domingo, 26 de março de 2023

Rússia irada com os erros de seus líderes

Ofensiva mal feita em Vuledar. Em poucos dias a Rússia perdeu 130 blindados e teve milhares de baixas
Ofensiva mal feita em Vuledar.
Em poucos dias a Rússia perdeu 130 blindados e teve milhares de baixas
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







A julgar por relatos de oficiais ucranianos e ocidentais, de soldados russos capturados e blogueiros militares russos, e pelas imagens de satélite e vídeo, a campanha russa está sendo vítima de sua disfunção no campo de batalha, escreveu o “The New York Times”.

Moscou enviou como reforços muitos milhares de recrutas inexperientes, sem obter progresso no campo de batalha.

O secretário de Defesa britânico, Ben Wallace, disse à BBC que “97% do exército russo está na Ucrânia”. E o Pentágono estima que cerca de 80% das forças terrestres da Rússia estão engajadas na aventura bélica de Putin.

Na recente ofensiva russa em Vugledar, na frente leste de Donetsk e na frente sul de Zaporizhia, os comandantes russos cometeram erros básicos, observa o coronel Oleksii Dmytrashkivskyi, porta-voz do exército ucraniano.

Ele acrescentou que em Vugledar, duas brigadas de elite da infantaria naval russa, a 40ª e a 155ª, foram dizimadas. Numa semana de combates, os russos perderam pelo menos 130 veículos blindados, incluindo 36 tanques.

O cálculo foi corroborado por imagens de drones submetidas a analistas militares independentes, e  confirmado pelas contas de blogueiros militares russos, ardentes defensores da guerra, mas também críticos raivosos do desempenho dos comandantes russos.

A cólera dos blogueiros russos entusiastas da guerra quase não tem limites contra os responsáveis de tocar a invasão, vendo nos vídeos os erros cometidos com táticas obsoletas da II Guerra Mundial.

Wallace, o secretário de Defesa britânico, citou relatos de que em Vugledar “toda uma brigada russa foi efetivamente eliminada” e que Moscou havia perdido “1.000 homens em dois dias”.

Milhares de soldados russos preferem se entregar até via celular
Milhares de soldados russos preferem se entregar até via celular
Segundo Wallace as perdas russas em Vugledar são o resultado “de um presidente e funcionários que negam ou ignoram a realidade, ou não se importam com quantos de seus compatriotas morreram, muito menos com quantas pessoas eles tente subjugar.”

Muitos soldados russos capturados foram mobilizados pelo recrutamento de 300.000 reservistas, ou ditos tais, anunciado por Putin em setembro de 2022, enquanto outros são mercenários do Grupo Wagner, muitos deles criminosos recrutados nas prisões.

Para piorar, uma rivalidade feroz tomou conta das forças de Wagner e o exército regular russo.

O grupo mercenário alega – aliás mentindo sem senso da realidade – que seus combatentes são mais capazes e experientes.

Depois de meses de ataques implacáveis os ucranianos se encontram em uma situação cada vez mais precária, numa Bakhmut em ruínas.

O Grupo Wagner anuncia há meses que tomou a cidade, mas quase não progride além das periferias sacrificando milhares de presos comuns enviados sem preparo ao matadouro e com agentes especiais assassinando aos que não avançam.

Para renovar a confiança no líder Vladimir Putin, a Zona Cinza, canal do Grupo Wagner no Telegram, pede que os comandantes russos sejam responsabilizados em julgamento público.

No momento, diz o coronel ucraniano Dmytrashkivskyi, os ataques em larga escala diminuíram, e os russos continuam atacando em pequenos grupos.

Mas se persistirem com essa tática, “eles vão para a morte certa, é simples assim”, disse o porta-voz militar ucraniano.


domingo, 12 de março de 2023

Putin suprime grupo de estudo dos crimes comunistas

Aleksandr Podrabinek, membro do Moscow Helsinki Group arrestado pela KGB na era soviética
Aleksandr Podrabinek, membro do Moscow Helsinki Group arrestado pela KGB na era soviética
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A ONG mais antiga pela defesa dos direitos humanos na Rússia foi dissolvida por um tribunal enquanto Putin se esforça para reprimir os dissidentes e impedir que se revelem os crimes da era comunista.

O Tribunal da Cidade de Moscou ordenou a dissolução do Moscow Helsinki Watch Group, a mais antiga ONG de direitos humanos no país.

A interdição é parte de uma repressão generalizada das últimas grandes vozes críticas da era soviética, enquanto Putin se orgulha de conservar sua carteirinha de membro do Partido Comunista da URSS.

A Justiça russa obedeceu a ordem vinda de cima: “atendeu ao pedido do (...) Ministério da Justiça da Rússia” ordenando tirar a ONG do registro oficial das associações.

Putin retomou os métodos da velha KGB
Putin retomou os métodos da velha KGB
A ordem foi publicada pelo próprio Tribunal em comunicado no Telegram e foi citada pela agência “Euronews”.

O Ministério da Justiça dispôs “dissolver o Moscow Helsinki Watch Group e proibir suas atividades em território russo”, acusando-o de realizar atividades fora de Moscou, em violação de seu status regional, incluindo o envio de observadores a julgamentos ou de seus membros a eventos em outras partes do país.

