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domingo, 4 de janeiro de 2026

Serviço secreto alemão vê risco de guerra direta contra a Rússia

Martin Jäger,.Presidente da Serviço Federal de Inteligência da Alemanha
Martin Jäger, Presidente do Serviço Federal de Inteligência da Alemanha

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O serviço de inteligência alemão (BND) alertou que a Rússia se apronta para “entrar em conflito militar direto com a OTAN” antes de 2029, , noticiou a Radio France Internationale.

A Rússia beira a falência militar na Ucrânia e visa compensar seu desabamento se apossando da “Europa, economicamente muito mais poderosa”.

Para isso “não hesitará em entrar em conflito militar direto com a OTAN”, declarou Martin Jäger, presidente do BND, perante uma comissão do Parlamento em Berlim.

Múltiplas ações de “guerra híbrida” mostram que o Kremlin já ataca Europa, acrescentou.

“Já estamos no meio da confusão hoje”, prosseguiu Martin Jäger, ex-embaixador alemão na Ucrânia antes de assumir a chefia do BND.

O aumento de incidentes nas últimas semanas na Europa, como a incursão de drones russos na e violação do espaço aéreo europeu por caças russos, são episódios dessa guerra incubada.

Radio oficial alemã adverte contra mais ataques russos no país
Radio oficial alemã adverte contra mais ataques russos no país
A Alemanha foi vítima de sobrevoos de drones, sabotagem e campanhas de desinformação oriundos de Moscou.

“Na melhor das hipóteses, a Europa está vivendo uma paz gélida que pode degenerar em confronto violento a qualquer momento. Devemos nos preparar para uma nova escalada da situação”, continuou Jäger.

Sinan Selen, presidente do serviço de inteligência interno da Alemanha (BfV), partilhou seus sentimentos: “A Rússia está perseguindo agressivamente suas ambições políticas contra a Alemanha, a UE e seus aliados ocidentais.”

“Os serviços de inteligência russos estão constantemente alterando os níveis de escalada de suas atividades com o objetivo estratégico de enfraquecer as democracias liberais.

“Como resultado, estamos detectando uma ampla gama de espionagem, desinformação, interferência, sabotagem e ataques cibernéticos realizados por atores e Estados estrangeiros na Alemanha”, disse ele.

Exército alemão acelera transpasso de armas para frente oriental
Exército alemão acelera transpasso de armas para frente oriental
De acordo com Jäger, a Alemanha, a maior economia da UE, é “o alvo número um da Rússia na Europa”, especialmente porque “desempenha um papel de liderança no apoio à Ucrânia”.

Ele relatou tentativas russas de “influenciar a política interna e as decisões políticas na Alemanha”, observando que Moscou havia recentemente intervindo fortemente em eleições em outros países, como a Moldávia.

Ele também lembrou que a Rússia estava usando fluxos migratórios para desestabilizar países europeus, por exemplo, na fronteira entre a Polônia e a Bielorrússia.


quinta-feira, 3 de março de 2022

A Rússia é do demônio? Mas, no fim, se convertirá!

Nossa Senhora de Fátima. Fundo: Moscou
Luis Dufaur
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“A Rússia será católica?” não é a interrogação de um sonhador.

Em Fátima, Nossa Senhora patenteou predileção por esse país de dimensões imperiais.

Porque Ela deu a entender que a instauração de seu Reino na terra teria como condição a conversão do mundo russo ao catolicismo.

Porque quando Nossa Senhora se manifestou em Fátima, a Rússia estava rompida com a Igreja Católica e era cismática. Pouco depois se tornaria comunista e o flagelo do demônio voltado contra os homens.

terça-feira, 1 de março de 2022

Beata Aiello: a Rússia traz a ruína e a morte para o mundo

Beata Elena Aiello, jovem religiosa
Luis Dufaur
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A Bem-aventurada Elena Emília Aiello é pouco conhecida no Brasil.

Mas bem mereceria sê-lo muito mais. Como na sua Itália natal, onde sua fama de santidade e a benemérita atividade caritativa da Ordem que ela fundou estão sempre crescendo.

