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domingo, 27 de abril de 2025

UE instrui cidadãos para sobreviver a uma invasão russa

Europa começou a se rearmar para se defender da Rússia, mas talvez seja tarde demais
Europa começou a se rearmar para se defender da Rússia,
mas talvez seja tarde demais
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








A Comissão Europeia, cúpula da UE, lançou o “Livro Branco sobre a Defesa Europeia e plano ReArm Europe/Prontidão 2030” para os cidadãos se munir de um kit de emergência e sobreviver 72 horas em caso de guerra com a Rússia ou outra tragedia.

A UE avisa que a Europa “está enfrentando uma nova realidade” desde a invasão russa da Ucrânia.

“Devemos nos preparar para a possibilidade de agressão armada” afirma o plano para as famílias suportar os três primeiros dias armazenando água, alimentos, medicamentos, dinheiro vivo, uma rádio, óculos, fósforos, canivetes, lanternas até que chegue a ajuda externa.

Os estados-membros estão aumentando drasticamente os gastos militares.

O comunicado que anuncia oficialmente o “Livro Branco sobre a Defesa Europeia e plano ReArm Europe/Prontidão 2030” acrescenta “Citações” dos líderes europeus para os cidadãos refletir sobre os novos horizontes.

Eis eles:

A Europa precisa se preparar para a guerra
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia:


“A era do «dividendo da paz» acabou há muito.

“A arquitetura de segurança que utilizámos já não pode ser considerada como um dado adquirido.

“A Europa está pronta para assumir as suas responsabilidades. Importa investirmos na defesa, reforçarmos as nossas capacidades e adotarmos uma abordagem proativa em matéria de segurança. Estamos a tomar medidas decisivas.

“Apresentámos um roteiro «Prontidão 2030» que prevê um aumento dos gastos em defesa e investimentos importantes nas capacidades industriais de defesa europeias.

“Temos de comprar mais na Europa porque isso significa reforçar a base tecnológica e industrial da defesa europeia e significa estimular a inovação, criando um mercado à escala da UE para equipamentos de defesa”. 



Kaja Kallas Rússia é ameaça de guerra para Europa
Kaja Kallas: Rússia é ameaça de guerra para Europa
Kaja Kallas, alta representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança e vice-presidente da Comissão:


“O nosso investimento na defesa demonstra a forma como valorizamos a nossa defesa.

“E, nas últimas décadas, não lhe atribuímos um valor suficientemente elevado. Temos de gastar mais.

“Ao mesmo tempo, o valor acrescentado da nossa cooperação é inestimável.

“Dá-nos uma vantagem competitiva que não tem comparação em nenhuma parte do mundo.

“No nosso Livro Branco sobre a Defesa Europeia — Prontidão 2030 definimos formas concretas de alcançar esse objetivo.

“Quer se trate de dar apoio à Ucrânia, de colmatar as nossas próprias lacunas em termos de capacidades ou de defender um mundo que não se deve reger pela lei do mais forte, teremos sempre mais força em conjunto”. 



Andrius Kubilius a Europa precisa se armar
Andrius Kubilius, comissário da Defesa e Espaço da UE:


“Este pacote «Defesa», que inclui o Livro Branco sobre a Defesa Europeia e o plano ReArm Europe/Prontidão 2030, constitui um momento decisivo para a nossa União.

“A Europa já não se pode dar ao luxo de ser um mero espetador quando se trata da sua própria segurança.

“Devemos ocupar-nos da nossa própria defesa, reforçando os nossos compromissos em matéria de segurança coletiva e mantendo-nos firmes contra aqueles que procuram questionar a nossa soberania.

“Não se trata apenas do reforço militar, mas da nossa prontidão, da nossa autonomia estratégica e do futuro da Europa enquanto protagonista mundial”. 



Valdis Dombrovskis agora é hora de se re-armar.
Valdis Dombrovskis, comissário da Economia e Produtividade, Simplificação e Execução da UE:


“O mundo mudou e a Europa tem de mudar com ele.

“A nossa segurança e a nossa prosperidade estão interligadas e ReArm Europe/Prontidão 2030 é o nosso plano para reforçar ambas.

“Propomos hoje ativar a cláusula de derrogação de âmbito nacional como medida temporária, coordenada e direcionada para impulsionar os investimentos na defesa a nível nacional e da UE.

“Serão concedidas facilidades aos países da UE para realizar os investimentos necessários nas nossas capacidades de defesa e na nossa indústria, gastando cada vez mais e melhor, em conjunto.

“Tal reforçará igualmente o crescimento econômico, impulsionará a inovação e criará emprego, assegurando simultaneamente a sustentabilidade orçamental.

“A Europa estará à altura deste desafio”.

domingo, 6 de outubro de 2024

Milhares de recrutas russos sem treino militar se rendem

Rendição de milhares de conscritos russos é uma dor de cabeça para Putin
Rendição de milhares de recrutas russos é uma dor de cabeça para Putin
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Mais de 300 jovens recrutas russos foram interrogados numa prisão ucraniana visando sua troca por prisioneiros ucranianos cativos dos invasores. O jornal americano “The New York Times”, assistiu à cena e a relatou.

Eles tinham um rosto jovial e corpos delgados. A batalha que perderam e em que ficaram prisioneiros na região de Kursk foi a primeira de suas jovens vidas.

O “New York Times” os menciona só pelo primeiro nome para garantir sua segurança caso sejam devolvidos à Rússia. O simples fato de ter falado diante de repórteres americanos poderia lhes custar excessivamente caro voltando ao despotismo putinista.

