domingo, 23 de fevereiro de 2020

Hiroshima e Chernobyl: dois pesos e duas medidas

Hiroshima, depois da bomba
Hiroshima, depois da bomba
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Comemora-se em agosto o 75º aniversário do lutuoso uso da primeira bomba nuclear na II Guerra Mundial.

Em 6 de agosto de 1945, o bombardeiro B-29 americano Enola Gay despejou a primeira bomba nuclear sobre a cidade japonesa de Hiroshima, causando a morte de por volta de 70.000 pessoas, além de incontáveis feridos.

Hoje, Hiroshima é uma cidade moderna, pujante e próspera, onde a vida progride com vigor, tendo virtualmente desaparecido os vestígios de radiação nuclear.

Outro calamitoso episódio também envolveu a energia nuclear. Ele aconteceu no dia 26 de abril de 1986 na central atômica soviética de Chernobyl, a 100 quilômetros no norte de Kiev, capital da Ucrânia.

Naquela data ainda era território russo e a usina estava sob a jurisdição direta das autoridades centrais da União Soviética.

Hiroshima, hoje
Hiroshima, hoje
Entre ambos os desastres passaram décadas de diferença, mas hoje se pode viver bem e tranquilo em Hiroshima, enquanto que em Chernobyl e redondezas a radiação queima os que se aproximam.

Segundo os responsáveis russos, a explosão do reator só produziu a morte de dois empregados, e mais 29 nos três meses seguintes.

Na verdade, nunca se saberá o número exato de mortes provocadas pela radioatividade que se espalhou por boa parte da Ucrânia, Europa Central e Europa Ocidental.

O reator está hoje no epicentro de uma zona de exclusão de 30 quilômetros de raio. 160.000 pessoas foram evacuadas e os níveis de radioatividade nas redondezas superam centenas de vezes o máximo permitido.

Chernobyl hoje: tudo teve que ser abandonado de urgência e ficou como estava.
Chernobyl hoje: tudo teve que ser abandonado de urgência e ficou como estava.
Como se explica essa disparidade de situações?

O site Gizmodo, resumido por La Nación, identificou três razões decisivas.

1) A bomba de Hiroshima levava 6,3 quilos de plutônio. No reator 4 de Chernobyl havia 180 toneladas de combustível nuclear, das quais 2% (3.600 quilos) eram urânio puro e a explosão liberou sete toneladas do combustível (e 200 quilos de urânio).

2) Em Hiroshima, segundo a Fundação para a Investigação dos Efeitos da Radiação (RERF), a explosão deu-se na altura e só 10% do plutônio da bomba entraram em fissão. A própria explosão evaporou os 90% restantes, que foram dispersos pelos ventos.

O estouro de Chernobyl aconteceu em nível do solo e foi muito mais eficaz na sinistra hora de disseminar isótopos radioativos. O incêndio posterior evaporou os materiais, que foram espalhados em doses maciças.

Chernobyl: em áreas críticas só com proteção anti-radiação e não demorando muito.
Chernobyl: em áreas críticas só com proteção anti-radiação e não demorando muito.
3) A bomba de Hiroshima teve uma potência equivalente a 21.000 toneladas de TNT. Mas em que pese esse imenso poder destrutivo, só 10% da radiação foram de nêutrons, ou eficazmente radioativas.

O resto foram raios gama, letais no momento, mas que não deixam impronta no local ou nos objetos. Hoje há áreas do mundo com maior radiação natural do que Hiroshima.

Em sentido contrário, os isótopos de Chernobyl impregnaram num prazo de dias as redondezas com doses que ainda hoje continuam letais. Em alguns locais, a radiação é 100 vezes maior que em Hiroshima.

A usina foi desativada em 2.000. Será preciso aguardar 900 anos para que o ser humano possa voltar a habitar a zona.

Da bomba de Hiroshima se fala muito. E se compreende perfeitamente.