“Espero viver até ao dia em que renasça o Moscow Helsinki Watch Group”, afirmou sem muita esperança o advogado Genri Reznik, citado pela agência russa Ria Novosti.

O Moscow Helsinki Watch Group foi criado em 1976 para garantir o cumprimento pela URSS de seus compromissos de direitos humanos, assumidos na Ata Final de Helsinque em 1975, no final da Conferência sobre Segurança e Cooperação na Europa.

A ONG foi liderada por décadas por Lioudmila Alexeeva, uma figura da dissidência soviética que morreu em 2018.

Ditadura do Kremlin reprime partidários da democracia
Ditadura do Kremlin reprime partidários da democracia
O procedimento contra o Moscow Helsinki Group lembra aquele que levou, no inverno passado, à dissolução da ONG Memorial, outro pilar da defesa dos direitos humanos e da memória das vítimas dos crimes soviéticos.

Após a invasão da Ucrânia, Putin acelerou a repressão aos seus críticos, multiplicando os suicídios suspeitos, fechando as mídias que não fazem coro de suas mentiras, e fechando qualquer grupo não submisso.

Entre essas normas ditatoriais, uma lei prevê até 15 anos de prisão para quem emitir expressões ou difundir informações sobre o exército russo que o regime rotula “falsas”.

A maioria das figuras da oposição está agora no exílio ou na prisão e quem responder a uma sondagem de forma não aprobatória do regime pode ser punido com dita lei.


domingo, 5 de março de 2023

Moscou pensa se desligar da Internet

Russos sentem a forca da censura de Putin apertar mais e mais
Russos sentem a forca da censura de Putin apertar mais e mais
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Moscou avalia desconectar o país da Internet global, segundo o jornal russo Kommersant reproduzido por Le Figaro. O Kremlin aduziria se tratar de uma reação defensiva constrangida pelas sanções ocidentais à invasão da Ucrânia.  

Mas, de fato, há anos vem cogitando uma nova rede com códigos incompatíveis aos usados no mundo. 

Assim a polícia política isolaria os usuários russos e lhes impediria acessar informações de outros países.

A China planeja o mesmo isolamento informático, porém com um método próprio. De momento, na China vigora a “Grande Muralha digital” que censura toda palavra, conceito ou informação proibida pelo regime, por exemplo ‘democracia’, ‘direito humano’, notícias não gratas aos ditadores e muitas outras informações que a ditadura não quer que circulem.

O corte da Internet com o resto do mundo acentuará a repressão já existente
O corte da Internet com o resto do mundo acentuará a repressão já existente
Segundo a mídia russa, o Kremlin realizou exercícios de segurança cibernética, envolvendo bancos nacionais, operadoras de telecomunicações, as maiores empresas de Internet.

O vice-primeiro-ministro Dmitry Chernychenko justifica dizendo que em 2022 o número de ataques cibernéticos no país aumentou 80%.

A operadora Rostelecom traçou o plano de desconexão. “Se a Rússia for cortada dos pontos de troca europeus, ela redirecionará o tráfego da Internet para a Ásia”, disse um especialista da empresa ao Kommersant. Leia-se a China onde o projeto está mais avançado.

A internet “soberana” foi várias vezes mencionada por Vladimir Putin, com um intuito repressor sobre redes sociais como Twitter e Instagram. Por toda a Rússia se acentua o temor de um maior arrocho estatal sobre dados pessoais e liberdades individuais.

Para os russos Putin está levantando um novo 'Telão de Aço' digital
Para os russos Putin está levantando um novo 'Telão de Aço' digital
As sanções ocidentais e a proliferação de ataques cibernéticos – aliás, dos quais a Rússia é a máxima plataforma – serviriam de pretextos perfeitos para os amos do Kremlin que diriam querer proteger os sites estatais.

Todos os sites, especialmente os de serviços públicos, tiveram que se submeter a crescentes imposições, como mudar para um domínio russo, abandonar a hospedagem no exterior ou fortalecer sua política de senhas.

Os sites que contornam essas novas regras arriscam penalidades de momento mínimas (multa de 5.000 rublos, ou cerca de 83 euros).

A desconexão da Internet da rede russa iria além de suas fronteiras. Os especialistas apontam que “o tráfego do Cazaquistão e algumas partes dos países asiáticos passa pela Federação Russa”, também seriam afetados. Eles ficariam ‘submetidos’ ao sistema russo, para regozijo de Moscou.


domingo, 26 de fevereiro de 2023

Crises pelas derrotas matam dezenas de ‘oligarcas’

Suicinatos segundo 'El Mundo'
Suicinatos segundo 'El Mundo'
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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“Os traidores vão chutar o balde (eles vão morrer), acredite em mim”, disse Putin em 2010, ano em que o Reino Unido concedeu asilo ao duplo espião russo Sergei Skripal. “Eles receberam aquelas trinta moedas de prata que os vão engasgar”, acrescentou.

Skripal e sua filha Yulia foram encontrados inconscientes na rua envenenados com “novichok” um agente nervoso desenvolvido na Rússia.

