domingo, 28 de maio de 2017

Guerra da informação: semeando o caos nos adversários

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





continuação do post anterior: A cartada de Putin: dividir para imperar, adormecer para esmagar




A TV NBC explorou uma contradição do presidente Trump, quando ele disse em entrevista que demitira Comey por iniciativa própria, “por essa coisa da Rússia”.

Mas na carta de destituição, Trump dizia que agiu por recomendação do Procurador-geral de Justiça e do vice-Procurador-geral de Justiça da União.

Contribuíndo à confusão, Andrew McCabe, chefe em funções interinas no FBI, contradisse a Casa Branca em tudo que se refere à exoneração de Comey.

Sarah Huckabee Sanders, filha de um aliado de Trump e porta-voz deste, declarou que Comey havia cometido atrocidades no FBI. Mas McCabe replicou que a imensa maioria do pessoal do FBI tinha uma visão positiva de Comey.

Retomando sua saraivada de acusações, “The Washington Post” – o maior jornal de Washington, declaradamente inscrito na oposição democrata –, acusou o presidente Trump de ter revelado informações das mais secretas ao ministro russo de Relações Exteriores numa reunião na Casa Branca.

Até os serviços secretos israelenses teriam manifestado temor pelo vazamento de informações confidenciais para a Rússia, segundo o jornal “Haaretz”, citado pelo site “Slate”. 

A troca de acusações e desmentidos pegou fogo sem nada esclarecer definitivamente. O chanceler russo Sergei Lavrov e o embaixador Sergey Kislyak — já envolvido em controvérsias anteriores — ficaram no centro das atenções.

Foi ilegal? Há argumentos num sentido e noutro.

Como presidente pode, mas o modo de fazê-lo pode ser danoso e violar a lei. A CIA e a NSA tiraram o corpo do problema. Os funcionários amigos de Trump dizem que tudo é um falso.

O presidente disse ter falado com o chanceler russo sobre a ameaça islâmica. Mas o comunicado da Casa Branca sobre a reunião nada menciona sobre isso. E sublinha que o presidente “levantou a questão da Ucrânia” e “enfatizou seu desejo de construir um melhor relacionamento entre os EUA e a Rússia”.

Para maior confusão, o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, H.R. McMaster, negou a veracidade da informação de “The Washington Post”, escreveu “El Mundo”.

Para “The Guardian”, jornal britânico contrário a Trump, a menor sombra de dúvida nestas matérias “pode ser devastadora para as relações entre os países”.

Senador republicano Bob Corker:
“O caos que está sendo criado mete medo”
“Slate” também fala da erosão da confiança no presidente e em seu partido no Congresso e no Senado. A palavra “impeachment” por incompetência já surgiu, mas parece improvável considerando que metade dos americanos está com o presidente.

Esses foram alguns passos mas não todos. E se anunciam ainda outros que poderão abalar a coesão da administração americana e do povo que governa.

Durante a campanha eleitoral na França, o presidente eleito Emmanuel Macron qualificou a agência de notícias Sputnik, financiada pelo governo russo, e o canal Russia Today, ou RT, como veículos de fake news (notícias falsas).

Os dois órgãos foram proibidos de cobrir o noticiário sobre Macron, noticiou a “Folha de S.Paulo”.

A Sputnik espalhava informações sobre a vida privada do candidato e citava um legislador francês que definia Macron como “fantoche das elites financeiras dos EUA”.

Maria Zakharova, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, atacou a atitude de Macron como “ultrajante, uma discriminação deliberada contra veículos russos”.

O temor principal do Macron era de que a Rússia se imiscuísse através de hackers na eleição francesa, como fez na votação americana.

Interdição análoga foi proposta pela primeira-ministra da Grã-Bretanha, pensando nas já realizadas eleições regionais e nas próximas parlamentares inglesas.

O que sairá desse “saco de gatos”?

