domingo, 28 de maio de 2017

Guerra da informação: semeando o caos nos adversários

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





continuação do post anterior: A cartada de Putin: dividir para imperar, adormecer para esmagar




A TV NBC explorou uma contradição do presidente Trump, quando ele disse em entrevista que demitira Comey por iniciativa própria, “por essa coisa da Rússia”.

Mas na carta de destituição, Trump dizia que agiu por recomendação do Procurador-geral de Justiça e do vice-Procurador-geral de Justiça da União.

Contribuíndo à confusão, Andrew McCabe, chefe em funções interinas no FBI, contradisse a Casa Branca em tudo que se refere à exoneração de Comey.

Sarah Huckabee Sanders, filha de um aliado de Trump e porta-voz deste, declarou que Comey havia cometido atrocidades no FBI. Mas McCabe replicou que a imensa maioria do pessoal do FBI tinha uma visão positiva de Comey.

Retomando sua saraivada de acusações, “The Washington Post” – o maior jornal de Washington, declaradamente inscrito na oposição democrata –, acusou o presidente Trump de ter revelado informações das mais secretas ao ministro russo de Relações Exteriores numa reunião na Casa Branca.

Até os serviços secretos israelenses teriam manifestado temor pelo vazamento de informações confidenciais para a Rússia, segundo o jornal “Haaretz”, citado pelo site “Slate”. 

A troca de acusações e desmentidos pegou fogo sem nada esclarecer definitivamente. O chanceler russo Sergei Lavrov e o embaixador Sergey Kislyak — já envolvido em controvérsias anteriores — ficaram no centro das atenções.

Foi ilegal? Há argumentos num sentido e noutro.

Como presidente pode, mas o modo de fazê-lo pode ser danoso e violar a lei. A CIA e a NSA tiraram o corpo do problema. Os funcionários amigos de Trump dizem que tudo é um falso.

O presidente disse ter falado com o chanceler russo sobre a ameaça islâmica. Mas o comunicado da Casa Branca sobre a reunião nada menciona sobre isso. E sublinha que o presidente “levantou a questão da Ucrânia” e “enfatizou seu desejo de construir um melhor relacionamento entre os EUA e a Rússia”.

Para maior confusão, o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, H.R. McMaster, negou a veracidade da informação de “The Washington Post”, escreveu “El Mundo”.

Para “The Guardian”, jornal britânico contrário a Trump, a menor sombra de dúvida nestas matérias “pode ser devastadora para as relações entre os países”.

Senador republicano Bob Corker:
“O caos que está sendo criado mete medo”
“Slate” também fala da erosão da confiança no presidente e em seu partido no Congresso e no Senado. A palavra “impeachment” por incompetência já surgiu, mas parece improvável considerando que metade dos americanos está com o presidente.

Esses foram alguns passos mas não todos. E se anunciam ainda outros que poderão abalar a coesão da administração americana e do povo que governa.

Durante a campanha eleitoral na França, o presidente eleito Emmanuel Macron qualificou a agência de notícias Sputnik, financiada pelo governo russo, e o canal Russia Today, ou RT, como veículos de fake news (notícias falsas).

Os dois órgãos foram proibidos de cobrir o noticiário sobre Macron, noticiou a “Folha de S.Paulo”.

A Sputnik espalhava informações sobre a vida privada do candidato e citava um legislador francês que definia Macron como “fantoche das elites financeiras dos EUA”.

Maria Zakharova, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, atacou a atitude de Macron como “ultrajante, uma discriminação deliberada contra veículos russos”.

O temor principal do Macron era de que a Rússia se imiscuísse através de hackers na eleição francesa, como fez na votação americana.

Interdição análoga foi proposta pela primeira-ministra da Grã-Bretanha, pensando nas já realizadas eleições regionais e nas próximas parlamentares inglesas.

O que sairá desse “saco de gatos”?

Da confusão só sai confusão. Mas quando dois polos de influência disputam a hegemonia do mundo e um cai na confusão e outro não, este último está tirando a maior vantagem.

E com tanta mais razão quanto seus tentáculos estão alimentando essa confusão no outro lado. Divide ut imperes (divide para imperar) foi a consigna do império romano que Putin mais parece aplicar.

Nesse sentido, o senador republicano Bob Corker apontou o mal que a confusão está causando aos EUA e o benefício que o Kremlin está obtendo: “O caos que está sendo criado pela falta de disciplina está estimulando um ambiente que mete medo”.

Monumento soviético a Manuilski na Ucrânia:  “No mesmo instante que baixarem a guarda, nós os achataremos com o nosso punho cerrado”.
Monumento soviético a Manuilski na Ucrânia:
“No mesmo instante que baixarem a guarda,
nós os achataremos com o nosso punho cerrado”.
Nesse caos, uma coisa parece certa: é como se se estivesse cumprindo à risca o profético – e quão ignorado! – alerta do professor Plinio Corrêa de Oliveira sobre a manobra em gestação no seio do comunismo russo.

Ele denunciou reiteradas vezes o engano contido no slogan “o comunismo morreu”, repetido com frequência pelo macrocapitalismo publicitário e por muitos que até poucos anos atrás colaboravam economicamente com o regime dos sovietes.

Com voz de anjo das trevas, Manuilski poderia estar repetindo com sinistra autossatisfação em seu túmulo:

“A burguesia deverá ser adormecida. 

Começaremos lançando o mais espetacular movimento de paz que jamais tenha existido. Haverá proposições eletrizantes e concessões extraordinárias.

