domingo, 7 de outubro de 2018

Queda moral e econômica erodem o império do Kremlin

Mulher alastra sua desgraça sob o olhar do Big Brother do Kremlin
em São Petersburgo
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Malgrado algumas tênues melhoras ligadas a valorização internacional do petróleo, o barômetro da economia russa voltou a dar sinais de fraqueza, noticiou a agência Reuters.

A queda é atribuída à decadência da agropecuária e da construção civil.

Na prática a propriedade privada na Rússia continua reprimida prolongando a miséria da URSS.

O otimismo com a queda da URSS atraiu capitais nos anos ‘90 que reanimaram a atividade particular.

Putin afastou esse otimismo e restaurou a onipotência econômica do Estado concentrada na mão dos “oligarcas” a ele cegamente submissos.

Em agosto, a construção civil se contraiu 17% em relação a idêntico período do ano anterior, enquanto que o setor agroindustrial caiu 10,8%.

Os dados apontam uma “queda catastrófica” na construção e na agricultura disse Kirill Tremasov, ex-chefe de prospecção macroeconômica do Ministério de Economia.

A perspectiva é de um impacto negativo no PIB nacional.

Fila por vodka: os vícios só pioraram na era de Putin
Fila por vodka: os vícios só pioraram na era de Putin
Quando Putin assumiu o poder, no início do ano 2000, o setor privado respondia por 89% do PIB russo, escreveu o jornal paulista “O Estado de S.Paulo”.

Mas, os números mais recentes apontam um crescimento desmesurado do estatismo a ponto do setor público representar o 71% do PIB.

Oficialmente o desemprego está em torno de 5% e a inflação está em 2,5% ao ano, se os números oficiais são verdadeiros. A dúvida provém do fato de que mais da metade dos russos diz viver na pobreza.

O dinheiro porém não falta para fabulosas despesas militaristas como a Vostok-2018.


segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Rússia afunda economicamente, mas esbanja em exibições militares com a China

Rússia e China mostraram-se miilitarmente aliados /td>
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Nos dias 11 a 17 de setembro, o exército russo realizou os exercícios estratégicos militares Vostok-2018 (Vostok=leste) com a participação minoritária do Exército Vermelho chinês e um contingente simbólico da Mongólia.

O show teve tudo para impressionar Ocidente. Segundo o think tank britânico Chatam House – The Royal Institute of International Affaires, os exercícios testaram o nível de preparação das unidades, sua mobilidade, logística e entrosamento entre as diversas armas.

A marinha de guerra treinou no Mar de Okhotsk, no Mar de Bering e em Kamchatka.

No total, a Rússia diz que engajou 297.000 soldados dos distritos militares Central e Oriental. Segundo o ministério de Defesa foi o maior exercício coletivo na era pós-soviética desde o Zapad-1981, quando o Pacto de Varsóvia treinou a invasão da Polônia efetivada em dezembro do mesmo ano.

Desta vez, o Kremlin pôs a ênfase nos números ao que tudo indica inflacionando-os, segundo o Chatam House. O exagero obedece à necessidade fundamental de propagandear um poder que não possui mais, especialmente se comparado aos números da URSS.

Generalizadamente não foi acreditado que a Rússia tivesse mobilizado um terço de suas tropas, ou quase 300.000 homens, na sua maioria pobremente treinados por carências orçamentárias.

O analista russo Alexander Goltch, acha mais irreal ainda o número de mil aeronaves e 36 mil blindados mencionado pela máquina de propaganda putinista. A indústria bélica custa a produzir em quantidades relevantes as superarmas que trombeteia.

Putin cumprimenta soldado chinês na Vostok-2018
Putin cumprimenta soldado chinês na Vostok-2018
As causas do crescente raquitismo do recrutamento russo são múltiplas.

Uma das mais graves é a contração anual da população pelo efeito do aborto e do alto nível de mortalidade masculina atribuída à vodka e ao ópio. Recentemente, Putin exortou os russos a imitarem os judeus ortodoxos que têm muitos filhos.

Cooperam também para essa decadência o desmembramento da ex-URSS que perdeu muitas dezenas de milhões de habitantes. E ainda a decadência geral da economia – que já não permite mais a Putin pagar mercenários vindos de ex-repúblicas soviéticas.

O exibicionismo numérico reforçou a propaganda do líder dentro de suas fronteiras e alimentou preocupações no Ocidente

A Rússia pôs no campo o melhor que tinha inclusive um sistema de ataque combinado usando os sistemas de mísseis S-300, S-400 e Pantsir-S1, além de numerosas unidades de apoio logístico destinadas a sustentar as vanguardas de tropas de ataque.

As práticas colheram as lições apreendidas na invasão da Ucrânia e nos campos de batalha da Síria.

Vostok-2018 exibiu afinidade oculta Rússia-China
Vostok-2018 exibiu afinidade Rússia-China até agora dissimulada
Foi relevante a participação de unidades chinesas. A China contribuiu com por volta de 3.200 soldados e copioso equipamento. Ambos os exércitos conduziram operações conjuntas de fogo e testaram sua capacidade de integração. Estavam presentes contingentes simbólicos da Mongólia.

Até de recente, apresentava-se os dois gigantes asiáticos como inimistados e impossíveis de se aliarem. A Vostok-2018 afastou essa suposição e a China se apresentou como uma potência “amiga”.

O analista militar russo Pavel Felgenhauer, citado pelo jornal japonês The Japan Times, o Vostok 2018 “não é apenas sobre mandar um sinal, ou uma mensagem, mas a preparação para uma guerra real de grande magnitude”.

Para a China foi uma importante oportunidade para treinar suas unidades que carecem de experiência em combate real com armamento moderno.

Os dois puderam também testar a complementaridade de seus sistemas de armas e o eventual recurso a equipamentos produzidos pelo outro.

A mídia russa focou outro aspecto: a Vostok-2018 teria posto os fundamentos para uma ‘aliança militar antiamericana’.

O ponto de largada desse pacto teria sido o encontro entre os presidentes Vladimir Putin e Xi Jinping em Vladivostok.