Na prisão ucraniana viviam deitados em beliches ou sentados em bancos de madeira, assistindo a desenhos animados numa televisão fornecida pelo carcereiro. De fato, pareciam nunca ter saído de casa.

Vasily, capturado no início da incursão ucraniana na Rússia contou que o único que ele e seus colegas pensaram foi em fugir e se esconder num arvoredo onde foram capturados ingenuamente por astutos ucranianos.

Os jovens soldados nas entrevistas descreveram como se tinham rendido ou abandonado as suas posições espantosamente desorganizadas.

Conscritos russos en Kursk mal conseguiam combater sem treino nem armas, com oficiais incompetentes
Recrutas russos em Kursk mal conseguiam combater
sem treino nem armas, com oficiais incompetentes
Vasily disse: “nunca pensei que isso fosse acontecer”, referindo-se ao ataque ucraniano.

O comando militar russo parecia ter achado que nunca ocorreria o que aconteceu e instalou nas defesas fronteiriças recrutas inexperientes, alguns com poucos meses nas filas.

Não houve sangrentas lutas: os recrutas abandonaram as suas posições percebendo que acontecia o nunca imaginado e que sua inferioridade em número e armas era grande demais.

A lei proíbe enviar recrutas para fora da Rússia e o exército, com falta de combatentes treinados, utilizou os jovens ignorantes para proteger a fronteira.

Na Rússia, os recrutas são enrolados após o ensino médio para tarefas braçais, como remover neve de bases.

Os soldados, porém, devem ser voluntários e são contratados, sendo melhor pagos e hoje suportam o peso das guerras na Síria e na Ucrânia.

Foi assim que sem muita dificuldade que os ucranianos que capturaram centenas de jovens numa semana e meia.

A prisão ucraniana de Sumy, já interrogou 320 prisioneiros de guerra, 80% deles recrutas, antes de serem enviados para mais longe dos combates, amontoados em celas no porão, onde estão protegidos de possíveis ataques aéreos.

Eles usavam moletons, camisetas e shorts que seus captores lhes haviam fornecido. Alguns tinham ferimentos de estilhaços ou balas.

Com os olhos arregalados e aparentemente desorientados, observaram enquanto os guardas escoltavam os jornalistas até às celas para entrevistá-los.

Eles foram estacionados em pelotões de 30 em fortes de concreto ou terra a pouco menos de 2 quilômetros ao longo da fronteira. Lá eles fugiram com presteza, segundo testemunhas.

Os recrutas russos prisioneiros narraram condições penosas no exército russo
Os recrutas russos prisioneiros narraram condições penosas no exército russo
A bem dizer, eles não estavam interessados em dar a vida por Putin.

A população recebeu alimentos e ajuda humanitária dos ucranianos e Moscou mandou deportar a 200.000 cidadãos russos, parecendo desconfiar da simpatia desses pelos ucranianos.

Igor, um jovem magro de 21 anos contou: “informamos os comandantes, mas eles não reagiram”. Então concluíram que “não podemos fazer nada” e se refugiaram numa fortificação que logo pegou fogo.

A corrupção no exército russo, objeto de continuados expurgos, consumiu os recursos para reforçar as defesas fronteiriças junto à Ucrânia.

O grupo de Igor tinha apenas um rifle sem recuo com o qual nunca foram capazes de acertar os veículos de combate Bradley ucranianos fornecidos pelos EUA. O rifle disparava, mas o cano estava torto e o tiro saia na direção errada.

Sergei, de 20 anos, é do vale do rio Volga, contou que o líder do seu pelotão de 28 soldados ordenou uma retirada caótica. Refugiaram-se numa casa da cidade, até que chegaram os soldados ucranianos.

A reação foi unânime e o líder do pelotão gritou pela janela: “Há recrutas aqui. Queremos nos render.”

Dmitry, 21 anos, do norte da Rússia, disse que seus rádios pararam de funcionar no dia que, segundo lhes tinham dito, nunca viria o inimigo.

Os ucranianos descreveram uma defesa russa fraca e desorientada.

E os recrutas do “segundo maior exército do mundo” continuam a ser capturados.

Bradley ucraniano avança celeremente dentro da Rússia
Bradley ucraniano avança celeremente dentro da Rússia.
Ucranianos ficaram surpresos pela fraqueza das defesas russas
As perdas de jovens soldados ucranianos recrutados pela URSS para as guerras no Afeganistão e na Chechênia tinham causado descontentamento generalizado.

Agora, famílias perturbadas organizaram protestos semanais em Kiev, a capital ucraniana, para chamar a atenção para seus entes queridos detidos. A Rússia não revela o número de ucranianos que capturou, mas presume-se que há mais ucranianos do que russos.

A chegada dos recrutas presos deixou felizes as famílias de soldados ucranianos detidos na Rússia pois poderá haver um intercâmbio de prisioneiros mais numeroso.

Exemplo típico é Tetyana Vyshnyak que tem um filho capturado e condenado a 22 anos de prisão russa.

Havia pouca esperança de que ele fosse libertado, mas agora, disse ela, “para todos nós, esta é uma grande oportunidade e esperamos que nossos entes queridos sejam redimidos”.

Valeria Subotina, ex-assessora de imprensa do Regimento Azov, passou 11 meses em cativeiro russo antes de uma troca em 2023, disse: “espero que a operação na região de Kursk possa mudar isto”.

Soldados russos protestam contra o 'trato animalesco' que recebem dos oficiais
Soldados russos protestam contra o 'trato animalesco' que recebem dos oficiais
Acresce que os ucranianos presos na guerra são maltratados, torturados, forçados a trabalhos esgotadores, e até assassinados nos campos de concentração russos, contra todas as normas internacionais sobre o trato dos prisioneiros de guerra.