A polícia política soviética KGB, hoje sucedida pela FSB putinista, definia os assassinatos de oponentes políticos ou dissidentes como “negócios sujos” ou “trabalho negro”.

Putin, ex-funcionário da KGB, recuperou os costumes soviéticos após chegar ao poder. São conhecidos os assassinatos de Alexander Litvinenko ou da jornalista Anna Politkovskaia entre muitos outros.

Mas, desde antes da invasão da Ucrânia, a Rússia vem sofrendo uma epidemia sem precedentes de mortes enigmáticas de “oligarcas”, altos funcionários e empresários críticos do presidente.

Elas perecem oficialmente por causas naturais, suicídios, crimes passionais ou acidentes ridículos.

Para o jornal de Madri “El Mundo” só de 2022 se pode fazer uma lista horripilante daqueles que 'pecaram' contra Putin por ação ou omissão.

Uma lista com 50 nomes de 'inimigos falecidos' circula desde a chegada do ex-espião ao poder.

Com a guerra, essa lista macabra aumentou de forma delirante. A especialidade da polícia de Putin é o assassinato disfarçado de “suicídio”, entendido como “matar um adversário indesejável contra sua vontade”.

Oficialmente, vários inimigos se jogaram de uma sacada; ou atiraram em si mesmos ou se enforcaram depois de assassinar seus parceiros e filhas. Os familiares das vítimas consideram absurdas as versões oficiais das mortes.

Os oponentes russos não têm dúvidas de que o próprio Putin está por trás, secundado pelos diretores do FSB, Alexander Bortnikov, e do Conselho de Segurança, Nikolai Patrushev.

O referido jornal espanhol forjou o termo “suicinato” (assassinato disfarçando de suicídio) para este procedimento e elaborou uma lista do “clube dos suicidas do novo czar de Rússia”. E elencou 21 casos só de 2022 em que as circunstâncias caracterizam o crime

1. 24-12-2022. Pavel Antov, 65 anos, rei das salsichas.

Pavel Antov
Pavel Antov
Pavel Antov magnata da indústria da carne, crítico de Putin apareceu “suicidado” numa poça de seu próprio sangue perto de um hotel de luxo em Rayagada (Índia) onde passava férias. Ele caiu do terceiro andar apenas dois dias depois de outro de seus companheiros de férias, Vladimir Bidanov, morrer de ataque cardíaco.

Antov criticou a invasão da Ucrânia, tentou se retratar, mas o czar foi ferido e não esqueceu nem perdoou, comentou  “El Mundo”.

2. 24-12-2022. Alexander Buzakov, 66, Diretor Geral dos Estaleiros do Almirantado Russo.

Na véspera de Natal, sucumbiu “de repente” por razões desconhecidas, após assistir à cerimônia de flutuação de um novo submarino.

3. 9-12-2022. Dimitri Zelenov, 50, cofundador da construtora Don-Stroy.

O caso se repete: dizem que caiu do alto e bateu com a cabeça, na cidade de Antibes, na Riviera Francesa..

4. 7-12-2022. Grigori Kochenov, 41, diretor da empresa Agima.

Grigori Kochenov
Grigori Kochenov
“Suicídio” de manual da KGB-FSB. Teria caído da varanda de sua casa em Nizhny Novgorod minutos depois que a polícia entrou para revistar o apartamento. Não se sabe por que ele estava sendo investigado.

5. 29-11-2022. Viacheslav Taran, 53 anos, bilionário de criptomoedas fundador da Libertex, uma bolsa de valores.

Acidente de helicóptero na cidade francesa de Villefranche-sur-Mer, na Riviera Francesa.

6. 28-09-2022. Pavel Pchelnikov, 52, diretor da Digital Logistics, subsidiária da Russian Railways.

Teria se dado um tiro na varanda de seu apartamento em Moscou. Dias antes, postou fotos mostrando-se abertamente feliz, mas entrou no “clube suicida de Putin”, feito pela polícia russa.

Anatoly Gerashchenko
Anatoly Gerashchenko
7. 21-09-2022. Anatoly Gerashchenko, 72, ex-diretor do Instituto de Aviação de Moscou.


Caiu em vários lances de escada no prédio onde trabalhava.

8. 14-09-2022. Vladimir Nikolayevich Sungorkin, 68, editor-chefe do Komsomolskaya Pravda.

Morreu sufocado quando ia almoçar na cidade de Roshchino, Ele também foi um aliado de Putin.

9. 10-09-2022. Ivan Pechorin, 39, Diretor da Russian Far East and Arctic Development Corporation (KRDV).

Iván Pechorin
Iván Pechorin

Achado morto numa praia a 160 quilômetros de Vladivostok. A polícia afirma que ele se afogou.

10. 1º-09-2022. Ravil Maganov, 68, Presidente do Conselho de Administração da Lukoil.

Outro caso clássico. Internado “com problemas cardíacos” no Hospital Clínico Central de Moscou caiu da janela.

11. 14-08-2022. Dan Rapoport, 52, executivo financeiro.

