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domingo, 2 de novembro de 2025

Brasil e Argentina: fábricas de espiões russos?

Agentes de Moscou que se passaram como argentinos para entrar na Eslovênia,  recebidos por Putin na volta a Rússia
Agentes russos se diziam argentinos entrando na Eslovênia, 
 depois foram recebidos por Putin na volta a Rússia
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







O “New York Times” denunciou que a Rússia forma espiões no Brasil onde apagam os rastros de seu passado russo.

Abrem empresas, fazem amigos, vivem romances e criam identidades verossímeis de brasileiro que os habilitam a grandes operações de espionagem.

Com elas, depois entram nos EUA, Europa ou Oriente Médio, mas alguns foram pegos pela contra-inteligência brasileira.

A polícia argentina descobriu idêntica linha de montagem de falsas identidades argentinas para agentes secretos russos que agem no mundo.

Nos últimos três anos, agentes da contra-inteligência brasileira investigaram esses espiões de forma silenciosa e metódica. Com um trabalho minucioso, descobriram um padrão que permitiu identificá-los, um a um, descreveu longa e pormenorizada reportagem do “The New York Times” reproduzida em espanhol pelo "La Nación" de Buenos Aires. 

Os agentes identificaram ao menos nove oficiais russos com identidades brasileiras, segundo documentos e entrevistas. Até hoje, seis deles eram conhecidos apenas pela polícia.

A investigação já alcançou ao menos oito países, com o apoio de serviços de inteligência dos Estados Unidos, Israel, Holanda, Uruguai e outros aliados ocidentais.

Espião russo que fingia ser brasileiro
Espião russo que fingia ser brasileiro
Com base em centenas de documentos confidenciais e dezenas de entrevistas com policiais e agentes de inteligência em três continentes, o Times apurou os bastidores da espionagem russa no Brasil e da ofensiva silenciosa para desmantelá-la.

Desmontar a fábrica de espiões do Kremlin foi uma resposta aos prejuízos causados por uma década de ofensiva russa.

Espiões russos ajudaram a derrubar um avião que decolou de Amsterdã em 2014, interferiram em eleições nos Estados Unidos, na França e em outros países, envenenaram adversários e planejaram golpes de Estado.

Mas foi a decisão do presidente Vladimir Putin de invadir a Ucrânia, em fevereiro de 2022, que desencadeou uma reação global contra espiões russos, até mesmo em locais onde, por anos, eles atuaram com relativa impunidade.

Entre esses lugares está o Brasil, que historicamente manteve relações amistosas com a Rússia.

A investigação brasileira deu um golpe certeiro no programa de “ilegais” de Moscou.

Desmantelou um grupo de agentes altamente treinados e difíceis de substituir. Ao menos dois foram presos; outros bateram em retirada para a Rússia. Com as identidades expostas, é improvável que voltem a atuar no exterior.

À frente dessa derrota extraordinária esteve a equipe de contra-inteligência da Polícia Federal brasileira, a mesma que investigou o ex-presidente Jair Bolsonaro por planejar um golpe.

De sua moderna sede envidraçada em Brasília, a equipe passou anos vasculhando milhões de registros de identidade em busca de padrões.

Em abril de 2022, poucos meses após a invasão russa da Ucrânia, a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA, na sigla em inglês) enviou uma mensagem urgente e inesperada à Polícia Federal brasileira.

Infiltração no Brasil
Infiltração no Brasil
Os americanos alertaram que um agente da inteligência militar russa havia aplicado para um estágio no Tribunal Penal Internacional na Holanda, justamente quando o órgão começava a investigar os crimes de guerra da Rússia na Ucrânia.

O candidato a estagiário viajava com um passaporte brasileiro em nome de Victor Muller Ferreira. Com essa identidade, concluiu uma pós-graduação na Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.

Mas, segundo a CIA, seu nome verdadeiro era Sergey Cherkasov. Barrado pela imigração holandesa, ele seguia em um voo com destino a São Paulo.

Seu passaporte azul era idêntico ao de qualquer brasileiro. Ele tinha título de eleitor, como exige a lei, e até um certificado de conclusão do serviço militar obrigatório.