O sinal enviado pelo Kremlin ao Ocidente foi claro: em caso de atrito, Moscou não está isolado e pode contar com a China.

Não há ameaça imediata de guerra, mas Moscou forçou o Ocidente a abrir bem os olhos, até agora um pouco tolamente fechados para uma hipótese que pode se tornar subttamente realidade.


Vostok-2018: exibicionismo para intimidar Ocidente e reforçar a aliança com a China




A realidade militar russa convive com armamento envelhecido e tropa mal treinada



terça-feira, 11 de setembro de 2018

“Mudança de paradigma”:
mil anos após o “Batismo de Kiev”,
o Vaticano dá as costas aos católicos ucranianos

Papa Francisco e 'Patriarca' Kiril assinam em Havana
acordo que inclui evitar conversões ao catolicismo de rito ucraniano
Luis Dufaur
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Um aspecto lancinante e apocalipticamente trágico da “mudança de paradigma” empreendida pelo Papa Francisco vem sendo dissimulado por alguns de seus admiradores, e por artífices da velha política de aproximação com os governos marxistas ou Ostpolitik.

Mas é apontado pelos melhores entendidos da política internacional: a virada de costas do Pontífice ao Ocidente e seus braços estendidos ao pior inimigo da ordem ocidental e cristã: a Rússia.

Sim a Rússia que Nossa Senhora em Fátima apontou como o flagelo que se abateria sobre o Ocidente se esse não abandonava a estrada dos maus costumes fazendo penitência.

Infelizmente, o mundo não se corrigiu e os resultados estão à vista de todos. Com inúmeras astúcias, o flagelo russo se está então abatendo nos convidando ao arrependimento.

Num artigo para a revista Catholic Herald da Grã-Bretanha (27.7.2018), o Pe. Raymond J. de Souza, da arquidiocese de Kingston, Canadá, e editor de convivium.ca, indagou se a diplomacia vaticana seria culpada de uma abjeta capitulação diante de Vladimir Putin,.

A matéria deve ser abordada com o maior respeito. Ela foi tratada até pelo vaticanista americano John Allen, simpatizante da Ostpolitik vaticana com a Rússia. Allen fez aflorar críticas até agora reprimidas em setores eclesiásticos próximos do Pontífice, segundo o Pe. de Souza.

Allen apontou que o Papa Francisco se mostra um aliado de Putin na Síria, onde o dono do Kremlin é ativo chefe de guerra em favor do presidente Bashar al-Assad, herdeiro de uma velha aliança com a União Soviética.

Allen também sublinhou o mutismo do Pontífice diante da criticável – a luz da moral católica e do Direito Internacional – invasão russa do leste da Ucrânia e da anexação da Crimeia.

O posicionamento do pontífice vem desapontando repetidamente ao Rito Greco-Católico Ucraniano, o maior dos ritos orientais da Igreja.

Porque conta com muitos milhões de membros na Ucrânia e no mundo todo, inclusive uma possante comunidade no Brasil e em países vizinhos.

Distensiva troca de presentes entre o Papa Francisco e o enviado do Patriarcado putinista
que reclama a extinção dos católicos ucranianos
Porém, recebendo no Vaticano uma delegação da igreja dita ortodoxa russa no dia 30 de maio (2018) o Papa Francisco se afastou com o gesto e com as palavras dos fiéis seguidores do rito greco-católico ucraniano.

Confira: “‘Patriarcado de Moscou’ pede ao Papa Francisco impedir o progresso dos greco-católicos”

“A euforia russa foi compreensível, à luz segundo Magister, “do modo que Francisco abraçou as teses do patriarcado de Moscou e, pelo contrário, condenou com palavras muito ásperas as posições da Igreja greco-católica ucraniana”. Rito que, aliás, vive sob as ameaças constantes dos chefes do Patriarcado-FSB (ex-KGB) moscovita”.

Não muito depois, no dia 3 de julho (2018) o pontífice romano teria recebido em audiência privada ao arcebispo-mor desse rito católico o Arcebispo Sviatoslav Shevchuk, por ocasião do 1.030º aniversário do Batismo de Kiev.

Esse gaudioso evento aconteceu em 988 e foi o início da conversão do tronco principal do mundo eslavo russo.

O comunicado emitido pelo Rito Greco-Católico Ucraniano após essa reunião “refutou sistematicamente todos os pontos afirmados pelo Papa Francisco em seu encontro com os ortodoxos russos”, escreve o Pe. de Souza.

Para os ortodoxos russos, o mencionado rito católico nem deveria existir.

A União Soviética ordenou esmaga-lo, confiscar todos os seus bens, condenou os sacerdotes que não aderiam ao cisma, martirizou muitos deles, além de religiosas e leigos.

São Vladimir o Grande se fez batizar no rito católico bizantino num local da Crimeia. Ele governava todo o mundo russo com o título de Príncipe desde Kiev – Moscou não existia.

O cismático Patriarcado de Moscou, entidade sem legitimidade religiosa, foi fundado pelos czares como uma fachada religiosa que serviria a suas ambições políticas imperialistas.

A revolução bolchevista reprimiu toda forma de cristianismo não submissa ao Patriarcado de Moscou
A revolução bolchevista reprimiu
toda forma de cristianismo não submissa ao Patriarcado de Moscou
O mesmo capricho dos czares que o criou, o extinguiu poucos séculos depois.

Ele voltou à existência em conluio com a Revolução Bolchevista. Hoje Putin o usa como instrumento dócil a suas intenções hegemônicas.

Os Papas e com eles a Igreja Católica toda sempre viram os católicos ucranianos – considerados em todos seus ritos – como os únicos autênticos representantes do cristianismo no imenso mundo nascido no Batismo de Kiev.

Portanto, exercendo uma influencia moral de primogênito até na própria Rússia, onde existe também um rito greco-católico russo aprovado pela Santa Sé.

E o arcebispo-mor do rito greco-católico ucraniano ostenta de antigo o título de Patriarca de todas as Rússias.

Não cabe esse título ao espúrio Patriarcado de Moscou, que o usurpou sem direito e abusa dele desavergonhadamente.