“Os países capitalistas, estúpidos e decadentes, cooperarão com alegria para a sua própria destruição. Precipitar-se-ão sobre a nova oportunidade de amizade.

“No mesmo instante em que baixarem a guarda, nós os achataremos com o nosso punho cerrado”.


domingo, 21 de maio de 2017

A cartada de Putin: dividir para imperar,
adormecer para esmagar

A bandeira da URSS arriada pela última vez do Kremlin. Parecia que tudo terminava. Mas a manobra estava apenas começando.
A bandeira da URSS arriada pela última vez do Kremlin.
Parecia que tudo terminava. Mas a manobra estava apenas começando.
Luis Dufaur
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Quando a bandeira vermelha com a foice e o martelo foi arriada no Kremlin em sinal da extinção do império marxista-leninista da URSS, o mundo suspirou aliviado.

Mas, nos antros não visíveis a olho nu que deram origem a essa imensa central do mal, preparava-se outra coisa que poucos ousavam imaginar.

“O comunismo morreu!” clamaram com júbilo os potentados de mídia e da economia ocidental que até havia pouco se resignavam a capitular diante do monstro vermelho cujo trono estava no Kremlin.

Houve poucos, muito poucos, que não caíram na cilada. Entre eles destacou-se como figura de exceção, um grande brasileiro: o prof. Plínio Corrêa de Oliveira.

Acompanhando acuradamente o noticiário nacional e internacional, ele foi formando uma ponderada, mas previsora conclusão: o comunismo não estava conseguindo conquistar as massas e por isso entrava em crise.

Para tentar superar essa crise, ele poderia tentar uma manobra – entre outras – que consistiria em fingir uma extinção que desarmasse os oponentes. Quando estes se adormecessem, ele desferiria um golpe de grandes proporções.

O plano não era novo. O esboço dele apareceu em conferência de Dimitri Z. Manuilski, primeiro secretário do Partido Comunista da Ucrânia.

O Dr. Plinio reproduziu os parágrafos nevrálgicos no artigo “A burguesia deverá ser adormecida”, que ele publicou em sua coluna da “Folha de S. Paulo” em 17 de outubro de 1971:

Dmitri Manuilski, chefe da delegação ucraniana na conferência de San Francisco, 1945, que preparou a Carta das Nações Unidas e o Estatuto da Corte Internacional de Justiça.
Dmitri Manuilski, chefe da delegação ucraniana
na conferência de San Francisco, 1945,
que preparou a Carta das Nações Unidas
e o Estatuto da Corte Internacional de Justiça.
“A guerra de morte entre o comunismo e o capitalismo é inevitável.

“Hoje, evidentemente, não somos bastante fortes para atacar. Nossa hora chegará dentro de 20 ou 30 anos.

“Para vencer, necessitaremos de um elemento de surpresa. A burguesia deverá ser adormecida.

“Começaremos lançando o mais espetacular movimento de paz que jamais tenha existido.

“Haverá proposições eletrizantes e concessões extraordinárias.

“Os países capitalistas, estúpidos e decadentes, cooperarão com alegria para a sua própria destruição.

“Precipitar-se-ão sobre a nova oportunidade de amizade.

“No mesmo instante em que baixem sua guarda, os achataremos com nosso punho cerrado”.

(Dimitri Z. Manuilski, conferência em 1931 na Escola Lenine de Guerra Política, apud Jean Ousset. “El marxismo leninismo”. Editorial Iction, Buenos Aires, 2a. ed., 1963 p. 113).

O tempo passou, a manobra se definiu, e um brado percorreu a terra: “o comunismo morreu!”

Nada foi feito para desmontar as redes que a URSS tinha deixado nos países livres. Enquanto esses se distendiam, as redes se metamorfoseavam e infiltravam os pontos chaves dos países que o comunismo visava conquistar o dia em que voltasse travestido.

Aconteceu nos EUA também. Eles foram sendo absorvidos por problemas gravíssimos como Islã, e foram sendo adormecidos para abaixar as prevenções contra o comunismo. Desviaram o olhar ou até o fecharam diante do pior inimigo.

Putin mandou bajular Trump e favorecer sua candidatura. Por trás da mão estendida, está preparado o punho cerrado.
Putin mandou bajular Trump e favorecer sua candidatura.
Por trás da mão estendida, está preparado o punho cerrado.
Um dia um agente da KGB apareceu dirigindo a campanha eleitoral do candidato que conquistaria a presidência do país, Donald Trump.

O escândalo foi grande, o agente da Rússia e sua equipe tiveram que renunciar.

O próprio Donald Trump, tal vez desprevenidamente, fez grandes negócios na Rússia que pagava esses agentes da KGB. O candidato mostrava afinidade com o ex-coronel da KGB que assumiu o comando do Kremlin.

E Vladimir Putin lhe enviava elogios e sorrisinhos.

Vieram ainda à luz outros passos rumorosos da infiltração russa na administração que Trump está montando.

O então conselheiro de Segurança Nacional Mike Flynn se demitiu após a revelação de contatos mal esclarecido com altos representantes de Moscou.

Mais recentemente, James Comey chefe da poderosa FBI foi demitido. Ele teria cometido o “erro” de aprofundar a investigação sobre a ingerência russa nas eleições presidências americanas.

Dan Coats, senador do partido de Trump, declarou ante o Comitê de Inteligência do Senado que só as mais altas instâncias da Rússia poderiam ter autorizado o roubo e a filtração de dados verificado durante o pleito eleitoral.