Todos os documentos eram autênticos. “Não havia qualquer ligação entre ele e a ‘grande mãe’ Rússia”, disse um policial federal, que falou sob condição de anonimato, como os demais, já que a investigação está em andamento.

Apenas quando a polícia encontrou sua certidão de nascimento é que a história de Cherkasov e toda a operação russa no Brasil começaram a desmoronar.

No passado, espiões russos costumavam obter documentos usando nomes de pessoas mortas, muitas vezes bebês.

Desta vez, foi diferente. Os agentes confirmaram que Victor Muller Ferreira nunca existiu, embora ele tivesse uma certidão de nascimento autêntica.

Brasil investiga supostos espiões russos no país, diz jornal
Brasil seria uma base para espiões russos
Por gerações, agentes secretos usaram passaportes falsos, identidades roubadas e histórias cuidadosamente construídas. Com a era digital, em que quase tudo deixa rastros online, esse trabalho se tornou muito mais difícil.

O próprio Putin admitiu ter supervisionado espiões soviéticos enquanto servia como um jovem oficial da KGB na Alemanha Oriental, no fim da Guerra Fria.

O Brasil parecia o lugar ideal para os espiões escolhidos por Putin construírem suas identidades.

Embora vários países exijam comprovação médica para emitir certidões de nascimento, o Brasil faz uma exceção para nascidos em áreas rurais. Nesses casos, autoridades emitem o documento a quem declarar, na presença de duas testemunhas, que o bebê é filho de pelo menos um dos pais brasileiros.

Com a certidão de nascimento em mãos, basta solicitar o título eleitoral, os documentos militares e, por fim, o passaporte.

A partir daí, o espião pode viajar para quase qualquer lugar do mundo.


domingo, 19 de maio de 2024

Rússia comanda desinformação contra a família real britânica

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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A grande mídia não dá trégua à família real britânica despejando a seu propósito toda classe de boatos que transparecem uma visceral antipatia pelo regime monárquico ainda portador de intenso simbolismo medieval.

A bem dizer se assanha contra ela por qualquer coisa, verdadeira ou falsa, observou o jornal portenho “La Nación”.

Depois se rasgarem as vestimentas por uma fotografia retocada da princesa Kate e dos seus filhos, o rei Carlos III foi alvo de uma campanha de desinformação que o declarou morto com certeza originada em meios de comunicação russos.

Essas notícias falsas se espalharam como um incêndio, forçando o Palácio de Buckingham a negá-las. Mas de onde provinha esse ataque global?

Nada mais e nada menos que da Rússia, onde Putin há muito tem funcionando um verdadeiro exército produtor de fake news para semear o caos mental em Ocidente.

Os chefes a seu serviço explicam que estão incumbidos de tocar uma verdadeira guerra psicológica deturpando as informações, passo prévio para desorganizar o “inimigo” e preparar uma futura conquista política ou militar.

Neste casso, os boatos para desmoralizar a coroa britânica se aceleraram exponencialmente depois de serem publicados na rede social Telegram e serem reproduzidos pelo Vedomosti, um dos jornais de negócios mais respeitados da Rússia.

Lá uma foto de Carlos III em uniforme militar cerimonial saiu com uma breve legenda: “Morreu o rei Carlos III da Inglaterra”.

A partir de ali toda sorte de notícias falsas foram glosadas e amplificadas por sites russos próximos ao poder, incluindo o Readovka, um canal pró-Kremlin do Telegram com mais de 2.350.000 assinantes.

Foram difundidas pelo site Mash; na conta pessoal de Vladimir Soloviev, ex-opositor de Vladimir Putin que se tornou o principal propagandista do regime, e pelo site Sotavision.

A página Readovka disse que possuía um documento, aliás de origem desconhecida, que publicou junto com a foto do monarca britânico e o dizer:

“O seguinte anúncio é feito por comunicações fidedignas. O rei faleceu inesperadamente ontem à tarde”, dizia o texto, datado de 18 de março de 2024.

O documento falso ostentava o selo oficial da residência do rei e era uma cópia do anúncio que o Palácio de Buckingham tinha feito quando da morte da rainha Isabel II.

Com essas aparências enganosas, tomou imediatamente conta das redes sociais, onde, conforme o noticiário, foram acrescentados detalhes.

