terça-feira, 7 de abril de 2015

Patriarca de Moscou elogia na Duma
a restauração dos “valores” soviéticos
e a diplomacia vaticana

O patriarca Kirill na Duma exortou a restaurar valores soviéticos  elogiou a atual política vaticana.
O patriarca Kirill na Duma exortou a restaurar valores soviéticos
e elogiou a atual política vaticana.



Pela primeira vez na história, o autodenominado Patriarca de Moscou, chefe da cismática igreja ortodoxa russa, foi falar na Câmara baixa do Parlamento russo, ou Duma, noticiou “AsiaNews”.

O objetivo principal da histórica intervenção foi um apelo para restaurar “as coisas positivas da era soviética” e construir a Rússia moderna. Em outros termos, apoiar a construção da “URSS 2.0”, conforme desejo do camarada máximo Vladimir Putin.

Também pediu aos parlamentares a proteção da família e o banimento do aborto que grassa na Rússia num dos patamares mais sinistramente altos do planeta, mas que é uma das “conquistas” da era soviética. O apelo soou incongruente.

Formado nas escolas da KGB, Kirill deplorou “frequentes casos” de destruição e confisco de igrejas ortodoxas na Ucrânia, perpetrados pelos separatistas pró-russos, como se impedi-los estivesse dependendo de uma decisão de Moscou.

terça-feira, 31 de março de 2015

Mídia oficial russa predispõe o país
para holocausto nuclear

Mídia russa prepara povo para aceitar um holocausto nuclear
como um 'sacrifício místico'
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




A mídia russa está apresentando a impensável catástrofe da guerra nuclear como uma possibilidade real e algo que deve ser abraçado com patriotismo místico, comentou a BBC News.

A invasão da Ucrânia entenebrece cada dia mais o horizonte político-militar mundial. E enquanto o Ocidente alarga o leque de medidas retaliatórias, a mídia russa desenvolve para seus leitores o tema da guerra nuclear.

Segundo o jornalista liberal Yuriy Saprykin, o tema virou “lugar comum”. Ele exemplificou com a rádio independente Ekho Moskvy, onde se fala da guerra nuclear “com a naturalidade com que se falaria de um aumento de preço do estacionamento”.

“Por que vocês todos temem tanto a guerra atômica? Por que temem a guerra nuclear?” – interrogou na emissora pró-Kremlin Govorit Moskva o apresentador Aleksey Gudoshnikov.

domingo, 29 de março de 2015

Países Bálticos: o próximo objetivo do Kremlin?

Tanque pró-russo se posiciona perto de Debaltseve, Ucrânia.
Tanque pró-russo se posiciona perto de Debaltseve, Ucrânia.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Vladimir Putin representa um “perigo real e atual” para a Estônia, a Letônia e a Lituânia, e a OTAN se prepara para repelir um eventual ataque russo, declarou em Londres o ministro britânico da Defesa, Michael Fallon, segundo a agência Reuters.

Segundo os jornais “The Times” e “The Daily Telegraph”, o ministro considera que o Kremlin poderia lançar uma operação de desestabilização nas repúblicas bálticas, que outrora foram escravizadas pela URSS e hoje fazem parte da OTAN.

Para Fallon, a Rússia tentaria utilizar os mesmos estratagemas aplicados há pouco tempo na Crimeia e hoje no leste da Ucrânia.

“A OTAN – disse – deve estar pronta para cortar qualquer tipo de agressão vinda da Rússia, qualquer que seja a forma que ela assuma”.

terça-feira, 24 de março de 2015

Sumiço e reaparição de Putin
alimenta obscuros presságios

Moscou: massiva marcha em honra ao opositor assassinado
patenteou que o chão treme sob o regime de Putin
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






A Rússia afunda num marasmo interior. Vladimir Putin passou dez dias desaparecido, cancelando compromissos internacionais relevantes.

