quarta-feira, 13 de maio de 2015

A serviço do Kremlin como nos ‘dias de ouro’
do pacto Ribbentrop-Molotov

Saudosistas da velha URSS não se sabe por que 'de direita' engrossaram o evento pro-Putin 'cristão' no Foro Internacional Conservador de São Petersburgo.
Saudosistas da velha URSS não se sabe por que 'de direita'
engrossaram o evento pro-Putin 'cristão'
no Foro Internacional Conservador de São Petersburgo.



A convite de militantes amigos do Kremlin, representantes de diversas legendas europeias consideradas de direita reuniram-se em São Petersburgo, noticiou a Deutsche Welle.

As fotografias, reproduzidas pela rádio oficial alemã, forneceram a deprimente imagem de velhos militantes russos exibindo incontáveis condecorações como os melhores servidores da era soviética.

Porém, o script fornecido pelo Kremlin mudou alguma coisa em relação a esses tempos remotos. A instrução agora era fomentar os “valores tradicionais” da família e do cristianismo, que o presidente Vladimir Putin afirma defender.

Os velhos roteiros da extinta URSS tiveram também seu lugar na hora de vituperar contra os EUA e a Europa a propósito da crise da Ucrânia.

domingo, 10 de maio de 2015

Polônia e Lituânia impedem “Anjos do Inferno” ou “Lobos da Noite”, guarda pretoriana de Putin

Putin: líder venerado dos 'Anjos do Inferno'
Putin: líder venerado dos 'Anjos do Inferno'
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








“Para Berlim!”: O brado de guerra do Exército Vermelho foi ecoado por centenas de motoqueiros pró-Kremlin que partiram de Moscou rumo ao Ocidente ostentando bandeiras soviéticas com a efígie de Stalin e as da Rússia de Putin, segundo noticiou a agência AFP.

Alexeï Verechtchiaguin, motoqueiro que combate no bastião separatista de Lugansk, no leste ucraniano, sublinhou o significado da manobra.

Eles pensavam refazer o percurso do exército soviético através da Bielorrússia, Polônia, República Checa, Eslováquia e Áustria.

Mas o gesto tem para muitos desses países uma dimensão ofensiva, escondendo intuitos invasores do patrão do Kremlin.

De fato, o grupo de motoqueiros que se identifica como “Lobos da Noite” ou “Anjos do Inferno” tem um histórico tenebroso e o próprio presidente Vladimir Putin se considera membro dessa irmandade do mal.

Para o jornal La Nación, de Buenos Aires, o grupo constitui uma “gangue que é uma espécie de guarda pretoriana paralela do presidente russo”.

O fundador e chefe Alexandre Zaldostanov, aliás “o cirurgião”, agitava bandeiras soviéticas e bradava na partida: “Por Stalin!”

Em 21 de fevereiro (2015), numa marcha anti-Maidan em Moscou, Zaldostanov incitou a “exterminar” os opositores de Putin. E advertiu: “o medo da morte é o único que pode deter a oposição russa”.

“Dentro da Rússia nós estamos combatendo a Quinta Coluna, esses que trabalham para estados estrangeiros”, explicou o gangster, citado por The Telegraph e o National Post.

Poucos dias depois, Boris Nemtsov, opositor liberal e ex- primeiro-ministro adjunto da Rússia, que vinha denunciando a corrupção no regime de Putin e a guerra na Ucrânia, caía assassinado numa movimentada ponte central de Moscou.

Putin não esconde seu apoio aos suspeitos 'Lobos da Noite'
Putin não esconde seu apoio aos suspeitos 'Lobos da Noite'
Zaldostanov está na “lista negra” dos EUA e da Europa por sua participação na invasão da Criméia e seu engajamento armado na guerra no leste ucraniano.

Vladimir Putin participou de uma incursão com motos na península da Criméia com os “Anjos do Inferno” e seu chefe Zaldostanov.

De um ano para cá “o cirurgião” tornou-se personagem onipresente na TV estatal, onde se declara devoto de Lênin, Stalin e do patriarca de Moscou. Putin o trata de ‘irmão’. Como seu íntimo chefe, Zaldostanov se diz grande defensor dos valores cristãos, familiares, morais e religiosos.

Para ele, Putin é o “salvador do mundo”, que veio para “reunificar o império russo”. O chefe dos “Lobos da Noite” se julga investido da missão divina de proteger o líder do Kremlin contra a revolução popular e pacífica que Boris Nemtsov promoveu antes de ser assassinado a dois passos do Kremlin.

“O cirurgião” se exibe com roupas de couro negro, tatuagens, símbolos esotéricos e uma caríssima Harley Davidson. Em fevereiro de 2014, com outros “lobos” ou “anjos infernais”, ele bloqueou a entrada na Crimeia, na primeira etapa da anexação da península, acrescentou “La Nación”.

Putin condecorou Zaldostanov com a comenda da Ordem da Honra pelo seu “ativo trabalho no reerguimento patriótico da juventude” e ajuda na procura dos restos mortais de soldados da II Guerra Mundial. Não lhe faltavam serviços prestados.

Os “Lobos da Noite” também promoveram delirantes shows rock de fundo militarista na Rússia, com reconstruções históricas voltadas para a glória da URSS, a difamação do Ocidente, a excitação do ódio à Ucrânia anticomunista e a promoção de um devoto culto ao presidente Putin, informou BuzzFeedNews.