Encontrado morto na rua em Washington DC, do lado de fora de seu luxuoso prédio de apartamentos no West End. A versão oficial diz que se jogou no vazio. Sua esposa não acredita na tese e a família culpa o Kremlin.

12. 4-07-2022. Yuri Voronov, diretor geral da Astra Shipping.

Yuri Voronov
Yuri Voronov
Baleado na cabeça em Leningrado Oblast.

13. 8-05-2022. Alexander Subottin, 43, ex-gerente da petrolífera Lukoil.

Oficialmente, morreu em Mytishchi de “ataque cardíaco induzido por drogas” durante um ritual xamânico jamaicano.

14. 1º-05-2022. Andrei Krukovski, 37, CEO da Estosadok Krasnaya Polyana, estação de esqui da Gazprom.

“Caiu acidentalmente de um penhasco” em Sochi.

15. 19-04-2022. Sergei Protosenya, 55, ex-contador-chefe da maior empresa privada de gás da Rússia, Novatek.

Ele, sua esposa e filha, foram achados mortos em Lloret de Mar (Girona). A versão oficial está cheia de incoerências. Teria se enforcado, mas a empresa para a qual trabalhava descartou o suicídio.

16. 18-04-2022. Vladislav Avayev, 51, vice-presidente do Gazprombank.

Vladislav Avayev
Vladislav Avayev
Achado morto em seu apartamento na Universitetsky Prospekt, em circunstâncias semelhantes ao caso anterior, mas um dia antes. Sua esposa Elena e sua filha María de 13 anos também foram ultimadas, mas a tiro. O vice-presidente do Gazprombank, Igor Volobuev, afirmou que Avaev foi assassinado.

17. 23-03-2022. Vasili Melnikov, CEO e proprietário da empresa médica MedStom, 43 anos.

Morto com sua esposa e seus dois filhos, de 4 y 10, em Nizhny Novgorod repetindo o script dos anteriores.

18. 28-02-2022. Mijail Watford, oligarca ucraniano afincado no Reino Unido, 66 anos.

Enforcado na garagem de sua luxuosa finca no condado de Surrey. A policia britânica qualificou a morte de “inexplicável”. Não havia indícios de crime.

19. 25-02-2022. Alexander Tyulyakov, 61 anos, executivo de Gazprom.

Enforcado com uma corda na garagem de sua casa em São Petersburgo. Junto ao cadáver havia una nota de conteúdo não revelado.

20. 8-02-2022. Ígor Nosov, 43 anos.

Ígor Nosov
Ígor Nosov
Diretor executivo da Corporação para o Desenvolvimento do Ártico e do Remoto Oriente (KRDV) e ex vicegobernador do estado de Nizhny Novgorod. Morte repentina de derrame cerebral.

21. 30-01-2022. Leonid Shulman, 60 anos, chefe do serviço de transporte Gazprom Invest.

Morto no banheiro em sua casa na região de Leningrado). Junto ao corpo havia uma nota se queixando da dor numa perna quebrada. Outro “suicinato” segundo “El Mundo”.


domingo, 19 de fevereiro de 2023

Agonia do prestigio de Putin

Putin percebe que seu prestígio desaba e não encontra escapatória
Putin percebe que seu prestígio desaba e não encontra escapatória
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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sócio do IPCO,
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Após 22 anos no cargo, Vladimir Putin parece ser devorado pelo drama do ateu que sente os dias contados enquanto o prestigio que o sustentava se desmorona sob os golpes das derrotas na Ucrânia que ele absurda e erradamente invadiu.

Alguns kremlinologistas afirmam que ele já apareceu bêbado diante das câmeras. Seu isolamento e perda de apoio até entre os cúmplices mais próximos apontam para um movimento sísmico profundo, lento, mas inexorável, escreveu “El Mundo” de Madri.

É difícil avaliar o estado de sua popularidade pois na Rússia quem falar desfavoravelmente está a priori condenado.

Não se apresentou para a entrevista coletiva anual em que ele respondia perguntas do público (se não eram fabricadas pela polícia política).

O cancelamento foi motivado pelos crescentes temores de que o evento fosse dominado pelos fatos negativos da Ucrânia.

Está claro na Rússia que Putin não conseguiu vencer, como dizem os órgãos da mídia, quase todos dirigidos pelo regime.

A “operação militar especial” está funcionando como um feitiço que se voltou contra o feiticeiro. O cansaço da luta está se espalhando no país, o mais de uma centena de mortos ou desaparecidos não pode ser mais ocultado.

Putin assiste deprimido e solitário à missa de Natal no Kremlin
Putin assiste deprimido e solitário à missa de Natal no Kremlin
Putin, segundo “El Mundo”, cancela aparições como uma soprano rouca. Tampouco fez seu discurso anual sobre o estado da nação ao parlamento.

Poucas semanas depois de dizer que suas novas conquistas fariam parte da Rússia para sempre, a bandeira ucraniana voltou a tremular na cidade que suas tropas devastaram ao chegar e ao partir. Drones ucranianos bombardeiam bases estratégicas no interior da Rússia que deveriam proteger Moscou.