Putin acena com recrutar números mirabolantes de jovens ou operários nessas condições, mas não há tempo para lhes dar treino militar.

Além do mais carece angustiantemente de uniformes, armas, veículos, combustíveis e fornecimentos para sustentá-los.

Agora precisa tirar soldados profissionais da Ucrânia para conter a invasão de seu território pelos ucranianos que jamais imaginaram encontrar uma resistência tão fraca.

domingo, 18 de agosto de 2024

Descalabro das forças armadas russas

Fotos de satélite mostram bases russas vazias perto da fronteira com a Finlândia
Fotos de satélite mostram bases russas vazias perto da fronteira com a Finlândia
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O ministro da Defesa norueguês, Eirik Kristoffersen, garantiu que as forças terrestres russas estacionadas na Península de Kola, fronteira com a Noruega e a Finlândia, foram “dizimadas” pelas pesadas perdas sofridas na Ucrânia, divulgou o jornal francês “L’Independant”.

O descalabro ficou patente com a surpreendente facilidade com que o exército ucraniano está entrando na região russa de Kursk e se abrindo, eventualmente, caminho para Moscou.

Um jornal finlandês assegura que as guarnições e bases militares russas perto da fronteira com a Finlândia estão quase vazias. Quase todas as forças terrestres de Moscou, outrora estacionadas na área, foram enviadas para a Ucrânia.

As imagens de satélite recentes confirmam forte redução no número de tropas e equipamentos ao longo da fronteira com a Finlândia.

“Em média, 80% do equipamento e dos soldados foram transferidos para a Ucrânia”, relata uma importante fonte da inteligência militar finlandesa.

Também várias bases russas de remotas regiões russas sofreram diminuições pesadas. Só Moscou ainda conserva intacta suas tropas de defesa. A insegurança de Putin e os rumores de rebeliões militares o justifica.

As perdas na Ucrânia foram tão grandes que segundo os serviços de inteligência, a Rússia levará de 3 a 5 anos para restaurar a capacidade de combate das suas forças armadas.

A mais recente estimativa da inteligência britânica estima que o invasor perdeu 70.000 homens, entre mortos e feridos, nos meses de maio e junho de 2024, segundo “Le Monde”.

Putin tenta assustar Ocidente ameaçando com uma Terceira Guerra Mundial, mas na realidade as ameaças verbais são cortinas de fumaça para dissimular sua fraqueza. A Rússia não tem com o que fazer a guerra que acena.

Um terço do total da marinha russa não está mais operativa. A perda foi puxada pelo afundamento de um terço da frota russa no Mar Negro.

Bases militares russas esvaziadas na fronteira com a Finlândia
Bases militares russas esvaziadas na fronteira com a Finlândia
Vários navios emblemáticos foram afundados ou danificados na base da Crimeia em Sebastopol, a ponto de a Rússia enviar os seus navios para outros portos mais afastados da área de combate, escreveu ainda o “L’Independant”.

Essa retirada foi principalmente para Novorossiysk. “Eles podem pensar que seus navios estão mais seguros lá, mas a maioria se esconde atrás de navios civis”, disse o porta-voz da marinha ucraniana, Dmytro Pletenchuk. Realmente uma estratégia muito pouco decorosa para uma marinha de guerra.

Pletenchuk sustenta ainda que “um terço dos navios da flota russa do Mar do Norte está definitivamente inutilizável, foi destruída ou danificada”.

Por sua vez, o vice-almirante americano aposentado Mike LeFever declarou à revista “Newsweek”: “víamos a marinha russa como algo grande e poderoso, mas agora ver a Ucrânia dizimá-la sem uma marinha real e com navios não tripulados é significativo de mais”.

A sensação de degringolada da marinha russa foi aumentada por um fato misterioso. Um grande navio russo especializado em neutralizar submarinos, o ‘Almirante Levchenko’, incendiou-se no Mar de Barents, que faz parte do oceano Glacial Ártico.

E tudo indica que a tripulação a bordo não foi salva, noticiou a mídia polonesa Geekweek.

Este mesmo meio de comunicação indica que haveria várias centenas de tripulantes a bordo do navio desaparecido, escreveu o “Huffington Post”.

A catástrofe aconteceu nos mares árticos russos, muito longe do Mar Negro. A Rússia costuma disfarçar suas perdas navais atribuindo-as a acidentes a bordo e nunca a sucessos misseis ou drones do adversário.

Neste caso, guardou enigmático silencio, enquanto o porta-voz das Forças Armadas Ucranianas comentou com uma ponta de ironia: “é o que acontece quando uma ‘superpotência’ recebe sanções e não consegue reparar os motores de seus barcos. Dez anos não foram suficientes para resolver este problema. Uma das instalações pegou fogo”, anunciou.

Estoques de armamento estão se esgotando. No 'desfile da vitória' Putin fez desfilar um só tanque e da II Guerra Mundial
Estoques de armamento estão se esgotando.
No 'desfile da vitória' Putin fez desfilar um só tanque e da II Guerra Mundial!

Os ucranianos não admitiram ter participado no ataque ao navio russo.

Recentemente, porém, as forças especiais ucranianas provocaram um incêndio no navio de guerra russo ‘Serpukhov’, que estava ancorado na região de Koenigsberg, Mar Báltico, segundo os mesmos meios de comunicação.