Para isso contaram com o apoio da TV oficial, que emitiu esses frenéticos shows, bem como com a participação em pessoa do chefe máximo do Kremlin, que chegou numa Harley Davison semelhante à do chefe do grupo.

A incursão da gangue passará primeiro pela Bielorrússia, onde só aguarda o acobertamento da última ditadura escancaradamente marxista na Europa.

O grupo pró-Stalin e pró-Putin anunciou que novos “lobos” se reunirão à matilha durante o percurso, e que eles visitarão cemitérios e monumentos dedicados aos ‘heróis’ soviéticos. Uma coleção de manifestações deverá então acontecer.

A primeira ministra polonesa, Ewa Kopacz, teme o óbvio: trata-se de uma “singular provocação” de um “grupo organizado”. Por isso a Polônia vetou o seu ingresso no território nacional. A Alemanha também cortou o visto da maioria dos “Lobos da Noite”, por irregularidades na solicitação dos mesmos.

Putin concede a Ordem do Mérito a Alexander Zaldostanov
líder da estranha 'guarda pretoriana' da nova-URSS
Os poloneses não se esquecem que seu glorioso país foi ocupado e repartido entre os exércitos nazista e vermelho, em virtude da aliança Hitler-Stalin que desencadeou a II Guerra Mundial.

Os problemas começaram na fronteira da Polônia, cujo Ministério de Relações Exteriores anunciou que negaria o ingresso aos “Lobos da Noite”. O Ministério apontou diversas ilegalidades na manobra e considera que a marcha constitui uma provocação, noticiou a agência Reuters.

Uma vanguarda dos “Anjos do Inferno” apresentou-se antes da hora em que eram aguardada na fronteira polonesa, mas teve o acesso vetado.

O Ministério de Relações Exteriores russo revidou, dizendo que a recusa polonesa é “ideológica” e “blasfema”. Seria talvez “nazista” ou “fascista” como o governo de Kiev, pretexto que justificaria violências e até represálias militares.

Zaldostanov, por sua vez, disse que não respeitará a alfândega e a polícia de fronteira da Polônia, e falou de estradas alternativas que não se enxergam no mapa.

A continuação a mesma gangue tentou entrar na vizinha Lituânia mas teve o acesso negado pela corajosa pequena nação, segundo noticiou The Moscow Times.

Alguns “Anjos do Inferno” de Putin tentaram vulnerar as fronteiras lituanas pela Bielorrússia e outros pelo enclave russo de Kaliningrado.

A gangue exibiu vistos, mas carecia de outros documentos indispensáveis e os guardas de fronteira lituanos opuseram firme negativa.

Em numerosas ocasiões, Putin asseverou em tom ameaçador que interviria em qualquer lugar do mundo onde um cidadão soviético tivesse seus direitos desrespeitados.

A provocação parece orquestrada para justificar uma violência de maior dimensão. Como aliás temiam até há pouco muitos especialistas militares ocidentais, que se perguntavam apenas qual seria a encenação que Putin montaria.

A manobra evoca episódios ainda vivos da guerra “híbrida” e da “maskirovka”, sinal distintivo da estratégia de guerra mascarada russa.

Estratagemas semelhantes pegaram de surpresa até o alto comando da OTAN na invasão da Criméia, e em episódios como as colunas “humanitárias” de caminhões militares que entraram na Ucrânia pintados de branco mas vazios, e usados com intenções pouco esclarecidas.

Veja mais em “A mentira deslavada: técnica de guerra preferida de Putin”








Vanguarda de “Lobos da Noite” foi proibida de ingressar na Polônia:




terça-feira, 5 de maio de 2015

Premiê húngaro flerta Putin
e eleitorado lhe tira a maioria

As cores ucranianas evidenciam o temor dos húngaro de sofrer análoga invasão
As cores ucranianas evidenciam o temor dos húngaros de sofrer análoga invasão



Desde 2010, o atual primeiro-ministro húngaro Viktor Orban vem se mantendo à testa do governo apelando para os sentimentos conservadores da opinião pública de seu glorioso país.

Porém, após ter iniciado um inexplicável “namoro” com o presidente russo Vladimir Putin, sofreu uma derrota simbólica, sob certos pontos de vista muito sensível, que semeou consternação entre seus mais próximos assessores.

A Hungria vem sendo hostilizada por causa de sua nova Constituição, de suas corajosas tomadas de posição e de leis que contradizem as imoralidades legislativas promovidas pela União Europeia.

Esse tratamento arbitrário serviu de bom pretexto para Orban se aproximar de Vladimir Putin, que lhe ofereceu o que na realidade não tem: dinheiro. A Hungria passa por dificuldades econômicas e a ilusão mentirosa pode enganar quem está apertado.

domingo, 3 de maio de 2015

Nave com símbolo soviético cai sobre a Terra: prenúncio do futuro russo?

O programa espacial soviético teve forte componente propagandístico.Na foto: estação espacial MIR, desativada em 2001, apresenta defeitos de planificação e danos causados por lixo espacial.
O programa espacial soviético teve forte componente propagandístico.
Na foto: estação espacial MIR, desativada em 2001,
apresenta defeitos de planificação e danos causados por lixo espacial.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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O Centro de Controle de Voos Espaciais (CCVE) russo perdeu o controle do Progress M-27M, uma nave espacial não tripulada enviada a abastecer a Estação Espacial Internacional (EEI), noticiou o jornal portenho La Nación.