Da brilhante recuperação de Hiroshima se fala pouco. E não se entende essa omissão.

Da catástrofe de Chernobyl, imensamente mais danosa para o meio ambiente, fala-se pouco ou de modo leviano. E isso não se entende mesmo. Chega-se até a promover roteiros turísticos nas redondezas.

Chernobyl hoje e uma cidade abandonada.
Chernobyl hoje e uma cidade abandonada.
Porém, essas singularidades têm uma explicação.

Quando algo serve para falar mal da ordem ocidental – no caso, dos EUA – a mídia e os figurantes políticos e religiosos de viés esquerdista carregam o tom, como se dá com a bomba de Hiroshima.

Quando algo fala positivamente da ordem ocidental, como a recuperação de Hiroshima, essa turma se interessa pouco ou mal.

Quando algo fala mal do socialismo ou do comunismo, como o caso de Chernobyl, a mesma turma faz todo o silêncio possível.

Dois pesos e duas medidas para desmoralizar o mundo não comunista e poupar o inferno socialista-comunista.


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Rússia esbanja agressividade e visa expansionismo

Navio russo hostiliza o USS Farragut.
Navio russo hostiliza o USS Farragut.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






No início de janeiro do corrente [2020], um navio de guerra russo “abordou agressivamente” o destroier USS Farragut, da Marinha americana, que operava no Mar da Arábia do Norte.

A unidade russa ignorou os avisos do navio dos EUA arriscando um acidente, afirmou nota da V Frota, noticiou “The Epoch Times”.

O Farragut emitiu o sinal marítimo internacional de risco de colisão, tendo solicitado ao navio russo mudança de rumo, obedecendo as regras internacionais.


O navio russo inicialmente se recusou, mas acabou alterando o rumo, não sem antes fazer manobras agressivas com risco de colisão.

A Marinha americana publicou vídeos demonstrando a desnecessária e agressiva aproximação.

Segundo a CNN, o Farragut faz parte do grupo de porta-aviões USS Harry S. Truman e tem a tarefa de interceptar navios inimigos em potencial para que não se aproximem do porta-aviões.

As Forças Armadas russas costumam praticar esse tipo de aproximações a fim de testar a capacidade de resistência e técnicas dissuasivas de adversários ocidentais, além de treinar o seu potencial agressivo.

O incidente foi mais um exemplo de encostamentos hostis que não se concretizam em choques, como nos tempos da Guerra Fria.

As autoridades americanas as julgam pelo menos imprudentes.

A hostilização aconteceu cerca de sete meses após outro incidente no Pacífico entre navios dos EUA e da Rússia.

As naves norte-americanas precisaram fazer manobras de emergência para evitar colisões.

F-22 interceptam bombardeiros nucleares TU-160 e caças russos na costa do Alasca
F-22 interceptam bombardeiros nucleares TU-160 e caças russos na costa do Alasca
Em agosto (2019), a Rússia confirmou o envio de bombardeiros com capacidade nuclear para as proximidades do Alasca, que a Rússia reivindica como próprio, e que a propaganda eleitoral putinista prometeu recuperar.

O Ministério da Defesa do Kremlin deu o pretexto de uma rotina de treinamento de “dois porta-mísseis estratégicos Tu-160” que testaram um “voo de mais de oito horas, percorrendo mais de 6 mil quilômetros.”

A Rússia também prepara o primeiro de três navios quebra-gelo movidos a energia nuclear.

Foi batizado de Ural, e construído em São Petersburgo, segundo informou a coluna “Mar sem fim” de OESP.

O Kremlin prepara os maiores e mais poderosos quebra-gelos do mundo para consolidar sua hegemonia na possível intensificação do tráfego comercial no Mar do Norte.

Como foi observado pelos cientistas mais objetivos, o Ártico está passando pela parte do rotineiro ciclo de 70 anos, em que o degelo reduz a camada flutuante de gelo à sua menor expressão.