Essa realidade histórica foi reafirmada o dia 15 de julho (2018) pelo arcebispo-mor ucraniano Mons. Shevchuk:

“O dom da Fé cristã vem nos sendo transmitido como nosso maior tesouro. Hoje agradecemos a Deus que a Igreja Greco-Católica Ucraniana seja privilegiada enquanto sucessora do Príncipe Vladimir e de seu santo batismo”.

Essa mesma realidade histórica, e sobre tudo religiosa, é furibundamente contestada pelos cismas e dissidências turbulentas englobadas sob o rótulo de “igrejas ortodoxas” e seus “agentes de influência” ocidentais.

A “mudança de paradigma” posta em ato pelo Papa Francisco produziu também, e tal vez em máximo ponto, uma inversão contrária à História e à Fé.

Todas as benevolências e reconhecimentos da sua diplomacia correm no sentido desejado pelo anticristo de Moscou.

Dezenas de milhares de católicos ucranianos em Kiev na despedida do Cardeal Lubomyr Husar, chefe do rito greco-católico.
Dezenas de milhares de católicos ucranianos em Kiev
na despedida do Cardeal Lubomyr Husar, chefe do rito greco-católico.
Hoje, o flagelo do cristianismo profetizado em Fátima, quer dizer a Rússia – capitaneado por Putin e sua serva a Igreja Ortodoxa Russa, ou Patriarcado de Moscou – são recebidos como profundos amigos na Santa Sé.

Em sentido contrário, os fiéis ucranianos católicos são tidos como um empecilho para a aliança com o instrumento de destruição contra o qual Nossa Senhora alertou o mundo em Fátima.

A Santa Sé em plena “mudança de paradigma” parece ter esquecido a posição assumida até 1988, sob o pontificado de João Paulo II, conclui o conceituado sacerdote.

Acrescentamos que essa inversão diplomática apocalíptica, em verdade, não tem futuro e está fadada ao insucesso.

Em Fátima, Nossa Senhora deixou assentado que após a Igreja padecer dolorosas perseguições, após o Santo Padre ter muito que sofrer, após nações inteiras desaparecer, a Rússia vai se converter.

E para essa conversão, podemos ter certeza que os sofrimentos dos católicos ucranianos, massacrados pela bota soviética, incompreendidos e perseguidos mas sempre fiéis, terão um efeito de uma glória e de um premio incomensurável.


segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Putin, Fátima & Viganò: uma reflexão incontornável

O ex-Cardeal Theodore McCarrick no fulcro das denúncias do arcebispo Carlo Viganò
O ex-Cardeal Theodore McCarrick
no fulcro das denúncias do arcebispo Carlo Viganò
Luis Dufaur
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A jornalista holandesa Jeanne Smits foi durante 14 anos gerente e diretora do jornal “Présent”, diário porta-voz do partido Front National de Jean Marie Le Pen e continuadores.

Nesse longo período privou com os representantes da “extrema direita” francesa que hoje são cortejados e até financiados pela Rússia de Vladimir Putin.

Conhecendo-os de perto, constatou que não eram bem como diziam ser e estavam trabalhados por um servilismo alarmante em relação aos ideólogos do dono do Kremlin.

Agora, diante da tempestade de escândalos no pontificado do Papa Francisco I relativa às uniões maritais ilegítimas e LGBT, Jeanne publicou uma consideração original em seu site Reinformation.tv ligando os referidos escândalos às advertências trágicas de Nossa Senhora em Fátima e à expansão dos “erros da Rússia”.

De início, ela sublinha não ser mera coincidência que  o Testemunho do ex-nuncio em Washington, Mons. Carlo Maria Viganò, fora assinado no dia 22 de agosto, festa tradicional do Coração Imaculado de Maria, cujo triunfo final foi prometido por Nossa Senhora em Fátima.

A data da festa mudou em tempos recentes, mas, diz Smits, a magnitude da tragédia que vive a Igreja dificilmente pode ser avaliada objetivamente sem levar em conta os avisos da Virgem em Portugal.

A rede homossexual denunciada por Mons. Viganò e o pedido de renúncia do Papa Francisco se esse quiser ser coerente consigo, instalou uma crise de gravidade sem igual.

Essa crise e a extensão e capilaridade da rede de corrupção moral e LGBT denunciada torna difícil pensar numa solução ignorando a mensagem de Fátima.

Como imaginar a purificação da Igreja militante, parte visível do Corpo Místico de Cristo, sem um auxílio especial de Nossa Senhora?

A atual crise da Igreja só pode ser bem aquilatada desde a perspectiva da mensagem de Fátima.
A atual crise da Igreja só pode ser bem aquilatada
desde a perspectiva da mensagem de Fátima.
O inimigo do gênero humano se infiltrou no interior da Igreja, apresentando o mal como sendo bem, e o bem como sendo o mal, estabelecendo o reinado da mentira em tudo, escreve a jornalista.

A estrela que figura no hábito de Nossa Senhora de Fátima, segundo o Pe. Linus Clovis, especialista de mariologia e da mensagem de Fátima – citado por Jeanne Smits – evoca a bíblica reina Ester.

Essa foi a prefigura de Nossa Senhora que salvou o povo eleito da extinção física. A estrela ensina que Nossa Senhora esmagará a crise e seu principal instigador: a serpente infernal.

A Igreja já enfrentou muitas crises e saiu vitoriosa. Mas nunca se viu uma “mudança de paradigma” como vemos hoje justificando perversões da moral natural e católica. E promovida por um poderoso lobby homossexual instalado no Vaticano e no episcopado!

O Papa Paulo VI falou da infiltração da “fumaça de Satanás” na Igreja através de fissuras na casa de Deus. Hoje esse vapor fétido entra torrencialmente vindo de abismos de uma profundidade inimaginável onde reina o diabo, constata a jornalista.