Num país livre, o fato daria margem a muita especulação. Mas na Rússia, com o reflexo de épocas passadas, o sumiço do chefe máximo e a sua reaparição inexplicada pressagiam decisões trágicas, se não funestas.

O regime moscovita parece temer o progresso do movimento liberalizante interno, atiçado pela inflação e pela falta de produtos.

Em poucas palavras, o fantasma de um “Maidan russo” deambula entre as torres de São Basílio e ameaça desencadear uma epidemia liberalizante.

“Não a Maidan, não à guerra”; “Maidan é uma doença. Nós vamos curá-la”, gritaram os manifestantes convocados pelo governo russo no início do ano em numerosas cidades, de São Petersburgo a Vladivostok, segundo a revista francesa “L’Express”.

Putin mandou assim um recado: qualquer veleidade de protesto popular imitando o modelo da capital ucraniana será esmagado como uma bactéria.

“Não permitiremos um Maidan em nosso país” repetiam obsessivamente os organizadores da passeata putinista em Moscou.

Segundo o jornal “Le Monde”, nas passeatas havia membros do Parlamento ávidos de regalias, aposentados e jovens desempregados que aguardavam a recompensa, cossacos trazidos à força e grupos de motoqueiros conhecidos como “Os lobos da noite”, dispostos a obedecer qualquer ordem de Putin, que os trata de “irmãos”.

Putin atinge níveis de popularidade que competem com os de Fidel Castro e de Maduro, e superam por pequena margem os do PT brasileiro, se acreditarmos nas agencias oficiais.

Essa é a imagem que a “nova URSS” quer passar.

Mas o assassinato do oposicionista Boris Nemtsov e seu multitudinário enterro em Moscou falaram de uma situação muito diversa.

“Eles mataram um combatente da verdade”, dizia no cortejo Vyacheslav Buralnik, amigo de Nemtsov há mais de uma década, informou VICE News.

Milhares de russos no enterro do opositor Boris Nemtsov:
advertência ao regime de Vladimir Putin generalizadamente apontado como mandante do crime
O cortejo fúnebre foi sombrio, apesar da multidão de pessoas presentes, da grande quantidade de flores e das bandeiras russas com fitas pretas e faixas onde se lia: “Eu sou Boris Nemtsov”.

Todo o mundo sabia quem foram “eles”, mas poucos se atreviam a dizer os nomes em meio à paranóia pró-Putin que a mídia desencadeou há mais de um ano.

Uma “passeata anticrise” em início de março não chegou a ser silenciada pelas balas que mataram a Nemtsov.

Segundo a polícia, que fornece números aprovados pelo regime, participaram 21.000 pessoas, embora o número mais plausível seja 70.000, a maior passeata oposicionista desde 2012.

Um porta-voz de Putin tentou apaziguar a desconfiança geral atribuindo o crime a uma “provocação” contra a Rússia. Alguns cidadãos chechenos foram presos e confessaram sob tortura serem os assassinos. A montagem ficou clara.

A oposição no Parlamento aponta como causa principal o ambiente de histeria coletiva insuflada pela mídia oficial a propósito da guerra na Ucrânia.

Retrato de Boris Nemtsov rodeado de flores  no local onde foi morto como morrem os opositores do regime
Retrato de Boris Nemtsov rodeado de flores
no local onde foi morto como morrem os opositores do regime
No melhor estilo dos expurgos estalinistas, o próprio Putin denunciou uma “quinta-coluna” que age na Rússia.

Mas os manifestantes anti-Putin provinham das pacíficas classes médias que estão sendo gravemente prejudicadas. Vários até tiveram a coragem de carregar a bandeira da Ucrânia.

De acordo com o líder oposicionista Ilya Yashin, a vítima estava preparando um relatório sobre o fluxo de armas russas para o leste ucraniano secessionista.

Anna Duritskaya, ucraniana amiga do morto que estava com ele no momento fatídico, ligou o crime a “acontecimentos internos da Ucrânia”.