O Kremlin retratou Putin como chefe invencível de uma fortaleza sitiada pelo Ocidente, mas hoje tem que admitir admite que os ucranianos atacam impunemente solo russo.

“Seu exército, seus serviços de inteligência, se mostraram inúteis contra um país muito menos poderoso”, explica Abbas Gallyamov, redator de discursos do presidente russo.

“O rei está nu. É difícil chamar alguém de perdedor se ele comete atrocidades para tentar inutilmente mudar o curso dos acontecimentos”.

Seis funcionários do Kremlin disseram ao The Moscow Times que o herói nacional não marca mais os tempos.

Putin sofre os golpes de crises no seio da cúpula mais fanática, escândalos de corrupção, protestos e até sequestros com tomada de reféns em massa.

Ele aumentou a repressão, mas muitos cidadãos nem se importaram. A maioria dos russos ainda enfrenta tantas dificuldades em suas vidas, está farta do governo, da polícia ou da lei,

Putin se assemelha a um avô raivoso que lança algumas diatribes contra o exterior que o russo comum não acompanha e não fazem efeito. Na cerimônia de anexação de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporizhia, misturou o facticio nazismo ucraniano com Satanás, EUA e cenários apocalípticos no mesmo parágrafo.

O líder russo não consegue ser o mediador de negócios com uma Europa tão decadente e submissa aos EUA. Os países do velho Pacto de Varsóvia lhe viraram as costas. Faltam comestíveis que não são mais importados, as fábricas fecham e as empresas russas não podem mais continuar com seus negócios.

Nas décadas de putinismo os cidadãos permaneciam alheios à política e o governo não interferia em suas vidas privadas. Agora esse pacto quebrou em mil pedaços e Putin encontra manifestantes contra ele nas grandes capitais mais favorecidas.

O outrora controle invisível das informações se tornou ostensivo: a censura fez desaparecer canais, jornais e estações de rádio.

As pessoas têm medo de escrever nas redes sociais. Entrar numa lista de contatos de um celular amigo é risco de virar vítima.

Putin foi um czar ainda quando os hospitais funcionavam com base em propinas e algumas estradas eram um pântano que só existia no mapa ou o lixo era escondido nas montanhas perto das cidades.

Em 2021, ele não pode mais fugir ou esconder sua guerra. Putin teme até que alguém se atreva a chamá-la pelo nome. Os primeiros de seus homens que ousaram fazê-lo, apareceram “suicidados”. Mas agora somam milhões de descontentes que não acreditam na sua fama tão laboriosamente montada pela sua máquina de propaganda.

Ele troca seus generais que estão perdendo batalhas enquanto proclama que está ganhando.

Apareceu solitário e apagado numa missa cismática na Catedral da Anunciacao do Kremlin durante o Natal ortodoxo e não transmitiu segurança.

Seus propagandistas andam deprimidos. Sergei Markov surpreendeu dizendo que “os EUA são o principal ganhador de 2022”. O jornalista Maksin Yusin falou na TV que a “operação militar especial” na Ucrania não tinha atingido nenhum de seus objetivos.

O ex-assesor pessoal Sergei Glazyev, deplorou publicamente da falta de um objetivo claro
, de uma ideologia concreta, e de recursos necessários para ganhar a guerra contra Ocidente. Pareciam não temer ser encontrados enforcados no lustre de sua casa.

Embora Putin planeje reverter suas perdas nunca se recuperará de sua desastrosa guerra.

É muito improvável que obtenha vitórias importantes quando suas forças militares não tem vontade nem capacidade de defender os territórios que ocuparam.

Todos, desde os oligarcas de Moscou até os líderes comunistas de Pequim e os blogueiros nacionalistas outrora fanáticos propagandistas seus, entendem que glorias militares já não ressuscitarão sua fama.

Ninguém mais esconde as penúrias econômicas e a estagnação que todos sofrem. Dezenas de milhares dos melhores e mais brilhantes cidadãos abandonaram o país e muitos mais tentam fazê-lo.

O apoio social nas sondagens desmorona, embora na Rússia sejam falseadas pelo regime e se alguém criticar pode ser preso por até 15 anos pelo delito de “difusão pública e deliberada de informação falsa”.

No presente não surgiu nenhum movimento de massa em apoio de sua “guerra”, mas quase 20.000 pessoas foram presas por protestar contra ela. Mas o nervosismo pelo futuro a propósito do conflito cresce e os jovens urbanos, melhor formados e mais ricos preanunciam que Putin perde o porvir.

Putin afunda em crises paranoicas fechando canais ou mídias independentes, proibindo Twitter, Facebook e Instagram.

Porém a audiência da mídia controlada pelo Estado cai em picada e os canais de YouTube operados do exterior se multiplicaram astronomicamente especialmente quando Putin anunciou uma leva massiva. Foram mais os homens que fugiram da Rússia dos que foram recrutados.

Putin edificou uma ditadura altamente repressiva. Seus principais detratores estão presos. E se seus críticos de linha dura tomam o poder seria com os dias contados pois ninguém é conhecido.

Seus melhores dias ficaram no passado. Leonid Brezhnev naufragou no Afeganistão, e Putin o está fazendo na Ucrânia. Seu regime jamais se recuperará.