E acrescenta: o Cardeal holandês Willem Jacobus Eijk, arcebispo de Utrecht vendo a dimensão da crise não hesitou em aplicar a nossos dias o artigo 675 do Catecismo da Igreja Católica:

“Antes da vinda de Cristo, a Igreja deverá passar por uma prova final, que abalará a fé de numerosos crentes (639). A perseguição, que acompanha a sua peregrinação na Terra (640), porá a descoberto o «mistério da iniquidade», sob a forma duma impostura religiosa, que trará aos homens uma solução aparente para os seus problemas, à custa da apostasia da verdade”. (Catecismo da Igreja Católica -- Primeira parte – A profissão da Fé, nº675)

Segundo a experiente jornalista, essa perspectiva apocalíptica põe no centro dos eventos atuais a advertência de Fátima não levada a sério sobre o papel que teriam os “erros da Rússia”.

Esses estão sendo o flagelo da Igreja que não se penitenciou dos maus costumes que já se desenvolviam em 1917. Hoje não é preciso dizer até onde chegaram. E dentro da Igreja!

Estratagema de Moscou: fingir que a Rússia de Putin é a salvadora do cristianismo
Estratagema de Moscou: fingir que a Rússia de Putin é a salvadora do cristianismo
Para Jeanne Smits, um dos aspectos misteriosos é a difusão entre as direitas de uma imensa mentira que ela denunciou profusamente.

Essa mentira gerada nos laboratórios da guerra psicológica moscovita pretende apresentar a Rússia como não sendo mais o flagelo denunciado por Nossa Senhora.

Pelo contrário, espalha que a Rússia é o “ultimo baluarte do cristianismo e derradeira defensora da moral tradicional diante da agenda LGBT, do relativismo moral e do progressismo teológico que tomou conta de Ocidente”.

A crise eclesiástica que eclodiu serve ao Kremlin para acusar o Papado de ser a “prostituta de Babilônia” de que fala o Apocalipse. Já Lutero explorou o mesmo embuste. E os escândalos atuais servem como pretextos, poderosos mas insinceros.

A sorrateira propaganda putinista acrescenta que a Rússia sob o impulso do homem formado na KGB e admirador de Stalin se teria “convertido” trazendo uma nova fórmula de salvação para o cristianismo.

Katehon, o think tank russso onde se cozinham essas montagens é financiado por Konstantin Malofeev, conselheiro de total confiança de Vladimir Putin. O mesmo Konstantin Malofeev que visita as direitas ocidentais prometendo irriga-las com dinheiro!

E um filósofo gnóstico, Alexander Dugin, é o maior dos pensadores dessa central de falsificações.

Em 2017, Katehon anunciava a próxima “queda da Igreja Católica Romana” e a instalação da Igreja Ortodoxa Russa, ou Patriarcado de Moscou, à testa do cristianismo universal.

O truque propagandístico deturpa as profecias de Fátima e de La Salette, e confunde a Igreja Católica com a rede teológica-homossexual que se infiltrou nela pelo menos desde o Concilio Vaticano II.

Katehon sofisma e inverte os papéis:
a Rússia não é o flagelo anunciado em Fátima,
o cristianismo mundial deve se submeter ao Patriarcado de Moscou
Assim, Moscou visaria enganar os católicos desgostosos com a nauseabunda crise eclesiástica em curso e tentaria atrai-los para a área de influência do Patriarcado de Moscou.

A propaganda de Katehon diz ser ecumênica e pancristã. Mas exige que os católicos renunciem a converter os cismáticos russos que tendem, como na Ucrânia, a abandonar os erros e desordens do Patriarcado de Moscou e aderir aos ritos orientais católicos.

O Papa Francisco e a Ostpolitik vaticana têm aceitado essa pretensão em repetidas ocasiões.

Veja por exemplo: Paroxismo da desinformação russa: a mensagem de Fátima e a ‘missão providencial’ de Putin

Manipulação da mensagem de Fátima pela Rússia

É a mais completa inversão da verdade. Mas a Igreja está construída sobre a rocha de Pedro, e “as portas do inferno não prevalecerão sobre Ela”, ainda quando o poder de Satanás pareça senhor do mundo.

Nossa Senhora em Fátima advertiu que esta provação universal haveria de vir se os homens não se corrigiam e se não abandonavam os costumes perversos.

Para evita-la os homens deviam fazer penitência.

Essa sim seria uma esplêndida “mudança de paradigma” portadora de ubérrimos frutos de paz e ordem social e religioso. Mas Francisco I promove uma “mudança de paradigma” em sentido oposto!

Nossa Senhora acenou com uma perseguicao sem igual contra a Igreja. E hoje a estamos vendo. Não apenas ataques do exterior, como os do Islã e do laicismo. Essas não são as piores formas de perseguição.

Os “erros da Rússia” estão sendo dentro da Igreja o flagelo que Nossa Senhora anunciou em Fátima. Fundo: vulcão Cordon Caulle, Chile.
Os “erros da Rússia” estão sendo dentro da Igreja
o flagelo que Nossa Senhora anunciou em Fátima.
Fundo: vulcão Cordon Caulle, Chile.
O tremendo é quanto o ataque procede do interior da Igreja e é executado por mãos sagradas do mais alto nível.

Realiza-se assim a advertência da mensagem de Fátima de que o Papado teria muito a sofrer. E essa dor está sendo infligida quiçá até pelas iniciativas do Pontífice – quod Deus advertat!

Os erros da Rússia, o imenso flagelo anunciado por Nossa Senhora em Fátima, se abatem dessa forma sobre o corpo da Cristandade desferido por mãos sagradas.

Poucos atentam para essa dimensão religiosa decisiva da hora atual. E o Kremlin se regozija.

Mas nada nem ninguém conseguirá vencer Àquela que é ‘mais poderosa que um exército em ordem de batalha’, como diz bela e ufanamente o Oficio de Nossa Senhora.

Aquela que prometeu na Cova da Iria que “Por fim, meu Imaculado Coração triunfará”.


segunda-feira, 27 de agosto de 2018

O que impede esclarecer
os criminosos segredos da repressão comunista?

Emblema da STASI (Ministério de Segurança do Estado, Alemanha comunista)
Emblema da STASI (Ministério de Segurança do Estado, Alemanha comunista)
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O que foi de meu pai, de meu irmão ou de meu avô, levados um dia pela polícia secreta comunista e que nunca voltei a ver? Onde foi enterrado? Teve sepultura?