A Beata é também famosa pelos dons sobrenaturais com que foi beneficiada pelo Altíssimo. Recebeu os estigmas e numerosas revelações de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nelas, Ele se mostra primordialmente preocupado, e até agoniado – se se pode dizer assim – pela degringolada da ordem política e social dos países até então católicos, em particular da Itália.

Com insistente premência, Ele retoma as palavras de Sua Santíssima Mãe em Fátima, colocando como que uma lente de aumento sobre os males que ameaçam o mundo, a Igreja e o Papado se os homens não fizerem penitência.

Essas mensagens foram especialmente intensas na década de 1950, marcada por um otimismo enganoso que predispôs o ambiente psicológico que penetrou em todas as esferas, inclusive na eclesiástica, e influenciou a fundo as elaborações do Concílio Vaticano II.

Mas essas advertências haviam começado décadas antes. Cabe destacar a correspondência da Bem-aventurada Aiello com a irmã do então líder máximo da Itália, Benito Mussolini, exortando o duce a não se engajar na fatídica II Guerra Mundial. Tratou-se de Edvige Mussolini (1888 – 1952), casada com Michele Mancini.

Benito Mussolini repeliu com orgulhoso desdém a ardorosa advertência da Beata da parte de Nosso Senhor.

domingo, 29 de agosto de 2021

Rússia: país de recursos imensos
ainda geme numa miséria soviética

Mulher teenta vender num outlet  numa a estação de trem perto de Novgorod
Mulher tenta vender num outlet
numa estação de trem perto de Novgorod
Luis Dufaur
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Numa grande reportagem que ficou para a História o “The New York Times” foi ver o interior da Rússia e flagrou um país caindo aos pedaços.

A infra-estrutura já velha no tempo soviético, continua sem manutenção.

As exceções são as grandes cidades de Moscou e São Petersburgo.

Mas é só sair dos respectivos anéis rodoviários para retroceder assustadoramente no tempo.

Do ponto de vista econômico, a Rússia não saiu do sistema comunista.

O dinheiro do governo e dos plutocratas que "herdaram" as empresas públicas vem dos investimentos ocidentais em gás e petróleo.

domingo, 8 de agosto de 2021

KGB sequestra e assassina dissidente no exterior

Vital Shyshou auxiliava a seus compatriotas fugitivos e em necessidade
Vital Shyshou auxiliava a seus compatriotas
fugitivos e em necessidade
Luis Dufaur
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O jovem bielorrusso Vital Shyshou que ajudava seus compatriotas fugitivos da ditadura de seu país natal foi encontrado enforcado em um parque de Kiev, capital da Ucrânia, onde costumava correr, noticiou Yahoo!Notícias.

Vital de 26 anos, dirigia a ONG Casa Bielarussa na Ucrânia (BDU, na sigla em inglês), e a polícia de Kiev suspeita um homicídio disfarçado de suicídio.

O crime teria sido ordenado pelo regime do ditador da Bielorrússia Alexander Lukashenko e executado pela KGB, polícia que conserva o velho molde soviético e, na Bielorrússia perpetua até o nome que na Rússia Putin trocou.

Shyshou foi advertido de possíveis agressões, sequestros ou até homicídio. Ele se sentia vigiado desde que deixou seu país natal, em 2020.

“É uma mensagem para todos os bielorrussos que estão no exterior” disse Volha Yermalayeva Franco, representante no Brasil da oposição à ditadura da Bielorrússia .

Há pouco mais de dois meses, outro exilado da Bielorrússia , o blogueiro Roman Protassevich, foi sequestrado e preso pelo regime, quando viajava num voo comercial.

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Cardeal Mindszenty, vítima da convergência vaticana-comunista pós-conciliar

O Cardenal Mindszenty no banco dos réus, durante o pantomímico processo comunista em 1949
O Cardenal Mindszenty no banco dos réus,
durante o pantomímico processo comunista em 1949
Luis Dufaur
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O glorioso Cardeal Josef Mindszenty, Arcebispo-Príncipe de Esztergom e Primaz Regente da Hungria foi objeto de plena reabilitação legal, moral e política por meio de lei aprovada pelo Parlamento de Budapest e um acórdão da Suprema Corte magiar.

Ambos Poderes reconheceram a inteira inocência do Primaz e declararam destituídas de qualquer valor legal as acusações forjadas pela persecução comunista.