Dentro ou fora do poder, o colossal fracasso na Ucrânia soa o gongo do princípio do fim do putinismo. E suas condutas mais recentes sugerem que até ele é consciente disso, julga “El Mundo”.


domingo, 12 de fevereiro de 2023

Disputas infernais no Kremlin pelo futuro de Putin

Putin pensaria numa decisão muito difícil
Putin pensaria numa decisão muito difícil
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Fontes próximas a Vladimir Putin consultadas pelo “The Washington Post” mostraram-se “preocupadas” com o estado psíquico atual do presidente russo que se degrada com a paralise e o caos militar russo na Ucrânia.

Um bilionário russo que não quis se identificar falou sobre a “grande frustração que existe entre as pessoas ao seu redor” e revelou: “Putin não sabe mais o que fazer”, citou “La Nación”.

Outros membros do círculo íntimo no Kremlin observaram que o chefe de Estado “não sabe mais o que dizer” e “não tem plano ou estratégia” para o futuro próximo da guerra. “Ele está cada vez mais isolado e não gosta de falar com ninguém”, acrescentaram.

Eles também divulgaram irritações sem precedentes em Putin pela paralise das tropas russas em solo ucraniano: atribuindo-a a condições “extremamente difíceis”.

“A elite putinista não sabe no que acreditar e tem medo de pensar no amanhã. Em grande parte, há a sensação de que a situação é irreparável. Dependem totalmente de uma pessoa que é impossível influenciar”, finalizou uma alta fonte consultada.

Vários disputam a sucessão Prigozhin chefe dos mercenários, Sergei Shoigu pelo exército e o extremista islâmico Ramzan Kadyrov
Vários disputam a sucessão: Prigozhin chefe dos mercenários,
Sergei Shoigu pelo exército
e o extremista islâmico Ramzan Kadyrov
Abbas Gallyamov, ex-funcionário do Kremlin que foi redator dos discursos de Vladimir Putin confidenciou que seu ex-chefe se aproxima de uma difícil decisão.

Estaria vendo cada vez mais perto o pior mal: perder o poder e o respeito do povo e de seu círculo íntimo, e quer evitar um “final trágico”, reproduziu “La Nación”.

Gallyamov fez declarações replicadas pela Newsweek, antecipando que Putin pode se aposentar e escolher um sucessor antes das próximas eleições.

“Manipular as eleições é um risco muito grande. Não será reeleito porque há um sentimento de que o presidente não é mais um garante da estabilidade”, começou Gallyamov.

E arriscou que: “Putin pode querer evitar um fim trágico como o de Muammar Gaddafi, o ditador líbio que foi linchado por seu próprio povo e cujo corpo acabou sendo exibido publicamente”.

O ex-funcionário diz que Putin em troca pediria “garantias de segurança pessoal” e “passar o resto dos seus anos num palácio na cidade turística de Gelendzhik, no Mar Negro, mantendo o título de senador vitalício”.

Prigozhin subiu de criminoso carcerário até cozinheiro de confiança do ditador é agora chefe de umm exército de mercenários
Prigozhin subiu de criminoso carcerário até cozinheiro de confiança do ditador
é agora chefe de um exército de mercenários
E especificou: “As principais opções de quem Putin confiaria como sucessor seriam Sergei Sobyanin, o prefeito de Moscou, o primeiro-ministro Mikhail Mishustin ou seu vice-chefe de gabinete Dmitry Kozak”.

Gallyamov também considera que “os chefes militares estão perdendo a paciência e poderiam tentar um golpe de estado”. “Putin está virando um ditador de segunda categoria”, destacou.

Segundo o ex-assessor de Putin “os principais líderes de opinião procuram alguém que possa ganhar a guerra ... pois está cada vez clara a inutilidade de Putin”, citou “La Nación”.

Outro que ascende é Yevgeny Prigozhin, líder do grupo mercenário Wagner. “Prigozhin desacreditou por completo o regime e semeou dúvidas sobre Putin”. Esse confia em Prigozhin porque lhe fornece resultados bélicos que os generais do exército não conseguem.

Prigozhin está empurrando à morte ex-delinquentes recrutados nos cárceres russos que morrem na Ucrânia como “carne de canhão” numa enlouquecida ofensiva.

E os mercenários que retornam se estão transformando num perigo para a sociedade russa multiplicando a criminalidade.

Prigozhin quer o poder mesmo a custa de milhares de vida
Prigozhin quer o poder mesmo a custa de milhares de vida
Mas Prigozhin aspira ao poder supremo, custe o que custar.

Gallyamov, que mantém contatos importantes dentro do Kremlin, também anunciou meses atrás o projeto “Arca de Noé”, que visa “conseguir novas terras caso [Vladimir Putin] possa ir se se sentir completamente desconfortável em sua terra natal”.

O chefe de inteligência da Ucrânia o general Kyrylo Budanov, que foi o único a antecipar a invasão da Rússia, declara ter informações de que Putin estaria com câncer em estado terminal e que recorre a vários sósias.

“Se ele é ainda o verdadeiro Putin é uma incógnita”, disse Budanov em entrevista para “The Washington Post”.