Perguntas doloridas como essas povoam as mentes de incontáveis vítimas do regime soviético na Rússia e na Europa Oriental. E suscitam obviamente o desejo de algo que apazigue a dor de alma.

Um estudante universitário moscovita que fazia um curso em São Paulo contou-me que em pleno “expurgo” estalinista, um andar inteiro da administração soviética em Moscou foi invadida por um esquadrão de agentes da NKVD (Comissariado do Povo para Assuntos Internos, depois mudou de nome), encarregada dos campos de concentração, espionagem e repressão em geral.

Entre os funcionários estava o avô do rapaz. Todos foram levados, ninguém pode pegar qualquer coisa ou avisar os parentes. Acabaram sumindo no sinistro arquipélago de campos de trabalho forçado, não se sabe onde.

Décadas depois, a avó do jovem, recebeu uma carta do governo, informando que a operação foi um “erro” e apresentava desculpas oficiais.

Ninguém da família nunca mais soube como acabou o antepassado. Nesse ponto do relato, o jovem não pode seguir, engoliu uma garfada e mudou de assunto.

Compreende-se que muitos outros queiram saber pelo menos algo de seus seres queridos desaparecidos.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Há 50 anos, tanques soviéticos esmagavam Praga.
Mas a cobra marxista quer voltar hoje no Brasil!

1968: manifestantes enfrentam tanques soviéticos em Praga.
1968: manifestantes enfrentam tanques soviéticos em Praga.
Luis Dufaur
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Há 50 anos, na noite de 20 para 21 de agosto de 1968, a capital da Checoslováquia acordou com um estrépito inusual até para aqueles agitados dias.

O sinistro barulho era produzido por 2.300 tanques de 29 divisões blindadas do Exército Vermelho que violaram a fronteira oriental do país.

Na invasão denominada “operação Danúbio” participavam outras unidades da aliança militar comunista Pacto de Varsóvia, hoje substituída sorrateiramente por novos pactos concebidos por Vladimir Putin.

Soldados poloneses, húngaros, búlgaros e alemães do Leste totalizavam 200 mil combatentes instruídos para esmagar mais uma revolta popular na Europa Oriental socialista ocupada pela URSS, segundo longa reportagem do “Clarin”.

Doze anos antes, um heroico levantamento anticomunista e patriótico na Hungria fora afogado em sangue e fogo. Mas a revolta de checos e eslovacos foi diversa.

As manifestações estudantis, sabotagens e greves começaram meses antes deixando o balanço final de mais de uma centena de mortos e de 300 mil exiliados imediatos.

A chamada “Primavera de Praga” ecoava o Maio de 68 francês e as revoltas pacifistas nos EUA enquanto o exército americano passava apertado pela enlouquecida ofensiva da guerrilha comunista dos vietcongues.



A nível popular, a revolta de Praga foi a sublevação de um povo que se queria libertar do opressor marxista.

Mas, o nobre povo era guiado por líderes suspeitos. Eles cultivavam a semente de uma planta peçonhenta: a de um comunismo “autogestionário”, verdadeira meta da utopia marxista até então nunca concretizada.

Essa meta acabou inscrita na Constituição da URSS de 1977 e foi apresentada ao mundo décadas depois como fruto sedutor da perestroika de Mikhail Gorbachev.

Lê se no preâmbulo da Constituição russa de 1977 que

“o objetivo supremo do Estado soviético é edificar a sociedade comunista sem classes, na qual se desenvolverá a autogestão social comunista”

(Constitución — Ley Fundamental — de Ia Unión de Repúblicas Socialistas Soviéticas, de 7 de outubro de 1977, Editorial Progreso, Moscou, 1980, p. 5).

Quando o supremo líder russo anunciou o fim da URSS em 26.12.1989, pensava na extinção de Mamute esclerosado das “Repúblicas Socialistas” e na implantação do “comunismo novo” que no Ocidente havia sido anunciado pelo presidente socialista francês François Mitterrand.

A manobra autogestionária não deu certo nem na Rússia nem na República Checa, como tampouco na França, na Polônia e onde tentou se implantar.

Mas na Checoslováquia, a utopia fervia em círculos intelectuais. Desde 1953, Antonin Novotny, ‘laranja’ do comunismo soviético, tiranizava o país. Os soviéticos fizeram dele o fiel ditador o presidente do Estado desde 1957.

Novotny acabou abandonando o poder em inícios de 68. Alexander Dubcek assumiu a secretaria geral do Partido Comunista e seu nome ficou associado à insurreição.

A “Primavera de Praga” propôs por enésima vez a enganação de um “socialismo de rosto humano”.

Essa falácia voltaria a ser repetida na América Latina, e no Brasil. Notadamente no Chile com o presidente comunista Salvador Allende derrubado por golpe popular-militar em 1973.

No Brasil foi o cerne do “Lula paz e amor”: um socialismo “cristão” no gosto da CNBB que não começou fuzilando burgueses como a Rússia de Lenine.

Milhares de pessoas saíram às ruas contra a invasão soviética
Milhares de pessoas saíram às ruas contra a invasão soviética
Mas que acabaria jogando o Brasil na violência, o caos e a miséria anárquica da Venezuela de Maduro, onde Chávez tentou estabelecer as bases do “socialismo autogestionário”.

Na Rússia, a mentira do “socialismo com rosto humano”, autogestionário e profundamente igualitário foi grande cartada de Mikhail Gorbachev.

A fórmula gorbacheviana recolheu as propostas dos ideólogos checos do comunismo novo: “terceira via”, reformas econômicas pelo igualitarismo total nas fábricas, liberdade religiosa para a Igreja Nova que tinha surgido do Concílio Vaticano II, fim da censura à imprensa que no Ocidente tinha se voltado para a esquerda, entre outras coisas.

No interior do PC checo e, sobre tudo do PC russo, essas reformas não foram vistas com bons olhos.

Os ortodoxos “leninistas” percebiam que o povo simples não entendia nada dessas construções ideológicas. Simplesmente queria se livrar do comunismo como um cachorro chacoalha a água do banho.

Se para essa libertação era necessária uma fase ignota dita “autogestionária”, o povo a suportaria e no fim acabaria a jogando fora com o sabão do banho.