O artefato descontrolado iniciou o processo de queda sobre o planeta sem que os controladores em terra possam impedi-lo, explicou um responsável russo.

Os controladores tentaram restabelecer as comunicações com o bólido enlouquecido, mas tiveram resultados insuficientes.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Ambições hegemónicas da “nova-URSS”
fraudam normas até no esporte



“Todos os atletas russos nos dopamos em algum momento. Os dirigentes impõem isso aos treinadores e estes aos esportistas. No fim, você acha que não está fazendo nada ruim”, explicou Yuliya Rusanova.

Ela ganhou a medalha de bronze no 800 do Europeu 'indoor' de Paris 2011, mas foi sancionada em 2013 por alterações em seu passaporte biológico.

“Existe toda uma metodologia para impedir resultados ‘positivos’ de dopagem. Os funcionários garantem que os atletas não sejam submetidos a testes”, acrescentou seu marido Vitali Stepanov, ex-dirigente da Agência Antidopagem da Rússia (Rusada), segundo o jornal espanhol “El Mundo”

“O esportista está submetido a muitas pressões e no fim não tem outra alternativa senão as práticas ilegais”, acrescentou Oleg Popov, treinador de vários atletas 'caçados' nos últimos anos.

domingo, 26 de abril de 2015

Um erro de cálculo, uma má sorte
e é a guerra nuclear,
diz ex-chefe do Serviço Secreto britânico

John Sawers, ex-chefe do Serviço Secreto inglês (MI6):
“A ameaça de confronto militar nuclear,
incluindo um erro de cálculo ou simplesmente má sorte,
ainda está presente. Temos isso em mente
quando falamos com a Rússia de Vladimir Putin”



Com um ar descontraído, sir John Sawers, chefe recém-aposentado do serviço de inteligência britânico (MI6), transmitiu uma mensagem alarmante em sua conferência no King’s College de Londres: pela primeira vez desde o fim da Guerra Fria, paira sobre o mundo o espectro da guerra nuclear.

“A ameaça de confronto militar nuclear, incluindo um erro de cálculo ou simplesmente má sorte, ainda está presente. Temos isso em mente quando falamos com a Rússia de Vladimir Putin”, declarou Sawers, segundo “El País”, edição em português.

O bem informado ex-chefe da espionagem inglesa refletia o temor – compartilhado por seus colegas britânicos, pelos EUA e pela OTAN – de que a crise militar na Ucrânia seja o prelúdio de mais uma aventura russa.

O risco de a Rússia tentar anexar territórios da Estônia, Lituânia ou Letônia aumentou em consequência do desgaste de sua economia. A fim de conter o descontentamento interno e preservar seu poder, Putin procuraria excitar o populismo com o espectro de uma ameaça ocidental a seu país.

Para Gideon Rachman, especialista em política internacional do Financial Times, “o agressivo nacionalismo orquestrado por Putin recorda a política da Rússia e da Alemanha nos anos trinta”.

terça-feira, 21 de abril de 2015

A Rússia pena para recrutar soldados
nas ex-repúblicas soviéticas

Separatista na cidade de Siversk, região de Donetsk, Ucrânia, identificado como 'Bakhtiyor', nativo do Uzbequistão Fonte: Reuters.
Separatista na cidade de Siversk, região de Donetsk, Ucrânia,
identificado como 'Bakhtiyor', nativo do Uzbequistão. Fonte:Reuters



A Federação Russa de Vladimir Putin precisa preencher os vazios de seu exército com soldados das ex-repúblicas soviéticas.

Mas, neste quesito, está passando mal, escreveu Farangis Najibullah, da Radio Free Europe/Radio Liberty.

A Rússia oferecia a cidadania e bons ordenados, mas agora está sem dinheiro e os estrangeiros correm o risco de assinar contratos obrigatórios e depois não verem um tostão ou quase.

A ideia de recrutar estrangeiros já havia sido proposta havia cinco anos, mas agora, com a guerra na Ucrânia, tornou-se uma necessidade premente.

A Rússia estava oferecendo aos recrutas 30.000 rublos por mês, mas a desvalorização da moeda russa está evaporando esse valor e afastando os imprescindíveis voluntários.

domingo, 19 de abril de 2015

Féretros de “soldados fantasmas”
voltam a cemitérios russos

Os habitantes estão certos que o túmulo não identificado
no cemitério público de Vybuty, região de Pskov, norte da Rússia,
é de um paraquedista morto na Ucrânia. Os familiares têm medo de falar.




O capitão da 106º divisão aerotransportada viajou 900 milhas desde Rostov, na fronteira com a Ucrânia, para entregar o caixão de zinco selado do paraquedista Sergei Andrianov, 20, numa remota aldeia na região de Samara, entre o rio Volga e Cazaquistão.

A família havia ficado furiosa com o quartel da divisão pela falta de notícias. No fim, um oficial exasperado ofereceu 100.000 rublos (1.850 dólares) para tranquilizá-la.

Contudo, Natasha, a mãe de Sergei, queria dados: “Como é que ele morreu? Onde?”.