Falsas informações montadas pela guerra psicológica russa.
Falsas informações montadas pela guerra psicológica russa.
Por exemplo, que todas as bandeiras nos edifícios do governo britânico foram baixadas a meio mastro. Quem conta um conto aumenta um ponto.

No entanto, havia vários indícios que deveriam ter alertado rapidamente as vítimas do embuste que o espalhavam talvez pensando em aumentar suas visualizações.

Os indícios punham e dúvida a credibilidade daquela informação: os seus contornos eram confusos, o formato do texto não correspondia ao utilizado por Buckingham nas suas declarações oficiais.

Sobretudo, a notícia não foi aproveitada por mídia britânica alguma, nem as mais baixamente sensacionalista que sabem como receber milhões de visitas de ingênuos, se seus números são verazes...

Mais recentemente, ocorreu a Putin ameaçar Gra-Bretanha mais uma vez com a bomba atômica.

Decididamente, o ditador do Kremlin e seus asseclas ocidentais disfarçados de conservadores ou religiosos não gostam do país que tantos santos e até Nossa Senhora em La Salette predisseram uma futura conversão que impactaria beneficamente o mundo.


domingo, 29 de maio de 2022

A guerra de fakes russas

Putin nega fazer a guerra contra a Ucrânia quando a faz com ferocidade inaudita
Putin nega fazer a guerra contra a Ucrânia quando a faz com ferocidade inaudita
Luis Dufaur
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“Toda a história humana é a história da arte de enganar”, instruiu o general Alexander Vladimirov apresentando seu livro 'Teoria Geral da Guerra' numa escola de cadetes em Moscou. (Russian International Affaires Council. Moscou 15-04-2014)

Ele é vice-presidente do Colégio de Especialistas Militares da Rússia e um mestre na técnica de iludir no noticiário e nas ações da guerra.

Em russo é a “maskirovka”, ou “pequeno baile de máscaras”, em Ocidente se usa “guerra psicológica”, de “guerra da informação”, e os mais modernos “fake news” e “guerra híbrida”.

A Crimeia foi invadida por “pequenos homens verdes” desarmados e sem insígnias trazidos em caminhões militares sem identificação.

A evidência era de soldados russos, mas a mídia ocidental insistia em não saber de onde vinham.

domingo, 27 de março de 2022

Cansados de propagandas falsas, jornalistas russos deixam imprensa estatal

Oksana Baulina, jornalista rusa oposicionista assassinada de modo suspeito em Kiev
Oksana Baulina, jornalista russa oposicionista assassinada de modo suspeito em Kiev
Luis Dufaur
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Durante mais de duas décadas Dmitri Likin trabalhou para modelar o visual da televisão estatal russa.

Mas, quando Vladimir Putin invadiu a Ucrânia, Likin renunciou a seu cargo de diretor de arte do Canal 1, o canal de televisão estatal russo importante instrumento da guerra da informação do Kremlin.

Likin disse ao “The New York Times” que Putin está executando um “genocídio”.

E que a TV estatal russa há décadas vem deformando o público na preguiça, foi “deseducado” e foi deformado para não ter critérios de análise.

Funcionários que trabalham há muito tempo para o governo cortaram os laços com ele vendo o que o Kremlin manda fazer na invasão da Ucrânia.

Milhares de civis foram presos protestando contra a invasão, dezenas de milhares fugiram da Rússia e, o enviado climático de Putin, Anatoli Chubais, foi o primeiro alto funcionário do governo a renunciar.

segunda-feira, 21 de março de 2022

Invasão abre olhos de “conservadores” enganados

Funeral católico na igreja dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, Lviv
Funeral católico na igreja dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, Lviv
Luis Dufaur
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Muitos americanos – e com eles muitas pessoas de bem no mundo inteiro – estão se perguntando como foi possível que o assassino de um número cada vez maior de civis indefesos na Ucrânia possa haver sido considerado como líder conservador mundial: Vladimir Putin. Cfr.: “Como a direita americana aprendeu a amar a Rússia”, The New York Times,

Caem as bombas de fragmentação na Ucrânia que ferem e destroçam cranças e idosos indiscriminada e cruelmente.