O senador democrata Mark Warner perguntou aos diretores da CIA, da NSA – a agência de espionagem eletrônica – e do FBI se o governo russo teria interferido nas eleições de 2016, a resposta foi unânime: Sim, escreveu “El Mundo” de Madri.




domingo, 14 de maio de 2017

A ‘cruzada’ de Stalin para salvar o cristianismo em 1941: truque revivido por Putin

'Santinho' soviético: Santa Olga se aparece a Stalin e o aconselha na II Guerra Mundial
'Santinho' soviético: Santa Olga se aparece a Stalin
e o aconselha na II Guerra Mundial
Luis Dufaur
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A “nova-Rússia” está extremando seus artifícios para tentar cativar cristãos e conservadores no Ocidente.

O curioso é que essa artimanha não é nova. Já foi tentada pelos serviços secretos soviéticos em outras circunstâncias.

Notadamente nos tempos de Stalin a quem Vladimir Putin se refere como seu modelo de governante.

O procedimento foi tão desprovido de moralidade que na época não pareceu acreditável. O Pe. Robert A. Graham S.I. há mais de 30 anos lhe consagrou um alentado estudo no qual pode restaurar os inacreditáveis procedimentos da guerra da informação russa.

O trabalho apareceu na revista “La Civiltà Cattolica” nº 3186, de 19 de março de 1983 (págs. 533 a 547). Fundamentamos este post nessa conscienciosa matéria publicada sob o título:  “A cruzada de Stalin contra «o anticristo» Hitler – A «Rádio cristã» do Komintern em 1941” (“La crociata di Stalin contro «l'anticristo» Hitler – La «Radio cristiana» del Comintern nel 1941”.

Em 1941, Hitler invadiu Rússia sem atender a aliança conhecida como pacto Ribbentrop-Molotov (23 agosto 1939) em virtude do qual Moscou e Berlim aliadas desencadearam a II Guerra Mundial.

Pouco depois, os radioamadores ficaram surpresos ouvindo uma linguagem inesperada vinda da Rússia dos sovietes.

Nas ondas da Rádio Moscou os cristãos eram exortados a se unirem pela defesa da cristandade.

Os locutores de Moscou louvavam os católicos alemães que resistiam às perseguições nazistas, citavam os sofrimentos dos católicos poloneses e de outros países ocupados pelo nazismo.

A emissora se definia como “Rádio Cristã” e reproduzia a mensagem evangélica numa media dúzia de línguas com tal fidelidade que muitos poderiam ter achado que ouviam a Rádio Vaticana.

O semanário católico londrino “The Tablet”, em 19.7.1941, comentou “a denúncia diária que fazem os russos da perseguição religiosa na Alemanha”.

Trocando Putin por Stalin o estratagema se repete no século XXI.
Trocando Putin por Stalin o estratagema se repete no século XXI.
Naquele conflito mundial fez furor o uso de rádios clandestinas na guerra da informação por parte das potências em guerra. Mas ninguém imaginou que o cinismo de Moscou podia ir tão longe.

Stalin e a URSS precisavam desesperadamente do apoio do povo que até pouco tinham perseguido religiosamente.

As campanhas antirreligiosas foram suspensas, os eclesiásticos ligados ao Patriarcado de Moscou foram catapultados ao primeiro plano.

A “Rádio Cristã” despertou dúvidas pelos seus arroubos em defesa da Cristandade, muitos mais intensos do que as transmissões da Santa Sé.

Em 1963 foram recuperados arquivos na Alemanha Oriental que documentavam a monstruosa operação de guerra psicológica montada no Kremlin e os nomes da equipe internacional do Komintern [Internacional Comunista] que a efetivou.

Até o início da II Guerra Mundial, a mídia socialista russa incitava à guerra contra as “superstições” religiosas, um axioma do marxismo-leninismo.

E, quando a aliança soviético-nazista invadiu a Polônia a fúria da propaganda russa visou os chefes da Igreja Católica. Eles eram acusados de cumplicidade com o capitalismo e com os “imperialistas” fabricantes de armas, responsáveis pelo conflito na ótica de Moscou.

Quando o Papa Pio XII publicou a encíclica Summi Pontificatus (20.10.1939) o  jornal soviético porta-voz do regime “Izvestia” (22.1.1940) acusou o Vaticano de “beber sangue dos caídos”.

O Communist International (1940, nº 6), escrevia que “o proletariado internacional reconhecia entre os odiosos culpados da guerra a batina padresca do Senhor do Vaticano”.

O Sputnik Agitato (fevereiro de 1941) acusava o Papa de estar a serviço dos financistas da guerra e repelia as “calúnias selvagens” contra a URSS.

Um dos maiores assassinos de massa da História foi transformado pela desinformação em defensor da vida, das crianças e das famílias.
Um dos maiores assassinos de massa da História
foi transformado pela desinformação russa
em defensor da vida, das crianças e das famílias.
O alemão Richard Gyptner e o checo Victor Stern, fiéis agentes do Komintern, foram os chefes da “Rádio Cristã”.

Eles acabariam morrendo após a guerra cobertos de honrarias pelos serviços prestados.

Gyptner escreveu que a transmissão visava os católicos e crentes para incitá-los a se aliarem contra o “anticristo Hitler” e exaltava os eclesiásticos que agiam nesse sentido.