O Cardeal Mindszenty foi preso pelo regime comunista em 1948.

Os torturadores socialistas, através do uso de drogas obtiveram que o Cardeal assinasse uma “confissão” de conspirar contra a ditadura russa, de roubar das joias da Coroa húngara visando coroar o herdeiro, aliás legítimo, Arquiduque Otto de Habsburgo, como Imperador da Europa do Leste e, ainda, planejar a Terceira Guerra Mundial contra Moscou.

O ínclito Cardeal foi liberado pela rebelião anticomunista de 1956, e obteve asilo na representação americana em Budapest durante 15 anos.

A mera presença do Cardeal na embaixada americana continuava a atrapalhar o regime marxista. 

Por isso, este impôs à Ostpolitik vaticana que o Primaz fosse levado embora da Hungria e renunciasse a seus cargos eclesiásticos. Fatos que ac

domingo, 3 de maio de 2020

Moscou favorece o álcool
para entorpecer a população e manté-la 'contente'

Venda de vodca num supermercado de Moscou.  Governo abaixou os preços para favorecer o consumo.
Venda de vodca num supermercado de Moscou.
Governo abaixou os preços para favorecer o consumo.
Luis Dufaur
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A degradação da economia russa levou Moscou a adotar uma medida aparentemente irracional, mas já praticada em larga medida no tempo da União Soviética.

O regime de Putin ordenou baratear 16% o preço da vodca "oficial", já muito baixo, para acalmar a população. O “Moscow Times” informou que em 2015 o preço de meio litro caiu para sete reais.

Este é um dos recursos de que lançou mão o governo na sua tentativa de anestesiar o mal-estar popular e estimular a bebedeira, um dos vícios mais arraigados e perniciosos na Rússia.

Segundo estudo citado pelo jornalista Adam Taylor do “The Washington Post”, o russo consumia em média 14 litros de vodca em 2012, sete vezes mais álcool do que a média dos americanos.

Após a queda da URSS, a Rússia vinha tentando limitar esse flagelo nacional impondo preços elevados. Os estudos oficiais apontavam que o consumo de vodca contribuía para “uma taxa extraordinariamente alta de mortalidade”.

domingo, 26 de abril de 2020

"A Soviet Story": o filme abafado no Ocidente sobre os crimes do comunismo


CLIQUE NA FOTO PARA VER













“Documentário sobre os crimes do socialismo soviético no mundo (legendado português)


sábado, 7 de dezembro de 2019

Imaculada Conceição: “um cavaleiro vai entronizá-la no topo do Kremlin”, previu São Maximiliano Kolbe

Imaculada Conceição, Sevilha. No fundo: o Kremlin na noite
Luis Dufaur
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No segredo de La Salette encontramos uma descrição que parece se aplicar a nossos dias onde campeia o pecado, o crime, a desordem e a impiedade.

Em consequência desse estado de revolução profunda contra a ordem da Criação adviriam imensas calamidades regeneradoras e purificadoras da Igreja e da ordem temporal.

Mensagem de todo análoga encontramos em Fátima, onde Nossa Senhora acrescentou profeticamente que a Rússia espalharia seus erros – quer dizer o comunismo – e se transformaria no flagelo do mundo.

Porém, após colossais eventos que incluiriam a desaparição de nações, a Rússia haveria de se converter e o Imaculado Coração de Nossa Senhora triunfará, e a humanidade será restaurada.

domingo, 20 de outubro de 2019

Fraude da "Terceira Roma" visa avassalar o cristianismo mundial

Batismo de São Vladimir, o Grande, ano 988.
Viktor M. Vasnetsov (1848–1926)
Luis Dufaur
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O mundo eslavo cristão comemora todo ano o nascimento à graça divina e cristianização do histórico Principado de Kiev.

Esse tem seu ponto de partida no batismo, em 988, de São Vladimir o Grande, grão duque de Kiev e de todas as Rússias.

A ‘Rus de Kiev’, como também é conhecido, foi o núcleo cristianizado que gerou as atuais Rússia, Ucrânia e Bielorrússia.

A comemoração estava proibida durante a ditadura soviética e só foi retomada em 2013.