O ‘Almirante Levchenko’ é um destróier soviético de mísseis guiados do projeto 1155 (classe Udaloy), oficialmente classificado como um grande navio anti-submarino. A unidade estava ativa desde 1988 na Frota do Norte.

Seu armamento principal torpedos de diversos modelos, mísseis e lançadores múltiplos de cargas de profundidade, além de canhões de uso universal e canhões guiados por radar.



domingo, 17 de março de 2024

Boomerang de frio congelou russos

Populares queimam o que podem sem aquecimento
Populares queimam o que podem sem aquecimento
Luis Dufaur
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Centenas de milhares de russos ficaram sem aquecimento no ultimo inverno (2023-2024), que foi particularmente rigoroso. Avarias em sistemas de aquecimento coletivo foram relatadas em todo o país.

As maiores delas foram registradas em Podolsk, uma cidade dormitório nos arredores de Moscou com uma população de 149 mil pessoas, segundo reportagem da FranceTVinfo.

Caldeiras quebradas, canos estourando em quase todos os lugares foram uma constante na região de São Petersburgo, em Voroniej, Volgogrado, e até no Extremo Oriente...

Por toda parte, viram-se moradores intumescidos de frio e exaustos, se aquecendo em grupos em volta de esquálidas fogueiras alimentadas com restos de qualquer coisa que queime.

Alguns deles difundiram vídeos nas redes sociais para dizer que estão congelando em casa e literalmente de congelar até a morte.

Como sempre acontece numa situação destas na Rússia de Putin, os cidadãos entre desesperados e resignados ante o fatalismo ensinado por cismâticos e comunistas apelaram a autoridade máxima do Kremlin.

Moradores gravam mensagem pedindo auxilio a Putin
Moradores gravam mensagem pedindo auxilio a Putin
Esse encenou alguma reação e pediu ao Ministério de Situações de Emergência tomar medidas. Também trombeteou que estava assumindo pessoalmente a situação que só se resolveu com o fim do inverno.

Nas redes sociais, não poucos russos, e em particular os ucranianos, viram nisto a prova de que a Rússia inteiramente focada na economia de guerra, estava a pagar a conta, cobrada por uma mão providencial.

Na realidade o problema não é tão novo: está intimamente ligado às disfunções crônicas do regime russo igualitário e dirigista, que é mais do mesmo do que havia na falida URSS.

As enormes caldeiras feitas para aquecer inteiras áreas urbanas herdadas da era soviética foram mal conservadas, e a guerra consumiu as verbas não roubadas pelos burocratas que deveria consertá-las.

Há décadas que os governos prometem resolver o problema, mas a rigidez burocrática, o imediatismo político e a corrupção significam que nada está a melhorar.

Pelo contrário, tudo piora como no comunismo soviético.

O governo russo não pode acalmar o descontentamento porque a economia de guerra produz consequências de longa duração, entre as quais o deterioro ou omissão de conserto de todos os serviços públicos. Já se faz saber que as verbas para melhorar as habitações coletivas diminuirão drasticamente nos próximos anos.

Casas invadidas pelo gelo de um inverno severo
Casas invadidas pelo gelo de um inverno severo
Um quarto dos russos não tem acesso a banheiros conectados ao esgoto.

O projeto de modernização do aquecimento socializado é gigantesco... no papel. Entretanto, para acalmar a população, o governo recorre aos velhos métodos socialistas: escolher culpados.

Em Podolsk, o vice-chefe da administração e o diretor da sala das caldeiras foi detido e encarcerado por corrupção, mas nada foi solucionado.

Pensar que no início da guerra de invasão da Ucrânia a Rússia bombardeou seletivamente os sistemas de energia das cidades ucranianas, achando que o pobre país não suportaria o frio e acabaria capitulando.

A Ucrânia resistiu patriótica e religiosamente. Agora, tudo se passa como se um boomerang providencial tivesse abatido sobre a população russa recordes de frio com as infraestruturas de aquecimento sem conserto.

Ficaram em pânico Putin, seus cúmplices e o monstruoso dirigismo comunista que o déspota do Kremlin faz tudo para preservar. Pois o omniarca se aterroriza quando ouve os escravos agitando as correntes que os prendem, neste caso gemendo de frio.


domingo, 15 de outubro de 2023

Balcanização da Rússia será um perigo maior

Mapa das divisões internas na Federaão russa
Mapa das divisões internas na Federação russa
Luis Dufaur
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O maior interesse dos católicos no conflito Rússia-Ucrânia é a questão da conversão do velho império dos czares.

Essa conversão só pode ser uma obra da graça e Nossa Senhora prometeu no contexto de Fátima que aquela nação “por fim” haveria de a Deus.

Essa seria como que uma condição para o cumprimento da vitória do Imaculado Coração de Maria.

Na chuva de informações sobre as destruições e mortes provocadas pela feroz invasão ordenada por Putin e a heroica defesa do povo ucraniano se filtram notícias que nos levam a considerar o futuro que se poderá definir em consequência da guerra.

Por exemplo, Paul Krugman, Premio Nobel de economia e colunista do “The New York Times” foi porta-voz de uma preocupação que se debate em profundos e poderosos cenáculos esquerdistas: a desintegração ou ‘balcanização’ da Federação agressora em decorrência de uma derrota russa.

Essa desagregação do mais extenso país da Terra poderia repercutir no mundo inteiro, espraiando a anarquia e ameaçando destruir a civilização de início na Europa e países asiáticos vizinhos. E poderia até outros continentes.

Ataques contra centros de recrutamento em 2022
Ataques contra centros de recrutamento em 2022
Nesse caso, a implosão da Rússia seria o estopim da demolição universal e final do que resta de civilização e de cristianismo com a generalização de conflitos inauditos de violência inesperada.