Na doutrina do Komintern isso afinava com a “política da mão estendida” lançada no 7° Congresso mundial do PC em 1935.

Emissões dos dias 7 e 27 de julho 1941 defenderam os católicos e espalharam que “é necessário abandonar a velha fábula do catolicismo aliado com os opressores das nações”.

As emissões em italiano concluíam com a pia exortação “cristãos, católicos! perseverai na batalha contra o anticristo”!

Em polonês ressaltavam as perseguições que sofriam os sacerdotes católicos, a ocupação de dioceses, o confisco de arquivos, a expulsão de cônegos, etc.

Em húngaro sublinhavam que na Alemanha as escolas católicas foram fechadas, que em Innsbruck os bens dos capuchinhos foram roubados e que mais de 800 sacerdotes poloneses foram extraditados para o país invasor.

Na festa da Assunção em 15.8.1943, o londrino Catholic Herald reproduziu emissão da “Rádio  Cristã” em polonês com programa exaltando a festa de Nossa Senhora.

Entre outras coisas dizia: “rezemos ardorosamente à protetora de nosso católico país [...] a Ela que é mais forte que Satanás se deve a queda das cidades de Orel e de Biegorod nas mãos do Exército Vermelho [...]. Ô Rainha da Polônia, país que é a joia da coroa da beatíssima Virgem, conduzi nossos irmãos na batalha”.

Gyptner deixou por escrito sua alegria com o sucesso de suas mentiras. Ele citou o testemunho de oficiais e soldados inimigos presos em Stalingrado.

Mas a melhor prova para ele foi que Goebbels, ministro da propaganda nazista, classificou a “Rádio  Cristã” entre as 15 emissoras inimigas mais perigosas.

O metropolita Sergio de Moscou se destacou pela pregação religiosa encomendada por Stalin e pelo PC. O dia 26.6.1941 celebrou uma missa para obter a vitória.

Foi na igreja da Epifania de Moscou com grande presença de membros do governo e do PC, fartamente fotografados para difundir pela imprensa estrangeira.

Na prática nenhuma lei antirreligiosa foi tocada, abolida ou modificada. Mas não faltaram em Ocidente aqueles que viam as emissões do modo mais favorável para os sovietes e acenavam com o início de uma época nova no império do ateísmo.

Até exilados russos sonharam com uma mudança operada em Stalin que estaria fazendo dele o salvador da Santa Rússia.

Uma mesma cartilha redigida pelos serviços de contrainformação
Uma mesma cartilha pelos mesmos objetivos de contrainformação
Os eclesiásticos ortodoxos que não acertaram o passo foram excomungados pelo metropolita Sergio de Moscou.

Fez parte da manobra um nunca achado “documento Weigang” atribuído a um ignoto lugar-tenente alemão que teria feito um plano visando “o fechamento de todas as igrejas e a substituição do cristianismo pela religião de Wotan” na Rússia.

O plano nunca foi publicado nem recuperado em arquivo algum. Jamais foi possível identificar o referido Weigang. O golpe, porém, foi comemorado pela contrainformação soviética.

Ilya Ehrenburg chefe da propaganda de Stalin denunciou o satânico “plano Weigang” em emissão do dia 19.7.1942 sublinhando a “finalidade de erradicar o cristianismo na Rússia, porque era uma religião não adaptada ao povo”.

* * *

O curso da guerra mudou em 1943. As exigências propagandísticas foram outras e a anti-cruzada de Moscou pelo cristianismo perdeu sua utilidade. A “Rádio Cristã” parou de emitir.

Mas a manobra do generalíssimo do ateísmo José Stalin ficou registrada como uma estratégia ousada de falsa cruzada para ludibriar os cristãos e pô-los na órbita da Internacional Comunista.

Hoje, Vladimir Putin e seus acólitos parecem ter recuperado a velha cartilha para aplica-la num contexto novo, mas com possantes analogias.

(Autor: Robert A. Graham S.I. in La Civiltà Cattolica, 19.3.1983 nº3186, págs 533 a 547)




domingo, 7 de maio de 2017

Paroxismo da desinformação russa: a mensagem de Fátima e a ‘missão providencial’ de Putin

A desinformação russa veicula no Ocidente  que Putin teria a “missão providencial” de salvar o cristianismo
A desinformação russa veicula no Ocidente
que Putin teria a “missão providencial” de salvar o cristianismo
Luis Dufaur
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continuação do post anterior: Manipulação da mensagem de Fátima pela Rússia



No Ocidente está havendo crescentes reações boas contra a ofensiva da Revolução Cultural de substância marxista-gramsciana.

Tentando explorá-las, a propaganda do Kremlin passou a apresentar cinicamente a Rússia de Putin como um sedutor porto da salvação de onde pode vir o reerguimento moral e intelectual dos cristãos perseguidos.

E essa manipulação atingiu o exagero procurando inverter os termos da advertência de Nossa Senhora em Fátima contra os “erros da Rússia” para transformá-los nos “erros de Ocidente”, segundo constatou Jeanne Smits, ex-diretora e ex-gerente do jornal “Présent” ligado ao Front National, partido amigo do Kremlin, em seu site Reinformation.tv.

Líderes políticos de “direita” e até de “extrema direita”, escreveu Smits, passaram a ser recebidos em Moscou como romeiros que procuram as bênçãos de um novo Carlos Magno.

Embora ele declare que conserva piedosamente sua carteirinha do Partido Comunista da URSS...