Da confusão só sai confusão. Mas quando dois polos de influência disputam a hegemonia do mundo e um cai na confusão e outro não, este último está tirando a maior vantagem.

E com tanta mais razão quanto seus tentáculos estão alimentando essa confusão no outro lado. Divide ut imperes (divide para imperar) foi a consigna do império romano que Putin mais parece aplicar.

Nesse sentido, o senador republicano Bob Corker apontou o mal que a confusão está causando aos EUA e o benefício que o Kremlin está obtendo: “O caos que está sendo criado pela falta de disciplina está estimulando um ambiente que mete medo”.

Monumento soviético a Manuilski na Ucrânia:  “No mesmo instante que baixarem a guarda, nós os achataremos com o nosso punho cerrado”.
Monumento soviético a Manuilski na Ucrânia:
“No mesmo instante que baixarem a guarda,
nós os achataremos com o nosso punho cerrado”.
Nesse caos, uma coisa parece certa: é como se se estivesse cumprindo à risca o profético – e quão ignorado! – alerta do professor Plinio Corrêa de Oliveira sobre a manobra em gestação no seio do comunismo russo.

Ele denunciou reiteradas vezes o engano contido no slogan “o comunismo morreu”, repetido com frequência pelo macrocapitalismo publicitário e por muitos que até poucos anos atrás colaboravam economicamente com o regime dos sovietes.

Com voz de anjo das trevas, Manuilski poderia estar repetindo com sinistra autossatisfação em seu túmulo:

“A burguesia deverá ser adormecida. 

Começaremos lançando o mais espetacular movimento de paz que jamais tenha existido. Haverá proposições eletrizantes e concessões extraordinárias.

“Os países capitalistas, estúpidos e decadentes, cooperarão com alegria para a sua própria destruição. Precipitar-se-ão sobre a nova oportunidade de amizade.

“No mesmo instante em que baixarem a guarda, nós os achataremos com o nosso punho cerrado”.


domingo, 21 de maio de 2017

A cartada de Putin: dividir para imperar,
adormecer para esmagar

A bandeira da URSS arriada pela última vez do Kremlin. Parecia que tudo terminava. Mas a manobra estava apenas começando.
A bandeira da URSS arriada pela última vez do Kremlin.
Parecia que tudo terminava. Mas a manobra estava apenas começando.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Quando a bandeira vermelha com a foice e o martelo foi arriada no Kremlin em sinal da extinção do império marxista-leninista da URSS, o mundo suspirou aliviado.

Mas, nos antros não visíveis a olho nu que deram origem a essa imensa central do mal, preparava-se outra coisa que poucos ousavam imaginar.

“O comunismo morreu!” clamaram com júbilo os potentados de mídia e da economia ocidental que até havia pouco se resignavam a capitular diante do monstro vermelho cujo trono estava no Kremlin.

Houve poucos, muito poucos, que não caíram na cilada. Entre eles destacou-se como figura de exceção, um grande brasileiro: o prof. Plínio Corrêa de Oliveira.

Acompanhando acuradamente o noticiário nacional e internacional, ele foi formando uma ponderada, mas previsora conclusão: o comunismo não estava conseguindo conquistar as massas e por isso entrava em crise.

Para tentar superar essa crise, ele poderia tentar uma manobra – entre outras – que consistiria em fingir uma extinção que desarmasse os oponentes. Quando estes se adormecessem, ele desferiria um golpe de grandes proporções.

O plano não era novo. O esboço dele apareceu em conferência de Dimitri Z. Manuilski, primeiro secretário do Partido Comunista da Ucrânia.