Como poderia vir hoje essa “balcanização”?

Consideremos primeiro o mapa da Federação Russa para o qual quase ninguém atina.

Ela está constituída por 89 unidades federadas de seis tipos:

– 21 republicas (que correspondem a aéreas étnicas/culturais),

– 9 krais (unidades administrativas),

– 46 oblasts (idem),

– 2 cidades federais Moscou e São Petersburgo,

– 1 oblast autônomo (originalmente criado para judeus),

– 4 okrugs autônomos (povos étnico-siberianos).

Cada um dessas unidades têm autoridades próprias que embora escolham “democraticamente” suas autoridades, essas na prática são nomeadas ditatorialmente por Moscou, fato que suscita mal-estar nas populações locais.

Muitas delas conservam entre si ou em litígios internos, velhas ou novas reivindicações ou revoltas, herdadas de fatores históricos, do tempo dos czares, da opressão soviética ou ainda posteriores.

Todas essas rachaduras tão variadas vinham sendo abafadas pela bota de Moscou. Agora com o enfraquecimento da férrea ditadura de Putin em virtude dos insucessos na Ucrânia, essas velhas divisões voltaram a tona.

Fugindo do recrutamento forçado rumo à Georgia
Fugindo do recrutamento forçado rumo à Georgia
De algumas temos notícia em Ocidente:

Armênia cristã é uma república que não faz parte da Federação mas virou protetorado e membro da aliança militar internacional da Rússia.

Ela rompeu com Putin e convidou tropas americanas para exercícios, e está em luta perpetua pelo território de Nagorno-Karavaj contra o Azerbaijão.

O Azerbaijão é um país islâmico muito rico em petróleo, apoiado pela Turquia. As guerras vinham sendo abafadas pela presença militar russa, atei que Azerbaijão invadiu o território disputado, fez explodir a base russa e obrigou a cem mil armênios abandonaram o território.

A influencia russa como que não existe mais.

Karelia, república fronteiriça com a Finlândia onde a população de o tipo humano fino-hungárico e escandinavo foi suplantada por russos. Stalin e agora Putin acham perigoso que essa república da Federação renasça com suas peculiaridades culturais originais.

Nela foram sendo tirados à luz os espantosos campos de concentração do tempo soviético e seus crimes de massa.

Putin interditou tirar a limpo os locais onde foram enterradas as vítimas. Os descendentes querem saber para dar um túmulo digno aos restos. A interdição criou enorme mal estar entre a população que queria saber dos restos dos seus antepassados.

Kolyma, um krai no Ártico onde funcionaram os piores Gulags soviéticos e morreram entre 500.000 e 3.000.000.

Exemplo desse horror é a “estrada dos ossos”: a construção de uma estrada precisou de grandes remoções de terra, usadas para aplainar a nova estrada. Mas sob efeito da intempérie começaram a aparecer caveiras, ossos, etc. que lhe deram esse sinistro nome. Putin então proibiu as buscas dos restos das vítimas e fechou as ONGS humanitárias que trabalhavam para localizá-los.

Chechenia governada por Kadirov um ditador islâmico, fanático de Putin que pediu usar a bomba atômica contra Ucrânia. Ele é odiado por outros chefes de clãs islâmicos que disputam o mando do país. Não se sabe ao certo que estranha doença, ou morte, o mantém afastado da propaganda.

Foi formado um governo checheno no exílio e uma unidade de combate islâmica luta na Ucrânia com a esperança de caindo Putin, invadir seu país a mão armada.

Inguchetia, com guerrilha e governo paralelo esmagados e formando um grupo de combate na Ucrânia.

Voluntários russos anti-Putin em Briansk, Rússia
Voluntários russos anti-Putin em Briansk, Rússia
Bielorussia
(não faz parte da Federação, mas é um satélite pleno) onde o ditador Lukashenko outro escravo de Putin, perdeu as últimas eleições, sofreu protestos enormes da população, reprimindo com por volta de seis mil mortos, desaparecidos, torturados, etc.

Há um exército de bielorrussos lutando na Ucrânia também com a esperança de invadir o seu país assim que Putin perder.

Dizem ter muitos apoios no país e teriam praticado sabotagens espetaculares, explodindo alguns aviões radar russos estacionados em base especial no país e que tiveram que voltar para Rússia; sabotagens de trens russos que iam para apoiar a invasão inicial da Ucrânia, etc.

O ditador baniu a bandeira e o hino nacional que aludiam a Deus.

O exército bielorrusso detesta a presença de quartéis russos no território nacional e circularia um manifesto de um general bielorrusso contra a Rússia. Putin preferiu retirar algumas unidades e enviá-las para combater na Ucrânia.

Filas imensas para abnadonar Rússia
Filas imensas para abandonar Rússia
Pelo menos duas milícias de russos anti-Putin combatem na Ucrânia e já incursionaram na Rússia e atacando cidades e bases russas no fronteira com a Ucrânia: o Corpo de Voluntários Russos – RVC e a Legião pela Liberdade da Rússia.

Geórgia (não faz parte da Federação) mas um grupo de combate luta na Ucrânia para recuperar territórios invadidos pela Rússia, quando Putin for derrotado.

Bem mais de um milhão de russos adultos jovens com profissão, engenheiros, informáticos, operários especializados, etc. fugiram do país para não serem alistados.

Putin proibiu, mas muitos fugiram através das fronteiras com ex-países membros da URSS que deixam entrar apenas com RG: Cazaquistão, Geórgia, Mongólia ou onde não há controles como os bosques da Carelia-Finlandia. Putin exige que devolvam os russos fugitivos.