Contrariamente ao alarmismo ecologista, tal degelo não eleva o nível dos mares e ainda favorece a navegação comercial em grande parte do Ártico, com óbvios benefícios para os países.

Cfr. Ignorância ou fraude nos exageros ambientalistas sobre o derretimento do Ártico?

Novas estruturas estão sendo construídas pela Rússia, além de modernizar seus portos com o objetivo de tornar a força predominante no tráfego da Rota do Mar do Norte (NSR).

Essa rota é cobiçada repetidamente desde o século XV. No século XIX, a Marinha Britânica fez diversas expedições para definir a denominada Passagem Noroeste.

“O Ural, juntamente com seus irmãos, é fundamental para o nosso projeto estratégico de abertura do NSR à atividade durante todo o ano”, disse Alexey Likhachev, executivo-chefe da Rosatom, empresa estatal de energia nuclear da Rússia.

O 'Ural'
Likhachev atribuiu a Putin a ideia de construir o quebra-gelos para fortalecer a presença de Moscou no Ártico.

Por sua vez, Putin afirmou que frota russa do Ártico operaria pelo menos 13 quebra-gelo pesados em 2035, nove dos quais seriam movidos por reatores nucleares.

O Ártico tem reservas de petróleo e gás equivalentes a 412 bilhões de barris de petróleo, quer dizer cerca de 22% do petróleo e gás ainda não descobertos no mundo, estima o US Geological Survey.

De acordo com o site National Interest, a Rússia já lançou ao mar o quebra-gelos Arktika, o maior do mundo e o primeiro de uma série de mais cinco para renovar sua força atual de seis quebra-gelos pesados. O navio estaria em fase de testes.

A Guarda Costeira dos EUA parece estar atrasada na corrida, tendo encomendado em abril de 2019 o primeiro quebra-gelo pesado em quatro décadas.

E a Rússia quer mais. O site NavalNews.net informa que alocou US$ 2 bilhões para construir um quebra-gelo nuclear de alta tecnologia que manterá o Ártico desimpedido para o transporte durante o ano todo.

Será o projeto mais caro da história da construção naval russa. O nome do navio será “Líder”, e será maior e mais aerodinâmico dos que já encomendados.

Com este “Titanic” e sua frota complementar, Moscou espera administrar uma artéria marítima de 6.000 quilômetros de gelo entre a Europa e a Ásia que rivalize estrategicamente com o Canal de Suez.


domingo, 9 de fevereiro de 2020

Putin "czar": monarquia espúria na Rússia

Putin um czar espúrio para desmoralizar a saudade da monarquia no povo russo
Putin: um czar espúrio para desmoralizar
a saudade da monarquia no povo russo
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Parece piada, mas o diretor de cinema russo Slava Tsukerman ficou impressionado com a quantidade de apelos circulando na Internet na Rússia em favor de “Putin Czar”, segundo reconheceu em Real Reporting.org.

A propaganda aparece acompanhada de abundantes arranjos fotográficos de qualidade.

Esses não podem provir de um indivíduo isolado ou de algum grupelho excêntrico, mas de uma central com muitos recursos.

O tema – escreveu Tsukerman – se transformou num dos mais falados na mídia russa, em sua imensa maioria nas mãos do regime.

Escritores e jornalistas de há muito apelidaram Putin de Czar mais como sátira ou crítica a seus poderes virtualmente onímodos, sem pensar no velho e mítico sistema monárquico de séculos passados.

Livros e longos artigos foram escritos nessa clave metafórica ou até irônica em jornais como “The New York Times” ou “Politico Magazine”, sem nunca pensar numa coroação do ex-coronel da KGB.

Mas, nos últimos meses, a hipótese virou de tom 180º e passou a ser levada muito a sério.

No canal televisivo governamental “Rússia”, o metropolita Hilarion, chefe das relações exteriores do Patriarcado de Moscou e um dos mais influentes líderes da Igreja Ortodoxa Russa declarou:

“A forma monárquica de governo tem vantagens sobre o sistema eleitoral e foi positivamente testada na História [...].