Mas ainda há jornalistas da grande mídia ou influenciadores das redes – tal vez eles próprios manipulados desde São Petersburgo – que continuam a retorcer as palavras para tentar salvar a quem mostra um rosto impávido enquanto acena armas nucleares contra a humanidade.

O até agora respeitado âncora da Fox News, Tucker Carlson, procura achar que não há tantas razões para odiar a Putin. E argumenta que Putin nunca o insultou ou discordou com ele, mas moderou seu putinismo.

O aplaudido entre os conservadores ex-presidente Donald Trump insiste em apresentar Putin como “inteligente”.

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Rússia usa “conservadores” desprevenidos para minar Ocidente

A guerra da informação de Putin explora a mesma ingenuidade de ocidentais que aproveitava a velha URSS, Caricatura de Catolicismo, nº 155, novembro de 1963
A guerra da informação de Putin explora a mesma ingenuidade de ocidentais
que aproveitava a velha URSS,
Caricatura de Catolicismo, nº 155, novembro de 1963
Luis Dufaur
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O serviço de inteligência dos EUA reconheceu em relatório que os serviços secretos russos desencadearam uma campanha de desinformação massiva bem sucedida nas eleições de 2020, divulgou a CNN.

Os objetivos russos iam muito além da eleição de, neste caso Biden, pois tentavam minar “a confiança pública nas instituições e exacerbar as divisões sociopolíticas nos EUA”.

Dessa maneira desfeririam um golpe mortal na coesão do país que é a coluna vertebral dessa nação, independentemente dos candidatos em campanha.

O relatório foi divulgado pelo Gabinete do Diretor de Inteligência Nacional e avalia de modo abrangente as agressões estrangeiras a essa coluna vertebral, detalhando extensas operações de guerra psicológica por adversários dos EUA, que incluem a China e o Irã.

É perturbador o já temido, mas mal ocultado fato que se deu no ano 2020 que já se tinha manifestado em eleições anteriores: grandes figuras da política que se apresentavam como “conservadoras” haviam sido seduzidas pela campanha de desinformação da Rússia e acabavam perdendo aos conservadores sinceros.

terça-feira, 22 de junho de 2021

‘Putin defensor dos valores cristãos’?:
mais uma mentira da nova KGB,
vem advertindo arcebispo

Dom Sviatoslav Shevchuk, arcebispo de Kiev sobre Putin:
a KGB jamais difundiu os valores cristãos,
mas se serviu deles com finalidades políticas.
Eu não acredito que quem sacrifica um milhão de vidas
para atingir objetivos geopolíticos
possa estar animado por valores cristãos.
Não sejamos ingênuos”.
Luis Dufaur
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Em entrevista de imprensa na sede da Rádio Vaticana, Mons. Sviatoslav Shevchuk, arcebispo-mor do Rito greco-católico, disse ter advertido o Papa a respeito de afirmações da Santa Sé que podem ser associadas à propaganda russa.

Mons. Shevchuk esteve em visita ad limina a Roma, juntamente com mais de vinte bispos católicos ucranianos dos ritos latino e bizantino dm 2015. E desde então os prelados ucranianos vem transmitindo a Papa Francisco a dramática situação que vive seu país ameaçado em suas fronteiras com a Rússia e com parte de seu país ainda invadido por mercenários pagos por Moscou.

“Para descrever o que acontece na Ucrânia, advirtiu ele no início da entrevista, só se pode usar uma palavra: invasão estrangeira e não conflito civil”.

A expressão “guerra fratricida” havia sido usada pelo Pontífice numa audiência com particular infelicidade. Ela suscitou fortes reações nos ambientes católicos ucranianos e verdadeiro entusiasmo entre os seguidores de Vladimir Putin, entre os quais se destacou o Patriarcado cismático de Moscou.

A expressão “guerra fratricida”, explicou o arcebispo de Kiev, feriu a sensibilidade do povo ucraniano, pois ecoa a visualização do conflito ucraniano espalhada pela “propaganda russa”. Até hoje as regiões 'separatistas' funcionam como território ocupado por agentes do Kremlin que as governam armados.

domingo, 13 de junho de 2021

Repressão russa ao catolicismo promovida em Paris

Alexander Dvorkin, funcionário da Igreja Ortodoxa Russa é o encarregado de indiciar as vítimas religiosas
Alexander Dvorkin, funcionário da Igreja Ortodoxa Russa,
é o encarregado de indiciar as vítimas religiosas
Luis Dufaur
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Hoje soaria demencial um relato fictício de hierarcas nazistas como Himmler e Goebbels fazendo palestra em Paris para se apresentar vitimados pela perseguição dos judeus, dos americanos e dos estudiosos contrários ao nazismo.

