa e pormenorizada lista das perversas fórmulas desenvolvidas e aperfeiçoadas pelos serviços de Putin.

Teste do Satã-2 na base de Plesetsk. Foto: Ministério da Defesa da Rússia.
Teste do Satã-2. Foto: Ministério da Defesa da Rússia.
A tensão se assemelha a outras da Guerra Fria e seria contornável com diplomacia. Mas a Rússia atiçou o atrito anunciando ter testado um novo míssil balístico intercontinental, como informou a “Folha de S.Paulo”.

O Ministério da Defesa russo, disse ter testado o desempenho no estágio inicial de voo do míssil do Sarmat (segundo a denominação russa) ou Satã 2 na denominação ocidental. O teste ocorreu na base de Plesetsk, no noroeste da Rússia, testou.

O Sarmat deve substituir o Voyevoda, o míssil mais pesado do mundo, da era soviética, conhecido como “Satã 1”.

Ao apresenta-lo, Vladimir Putin comemorou que o míssil não pode ser interceptado e pode atingir alvos em qualquer lugar do mundo.

O líder russo ufanou-se de que a nova versão de “Satã” pode carregar mais ogivas nucleares que o antecessor e é mais difícil de interceptar.

O nome foi inspirado pela capacidade alardeada pelo Kremlin de que um só, dotado de muitas ogivas atômicas, pode destruir um estado das dimensões do Texas, ou um país do tamanho da França.



Vídeo: Kremlin encomenda homicídio e gera onda mundial de retaliações


Crise diplomática entre Rússia e Reino Unido agrava-se




Caso Skripal: Boris Johnson reforça críticas à Rússia



domingo, 18 de março de 2018

Putin faz monumentos ao fundador do Gulag.
Vítimas contam a realidade vivida

A lembrança das incontáveis vítimas injustiçadas ainda está viva
A lembrança das incontáveis vítimas injustiçadas ainda está viva
Luis Dufaur
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“O demônio da ira de Caim, a arbitrariedade e a ferocidade mais selvagens, se ensenhorearam da Rússia nos dias em que se glorificava a instauração dos princípios da igualdade, da fraternidade e da liberdade”.

Esse é o testemunho de Ivão Bunin (1870-1953) que conseguiu fugir da Revolução libertadora do povo em 1918. Ele levou seus apontamentos redigidos no calor das revoluções, e que lhe serviram para ganhar o Nobel de Literatura em 1933, segundo descreve reportagem de “El Mundo” de Madri.

Pronunciar o nome de Ivão Bunin na Rússia comunista era suficiente para ser acusado de “propaganda antissoviética” e condenado a trabalhos forçados.

Foi o que aconteceu com Varlam Shalamov. “Você dizia que Bunin era um grande escritor russo...” começou o comissário do povo. Seu caso, então, já estava julgado e a condenação já estava lavrada.

De início, Varlam passou um mês numa cela de castigo em Dzhelgala: o alimento diário era de trezentas gramas de pão e uma xícara de água.

O interrogador Fiódorov cobria o rostro “com um lenço perfumado” durante os interrogatórios, sinal do estado do preso.

Varlam Shalamov contou o que viveu em 'Relatos de Kolima'.
Varlam Shalamov contou o que viveu em 'Relatos de Kolima'.
Varlam reconheceu seu “crime: “é um grande escritor russo. Por isso serei condenado?”, preguntou no desespero.

Foi sentenciado a 10 anos de trabalhos extras no extremo oriente do país, na jazida mineira de Kolima, região de Magadán, entre o mar da Sibéria e o Ártico, onde o inverno dura 12 meses.

Foi lá que Varlam coletou os dados para o desgarrador testemunho literário de os “Relatos de Kolima” que agora foi traduzido por vez primeira para o espanhol e se tornaram acessíveis.

Varlam confessa que ele era “um firmes partidário do poder soviético”. Foi militante leninista quando estudante universitário em Moscou.

Em 1929, o novo ditador Stalin já se tinha consolidado no poder e suprimido os opositores.

Valam foi preso pela primeira vez por difundir do Testamento de Lenin e condenado a três anos de trabalhos forçados numa indústria químico-papeleira em Víshera, região dos Urais.

Voltou a Moscou nos anos 30 para ser aprisionado durante “O Grande Terror”, o mais terrível período de expurgos, detenções e assassinatos de massa do stalinismo.