“Minha opinião pessoal é de que um homem ungido pelo clero e que recebe não apenas um mandato dos eleitores para um cargo por um determinado período, esse homem pode ser sagrado pelo seu próprio reino por meio da Igreja.

“Ele pode receber um mandato para toda a vida, até que transfira o poder para o herdeiro.

O metropolita Hilarion, portavoz do Patriarcado de Moscou confirmou que estariam dispostos a sagrá-lo 'czar'
O metropolita Hilarion, porta-voz do Patriarcado de Moscou
confirmou que esse estaria disposto a sagrá-lo 'czar'
“Esta, é claro, é a forma de governo que se provou na História e que tem muitas vantagens sobre quaisquer outras formas de governo baseadas na eleição”.

A interpretação do público foi unânime: o metropolita falava de Putin, que se reelegeu na última eleição presidencial, mas que não poderá voltar a ser reeleito em 2024 porque a Constituição o impede. Então, é claro, a Constituição precisa ser mudada!

Putin está no poder desde o ano 2000 (computando o período intermediário de seu secretário Dmitri Medvedev), mas não contente em continuar como governante supremo, ele quer também ser vitalício. Como consegui-lo?

Alexander Prokhanov, diretor do jornal de extrema-direita “Zavtgra” (“Amanhã”), que combina ultranacionalismo e comunismo, é autor de mais de 30 novelas e atualmente um dos escritores mais populares da Rússia.

Ele teria tido uma conversão política ouvindo as palavras do metropolita Hilarion (risum teneatis!) e passou de inimigo agressivo do governo de Putin a um de seus mais ativos apoiadores. Ele comentou:

“O padre Hilarion fez uma declaração muito importante [...] que não foi feita por acaso e sem motivos. Foi feita no momento certo e para o grande público.

“O que está por trás? [...] A igreja é o berço no qual o bebê da nova monarquia russa está crescendo”.

Prokhanov atribui dois motivos ao posicionamento do metropolita.

Primeiro, é a sempre crescente influência do Patriarcado de Moscou não só no povo russo, mas também na política externa do país.

O escritor sublinha o enorme efeito que teve a veneração pública das relíquias de São Nicolau de Bari.

A romaria atraiu a Moscou centenas de milhares de pessoas, mas nas cidades russas elas teriam sido milhões, pessoas na sua maioria aparentemente sem religião após quase sete décadas de ateísmo soviético.

As relíquias do santo padroeiro da Rússia foram emprestadas pelo Papa Francisco, pois elas ficam em Bari, na Itália, após marinheiros da cidade resgatá-las da ameaça maometana na Ásia Menor no primeiro milênio.

Putin no lugar do czar Pedro I, o Grande
Putin no lugar do czar Pedro I, o Grande
Segundo Prokhanov, as multidões de romeiros que formam filas colossais para entrar na catedral “professam o sonho da monarquia”.

O segundo motivo é dar continuidade a Vladimir Putin como chefe supremo.

Prokhanov explica o que parece ser mais um script redigido por outrem em benefício desse mesmo outrem:

“Quem pode se tornar o arauto da nova dinastia russa? Não pode ser uma pessoa eleita por acaso.

Não pode ser um representante de uma família nobre, ou de uma família distinta, ou da elite de hoje, ou alguém que o dedo do Patriarca apontará.

“Deve ser uma pessoa especial, marcada com um sinal especial, um mistério.

“E essa pessoa é Vladimir Putin.

“Ele disse que, com o retorno da Crimeia à Rússia, o cetro sagrado do governo russo havia retornado à Rússia.

“Ele tinha em mente Chersonese [cidade da Crimeia onde foi batizado na Igreja Católica São Vladimir, Príncipe de Kiev].

“Esse ato mágico e milagroso, místico, transferiu a santidade de Cristo para o estado russo.