Porém, se tivesse ocorrido durante a ascensão do nazismo, as “vítimas” teriam sido ovacionadas e os “judeus, americanos, etc.” execrados.

Hoje, o artista contemporâneo que montasse uma peça, show satírico ou obra de arte com esse horrível tema sucumbiria sob uma catarata de condenações.

No entanto, aconteceu em fevereiro de 2021 em Paris, segundo denunciou Massimo Introvigne, representante da OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa) para o Combate ao racismo e xenofobia com particular atenção para a discriminação contra os cristãos.

terça-feira, 1 de junho de 2021

Guerra da informação russa promove confusão sobre vacinas anti-Covid

Desinformaão desestabiliza tentativas de combater racionalmente a doença
Desinformação desestabiliza tentativas de combater racionalmente a doença
Luis Dufaur
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Uma misteriosa agência de relações públicas com sede em Londres propunha a influenciadores das redes sociais da França e da Alemanha até milhares de euros com uma condição: apresentar a vacina da Pfizer como causadora da morte, noticiou o “The New York Times”.

A afirmação é falsa e a agência, de nome Fazze, é uma ficção, tem um site e se diz “plataforma de marketing influenciador” que conecta blogueiros e anunciantes.

A operação tinha um fundo criminoso: desanimar a vacinação das pessoas que caíssem no conto, sobretudo quando este era difundido por influenciadores já conhecidos.

Alguns dos influenciadores se perguntaram o que é que era essa agência Fazze que tentava seduzi-los com dinheiro.

A trilha os levou à Rússia. Sem sabe-lho esses influenciadores podiam cair na malha inescrupulosa da Guerra da Informação sempre ativa no império de Vladimir Putin, formado na polícia secreta soviética KGB.

“Incrível. O endereço da agência de Londres que me contatou é falso”, escreveu no Twitter Léo Grasset, quem publica matérias sobre saúde e ciências no YouTube e tem mais de um milhão de seguidores.

“Todos os funcionários [da misteriosa agência] tem perfis estranhos e desapareceram esta manhã. Todos eles antes trabalharam na Rússia”.

segunda-feira, 22 de março de 2021

Guerra da informação russa manipula a Sputnik-V

Promessas de vacinação recorde foram blefe de sabor comunista
Promessas de vacinação recorde foram blefe de sabor comunista
Luis Dufaur
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A vacina Sputnik V teria colocado a Argentina no topo dos países centrais segundo o governo populista, em verdade dissimuladamente pro-russo e pro-comunista, de Buenos Aires.

A imunização da população com o Sputnik-V devia começar em dezembro de 2020. Putin anunciava que a medicina russa estava na dianteira do combate mundial ao vírus.

Mas, a pólvora russa molhou-se mais cedo do desejado, observou o “Clarín” de Buenos Aires. Em apenas dois meses a bolha da mentirada estava perfurada.

No Kremlin os trompetes soaram forte e frente à Casa Rosada o vulgar bombo peronista bateu feio, porém poucos dos 20 milhões de doses anunciados para janeiro e fevereiro de 2021 acabaram descendo em aeroportos argentinos.

A grande mídia bajulava o governo exibindo as fotos dos Airbus 330 preparados na pista para ir à Rússia trazer os milhões de doses.

domingo, 29 de novembro de 2020

Russos falsificam dados de sua vacina de modo “criminoso”, diz cientista

Sputnik V mal foi testada mas Putin garante que é a melhor
Sputnik V mal foi testada mas Putin garante que é a melhor
Luis Dufaur
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A guerra psicológica russa acha útil que o Kremlin apareça liderando a corrida para produzir a vacina contra o Covid.

O nome da vacina excogitada é Sputnik V e evoca a era da corrida espacial soviética. Segundo Putin a vacina teria feito bem a uma de suas filhas que até então pouco se sabia de sua existência.

