domingo, 5 de abril de 2020

Bispo romeno lembrou mártires do comunismo, mas Sínodo não se incomodou

Dom Virgil Bercea, bispo de Oradea, Romenia
Dom Virgil Bercea, bispo de Oradea, Romenia
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Durante o Sínodo geral realizado em Roma sobre o Oriente Médio, Dom Virgil Bercea, bispo de Oradea Mare, na Romênia, lembrou o sangue vertido pelos mártires sob o regime comunista soviético pelo fato de se professar a fé em Jesus Cristo, noticiou em seu momento a Rádio Vaticana.

A reação episcopal e vaticana foi de todo oposta à manifestada pelos bispos no Sínodo Pan-amazônico onde se mencionou com insistência asubversivos mortos em episódios escuros sem fazer a devida distinção dos fatos criminosos.

“De 1948 em diante os cárceres da Romênia estavam cheios”, disse o prelado à própria Radio Vaticana.

“Os comunistas quiseram destruir a Igreja e os intelectuais para controlar tudo. Essas pessoas deram a vida por Cristo.

“Os comunistas procuraram pretextos para acusá-los, mas não acharam. A grande culpa deles era de serem católicos. Há ainda pessoas vivas que conheceram isso”, explicou.

Ele acrescentou que esses mártires “por toda parte eram modelares, até conseguiram moderar o comportamento dos guardas que antes os aterrorizavam. (…)

“Morreram por amor de Cristo, sem arrogância, mas com humildade e com a paz no coração, com serenidade, convencidos de que com seu comportamento iriam atrair a vida e a esperança.

Repressão em Bucarest, 1989, Romênia
Repressão em Bucarest, 1989, Romênia
“Sim, naqueles momentos em que os comunistas haviam conseguido transformar nosso país num grande cárcere do qual ninguém teria podido sair, havia uma grande necessidade de esperança.

“Quando meus pais obtiveram o primeiro rádio, conseguimos ouvir a Missa da Rádio Vaticano.

“Minha mãe pôs uma Cruz sobre o rádio e vieram muitas pessoas até a nossa casa, e nós nos sentíamos diante do rádio como diante de um altar.

“No início da liturgia, ficávamos todos em pé; durante o Evangelho – segundo nosso costume – nos ajoelhávamos. Obviamente, não podíamos comungar, não tínhamos sacerdote, mas todos usavam as roupas de domingo.

“Simultaneamente, nossos mártires estavam detrás das grades. Estávamos unidos pela oração: suas orações na prisão e as nossas puxadas pela Rádio Vaticano. Um tio meu que depois foi Cardeal passou 16 anos no cárcere.

“Quando ele voltou com os cabelos raspados a zero e os olhos esbugalhados, fiquei impressionado com a sua personalidade!

“Media 1,85m, mas o mantiveram durante três anos numa cela de um metro por um metro e cinquenta, devendo passar o dia todo de pé. Esses mártires estavam expostos ao frio de até -30°…

Dom Virgil Bercea, bispo de Oradea, Romenia
Dom Virgil Bercea, bispo de Oradea, Romenia
“Estas coisas ainda falam, são transmitidas: o sangue dos mártires é semente para o nascimento de novos cristãos”.

O Sínodo, entretanto, concentrou-se no tema do ecumenismo.

Ele relembrou o espírito e a atitude dos padres do Concilio Vaticano II, iniciado 50 anos antes.

Eles preferiram não condenar o comunismo nem os regimes que martirizavam tão cruelmente os católicos enquanto abriam otimista e imprudentemente os braços aos carrascos.

As corajosas e emocionantes palavras de Dom Virgil Bercea não foram em vão.

Ficaram registradas no Livro da Vida e um dia servirão para julgar todos os crimes do comunismo e todas as omissões e cumplicidades que ele encontrou no Ocidente.


Um comentário:

  1. Ah, se as pessoas soubessem que são os infernais jesuítas que sempre estiveram por trás do comunismo... inclusive financiaram a revolução comunista russa...



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