O Dr. Plinio reproduziu os parágrafos nevrálgicos no artigo “A burguesia deverá ser adormecida”, que ele publicou em sua coluna da “Folha de S. Paulo” em 17 de outubro de 1971:

Dmitri Manuilski, chefe da delegação ucraniana na conferência de San Francisco, 1945, que preparou a Carta das Nações Unidas e o Estatuto da Corte Internacional de Justiça.
Dmitri Manuilski, chefe da delegação ucraniana
na conferência de San Francisco, 1945,
que preparou a Carta das Nações Unidas
e o Estatuto da Corte Internacional de Justiça.
“A guerra de morte entre o comunismo e o capitalismo é inevitável.

“Hoje, evidentemente, não somos bastante fortes para atacar. Nossa hora chegará dentro de 20 ou 30 anos.

“Para vencer, necessitaremos de um elemento de surpresa. A burguesia deverá ser adormecida.

“Começaremos lançando o mais espetacular movimento de paz que jamais tenha existido.

“Haverá proposições eletrizantes e concessões extraordinárias.

“Os países capitalistas, estúpidos e decadentes, cooperarão com alegria para a sua própria destruição.

“Precipitar-se-ão sobre a nova oportunidade de amizade.

“No mesmo instante em que baixem sua guarda, os achataremos com nosso punho cerrado”.

(Dimitri Z. Manuilski, conferência em 1931 na Escola Lenine de Guerra Política, apud Jean Ousset. “El marxismo leninismo”. Editorial Iction, Buenos Aires, 2a. ed., 1963 p. 113).

O tempo passou, a manobra se definiu, e um brado percorreu a terra: “o comunismo morreu!”

Nada foi feito para desmontar as redes que a URSS tinha deixado nos países livres. Enquanto esses se distendiam, as redes se metamorfoseavam e infiltravam os pontos chaves dos países que o comunismo visava conquistar o dia em que voltasse travestido.

Aconteceu nos EUA também. Eles foram sendo absorvidos por problemas gravíssimos como Islã, e foram sendo adormecidos para abaixar as prevenções contra o comunismo. Desviaram o olhar ou até o fecharam diante do pior inimigo.

Putin mandou bajular Trump e favorecer sua candidatura. Por trás da mão estendida, está preparado o punho cerrado.
Putin mandou bajular Trump e favorecer sua candidatura.
Por trás da mão estendida, está preparado o punho cerrado.
Um dia um agente da KGB apareceu dirigindo a campanha eleitoral do candidato que conquistaria a presidência do país, Donald Trump.

O escândalo foi grande, o agente da Rússia e sua equipe tiveram que renunciar.

O próprio Donald Trump, tal vez desprevenidamente, fez grandes negócios na Rússia que pagava esses agentes da KGB. O candidato mostrava afinidade com o ex-coronel da KGB que assumiu o comando do Kremlin.

E Vladimir Putin lhe enviava elogios e sorrisinhos.

Vieram ainda à luz outros passos rumorosos da infiltração russa na administração que Trump está montando.

O então conselheiro de Segurança Nacional Mike Flynn se demitiu após a revelação de contatos mal esclarecido com altos representantes de Moscou.

Mais recentemente, James Comey chefe da poderosa FBI foi demitido. Ele teria cometido o “erro” de aprofundar a investigação sobre a ingerência russa nas eleições presidências americanas.

Dan Coats, senador do partido de Trump, declarou ante o Comitê de Inteligência do Senado que só as mais altas instâncias da Rússia poderiam ter autorizado o roubo e a filtração de dados verificado durante o pleito eleitoral.

O senador democrata Mark Warner perguntou aos diretores da CIA, da NSA – a agência de espionagem eletrônica – e do FBI se o governo russo teria interferido nas eleições de 2016, a resposta foi unânime: Sim, escreveu “El Mundo” de Madri.




domingo, 14 de maio de 2017

A ‘cruzada’ de Stalin para salvar o cristianismo em 1941: truque revivido por Putin

'Santinho' soviético: Santa Olga se aparece a Stalin e o aconselha na II Guerra Mundial
'Santinho' soviético: Santa Olga se aparece a Stalin
e o aconselha na II Guerra Mundial
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A “nova-Rússia” está extremando seus artifícios para tentar cativar cristãos e conservadores no Ocidente.