Putin anunciou pomposamente: “esta manhã, pela primeira vez no mundo, foi registrada uma vacina contra o novo coronavírus. Sei que é bastante eficaz e dá imunidade duradoura”, registrou Francetvinfo.

A Sputnik V foi testada em mais 76 pessoas, disse Putin, e apenas com isso se teria tornado muito popular em Moscou.

domingo, 6 de setembro de 2020

Putin e a Bielorússia:
“a Rússia não tem fronteira alguma”

Manifestações populares contra ditador da Bielorússia, ameaçam império de Putin
Manifestações populares contra ditador da Bielorrússia,
ameaçam império de Putin
Luis Dufaur
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Foi há apenas quatro anos, mas a lembrança até hoje orienta os espíritos previsores, vendo sobretudo a indignação do povo bielo-russo diante do que considera uma grosseira fraude eleitoral do ditador Aleksandr Lukashenko, lugar-tenente de Putin.

Putin não quer ver reproduzido na Bielorrússia a brilhante reação ucraniana que teve seu centro na Praça Maidan de Kiev e derrubou o presidente pro russo Viktor Yanukovytch, outro serviçal de Moscou que acabou fugindo à Rússia. 

Putin puniu a Ucrânia com a ocupação ilegal da Crimeia e a invasão do leste ucraniano.

O fato que evocamos aconteceu quando o pequeno Miroslav, de nove anos, galardoado pela Sociedade de Geografia Russa pelo fato de decorar todos os limites dos países do mundo, foi levado ante o todo-poderoso presidente da Rússia, Vladimir Putin.

Este se pôs de cócoras ante o menino e diante de um auditório lhe perguntou onde acabavam as fronteiras da Rússia.

A criança se encheu de coragem e respondeu:

– A Rússia termina no Estreito de Bering, na fronteira com os Estados Unidos.

domingo, 12 de julho de 2020

Putin confessa: “sou comunista”

Putin confessa: 'sou comunista'.
Putin confessa: 'sou comunista'.
Luis Dufaur
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“Eu gostava muito e continuo gostando das ideias socialistas e comunistas”, proclamou no dia 25 de janeiro de 2016 presidente Vladimir Putin o  durante o 1º Foro inter-regional da Frente do Povo de Todas as Rússias, em Stavropol, no sudoeste da Federação Russa, segundo informou na ocasião a agência de Moscou Interfax.

E para afastar qualquer dúvida, acrescentou:

“Vocês sabem que, como mais de 20 milhões de cidadãos soviéticos, eu fui membro do Partido Comunista da URSS. E não somente fui um membro do partido, mas trabalhei por quase 20 anos para uma organização conhecida como Comitê para a Segurança do Estado”, o nome por extenso da KGB.

“Como vocês sabem, não fui um membro por necessidade”, acrescentou. “Eu gostava muito das ideias comunistas e socialistas como ainda continuo gostando”, sublinhou.

E completou afirmando que ele nunca jogou fora sua carteira de membro do Partido Comunista da URSS. “O Partido Comunista da União Soviética colapsou, mas minha carteirinha está bem guardada em certo local”.

Desde então ele vem confirmando essa posição como puderam ver os leitores, seguidores e assinantes de “Flagelo Russo”. Temos descrito em dezenas de posts essa posição ideológica de Putin, dissimulada por vezes sob um palavreado enganador ou em manobras calculadas para despistar.

Porém, é oportuno relembrar aquela explicitação para abrir os olhos de muitos espíritos pouco perspicazes ou iludidos pela guerra da informação do Kremlin.

É claro que não temos ilusão quanto aos camuflados, mas genuínos simpatizantes do comunismo putinista, “companheiros de viagem” das manobras do líder russo.

Estes não perderão ocasião para voltar a insistir nas virtudes e utilidades do líder comunista confesso.