Ajuda a compreender o caso aquilo que se deu na Polônia. O badalado sindicato Solidariedade liderado por Lech Walesa mobilizou massas contra a ditadura comunista prometendo a “autogestão”. Moscou deixava-o jogar até o ponto de Walesa se beneficiar sem represálias das bênçãos públicas do Vaticano.

O sindicato Solidariedade liderou a derrocada do comunismo soviético que oprimia a Polônia. Lech Walesa ficou presidente e tentou seu projeto “autogestionário”, ou “comunismo de rosto humano”.

O povo polonês acabou lhe dando um pontapé e hoje Walesa e seus sonhadores estão chorando as mágoas amparados pelas esquerdas ocidentais. A Polônia é católica e quer os princípios cristãos tradicionais da religião, da família e da propriedade.

Tanques soviéticos esmagam "Primavera de Praga"
Em 68, os intelectuais da “Primavera de Praga” redigiram o manifesto “Duas Mil Palavras” (Dva Tisíce Slov), questionando o rol hegemônico do Partido Comunista, exigindo a reabilitação dos prisioneiros políticos, pedindo uma TV aberta e liberal para fazer sua revolução da imoralidade como hoje fazem as TVs como a Globo no Brasil.

Mas os leninistas do Kremlin comandados por Breznev foram perspicazes: isso daria num “ato contrarrevolucionário”. E ordenaram a invasão cruenta.

Dubcek foi obrigado a trabalhar de jardineiro. O atleta campeão Emil Zatopek ficou gari. Cineastas e escritores do novo comunismo foram melhor tratados e deixados partir para o exílio.

O banho de sangue da Budapeste sinceramente anticomunista e patriótica de 1956, não se repetiu bem no movimento popular checoslovaco de 1968.

Mas a “Primavera de Praga” levantou uma bandeira entre os súditos obedientes de Moscou.

Muitos intelectuais e simpatizantes comunistas se afastaram das mofadas fórmulas filosóficas de Karl Marx e dos facinorosos conselhos táticos de Vladimir Lênin.

Os maiores Partidos Comunistas do Ocidente, notadamente os mais poderosos da Franca e da Itália, anunciaram novas vias, como o “eurocomunismo”.

Só a Cuba de Castro – a “ilha do diálogo” segundo o Papa Francisco – se manteve fiel ao crime de Estado, cópia da URSS.

Nada sobrou do “novo comunismo autogestionário” da “Primavera de Praga”? Na vida dos partidos e dos movimentos temporais parece que algo ficou, mas mirrado e sem força de projeção para o futuro.

Gorbachev não conseguiu o que queria. Seu sucessor Yeltsin governou num período anódino 'esquentando a poltrona' para aquele que viria: Vladimir Putin. Esse voltou-se para o modelo de José Stalin, seu modelo e ídolo.

Fazenda Buriti invadida e incendiada por índios teleguiados pela nova missiologia de luta de classes, em Sidrolândia, MS
Fazenda Buriti invadida e incendiada por índios
teleguiados pela nova missiologia de luta de classes, em Sidrolândia, MS
Os tanques enferrujaram, a rebeldia neo-marxista morreu. Os jovens checos hoje procuram valores conservadores.

Mas a utopia não morreu, ela ficou acalentada em clubes filosóficos, sacristias, bispados e panelas teológicas. Hoje renasce até em documentos pontifícios como a encíclica do Papa Francisco ‘Laudato Si’.

Sim, renasce. E mais radical do que nunca. E é devorado por um frenesi de igualitarismo para além do sonhado por Marx.

Dita utopia seria melhor interpretada na fórmula máxima da “autogestão”: a vida pansíquica da tribo na mata alimentada por meio de cultos xamânicos de forças escuras que emanariam das profundezas da terra. Chame-se de Gaia, de Pachamama ou ainda de outra forma.

O que os ideólogos europeus da “autogestão” não se atreveram a dizer, está começando a ser debatido de público em função do próximo Sínodo da Igreja Pan-amazônica convocado pelo Papa Francisco. Cfr.: O materialismo da Igreja ecológica amazônica deixa Karl Marx atrás


domingo, 12 de agosto de 2018

Eflúvios diabólicos do regime soviético se perpetuam e fascinam: nos calabouços de Karosta

Hóspedes-prisioneiros recebidos no hotel-prisão de Karosta.
Hóspedes-prisioneiros recebidos no hotel-prisão de Karosta.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






É difícil entender como um regime tão cruel e densamente satânico como o soviético possa ter dominado a metade ou mais do mundo, e hoje tente voltar com poderosas cumplicidades no mundo político e eclesiástico ocidental.

Entrementes há sinais de como isso possa acontecer em virtude de uma acentuada decadência moral, como a que está evidenciando o mundo ocidental.

E explicam o fascínio produzido pelo presidente russo Putin não só entre 'saudosistas' da sinistra velha URSS, mas em ocidentais que até se dizem de 'direita', 'extrema-direita' ou bancam de prudentes 'conservadores.

Um exemplo disso se dá no hotel-prisão de Karosta, em Liepaja, oeste da Letônia, sobre o mar Báltico.

domingo, 5 de agosto de 2018

Guerra invasora russa ameaça o futuro do mundo

Voluntário brasileiro combate do lado pro-russo.
Há muitas nacionalidades engajadas de ambos lados.
Luis Dufaur
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A menos de 200 km de Rostov, palco do primeiro jogo do Brasil na Copa da Rússia, os torcedores não sabiam, mas estava se desenrolando um sanguinário drama silenciado pela mídia russa.

Mais de cem mil soldados ucranianos, russos, separatistas e voluntários de vários continentes se engalfinhavam furiosamente.

O Exército ucraniano quer recuperar seu território ocupado parcialmente por milícias armadas e sustentadas pela invasora Rússia.

“Essa guerra não acaba nunca, todo dia alguém está morrendo”, dizia Sasha num deprimente cemitério na periferia de Donetsk, com os olhos vermelhos pelo choro contido e pela vodca.