Foi condenado como “inimigo do povo” no verão de 1937 acusado de “atividades contrarrevolucionárias trotskistas” (KRTD, segundo a sigla em russo).

Virou escravo até sua libertação 1953, ano da morte de Stalin.

Até aquele ano, segundo a historiadora Anne Applebaum, desde 1929 data da grande expansão do Gulag, ou sistema de campos de trabalhos forçados, 18 milhões de pessoas viraram escravas do comunismo.

Num gulag feminino
Num gulag feminino
O Gulag devia ser o eixo econômico do império soviético.

Para explorar os recursos naturais das zonas mais inóspitas do gigantesco território russo, planificadores e engenheiros ao serviço da ideologia marxista montaram projeto de povoamento forçado de locais inabitados e inabitáveis onde o chão ficava gelado a maior parte do ano.

Etnias ou cidades inteiras foram levadas pela violência policial para fundar cidades, construir portos, ferrovias, faraônicas infraestruturas como o canal do Mar Branco, explorar minas de ouro, de urânio, de carvão, poços de petróleo e derrubar milhares de hectares de bosques para aproveitar a madeira.

Tal vez milhões de caveiras jazem sob essas “realizações” amaldiçoadas.

Shalamov passou nisso 20 anos. Foi comemorado pelos amigos quando voltou, mas ele já nunca mais poderia se sentir membro da intelectualidade que frequentou na juventude.

Solzhenitsin lhe propôs escrever juntos o livro denúncia que depois ficou famoso como “Arquipélago Gulag”.

Mas Varlam achou que as descrições de Solzhenitsin estavam muito aquém do retrato dos horrores que ele tinha padecido. Pareciam-lhe construções filhas da fantasia.

O “Arquipélago Gulag”, segundo ele, descreve de modo propagandístico campos de trabalho idealizados que não detalham em toda sua crueza aqueles onde Varlam trabalhou.

Desenhos das toruras
Desenhos das toruras
Varlam trabalhou nos “Relatos de Kolima” até que a doença o derrubou. Seu livro testemunho viu a luz por vez primeira em Londres, em 1978.

Longe da fé, enlouquecido pelas lembranças dos horrores vividos, morreu em janeiro de 1982 num centro para doentes psiquiátricos crônicos, tal vez recitando para si algum de seus patéticos e alucinados versos:

“Comi como um animal, / bebi como uma besta, lambendo a água / cada noite / ficava surpreso de estar vivo ainda / sussurrava versos como orações. / E os venerava como um ícone salvo na batalha, / como uma estrela que guiava meu caminho”.

Hoje, empossado mais uma vez como presidente da “URSS 2.0”, Vladimir Putin reergue monumentos a Stalin, o carrasco que torturou a Varlam e a milhões de outros cidadãos russos.


Vídeo: Kolima e Magadan: o Parque de Diversão do Diabo





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domingo, 11 de março de 2018

Putin reconhece empobrecimento
e intoxicação popular na Rússia

'Chaminés do inferno' como em Norilsk, provocam o enegrecimento da neve. O passado não foi mudado posto o 'atraso' da 'nova URSS' de Putin.
'Chaminés do inferno' como em Norilsk, provocam o enegrecimento da neve.
O passado não foi mudado posto o 'atraso' da 'nova URSS' de Putin.
Luis Dufaur
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Procurando fazer um bonito papel nas eleições presidências que o devem reconduzir ao poder pela enésima vez, Vladimir Putin vem prodigando promessas ao sofrido povo russo.

Ditas promessas são reveladoras da miséria em que ele mantém esse grande povo, sacrificado em benefício de suas pretensões hegemônicas mundialistas.

Segundo a agência France Press, Putin agora está garantido que pretende lutar contra a “neve negra”, ou a neve que cai com nojenta cor carregando a imensa acumulação de poluição jogada no ar por velhas fábricas soviéticas.

É claro que o macrocapitalismo publicitário há anos vem apresentando o saudosista da URSS como um campeão pela ecologia do planeta. Agora, suas próprias palavras desvendam o que de fato fez em décadas de governo.

Outro objetivo anunciado é procurar água potável para o povo e combater o “smog” ou contaminação do ar que afeta os russos, a ponto de, segundo Putin, não existir no país “nenhum local onde se refugiar”.