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Manipulação da mensagem de Fátima pela Rússia

Jeanne Smits ex-diretora do jornal do Front National: a Rússia tenta voltar a mensagem de Fátima contra o Ocidente
Jeanne Smits ex-diretora do jornal do Front National:
a Rússia tenta voltar a mensagem de Fátima contra o Ocidente
Luis Dufaur
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A aparição de Nossa Senhora em Fatima deixou uma espada encravada no cerne da Revolução anticristã.

Os católicos receberam a advertência de que como castigo para a impenitência “a Rússia espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja”. Cfr. “Fátima: Mensagem de tragédia ou de esperança?”

A Rússia comunista apareceu assim como o inimigo por excelência. E essa advertência se tornou mais cogente e atual neste ano centenário da aparição de Fátima.

Jeanne Smits, ex-diretora e ex-gerente do jornal “Présent” ligado ao Front National de Marine Le Pen, partido amigo Kremlin, escreveu palpitante matéria sobre como a desinformação da “nova-Rússia” trabalha para se livrar do estigma e inverter astuciosamente os termos da denúncia profética.

Smits publicou longo artigo a respeito em seu site Reinformation.tv.

Segundo Smits, a manobra de guerra da informação encontrou o terreno bem preparado pela falsa ideia de que “o comunismo morreu”.

Na fase atual, a propaganda russa tenta erigir a Moscou em bastião derradeiro do cristianismo sitiado pelos inimigos. A inversão não podia ser mais completa e contrária à razão.

domingo, 23 de abril de 2017

Ocultismo inspira boatos e teorias conspiratórias
espalhadas pelo Kremlin

De velha data a vida política e social russa foi intoxicada pelo esoterismo. Na foto: o monge Rasputin muito ativo no fim do czarismo
De velha data a vida russa foi intoxicada pelo esoterismo.
Na foto: o monge Rasputin muito ativo no fim do czarismo
Luis Dufaur
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Os líderes da Rússia soviética viviam fascinados pelos avanços científicos de qualquer natureza, ainda que estranhos ou prenhes de ocultismo.

Nisso eles davam continuidade às superstições místicas que há séculos irradia a Igreja cismática russa, dita ‘ortodoxa’, e cujo representante histórico mais famoso no Ocidente foi o monge Rasputin.

Essa propensão não só continua na “nova-Rússia” de Putin, mas se desenvolve com apoios do regime que banca de “cristão”.

O site Slate.fr noticiou cerimônia de premiação de um “membro emérito da Academia das Pseudociências” (leia-se paranormais), Irina Yermakova, bióloga e âncora da televisão oficial.

Yermakova espalha doutrinas ocultistas de sua lavra das mais contrárias à razão. Segundo ela, os indivíduos de sexo masculino descendem de amazonas hermafroditas. Matéria suficientemente maluca para alimentar “trolls” e sites destinados a semear a desinformação no Ocidente.

Mas nem tudo é doidice de origem ignota. Yermakova prega a seus adeptos teorias afins à nova forma de comunismo de cor verde ambientalista.

Ela milita entre os mais ferozes inimigos dos OGM e espalha, sempre sem prova alguma, que os alimentos geneticamente modificados são uma arma biológica concebida pelos americanos para provocar o genocídio do povo russo.

Na hora de lhe conceder o prêmio, o jornalista científico e escritor Alexander Sokolov exaltou a figura de Irina Yermakova para que “o máximo de pessoas veja quanto a ciência está viva na Rússia e como ela dispõe de meios para se defender!”

domingo, 16 de abril de 2017

Dentro e fora do país,
aumenta a saturação em relação a Putin

Protestos contra corrupção em 99 cidades da Rússia foram animados pelos jovens
Protestos contra corrupção em 99 cidades da Rússia foram animados pelos jovens
Luis Dufaur
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Manifestações contra a corrupção imperante no Kremlin reuniram em março muitos milhares de pessoas em quase cem cidades da Rússia. A aglomeração e a multiplicidade de locais deixaram espantados a opositores e situacionistas.

O Kremlin que sabia do mal-estar espalhado na Rússia, entretanto, não conseguia esconder o pasmo diante da dimensão do protesto. Surpreso também ficou Alexei Navalny o dissidente que convocou as marchas.

Alexei Navalny e por volta de 700 seguidores foram presos pelo aparato repressivo enquanto os manifestantes foram atacados com gás pimenta e cassetetes segundo a organização OVD-Info.

Para a polícia “só” 500 foram encarcerados. O recurso à brutalidade com os opositores não é novidade na Rússia nem para uns nem para outros.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Trump abre os olhos
para a verdade da “nova-Rússia”?

Pai vai enterrar seus dois filhos mortos pelo ataque assassino
Pai vai enterrar seus dois filhos mortos pelo ataque assassino
Luis Dufaur
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Na noite de quinta-feira para sexta feira (6/7 de abril) o cenário do mundo deu um giro brusco, até contraditório, de 180º. Dos destroieres americanos – o USS Porter e USS Ross – enviaram uma chuva de 59 mísseis Tomahawk para a base aérea síria de Al Shayrat.

Dessa base partiram os aviões que bombardearam com gás sarin a cidade Khan Cheikhoun matando cruelmente por volta de 90 civis entre os quais 30 crianças.

A resposta americana pulverizou por volta de 20% da força aérea síria.

O fato deixou o mundo pasmo. Todas as predições e cálculos estratégicos no mundo ruíram nesse instante. Todos agora procuram entender o que se passou e se posicionar no novo cenário.