A cristianização da Ucrânia começa com o batismo, em 988, de São Vladimir o Grande, grão duque de Kiev e senhor de todas as Rússias.

Ele destruiu os ídolos pagãos, combateu a bebedeira e trabalhou pela conversão de seus súditos.

A partir de Kiev – hoje capital da Ucrânia – os sucessores de São Vladimir governaram um colossal império em gestação.

Complicados fatos históricos centralizados na revolta do Patriarca de Constantinopla contra o Papa desviaram essa imensa área de civilização para um cisma religioso.

Posto o princípio do desconhecimento da autoridade de Roma, saíram muitas outras cisões que explicam a multiplicado de igrejas mal chamadas “ortodoxas”.

domingo, 12 de maio de 2019

Álcool, droga, AIDS:
lideram corrida para a morte demográfica

Drogados na Rússia, bonecos de cera para afastar crianças do vício
Drogados na Rússia: bonecos de cera para afastar crianças do vício
Luis Dufaur
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A dramática degradação da saúde pública e do número da população da Federação Russa é agravada pela ausência ou muito pobre credibilidade das estatísticas.

Essa falha impede até conceber algum plano pelo menos moderador dos sofrimentos da população.

Em 2009, se calculava que mais de 2,5 milhões de russos com idades entre 18 e 39 eram adictos a drogas ilegais, segundo o chefe do Serviço russo para o controle federal da droga, Viktor Ivanov.

Além do mais, havia 140.000 menores em centros de recuperação para drogados, noticiava a agência estatal “Novosti”.

Segundo Ivanov, perto de 30.000 russos morriam anualmente por excesso de droga. O número de decessos inclui crimes associados a essas substâncias.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Rússia inadimplente na Argentina!

Ministro argentino De Vido (dir.) foi para Rússia, mas não viu o dinheiro prometido.
Ministro argentino De Vido (dir.) foi para Rússia,
mas não viu o dinheiro prometido.



Vladimir Putin vem elogiando o governo nacionalista-populista de Cristina Kirchner como o seu melhor aliado na América Latina e assinou com ele dezenas de acordos, inclusive econômicos.

Mas eis que chegada a hora de sair da conversa e pôr o dinheiro prometido sobre a mesa, este não apareceu...

A Rússia não tem fama de cumprir acordos que não sejam de grande interesse para ela. Além do mais, sua economia vai se afundando aceleradamente após a invasão da Ucrânia, de um lado pelas respostas econômicas do Ocidente, e de outro, em grande medida, pela baixa cotação do barril de petróleo.

Assim, na hora combinada, o banco russo Vnesheconombank (Banco de Desenvolvimento e Assuntos Econômicos Exteriores, equivalente ao BNDES), que devia bancar com até 85% do custo da barragem de Chihuido, em Neuquén, Patagônia, não depositou os US$ 2,6 bilhões prometidos, segundo noticiou Clarín de Buenos Aires.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Base estratégica da OTAN no Ártico
cai de alegre em mãos russas

A base de Olavsvern em mãos russas.
A base de Olavsvern em mãos russas.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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“O comunismo morreu!” – comemorou muito ingênuo a partir de 1991.

A mídia, que havia sido infiltrada intensamente pela União Soviética, ecoou o alegrote e desatinado soneto.

As prevenções caíram sem que se escarafunchasse demais a autenticidade dessa “morte”.

Entre outras coisas, o Ocidente se desarmou e desmoralizou suas Forças Armadas. Um pouco por toda parte, elas foram sendo mirradas ou condenadas a virar uma polícia mais pesadamente armada, com armas que diminuíam em número e, sobretudo, iam enferrujando.

A Noruega parece ter acreditado nessa ciranda tola, mas envenenada.

Ela possuía no Ártico uma base secreta de submarinos, vital para a defesa do Atlântico Norte ameaçado pelos submarinos soviéticos. Era a base de Olavsvern, perto do porto de Tromsø, que no entanto deixara abandonada.

domingo, 26 de abril de 2015

Um erro de cálculo, uma má sorte
e é a guerra nuclear,
diz ex-chefe do Serviço Secreto britânico

John Sawers, ex-chefe do Serviço Secreto inglês (MI6):
“A ameaça de confronto militar nuclear,
incluindo um erro de cálculo ou simplesmente má sorte,
ainda está presente. Temos isso em mente
quando falamos com a Rússia de Vladimir Putin”



Com um ar descontraído, sir John Sawers, chefe recém-aposentado do serviço de inteligência britânico (MI6), transmitiu uma mensagem alarmante em sua conferência no King’s College de Londres: pela primeira vez desde o fim da Guerra Fria, paira sobre o mundo o espectro da guerra nuclear.