— “Meu filho morreu e ninguém pode explicar o que aconteceu”, disse ela em lágrimas à VICE News.

Ela exibe os documentos que recebeu junto com o corpo. Explicações imprecisas, nenhuma referência ao local.

Um oficial confidenciou que Sergei estava em “missão especial” num local de “transferência temporária”, onde aconteceu uma explosão “incompatível com a sua vida”. Rostov é mencionada em alguma parte.

“Eles agem como se fosse um segredo de governo”, disse Natasha, “mas, honestamente, eu quero dizer que isto é um crime do governo”.

Oficialmente, a Rússia não está em guerra, mas seus soldados estão morrendo às dúzias — quiçá às centenas — na Ucrânia. Putin nega uma e outra vez que haja tropas russas no país vizinho, mas os cadáveres como o de Sergei voltam.

Jornalistas e ativistas dos direitos humanos recolhem os históricos desses sacrifícios silenciados que já formam uma espécie de “exército russo de fantasmas”.

Em evento internacional em Munique, o presidente ucraniano Petro Poroshenko
exibe passaportes de soldados russos mortos ou capturados na Ucrânia.
Em agosto de 2014, o exército ucraniano progredia substancialmente e encaminhava-se para extinguir a rebelião pró-russa. Foi então que Moscou enviou suas tropas para evitar a derrota de seus protegidos.

Foi uma invasão ao pé da letra. Calcula-se que 20.000 soldados violaram as fronteiras. Muitos como Sergei só voltaram dentro de sacolas para cadáver.

O caso dele bate com dezenas de outros relatórios recolhidos pelo Comitê de Mães de Soldados, liderado por Valentina Melnikova.

Veja também: Conscritos russos se recusam a combater na Ucrânia. Soldados desertam

Segundo as denúncias que ela possui, pelo menos 500 membros das forças armadas russas morreram na Ucrânia. O número concorda aproximadamente com os cálculos do governo americano. Mas são difíceis de confirmar: a repressão espiona aqueles que se interessam pelo assunto em demasia.

Para Melnikova, nada disto é novo. Já aconteceu durante a invasão soviética do Afeganistão ou na repressão da Chechênia, registra VICE News.

A mídia estatal nada fala. A TV se refere ao governo de Kiev como “junta fascista”. Os programas estão cheios de alusões a conspirações e a “quintas-colunas” sabotando a Rússia.

O clima de medo nas famílias impede que elas saiam a público. “Todo mundo cala. Eles compreendem o que aconteceu e o que pode acontecer se você fala”, dizem os parentes.

Natasha percebeu isso não somente nos agentes do governo, mas também nos vizinhos da aldeia.

Mas o muro de silêncio começou a cair quando, em agosto (2014), chegaram os primeiros corpos ao quartel de Pskov, perto da fronteira com a Estônia, a cinco horas de carro de São Petersburgo, sede da 76º divisão aerotransportada.

Ainda em agosto, oficiais ucranianos publicaram documentos de 60 dos pára-quedistas de Pskov, cuja brigada foi quase extinta numa emboscada. A Rússia negou, e o comandante da divisão declarou que todos seus soldados passavam bem.

Numa segunda-feira, a igreja do pequeno cemitério da periferia de Pskov encheu-se de gente, altos oficiais inclusive.
As cruzes não contêm nomes mas números num cemitério na região separatista pro-Rússia, perto de Donetsk.
As cruzes não contêm nomes mas números num cemitério
na região separatista pro-Rússia, perto de Donetsk.
Mas Irina Tumakova chegou muito mais cedo e pôde ver os soldados cobrindo com terra os túmulos e o nome dos mortos: eram suboficiais da unidade falecidos em agosto. Um homem lhe ofereceu um copo de vodca dizendo: “Meu filho está ali”.

Irina lhe perguntou se tinha morrido na Ucrânia.

— “Onde, se não?” respondeu ele.

A história correu pelas redes sociais russas. O quartel mandou silenciar, os familiares se recusaram a receber os jornalistas, funcionários perseguiram a jornalista russa que tentou se aproximar dos túmulos, recorrendo a ameaças e agressões.

No mesmo mês de agosto, a Ucrânia apresentou prisioneiros de guerra do 331º regimento aerotransportado de Kostroma. O Kremlin teve que admitir, mas Putin disse terem entrado na Ucrânia por “erro”.

Em setembro, as emissoras estatais russas de TV reconheceram pela primeira vez que um soldado russo fora morto na Ucrânia, mas alegarem tratar-se de um “patriota voluntário”.

Um outro “voluntário”, Nikolai Kozlov, foi apresentado pelas redes de TV recuperando-se num hospital da perda de uma perna. “Ele foi porque recebeu ordem”, contou seu tio.

O povo russo continua sendo sistematicamente desinformado pela grande mídia, quase toda ela nas mãos de camaradas de Putin.

“Mortos em circunstâncias desconhecidas”:



O testemunho de um soldado russo prisioneiro na Ucrânia:



terça-feira, 14 de abril de 2015

Poloneses se preparam para uma batalha total

Numa escola, jovens voluntários de um dos mais de 100 grupos que pediram treinamento militar legal. A preocupação é nacional.
Numa escola, jovens voluntários de um dos mais de 100 grupos
que pediram treinamento militar legal. A preocupação é nacional.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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Mais de 100 milícias paramilitares aprovadas pelo governo da Polônia recrutam velozmente jovens preocupados por seu país diante da ofensiva das forças de Putin no Leste europeu.

