domingo, 12 de julho de 2015

Putin esconde a verdade
e aumenta desconfiança de ataque russo

O  EXIF da selfie postada em rede social delata com extrema precisão  o local onde estavam estes soldados russos na hora da foto.
O  EXIF da selfie postada em rede social delata com extrema precisão
o local onde estavam estes soldados russos na hora da foto.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Segundo editorial do The New York Times, o presidente da Rússia Vladimir Putin manipula e suprime fatos sobre a guerra na Ucrânia com a mesma frieza com que dispararia sua Kalashnikov AK-47 ou um míssil.

Ele insiste que não há soldados ou armas russas no leste ucraniano, contradizendo as provas em contrário publicadas pela OTAN, pelos EUA e por jornalistas independentes.

Embora o jornal não diga algo novo, seu editorial se reveste da maior gravidade, pois The New York Times tem uma influência talvez inigualável na intelligentsia liberal esquerdista dos EUA e no alto mundo da finança internacional.

Ele vinha assumindo uma atitude cautelosa, poupando a imagem e as ilegalidades de Putin. Agora mudou de atitude, talvez sentindo que nas altas esferas que a diretoria do jornal frequenta e recebe confidências acontecem mudanças muito profundas.


Esconder a verdade ou mentir são infelizmente procedimentos muito frequentes nos países latinos. E por isso não impressionam tanto.

Mas, nos ambientes anglo-saxônicos tais procedimentos se revestem de particular gravidade, podendo ter consequências legais ou até militares.

Reportagem da VICE News coletou selfies que soldados russos publicaram nas redes sociais, permitindo identificar o local exato onde elas foram tiradas. Guiados pelo posicionamento GPS embutido nas fotos, jornalistas encontraram enormes concentrações de tropas russas em território ucraniano.

O soldado russo em Debaltseve, fevereiro 2015, e o jornalista no mesmo local, poucos meses depois.
O soldado russo em Debaltseve, Ucrânia, fevereiro 2015,
e o jornalista no mesmo local, poucos meses depois. Vídeo completo embaixo.
Denúncias como a da VICE viraram rotina.

No último encontro do G7 na Alemanha foram consideradas novas restrições à Rússia. Simultaneamente Vladimir Putin correu ao Vaticano, para implorar o auxílio do Papa Francisco.

Segundo abalizados analistas, ele foi pedir a repressão dos católicos de rito greco-latino na Ucrânia, que assumem uma posição heroicamente patriótica e contrária à nova Rússia e lideram a resistência ucraniana.

Putin encontrou na Praça de São Pedro ucranianos fazendo sentir ao Papa Francisco o pedido de não colaborar com o invasor.

O Pontífice adotou uma posição equidistante, o que é difícil de entender, considerando-se que o líder russo é o único invasor e fautor da guerra na Ucrânia.

Ele ao menos ficou posto pelo Vaticano em pé de igualdade com suas vítimas, cujos direitos são violados, seus irmãos mortos e multidões de exilados atiradas na fome e na miséria.

Para The New York Times, o decreto de Putin proibindo a divulgação de informações sobre mortos e feridos militares “em período de paz” resultou mentiroso e muito revelador.

Ucranianos suplicam ao Papa Francisco não colaborar com o invasor
Ucranianos suplicam ao Papa Francisco não colaborar com o invasor.
Praça de São Pedro, Vaticano 10.6.2015
Segundo o editorial do diário nova-iorquino, o decreto joga a Rússia no secretismo e na repressão dos tempos soviéticos, que Putin tenta reviver.

Além de dar base para prender jornalistas, defensores dos direitos humanos, pais e mães de soldados mortos ou feridos, poderão ficar impedidos de até perguntar o que sucedeu com eles.

Conferir também: “Putin decreta segredo de Estado os dados sobre baixas militares em tempos de paz” (ABC, Madri)

Segundo o editorial americano, Putin teme claramente o contragolpe destrutivo que significaria a difusão da perda de vidas russas e o deslindamento da verdade sobre a Ucrânia.