“A ameaça de confronto militar nuclear, incluindo um erro de cálculo ou simplesmente má sorte, ainda está presente. Temos isso em mente quando falamos com a Rússia de Vladimir Putin”, declarou Sawers, segundo “El País”, edição em português.

O bem informado ex-chefe da espionagem inglesa refletia o temor – compartilhado por seus colegas britânicos, pelos EUA e pela OTAN – de que a crise militar na Ucrânia seja o prelúdio de mais uma aventura russa.

O risco de a Rússia tentar anexar territórios da Estônia, Lituânia ou Letônia aumentou em consequência do desgaste de sua economia. A fim de conter o descontentamento interno e preservar seu poder, Putin procuraria excitar o populismo com o espectro de uma ameaça ocidental a seu país.

Para Gideon Rachman, especialista em política internacional do Financial Times, “o agressivo nacionalismo orquestrado por Putin recorda a política da Rússia e da Alemanha nos anos trinta”.

domingo, 19 de abril de 2015

Féretros de “soldados fantasmas”
voltam a cemitérios russos

Os habitantes estão certos que o túmulo não identificado
no cemitério público de Vybuty, região de Pskov, norte da Rússia,
é de um paraquedista morto na Ucrânia. Os familiares têm medo de falar.




O capitão da 106º divisão aerotransportada viajou 900 milhas desde Rostov, na fronteira com a Ucrânia, para entregar o caixão de zinco selado do paraquedista Sergei Andrianov, 20, numa remota aldeia na região de Samara, entre o rio Volga e Cazaquistão.

A família havia ficado furiosa com o quartel da divisão pela falta de notícias. No fim, um oficial exasperado ofereceu 100.000 rublos (1.850 dólares) para tranquilizá-la.

Contudo, Natasha, a mãe de Sergei, queria dados: “Como é que ele morreu? Onde?”.

— “Meu filho morreu e ninguém pode explicar o que aconteceu”, disse ela em lágrimas à VICE News.

Ela exibe os documentos que recebeu junto com o corpo. Explicações imprecisas, nenhuma referência ao local.

Um oficial confidenciou que Sergei estava em “missão especial” num local de “transferência temporária”, onde aconteceu uma explosão “incompatível com a sua vida”. Rostov é mencionada em alguma parte.

“Eles agem como se fosse um segredo de governo”, disse Natasha, “mas, honestamente, eu quero dizer que isto é um crime do governo”.

Oficialmente, a Rússia não está em guerra, mas seus soldados estão morrendo às dúzias — quiçá às centenas — na Ucrânia. Putin nega uma e outra vez que haja tropas russas no país vizinho, mas os cadáveres como o de Sergei voltam.

Jornalistas e ativistas dos direitos humanos recolhem os históricos desses sacrifícios silenciados que já formam uma espécie de “exército russo de fantasmas”.

Em evento internacional em Munique, o presidente ucraniano Petro Poroshenko
exibe passaportes de soldados russos mortos ou capturados na Ucrânia.
Em agosto de 2014, o exército ucraniano progredia substancialmente e encaminhava-se para extinguir a rebelião pró-russa. Foi então que Moscou enviou suas tropas para evitar a derrota de seus protegidos.

Foi uma invasão ao pé da letra. Calcula-se que 20.000 soldados violaram as fronteiras. Muitos como Sergei só voltaram dentro de sacolas para cadáver.

O caso dele bate com dezenas de outros relatórios recolhidos pelo Comitê de Mães de Soldados, liderado por Valentina Melnikova.

Veja também: Conscritos russos se recusam a combater na Ucrânia. Soldados desertam

Segundo as denúncias que ela possui, pelo menos 500 membros das forças armadas russas morreram na Ucrânia. O número concorda aproximadamente com os cálculos do governo americano. Mas são difíceis de confirmar: a repressão espiona aqueles que se interessam pelo assunto em demasia.