“É difícil falar de uma vida longa e de boa saúde quando, ainda no presente, milhões de pessoas devem beber água que não corresponde às normas, quando cai neve negra como em Krasnojarsk, e quando os habitantes dos grandes centros industriais não veem o sol durante semanas por culpa da fumaça”, disse ele no discurso anual diante da Duma, ou Parlamento.

domingo, 4 de março de 2018

Putin renova sonhos de restaurar a União Soviética

Big Brother da Rússia renova anseios de reconstituir a URSS
Big Brother da Rússia renova anseios de reconstituir a URSS
Luis Dufaur
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Num ato eleitoral no enclave de Kaliningrado, encaixado em posição estratégica entre a Alemanha e a Polônia com aceso direto ao Mar Báltico Putin afastou qualquer dúvida a respeito de sua sintonia profunda com a falida União Soviética de Lenin e Stalin.

Se ele tivesse a possibilidade de modificar a história recente da Rússia, afirmou ele, impediria o desabamento da URSS, segundo informaram as agências de imprensa russas, referidas pela agência ocidental Reuters.

Putin falou nesse enclave militar quando faltavam pouco mais de duas semanas para sua enésima reeleição à presidência já descontada após a eliminação dos opositores que podiam lhe fazer sombra.

Uma pessoa presente perguntou-lhe qual seria o evento da história russa que ele gostaria mudar e respondeu sem hesitação: “o afundamento da União Soviética”.

O todo-poderoso chefe da Rússia, já em 2005 havia definido o desmantelamento da URSS acontecido em 1991 de “a maior catástrofe geopolítica” do século XX.

Esse sonho de recuperar a URSS e lhe obter o domínio universal foi renovado por Putin no dia 1º de março, segundo nosso calendário.

Na data ele pronunciou discurso ante a Duma (Parlamento) de Moscou de importância comparável à do ‘Discurso sobre o Estado da União’ que o presidente americano profere todo ano,

Ele não só tratou de difícil situação do país cada vez mais empobrecido nos últimos anos em decorrência das aventuras militares contra a Ucrânia e as subsequentes represálias econômicas ocidentais.

Malgrado a decadência econômica ele exibiu vídeos montados em laboratórios virtuais do que seriam as armas de guerra “invencíveis” com as que tentaria assentar seu sonho de hegemonia universal, noticiou a BBC Mundo.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Jornalista tenta investigar os trolls rusos
e recebe ameaças de morte

Jessikka achou que iria investigar uma realidade como qualquer outra. E ficou apavorada com o que lhe aconteceu
Jessikka achou que iria investigar uma realidade como qualquer outra.
E ficou apavorada com o que lhe aconteceu
Luis Dufaur
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A jornalista finlandesa Jessikka Aro não imaginou o que sofreria em carne própria ao pretender se informar sobre o exército de trolls russos.

Ela própria acabou contando ao jornal “Clarin” de Buenos Aires os inesperados desagradáveis que lhe aconteceram após ter tentado penetrar o mundo “dos propagandistas pro Kremlin nas redes sociais”.

Ela no imaginou que ingressaria numa guerra invisível onde as táticas consistem em assediar, desalentar, intimidar e caluniar.

O centro do campo de batalha é as redes sociais, onde os trolls – usuários contratados para assediar, criticar ou provocar – criam contas ou perfis falsos, inventam seguidores, multiplicam ataques reproduzindo-os em outras contas ou perfis fake (falsos), mentindo sem remorso.

Não se trata de uma pura novidade. Isso já existia no jornalismo. E segue existindo mas de um modo potencializado pelos recursos tecnológicos.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Rede da “guerra da informação” russa
é pega e indiciada nos EUA

Trolls falam para jornalistas
Trolls falam para jornalistas sob sigilo
Luis Dufaur
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Treze “soldados” e 3 associações da Rússia que integram o “exército” cibernético do Kremlin foram indiciados no dia 16 de fevereiro (2018) pela Justiça americana, informou “O Estado de S.Paulo”.

A acusação é conspirar para interferir na eleição presidencial americana de 2016 com o objetivo de minar o sistema político dos EUA e favorecer a candidatura de Donald Trump.

Os ilícitos apontados incluem disseminação de informações falsas na internet.

Também incluem a organização de manifestações, o recrutamento de ativistas e o envio de releases a veículos de imprensa por parte de uma organização secreta.