Os dados foram colhidos numa extensa e rica reportagem do jornalista da “Folha de S.Paulo” Yan Boechat, e que foi objeto de uma série de programas TV divulgada pela Band.

terça-feira, 24 de julho de 2018

Putin, de vencedor da Copa a alvo do descontentamento popular

O humor popular pegou o fundo político estilo URSS da Copa na Rússia
O humor popular pegou o fundo político estilo URSS da Copa na Rússia
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Minutos após a Rússia vencer inesperadamente um jogo na “Copa Potemkin”, imagens do presidente Putin inundavam a internet na Crimeia pedindo ao czar igualitário do Kremlin que desse “um pedaço da Ucrânia para o goleiro russo”, informou “O Estado de S.Paulo”.

O evento esportivo funcionou como um pretexto para elevar a imagem do senhor todo-poderoso. E na Crimeia os torcedores comentavam que as vitórias inimagináveis da seleção só se explicavam por um vencedor: Vladimir Putin.

Para o regime, o Mundial devia reforçar o culto do chefe supremo, ainda quanto esse aproveitava a distração para acentuar a censura e as violações de direitos de opositores.

O prefeito de Sebastopol, Dmitry Ovsyannikov, diante de milhares de pessoas comemorou as realizações esportivas do líder de Moscou. O membro do partido de Putin mostrou que a classificação era um objetivo político: “o povo de Sebastopol mostrou que a Crimeia é Rússia.”

Absurdo? Não! Era a instrução que vinha do Kremlin!

Em Moscou, Igor Gielow enviado especial da “Folha de S.Paulo”, lembrou que na era soviética, os resultados esportivos eram muito sérios para a máquina de propaganda do regime comunista. Ele queria a prova física da superioridade ideológica materialista marxista.

Valia tudo para obter medalhas olímpicas. Inclusive truques sujos organizados pela KGB para melhorar o desempenho dos atletas. Leia-se doping.

domingo, 15 de julho de 2018

A “Copa Potemkin” e os gemidos da miserabilizada Rússia profunda

Estadio Luzhniki de Moscou onde a Copa 2018 começou e terminou
Estádio Luzhniki de Moscou onde a Copa 2018 começou e terminou.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Na Sibéria, muitos russos nem souberam que na Rússia se jogou uma Copa do Mundo, reportou Jamil Chade, enviado especial de “O Estado de S.Paulo”, desde Zhunmurino, República da Buriácia.

Essa república beira a fronteira com a Mongólia. Lá o jornalista colheu respostas incertas, fruto da ausência de informações, do que se passa na Rússia.

Ironicamente mal sabia da Copa até um monge budista tido como agoireiro que prevê o futuro, cura doenças e prediz a chuva.

Em Buriácia até esse vidente desconhecia a existência da Copa do Mundo. “Não conheço”, lamentou.

Menos pretensiosa, a produtora de leite Lyubila Tserenyona dizia que “hoje nós jogamos contra a Argentina ou algo assim...”.

A seleção nacional russa não lhe dizia muita coisa. “Sou do povo buriato. Não sou russa. Mas vivemos na Rússia e vamos torcer pela Rússia na Copa”, explicou. Ao saber que o jornalista era do Brasil, ela sorriu dizendo: “eu adorava o Brasil nos anos 90 com Maradona e Pelé”.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Por trás da Copa da Rússia:
um regime de corrupção e ideologia despótica

O cartaz não e segurado por um torcedor da Rússia, mas da Sérvia. O objetivo visado foi além do esporte
O cartaz não e segurado por um torcedor da Rússia,
mas da Sérvia. O objetivo visado foi além do esporte
Luis Dufaur
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Enquanto a Rússia vibrava com uma goleada na estreia da Copa do Mundo, o primeiro-ministro de Putin, Dmitri Medvedev, apresentou no Parlamento, “um pacote de maldades com medidas impopulares, necessárias para fechar as contas públicas”, noticiou “O Globo”.

A reforma da Previdência aumentou para 65 anos a aposentadoria dos homens sendo que eles têm uma expectativa de vida de 62,77 anos, perto da média africana.

O golpe não é novo. É de todos os ditadores de todas as épocas. Reedita a velha fórmula “pão e circo” que surgiu na decadente Roma durante a administração de Caio Graco. A fórmula foi aplicada a fundo pelos perversos imperadores.

E virou o mandamento máximo dos regimes corruptos.

Manter o povo entretido (o “circo”) e lhe dar um pouco de pão para que suporte as arbitrariedades do despotismo. Na Rússia de Putin, a Copa do Mundo foi manobrada ponto por ponto segundo essa perversa “sabedoria”.

Por isso não espanta que Helio Gurovitz no Estadão tenha perguntado se “dá para confiar na Copa do presidente Vladimir Putin”.

“Não bastassem – escreveu ele – as denúncias que pairam sobre a escolha da sede pela FIFA, sobre a construção de estádios e obras de infraestrutura, a Copa da Rússia é agora assombrada pelo espectro da corrupção nos próprios jogos, em especial os do time da casa”.

domingo, 1 de julho de 2018

Mundial montado para propaganda da nova-URSS

Para Putin a Copa é antes de tudo uma plataforma de propaganda mundial. No estádio Luzhniki de Moscou
Para Putin a Copa é antes de tudo uma plataforma de propaganda mundial.
No estádio Luzhniki de Moscou
Luis Dufaur
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A Copa do Mundo Rússia 2018 é o mais novo dono do título de “mundial mais caro da história”.

Estádios que custaram muito mais do projetado, falcatruas mastodônticas, construtoras levadas aos tribunais e governos regionais denunciando “elefantes brancos” que custará fortunas manter sem uso.

Em 2013, as primeiras estimativas da despesa estatal calculavam 664 bilhões de rublos. Mas, desde 2016, os números oficiais dispararam sem cessar até 883 bilhões – por volta de 14 bilhões de dólares – contabilizadas as despesas do governo federal, dos regionais e da FIFA.

O Mundial da Rússia será o mais caro da história superando o do Brasil 2014. O brasileiro, com ‘módicos’ 11,6 bilhões ficou no segundo lugar.