Para Melnikova, nada disto é novo. Já aconteceu durante a invasão soviética do Afeganistão ou na repressão da Chechênia, registra VICE News.

A mídia estatal nada fala. A TV se refere ao governo de Kiev como “junta fascista”. Os programas estão cheios de alusões a conspirações e a “quintas-colunas” sabotando a Rússia.

O clima de medo nas famílias impede que elas saiam a público. “Todo mundo cala. Eles compreendem o que aconteceu e o que pode acontecer se você fala”, dizem os parentes.

Natasha percebeu isso não somente nos agentes do governo, mas também nos vizinhos da aldeia.

Mas o muro de silêncio começou a cair quando, em agosto (2014), chegaram os primeiros corpos ao quartel de Pskov, perto da fronteira com a Estônia, a cinco horas de carro de São Petersburgo, sede da 76º divisão aerotransportada.

Ainda em agosto, oficiais ucranianos publicaram documentos de 60 dos pára-quedistas de Pskov, cuja brigada foi quase extinta numa emboscada. A Rússia negou, e o comandante da divisão declarou que todos seus soldados passavam bem.

Numa segunda-feira, a igreja do pequeno cemitério da periferia de Pskov encheu-se de gente, altos oficiais inclusive.
As cruzes não contêm nomes mas números num cemitério na região separatista pro-Rússia, perto de Donetsk.
As cruzes não contêm nomes mas números num cemitério
na região separatista pro-Rússia, perto de Donetsk.
Mas Irina Tumakova chegou muito mais cedo e pôde ver os soldados cobrindo com terra os túmulos e o nome dos mortos: eram suboficiais da unidade falecidos em agosto. Um homem lhe ofereceu um copo de vodca dizendo: “Meu filho está ali”.

Irina lhe perguntou se tinha morrido na Ucrânia.

— “Onde, se não?” respondeu ele.

A história correu pelas redes sociais russas. O quartel mandou silenciar, os familiares se recusaram a receber os jornalistas, funcionários perseguiram a jornalista russa que tentou se aproximar dos túmulos, recorrendo a ameaças e agressões.

No mesmo mês de agosto, a Ucrânia apresentou prisioneiros de guerra do 331º regimento aerotransportado de Kostroma. O Kremlin teve que admitir, mas Putin disse terem entrado na Ucrânia por “erro”.

Em setembro, as emissoras estatais russas de TV reconheceram pela primeira vez que um soldado russo fora morto na Ucrânia, mas alegarem tratar-se de um “patriota voluntário”.

Um outro “voluntário”, Nikolai Kozlov, foi apresentado pelas redes de TV recuperando-se num hospital da perda de uma perna. “Ele foi porque recebeu ordem”, contou seu tio.

O povo russo continua sendo sistematicamente desinformado pela grande mídia, quase toda ela nas mãos de camaradas de Putin.

“Mortos em circunstâncias desconhecidas”:



O testemunho de um soldado russo prisioneiro na Ucrânia:



terça-feira, 7 de abril de 2015

Patriarca de Moscou elogia na Duma
a restauração dos “valores” soviéticos
e a diplomacia vaticana

O patriarca Kirill na Duma exortou a restaurar valores soviéticos  elogiou a atual política vaticana.
O patriarca Kirill na Duma exortou a restaurar valores soviéticos
e elogiou a atual política vaticana.



Pela primeira vez na história, o autodenominado Patriarca de Moscou, chefe da cismática igreja ortodoxa russa, foi falar na Câmara baixa do Parlamento russo, ou Duma, noticiou “AsiaNews”.

O objetivo principal da histórica intervenção foi um apelo para restaurar “as coisas positivas da era soviética” e construir a Rússia moderna. Em outros termos, apoiar a construção da “URSS 2.0”, conforme desejo do camarada máximo Vladimir Putin.

Também pediu aos parlamentares a proteção da família e o banimento do aborto que grassa na Rússia num dos patamares mais sinistramente altos do planeta, mas que é uma das “conquistas” da era soviética. O apelo soou incongruente.