O jornal “The New York Times” foi fazer uma reportagem desse fenômeno nacional polonês.

Ele assistiu em Kalisz ao juramento de trinta estudantes, que prometeram defender a Polônia a todo custo. Para isso, 200 membros da associação – rapazes e moças – marcharam em formação a partir do pátio da escola, ingressaram no Boulevard das Forças Armadas e chegaram ao centro da cidade diante da igreja de São José.

O general Boguslaw Pacek, conselheiro do Ministério da Defesa e homem de ligação com esses grupos, marchou com eles.

Bartosz Walesiak, 16, que entrou para Associação de Atiradores, declarou: “Eu acho que Putin vai querer mais. A Lituânia, a Estônia e a Letônia já estão se preparando para esse cenário e a Polônia deve fazer o mesmo”.

A crise entra no impensável fim da Guerra Fria e tira a tranquilidade de muitos poloneses. Eles acham que os russos não se contentarão com a Ucrânia e partirão por cima do Ocidente. E a Polônia está no meio.

A Rússia aparece agressiva e imprevisível. “O impacto na vida cotidiana está sendo péssimo”, disse Marcin Zaborowski, diretor do Polish Institute of International Affairs. “Com muita frequência, as pessoas — vizinhos, barbeiros — me abordam para perguntar se vai sair uma guerra. Outro dia minha mãe me telefonou para saber sobre isso”.

Poloneses acham que a Rússia não ficará satisfeita com a Ucrânia e tentará agredir outro vizinho. E podem ser eles.
Poloneses acham que a Rússia não ficará satisfeita com a Ucrânia
e tentará agredir outro vizinho. E podem ser eles.
Nos jantares em Varsóvia frequentemente se trata desse assunto. Possibilidades não consideradas outrora são tratadas hoje seriamente. Até as piadas sobre o assunto patenteiam a ansiedade.

No início de 2015, o Ministério da Defesa da Polônia anunciou que fornecerá treinamento a qualquer civil que quiser recebê-lo. No primeiro dia compareceram por volta de mil voluntários. “Esse número vai crescer bem no futuro”, disse o coronel Tomasz Szulejko, porta-voz do comando geral do Exército polonês.

Tomasz Siemoniak, ministro da Defesa, contempla estabelecer uma Força de Defesa Territorial, semelhante à Guarda Nacional dos EUA, aproveitando o creme dos membros das associações de atiradores e outros voluntários.

O primeiro-ministro Ewa Kopacz mudou a lei de recrutamento. Agora poderá ser convocado quase todo homem no país.

Na vizinha Lituânia, a presidente Dalia Grybauskaite visa reinstalar a conscrição militar obrigatória em função do “atual ambiente geopolítico”. Em janeiro, o governo publicou um livreto de 98 páginas intitulado “Como agir em situações extremas ou em momentos de guerra”.

O livreto fornece instruções sobre o que os cidadãos devem fazer caso soldados estrangeiros apareçam nas portas de suas casas, e como oferecer uma resistência passiva ao poder ocupante.

Os temores crescem na Polônia, mas ainda não há pânicos de massa, diz Tomasz Szlendak, sociólogo da Universidade Nicolaus Copernicus, de Torun. Os cidadãos ainda não estocam alimentos e munições no porão, esclareceu Marcin Zaborowski, mas a apreensão está aumentando visivelmente.

O crescente engajamento nos grupos milicianos é apenas uma manifestação da mudança do clima.

Grzegorz Zurek de 11 anos não tinha idade para treinar,
mas tanto insistiu que achou vaga como 'ferido'.
“Acredito que Putin fará algo contra a Polônia”, diz ele.
E a causa não é só a Ucrânia. O patriotismo e o amor ao serviço uniformado estão atraindo os mais jovens. A vida militar oferece uma carreira desejável, e a sombra de Putin acelerou a tendência.

Em Szczecin, 500 novos cadetes fizeram o juramento. O general Pacek acha que já há 120 grupos do gênero, com um total de 80.000 membros.

O Ministério da Defesa fornece equipamentos, uniformes, treinadores e até dinheiro.

Declarou o general Pacek: “Não se trata de levá-los para combater, mas de lhes oferecer assistência do lado militar. Obviamente, eles sairão preparados para defender”.

O juramento reza: “Eu estarei sempre pronto para defender a independência até meu último suspiro”.

Após a cerimônia, o prefeito de Kalisz, Grzegorz Sapinski, olhava os cadetes marchando e comentava: “Perceba a mudança de atitude dos jovens em consequência do que está acontecendo na Ucrânia. O conflito não se dá num lugar longínquo ou obscuro. Acontece a quatro horas de carro daqui”.

O cadete mais jovem é Grzegorz Zurek, 11. Ele não conseguia ser admitido por sua curta idade, mas, por ser obstinado, conseguiu que o aceitassem para – bem abraçado ao fuzil automático – desempenhar o papel de ferido nos treinos.

“Acredito como altamente provável que Putin fará algo contra a Polônia”, disse Grzegorz.