Pois os EUA vinham de bombardearam não apenas uma base síria, mas atingido a menina dos olhos da “nova-Rússia”. Os dois gigantes estão face a face.

domingo, 2 de abril de 2017

Suécia teme agressividade de Moscou
e intensifica rearmamento

Suécia restabeleceu o serviço militar obrigatório
A Suécia restabeleceu o serviço militar obrigatório
Luis Dufaur
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A Suécia, berço dos míticos vikings, adotou no século XX o pacifismo visceral socialista com a ilusão de se imunizar contra eventual invasão russa.

Também acolheu no país uma vasta rede de organizações “companheiras de viagem” do comunismo russo. Essas fizeram da Suécia uma base a partir da qual pregavam a desmobilização dos espíritos no Ocidente face ao expansionismo soviético em nome da “paz”.

Essa nação protestante omitia a verdadeira avaliação do perigo russo, apresentado por Nossa Senhora em Fátima como um instrumento da punição divina.

Porém, nos últimos anos, a agressividade da “nova Rússia” de Vladimir Putin, patente em países próximos da Suécia, provocou forte mudança de atitude na opinião pública sueca.

Em consequência, o governo de Estocolmo determinou restabelecer o serviço militar obrigatório.

domingo, 26 de março de 2017

Revelada tentativa russa
de assassinar o primeiro ministro de Montenegro

Nemanja Ristic, um dos conspiradores, fotografado perto do ministro do exterior russo Sergei Lavrov em visita à Sérvia
Nemanja Ristic, um dos conspiradores,
fotografado perto do ministro do exterior russo Sergei Lavrov em visita à Sérvia
Luis Dufaur
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O governo russo teria montado um atentado para assassinar o primeiro-ministro de Montenegro, Milo Djukanovic, revelou “The Daily Telegraph”, citando fontes do Foreign Office.

Os dados da investigação foram revelados com detalhes em fevereiro (2017).

Moscou teria excogitado um golpe contra o Parlamento na véspera do ingresso do pequeno país na NATO.

Para o ministro russo de relações exteriores Sergei Lavrov, a culpada pelas tensões é a NATO que, segundo ele, é uma “instituição da Guerra Fria” cujo expansionismo estaria forjando níveis de tensão sem precedentes na Europa nos últimos 30 anos. A Rússia seria inteiramente inocente.

domingo, 19 de março de 2017

O inferno soviético na Terra
mantido pela “nova Rússia”

Restos da prisão de Norilsk
Luis Dufaur
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A cidade mais populosa do Ártico russo, com 46 graus abaixo de zero às 8 horas da manhã, está sumida na noite polar, mas as crianças vão para a escola como em qualquer dia normal de inverno.

Ela está fechada para os estrangeiros. O secretismo que envolve a cidade restringe até as poucas licenças concedidas à imprensa do exterior.

É “a pior cidade do mundo para viver”. Mas um jornalista de La Vanguardia de Barcelona acabou conseguindo a licença e contou o que viu.

A razão do mistério está encharcada de sangue, repressão e ditadura. Norilsk nasceu nos anos trinta do século XX e as galerias de suas minas foram escavadas por prisioneiros do gulag, vítimas dos expurgos stalinistas do Grande Terror.

Na península de Taimir há enormes reservas de níquel, cobre e platino, e ainda hoje a cidade de 170.000 habitantes é regida pela estatal Norilsk Nikel, da qual depende até o último detalhe da vida.

Norilsk não tem estrada, nem trem. Só se pode chegar de avião ou de rompe-gelo.

A cidade é uma das mais contaminadas do mundo. A neve cai preta, os rios são vermelhos, a chuva é ácida e quase todas as árvores morreram. A expectativa de vida é de 46 anos. A mineração e a indústria local jogam anualmente no ar 4.000 toneladas de dióxido de sulfuro.

domingo, 5 de março de 2017

Influências russas na administração Trump
dividem conservadores no governo

Nikki Haley, flamante embaixadora na ONU reafirmou que os EUA manterão as sanções à Rússia.
Nikki Haley, flamante embaixadora na ONU
reafirmou que os EUA manterão as sanções à Rússia.
Luis Dufaur
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Após a eleição de Donald Trump, os milicianos pró-russos que ocupam o leste ucraniano recrudesceram as provocações e há mortes quase diariamente.

Talvez a Rússia imaginasse que o novo governo americano afrouxaria a resistência.

Mas, de fato, a nova embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, declarou no Conselho de Segurança que as sanções contra o Kremlin ficam de pé “até que a Rússia devolva o controle da península (da Crimeia) à Ucrânia”, noticiou a AFP.

A embaixadora deplorou que sua primeira intervenção no Conselho de Segurança tenha disso para “condenar as ações agressivas da Rússia”.

“Nós queremos melhores relações com a Rússia. Porém, a situação critica no leste da Ucrânia pede uma condenação forte e clara das manobras russas.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Guerra híbrida russa
mira Lituânia, Ucrânia, França e Alemanha

Civis treinam para lidar contra seudo insurgentes teleguiados desde Moscou
Civis treinam para lidar contra insurgentes teleguiados desde Moscou
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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“Carece de todo senso imaginar nos invadir: nós não nos renderemos jamais!”, afirmou peremptoriamente Dalia Grybauskaité, presidente da Lituânia. O povo lhe pede segurança acima de tudo, segundo recolheu FranceTV. 

O povo lituano é diminuto em população e território, mas não carece de bom senso e coragem.