Trump defende se tratar de uma invenção de seus rivais democratas para justificar a derrota de sua candidata.

As informações das atividades russas foram fornecidas por investigação do FBI, contidas num documento de 37 páginas apresentado pelo procurador especial Robert Mueller.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

O Kremlin tenta silenciar,
mas as “heroínas do Gulag” falam

Os restos dos campos de trabalho, ou Gulag, ainda salpicam a geografia russa. Mas Putin quer que não se fale disso.
Os restos dos campos de trabalho, ou Gulag, ainda salpicam a geografia russa.
Mas Putin quer que não se fale disso.
Luis Dufaur
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A máquina de propaganda do Kremlin ainda hoje tenta silenciá-las, mas as “heroínas do Gulag” não temem contar os sofrimentos indizíveis que passaram na rede de campos de concentração soviéticos, ou Gulag, onde eram encerrados os “inimigos do povo”, prisioneiros políticos e opositores do regime.

No livro “Vestidas para um baile na neve” (Galaxia Gutenberg, 2017) Monika Zgustova recolheu alguns de seus estarrecedores relatos, conta reportagem de “El Mundo” de Madri.

“O complexo da fome está comigo até hoje”, lembra Janina Misik, uma das nove sobreviventes entrevistadas.

Elas eram obrigadas a trabalhar do alvorecer até o pôr do sol e só recebiam 300 gramas de pão para sustento. Por vezes lhes davam sopa de couve podre, mas quando não havia deviam se contentar com água requentada.

Como chegaram até lá?

Janina levantou-se da cama por volta das cinco da manhã de 10 de fevereiro de 1940. Homens da NKVD, predecessores da KGB e da atual FSB, berravam na sua porta.

domingo, 28 de janeiro de 2018

O comunismo é o cristianismo “sublimado” diz Putin, no ‘espírito do Vaticano II’!

`Paris bem vale uma Missa' disse Enrique IV antes de se converter para ficar rei. Para Putin a presidência da Rússia vale algumas velas. No mosteiro de Valaam.
`Paris vale uma Missa' disse Enrique IV antes de se converter para ficar rei.
Para Putin a presidência da Rússia vale algumas velas. No mosteiro de Valaam.
Luis Dufaur
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O presidente russo Vladimir Putin equiparou o comunismo com o cristianismo, e o culto do corpo de Lênin na Praça Vermelha com as honras prestadas às relíquias dos santos, informou sua fiel agência Sputnik.

Em entrevista reproduzida pela TV oficial Rossiya 1, Putin voltou a fórmulas já usadas por Fidel Castro e líderes marxistas ortodoxos para ludibriar os ocidentais temerosos de suas revoluções.

“Talvez eu agora fale uma coisa que não agrade a algumas pessoas, mas vou falar o que penso, declarou Putin.Vídeo embaixo.

“Houve os anos duros de combate à religião, quando eliminavam os sacerdotes, desmantelavam as igrejas.

“Mas, ao mesmo tempo, se criava uma nova religião.

A ideologia comunista é muito parecida com o cristianismo, de fato — a liberdade, a igualdade, a fraternidade, a justiça — tudo isso está enraizado no Livro Sagrado.

O código do construtor do comunismo é apenas uma interpretação simplificada da Bíblia, [os comunistas] não inventaram nada de novo”, afirmou.

Putin pôs num patamar quase igual o culto dos comunistas a Lênin e a devoção dos cristãos pelas relíquias dos santos, acrescentou Sputnik.

domingo, 14 de janeiro de 2018

Nuvem radioativa chegou da Rússia, mas Moscou nega

Premido pelas eleições, Putin nega tudo
Premido pelas eleições, Putin nega tudo
Luis Dufaur
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O Ocidente teme mais um tremendo acidente nuclear na Rússia. Mais exatamente em Mayak, uma instalação que está no coração do programa nuclear russo, comentou o “New York Times”.

E não é o primeiro no local. Em 1957, 60 anos atrás, ali aconteceu um dos piores acidentes da era nuclear. Mas foi afogado no segredo de Estado a ponto que os moradores vitimados adoeciam ou morriam sem saber por que.

Naquela vez, por volta de 272.000 pessoas ficaram submetidas à radiação. Taisia A. Fomina, acabava de nascer contou o jornal de Nova York. Os pais não foram informados, ela foi irradiada enquanto dormia, ficou cega e sua mãe morreu três dias depois.