Papa Francisco assumiu amável mas incompreensível equidistância  face ao invasor Vladimir Putin ferindo os católicos ucranianos. Vaticano 10.6.2015
Papa Francisco assumiu amável mas incompreensível equidistância
face ao invasor Vladimir Putin ferindo os católicos ucranianos.
Vaticano 10.6.2015
Os índices oficiais de popularidade de Putin igualam ou superam os de Fidel ou de Lula em seus melhores dias, mas também apontam que a opinião pública russa está sendo mantida no maior engano sobre seus filhos mortos em combate na Ucrânia.

É grande o temor do que pode acontecer no dia em que a verdade aparecer.

O recente relatório divulgado pela oposição – e que teria custado a vida de seu autor, Boris Nemtsov – documentou o caso de pelo menos 220 soldados russos perdidos em combate na Ucrânia nos últimos meses.

E crescem os sinais de que o número de baixas deve ser corrigido para cima, considerando o fluxo de feridos que chegam aos hospitais, a quantidade de novos túmulos que aparecem nos cemitérios e a multiplicação de funerais militares, sublinhou a editorial do The New York Times.

Alguns analistas referidos pelo jornal consideram que o último decreto seria um sinal de que Putin prepara uma nova ofensiva na Ucrânia em que as baixas poderão ser ainda maiores.

Porém, as notícias vindas do interior da Rússia apontam que Putin não poderá continuar por muito tempo com a sua enganação caso os sacos plásticos com cadáveres de jovens soldados chegarem em maior número e sem explicação.


Selfies de soldados russos denunciam presença militar em grande escala na Ucrânia





Morte de soldados russos em tempo de paz é segredo de Estado, pretexto não convence ninguém:




6 comentários:

  1. Caro Luís, sigo com bastante interesse o seu blog (ou seus) a partir de Portugal desde há algum tempo. Devo felicitá-lo pela amplitude de informação que publica, pela pertinência das suas análises e pela capacidade de cruzar tão bem os dados históricos e jornalísticos com elementos teológicos. O seu blog é certamente fruto de muito estudo e, simultaneamente, de uma fé bastante sólida na herança Católica Romana, nas suas fontes fundamentais, a tradição e a revelação. É uma pena que este blog não seja publicado também em inglês para poder chegar mais além.

    Tenho duas questões que, sem querer abusar deste espaço de comentários, gostaria que me pudesse responder de forma breve:

    1. Certamente já terá ouvido falar do padre ex-jesuíta e autor Malachi Martin, tem uma opinião formada sobre ele? É que, do meu ponto de vista, muitas das opiniões publicadas neste blog encaixam perfeitamente em algumas das suas análises geopolíticas e religiosas assumidas nos seus livros, palestras e entrevistas radiofónicas. Principalmente quando se referia a eventos futuros.

    2. Qual é a sua posição relativamente às aparições de Garabandal?

    Saudações cordiais, extensivas também aos leitores do blog.
    Basto

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    Respostas
    1. Prezado Basto,
      Agradeço suas generosas palavras e também lamento não poder publicar em inglês. Nosso blog é muito caseiro e não temos tradutor.
      1. Não conheci o Pe. Malachi Martin e só li trechos seletos de suas obras que, obviamente, achei de uma rara lucidez.
      2. Não tenho posição muito definida a respeito de Garabandal. Explico por que:
      a. tudo quanto tenho lido a respeito num ponto ou outro colide com algum critério exigido pela Igreja para reconhecer como verdadeiramente sobrenatural uma aparição ou revelação.
      b. Porém, como não tive tempo e não achei livros de confiança que esclarecessem o caso, não adiro. Fico aguardando um autorizado esclarecimento. Entrementes, observo que com o tempo decai o interesse por ditas aparições, e esse não depõe em seu favor.
      3. O meu pensamento e orientação foram muito marcados pela escola do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, catedrático de História Moderna e Contemporânea da Universidade Católica de São Paulo, falecido em 1995. Ele se definia tomista com forte preferência pela Teologia da História.
      Ele partia sempre de uma análise muito cuidadosa da realidade. No caso dos fatos políticos nacionais e internacionais ele começava numa exigente e crítica análise das informações. Só depois passava para julgamentos, hipóteses ou previsões.
      O resultado disso é que ele acompanhou durante décadas o andamento dos fatos humanos e elaborou conjecturas que hoje se estão realizando de modo surpreendente.
      Em certo sentido eu não tenho muito trabalho, a não ser visualizar as informações correntes à luz do depósito de previsões que ele deixou.
      Por ali, você pode também perceber o por que das analogias com certas posições muito coladas na realidade do Pe. Malachi Martin.
      Atenciosamente,
      Luis