O presidente ucraniano Zelensky pareceu confiar nessas informações em um discurso no fórum econômico em Davos, na Suíça, quando disse não ter certeza se Putin ainda estava vivo. Putin manteria vários sósias.

Por sua vez, o vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, ex-presidente Dmitri Medvedev, voltou a ameaçar que a derrota da Rússia numa guerra convencional pode provocar um conflito nuclear, noticiou “Clarín”.

Putin não confia num excército que não consegue vitórias
Putin não confia num exército que não consegue vitórias
E falando dos líderes militares ocidentais que discutem novas estratégias e pensam fornecer à Ucrânia armas pesadas e sistemas de ataque, da mesma maneira que no Fórum de Davos “foliões tardios” repetem que “a Rússia deve perder”.

“E não ocorre a nenhum desses desgraçados tirar a conclusão elementar: a derrota de uma potência nuclear em uma guerra convencional pode provocar uma guerra nuclear”, enfatizou.

Em seu enésimo ataque contra o Ocidente Medvedev afirmou que “as potências nucleares não perdem grandes conflitos dos quais depende seu destino”, pensando no futuro que cogita a Rússia.

“Isso deveria ser óbvio para um político ocidental com algum traço de inteligência”, concluiu.


Assim fala o arcebispo-mor dos católicos ucranianos de rito grego (São João Crisóstomo)




domingo, 5 de fevereiro de 2023

Temível brigada russa ficou célebre pela rapidez na fuga

Um dos mais temidos batalhões russos de elite está quase extinto
Um dos mais temidos batalhões russos de elite está quase extinto
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Em dezenas de bunkers na península de Kola, a Rússia armazena mísseis estratégicos capazes de destruir cidades inteiras. Lá são protegidos por uma unidade de combate das mais temíveis: a 200ª Brigada Independente de Fuzileiros Motorizados, escreveu entre outros “La Nación”.

Eles acabaram sendo enviados desde o Ártico para invadir Ucrânia com o objetivo tático de ocupar a capital Kiev e passar para a História com esse feito “glorioso”.

Porém, em poucos meses, dos 1.400 soldados de dois batalhões táticos de elite restavam menos de 900, o comandante fora gravemente ferido e muitos soldados ditos “refúseniks” se recusavam a lutar.

A 200ª Brigada foi devorada pela coragem ucraniana, mas também pela corrupção endêmica, a desmoralização, erros de cálculo estratégico e a inabilidade do comando do Kremlin.

As armas mais poderosas da unidade foram abandonadas pela tropa, destruídas ou capturadas.

Tropas e oficiais profissionais enviados com tanques de última geração foram sendo substituídos por recrutas mal treinados com equipamentos ruins ou desatualizados.

De fato, os próprios brigadistas descrevem as dificuldades de sua condição.

A metade foi dada de baixa e os demais fugiram
Um novo recruta disse ao “The Washington Post” que receberam “capacetes pintados do ano de 1941 e coletes sem proteção”.

O descalabro da 200º brigada não é exceção no desastre de grande parte do exército russo.

O general ucraniano Oleksandr Syrsky, quando questionado sobre a 200ª brigada russa respondeu: “o que você pode dizer é que eles escapam muito bem”.

A brigada sofria com falta de comida e combustível, vendeu suas reservas críticas antes mesmo da invasão.

O governador da região russa de Murmansk, onde está localizada a guarnição de base dessa brigada, anunciava falsos números de mortos na Ucrânia.

Os registros internos da brigada incluem uma tabela listando 892 soldados e oficiais ainda “presentes” e um oficial ocidental descreveu o impacto “catastrófico” dessas perdas no moral da unidade.



domingo, 29 de janeiro de 2023

Risco de Armagedon nuclear

No insucesso e no desespero, Putin poderia pensar num Armagedon final
No insucesso e no desespero, Putin poderia pensar num Armagedon final
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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O presidente Biden advertiu as pessoas do círculo mais próximo de Putin que este se propõe levar o mundo ao borde de uma guerra atômica como nunca houve desde a crise dos mísseis cubanos de 1962, noticiou a imprensa internacional.

Biden falou da “perspectiva de um Armagedon”, em alusão à colossal batalha que, segundo o Apocalipse, acontecerá no fim do mundo.

Colaboradores de Putin pediram para usar armas nucleares contra a Ucrânia, uma vez que o exército russo está sendo derrotado em todas as frentes e o ditador moscovita se mostra desorientado, tal vez por efeito de doenças, medicações e/ou efeitos do álcool.

Para eles, o ditador do Kremlin está sem saída e na hora de cair quereria arrastar todos os seus adversários ocidentais à aniquilação. É a lógica satânica de ditadores anticristãos.

O uso da arma atômica está no subconsciente dubitativo de Putin
O uso da arma atômica está no subconsciente dubitativo de Putin
Certas frases de Putin vão no sentido de apertar o botão vermelho, enquanto outras vão em sentido contrário. A sobrevivência depende dessa hesitação.

“Não enfrentamos a perspectiva do Armagedon desde Kennedy e a crise dos mísseis cubanos”, disse Biden a uma multidão num evento partidário em Nova Iorque.