Agora, autoridades em radiação da França e da Alemanha identificaram na região sul dos Urais, no próprio local de Mayak, o provável ponto de partida da nuvem contaminada com o isótopo radioativo rutênio 106 que soprou sobre a Europa.

O rutênio 106 é produzido em usinas nucleares e não é perigoso demais, porque tem uma “vida” curta: 373 dias.

domingo, 17 de dezembro de 2017

Crianças prontas para morrer por Putin

Cadete  no treino
Cadete  no treino
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Vladimir Putin é candidato a mais uma reeleição presidencial.

Aliás, Evo Morales também. Não há proximidade geográfica entre os dois. Mas sim ideológica e psicológica.

O instinto diz ao déspota que não pode largar o poder, pois as consequências pessoais podem ser irreparáveis. Falem Lula e Cristina Kirchner.

Nas últimas semanas, Putin acenou com massacres em massa no leste ucraniano – atribuindo-as à Ucrânia – e fez declarações que insinuam a guerra mundial a propósito da Coreia do Norte.

As ameaças, entretanto parecem direcionadas ao público russo. Elas visariam atemoriza-lo e aglutiná-lo em volta do atual presidente para aceitar o resultado eleitoral.

Esse resultado já deve estar pronto em algum ministério putinista. Também a aprovação pública ao ditador aumentou segundo o governo queria.

Nesse aumento de popularidade contribui o recrutamento e doutrinação de crianças-soldados. O exército carece de soldados pela acentuada queda da população e da natalidade.

Putin deitou mão de um velho recurso de ditador beirando o desespero: recrutar adolescentes e crianças para lhes dar oficialmente “educação militar e patriótica”.

domingo, 10 de dezembro de 2017

“Epidemia” de mortes estranhas dizima corpo diplomático russo

A estranha epidemia de diplomáticos russos mortos de modo inexplicado
A estranha epidemia de diplomáticos russos mortos de modo inexplicado
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Uma estranha “epidemia” atinge o corpo diplomático russo, escreveu Alain Rodier, diretor do Centro Francês de Pesquisa e Informação (CF2R), especialista em terrorismo islâmico e criminalidade organizada, em artigo para a revista “Atlantico”.

Em menos de um ano, sete diplomatas russos perderam a vida em circunstâncias pelo menos estranhas. A morte mais conhecida aconteceu em 19 de dezembro de 2016: Andrei Karlov, embaixador russo na Turquia foi assassinado por um fanático islâmico que fingia ser policial.

A ocorrência foi testemunhada e registrada pela imprensa em um museu da capital turca. O matador alegava querer vingar-se de colegas mortos em Alepo, Síria.

Foi o único caso explicável e esclarecido. Nos outros paira a sombra da contraespionagem e da polícia secreta russa FSB, também encarregada de livrar o amo do Kremlin de adversários reais ou potenciais.

No mesmo dia, Petr Polshikov, responsável pelo Departamento Latino-americano do Ministério de Relações Exteriores, foi encontrado morto em seu departamento moscovita com uma arma na mão. A FSB falou de suicídio, mas nunca se conheceram os pormenores. No silêncio, todas as hipóteses ficaram em aberto.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Militarismo e repressão consomem verbas da saúde e população diminui mais

A imoralidade e a droga tornaram o HIV uma epidemia na Rússia
A imoralidade e a droga tornaram o HIV uma epidemia na Rússia
Luis Dufaur
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Mais três fatores alarmantes sobre a diminuição da população russa vieram se somar aos já conhecidos, escreveu Paul Goble, especialista em questões étnicas e religiosas na Eurásia, em artigo para Euromaidanpress.

O primeiro deles é o dramático aumento da transmissão do HIV e o aumento das mortes por AIDS, ligados à decadência dos costumes, à adição às drogas, ao descalabro do serviço de saúde pública e à carência de medicamentos.

Segundo os especialistas em medicina russa, só no ano passado as infecções com HIV aumentaram entre 3% e 4%, com médias ainda superiores em localidades específicas.

Por isso já se fala do HIV como uma epidemia na Rússia.

Vladimir Putin cortou as verbas para a saúde com o eufemístico argumento de “otimização” das despesas. Na prática, essa “otimização” significou arrocho geral, exceto para o setor militar e para o esquema de repressão política.