“Eu sei pela história que a Rússia sempre foi um estado totalitário. E agora está tentando recuperar o território que perdeu no fim da Guerra Fria. Se ele vier invadir a Polônia, eu não hesitarei um segundo em combater contra ele”, completou o corajoso adolescente.


Forças Armadas polonesas: prestígio e rearmamento crescem rapidamente,
diante da percepção da ameaça russa:




Exercícios conjuntos com europeus e americanos em território polonês visam aprimorar a defesa em caso de invasão:




terça-feira, 7 de abril de 2015

Patriarca de Moscou elogia na Duma
a restauração dos “valores” soviéticos
e a diplomacia vaticana

O patriarca Kirill na Duma exortou a restaurar valores soviéticos  elogiou a atual política vaticana.
O patriarca Kirill na Duma exortou a restaurar valores soviéticos
e elogiou a atual política vaticana.



Pela primeira vez na história, o autodenominado Patriarca de Moscou, chefe da cismática igreja ortodoxa russa, foi falar na Câmara baixa do Parlamento russo, ou Duma, noticiou “AsiaNews”.

O objetivo principal da histórica intervenção foi um apelo para restaurar “as coisas positivas da era soviética” e construir a Rússia moderna. Em outros termos, apoiar a construção da “URSS 2.0”, conforme desejo do camarada máximo Vladimir Putin.

Também pediu aos parlamentares a proteção da família e o banimento do aborto que grassa na Rússia num dos patamares mais sinistramente altos do planeta, mas que é uma das “conquistas” da era soviética. O apelo soou incongruente.

Formado nas escolas da KGB, Kirill deplorou “frequentes casos” de destruição e confisco de igrejas ortodoxas na Ucrânia, perpetrados pelos separatistas pró-russos, como se impedi-los estivesse dependendo de uma decisão de Moscou.

terça-feira, 31 de março de 2015

Mídia oficial russa predispõe o país
para holocausto nuclear

Mídia russa prepara povo para aceitar um holocausto nuclear
como um 'sacrifício místico'
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A mídia russa está apresentando a impensável catástrofe da guerra nuclear como uma possibilidade real e algo que deve ser abraçado com patriotismo místico, comentou a BBC News.

A invasão da Ucrânia entenebrece cada dia mais o horizonte político-militar mundial. E enquanto o Ocidente alarga o leque de medidas retaliatórias, a mídia russa desenvolve para seus leitores o tema da guerra nuclear.

Segundo o jornalista liberal Yuriy Saprykin, o tema virou “lugar comum”. Ele exemplificou com a rádio independente Ekho Moskvy, onde se fala da guerra nuclear “com a naturalidade com que se falaria de um aumento de preço do estacionamento”.

“Por que vocês todos temem tanto a guerra atômica? Por que temem a guerra nuclear?” – interrogou na emissora pró-Kremlin Govorit Moskva o apresentador Aleksey Gudoshnikov.

domingo, 29 de março de 2015

Países Bálticos: o próximo objetivo do Kremlin?

Tanque pró-russo se posiciona perto de Debaltseve, Ucrânia.
Tanque pró-russo se posiciona perto de Debaltseve, Ucrânia.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Vladimir Putin representa um “perigo real e atual” para a Estônia, a Letônia e a Lituânia, e a OTAN se prepara para repelir um eventual ataque russo, declarou em Londres o ministro britânico da Defesa, Michael Fallon, segundo a agência Reuters.

Segundo os jornais “The Times” e “The Daily Telegraph”, o ministro considera que o Kremlin poderia lançar uma operação de desestabilização nas repúblicas bálticas, que outrora foram escravizadas pela URSS e hoje fazem parte da OTAN.

Para Fallon, a Rússia tentaria utilizar os mesmos estratagemas aplicados há pouco tempo na Crimeia e hoje no leste da Ucrânia.

“A OTAN – disse – deve estar pronta para cortar qualquer tipo de agressão vinda da Rússia, qualquer que seja a forma que ela assuma”.

terça-feira, 24 de março de 2015

Sumiço e reaparição de Putin
alimenta obscuros presságios

Moscou: massiva marcha em honra ao opositor assassinado
patenteou que o chão treme sob o regime de Putin
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A Rússia afunda num marasmo interior. Vladimir Putin passou dez dias desaparecido, cancelando compromissos internacionais relevantes.

Num país livre, o fato daria margem a muita especulação. Mas na Rússia, com o reflexo de épocas passadas, o sumiço do chefe máximo e a sua reaparição inexplicada pressagiam decisões trágicas, se não funestas.

O regime moscovita parece temer o progresso do movimento liberalizante interno, atiçado pela inflação e pela falta de produtos.

Em poucas palavras, o fantasma de um “Maidan russo” deambula entre as torres de São Basílio e ameaça desencadear uma epidemia liberalizante.

“Não a Maidan, não à guerra”; “Maidan é uma doença. Nós vamos curá-la”, gritaram os manifestantes convocados pelo governo russo no início do ano em numerosas cidades, de São Petersburgo a Vladivostok, segundo a revista francesa “L’Express”.

Putin mandou assim um recado: qualquer veleidade de protesto popular imitando o modelo da capital ucraniana será esmagado como uma bactéria.

“Não permitiremos um Maidan em nosso país” repetiam obsessivamente os organizadores da passeata putinista em Moscou.