Formado nas escolas da KGB, Kirill deplorou “frequentes casos” de destruição e confisco de igrejas ortodoxas na Ucrânia, perpetrados pelos separatistas pró-russos, como se impedi-los estivesse dependendo de uma decisão de Moscou.

terça-feira, 24 de março de 2015

Sumiço e reaparição de Putin
alimenta obscuros presságios

Moscou: massiva marcha em honra ao opositor assassinado
patenteou que o chão treme sob o regime de Putin
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A Rússia afunda num marasmo interior. Vladimir Putin passou dez dias desaparecido, cancelando compromissos internacionais relevantes.

Num país livre, o fato daria margem a muita especulação. Mas na Rússia, com o reflexo de épocas passadas, o sumiço do chefe máximo e a sua reaparição inexplicada pressagiam decisões trágicas, se não funestas.

O regime moscovita parece temer o progresso do movimento liberalizante interno, atiçado pela inflação e pela falta de produtos.

Em poucas palavras, o fantasma de um “Maidan russo” deambula entre as torres de São Basílio e ameaça desencadear uma epidemia liberalizante.

“Não a Maidan, não à guerra”; “Maidan é uma doença. Nós vamos curá-la”, gritaram os manifestantes convocados pelo governo russo no início do ano em numerosas cidades, de São Petersburgo a Vladivostok, segundo a revista francesa “L’Express”.

Putin mandou assim um recado: qualquer veleidade de protesto popular imitando o modelo da capital ucraniana será esmagado como uma bactéria.

“Não permitiremos um Maidan em nosso país” repetiam obsessivamente os organizadores da passeata putinista em Moscou.

Segundo o jornal “Le Monde”, nas passeatas havia membros do Parlamento ávidos de regalias, aposentados e jovens desempregados que aguardavam a recompensa, cossacos trazidos à força e grupos de motoqueiros conhecidos como “Os lobos da noite”, dispostos a obedecer qualquer ordem de Putin, que os trata de “irmãos”.

Putin atinge níveis de popularidade que competem com os de Fidel Castro e de Maduro, e superam por pequena margem os do PT brasileiro, se acreditarmos nas agencias oficiais.

Essa é a imagem que a “nova URSS” quer passar.

Mas o assassinato do oposicionista Boris Nemtsov e seu multitudinário enterro em Moscou falaram de uma situação muito diversa.

“Eles mataram um combatente da verdade”, dizia no cortejo Vyacheslav Buralnik, amigo de Nemtsov há mais de uma década, informou VICE News.

Milhares de russos no enterro do opositor Boris Nemtsov:
advertência ao regime de Vladimir Putin generalizadamente apontado como mandante do crime
O cortejo fúnebre foi sombrio, apesar da multidão de pessoas presentes, da grande quantidade de flores e das bandeiras russas com fitas pretas e faixas onde se lia: “Eu sou Boris Nemtsov”.

Todo o mundo sabia quem foram “eles”, mas poucos se atreviam a dizer os nomes em meio à paranóia pró-Putin que a mídia desencadeou há mais de um ano.

Uma “passeata anticrise” em início de março não chegou a ser silenciada pelas balas que mataram a Nemtsov.

Segundo a polícia, que fornece números aprovados pelo regime, participaram 21.000 pessoas, embora o número mais plausível seja 70.000, a maior passeata oposicionista desde 2012.

Um porta-voz de Putin tentou apaziguar a desconfiança geral atribuindo o crime a uma “provocação” contra a Rússia. Alguns cidadãos chechenos foram presos e confessaram sob tortura serem os assassinos. A montagem ficou clara.

A oposição no Parlamento aponta como causa principal o ambiente de histeria coletiva insuflada pela mídia oficial a propósito da guerra na Ucrânia.

Retrato de Boris Nemtsov rodeado de flores  no local onde foi morto como morrem os opositores do regime
Retrato de Boris Nemtsov rodeado de flores
no local onde foi morto como morrem os opositores do regime
No melhor estilo dos expurgos estalinistas, o próprio Putin denunciou uma “quinta-coluna” que age na Rússia.

Mas os manifestantes anti-Putin provinham das pacíficas classes médias que estão sendo gravemente prejudicadas. Vários até tiveram a coragem de carregar a bandeira da Ucrânia.