A “otimização” – escreveu Goble – pode ter sido muito boa para a burocracia estatal, mas não para o povo russo, especialmente os doentes.

domingo, 26 de novembro de 2017

Luxos extravagantes: sinais de ditadores despóticos. Putin não escapa à regra


Luis Dufaur
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O presidente Vladimir Putin mantém uma extravagante e luxuosa mansão secreta com 20 hectares de jardim, numa ilha exclusiva perto da fronteira com a Finlândia, denunciou o site econômico espanhol “Expansión”.

Na verdade, a riquíssima extravagância não tem muito de novo.

É característica dos ditadores socialistas “defensores do povo”, campeões contra o capitalismo corrupto, Carlos Magnos da moralidade familiar, do cristianismo e de muitas outras qualidades que fingem ter.

domingo, 19 de novembro de 2017

Acidente revela qualidade do material bélico russo

Destaques do acidente com o helicóptero Ka-52 em exibição na Zapad 2017
Luis Dufaur
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A Rússia realizou em setembro os exercícios militares Zapad 2017 (Oeste 2010).

Eles suscitaram preocupação no Ocidente pelo número dos efetivos oficialmente anunciados (12.700 militares, dos quais 7.200 bielorrussos e 5.500 russos) e pelo volume do equipamento usado (cerca de 70 aviões e helicópteros, 250 carros de combate, 200 sistemas de artilharia, lança-foguetes múltiplos e morteiros, e 10 navios de guerra).

Segundo os observadores ocidentais, os números teriam sido ainda maiores, registrou o jornal “El Mundo”, de Madri.

O governo russo acreditou jornalistas nacionais e estrangeiros para contemplar seu poderio militar – a qualidade de seu armamento e o grau de treinamento de seus soldados.

E preparou para esse fim uma demonstração em que modernos helicópteros modelo Ka-52 atingiriam alvos predispostos.

Porém, ao serem disparados, os foguetes saíram em direção dos espectadores, segundo informou o portal de noticias '66.ru', que publicou um vídeo gravado por uma fonte que guardou o anonimato.

domingo, 12 de novembro de 2017

Católicos russos gemem
sob a nova aliança Moscou-Vaticano

Amizades na Rússia valeram ao Cardeal Parolin a condição de 'papabile'. Católicos russos e ucranianos gemem vendo o pastor estreitando a mão do lobo.
Amizades na Rússia valeram ao Cardeal Parolin a condição de 'papabile'.
Católicos russos e ucranianos gemem vendo o pastor estreitando a mão do lobo.
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Os católicos russos acenam de sua sofrida e heroica situação e exortam Ocidente a não esquecer a tragédia das vítimas do comunismo, noticiou “Religião Digital”.

A ocasião é apropriada: o centenário da Revolução Bolchevista, acontecida em 7 de novembro de 1917.

O secretário-geral da Conferência dos Bispos Católicos da Federação Russa, monsenhor Igor Kovalevsky, fez um apelo aos cristãos ocidentais para manterem viva a lembrança dos russos que deram sua vida sob a perseguição do regime comunista da União Soviética.

Os cruéis expurgos anticristãos e o envio dos fiéis aos campos de trabalhos forçados – sinônimos muitas vezes de morte lenta em condições miseráveis – visavam oficialmente a uma “reeducação” para o materialismo.

Eles constituíram um dos piores e maiores sistemas de perseguição e extermínio da História.

“Os sofrimentos nas prisões soviéticas e nos campos de trabalho continuam sendo um problema para toda a sociedade”, afirmou Mons. Kovalevsky ao jornal católico inglês “The Tablet”.

“Foram construídos templos em memória dos que morreram pela fé, que merecem ser comparados aos mártires dos primeiros séculos do Cristianismo”.

Segundo Mons. Kovalevsky, as histórias do martírio dos cristãos sob a ditadura soviética são universalmente conhecidas.

