domingo, 28 de julho de 2019

Pobreza e repressão potenciam descontentamento

Putin teve que reconhecer o empobrecimento da Rússia
Putin teve que reconhecer o empobrecimento da Rússia
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Putin prossegue enfrentando um crescente descontentamento e teve que reconhecer que o nível de vida dos russos se degradou nos últimos anos.

E se obrigou a remediar a situação. Mas poucos acreditam na gasta promessa.

Ordenados baixos demais, aumento nos preços ao consumidor e nos serviços públicos: as queixas não acabam.

Putin confessou que a vida estava mais dura, mas pôs a culpa no Ocidente e na queda da cotação internacional do petróleo, noticiou a agência France Press.

Também defendeu medidas impopulares como a elevação da idade para a aposentadoria, aumento do ICMS, etc., mas insistiu que aumentaria o nível de vida da população que só faz baixar há anos, consertar o calamitoso sistema de saúde e a deficiente coleta do lixo.

O regime criou o programa “Linha direta” em que cada russo pode enviar sua queixa ao presidente.

As questões mais repetidas num total de 1,8 milhões foram: “uma só pergunta: quando o Sr. vai embora?”, “o que faremos quando acabe o petróleo e o gás?”, e “por favor, salve a Rússia”.

Os índices econômicos caem e a popularidade também. Putin tentou tranquilizar respondendo em direto pela TV
Os índices econômicos caem e a popularidade também.
Putin tentou tranquilizar respondendo em direto pela TV
Segundo o instituo independente Levada, a aprovação dos russos a seu presidente continua em franco retrocesso após ter atingido níveis nos patamares de 80% e 90% após a anexação da Crimeia há cinco anos.

“A pobreza é uma vergonha para a Rússia”, declarou o chefe do Tribunal de Contas da Rússia, Alexeï Kudrin, que não excluiu o risco de uma explosão social.

O descontentamento está redundando numa série de manifestações locais sobre problemas concretos e mais recentemente pela falta de liberdade política nas eleições.

Os russos também estão preocupados pela degradação da política externa num momento em que as relações com os ocidentais atingiram o ponto mais baixo desde o fim da Guerra Fria.

NATO se prepara para uma crise de mísseis com a Rússia

A repressão dos dissidentes serve de termômetro do mal-estar. O jornalista investigativo Ivan Golunov foi preso com a falsa acusação de manter em seu apartamento um laboratório para refino de drogas.

É claro que foi uma armação”, disse a jornalista russa Nastia Dagaeva, da revista Forbes citada pela “Folha de S.Paulo”.

O real motivo foi que Golunov denunciou uma máfia que controla o serviço funerário de Moscou. Nela estão envolvidos membros do poderoso FSB, a principal agência repressiva herdeira da antiga KGB soviética.

Ivan Golunov foi vítima de uma armação porque denunciou máfia do FSB. Putin teve que liberá-lo para acalmar indignação
Ivan Golunov foi vítima de uma armação porque denunciou máfia do FSB.
Putin teve que liberá-lo para acalmar indignação
A represália oficial é comum na Rússia. Mas, desta vez mexeu com os brios de uma elite usualmente favorável ao Kremlin.

Esse revidou mostrando fotos do laboratório de drogas, que depois se verificaram falsificadas.

Putin procurou colher benefícios com uma rápida e inaudita libertação.

O ministro do Interior, Vladimir Kolokostsev reconheceu que houve “erros”, encerrou o processo e libertou o jornalista. Dois policiais que armaram o flagrante contra Golunov, foram suspensos.

Na saída da delegacia Golunov foi aplaudido pelos jornalistas.

Isso nunca aconteceu na história russa recente. Putin foi obrigado a mudar de tática”, disse por email o jornalista Nikolai Sokolov.

Prisão injusta de Ivan Golunov gerou indignação e mais repressão
Prisão injusta de Ivan Golunov gerou indignação e mais repressão
Até a rede de TV Russia Today - RT, usual canal de propaganda putinista, questionou a prisão do jornalista.

Os três principais diários russos, Kommersant, Vedomosti e RBK, publicaram primeiras páginas idênticas com a frase “Eu sou/Nós somos Ivan Golunov”.

Os assassinatos de repórteres que incomodam estruturas de poder são notórios no país, como o caso de Anna Politkovskaia, que investigava a corrupção em 2006.

Segundo o Comitê para Proteção de Jornalistas, 28 profissionais foram assassinados na Rússia desde 2000 — em comparação, foram 34 no Brasil.

Porém, o colunista Leonid Berchidski do jornal online The Moscow Times não se fez ilusões com a libertação de Golunov: “não vamos nos mover nem um pouco rumo à normalidade”, disse.




domingo, 21 de julho de 2019

Incógnitas assustadoras
do incêndio em submarino russo

Restos recuperados por noruegueses do Kursk. O secretismo em ambos casos deixou intrigado o mundo.
Restos recuperados por noruegueses do Kursk.
O secretismo em ambos casos deixou intrigado o mundo.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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A história do submarino russo AS-12 “Locharik” que pegou fogo tem algo de filme de terror, mas está envolta nas brumas misteriosas da “guerra da informação”.

Ficou fora de dúvida que esse submarino nuclear era um navio espião.

Foi feito pela Rússia para interceptar informações que transitam pelos cabos oceânicos intercontinentais – civis e militares, escreveu “O Estado de S.Paulo”.

Também pode mapear o fundo do mar procurando jazidas minerais e até agir em operações de resgate.

Porém um mistério sinistro, tal vez ficou enterrado para sempre no mar de Barents ou em algum escritório do Kremlin. O “Locharik” foi feito mesmo para vigilância avançada, coleta de dados de inteligência, leia-se espionar ou até sabotar nervos decisivos de comunicação.

Ele trabalha para a GU, principal agência da Defesa na rede russa de informações. Os 25 tripulantes são todos oficiais especializados.

domingo, 14 de julho de 2019

Tribunal indicia assassinos de 298 passageiros,
mas familiares clamam: “Putin é culpado”

Os indiciados pelo crime de massa.
Os indiciados pelo crime de massa.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Três russos e um ucraniano serão levados ao banco dos réus pelo homicídio resultante do ataque a um avião de passageiros na Ucrânia, em 2014, anunciaram investigadores internacionais à imprensa internacional como a “Folha de S.Paulo”.

O voo comercial MH17, da companhia aérea Malaysia Airlines, ia de Amsterdã para Kuala Lumpur, e foi derrubado inexplicavelmente por um míssil russo que matou as 298 pessoas a bordo.

O julgamento começará em março de 2020, mas é provável que os acusados não compareçam à corte e sejam julgados “em ausência”, segundo anúncio dos promotores, feito na Holanda.

As autoridades da Rússia não cooperaram com as investigações, foram pegas mentindo repetidamente, e não devem entregar os indiciados.

Ordens de prisão internacional já foram emitidas, disse o promotor holandês Fred Westerbeke.