O curioso é que essa artimanha não é nova. Já foi tentada pelos serviços secretos soviéticos em outras circunstâncias.

Notadamente nos tempos de Stalin a quem Vladimir Putin se refere como seu modelo de governante.

O procedimento foi tão desprovido de moralidade que na época não pareceu acreditável. O Pe. Robert A. Graham S.I. há mais de 30 anos lhe consagrou um alentado estudo no qual pode restaurar os inacreditáveis procedimentos da guerra da informação russa.

O trabalho apareceu na revista “La Civiltà Cattolica” nº 3186, de 19 de março de 1983 (págs. 533 a 547). Fundamentamos este post nessa conscienciosa matéria publicada sob o título:  “A cruzada de Stalin contra «o anticristo» Hitler – A «Rádio cristã» do Komintern em 1941” (“La crociata di Stalin contro «l'anticristo» Hitler – La «Radio cristiana» del Comintern nel 1941”.

Em 1941, Hitler invadiu Rússia sem atender a aliança conhecida como pacto Ribbentrop-Molotov (23 agosto 1939) em virtude do qual Moscou e Berlim aliadas desencadearam a II Guerra Mundial.

Pouco depois, os radioamadores ficaram surpresos ouvindo uma linguagem inesperada vinda da Rússia dos sovietes.

Nas ondas da Rádio Moscou os cristãos eram exortados a se unirem pela defesa da cristandade.

Os locutores de Moscou louvavam os católicos alemães que resistiam às perseguições nazistas, citavam os sofrimentos dos católicos poloneses e de outros países ocupados pelo nazismo.

A emissora se definia como “Rádio Cristã” e reproduzia a mensagem evangélica numa media dúzia de línguas com tal fidelidade que muitos poderiam ter achado que ouviam a Rádio Vaticana.

O semanário católico londrino “The Tablet”, em 19.7.1941, comentou “a denúncia diária que fazem os russos da perseguição religiosa na Alemanha”.

Trocando Putin por Stalin o estratagema se repete no século XXI.
Trocando Putin por Stalin o estratagema se repete no século XXI.
Naquele conflito mundial fez furor o uso de rádios clandestinas na guerra da informação por parte das potências em guerra. Mas ninguém imaginou que o cinismo de Moscou podia ir tão longe.

Stalin e a URSS precisavam desesperadamente do apoio do povo que até pouco tinham perseguido religiosamente.

As campanhas antirreligiosas foram suspensas, os eclesiásticos ligados ao Patriarcado de Moscou foram catapultados ao primeiro plano.

A “Rádio Cristã” despertou dúvidas pelos seus arroubos em defesa da Cristandade, muitos mais intensos do que as transmissões da Santa Sé.

Em 1963 foram recuperados arquivos na Alemanha Oriental que documentavam a monstruosa operação de guerra psicológica montada no Kremlin e os nomes da equipe internacional do Komintern [Internacional Comunista] que a efetivou.

Até o início da II Guerra Mundial, a mídia socialista russa incitava à guerra contra as “superstições” religiosas, um axioma do marxismo-leninismo.

E, quando a aliança soviético-nazista invadiu a Polônia a fúria da propaganda russa visou os chefes da Igreja Católica. Eles eram acusados de cumplicidade com o capitalismo e com os “imperialistas” fabricantes de armas, responsáveis pelo conflito na ótica de Moscou.

Quando o Papa Pio XII publicou a encíclica Summi Pontificatus (20.10.1939) o  jornal soviético porta-voz do regime “Izvestia” (22.1.1940) acusou o Vaticano de “beber sangue dos caídos”.

O Communist International (1940, nº 6), escrevia que “o proletariado internacional reconhecia entre os odiosos culpados da guerra a batina padresca do Senhor do Vaticano”.