Mas a maioria dos descontentes prevê um período de agitação ainda mais obscuro.

“No futuro – disse o psicólogo Alexander Vengea, entrevistado por VICE News –, a agitação não partirá de nós, mas da população faminta. Eu acho que haverá mudanças políticas, mas não na direção que nós queremos”.

A “nova URSS” se enfurna na espiral de desordens, fome e repressão que caracterizou o período leninista de sua funesta antecessora, a “velha URSS”.


quarta-feira, 18 de março de 2015

Ideólogo de Putin logra desavisados no Ocidente

Aleksandr Dugin: povos inteiros que não entram em seus esquemas devem ser 'apagados', como a Polônia e a Ucrânia.
Aleksandr Dugin: povos inteiros que não entram em seus esquemas
devem ser 'apagados', como a Polônia e a Ucrânia.



O ideólogo russo Alexander Dugin, conhecido apenas em minúsculos círculos esotéricos, veio se projetando nos últimos anos pelo fato de Vladimir Putin tê-lo escolhido como seu ideólogo predileto.

O Kremlin fez dele uma espécie de porta-voz filosófico para lograr certa intelligentsia ocidental.

Ignora-se ao certo se Putin acredita no que diz Dugin, pois nos pragmáticos discursos do chefe do Kremlin é difícil achar a embaralhada verborragia ocultista de seu ideólogo.

Porém, o ditador se enfeita ostentando um pensador de seu agrado, embora assaz escuro, contraditório, místico-panteísta e com fulgores satanistas.

Dugin propala, sem ser desmentido pelo seu patrão, a ideia de uma Rússia liderando um “Império Euro-asiático”. A proposta ecoa o sonho leninista de uma revolução mundial que encaixaria todas as nações na União de Repúblicas Socialistas Soviéticas ingloriamente fracassada.

Dugin não duvida em atrelar a essa “nova URSS euro-asiática” países como Áustria, Hungria, Romênia, Servia e Eslováquia, que sofreram na própria pele a ferocidade da escravidão soviética e que deram o sangue de seus melhores filhos para dela se libertar.

Para Dugin, a Rússia deve anexar completamente a Ucrânia e exterminar os ucranianos, de modo muito especial os católicos, segundo reportagem do “International Businnes Times”.

Dugin também ensina que a Polônia é um “erro histórico”, pois são eslavos católicos que não pertencem à igreja cismática russa presidida pelo Patriarca de Moscou.

Aleksandr Dugin (direita): em protesto esotérico-religioso com sacerdote 'ortodoxo' contra a Ucrânia
Aleksandr Dugin (direita): em protesto esotérico-religioso
com sacerdote 'ortodoxo' contra a Ucrânia
Pelo fato de professarem a fé católica, os poloneses teriam degenerado da raça eslava, não têm lugar em seu oculto universo cósmico e devem ser suprimidos.

Dugin também prega o desaparecimento dos países próximos dos EUA, inclusive os europeus, que deveriam ser anexados pela força ao “Império Euro-asiático”. Essa seria a exigência de fenômenos geográficos ou de forças telúricas a que ele atribui um poder materialista absoluto e incoercível.

O mais espantoso é que Dugin tenha conseguido fazer adeptos no mundo dos futuros escravos do “Império Euro-asiático”.

Para esses enganos ele usufruiu de antigas amizades. Estas provêm da rede de “grupos de influência” que a URSS espalhou outrora no Ocidente. A rede atravessou incólume e impunemente o período da transição da “URSS 1.0” para a “URSS 2.0”, como dizem as juventudes putinistas.