“Estamos tentando descobrir: qual é a saída de Putin? Onde você encontra uma saída?”

As referências de Biden ao Armagedom foram altamente incomuns para qualquer presidente americano que, em geral, não fazem referencias bíblicas.

As advertências do presidente, feitas sem rodeios a um grupo de doadores democratas vieram enquanto analistas em Washington debatiam se Putin recorreria a armas nucleares táticas para compensar suas crescentes perdas militares na Ucrânia.

Poucos dias antes em mais um discurso irado e inflamado, Putin levantou o espectro das armas nucleares para manter seus ganhos territoriais, que as contraofensivas da Ucrânia corroeram em mais da metade.

Putin sofisma alegando que as bombas atômicas que os Estados Unidos lançaram sobre o Japão em 1945 “criaram um precedente”.

É a primeira vez desde 1962 que autoridades de Moscou fazem ameaças nucleares explícitas.

O pesadelo russo paira sobre o mundo
O pesadelo russo paira sobre o mundo
Autoridades em Washington acham que as chances de Putin usar uma arma atômica permanecem baixas, mas estão claramente preocupados que a doutrina militar russa trate as armas táticas como um elemento potencial de conflito entre forças terrestres.

“Ele não está brincando quando fala sobre o uso potencial de armas nucleares táticas ou armas biológicas ou químicas porque suas forças armadas, estão com um desempenho significativamente abaixo do esperado”, acrescentou Biden sobre Putin

O conselheiro de segurança nacional de Biden, Jake Sullivan, disse que qualquer uso de armas nucleares teria “consequências catastróficas” para a Rússia, e em comunicações privadas com Moscou, os EUA o advertiram.


domingo, 15 de janeiro de 2023

Rússia faz “desaparecer” dois padres redentoristas

Padres Ivan Levytskyy e Bohdan Heleta
Padres Ivan Levytskyy e Bohdan Heleta
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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política internacional,
sócio do IPCO,
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Os padres redentoristas Ivan Levytskyy e Bohdan Heleta, pároco e vigário da Igreja Greco-Católica da Natividade da Bem-Aventurada Virgem Maria, foram presos em 16 de novembro em Berdyansk, Ucrânia, pelos serviços de segurança russos e foram feitos desaparecer.

A Congregação do Santíssimo Redentor (Redentoristas) continua sem contato com eles e não tem informações nem mesmo sobre o local onde os dois sacerdotes estão detidos, noticiou “Infocatólica”.

Berdyank é uma cidade portuária no sudeste da Ucrânia, na região de Zaporižžja, controlada pela Rússia.

Num comunicado a Congregação informou que “nos dias 23 e 24 de novembro o canal de televisão russo 'Zviezda' publicou um fragmento do interrogatório de Ivan Levytskyy. Havia sinais visíveis de esgotamento físico e mental no rosto do padre” nas imagens divulgadas.

O Pe Pe. Oleksandr Bogomaz, jovem pároco de Melitopol, na região de Zaporizhzhia, Ucrânia, também foi preso pela barbárie ateia putinista
O Pe Pe. Oleksandr Bogomaz, jovem pároco de Melitopol, na região de Zaporizhzhia, Ucrânia,
também foi preso pela barbárie ateia putinista
Desde que a cidade ficou sob o controle do exército de Putin – de quem se diz falsamente, aliás, que seria um campeão do cristianismo – os padres decidiram heroicamente ficar na cidade “para continuar servindo o povo”, fornecendo apoio espiritual e assistência humanitária a refugiados e pessoas em perigo devido à guerra.

A acusação montada contra os dois padres, e relatada por alguns meios de comunicação russos, é que eles teriam escondido explosivos e armas nas dependências da igreja e no porão de sua residência.

As armas teriam sido encontradas durante buscas por parte de uma unidade da Guarda Nacional Russa.

Essas buscas, realizadas na ausência dos padres que já haviam sido presos, apresentaram resultados “falsificados” e devem ser tidos como “falsos”, sublinham os Redentoristas na Ucrânia.

Os atentados sacríegos russos não cessam
Os atentados sacríiegos russos não cessam
Eles seriam uma represália após as descobertas dos serviços de segurança ucranianos no mosteiro de Kiev-Pechersk, obediente a um patriarca russo
.

“Desde o início da guerra – continua o comunicado dos Redentoristas – os dois padres se dedicaram exclusivamente ao cuidado pastoral dos católicos da cidade de Berdyansk, e até sua prisão ninguém havia reclamado algo sobre seu desempenho”.

A declaração conclui com um apelo pela libertação dos Padres Ivan e Bohdan “deste cativeiro sem sentido”, e com uma invocação a “Maria, Mãe de Deus, Mãe do Perpétuo Socorro”, para proteger os presos e ajudá-los a voltar para casa sem sinais de tortura ou graves danos físicos ou morais.

A Rússia de Putin está reeditando os piores procedimentos da URSS comunista perseguidora dos católicos.


Assim fala o arcebispo-mor dos católicos ucranianos de rito grego (São João Crisóstomo)