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  2. Luis,voce poderia gravar alguns audios,e mandar para a RADIOVOX.Muita gente esta procurando saber mais sobre a Russia,depois do debate do Pr.Olavo VS Dugin .
    Abçs

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  3. Desde já, obrigado pela atenção Luís.

    No que concerne à influência académica do Prof. Plínio Corrêa de Oliveira, quase dispensava qualquer explicação... Mesmo com um conhecimento honestamente curto acerca da obra desse grande mestre, foi-me fácil perceber que a linha editorial dos seus blogs se enquadram numa matriz de pensamento marcada pela sua escola.

    Relativamente às questões que lhe coloquei, precisaria de algumas horas de diálogo para expressar o meu ponto de vista. Tenho um fascínio enorme por Malachi Martin, não só por o considerar uma das pessoas mais inteligentes e fascinantes do séc. XX, mas principalmente por ele ter tido (alegadamente) acesso à leitura do 3º segredo de Fátima, o que terá certamente enquadrado a sua visão da história do mundo e principalmente da Igreja Católica Romana.

    A minha posição acerca de Garabandal era semelhante à sua, no entanto, nos últimos anos, tenho vindo a ganhar algum fascínio por essas aparições. Desde logo, porque Malachi Martin referia-se às mensagens destas aparições como a repetição do 3º segredo de Fátima, mas em formato resumido. Depois, porque estas aparições tiveram lugar no início dos anos 60, quando o segredo de Fátima foi suprimido e começou a ‘revolução’ conciliar na Igreja. Finalmente, porque nessas aparições se profetiza, entre outras coisas, o regresso do comunismo e a deslocação de um papa à Rússia. Sobre o regresso do comunismo não haverá muito mais a dizer, basta ler os jornais e perceber a tempestade que se aproxima, porém, para um papa ser convidado a visitar a Rússia (grande desejo de JPII) sempre houve duas grandes barreiras aos olhos dos ortodoxos, a ideia da supremacia petrina do Sumo Pontífice e o proselitismo católico (nomeadamente no Leste Europeu). Sinceramente, não sei se as autoridades religiosa russas ainda continuam a sentir esse obstáculo, dadas as inovadoras e controversas posições do Papa Francisco que, gosta de ser considerado apenas o Bispo de Roma, detesta proselitismos e evita a palavra “conversão”.

    Muito teria que dizer para ilustrar corretamente o meu ponto de vista, mas vou referir-me apenas a mais um pormenor. Aquilo que me serviu de âncora de interesse relativamente ao seu blog, Luís, foi a ênfase dada às igrejas católicas de rito oriental, e em particular à Igreja Greco-católica Ucraniana. Os uniatas são vistos como uma espécie de ‘terroristas’ aos olhos das autoridades civis e religiosas russas e, se não são desprezados, são pelo menos ignorados por parte dos católicos de rito latino. Do meu ponto de vista, eles ocupam um lugar absolutamente central no entendimento histórico da mensagem de Fátima, mas parece-me que praticamente ninguém reparou nisso!

    Basto

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  4. Lucas Janusckiewicz Coletta14 de julho de 2015 21:36

    Na foto postada, se vê que Francisco é o pai do falso profeta Putin.

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