Os ucranianos devem ser extintos, diz Dugin, sobretudo os católicos.
Centenas de "voluntários" vindos da Rússia ingressam na Ucrânia, segundo flagrou a OSCE:



domingo, 15 de março de 2015

Herói da derrocada soviética na Checoslováquia:
“Celebrar o fim do comunismo é um equívoco”

Václav Klaus, ex-presidente da República Checa:
 “Celebrar o fim do comunismo é um equívoco” 

“Celebrar o fim do comunismo é um equívoco”, pois “algo parecido está voltando, com outras bandeiras e outras cores”, alertou Václav Klaus, o primeiro chefe de governo da República Checa depois do fim da ditadura soviética, segundo artigo de “O Estado de S. Paulo”.

Klaus voltou a exercer a presidência de seu país entre 2003 e 2013. Ele se tornou internacionalmente conhecido por se opor às novas formas metamorfoseadas do comunismo, em especial a mais extrema delas – a autogestão –, que a URSS tinha como objetivo realizar mas nunca conseguiu.

Um dos heróis nacionais checos pelo papel que teve na chamada “Revolução de Veludo”, que precipitou a queda do comunismo em seu país.

domingo, 8 de março de 2015

A Igreja Católica perseguida
numa Bielorrússia ainda comunista

Monumento ao soldado soviético, em Brest, Bielorrússia
Monumento ao soldado soviético, em Brest, Bielorrússia


Na Bielorrússia, extenso país eslavo que foi escravo da URSS e faz fronteira com a católica Polônia, a Igreja sofreu 70 anos de perseguição e ainda hoje geme num ambiente de ditadura comunista, apontou a associação “Ajuda à Igreja que sofre”.

Magda Kaczmarek, encarregada da Bielorrússia em dita associação, voltou a viajar a esse país em novembro de 2014. E deu uma entrevista contando as impressões colhidas nas quatro dioceses católicas do país.

Ela explicou que “é geralmente sabido que os bielorrussos vivem sob uma ditadura. O país está muito isolado e tem-se a sensação de que o comunismo ainda está presente.

“Nas cidades e no campo continuam os monumentos de Lênin, de membros do Exército Vermelho, tanques ou aviões que lembram os velhos tempos. Eu fui criada na Polônia socialista; e nesses dias foi como se tivesse retornado a essa época na Polônia”.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Conscritos russos se recusam a combater na Ucrânia. Soldados desertam

Associação das Mães de Soldados de São Petersburgo
denuncia arbitrariedades contra os recrutas russos


A agência de informação ucraniana independente UNIAN retransmitiu informações divulgadas pela organização dos direitos humanos Mães de Soldados, de São Petersburgo.

Segundo elas, são numerosas as queixas de recrutas do exército russo que estão sendo forçados a partir para a região de Rostov, que serve de plataforma para a invasão russa à Ucrânia. 

O número dos soldados que se recusam a ir a combater na Ucrânia atingiu recordes em dezembro e em janeiro deste ano. A organização recebeu mais de 20 reclamações provenientes das regiões de Nizhny Novgorod, Leningrado, Murmansk e Kursk, noticiou o jornal russo Kommersant.

domingo, 1 de março de 2015

O dedo do Kremlin no gatilho.
A OTAN, os países vizinhos e a Europa na mira

Agressividade antiocidental está no centro da nova estratégia russa.
Parada na Praça Vermelha para comemorar a vitória soviética em 1945


O Kremlin divulgou no fim de 2014 a versão para consumo público da nova doutrina militar russa, aprovada pelo chefe Vladimir Putin. O plano não faz cerimônia e designa a OTAN como a ameaça fundamental.

A doutrina se diz inquietada pelo “reforço das capacidades ofensivas da OTAN, que ameaçam diretamente as fronteiras russas, e pelas medidas adotadas para implantar um sistema global de defesa antimíssil” na Europa Oriental.

De fato, a Rússia tem todas as razões para detestar esse sistema antimíssil. A sua manifesta inferioridade tecnológica poderia ficar reduzida a quase zero por esse escudo protetor.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

A economia rola no precipício,
mas TV russa diz que está ótima

O rublo perde vertiginosamente valor e as arcas do governo esvaziam.
O rublo perde vertiginosamente valor e as arcas do governo esvaziam.