Segundo o jornal “Le Monde”, nas passeatas havia membros do Parlamento ávidos de regalias, aposentados e jovens desempregados que aguardavam a recompensa, cossacos trazidos à força e grupos de motoqueiros conhecidos como “Os lobos da noite”, dispostos a obedecer qualquer ordem de Putin, que os trata de “irmãos”.

Putin atinge níveis de popularidade que competem com os de Fidel Castro e de Maduro, e superam por pequena margem os do PT brasileiro, se acreditarmos nas agencias oficiais.

Essa é a imagem que a “nova URSS” quer passar.

Mas o assassinato do oposicionista Boris Nemtsov e seu multitudinário enterro em Moscou falaram de uma situação muito diversa.

“Eles mataram um combatente da verdade”, dizia no cortejo Vyacheslav Buralnik, amigo de Nemtsov há mais de uma década, informou VICE News.

Milhares de russos no enterro do opositor Boris Nemtsov:
advertência ao regime de Vladimir Putin generalizadamente apontado como mandante do crime
O cortejo fúnebre foi sombrio, apesar da multidão de pessoas presentes, da grande quantidade de flores e das bandeiras russas com fitas pretas e faixas onde se lia: “Eu sou Boris Nemtsov”.

Todo o mundo sabia quem foram “eles”, mas poucos se atreviam a dizer os nomes em meio à paranóia pró-Putin que a mídia desencadeou há mais de um ano.

Uma “passeata anticrise” em início de março não chegou a ser silenciada pelas balas que mataram a Nemtsov.

Segundo a polícia, que fornece números aprovados pelo regime, participaram 21.000 pessoas, embora o número mais plausível seja 70.000, a maior passeata oposicionista desde 2012.

Um porta-voz de Putin tentou apaziguar a desconfiança geral atribuindo o crime a uma “provocação” contra a Rússia. Alguns cidadãos chechenos foram presos e confessaram sob tortura serem os assassinos. A montagem ficou clara.

A oposição no Parlamento aponta como causa principal o ambiente de histeria coletiva insuflada pela mídia oficial a propósito da guerra na Ucrânia.

Retrato de Boris Nemtsov rodeado de flores  no local onde foi morto como morrem os opositores do regime
Retrato de Boris Nemtsov rodeado de flores
no local onde foi morto como morrem os opositores do regime
No melhor estilo dos expurgos estalinistas, o próprio Putin denunciou uma “quinta-coluna” que age na Rússia.

Mas os manifestantes anti-Putin provinham das pacíficas classes médias que estão sendo gravemente prejudicadas. Vários até tiveram a coragem de carregar a bandeira da Ucrânia.

De acordo com o líder oposicionista Ilya Yashin, a vítima estava preparando um relatório sobre o fluxo de armas russas para o leste ucraniano secessionista.

Anna Duritskaya, ucraniana amiga do morto que estava com ele no momento fatídico, ligou o crime a “acontecimentos internos da Ucrânia”.

Mas a maioria dos descontentes prevê um período de agitação ainda mais obscuro.

“No futuro – disse o psicólogo Alexander Vengea, entrevistado por VICE News –, a agitação não partirá de nós, mas da população faminta. Eu acho que haverá mudanças políticas, mas não na direção que nós queremos”.

A “nova URSS” se enfurna na espiral de desordens, fome e repressão que caracterizou o período leninista de sua funesta antecessora, a “velha URSS”.


quarta-feira, 18 de março de 2015

Ideólogo de Putin logra desavisados no Ocidente

Aleksandr Dugin: povos inteiros que não entram em seus esquemas devem ser 'apagados', como a Polônia e a Ucrânia.
Aleksandr Dugin: povos inteiros que não entram em seus esquemas
devem ser 'apagados', como a Polônia e a Ucrânia.



O ideólogo russo Alexander Dugin, conhecido apenas em minúsculos círculos esotéricos, veio se projetando nos últimos anos pelo fato de Vladimir Putin tê-lo escolhido como seu ideólogo predileto.

O Kremlin fez dele uma espécie de porta-voz filosófico para lograr certa intelligentsia ocidental.

Ignora-se ao certo se Putin acredita no que diz Dugin, pois nos pragmáticos discursos do chefe do Kremlin é difícil achar a embaralhada verborragia ocultista de seu ideólogo.

Porém, o ditador se enfeita ostentando um pensador de seu agrado, embora assaz escuro, contraditório, místico-panteísta e com fulgores satanistas.

Dugin propala, sem ser desmentido pelo seu patrão, a ideia de uma Rússia liderando um “Império Euro-asiático”. A proposta ecoa o sonho leninista de uma revolução mundial que encaixaria todas as nações na União de Repúblicas Socialistas Soviéticas ingloriamente fracassada.

Dugin não duvida em atrelar a essa “nova URSS euro-asiática” países como Áustria, Hungria, Romênia, Servia e Eslováquia, que sofreram na própria pele a ferocidade da escravidão soviética e que deram o sangue de seus melhores filhos para dela se libertar.

Para Dugin, a Rússia deve anexar completamente a Ucrânia e exterminar os ucranianos, de modo muito especial os católicos, segundo reportagem do “International Businnes Times”.