Por isso, não leva a sério as declarações distensionistas que o Ocidente engole e teme positivamente a invasão russa. A Lituânia tem fronteira com o supermilitarizado enclave russo de Kaliningrado.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

“Washington será nossa”:
a comemoração do Kremlin

No centro de Moscou cartazes promoviam a candidatura de Donald Trump.
No centro de Moscou cartazes promoviam a candidatura de Donald Trump.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Uma estranha comemoração teve lugar em Moscou na inauguração da presidência de Donald Trump. Com champagne e festejos o Kremlin marcou a data festiva daquele que em teoria deveria ser seu maior oponente.

“É estranho, mas é ótimo, pela primeira vez os russos estão aplaudindo a vitória de um candidato presidencial dos EUA”, comentou o analista político Stanislav Byshok, citado pelo “New York Daily News”.

As promessas de Trump alimentam o otimismo russo, malgrado a recente manutenção das sanções pela invasão ilegal da Crimeia, a ocupação do leste da Ucrânia, a oposição militar na guerra na Síria e a interferência da Rússia na eleição presidencial.

O primeiro ministro russo Dmitry Medvedev foi dos primeiros a comemorar no Facebook.

Perto do Kremlin, nacionalistas russos montaram na sede dos Correios de estilo típico soviético um tríptico de Putin, Trump e a líder do Front National francês Marine Le Pen.

Vladimir Putin foi exibido na tela erguendo a taça de champagne e tendo a seu lado a política francesa Marine Le Pen.

A festa foi organizada pela TV Tsargrad, dirigida pelo ideólogo ultraputinista Alexander Dugin e foi partilhada por uma centena de nacionalistas russos admiradores de Trump.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

“Exército fantasma” russo age hoje na Síria.
Agirá amanhã no Brasil?

Mercenários russos em foto capturada pelo Estado Islâmico.
Mercenários russos em foto capturada pelo Estado Islâmico.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A Rússia aplicou na Síria uma velha tática para exterminar friamente as forças adversárias: apelou para bandos de mercenários sem relação com o quadro do conflito, escreveu “La Nación” de Buenos Aires.

Por exemplo, o major Sergei Tchupov oficialmente nunca fez parte dos efetivos militares russos enviados à Síria.

Veterano do Afeganistão e experimentado no esmagamento da Chechênia, ele era membro da 46ª Brigada do Ministério do Interior russo, encontrou a morte atacando Aleppo.

Seus amigos revelaram os fatos básicos nas redes sociais. Mas a lápide de sua tumba num cemitério de Moscou diz outras coisas.

Tchupov foi um “cão da guerra”: um das centenas de militares russos que agem como mercenários contratados por sociedades privadas, em estreita dependência do Kremlin, e no caso com o governo de Assad.

As baixas russas como a de Tchupov são difíceis de calcular, pois na Rússia de Putin ninguém pode saber o que lhes aconteceu, explicou o jornal.

Mas há os que sobreviveram e podem contar algo, como Vitaly “Prizer”, treinado nas forças especiais da polícia política FSB (ex KGB), de onde saiu para uma “nova vida militar” no Iraque, no golfo de Aden e no Oceano Índico.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Livros revelam bastidores
da omissão do Vaticano II sobre o comunismo

O Cardeal Bea particpou das conversações sigilosas prévias ao Concílio
que combinaram entre Moscou e o Vaticano o silêncio conciliar sobre o comunismo
Luis Dufaur
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O vaticanista Andrea Tornielli, (“Paolo VI. L’audacia di un Papa”) trouxe nova luz sobre a omissão da condena explícita do comunismo pelo Concilio Vaticano II, segundo o escritor Antonio Socci no diário “Libero”.

Tornielli publicou carta inédita do cardeal Tisserant, de 22.8.1962, confirmando o acordo entre representantes do Vaticano e da Rússia soviética para impedir a condenação.

Também confirma as irregularidades processuais com que a mesa diretora do Concílio impediu que fosse votado o pedido de condenação do comunismo assinado por mais de 400 Padres conciliares.

Socci lembra que o cardeal Biffi, arcebispo emérito de Bologna, em um de seus livros escreveu:

“o comunismo foi o fenômeno histórico mais imponente, destacado e trasbordante do século XX, e o Concílio, que elaborou uma Constituição ‘Sobre a Igreja no mundo contemporâneo’, não falou dele…

“O comunismo tinha praticamente imposto o ateísmo às populações escravizadas como uma filosofia oficial e uma paradoxal ‘religião de Estado’; e o Concilio, que se detém no caso dos ateus, não falou dele.

domingo, 22 de janeiro de 2017

Álcoois pesados matam milhares
numa Rússia sem religião

O drama de Irkutsk e da Rússia numa ilustração do The Guardian
O drama de Irkutsk e da Rússia numa ilustração do The Guardian
Luis Dufaur
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Um dos mais deploráveis vícios que consomem a população russa é a bebedeira. Não é novo, vem de séculos.

Mas a chamada Igreja Ortodoxa russa, que deveria ensinar a moral e promovê-la, nada fez para acabar com esse flagelo. Pelo contrário, muitos de seus religiosos e hierarcas são conhecidos pelo povo por seu homérico abuso do álcool.

Tampouco fez nada o comunismo soviético que, aliás, via na vodca um instrumento para avassalar a população.

Vladimir Putin, falsamente tido como moralista e cristão, também explora e promove esse vício como recurso de abaixamento e anestesia da população.