A falta de notícias sobre a economia da Rússia é um sinal alarmante de que a crise vai longe, comentou “The Economist”, reproduzido por “Business Insider”.

Num país livre essa conclusão não se entende. Mas na Rússia compreende-se muito bem. Pois, como nos tempos soviéticos, a TV do Estado não informa, mas repete slogans.

A imagem do país é a oficial. E ela é dominada pela guerra na Ucrânia, que estaria sendo conduzida furiosamente pelos EUA e na qual a Rússia nada teria a ver em virtude da sabedoria do presidente Putin.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Perto do não-retorno: autoridades comparam o acordo de Minsk com Putin ao de Munique com Hitler

General Philip Mark Breedlove, comandante supremo da OTAN  deplora 'derrotismo' de Angela Merkel.  “Nós podemos tornar tão cara a batalha que forçaria Putin a arredar”
General Philip M. Breedlove, comandante supremo da OTAN
deplora 'derrotismo' de Angela Merkel.
“Nós podemos tornar-lhe tão cara a batalha
que Putin teria que arredar”


Cresce a fratura entre a Europa e os EUA de um lado e a Rússia do outro a propósito da Ucrânia, escreveu “The Telegraph” de Londres.

A fratura está se ampliando após os fajutos acordos de Minsk que parecem destinados a não só não serem cumpridos, mas servirem de plataforma para novas provocações invasoras da Rússia.

No meio das conversações na capital da Bielorrússia, importantes figuras do governo americano passaram a comparar as iniciativas da chanceler alemã Angela Merkel e do presidente francês François Hollande com as frustradas tentativas de apaziguar Adolf Hitler nos prolegômenos da II Guerra Mundial.

O supremo comandante militar da OTAN, general Philip Breedlove, e a mais experimentada diplomática americana em assuntos europeus Victoria Nuland, rotularam Angela Merkel de “derrotista” pela sua oposição a armar Ucrânia, escreveu o jornal alemão “Bild”.

As conversações dos dois líderes europeus com a Rússia foram desqualificadas na reunião da Conferencia de Segurança de Munique.

O senador americano John McCain as comparou com o Acordo de Munique de 1938 entre Neville Chamberlain, primeiro ministro inglês, e o Führer Adolf Hitler, senhor todo-poderoso da Alemanha nazista que acabava de anexar pela força os Sudetos.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Minsk: acordo “pacificador”
como outrora em Munique com Hitler!

Putin: “eu não estou fazendo nada na Ucrânia!”
Putin: “eu não estou fazendo nada na Ucrânia!”



Os canhões não pararam de trovejar após a assinatura do “cessar-fogo” de Minsk, promovidos por Angela Merkel, François Hollande e Vladimir Putin.

O chefe supremo da “nova-URSS” tem folgadas razões para comemorar “sua” vitória, ou melhor, a claudicação dos líderes europeus.

Os EUA não cessaram de denunciar insistentemente que a Rússia continuava transferindo armas pesadas ao leste a Ucrânia, segundo a AFP.

Segundo a agência Bloomberg, o tratado não passa de uma “bomba de tempo” e a contagem marcha atrás já começou.

Só que ninguém imaginou que iria tão rápido.

Putin, diz a Bloomberg, demonstrou que é um parceiro em que não se pode confiar. Ele jamais cumpriu as concessões que prometeu fazer e está saindo vencedor da maratona de negociações.

Somando e restando, o novo “cessar-fogo” é mais favorável aos separatistas manipulados por Moscou que o acordo anterior.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Comemorações da queda do Muro de Berlim patentearam mal-estar com a "nova-URSS"

Comemoração pela II Guerra Mundial em Moscou teve notas de revanchismo soviético
Comemoração pela II Guerra Mundial em Moscou
teve notas de revanchismo soviético


Putin procura, de modo sorrateiro ou provocador, segundo as conveniências e oportunidades, angariar a simpatia ou neutralizar pela intimidação os países que estariam na primeira linha de um hipotético conflito total com o Ocidente.