Dugin também ensina que a Polônia é um “erro histórico”, pois são eslavos católicos que não pertencem à igreja cismática russa presidida pelo Patriarca de Moscou.

Aleksandr Dugin (direita): em protesto esotérico-religioso com sacerdote 'ortodoxo' contra a Ucrânia
Aleksandr Dugin (direita): em protesto esotérico-religioso
com sacerdote 'ortodoxo' contra a Ucrânia
Pelo fato de professarem a fé católica, os poloneses teriam degenerado da raça eslava, não têm lugar em seu oculto universo cósmico e devem ser suprimidos.

Dugin também prega o desaparecimento dos países próximos dos EUA, inclusive os europeus, que deveriam ser anexados pela força ao “Império Euro-asiático”. Essa seria a exigência de fenômenos geográficos ou de forças telúricas a que ele atribui um poder materialista absoluto e incoercível.

O mais espantoso é que Dugin tenha conseguido fazer adeptos no mundo dos futuros escravos do “Império Euro-asiático”.

Para esses enganos ele usufruiu de antigas amizades. Estas provêm da rede de “grupos de influência” que a URSS espalhou outrora no Ocidente. A rede atravessou incólume e impunemente o período da transição da “URSS 1.0” para a “URSS 2.0”, como dizem as juventudes putinistas.


Os ucranianos devem ser extintos, diz Dugin, sobretudo os católicos.
Centenas de "voluntários" vindos da Rússia ingressam na Ucrânia, segundo flagrou a OSCE:



domingo, 15 de março de 2015

Herói da derrocada soviética na Checoslováquia:
“Celebrar o fim do comunismo é um equívoco”

Václav Klaus, ex-presidente da República Checa:
 “Celebrar o fim do comunismo é um equívoco” 

“Celebrar o fim do comunismo é um equívoco”, pois “algo parecido está voltando, com outras bandeiras e outras cores”, alertou Václav Klaus, o primeiro chefe de governo da República Checa depois do fim da ditadura soviética, segundo artigo de “O Estado de S. Paulo”.

Klaus voltou a exercer a presidência de seu país entre 2003 e 2013. Ele se tornou internacionalmente conhecido por se opor às novas formas metamorfoseadas do comunismo, em especial a mais extrema delas – a autogestão –, que a URSS tinha como objetivo realizar mas nunca conseguiu.

Um dos heróis nacionais checos pelo papel que teve na chamada “Revolução de Veludo”, que precipitou a queda do comunismo em seu país.

domingo, 8 de março de 2015

A Igreja Católica perseguida
numa Bielorrússia ainda comunista

Monumento ao soldado soviético, em Brest, Bielorrússia
Monumento ao soldado soviético, em Brest, Bielorrússia


Na Bielorrússia, extenso país eslavo que foi escravo da URSS e faz fronteira com a católica Polônia, a Igreja sofreu 70 anos de perseguição e ainda hoje geme num ambiente de ditadura comunista, apontou a associação “Ajuda à Igreja que sofre”.

Magda Kaczmarek, encarregada da Bielorrússia em dita associação, voltou a viajar a esse país em novembro de 2014. E deu uma entrevista contando as impressões colhidas nas quatro dioceses católicas do país.

Ela explicou que “é geralmente sabido que os bielorrussos vivem sob uma ditadura. O país está muito isolado e tem-se a sensação de que o comunismo ainda está presente.

“Nas cidades e no campo continuam os monumentos de Lênin, de membros do Exército Vermelho, tanques ou aviões que lembram os velhos tempos. Eu fui criada na Polônia socialista; e nesses dias foi como se tivesse retornado a essa época na Polônia”.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Conscritos russos se recusam a combater na Ucrânia. Soldados desertam

Associação das Mães de Soldados de São Petersburgo
denuncia arbitrariedades contra os recrutas russos


A agência de informação ucraniana independente UNIAN retransmitiu informações divulgadas pela organização dos direitos humanos Mães de Soldados, de São Petersburgo.

Segundo elas, são numerosas as queixas de recrutas do exército russo que estão sendo forçados a partir para a região de Rostov, que serve de plataforma para a invasão russa à Ucrânia. 

O número dos soldados que se recusam a ir a combater na Ucrânia atingiu recordes em dezembro e em janeiro deste ano. A organização recebeu mais de 20 reclamações provenientes das regiões de Nizhny Novgorod, Leningrado, Murmansk e Kursk, noticiou o jornal russo Kommersant.

domingo, 1 de março de 2015

O dedo do Kremlin no gatilho.
A OTAN, os países vizinhos e a Europa na mira

Agressividade antiocidental está no centro da nova estratégia russa.
Parada na Praça Vermelha para comemorar a vitória soviética em 1945


O Kremlin divulgou no fim de 2014 a versão para consumo público da nova doutrina militar russa, aprovada pelo chefe Vladimir Putin. O plano não faz cerimônia e designa a OTAN como a ameaça fundamental.

A doutrina se diz inquietada pelo “reforço das capacidades ofensivas da OTAN, que ameaçam diretamente as fronteiras russas, e pelas medidas adotadas para implantar um sistema global de defesa antimíssil” na Europa Oriental.

De fato, a Rússia tem todas as razões para detestar esse sistema antimíssil. A sua manifesta inferioridade tecnológica poderia ficar reduzida a quase zero por esse escudo protetor.