domingo, 10 de junho de 2018

Comunismo está vivo e ativo,
mas Ostpolitik vaticana abraça esse regime iníquo

Cardeal Josip Bozanic, arcebispo de Zagreb
Cardeal Bozanić, arcebispo de Zagreb em 1989
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Após a queda do Muro em 1989, os representantes de treze Conferências Episcopais da Europa do Leste realizaram em Zagreb sua 3ª reunião.

No documento conclusivo da reunião sublinharam que as feridas causadas pelo comunismo continuam vivas e envenenam a vida e a sociedade dos países outrora escravizados pelo socialismo de Estado.

Grande parte dos trabalhos girou em torno do legado espiritual deixado pelos mártires do comunismo.

No encerramento, o Cardeal Bozanić, arcebispo de Zagreb, advertiu: “temos a impressão de que embora o sistema tenha parado de funcionar nas suas formas anteriores, ele se transformou e se nos afigura como um terreno envenenado no qual deveriam ter brotados frutos”.

Segundo a agência Zenit, o que mais preocupa a esses bispos é que “sua estrutura [do comunismo] permanece na legislação e no Judiciário, na economia, educação e cultura”, e especialmente, “no véu de silêncio imposto sobre os acontecimentos do passado recente".


Cardeal Mindszenty então preso na legação americana de Budapest, 1956
Cardeal Mindszenty então preso
na legação americana de Budapest, 1956
“Os 'filhos da mentira' apanharam os restos do Telão de Aço e com eles escondem e ofuscam a verdade dos fatos sobre os indivíduos e certas instituições. Alguns semeiam a divisão e a confusão”, disse ainda o Cardeal de Zagreb.

A verdade, acrescentou o purpurado, “é que o sistema comunista quebrou, mas seus restos são muito resistentes e se fazem ver promovendo as mesmas falsidades não somente por meio da política e no relacionamento com o passado, mas também na educação, a ciência e o ensino”.

Nesse contexto, o Cardeal de Zagreb sublinhou a necessidade da defesa da vida e da família.

“Não consentiremos nunca nem permitiremos um compromisso político nestas questões, pois não dependem de acordos humanos, mas da verdade central da qual nós somos a fonte”, aludindo a sua condição de bispos, que receberam de Jesus Cristo a missão de pregar o Evangelho.

Para os prelados a Igreja deve lutar “contra a tendência de calar sobre o que aconteceu realmente” sob o comunismo, e assestar um foco especial nos mártires que ele fez em ódio à Fé.

Menos de dez anos depois, por ocasião do centenário da Revolução Bolchevista, acontecida em 7 de novembro de 1917, o secretário-geral da Conferência dos Bispos Católicos da Federação Russa, monsenhor Igor Kovalevsky, fez um patético apelo retomando quase os mesmos termos.

Apelou aos cristãos ocidentais para manterem viva a lembrança dos russos que deram sua vida sob a perseguição do regime comunista da União Soviética.

“Os sofrimentos nas prisões soviéticas e nos campos de trabalho continuam sendo um problema para toda a sociedade”, afirmou Mons. Kovalevsky ao jornal católico inglês “The Tablet”.

“Foram construídos templos em memória dos que morreram pela fé, que merecem ser comparados aos mártires dos primeiros séculos do Cristianismo”. Cfr.: Católicos russos gemem diante da nova aliança Moscou-Vaticano

No mesmo período o Cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado completou uma visita de quatro dias à Rússia.

O Cardeal Parolin, Secretário de Estado, estreita a mão de Putin enquanto os católicos gemem pelos maus tratos do amo do Kremlin
O Cardeal Parolin, Secretário de Estado, estreita a mão de Putin
enquanto os católicos gemem pelos maus tratos do amo do Kremlin
Enquanto mais importante colaborador do Papa Francisco para as relações internacionais, o Cardeal Parolin se reuniu primeiro com o patriarca Kirill – líder do Patriarcado cismático de Moscou formado na polícia política soviética KGB.

E logo a seguir com o próprio presidente Vladimir Putin e seu chanceler, Serguei Lavrov.

De retorno a Roma o Cardeal elogiou a Rússia na Rádio Vaticana.

Os católicos russos assistiram com angustia aos abraços do representante vaticano com os perseguidores instalados no Kremlin e no Patriarcado de Moscou.

“Houve claramente um aquecimento nas relações, mas não há uma mudança na política interna e externa russa”, disse Marcin Przeciszewski, diretor da Agencia Informativa Católica na vizinha Polônia, citado pelo National Catholic Reporter. 

Também os greco-católicos da Ucrânia foram atacados pelos cismáticos russos enquanto o Patriarca de Moscou trocava sorrisos com o Cardeal Parolin.

Desde então a virada de 180º da diplomacia vaticana em favor dos regimes comunistas mal dissimulados como o da Rússia e o da China ficou escancarada.

O abandono dos fiéis católicos nesses países se fez acintosa. O Vaticano lhes deu as costas.

Mas Jesus Cristo não abandona os seus. E a Ostpolitik vaticana não demorará em perceber que quem deveras lhe deu as costas foi o Senhor Deus dos Exércitos.


Um comentário:

  1. “Uma Igreja pobre, para os pobres”?… O Vaticano de Bergoglio à serviço da elite globalista

    https://fratresinunum.com/2018/06/11/uma-igreja-pobre-para-os-pobres-o-vaticano-de-bergoglio-a-servico-da-elite-globalista/

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