Até uma afilhada de Putin fugiu a pé exibindo um passaporte israelense na fronteira da Lituânia. A Alemanha disse ter dado carteira de trabalho para mais de um milhão de russos, a Tailândia fala em 250.000. Os países mencionados e ainda outros como a Turquia servem de passagem.

O recrutamento forçado gerou violências com mortos nos centros de alistamento atacados com molotovs e oficiais recrutadores baleados. Sabotagens com explosivos, aparentemente iniciativas individuais, acontecem por toda a imensa Federação.

A FSB (ex-KGB) chega de surpresa em fábricas, locais de trabalho pede os documentos e obriga os que tem idade a subir em ônibus em regime de prisão até os centros para alista-los para uma eventual segunda onda de 400.000 soldados.

Os empregadores devem denunciar os funcionários em idade de recrutamento, para uma segunda onda de enrolamentos.

A mídia inteiramente em mãos de Putin durante um ano e meio informava que na Ucrânia todo corria como planejado.

Até que dois drones, tal vez ucranianos ou de russos anti-Putin, atingiram a cúpula do Palácio de Governo de Putin no Kremlin.

Bombardeiro nuclear TU-22 atingido no coração da Rússia
Bombardeiro nuclear TU-22 atingido no coração da Rússia
Instalou-se o pânico na população das capitais.

Os aeroportos civis de Moscou andavam fechando pelos atentados e drones devastavam bases perto do Báltico. O aeroporto de Moscou reservado para os aviões de Putin e da nomenclatura foi atingido por drones.

A maior base aérea russa perto da Lituânia, a 700 kms da Ucrânia, perdeu 6 aviões de grande porte numa chuva de drones de origem incógnita.

Desde então quase diariamente drones mais poderosos chovem quase toda noite sobre Moscou, fábricas, depósitos, refinarias, etc., com incerteza da proveniência.

Na base dos bombardeiros nucleares supersônicos um deles foi incendiado e outro danificado. A Rússia evacuou esses bombardeiros para longe. Grandes aviões radar estacionados na Bielorússia foram danificados supostamente por partisanos bielorrussos inconformados.

Continua no próximo post: A Rússia desabando puxará a desintegração universal?


domingo, 20 de agosto de 2023

Soldados russos: “para os chefes não somos humanos”

Corpos de soldados russos abandonados em Makarivka que os ucranianos recolhem para enviar aos familiares
Corpos de soldados russos abandonados em Makarivka
que os ucranianos recolhem para enviar aos familiares
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Alexander, ex-presidiário, acreditou nas promessas do exército russo e se alistou para a guerra na Ucrânia.

Ele nunca viu um soldado ucraniano e mal disparou um tiro, mas viu-se rodeado de ameaças de morte feitas pelos seus oficiais.

Ele viu cães selvagens roerem as carcaças não recolhidas de seus companheiros mortos, bebeu água da chuva e procurou comida em latas de lixo, enquanto dos 120 homens de sua unidade, apenas cerca de 40 estão vivos.

Os sobreviventes como ele são pressionados para ficar no campo de batalha violando o contrato assinado.

“Eles estão nos enviando para uma matança”, comunicou Alexander desde Kherson. Seus comandantes dizem que “não somos humanos, porque somos criminosos”, e três colegas confirmam.

Os relatos foram feitos em entrevistas pessoais ou por mensagens de familiares e amigos recolhidos em impressionante reportagem do “The New York Times”.

Relatos de soldados ucranianos e prisioneiros de guerra russos denunciam que Moscou usa os ex-pressos como bucha de canhão.

As unidades de presidiários são um dos pilares da estratégia militar da Rússia, porque as forças regulares foram dizimadas.

O testemunho de Alexander descreve a brutalidade aplicada pelos chefes russos e o custo inumano que Moscou quer pagar para ficar com um território que não é seu.

Russos preferem cair nas maos dos ucranianos porque sao bem tratados. Nas fotos russos recebem comida, chá, telefone para falar com a mãe
Russos preferem cair nas mãos dos ucranianos porque são bem tratados.
Nas fotos russos recebem comida, chá, telefone para falar com a mãe
O Ministério da Defesa da Rússia formou as unidades chamadas “tempestade Z” com milhares de presos dos cárceres do país, imitando o recrutamento da milícia Grupo Wagner.

Alexander vinha de cumprir uma longa sentença e deixou sua esposa, uma filha e um filho recém-nascido em casa porque lhe foi prometido um ordenado mensal de R$ 2.000 no final de seu contrato de seis meses.

O Grupo Wagner recrutou 49.000 encarcerados e diz que 20% deles morreram tendo sofrido medidas disciplinares brutais de seus comandantes. Tal vez o número seja bem maior, nunca se saberá.

Wagner apresentou o recrutamento como uma redenção patriótica, mas perdeu o acesso às prisões para o alto comando militar, que o suplantou nessa forma de mandar soldados para a “máquina de moer carne”.

A contagem das mortes pela BBC e pela Mediazona, uma agência de notícias independente, mostra que as baixas russas mais frequentes são dos presidiários.

O testemunho de Alexander e de três outros encarcerados mostra como evoluíram as unidades de presidiários sob o controle direto do exército russo.

O “The New York Times” confirmou as informações de Alexander com uma ativista de direitos humanos, e verificou sua identidade e das outras testemunhas com registros públicos do tribunal e entrevistas com famílias e amigos. 

 Os pagamentos ficaram muito abaixo do prometido e não puderam cobrar indenizações por ferimentos.