O Sputnik Agitato (fevereiro de 1941) acusava o Papa de estar a serviço dos financistas da guerra e repelia as “calúnias selvagens” contra a URSS.

Um dos maiores assassinos de massa da História foi transformado pela desinformação em defensor da vida, das crianças e das famílias.
Um dos maiores assassinos de massa da História
foi transformado pela desinformação russa
em defensor da vida, das crianças e das famílias.
O alemão Richard Gyptner e o checo Victor Stern, fiéis agentes do Komintern, foram os chefes da “Rádio Cristã”.

Eles acabariam morrendo após a guerra cobertos de honrarias pelos serviços prestados.

Gyptner escreveu que a transmissão visava os católicos e crentes para incitá-los a se aliarem contra o “anticristo Hitler” e exaltava os eclesiásticos que agiam nesse sentido.

Na doutrina do Komintern isso afinava com a “política da mão estendida” lançada no 7° Congresso mundial do PC em 1935.

Emissões dos dias 7 e 27 de julho 1941 defenderam os católicos e espalharam que “é necessário abandonar a velha fábula do catolicismo aliado com os opressores das nações”.

As emissões em italiano concluíam com a pia exortação “cristãos, católicos! perseverai na batalha contra o anticristo”!

Em polonês ressaltavam as perseguições que sofriam os sacerdotes católicos, a ocupação de dioceses, o confisco de arquivos, a expulsão de cônegos, etc.

Em húngaro sublinhavam que na Alemanha as escolas católicas foram fechadas, que em Innsbruck os bens dos capuchinhos foram roubados e que mais de 800 sacerdotes poloneses foram extraditados para o país invasor.

Na festa da Assunção em 15.8.1943, o londrino Catholic Herald reproduziu emissão da “Rádio  Cristã” em polonês com programa exaltando a festa de Nossa Senhora.

Entre outras coisas dizia: “rezemos ardorosamente à protetora de nosso católico país [...] a Ela que é mais forte que Satanás se deve a queda das cidades de Orel e de Biegorod nas mãos do Exército Vermelho [...]. Ô Rainha da Polônia, país que é a joia da coroa da beatíssima Virgem, conduzi nossos irmãos na batalha”.

Gyptner deixou por escrito sua alegria com o sucesso de suas mentiras. Ele citou o testemunho de oficiais e soldados inimigos presos em Stalingrado.

Mas a melhor prova para ele foi que Goebbels, ministro da propaganda nazista, classificou a “Rádio  Cristã” entre as 15 emissoras inimigas mais perigosas.

O metropolita Sergio de Moscou se destacou pela pregação religiosa encomendada por Stalin e pelo PC. O dia 26.6.1941 celebrou uma missa para obter a vitória.

Foi na igreja da Epifania de Moscou com grande presença de membros do governo e do PC, fartamente fotografados para difundir pela imprensa estrangeira.

Na prática nenhuma lei antirreligiosa foi tocada, abolida ou modificada. Mas não faltaram em Ocidente aqueles que viam as emissões do modo mais favorável para os sovietes e acenavam com o início de uma época nova no império do ateísmo.

Até exilados russos sonharam com uma mudança operada em Stalin que estaria fazendo dele o salvador da Santa Rússia.

Uma mesma cartilha redigida pelos serviços de contrainformação
Uma mesma cartilha pelos mesmos objetivos de contrainformação
Os eclesiásticos ortodoxos que não acertaram o passo foram excomungados pelo metropolita Sergio de Moscou.

Fez parte da manobra um nunca achado “documento Weigang” atribuído a um ignoto lugar-tenente alemão que teria feito um plano visando “o fechamento de todas as igrejas e a substituição do cristianismo pela religião de Wotan” na Rússia.

O plano nunca foi publicado nem recuperado em arquivo algum. Jamais foi possível identificar o referido Weigang. O golpe, porém, foi comemorado pela contrainformação soviética.