Pensamos especialmente nos eclesiásticos que fingem ver nele a promessa de uma restauração dos valores cristãos.

domingo, 17 de maio de 2020

Desinformação de Putin visa abalar confiança na medicina ocidental

Na KGB, Putin se familiarizou com campanhas de desinformação desestabilizadoras
Na KGB, Putin se familiarizou com campanhas de desinformação desestabilizadoras
Luis Dufaur
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Em 3 de fevereiro, logo após a Organização Mundial da Saúde OMS ter declarado o coronavírus uma emergência de saúde global, começou uma chuva de notícias falsas desde Moscou acusando o exército dos EUA ter criado e espalhado uma arma biológica para incapacitar e matar, registrou “The New York Times”.

A mentira dizia existirem provas “irrefutáveis” pouco se importando que os principais cientistas na matéria tivessem desmascarado a alegação.

Uma vasta investigação desse insuspeito jornal engajado nas causas de esquerda, quis tirar a limpo as acusações de fake news espalhadas pelo governo Putin.

E descobriu com base em farta documentação que o Kremlin espalha informações erradas sobre saúde há pelo menos uma década.

A “máquina de trolls” veio espalhando que as epidemias virais são semeadas por cientistas americanos e que suas vacinas são enganosas e visam objetivos sinistros. Não assim as que Putin promove em casa.

“Trata-se de sabotar a confiança nas instituições do governo” americano, disse Peter Pomerantsev, autor de um livro de 2014 sobre a desinformação do Kremlin.

domingo, 2 de fevereiro de 2020

Rússia testa sua Cortina de Fogo desconectando-se da Internet

Com a nova rede os russos ficariam presos numa Cortina não de Ferro mas digital
Com a nova rede os russos ficariam presos numa Cortina não de Ferro mas digital
Luis Dufaur
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Enquanto o mundo celebrava o Natal, o Kremlin comemorava como sucesso ter conseguido desconectar o país inteiro da rede global da Internet.

O pretexto foi “testar a efetividade da Runet, um projeto para criar uma infraestrutura que mantenha em funcionamento a rede caso sofra uma ameaça global”, noticiou “Clarín” de Buenos Aires.

Os testes demoraram vários dias e foram conduzidos por organismos do Estado, fornecedores locais de serviços, empresas de Internet russas, mas não outras.

O vice-ministro russo das Comunicações, Alexey Sokolov, falou de exercícios para capacitar os operadores russos a “responder de forma efetiva a riscos e ameaças externas”.

A Rússia tenta há anos montar um sistema de algoritmos que permita à sua rede funcionar de modo totalmente incompatível com a rede mundial, ficando inacessível desde fora.

Moscou vinha promovendo seu projeto junto a países “amigos” em competição com o sistema chinês – apelidado “Grande Muralha de Fogo” –, utilizado por Pequim para censurar as comunicações de seus cidadãos dentro e fora da China.

O sistema chinês exige um verdadeiro exército – fala-se em mais de cem mil homens – dedicado a espionar e cortar as mensagens dos chineses que se desviem da linguagem ou ‘novilíngua’ socialista oficial.

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Mercenários russos no Chile e na Bolívia até Síria e África Central

Evgeny Prigozhin, chefe da 'Wagner'. Objetivo é eliminar os opositores de Putin em qualquer lugar.
Evgeny Prigozhin, chefe da 'Wagner'.
Missão é eliminar os opositores de Putin em qualquer lugar.
Luis Dufaur
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Em setembro ficaram mais uma vez em evidência: 35 mercenários russos pereceram combatendo perto de Trípoli, capital da Líbia.

O site russófono Meduza, sedado na Letônia, divulgou que pertenciam à milícia privada “Wagner”.

Essa milícia conta com 5.000 mercenários e é criação de Evgeni Prigozhin,

58 anos, um “oligarca” a serviço de Vladimir Putin. Os mortos caíram guerreando contra o governo líbio.

domingo, 8 de setembro de 2019

Francisco e Putin: “2 Papas” para se repartir os cristãos?

Agência por excelência da "guerra da informação" russa Sputnik apresenta ambos líderes unidos para "defender os cristãos pelo mundo todo"
Agência por excelência da "guerra da informação" russa Sputnik
apresenta ambos líderes unidos para "defender os cristãos pelo mundo todo"
Luis Dufaur
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Parece absurdo supor que o Papa Francisco e o presidente da Federação Russa Vladimir Putin possam ser igualados com um mesmo rótulo de “Papas”.