Trata-se especialmente dos países da orla do Báltico, das nações escandinavas bálticas e da Polônia, no norte da Europa. E dos países da Europa Central sem saída ao mar.

O 25º aniversário da queda do Muro de Berlim veio entrementes patentear que as opiniões públicas desses países estão mais preocupadas em relação ao perigo moscovita do que as tímidas atitudes de seus governos faziam pensar.

Estes perceberam que tinham que acertar o passo. A preocupação levou então os países do norte da Europa a assinar um acordo ampliando a cooperação contra a crescente atividade militar de Moscou.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Lituânia distribui manual de guerra
para uma eventual invasão russa

A presidente da Lituânia Dalia Grybauskaite e o secretário geral da OTAN Jens Stoltenberg visitam o centro de controle aéreo de Karmelava.
A presidente da Lituânia Dalia Grybauskaite e
o secretário geral da OTAN Jens Stoltenberg
visitam o centro de controle aéreo de Karmelava.


A Lituânia publicou um Manual de Sobrevivência para os cidadãos em caso de guerra e invasão do território nacional, à vista do crescente intervencionismo russo na Ucrânia e de suas ameaças contra os vizinhos bálticos.

“Conserve o domínio de si, não entre em pânico e não perca o raciocínio lúcido”, explica o manual. “Tiroteios junto à sua janela não são o fim do mundo”.

O Manual, enviado pelo Ministério da Defesa às livrarias e distribuído nas solenidades militares, instrui os lituanos a resistirem à ocupação estrangeira com manifestações e greves, “ou pelo menos fazendo pior seu serviço que de modo costumeiro”.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

“De novo... de novo ... de novo!”
à beira do abismo

F16 português intercepta Tu-95
F16 português intercepta Tu-95


De novo... de novo ... de novo! O locutor da Sky News sublinhou a incessante partida de caças da OTAN para afastar jatos de guerra russos que violam, ou ameaçam violar, o espaço aéreo europeu. Mais de 400 missões em menos de um ano!

Na sexta-feira, 12 de dezembro 2014, mais uma colisão de um voo comercial escandinavo com um avião de guerra eletrônica russo foi evitada por uma fração de segundos pela perícia do piloto europeu, noticiou 20minutes.fr.

O incidente aconteceu perto da cidade sueca de Malmoë, logo após o avião da SAS decolar do aeroporto internacional de Copenhague. A ocorrência, a segunda na área, foi denunciada por Johannes Hellqvist, porta-voz das forças armadas suecas.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Putin volta a atacar na Ucrânia,
mas a sedição crepita no interior russo

Alvos civis atingidos em Mariupol.
Alvos civis atingidos em Mariupol.


Rebeldes pró-russos – que mal se distinguem dos soldados russos – lançaram uma ofensiva com foguetes GRAD contra o porto estratégico de Mariupol, no leste da Ucrânia sobre o Mar de Azov.

O ataque atingiu essencialmente alvos civis e fez pelo menos 30 mortos e 83 feridos.

A cidade, de 500.000 habitantes, é vital para dar vazão às exportações de aço e grãos ucranianos. Além do mais, se ela cair em mãos dos (pró-?) russos, permitirá a unificação do leste rebelde com a península da Criméia anexada ilegalmente pelo Kremlin.

Durante cerimônia num monumento às perdas (pró-?) russas em Donetsk, o líder rebelde Alexander Zakharchenko, citado pela agência russa RIA-Novosti, comemorou o ataque contra civis em Mariupol como sendo “a melhor homenagem aos nossos mortos”.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

O trem russo do Apocalipse
entrará em serviço em 2018

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Havia um trem interditado pelo Tratado de Desarmamento nuclear americano-soviético conhecido como START-II.