“E a Crimeia, retornada à Rússia por Putin, transferiu essa santidade para o estado de Putin.

“Por esse ato, Putin carregava em suas mãos a fonte de misteriosa luz mística para a Rússia, o Kremlin, seu escritório, seus palácios.

“Ele foi escolhido para esse fim. Ele confirmou esta eleição. Ele se tornou ungido de uma forma muito especial.

“Ele não foi sagrado pelo Patriarca, sua unção não ocorreu na Catedral da Assunção, seu casamento com o reino não foi realizado na confluência dos chefes da Igreja.

“Aconteceu de uma maneira mística, misteriosa, quando a fonte de luz da Criméia Chersonese voltou para a Rússia em suas mãos.

“Ele se levantou com esta tocha, que o ilumina com uma luz misteriosa. Portanto, em círculos próximos ao patriarcado, em círculos conscientes da complexidade da restauração da monarquia na Rússia, seu nome como o possível primeiro monarca russo da dinastia Putin é cada vez mais citado”.

O Patriarcado de Moscou fará o que Putin mandar
O Patriarcado de Moscou fará o que Putin mandar
O popular comentarista político Stanislav Belkovsky, tido como democrata, admitiu inesperadamente que agora adere ao ponto de vista monárquico e considera com entusiasmo as palavras do metropolita Hilarion de uma “monarquia reconciliada com o Patriarcado”.

Ivan Artsishevsky, representante da Associação da Família Romanov (dos últimos czares da Rússia), ficou surpreso ouvindo representantes da Igreja Ortodoxa Russa falando de monarquismo.

O professor da Academia Teológica de São Petersburgo, arcipreste George Mitrofanov, falou dos perigos de restaurar a monarquia na Rússia atual. Mas o historiador Sergei Vivatenko defendeu as vantagens que haveria em reinstalá-la.

O comentário mais sóbrio, na opinião do diretor de cinema Slava Tsukerman, foi o do líder do Partido Monarquista Russo, Anton Bakov.

Bakov ressaltou que não há necessidade de perguntar à sociedade sobre a monarquia, porque alguém provavelmente tomará essa decisão de qualquer maneira.

Ele não disse quem poderia ser essa pessoa. Talvez não goste dela e descreveu essa tomada de decisão como um gesto despótico.

E assim deixou insinuado o nome que está na boca de todos.


domingo, 2 de fevereiro de 2020

Rússia testa sua Cortina de Fogo desconectando-se da Internet

Com a nova rede os russos ficariam presos numa Cortina não de Ferro mas digital
Com a nova rede os russos ficariam presos numa Cortina não de Ferro mas digital
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Enquanto o mundo celebrava o Natal, o Kremlin comemorava como sucesso ter conseguido desconectar o país inteiro da rede global da Internet.

O pretexto foi “testar a efetividade da Runet, um projeto para criar uma infraestrutura que mantenha em funcionamento a rede caso sofra uma ameaça global”, noticiou “Clarín” de Buenos Aires.

Os testes demoraram vários dias e foram conduzidos por organismos do Estado, fornecedores locais de serviços, empresas de Internet russas, mas não outras.

O vice-ministro russo das Comunicações, Alexey Sokolov, falou de exercícios para capacitar os operadores russos a “responder de forma efetiva a riscos e ameaças externas”.

A Rússia tenta há anos montar um sistema de algoritmos que permita à sua rede funcionar de modo totalmente incompatível com a rede mundial, ficando inacessível desde fora.

Moscou vinha promovendo seu projeto junto a países “amigos” em competição com o sistema chinês – apelidado “Grande Muralha de Fogo” –, utilizado por Pequim para censurar as comunicações de seus cidadãos dentro e fora da China.

O sistema chinês exige um verdadeiro exército – fala-se em mais de cem mil homens – dedicado a espionar e cortar as mensagens dos chineses que se desviem da linguagem ou ‘novilíngua’ socialista oficial.