De acordo com o líder oposicionista Ilya Yashin, a vítima estava preparando um relatório sobre o fluxo de armas russas para o leste ucraniano secessionista.

Anna Duritskaya, ucraniana amiga do morto que estava com ele no momento fatídico, ligou o crime a “acontecimentos internos da Ucrânia”.

Mas a maioria dos descontentes prevê um período de agitação ainda mais obscuro.

“No futuro – disse o psicólogo Alexander Vengea, entrevistado por VICE News –, a agitação não partirá de nós, mas da população faminta. Eu acho que haverá mudanças políticas, mas não na direção que nós queremos”.

A “nova URSS” se enfurna na espiral de desordens, fome e repressão que caracterizou o período leninista de sua funesta antecessora, a “velha URSS”.


quarta-feira, 4 de março de 2015

Conscritos russos se recusam a combater na Ucrânia. Soldados desertam

Associação das Mães de Soldados de São Petersburgo
denuncia arbitrariedades contra os recrutas russos


A agência de informação ucraniana independente UNIAN retransmitiu informações divulgadas pela organização dos direitos humanos Mães de Soldados, de São Petersburgo.

Segundo elas, são numerosas as queixas de recrutas do exército russo que estão sendo forçados a partir para a região de Rostov, que serve de plataforma para a invasão russa à Ucrânia. 

O número dos soldados que se recusam a ir a combater na Ucrânia atingiu recordes em dezembro e em janeiro deste ano. A organização recebeu mais de 20 reclamações provenientes das regiões de Nizhny Novgorod, Leningrado, Murmansk e Kursk, noticiou o jornal russo Kommersant.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Lituânia torna-se independente do gás russo

Início das remessas de LNG no porto de Klaipeda. Lituânia se torna independente do gás russo
Início das remessas de LNG no porto de Klaipeda.
Lituânia se torna independente do gás russo


A Lituânia comemorou como um passo histórico para se livrar da dependência do gás russo e das extorsões de que era objeto no tocante a esse produto, a inauguração do terminal de Gás Natural Liquefeito – LNG no porto de Klaipeda.

O cargueiro LNG Arctic Aurora, com capacidade para 155.000 metros cúbicos de gás liquefeito, descarregou o primeiro envio comercial desse gás fornecido pela empresa norueguesa Statoil, segundo noticiou LNG World News. 

Em outubro, foi feita uma primeira entrega em Klaipeda, porém ainda em fase de teste. Na ocasião, veio da Noruega o navio Golar Seal, capaz de transportar 160.000 metros cúbicos de gás liquefeito.

O início do transporte regular de gás marca uma nova era para a Lituânia, que fica independente do gás russo e das arbitrariedades agressivas de Vladimir Putin.

domingo, 2 de novembro de 2014

Letônia resiste às chantagens
e intimidações da Rússia

A Letônia confirmou o governo da primeira ministra Laimdota Straujuma
A Letônia confirmou o governo
da primeira ministra Laimdota Straujuma

Após sucessivas ameaças da Rússia e a invasão da Ucrânia, a Letônia teme pelo seu futuro. Ela tem apenas 2 milhões de habitantes, 27% dos quais são etnicamente russos.

Muitos são oficiais soviéticos aposentados, que decidiram permanecer no país com suas famílias após o colapso da URSS, segundo informa “The Washington Post”.

O Kremlin está anunciando à Letônia, em tom de agressão, que "defenderá" esses russos étnicos em seu território custe o que custar.

O pretexto é bem conhecido, já funcionou na Crimeia e está funcionando à toda no leste ucraniano.

Um alto diplomata russo foi até a capital letã para alertar contra as “consequências desastrosas” que se abateriam sobre a pequenina nação se acontecesse alguma forma de “discriminação” contra a minoria russa.

Mas a Letônia é membro da OTAN e mantém um contingente proporcionalmente grande de tropas dos EUA.

“A Rússia e Putin acalentam um interesse geopolítico nos territórios ex-soviéticos”, disse o ministro de Defesa letão Raimonds Vejonis. “A Rússia esta tentando usar a minoria russófona como um instrumento para promover agressivamente seus objetivos”.