Mas ele foi novamente autorizado pelo Tratado sobre Reduções Estratégicas Ofensivas (SORT), assinado em Moscou pelos EUA e pela “nova Rússia” em 24 de maio de 2002.

O comboio em questão está camuflado de trem para passageiros ou carga, mas na realidade transporta mísseis atômicos intercontinentais que podem ser disparados a qualquer momento.

Putin está promovendo ativamente
o rearmamento nuclear intercontinental da 'nova-Rússia'
O trem circula permanentemente nos trilhos e em estações de uso civil. E ali cessam as aparências.

As exterioridades se abrem e um mecanismo põe em posição de disparo o engenho apocalíptico capaz de arrasar as maiores cidades americanas.

Ele já era operacional nos tempos da URSS e tornará a sê-lo a partir de 2018.

Segundo o blog Foxtrotalpha, especializado em defesa, o equilíbrio do terror deixará de ser um fato do passado e ingressará com seu aterrador espectro na Nova Guerra Fria.

Os vídeos disponíveis produzidos pela URSS mostram o “Sistema ferroviário de mísseis de combate”, nome que lhe atribui o exército russo, circulando entre trens comuns e num local inesperado, disparando seus engenhos mortais.

As vantagens para a Rússia são múltiplas e Putin não quer desaproveitá-las.

O sistema é muito mais barato do que submarinos ou bombardeiros equivalentes, aliás de qualidade muito discutível.

O 'Barguzin' fingindo ser civil
pode apagar milhões de vidas de 24 cidades
Se movimentado habitualmente, terá aparência de objetivo civil e o adversário deverá pensar duas vezes antes de tentar atingi-lo, pois muitas vidas inocentes podem ser apagadas.

Como fazem os terroristas do Hamas estabelecendo seus quartéis debaixo de casas habitadas por famílias, escolas, hospitais, ou prédios públicos.

Os vagões “Barguzin” (vento do leste que sopra no lago Baikal), codinome desse trem, se parecem com vagões frigoríficos comuns.

Já estão programados cinco trens, cada um dos quais será capaz de transportar seis mísseis RS-24 com quatro cabeças nucleares.

No total, 24 ogivas termonucleares em cada comboio, cada uma com o poder de apagar uma grande cidade da superfície do globo.

Teoricamente, é impossível interceptar o RS-24, pois ele voa a uma velocidade de MACH 20 e teria uma precisão na ordem de 50 metros após um voo de 10.000 quilômetros.

Segundo slate.fr, o trem patenteia a vontade russa de modernizar seu arsenal nuclear e de reinstalar o “equilíbrio do terror” apontado contra o Ocidente.

Também a “nova Rússia” está investindo em bombardeiros de longo alcance e em submarinos, estando os atuais muito desfasados face aos americanos.

O 'Barguzin' circula por estações e linhas férreas de uso civil
A economia russa está em queda livre e se prevê uma profunda recessão em 2015. Porém Vladimir Putin continua recuperando as velhas e imorais armas para atingir o antigo sonho da falida URSS marxista-leninista.

Sua estratégia é de Guerra Fria. No tempo dos sovietes, enquanto a população gemia de fome, os engenhos de morte saíam de sinistros laboratórios, mesmo a custos monstruosos.

E Putin talvez encontre no conflito externo o pretexto para reforçar seu regime interno de opressão e concretizar o sonho de Lênin e de Stálin.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Lituânia torna-se independente do gás russo

Início das remessas de LNG no porto de Klaipeda. Lituânia se torna independente do gás russo
Início das remessas de LNG no porto de Klaipeda.
Lituânia se torna independente do gás russo


A Lituânia comemorou como um passo histórico para se livrar da dependência do gás russo e das extorsões de que era objeto no tocante a esse produto, a inauguração do terminal de Gás Natural Liquefeito – LNG no porto de Klaipeda.

O cargueiro LNG Arctic Aurora, com capacidade para 155.000 metros cúbicos de gás liquefeito, descarregou o primeiro envio comercial desse gás fornecido pela empresa norueguesa Statoil, segundo noticiou LNG World News. 