Mas, acrescentamos nós, se elas tivessem sido mais difundidas no Ocidente a opinião pública católica teria sido alertada, e muitas aventuras inspiradas no ideário comunista, como as do PT, talvez nunca tivessem acontecido.

domingo, 5 de novembro de 2017

Moscou articula separatismos
para imperar sobre um Ocidente dividido

Em reunião de 2015 no Kremlin, agitador separatista catalão anuncia próxima independência
Em reunião de 2015 no Kremlin, agitador separatista catalão
anuncia próxima independência
Luis Dufaur
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continuação do post anterior: Enviado de Putin foi estimular o separatismo na Catalunha



O partido político Ciudadanos registrou no Congresso de Madri uma demanda ao governo, e em especial ao Ministério de Relações Exteriores, de explicações pela ingerência russa no frustrado referendo de independência catalã e pelas manobras do embaixador russo em Madri.

O deputado Fernando Maura considerou existirem suficientes indícios na mídia de Moscou para suspeitar que a Rússia estivesse manipulando o problema da Catalunha para abalar a Europa, escreveu “El País”.

A manobra russa embutiria “a intenção de acabar com as sanções que lhe foram impostas pela anexação da Crimeia e por sua intervenção no Leste da Ucrânia".

A demanda também menciona a duplicidade patenteada nos meios pertencentes ao governo russo e na posição oficial dos dirigentes do Kremlin.

A crise de Catalunha motivou jornalistas a pesquisarem os arquivos de seus próprios jornais e os achados foram surpreendentes.

Há poucos anos, Moscou vem financiando uma conferência internacional promovida por um fantasmático Movimento Antiglobalização da Rússia (MAR).

domingo, 29 de outubro de 2017

Enviado de Putin foi estimular
o separatismo na Catalunha

Putin diz que é um assunto interno da Espanha, mas pisca o olho para os separatistas e lhes manda um representante.
Putin diz que é um assunto interno da Espanha,
mas pisca o olho para os separatistas e lhes manda um representante.
Luis Dufaur
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continuação do post anterior: Catalunha: táticas testadas no separatismo do leste ucraniano




Dimitri Medóev, um funcionário de Vladimir Putin que faz de ministro de Relações Exteriores da “República de Ossétia do Sul”, abriu um “escritório de representação” em Barcelona enquanto os separatistas se aprontavam a proclamar uma fictícia república independente na Catalunha, informou a agência oficial russa Sputnik

O governo espanhol reafirmou que não reconhece esse país fictício e, a fortiori, a suposta “embaixada”, noticiou o jornal catalão “La Vanguardia”.

A dita “República da Ossétia do Sul” é um território georgiano ocupado pelas tropas russas. Tem 3.900 km2 de superfície e entre 50.000 e 70.000 habitantes.

Ossétia do Sul e a Abcásia (240.000 habitantes), outra região georgiana engolida por Moscou na mesma data, proclamaram sua independência e hoje mantém exército e polícia comum.

Segundo o governo da Geórgia, há por volta de 10.000 soldados de Moscou em bases instaladas nos dois redutos invadidos.

domingo, 22 de outubro de 2017

Catalunha: táticas testadas no separatismo do leste ucraniano

Espalhando falsas notícias nas redes sociais. O cadeirante foi agredido, mas em 2011 e por um policial do governo catalão reprimindo 'indignados' Fonte Le Monde.
Espalhando falsas notícias nas redes sociais.
O cadeirante foi agredido, mas em 2011
e por um policial do governo catalão reprimindo 'indignados'
Fonte Le Monde.
Luis Dufaur
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continuação do post anterior: “Guerra híbrida” russa em ação na Catalunha




Os exércitos digitais do Kremlin operam com um mesmo padrão: viralizam mensagens e notícias exageradas ou falsas para exacerbar uma crise e fomentar a divisão nos EUA e na Europa, beneficiando a posição de Moscou.

Trata-se de uma guerrilha que monta sites webs com aparência de seriedade.

O DisobedientMedia.com, por exemplo, pretende ser um site de jornalismo de investigação e a esse título nutre todo tipo de falsas teorias conspirativas, metodicamente voltadas para desmoralizar o Ocidente.

O site chegou a publicar notícia denunciando “a perdurável influência do ditador fascista na política espanhola” apresentando antiga estátua do ex-ditador espanhol Francisco Franco montando um cavalo.

Russia News Now, site com aparência de jornal, montou manchete dizendo: “UE: Catalunha pode, Crimeia não”. E “informava” que a União Europeia tinha dado sinal verde à separação da Catalunha, mas que hipocritamente se opunha à invasão russa da Crimeia.

A UE não concordava com o independentismo catalão. A notícia era um falso, mas estimulava o separatismo e ajudava à Rússia.