O vício está especialmente espalhado entre os homens – embora muitas mulheres não estejam isentas – e é o grande causante da baixíssima expectativa de vida deles na Rússia, uma das menores do mundo.

Porém, o grau de degradação a que chegou nessa matéria a “URSS 2.0” nos últimos anos estarrece até os próprios russos.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Putin: “a Rússia não tem fronteira alguma”

Putin corrige a criança prodígio Miroslav Oskirko: 'a Rússia não tem fronteiras'
Putin corrige a criança prodígio Miroslav Oskirko: 'a Rússia não tem fronteiras'
Luis Dufaur
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O pequeno Miroslav, de nove anos, galardoado pela Sociedade de Geografia Russa pelo fato de decorar todos os limites dos países do mundo, foi levado ante o todo-poderoso presidente da Rússia, Vladimir Putin.

Este se pôs de cócoras ante o menino e diante de um auditório lhe perguntou onde acabavam as fronteiras da Rússia.

A criança se encheu de coragem e respondeu:

– A Rússia termina no Estreito de Bering, na fronteira com os Estados Unidos.

O míssil Iskander é capaz de levar bombas atômicas
O míssil Iskander é capaz de levar bombas atômicas
Putin apertou-a contra o peito e olhando para o publico corrigiu a criança modelo dizendo:

– As fronteiras da Rússia não terminam em parte alguma.

Na primeira fileira aplaudia o ministro de Defesa russo, Serguei Shoigu.

O fato deu-se recentemente e foi relatado pelo correspondente Xavier Colás do jornal “El Mundo” de Madri.

Enquanto o patriótico evento se desenvolvia em Moscou, a 1.092 quilômetros de distância, em Kaliningrado, enclave russo entre dois membros da OTAN (Lituânia e Polônia), os soldados de Putin montavam os sistemas de mísseis S-400 e Iskander, esses capazes de levar bombas atômicas.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Rússia foge do Tribunal Penal Internacional
e reforça pesadas suspeitas

Tropas georgianas deixam Gorid diante de esmagadora superioridade do agressor russo
Tropas georgianas deixam Gorid diante de esmagadora superioridade do agressor russo
Luis Dufaur
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Vladimir Putin assinou decreto pelo qual a Rússia deixa de fazer parte do Tribunal Penal Internacional (TPI), noticiou “El Mundo” de Madri.

O TPI é responsável por julgar acusações graves como genocídio e crimes contra a humanidade. Putin sente sobre seu governo e o país que tiraniza pesarem graves culpas e foge da Justiça internacional desconhecendo seus tribunais.

O diktat de Putin saiu logo após a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Geral da ONU aprovar resolução condenando a “ocupação temporária da Crimeia” pela Rússia e condenando a Rússia por abusos de direitos como a discriminação contra alguns criminosos.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Armas infláveis, políticas “religiosas” e “conservadoras”: a “maskirovka” forja mentiras sem cessar

MIG 31 sendo inflado perto de Moscou.
"MIG 31" sendo inflado perto de Moscou.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O assustador MIG-31 cinza escuro aparecia subitamente como que do nada com a estrela vermelha em suas assas. Parecia muito real sobre tudo se visto a 300 metros.

Algumas das mais modernas armas russas puderam ser vistas e fotografadas num campo perto de Moscou.

Ali, trabalhadores manipulando tecidos sintéticos verdes e bombas de ar criavam armas impressionantes em questão de minutos, segundo informou “The New York Times”.

O truque é velho de guerra. Faz lembrar o cavalo de Troia, aliás esse mais poético, ou a ordem corânica de Maomé de os soldados velhos pintarem os cabelos brancos para parecerem mais jovens e fortes.

A Rússia montou um arsenal de disfarces e trapaças para suas forças armadas, dentro do contexto mais vasto da guerra rotulada “maskirovka” (literalmente = dissimulação, engano).

domingo, 20 de novembro de 2016

Putin nacionalista
chora a velha URSS internacionalista

Putin, Lenin, Engels, Marx: a continuidade em metamorfose
Putin, Lenin, Engels, Marx: a continuidade em metamorfose
Luis Dufaur
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O presidente russo Vladimir Putin deplorou mais uma vez a desintegração da União Soviética, segundo informou sua agência Sputnik.

Para ele o fim da URSS não era necessário e censurou que no Partido Comunista da época tivessem sido promovidas “ideias destruidoras para o país”.

De fato, o secretário-geral do Partido Comunista da URSS, Mikhail Gorbachev, promoveu uma política que ele condensou na palavra “perestroika” (literalmente “reconstrução” ou “reestruturação”) que deveria ser aplicada por uma política denominada “glasnost” (literalmente “transparência”).

Segundo essa política a velha União Soviética de Lenine e Stalin deveria dar lugar a mais um passo na avançada rumo à utopia comunista total sonhada por Marx.

Porém, os comunistas que queriam preservar o antigo regime staliniano acastelados nas Forças Armadas e na KGB opuseram ferrenha resistência à nova versão do comunismo.

O resultado foi que a União Soviética colapsou e que o “comunismo novo” autogestionário de Gorbachev não chegou a ser instaurado.

“Sabem que atitude tenho em relação ao colapso da União Soviética”, explicou o senhor todo-poderoso do Kremlin. “Ele não era necessário. Era possível ter realizado reformas, inclusive democráticas, sem isso [o colapso]”, disse Putin no encontro com os líderes dos principais partidos políticos.