Em outubro, foi feita uma primeira entrega em Klaipeda, porém ainda em fase de teste. Na ocasião, veio da Noruega o navio Golar Seal, capaz de transportar 160.000 metros cúbicos de gás liquefeito.

O início do transporte regular de gás marca uma nova era para a Lituânia, que fica independente do gás russo e das arbitrariedades agressivas de Vladimir Putin.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Retrospectiva 2014:
assoma a III Guerra Mundial?

A criminosa derrubada do voo MH17 da Malaysia Airlines
mudou a atitude do Ocidente face às provocações da "nova-URSS"

Em 17 de julho, o voo comercial MH17 da Malaysia Airlines com 298 pessoas a bordo foi derrubado por um míssil disparado por baterias pró-russas.

O crime foi agravado pela sabotagem em relação às equipes internacionais que procuravam encontrar os restos mortais das vítimas, entre as quais muitas crianças.

Os atropelos dos russos, tornaram-se então evidentes. (Le Monde, 22-7-14) e suas declarações foram qualificadas de “teia de mentiras” (The Economist, 26-7-14).

Mas essas evidências não o detiveram, antes reforçaram a propaganda pró-Rússia empreendida por “companheiros de viagem” no Ocidente.

Sob roupagem religiosa “ecumênica”, o Patriarcado cismático de Moscou tentou obter do Vaticano e do Ocidente a submissão dos greco-católicos da Ucrânia e sua ‘reinserção’ no cisma de Moscou.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Retrospectiva 2014: o ano em que fanou a imagem de Vladimir Putin

O passado glorioso dos mártires cristãos inspirou a reação ucraniana
O passado glorioso dos mártires cristãos inspirou a reação ucraniana


Na passagem de 2013 para 2014, vivia-se na Praça Maidan, da capital ucraniana, um clima nobremente condizente com o passado glorioso dos mártires cristãos e oposto ao da conciliação da Igreja com os seus inimigos.

Sob um frio de muitos graus negativos, bispos e sacerdotes dos ritos greco-católico e latino sustentavam espiritualmente a resistência dos ucranianos que não queriam o retorno de um comunismo metamorfoseado na fachada, mas igual na essência; daquele comunismo que tentou liquidar na Ucrânia a Igreja Católica e que exterminou pela fome milhões de camponeses pobres.

Em barracas transformadas em capelas e sob a égide de uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, esses sacerdotes católicos rezavam a Missa, batizavam, confessavam, não raras vezes sob as balas e os ataques da polícia do regime pró-Rússia (“La Croix”, 17-1-14).

domingo, 4 de janeiro de 2015

Astúcia de um ex-coronel da KGB e ingenuidade (?) do arcebispado de Paris

Propaganda viperina de Moscou no Natal visa atrair 'companheiros de viagem'
Propaganda viperina de Moscou
no Natal visa atrair 'companheiros de viagem'

O ex-coronel da polícia política soviética KGB e agora chefe máximo do Kremlin continua com sua sutil ofensiva para angariar novos “companheiros de viagem” para derrocar o regime de propriedade privada e livre iniciativa ocidental.

No Natal, Putin soube aproveitar astutamente uma singular oportunidade. Esta lhe foi oferecida pelo arcebispado de Paris, que monta todos os anos uma grande e bela árvore de Natal diante da catedral Notre-Dame, especialmente visitada nessa época.

Mas como as arcas desse arcebispado não vivem seus melhores momentos, ele foi à busca de patrocinadores para a árvore de Natal.

E apesar de não faltarem franceses capazes de corresponder a este gesto, ainda que por interesse comercial, e entre eles muitos produtores de árvores natalinas, que as vendem aos milhões em cada Natal, a preferência do arcebispado parisiense incidiu sobre a oferta caída como que angelicamente do Céu das mãos do embaixador do ex-coronel da KGB.