Mas segundo o perspicaz “The New York Times”, os dois estão agindo como “2 Papas” que se repartem os dois polos em que estão se dividindo os católicos,

Como isso pode ser sequer cogitado por um jornal dessa envergadura?

Putin tem em seu favor uma máquina de guerra da informação que trabalha para fazer dele um “papa” alternativo que guia espiritualmente um novo movimento cristão.

“Posso estar dizendo uma heresia, mas Putin me parece mais um papa, pela maneira que vive o cristianismo, em comparação com aquele que para todos os efeitos deve ser o papa”, afirmou, por exemplo, Gianmatteo Ferrari, secretário de um grupo italiano pró-Rússia chamado “Associação Cultural LombardiaRussia”, noticiou o “The New York Times”. 

domingo, 21 de julho de 2019

Incógnitas assustadoras
do incêndio em submarino russo

Restos recuperados por noruegueses do Kursk. O secretismo em ambos casos deixou intrigado o mundo.
Restos recuperados por noruegueses do Kursk.
O secretismo em ambos casos deixou intrigado o mundo.
Luis Dufaur
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A história do submarino russo AS-12 “Locharik” que pegou fogo tem algo de filme de terror, mas está envolta nas brumas misteriosas da “guerra da informação”.

Ficou fora de dúvida que esse submarino nuclear era um navio espião.

Foi feito pela Rússia para interceptar informações que transitam pelos cabos oceânicos intercontinentais – civis e militares, escreveu “O Estado de S.Paulo”.

Também pode mapear o fundo do mar procurando jazidas minerais e até agir em operações de resgate.

Porém um mistério sinistro, tal vez ficou enterrado para sempre no mar de Barents ou em algum escritório do Kremlin. O “Locharik” foi feito mesmo para vigilância avançada, coleta de dados de inteligência, leia-se espionar ou até sabotar nervos decisivos de comunicação.

Ele trabalha para a GU, principal agência da Defesa na rede russa de informações. Os 25 tripulantes são todos oficiais especializados.

domingo, 9 de junho de 2019

Maior fábrica de “notícias falsas” é russa

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







“El Mundo” de Madri comemorou com não dissimulada decepção o fato de “depois de anos de silêncio ante a agressão, o paquiderme europeu começou a se movimentar” embora a ‘passos lentos’.

Referia-se à incompreensível inércia da União Europeia diante da constante ofensiva da “guerra da informação” russa.

Como há anos vimos comentando em nosso blog sem outro recurso senão a leitura e o raciocínio sobre o noticiário virtual mais respeitável, a Rússia de Putin montou uma unidade militarizada cujo objetivo é desorganizar as informações, para embaralhar o raciocínio, desorientar e, por fim, abater os povos que quer submeter.

Outrora falava-se da “paz da Varsóvia” para caracterizar a sujeição de um povo vítima reduzido ao silêncio dos mortos no cemitério.

domingo, 7 de abril de 2019

TV russa mostra alvos para ataque nuclear aos EUA e sonha com capitulações

Dimitri Kiselyov, âncora da TV, mostra objetivos nos EUA a serem pulverizados (Captura de vídeo)
Dimitri Kiselyov, âncora da TV, mostra objetivos nos EUA a serem pulverizados
(Captura de vídeo)
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






O presidente Vladimir Putin ameaçou os EUA com um equivalente da “crise dos misseis” acontecida a propósito do envio de mísseis nucleares russos a Cuba, e que pôs o mundo à beira da guerra mundial atômica durante 13 dias (16-28 outubro de 1962).

Uma semana depois, a TV estatal voltou à carga com as ameaças enumerando os objetivos que o Kremlin atacaria em território americano em caso de conflito nuclear, noticiou o jornal de Barcelona “La Vanguardia”.

No operativo a Rússia usaria um míssil hipersônico que estaria desenvolvendo.

Segundo a agência Reuters, Dimitri Kiselyov, o âncora do Vesti Nedeli principal noticiário semanal da TV moscovita, exibiu num mapa pelo menos cinco objetivos: o Pentágono, a casa de feiras do presidente em Camp David (Maryland), centros militares como Fort Ritchie, uma base aérea em McClellan (Califórnia) e uma base naval no Estado de Washington.