Ilya Ehrenburg chefe da propaganda de Stalin denunciou o satânico “plano Weigang” em emissão do dia 19.7.1942 sublinhando a “finalidade de erradicar o cristianismo na Rússia, porque era uma religião não adaptada ao povo”.

* * *

O curso da guerra mudou em 1943. As exigências propagandísticas foram outras e a anti-cruzada de Moscou pelo cristianismo perdeu sua utilidade. A “Rádio Cristã” parou de emitir.

Mas a manobra do generalíssimo do ateísmo José Stalin ficou registrada como uma estratégia ousada de falsa cruzada para ludibriar os cristãos e pô-los na órbita da Internacional Comunista.

Hoje, Vladimir Putin e seus acólitos parecem ter recuperado a velha cartilha para aplica-la num contexto novo, mas com possantes analogias.

(Autor: Robert A. Graham S.I. in La Civiltà Cattolica, 19.3.1983 nº3186, págs 533 a 547)




domingo, 7 de maio de 2017

Paroxismo da desinformação russa: a mensagem de Fátima e a ‘missão providencial’ de Putin

A desinformação russa veicula no Ocidente  que Putin teria a “missão providencial” de salvar o cristianismo
A desinformação russa veicula no Ocidente
que Putin teria a “missão providencial” de salvar o cristianismo
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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continuação do post anterior: Manipulação da mensagem de Fátima pela Rússia



No Ocidente está havendo crescentes reações boas contra a ofensiva da Revolução Cultural de substância marxista-gramsciana.

Tentando explorá-las, a propaganda do Kremlin passou a apresentar cinicamente a Rússia de Putin como um sedutor porto da salvação de onde pode vir o reerguimento moral e intelectual dos cristãos perseguidos.

E essa manipulação atingiu o exagero procurando inverter os termos da advertência de Nossa Senhora em Fátima contra os “erros da Rússia” para transformá-los nos “erros de Ocidente”, segundo constatou Jeanne Smits, ex-diretora e ex-gerente do jornal “Présent” ligado ao Front National, partido amigo do Kremlin, em seu site Reinformation.tv.

Líderes políticos de “direita” e até de “extrema direita”, escreveu Smits, passaram a ser recebidos em Moscou como romeiros que procuram as bênçãos de um novo Carlos Magno.

Embora ele declare que conserva piedosamente sua carteirinha do Partido Comunista da URSS...

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Manipulação da mensagem de Fátima pela Rússia

Jeanne Smits ex-diretora do jornal do Front National: a Rússia tenta voltar a mensagem de Fátima contra o Ocidente
Jeanne Smits ex-diretora do jornal do Front National:
a Rússia tenta voltar a mensagem de Fátima contra o Ocidente
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A aparição de Nossa Senhora em Fatima deixou uma espada encravada no cerne da Revolução anticristã.

Os católicos receberam a advertência de que como castigo para a impenitência “a Rússia espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja”. Cfr. “Fátima: Mensagem de tragédia ou de esperança?”

A Rússia comunista apareceu assim como o inimigo por excelência. E essa advertência se tornou mais cogente e atual neste ano centenário da aparição de Fátima.

Jeanne Smits, ex-diretora e ex-gerente do jornal “Présent” ligado ao Front National de Marine Le Pen, partido amigo Kremlin, escreveu palpitante matéria sobre como a desinformação da “nova-Rússia” trabalha para se livrar do estigma e inverter astuciosamente os termos da denúncia profética.

Smits publicou longo artigo a respeito em seu site Reinformation.tv.

Segundo Smits, a manobra de guerra da informação encontrou o terreno bem preparado pela falsa ideia de que “o comunismo morreu”.

Na fase atual, a propaganda russa tenta erigir a Moscou em bastião derradeiro do cristianismo sitiado pelos inimigos. A inversão não podia ser mais completa e contrária à razão.