Os números estão preto sobre branco num completo informe publicado pelo jornal económico russo RBC, com base na resolução do Kremlin que explica os números finais do Mundial. Foram reproduzidos em matéria do jornal “La Nación” de Buenos Aires.

domingo, 24 de junho de 2018

‘Patriarcado de Moscou’ pede ao Papa Francisco impedir o progresso dos greco-católicos

Um desígnio sinistro levou o representante russo HIlarion ao Vaticano.
Um desígnio sinistro levou o representante russo HIlarion ao Vaticano.
Luis Dufaur
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Palavras republicadas pelo conceituado vaticanista de Roma Sandro Magister deixaram católicos consternados porque vindas da Santa Sé! Sem dúvida, um episódio a mais do misterioso processo de autodemolição da Igreja apontado pelo Papa Paulo VI.

Magister as recopiou em seu site Settimo Cielo com a manchete “Na Ucrânia, entre ortodoxos e católicos, Francisco tomou partido por Moscou”.

As palavras foram pronunciadas pelo Papa Francisco saudando a delegação do Patriarcado de Moscou acolhida em audiência no dia 30 de maio (2018).

Elas deviam permanecer no sigilo. Porém de tal maneira encheram de regozijo os representantes da igreja cismática russa administrada por agentes da ex-KGB, que eles as reproduziram em seu site oficial.

domingo, 17 de junho de 2018

Cardeal Mindszenty continua abençoando a Hungria

Luis Dufaur
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Herói da resistência anticomunista, o Cardeal József Mindszenty foi Arcebispo-Príncipe de Esztergom e Primaz da Hungria. Mesmo preso pelo regime comunista, cruelmente torturado e obrigado a ausentar-se de seu povo, jamais dobrou os joelhos diante da tirania vermelha.

Hoje em dia, quando a Hungria vem sendo perseguida por órgãos internacionais pelo fato de ter adotado uma Constituição contrária ao comunismo, ao aborto e ao “casamento” homossexual e ter rememorado as glórias de seu passado cristão, a figura do Cardeal Mindszenty paira sobre a nação como uma bênção e uma inspiração.

Até à Hungria chegam as sibilinas propostas do novo amo do Kremlin que sonha com restaurar a hegemonia da velha URSS que tanto fez derramar lágrimas de sangre ao augusto e virtuoso cardeal.

Pelo sul chegam colunas de invasores islâmicos que em séculos passados devastou a Hungria mas nunca conseguiram lhe tirar a Fé.

domingo, 10 de junho de 2018

Comunismo está vivo e ativo,
mas Ostpolitik vaticana abraça esse regime iníquo

Cardeal Josip Bozanic, arcebispo de Zagreb
Cardeal Bozanić, arcebispo de Zagreb em 1989
Luis Dufaur
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Após a queda do Muro em 1989, os representantes de treze Conferências Episcopais da Europa do Leste realizaram em Zagreb sua 3ª reunião.

No documento conclusivo da reunião sublinharam que as feridas causadas pelo comunismo continuam vivas e envenenam a vida e a sociedade dos países outrora escravizados pelo socialismo de Estado.

Grande parte dos trabalhos girou em torno do legado espiritual deixado pelos mártires do comunismo.

No encerramento, o Cardeal Bozanić, arcebispo de Zagreb, advertiu: “temos a impressão de que embora o sistema tenha parado de funcionar nas suas formas anteriores, ele se transformou e se nos afigura como um terreno envenenado no qual deveriam ter brotados frutos”.

Segundo a agência Zenit, o que mais preocupa a esses bispos é que “sua estrutura [do comunismo] permanece na legislação e no Judiciário, na economia, educação e cultura”, e especialmente, “no véu de silêncio imposto sobre os acontecimentos do passado recente".

domingo, 3 de junho de 2018

Suécia se prepara para a guerra pensando na Rússia

O país mais pacifista prepara população para a guerra. Rússia inspira temor.
O país mais pacifista prepara população para a guerra. Rússia inspira temor.
Luis Dufaur
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Onde estão os refúgios anti-bombardeios? Quais alimentos estocar? Em quais fontes de informação confiar?

Essas e outras preguntas vitais em tempo de guerra estão respondidas num livreto que o governo da Suécia enviou pelo correio a todos os lares.

Ele é para ser usado em caso de conflito ou também de catástrofe natural, informou o quotidiano francês “Le Parisien”.

Não está redigido só em sueco mas em 13 línguas pensando nos imigrantes. O título é “Em caso de crise ou de guerra” e foi expedido entre os dias 28 de maio e 3 junho a 4,8 milhões de endereços, sendo que a Suécia conta por volta de 10 milhões de habitantes.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Rússia pega “com a boca na botija”
do massacre do voo MH17

Equipe de Investigação Conjunta apresenta as provas de que a Rússia derrubou o voo MH17 massacrando 298 civis indefesos.
Equipe de Investigação Conjunta apresenta as provas de que
a Rússia derrubou o voo MH17 massacrando 298 civis indefesos.
Luis Dufaur
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Não pode haver mais dúvidas: o míssil BUK-Telar que derrubou o avião civil da Malaysia Airlines matando todos os 298 passageiros e tripulantes sobre o leste da Ucrânia, em 17 de julho de 2014, foi lançado por uma “brigada do Exército da Federação Russa”.

Veja: Míssil que mata, mas esclarece!


Mais concretamente pela 53ª Brigada de Mísseis Antiaéreos com sede em Kursk, Rússia, confirmou Wilbert Paulissen chefe da equipe de investigadores internacionais que trabalhou afincadamente sobre os restos do avião nos últimos quatro anos.

O pormenorizado relato apresentado em Utrecht, Holanda, pela Equipe de Investigação Conjunta foi divulgado pelas agências EFE e Reuters e foi reproduzido por numerosos órgãos de imprensa internacional como “El Mundo” de Madri e “Clarin” de Buenos Aires. .

Também foi informado pela imprensa brasileira mas com curiosa brevidade.

O fiscal holandês Fred Westerbeke, falando em sessão especial para a imprensa internacional, afirmou que os investigadores “conseguiram um grande progresso na identificação de por volta de 100 pessoas engajadas no fato”, aliás criminoso.