Alexander viu que seus oficiais impediam resgatar camaradas mortos no campo de batalha.

Não queriam que suas famílias soubessem da morte e não reclamassem alguma pensão legal pelos mortos em combate. Tendo “desaparecido” não se saberia se morreram e não haveria pensão.

“Havia cadáveres por toda parte” nas margens do rio Dnieper, disse Alexander, mas no exército russo “ninguém estava interessado em pegá-los".

Ex presos recrutados dizem nao ser tidos em conta de humanos
Ex presos recrutados dizem nao ser tidos em conta de humanos
Todos os prisioneiros falaram de baixas colossais em suas unidades e do desprezo de seus comandantes por suas vidas. “Eles nos dizem: 'Você não é ninguém e seu nome não é nada’”, contou Alexander

Depois de um mês de treinamento, ele e sua unidade foram destinados a manter uma linha de antigas casas perto da Ponte Antonovskiy.

Mas passaram as três semanas e meia sob incessante bombardeio, atiradores, emboscadas noturnas, drones pairando sempre no ar, sem armas pesadas ou meios de se defender.

As ordens não eram claras. “Eu andava como um idiota. Não disparei um único tiro, não vi um único inimigo. Somos apenas uma isca para revelar as posições de artilharia inimiga”, narrou Dmitri, já falecido.

A mensagem foi compartilhada com o “The New York Times” pela esposa de Dmitri.

“Por que diabos eu preciso estar aqui? Sentar e tremer como um coelho, porque os projéteis continuam explodindo ao meu redor?” Dmitri desabafou em uma mensagem a sua mulher.

A unidade estava sem comida nem água dias depois de pedir ajuda aos comandantes, até um projétil ucraniano matar todos os outros homens de seu destacamento e Alexander ser evacuado para um hospital da Criméia.

Embora ainda não conseguisse andar bem, ele foi reenviado para o frente, antes de ser alojado em um quartel de retaguarda com outros convalescentes.

“Esta não é a nossa guerra. Não há nada de humano aqui”.

Nós acrescentaríamos que há muito de satânico derivado de uma mentalidade e de uma ideologia igualitária que tomou conta de Rússia na Revolução Bolchevista de 1917.

Mas de onde proveio esse igualitarismo assassino tão inumano?

Com toda propriedade Papas e santos denunciaram a inspiração diabólica dos sucessivos regimes russos e que irradiada pelos fautores do cisma da Igreja dita “Ortodoxa” hoje liderada pelo Patriarcado de Moscou.


domingo, 26 de fevereiro de 2023

Crises pelas derrotas matam dezenas de ‘oligarcas’

Suicinatos segundo 'El Mundo'
Suicinatos segundo 'El Mundo'
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







“Os traidores vão chutar o balde (eles vão morrer), acredite em mim”, disse Putin em 2010, ano em que o Reino Unido concedeu asilo ao duplo espião russo Sergei Skripal. “Eles receberam aquelas trinta moedas de prata que os vão engasgar”, acrescentou.

Skripal e sua filha Yulia foram encontrados inconscientes na rua envenenados com “novichok” um agente nervoso desenvolvido na Rússia.

A polícia política soviética KGB, hoje sucedida pela FSB putinista, definia os assassinatos de oponentes políticos ou dissidentes como “negócios sujos” ou “trabalho negro”.

Putin, ex-funcionário da KGB, recuperou os costumes soviéticos após chegar ao poder. São conhecidos os assassinatos de Alexander Litvinenko ou da jornalista Anna Politkovskaia entre muitos outros.

Mas, desde antes da invasão da Ucrânia, a Rússia vem sofrendo uma epidemia sem precedentes de mortes enigmáticas de “oligarcas”, altos funcionários e empresários críticos do presidente.

Elas perecem oficialmente por causas naturais, suicídios, crimes passionais ou acidentes ridículos.

Para o jornal de Madri “El Mundo” só de 2022 se pode fazer uma lista horripilante daqueles que 'pecaram' contra Putin por ação ou omissão.

Uma lista com 50 nomes de 'inimigos falecidos' circula desde a chegada do ex-espião ao poder.

Com a guerra, essa lista macabra aumentou de forma delirante. A especialidade da polícia de Putin é o assassinato disfarçado de “suicídio”, entendido como “matar um adversário indesejável contra sua vontade”.

Oficialmente, vários inimigos se jogaram de uma sacada; ou atiraram em si mesmos ou se enforcaram depois de assassinar seus parceiros e filhas. Os familiares das vítimas consideram absurdas as versões oficiais das mortes.

Os oponentes russos não têm dúvidas de que o próprio Putin está por trás, secundado pelos diretores do FSB, Alexander Bortnikov, e do Conselho de Segurança, Nikolai Patrushev.

O referido jornal espanhol forjou o termo “suicinato” (assassinato disfarçando de suicídio) para este procedimento e elaborou uma lista do “clube dos suicidas do novo czar de Rússia”. E elencou 21 casos só de 2022 em que as circunstâncias caracterizam o crime

1. 24-12-2022. Pavel Antov, 65 anos, rei das salsichas.

Pavel Antov
Pavel Antov
Pavel Antov magnata da indústria da carne, crítico de Putin apareceu “suicidado” numa poça de seu próprio sangue perto de um hotel de luxo em Rayagada (Índia) onde passava férias. Ele caiu do terceiro andar apenas dois dias depois de outro de seus companheiros de férias, Vladimir Bidanov, morrer de ataque cardíaco.

Antov criticou a invasão da Ucrânia, tentou se retratar, mas o czar foi ferido e não esqueceu nem perdoou, comentou  “El Mundo”.

2. 24-12-2022. Alexander Buzakov, 66, Diretor Geral dos Estaleiros do Almirantado Russo.

Na véspera de Natal, sucumbiu “de repente” por razões desconhecidas, após assistir à cerimônia de flutuação de um novo submarino.

3. 9-12-2022. Dimitri Zelenov, 50, cofundador da construtora Don-Stroy.

O caso se repete: dizem que caiu do alto e bateu com a cabeça, na cidade de Antibes, na Riviera Francesa..

4. 7-12-2022. Grigori Kochenov, 41, diretor da empresa Agima.

Grigori Kochenov
Grigori Kochenov
“Suicídio” de manual da KGB-FSB. Teria caído da varanda de sua casa em Nizhny Novgorod minutos depois que a polícia entrou para revistar o apartamento. Não se sabe por que ele estava sendo investigado.

5. 29-11-2022. Viacheslav Taran, 53 anos, bilionário de criptomoedas fundador da Libertex, uma bolsa de valores.

Acidente de helicóptero na cidade francesa de Villefranche-sur-Mer, na Riviera Francesa.

6. 28-09-2022. Pavel Pchelnikov, 52, diretor da Digital Logistics, subsidiária da Russian Railways.

Teria se dado um tiro na varanda de seu apartamento em Moscou. Dias antes, postou fotos mostrando-se abertamente feliz, mas entrou no “clube suicida de Putin”, feito pela polícia russa.

Anatoly Gerashchenko
Anatoly Gerashchenko
7. 21-09-2022. Anatoly Gerashchenko, 72, ex-diretor do Instituto de Aviação de Moscou.


Caiu em vários lances de escada no prédio onde trabalhava.

8. 14-09-2022. Vladimir Nikolayevich Sungorkin, 68, editor-chefe do Komsomolskaya Pravda.

Morreu sufocado quando ia almoçar na cidade de Roshchino, Ele também foi um aliado de Putin.

9. 10-09-2022. Ivan Pechorin, 39, Diretor da Russian Far East and Arctic Development Corporation (KRDV).

Iván Pechorin
Iván Pechorin

Achado morto numa praia a 160 quilômetros de Vladivostok. A polícia afirma que ele se afogou.

10. 1º-09-2022. Ravil Maganov, 68, Presidente do Conselho de Administração da Lukoil.

Outro caso clássico. Internado “com problemas cardíacos” no Hospital Clínico Central de Moscou caiu da janela.

11. 14-08-2022. Dan Rapoport, 52, executivo financeiro.

Encontrado morto na rua em Washington DC, do lado de fora de seu luxuoso prédio de apartamentos no West End. A versão oficial diz que se jogou no vazio. Sua esposa não acredita na tese e a família culpa o Kremlin.

12. 4-07-2022. Yuri Voronov, diretor geral da Astra Shipping.

Yuri Voronov
Yuri Voronov
Baleado na cabeça em Leningrado Oblast.

13. 8-05-2022. Alexander Subottin, 43, ex-gerente da petrolífera Lukoil.

Oficialmente, morreu em Mytishchi de “ataque cardíaco induzido por drogas” durante um ritual xamânico jamaicano.

14. 1º-05-2022. Andrei Krukovski, 37, CEO da Estosadok Krasnaya Polyana, estação de esqui da Gazprom.

“Caiu acidentalmente de um penhasco” em Sochi.

15. 19-04-2022. Sergei Protosenya, 55, ex-contador-chefe da maior empresa privada de gás da Rússia, Novatek.

Ele, sua esposa e filha, foram achados mortos em Lloret de Mar (Girona). A versão oficial está cheia de incoerências. Teria se enforcado, mas a empresa para a qual trabalhava descartou o suicídio.

16. 18-04-2022. Vladislav Avayev, 51, vice-presidente do Gazprombank.

Vladislav Avayev
Vladislav Avayev
Achado morto em seu apartamento na Universitetsky Prospekt, em circunstâncias semelhantes ao caso anterior, mas um dia antes. Sua esposa Elena e sua filha María de 13 anos também foram ultimadas, mas a tiro. O vice-presidente do Gazprombank, Igor Volobuev, afirmou que Avaev foi assassinado.

17. 23-03-2022. Vasili Melnikov, CEO e proprietário da empresa médica MedStom, 43 anos.

Morto com sua esposa e seus dois filhos, de 4 y 10, em Nizhny Novgorod repetindo o script dos anteriores.

18. 28-02-2022. Mijail Watford, oligarca ucraniano afincado no Reino Unido, 66 anos.

Enforcado na garagem de sua luxuosa finca no condado de Surrey. A policia britânica qualificou a morte de “inexplicável”. Não havia indícios de crime.

19. 25-02-2022. Alexander Tyulyakov, 61 anos, executivo de Gazprom.

Enforcado com uma corda na garagem de sua casa em São Petersburgo. Junto ao cadáver havia una nota de conteúdo não revelado.

20. 8-02-2022. Ígor Nosov, 43 anos.

Ígor Nosov
Ígor Nosov
Diretor executivo da Corporação para o Desenvolvimento do Ártico e do Remoto Oriente (KRDV) e ex vicegobernador do estado de Nizhny Novgorod. Morte repentina de derrame cerebral.

21. 30-01-2022. Leonid Shulman, 60 anos, chefe do serviço de transporte Gazprom Invest.

Morto no banheiro em sua casa na região de Leningrado). Junto ao corpo havia uma nota se queixando da dor numa perna quebrada. Outro “suicinato” segundo “El Mundo”.